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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

28
Dez25

“Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos.” Capela S. Cristóvão - Ervedosa – Vinhais


Mário Silva Mário Silva

“Felizes os que esperam no Senhor

e seguem os seus caminhos.”

Capela S. Cristóvão - Ervedosa – Vinhais

28Dez Falram 3 dias_ms.jpg

A fotografia, capturada por Mário Silva, oferece um retrato sóbrio e emotivo da Capela de São Cristóvão, situada em Ervedosa, Vinhais.

A composição é dominada pela simplicidade arquitetónica da pequena ermida, em primeiro plano.

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A capela apresenta paredes brancas caiadas que se destacam sob uma luz difusa, possivelmente de um final de tarde, com a atmosfera levemente turva, quiçá por névoa ou orvalho.

O telhado, de telha tradicional de barro, é rematado por uma cruz singela e dois pináculos de pedra.

A porta principal, em madeira escura, é ladeada por dois pequenos óculos circulares, típicos de construções rurais e religiosas da região de Trás-os-Montes.

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Em frente à capela, encontra-se uma pequena área de acesso e patamar construída em granito rústico, com degraus largos.

No lado direito, um muro baixo de pedra irregular serve de guarda e assento, conferindo à entrada um ar de acolhimento e repouso.

Em ambos os lados, colunas robustas e trabalhadas em granito, com a sua pátina do tempo, emolduram a entrada.

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O fundo da imagem é preenchido por um horizonte rural, onde se vislumbra uma zona arborizada de pinheiros e vegetação dispersa, tudo envolto numa aura de calma e isolamento.

A terra à volta da capela é seca, de tons castanhos e amarelados, reforçando o cenário de ambiente interiorano.

A luz e o grão da imagem sugerem uma atmosfera quase intemporal, sublinhada pela citação que a acompanha, "Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos."

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O Santuário da Espera

"Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos."

No coração da terra ancestral de Trás-os-Montes, onde o granito guarda as histórias de séculos e o vento sopra a melodia dos pinhais, ergue-se a Capela de São Cristóvão em Ervedosa.

Não é um templo de fausto, mas um santuário da espera, um marco de fé plantado na simplicidade.

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A imagem capturada por Mário Silva não é apenas uma fotografia; é uma meditação sobre o Salmo que a intitula.

A frase, "Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos", ressoa na quietude da paisagem, transformando a capela num farol de paciência e propósito.

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As paredes brancas da ermida, lavadas pela chuva ou pelo tempo, são um reflexo da alma despojada que busca abrigo.

A porta escura, fechada, mas não trancada, sugere a intimidade do encontro — a entrada para o silêncio interior, onde a verdadeira espera acontece.

É no limiar, nos degraus de pedra gasta, que o caminhante de hoje encontra a sombra dos peregrinos de outrora, aqueles que, como São Cristóvão, transportavam o peso do mundo em busca de uma luz maior.

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O granito rude que sustenta a varanda não cede ao tempo; ele ensina a perseverança.

Ele murmura sobre os caminhos percorridos, os de Trás-os-Montes, acidentados e longos, e os da própria vida, cheios de incertezas.

A felicidade prometida não está no destino final apressado, mas no caminhar consciente, no seguir a senda com a certeza invisível da fé.

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Esperar no Senhor não é estagnação, mas um ato de confiança ativa.

É saber que, mesmo quando a luz é difusa e o horizonte se esbate nas árvores distantes, há uma cruz simples no topo do telhado a orientar.

É o reconhecimento de que cada passo é sustentado por uma promessa que transcende a paisagem visível.

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A capela de Ervedosa, solitária e serena, lembra-nos que a verdadeira felicidade reside na humildade da jornada e na fidelidade à direção.

É a poesia da fé anónima, do rito simples, que faz do esperar a forma mais elevada do seguir.

É um convite ao repouso da alma, antes de retomar o caminho com o coração renovado pela esperança.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
09
Nov25

Igreja de São Martinho – Ervedosa – Vinhais – Bragança – Portugal


Mário Silva Mário Silva

Igreja de São Martinho

Ervedosa – Vinhais – Bragança – Portugal

09Nov DSC04079_ms

A fotografia de Mário Silva retrata a Igreja de São Martinho, na aldeia de Ervedosa, no concelho de Vinhais, distrito de Bragança.

A igreja é uma construção em granito rústico, com uma tonalidade dourada, banhada pela luz intensa do final da tarde, que projeta sombras nítidas.

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A fachada principal é marcada por uma torre sineira de dupla abertura, que se eleva acima do telhado de telha vermelha, e está coroada por uma cruz de pedra.

Na parte superior da fachada, no topo da empena, é visível um relógio de parede embutido na pedra.

A entrada principal, com uma porta de madeira escura, é ladeada por cantaria bem trabalhada.

A construção combina o granito à vista com paredes laterais caiadas de branco.

Um espelho de trânsito convexo em primeiro plano, no centro-direito, reflete a fachada de forma distorcida, introduzindo um elemento moderno no contexto histórico.

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São Martinho: Do Soldado Romano ao Patrono da Generosidade e do Vinho Novo

A Igreja de São Martinho em Ervedosa (Vinhais) é um testemunho da profunda e antiga devoção portuguesa a este santo, cujo culto está intrinsecamente ligado à época do outono e à celebração do vinho novo.

A história de São Martinho de Tours, que se tornou um dos santos mais populares da Europa, explica a origem do famoso "Verão de São Martinho" e do ritual do Magusto.

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A Origem do Culto: O Manto e a Caridade

O culto a São Martinho (316–397 d.C.) tem origem numa lenda que se tornou um símbolo de generosidade e misericórdia cristã.

Segundo a história, Martinho era um jovem soldado romano na Gália.

Num dia de inverno rigoroso, encontrou um mendigo quase nu à porta da cidade de Amiens.

Sem ter nada para oferecer, Martinho cortou a sua capa militar (o manto) a meio com a espada e deu metade ao mendigo.

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Naquela noite, Martinho sonhou com Jesus, vestido com a metade do manto que havia dado.

Ao acordar, Martinho compreendeu que o ato de caridade era a sua verdadeira vocação, e a partir desse momento, dedicou a sua vida à fé.

Acabou por ser batizado e, mais tarde, nomeado Bispo de Tours, na França.

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O Milagre do Verão de São Martinho

O dia da sua celebração, 11 de novembro, marca um período de melhoria climática no outono europeu, conhecido em Portugal como o Verão de São Martinho.

A lenda diz que o milagre da capa (o corte e a entrega do manto) foi recompensado por Deus com três dias de sol e calor inesperados para aquecer o pobre mendigo.

Este período é esperado anualmente em Portugal e celebrado com alegria.

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O Magusto: Vinho Novo e Castanhas

A data de 11 de novembro coincide com o final das colheitas e o início da prova do vinho novo.

Assim, o culto a São Martinho ligou-se naturalmente ao ritual do Magusto, em que as famílias e comunidades se reúnem para assar castanhas na fogueira (em Trás-os-Montes, como em muitas outras regiões) e beber o vinho acabado de fazer ou a água-pé.

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A Igreja de São Martinho em Ervedosa, com a sua arquitetura de granito, representa este pilar da tradição: um local de fé que resiste ao tempo e que, todos os anos, se torna o centro espiritual de uma festa que celebra a bondade, a memória do santo e a renovação dos frutos da terra.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
28
Set25

“Capela S. Cristovão” - Ervedosa – Vinhais – Bragança – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Capela S. Cristovão”

Ervedosa – Vinhais – Bragança – Portugal

28Set DSC04026_ms

A fotografia de Mário Silva retrata a Capela de São Cristóvão, em Ervedosa, Vinhais, Bragança.

A imagem, capturada sob uma luz clara, no final da tarde, foca na fachada da pequena capela.

A construção, de paredes brancas e telhado de barro, tem uma porta de madeira escura e é encimada por uma cruz.

Uma escadaria de pedra rústica conduz a um pátio cercado por uma grade de ferro verde, que se destaca em primeiro plano.

Folhas secas espalhadas pelos degraus e o verde das árvores nos cantos da foto dão um toque de vida à cena.

A assinatura de Mário Silva no canto inferior direito finaliza a obra.

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São Cristóvão: A Lenda do Gigante e a Fé que Move Montanhas

A figura de São Cristóvão é uma das mais fascinantes e populares do cristianismo, especialmente pela sua ligação com os viajantes e motoristas.

A sua história, contada principalmente através da Legenda Áurea, um famoso livro medieval, mistura elementos de lenda e fé, e a sua devoção atravessou séculos e continentes.

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A Lenda de Offero, o Gigante

A história começa com um homem de nome Offero (que significa "o que carrega").

Ele era um gigante, de grande força e estatura, que decidiu dedicar a sua vida a servir o rei mais poderoso do mundo.

Após uma longa busca, Offero percebeu que o rei a quem servia tinha medo do diabo, o que o levou a procurar o próprio príncipe das trevas para servi-lo.

No entanto, o diabo demonstrou medo de uma cruz, o que convenceu Offero de que a cruz, e por consequência, Cristo, era o poder mais forte do universo.

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Determinado a servir a Jesus, Offero consultou um eremita.

O homem santo disse-lhe que a melhor forma de servir a Cristo seria usar a sua imensa força para ajudar os outros.

O eremita sugeriu que ele se instalasse na margem de um rio perigoso e caudaloso, onde muitos peregrinos se afogavam.

A sua missão seria carregar as pessoas nos seus ombros, ajudando-as a atravessar a correnteza em segurança.

Offero aceitou de bom grado.

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O Encontro com o Menino Jesus

Certa noite, Offero estava a descansar quando ouviu uma voz de criança a chamá-lo.

Ao se aproximar, viu um pequeno menino à espera para atravessar o rio.

Com a sua força habitual, ele colocou o menino no seu ombro e começou a caminhada.

No meio da travessia, no entanto, a criança tornou-se incrivelmente pesada, como se todo o peso do mundo estivesse no seu corpo.

O rio agitava-se e a travessia tornou-se uma luta exaustiva.

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Quando finalmente chegaram à outra margem, Offero desabou, exausto.

Ele disse ao menino:

- Parece que carreguei o mundo inteiro nos meus ombros!

O menino sorriu e respondeu:

- Não te admires, Offero, pois não levaste só o mundo às costas, mas também Aquele que o criou. Eu sou Jesus, teu Senhor e teu Rei, e acabas de carregar o Salvador."

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Após o encontro, o menino batizou-o, e Offero, "o que carrega", e tornou-se Christophorus, que em grego significa "o que carrega Cristo".

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O Legado de São Cristóvão

A devoção a São Cristóvão espalhou-se rapidamente na Idade Média.

A sua lenda inspirou milhares de pessoas e ele tornou-se o patrono dos viajantes.

Apesar do seu nome ter sido removido do calendário litúrgico oficial da Igreja Católica em 1969, por falta de evidências históricas da sua existência, a devoção popular a São Cristóvão continua muito forte.

Ele é invocado para a proteção nas estradas e contra a morte súbita, e a sua imagem é comumente encontrada em carros e em capelas à beira de estradas, como a de Ervedosa.

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A sua história é um lembrete poderoso de que a verdadeira força não reside apenas no poder físico, mas no serviço humilde e na fé inabalável.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
24
Set25

“A Ponte dos Mineiros” - (de cabos de aço e tábuas de madeira (partidas ou podres)) que atravessa o Rio Tuela, dando acesso ao complexo mineiro de Nuzedo/Ervedosa - Vale das Fontes – Vinhais – Bragança – Portugal


Mário Silva Mário Silva

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“A Ponte dos Mineiros”

(de cabos de aço e tábuas de madeira (partidas ou podres))

que atravessa o Rio Tuela, dando acesso ao complexo mineiro de

Nuzedo/Ervedosa - Vale das Fontes – Vinhais – Bragança – Portugal

24Set DSC03881_ms

Esta fotografia de Mário Silva capta uma ponte de tábuas de madeira, com cabos de aço e pilares de metal enferrujados.

A ponte, que atravessa o rio Tuela, está desgastada pelo tempo.

As tábuas de madeira estão partidas ou podres, e os cabos de aço estão a enferrujar.

A fotografia, com a sua iluminação dourada e a sua perspetiva, transmite uma sensação de abandono e de perigo.

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A Importância da Ponte dos Mineiros: Uma História de Ligação e de Sacrifício

A Ponte dos Mineiros, que Mário Silva fotografou, é mais do que uma estrutura de madeira e de aço.

É um monumento de grande importância histórica.

A ponte, que atravessa o Rio Tuela, ligava as aldeias de Vale das Fontes à margem esquerda do rio, dando acesso ao complexo mineiro de Nuzedo/Ervedosa.

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As minas, que foram uma fonte de sustento para a comunidade local, eram o centro da vida económica e social da região.

Os mineiros, que arriscavam as suas vidas todos os dias, dependiam da ponte para chegar ao trabalho.

A ponte era o seu caminho, o seu refúgio, e o seu elo com as suas famílias e as suas casas.

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No entanto, a ponte, com a sua estrutura frágil, era um perigo constante.

Os mineiros, que eram valentes, mas também vulneráveis, arriscavam as suas vidas a cada passo.

A ponte era um teste à sua coragem e à sua fé, uma chamada de atenção constante de que a vida, por mais que lutemos, é frágil e imprevisível.

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Com o fim da atividade das minas, a ponte, que já foi um símbolo de trabalho e de sacrifício, foi abandonada.

As tábuas de madeira, que antes eram um caminho de esperança, tornaram-se um túmulo para as memórias.

Os cabos de aço, que antes eram um símbolo de força, tornaram-se um símbolo de abandono.

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A fotografia de Mário Silva é um retrato da beleza e da melancolia da Ponte dos Mineiros.

É uma lembrança do passado da região, do trabalho dos mineiros, do seu sacrifício e da importância que esta ponte teve.

É um convite a olhar para o passado com respeito e a não nos esquecermos das lições do presente.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
21
Set25

“Santuário de Santa Bárbara” – Soutilha - Ervedosa – Vinhais – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Santuário de Santa Bárbara”

Soutilha - Ervedosa – Vinhais – Portugal

21Set DSC03971_ms

Esta fotografia de Mário Silva retrata uma pequena capela branca com um telhado de telha de barro, localizada no cimo de uma colina.

A capela, com a sua arquitetura simples, contrasta com uma torre de pedra de coroa de castelo.

Ao lado da capela, há uma estrutura em pedra que se assemelha a uma torre de sino, com a sua sombra a projetar-se sobre a parede branca.

A fotografia, com a sua luz do sol e o seu céu azul, evoca uma sensação de paz e de serenidade.

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A História e a Devoção a Santa Bárbara

Santa Bárbara é uma das santas mais veneradas da tradição católica.

A sua história, embora com poucas fontes históricas, é rica em devoção e em milagres.

Acredita-se que Santa Bárbara era uma jovem de Nicomédia, uma cidade na Turquia, que viveu no século III.

A sua história é um exemplo de fé e de coragem perante a perseguição.

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Santa Bárbara é a padroeira dos mineiros, dos artilheiros e de todos os que trabalham em atividades perigosas, porque ela foi martirizada e decapitada pelo seu pai por ter-se convertido ao cristianismo.

Diz a lenda que o pai, ao voltar para casa, foi fulminado por um raio.

Por isso, Santa Bárbara é também a protetora contra as trovoadas, os relâmpagos, os incêndios e as mortes súbitas.

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A sua imagem, com a sua espada e o seu chapéu, é um símbolo de força, de coragem e de fé.

A sua devoção, que se espalhou pelo mundo, é um testemunho da sua importância na vida de milhões de fiéis.

Em Portugal, a devoção a Santa Bárbara é especialmente forte, com igrejas e santuários a serem construídos em sua honra, como o de Soutilha, em Vinhais.

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O santuário de Santa Bárbara, em Vinhais, é um local de peregrinação e de fé.

A capela, com a sua arquitetura simples, e o seu campanário de pedra, é um tributo à sua vida e ao seu sacrifício.

É um local de paz e de serenidade, onde os fiéis podem meditar, rezar e agradecer.

A fotografia de Mário Silva capta a beleza e a espiritualidade do santuário, e a sua estória, que é um conto sobre a devoção e o milagre, é uma lembrança da força da fé e da sua capacidade de inspirar e de salvar.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
17
Set25

“Riacho” - Nuzedo de Baixo - Vale das Fontes – Vinhais – Bragança – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Riacho”

Nuzedo de Baixo - Vale das Fontes –

Vinhais – Bragança – Portugal

15Set DSC03812_ms

A fotografia "Riacho" de Mário Silva retrata um pequeno curso de água.

A água, límpida e calma, reflete as árvores e a vegetação das margens.

A margem do riacho é coberta de ervas altas, juncos e pedras, com algumas árvores e arbustos.

No fundo, vislumbra-se uma ponte rústica e um pequeno edifício.

A luz do sol da tarde ilumina a cena, criando um ambiente tranquilo e sereno.

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Estória Lírica: A Canção das Águas

Em Nuzedo de Baixo, a vida corria ao ritmo do riacho.

As suas águas não eram apenas um recurso; eram uma canção, uma melodia que embalava a vida da aldeia.

A fotografia de Mário Silva capturou a sua essência, a sua alma.

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O riacho era o coração da paisagem, o seu espelho.

As águas calmas, com os seus reflexos, pareciam contar histórias de um mundo que Mário Silva capturou com a sua lente.

Histórias de sol, de vento, de chuva, de vida.

As ervas altas nas margens eram as suas notas, o murmúrio da água era a sua melodia.

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A ponte, que se vislumbra ao fundo, era o seu verso, a sua promessa de que a vida continua, que a água encontra sempre o seu caminho.

A fotografia de Mário Silva era um lembrete de que a vida é um ciclo.

Que o riacho, que nasce na montanha e corre para o mar, é a vida, que nasce na infância e corre para a eternidade.

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A cada pedra no riacho, a cada folha que caía na água, a canção mudava, mas a melodia permanecia.

Era a canção da natureza, a canção da vida.

Era uma canção de paz, de esperança, de amor.

Uma canção que nos ensinava que a vida, tal como a água, deve ser vivida com serenidade, com calma, com amor.

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A fotografia de Mário Silva era uma ode a esta canção.

Era uma melodia visual, um poema pintado com luz e cor.

Era uma lembrança de que a beleza da vida não está nas coisas grandes, mas nas pequenas.

No brilho do sol na água, na calma do riacho, na serenidade da paisagem.

E que a nossa missão, tal como a do riacho, é correr para a frente, mas com um coração em paz.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
07
Set25

"Teto pintado sobre madeira" - Igreja de São Lourenço – Rebordelo – Vinhais - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"Teto pintado sobre madeira"

Igreja de São Lourenço – Rebordelo – Vinhais - Portugal

07Set DSC03281_ms

Esta fotografia de Mário Silva foca-se no teto pintado da Igreja de São Lourenço.

A imagem, captada a partir de um ângulo baixo, revela uma rica e detalhada pintura sobre madeira, com cores vibrantes e figuras complexas.

O teto, arqueado, possui um fresco com representações de anjos e de outras figuras celestiais.

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A Riqueza Oculta da Igreja de São Lourenço em Rebordelo

A Igreja de São Lourenço, em Rebordelo, é um templo do século XVI que, com o seu exterior simples e sóbrio, contrasta com a riqueza do seu interior.

A igreja, que é um exemplo da arquitetura religiosa rural, é uma obra-prima que esconde a beleza da sua arte e da sua história.

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O interior da igreja é revestido por painéis de azulejos do século XVIII, que representam cenas religiosas do Velho Testamento.

Um dos painéis, datado do século XVI, é provavelmente da decoração original.

Nas paredes laterais, há dois painéis do século XVII com cenas da vida de São Lourenço, o orago da igreja.

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O altar-mor, uma obra de arte barroca, é uma das peças mais notáveis da igreja.

O altar é uma estrutura imponente e ornamentada, revestida em talha dourada.

Cada espiral e cada folha de acanto são um testemunho da maestria dos artesãos que, séculos atrás, criaram esta peça de devoção.

A tela do altar-mor, com a imagem da Última Ceia, é uma das peças mais importantes da igreja.

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O teto da igreja, pintado sobre madeira, é uma obra de arte por si só.

O fresco, com as suas figuras celestiais e os seus anjos, é um retrato da fé e da arte dos séculos passados.

A luz que incide sobre o teto realça a riqueza dos detalhes e a beleza das cores.

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A Igreja de São Lourenço é um tesouro escondido no coração de Trás-os-Montes.

A sua beleza, a sua história e a sua fé são um tributo ao legado dos nossos antepassados.

O seu interior, rico em detalhes e em significado, é um convite a olhar para o passado com respeito e admiração.

O interior continua sua a sua rica originalidade, sem intervenções de pseudo-embelezamento.

Parabéns aos frequentadores deste templo religioso, por preservarem esta riqueza artística e religiosa.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
24
Ago25

Igreja de São Lourenço – Rebordelo – Vinhais – Portugal


Mário Silva Mário Silva

Igreja de São Lourenço

Rebordelo – Vinhais – Portugal

24Ago DSC03270_ms

Esta fotografia de Mário Silva capta um ângulo de baixo para cima da Igreja de São Lourenço, em Rebordelo, Vinhais.

O edifício, com paredes caiadas de branco e uma fachada em pedra amarelada, domina a imagem sob um céu azul e limpo.

A arquitetura da igreja é simples, mas elegante, com uma porta principal de madeira verde e janelas retangulares, ladeadas por colunas de pedra esculpida.

Acima da porta, um brasão em pedra é ladeado por duas figuras em talha.

A torre sineira, com dois sinos, ergue-se acima do telhado, terminando numa cruz de ferro.

A fotografia realça a luz dourada do sol que incide sobre o edifício, e a simplicidade e a beleza da arquitetura rural.

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A Vida e o Legado de São Lourenço - Um Símbolo de Fé e Caridade

A fotografia de Mário Silva da Igreja de São Lourenço, em Rebordelo, Vinhais, é um lembrete da forte devoção popular a este santo, particularmente em Portugal.

A igreja, com a sua arquitetura simples e digna, reflete o espírito de São Lourenço: a fé inabalável, a humildade e a caridade.

A sua vida e a sua morte, no século III, tornaram-no um dos mártires mais venerados da Igreja Católica.

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A Vida de um Diácono em Roma

São Lourenço, nascido em Espanha, foi um dos sete diáconos de Roma, encarregado de administrar os bens da Igreja e de distribuir esmolas aos pobres.

A sua vida foi dedicada ao serviço dos necessitados, e a sua fé era inabalável.

Ele viveu numa época de grande perseguição aos cristãos, sob o imperador Valeriano.

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Quando o Papa Sisto II foi martirizado, Lourenço, como o seu principal diácono, assumiu a responsabilidade de guardar os tesouros da Igreja.

O imperador, ao saber disso, exigiu que Lourenço lhe entregasse os tesouros.

Lourenço, em vez de se acobardar, pediu três dias para os reunir.

Durante esse tempo, ele distribuiu tudo o que a Igreja possuía entre os pobres, os órfãos e os viúvos, e depois, no terceiro dia, apresentou-se perante o imperador com eles.

 - Estes - disse ele - são os verdadeiros tesouros da Igreja.

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O Martírio e o Legado

O imperador, furioso, condenou Lourenço à morte.

Ele foi torturado e, segundo a tradição, foi colocado numa grelha ardente.

A lenda conta que, mesmo no meio do sofrimento, ele manteve a sua serenidade e o seu sentido de humor, dizendo aos seus carrascos:

- Podem virar-me, este lado já está cozinhado.

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A morte de São Lourenço, mais do que um ato de crueldade, foi um triunfo da fé e da caridade.

O seu martírio inspirou muitos a converterem-se ao cristianismo e a sua história tornou-se um símbolo da força da fé em face da adversidade.

A sua vida foi um exemplo de como a riqueza de uma comunidade não reside em ouro ou prata, mas na compaixão e na ajuda aos mais necessitados.

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São Lourenço é o padroeiro dos diáconos, dos cozinheiros, dos bombeiros e dos bibliotecários.

A sua festa é celebrada a 10 de agosto.

A sua história continua a ser um farol de esperança, uma lembrança de que o amor ao próximo é a forma mais pura de fé e que a verdadeira riqueza reside na partilha e na solidariedade.

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A Igreja de São Lourenço em Rebordelo, como tantas outras igrejas em Portugal, é um tributo a este homem, um lembrete de que a sua vida e a sua morte têm o poder de inspirar e de nos ensinar sobre a importância da fé e da caridade.

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Texto & Fotografia: ©Máriosilva

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Mário Silva 📷
17
Ago25

"Altar-mor da igreja de São Lourenço" - Rebordelo (Vinhais – Portugal)


Mário Silva Mário Silva

"Altar-mor da igreja de São Lourenço"

Rebordelo (Vinhais – Portugal)

17Ago DSC03277_ms

Esta fotografia de Mário Silva, intitulada "Altar-mor da igreja de São Lourenço", capta uma vista interior de um altar barroco ricamente decorado.

A imagem é dominada pelo altar-mor, uma estrutura imponente e ornamentada, revestida em talha dourada.

Ao centro, um nicho com a imagem de um santo, ladeado por colunas espiraladas, também em talha dourada, que se elevam até um dossel de grande detalhe.

Em ambos os lados do altar-mor, nichos laterais abrigam estátuas de santos.

O teto, arqueado, possui um fresco com representações de anjos e figuras celestiais.

O chão em primeiro plano é de pedra, com uma mesa de altar simples e branca.

A luz que incide sobre o altar realça o brilho do dourado e a complexidade dos detalhes da talha.

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A Preservação do Passado - A Luta Contra os "Restauros" que Desvirtuam a Origem

A fotografia de Mário Silva do altar-mor da igreja de São Lourenço, em Rebordelo, Vinhais, é um testemunho da riqueza e da beleza do património artístico e religioso de Portugal.

A complexidade da talha dourada e a história que ela carrega em cada pormenor reforçam a importância crucial da sua preservação.

No entanto, a preservação autêntica enfrenta um desafio crescente: os "restauros" que, em vez de conservarem, desvirtuam a verdadeira origem das obras.

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A Diferença Entre Preservação e "Restauro" Desvirtuado

A preservação do património histórico, seja ele um altar, uma estátua ou um edifício, é a arte de conservar a sua integridade e autenticidade.

O objetivo é manter a obra o mais próximo possível do seu estado original, reparando danos e protegendo-a da degradação, mas sem alterar a sua essência.

Isto implica um estudo aprofundado dos materiais, das técnicas e do contexto histórico.

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Em contraste, o "restauro" desvirtuado é uma intervenção que ignora a história da obra.

Muitas vezes, com a intenção de a "melhorar" ou "modernizar", são usados materiais e técnicas que não correspondem à época, ou são acrescentados elementos que nunca fizeram parte do original.

Um exemplo clássico é o uso de tintas sintéticas em vez das pigmentações tradicionais, ou a remoção de camadas de pintura que, embora danificadas, contam a história da obra.

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O Exemplo do Altar de São Lourenço

O altar-mor retratado por Mário Silva é uma obra-prima de talha dourada.

Cada espiral, cada folha de acanto, é um testemunho da mestria dos artesãos que, séculos atrás, criaram esta peça de devoção.

Um restauro inadequado poderia, por exemplo, levar à aplicação de um verniz que alterasse o brilho e a tonalidade do ouro, ou à substituição de peças originais por réplicas grosseiras, apagando assim a história e o valor da obra.

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O risco dos "restauros" que desvirtuam a origem não é apenas estético, mas também histórico e cultural.

A autenticidade de uma obra é um componente fundamental do seu valor.

Uma peça histórica perde o seu poder de nos ligar ao passado se a sua forma original for alterada.

O resultado é um objeto que parece novo, mas que perdeu a sua alma, a sua verdade e a sua capacidade de contar a sua própria história.

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O Caminho Certo: A Preservação Cautelosa

O caminho certo é o da preservação cautelosa e da intervenção mínima.

A fotografia de Mário Silva é um convite a olhar para o passado com respeito e admiração.

A beleza do altar de São Lourenço reside não só na sua forma, mas na sua idade, nos sinais do tempo que carrega.

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Preservar o património não é mantê-lo num estado de perfeição artificial, mas sim garantir que a sua autenticidade e a sua história sejam respeitadas e transmitidas às futuras gerações.

É a arte de manter viva a memória, sem apagar as marcas do tempo que nos contam quem fomos e quem somos.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
13
Ago25

Rio Rabaçal - Fronteira natural entre os distritos de Vila Real e Bragança


Mário Silva Mário Silva

Rio Rabaçal

Fronteira natural entre os distritos de Vila Real e Bragança

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A fotografia de Mário Silva, intitulada "O rio Rabaçal", retrata uma vista serena de um rio a fluir por um vale.

A imagem é dominada pelas águas calmas e reflexivas do rio, que ocupa o centro da composição.

As margens do rio são ladeadas por colinas íngremes, cobertas por uma vegetação mista de mato e árvores.

As encostas, em tons de verde e castanho, descem até ao nível da água, onde se veem rochas

e uma vegetação mais densa.

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A luz da fotografia é suave e difusa, criando reflexos na superfície do rio que espelham o céu e as encostas.

Um pequeno arbusto em primeiro plano, à direita, e algumas rochas na margem esquerda, adicionam profundidade à cena.

A imagem transmite uma sensação de paz, isolamento e a beleza natural de uma paisagem fluvial, realçando a tranquilidade do local.

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O Rio Rabaçal - Uma Fronteira Natural com Alma Transmontana

O Rio Rabaçal, uma artéria vital no coração de Trás-os-Montes, é mais do que um simples curso de água; é uma fronteira natural, uma linha de vida e um repositório de histórias e paisagens que definem a essência do norte de Portugal.

A sua beleza, com vales profundos e águas serenas, é magnificamente capturada na fotografia de Mário Silva.

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Onde Nasce e Por Onde Passa

O Rio Rabaçal nasce na Galiza, em Espanha, na Serra de Larouco.

Contudo, é em território português que ele assume a sua identidade e importância.

A partir de Bragança, o rio traça o seu caminho, servindo como uma fronteira natural entre os distritos de Vila Real e Bragança, uma particularidade que lhe confere um papel geográfico e cultural único.

Ao longo do seu percurso, o Rabaçal esculpe paisagens deslumbrantes, passando por vales profundos e encostas repletas de vegetação.

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A Divisória de Dois Mundos

Durante muitos quilómetros, o rio Rabaçal atua como uma barreira física e simbólica.

De um lado, as terras de Chaves, no distrito de Vila Real, e do outro, as de Vinhais, no distrito de Bragança.

Esta dualidade confere às margens do rio uma riqueza de tradições e histórias, com as comunidades de ambas as margens a partilharem a vida e o destino, mas com identidades culturais próprias.

A paisagem que o Mário Silva capta na sua imagem, com as encostas a descerem suavemente até à água, é um testemunho da relação de coexistência e interdependência entre o rio e a terra que o molda.

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Onde Vai Desaguar

A jornada do Rio Rabaçal termina de forma notável.

Depois de um percurso de cerca de 100 quilómetros, ele encontra o Rio Tuela, perto da localidade de Mirandela, dando origem ao Rio Tua.

Este encontro de águas simboliza a confluência de paisagens e a união de histórias, formando um novo rio que continuará o seu caminho até se juntar ao grande Rio Douro.

A vida do Rabaçal, portanto, não se esgota em si mesma; ela funde-se com outros rios, alimentando um sistema fluvial maior e mais poderoso.

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O Rio Rabaçal é, em suma, um espelho da alma transmontana: resiliente, profundo e intrinsecamente ligado à terra.

As suas águas serenas escondem a força da sua jornada e o seu vale, uma paisagem que Mário Silva tão bem nos mostra, é um lembrete da beleza natural e da rica história que se esconde nas fronteiras do norte de Portugal.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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