"Real Pombal" - Vila Frade - Lamadarcos (ou Lama de Arcos), Chaves, Portugal
Mário Silva Mário Silva
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"Real Pombal"
Vila Frade - Lamadarcos (ou Lama de Arcos)
Chaves, Portugal

Esta fotografia de Mário Silva mostra um pombal de pedra, de forma cilíndrica e com o topo em forma de coroa de castelo, localizado num campo.
A estrutura, que já foi um magnífico pombal, está agora desgastada pelo tempo.
O edifício está rodeado por um campo de palha ceifada, em tons de amarelo e castanho, o que contrasta com a cor da sua pele.
Uma pequena porta de madeira, com a sua cor escura, é a única entrada para o interior do pombal.
A imagem, com a sua arquitetura única e a sua história de abandono, transmite uma sensação de melancolia e de saudade de um tempo que já foi.
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Estória: A Maldição do Engenheiro
Houve um tempo em que o pombal, que o Mário Silva fotografou, era o centro do mundo.
Milhares de pombas, com as suas penas de cor de pérola e de cinza, viviam no seu interior.
O pombal era o seu lar, o seu santuário, e as pombas eram a voz da aldeia.
Quando voavam, era como se o céu cantasse.
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Mas um dia, um engenheiro agrícola, com o seu chapéu na cabeça e o seu ar de sapiência, chegou à aldeia.
- Os excrementos das pombas - disse ele - prejudicam a criação de gado bovino e ovino.
A sua voz, antes fina e suave, transformou-se num trovão.
E, por conselho dele, o pombal, que antes era o lar das pombas, transformou-se num local de criação de águias de asa redonda e outras aves de rapina.
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As águias, com as suas asas de fogo e os seus olhos de diamante, tomaram o lugar das pombas.
O canto do pombal, que antes era suave, tornou-se um grito.
As pombas, assustadas e feridas, fugiram.
E a aldeia, que antes era cheia de vida, tornou-se silenciosa.
A maldição do engenheiro, como a chamavam, tinha chegado.
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A velha Rufina, que morava perto, olhava para o pombal com o coração pesado.
O pombal, que antes era um símbolo de vida, era agora um símbolo de morte.
As pombas, que tinham sido os seus amigos, tinham-se ido embora.
O pombal, com as suas paredes de pedra e o seu topo em forma de coroa, era apenas um túmulo para as memórias.
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O tempo passou, e as águias, que tinham sido criadas no pombal, foram para outros lugares.
O pombal, agora vazio, era um castelo abandonado, com as suas paredes a cair e o seu telhado a desmoronar.
A maldição do engenheiro tinha-se concretizado.
O pombal, que antes era o lar de pombas, era agora o lar da saudade.
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A fotografia de Mário Silva capta o pombal como ele é agora.
A imagem é um lembrete de que, por mais que a nossa intenção seja boa, as nossas ações podem ter consequências imprevisíveis.
E a estória do pombal é um conto sobre a perda, a mudança e a importância de não nos esquecermos das lições do passado.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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