Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

03
Out25

Cogumelos (Lactarius aurantiacus)


Mário Silva Mário Silva

Cogumelos (Lactarius aurantiacus)

03Out DSC01984_ms

A fotografia de Mário Silva capta a beleza singela e a cor vibrante de dois cogumelos “Lactarius aurantiacus”.

No centro da imagem, um cogumelo adulto destaca-se, com o seu chapéu em tons de laranja intenso e o pé curvo e esguio da mesma cor.

Em primeiro plano, um cogumelo mais jovem, com o chapéu ainda fechado, adiciona profundidade à cena.

O foco seletivo no cogumelo principal realça a sua textura, enquanto o fundo desfocado, composto por folhas secas e relva, cria um contraste que faz com que os cogumelos se destaquem.

.

O Reino Silencioso: A Importância dos Cogumelos e do “Lactarius aurantiacus” para a Biodiversidade

Muitas vezes, olhamos para as florestas e pensamos apenas em árvores e animais, esquecendo-nos do mundo silencioso e invisível que existe sob os nossos pés.

Os cogumelos, como o vibrante “Lactarius aurantiacus” fotografado por Mário Silva, não são apenas seres curiosos que brotam do solo; eles são engenheiros do ecossistema, essenciais para a saúde e a sustentabilidade da floresta.

.

O Papel dos Cogumelos na Natureza

Os cogumelos são a parte visível de um organismo muito maior e mais complexo, o micélio, uma rede subterrânea de filamentos que se estende por vastas áreas.

Eles desempenham um papel crucial em várias funções ecológicas:

Decomposição: A função mais conhecida dos cogumelos é a de decompositores.

Eles quebram a matéria orgânica morta, como folhas, galhos e troncos de árvores.

Ao fazerem isso, libertam nutrientes essenciais de volta para o solo, onde podem ser absorvidos por outras plantas.

Sem os cogumelos, as florestas seriam rapidamente sufocadas pela matéria orgânica morta.

.

Relações Simbióticas: Muitos cogumelos, incluindo o género “Lactarius”, formam relações de mutualismo com as árvores, num processo chamado micorriza.

As hifas do micélio ligam-se às raízes das árvores, e esta relação é uma troca benéfica para ambos.

O cogumelo ajuda a árvore a absorver água e nutrientes do solo, como o fósforo, que são de difícil acesso.

Em troca, a árvore fornece ao cogumelo os carboidratos produzidos pela fotossíntese.

Esta simbiose é tão importante que algumas árvores não conseguem sobreviver sem os seus parceiros fúngicos.

.

O Lactarius aurantiacus

O “Lactarius aurantiacus” é um cogumelo comestível, embora o seu sabor seja amargo, o que faz com que seja pouco procurado na culinária.

O seu nome, que se traduz como "leite alaranjado", refere-se ao látex de cor alaranjada que liberta quando é cortado ou esmagado.

.

Embora a sua principal contribuição não seja a culinária, ele é um componente importante da biodiversidade da floresta.

Ao participar de relações simbióticas com árvores e decompondo a matéria orgânica, o “Lactarius aurantiacus” contribui para o equilíbrio da floresta e ajuda a manter a sua vitalidade.

A sua cor intensa é uma chamada de atenção de que a vida na natureza vem em todas as formas, tamanhos e tons, e que cada um, mesmo o mais pequeno, desempenha um papel fundamental.

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

.

Mário Silva 📷
29
Set25

“Folhas flamejantes de vide no outono”


Mário Silva Mário Silva

“Folhas flamejantes de vide no outono”

29Set DSC09270_ms

A fotografia de Mário Silva captura a essência do outono com uma folha de videira em cores vibrantes.

Em primeiro plano, uma grande folha, com tonalidades que variam do amarelo dourado ao vermelho intenso, destaca-se, realçada pela luz que a atravessa.

A complexa rede de nervuras é visível, mostrando a sua delicada estrutura.

No fundo, a terra e as vinhas adormecidas formam um cenário em tons neutros, que realçam a beleza e o brilho da folha.

A imagem, com um foco seletivo, celebra a transição da natureza.

.

A Paleta do Outono: Quando a Natureza se Veste de Fogo

Quando o verão se despede e o ar fresco da manhã se instala, a natureza começa a sua mais bela transformação.

O outono chega, e com ele, uma explosão de cores que pinta a paisagem com uma paleta de tirar o fôlego.

As folhas, outrora verdes e vibrantes, começam a mudar, criando um espetáculo de tons de amarelo, laranja, vermelho e castanho.

.

Essa mudança não é um simples capricho da natureza, mas sim um processo biológico fascinante.

Durante a primavera e o verão, a clorofila é a protagonista.

Este pigmento verde é essencial para a fotossíntese, o processo pelo qual as plantas produzem energia a partir da luz solar.

Ele domina a cor das folhas e esconde outros pigmentos que estão sempre lá, mas em menor quantidade.

.

Com a chegada do outono, as horas de luz do dia diminuem e as temperaturas caem.

Como resposta, as árvores e plantas, como a videira, começam a preparar-se para o inverno.

Elas param de produzir clorofila e, gradualmente, quebram-na para conservar os seus nutrientes preciosos.

À medida que o verde desaparece, outros pigmentos, como os carotenoides e as antocianinas, emergem e finalmente brilham.

.

Os carotenoides, responsáveis pelos tons de amarelo e laranja, já existiam nas folhas o tempo todo.

São os mesmos pigmentos que dão cor a cenouras e abóboras.

Quando a clorofila se degrada, eles se revelam em toda a sua glória.

Já as antocianinas, que criam os tons de vermelho e roxo, são produzidos no final do verão e no outono.

A sua produção é estimulada por dias ensolarados e noites frias.

.

A fotografia de Mário Silva, com as suas folhas flamejantes de vide, captura essa transição de forma magistral.

A luz do sol penetra na folha, realçando cada nervura e cada tom de cor.

É uma imagem que celebra não apenas a beleza, mas também a resiliência e a sabedoria da natureza, que se despede de uma estação e se prepara para a próxima, deixando um rastro de fogo e cores para trás.

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

.

Mário Silva 📷
05
Ago25

"O Sol brilha ...e a Festa da Aldeia aproxima-se" … e uma breve estória


Mário Silva Mário Silva

"O Sol brilha ...e a Festa da Aldeia aproxima-se"

… e uma breve estória

05Ago DSC00009 (3)_ms

A fotografia de Mário Silva captura uma cena rural sob a intensa luz do sol.

Em primeiro plano, a imagem é dominada pelas silhuetas escuras de duas árvores frondosas, cujos troncos e ramos se destacam contra o brilho ofuscante do sol.

O sol, no centro da composição, irradia uma luz dourada e amarelada que preenche grande parte do céu, criando um efeito de “flamejar” e um “halo” luminoso à volta das árvores.

.

A vegetação em primeiro plano, que parece ser erva seca e alguma folhagem rasteira, está também em contraluz, adquirindo tons quentes de dourado e castanho, banhada pela luz solar.

A atmosfera geral da fotografia é quente e um pouco etérea, sugerindo um final de tarde de verão.

A imagem transmite uma sensação de tranquilidade e a grandiosidade da natureza, realçando o poder e a beleza do sol.

.

Estória: A Promessa Dourada do Verão

Em cada verão, havia um dia que a aldeia inteira aguardava com uma ansiedade doce: o dia da Festa de Verão.

Era a altura em que a rotina das sementeiras e das colheitas cedia lugar à alegria do reencontro, ao barulho das concertinas e ao cheiro a sardinhas assadas que perfumava as noites.

Na fotografia de Mário Silva, o sol, num brilho intenso por entre as folhas de uma árvore, não era apenas a luz do dia; era a promessa da festa que se aproximava, um farol dourado no fim do cansaço.

.

Para o pequeno Tiago, de apenas sete anos, a festa era um mundo mágico.

Significava gelados, algodão doce, e a oportunidade de ver primos que só apareciam uma vez por ano.

Mas este ano, Tiago sentia algo mais.

Os seus avós, que sempre tinham sido o coração da festa – a avó Maria, com a sua mesa farta de iguarias, e o avô Joaquim, o contador de histórias junto à fogueira – pareciam mais cansados.

As suas vozes eram mais baixas, os seus passos mais lentos.

.

Tiago tinha ouvido os adultos sussurrarem que talvez este ano a festa não fosse tão grande.

Faltava gente, faltava mão-de-obra, faltavam os velhos braços que sempre erguiam os arcos e enfeitavam as ruas.

O coração de Tiago encolheu-se.

Uma festa menor? Como seria isso possível?

.

Todas as tardes, Tiago ia para o alto do monte, para o seu lugar secreto, onde duas árvores gigantes, irmãs em silêncio, se erguiam.

Dali, olhava para o sol, que se filtrava por entre as folhas, pintando o chão de ouro e sombra.

Era o mesmo sol que Mário Silva um dia capturaria na sua fotografia, com a sua luz quase ofuscante, a espalhar uma aura de esperança.

.

- Ó sol - sussurrava Tiago - faz com que a nossa festa seja a mais bonita de sempre.

Pelos meus avós, que tanto já deram a esta terra.

.

Os dias passavam e, na aldeia, a preparação da festa parecia arrastar-se.

Mas, como por magia, algo começou a mudar.

Um a um, os emigrantes que tinham partido anos antes, começaram a chegar mais cedo do que o habitual.

Trouxeram consigo filhos, netos, e uma nova energia.

As notícias dos receios da aldeia tinham-se espalhado, e a saudade, aliada à vontade de ajudar, trouxe-os de volta.

.

As mulheres mais novas, que agora tinham as suas próprias vidas nas cidades, arregaçaram as mangas e começaram a cozinhar ao lado da avó Maria, aprendendo os segredos das receitas antigas.

Os homens mais novos, com as suas forças renovadas, ajudaram o avô Joaquim a montar os arcos e as luzes.

O baloiço da Escola, onde as crianças da aldeia riam, parecia ter um novo balanço.

O som das marteladas, das vozes em festa, das gargalhadas ecoava pelos vales.

.

Quando o dia da Festa de Verão chegou, o sol brilhava no céu como um olho benevolente, exatamente como na fotografia de Mário Silva.

As árvores no alto do monte pareciam vibrar com a luz dourada.

A aldeia estava irreconhecível, cheia de cor, de música, de gente.

Era a festa mais vibrante que Tiago alguma vez vira.

.

Ele correu para os seus avós, que, rodeados por filhos e netos, sorriam com os olhos marejados de alegria.

- Avó! - exclamou Tiago - A festa é linda!

.

Maria apertou a mão do neto.

- Vês, meu filho? O sol brilha, sim. Mas é a luz das nossas gentes que faz a festa.

São as raízes que nos prendem a esta terra, a memória que nos traz de volta.

A festa não é só a celebração do verão; é a celebração do nosso povo, da nossa união.

.

Naquela noite, sob um céu estrelado, o avô Joaquim contou as suas histórias, e o canto das concertinas uniu gerações.

Tiago percebeu que a verdadeira beleza da festa não estava no algodão doce, mas no fio invisível que ligava cada um à sua aldeia, à sua história, e à luz dourada de um sol que, ano após ano, prometia recomeços e celebrações para as gentes de Trás-os-Montes.

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

.

Mário Silva 📷
04
Ago25

"Abelharuco" (Merops apiaster) … e uma estória


Mário Silva Mário Silva

"Abelharuco" (Merops apiaster)

… e uma estória

04Ago DSC04888_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "Abelharuco" (Merops apiaster), apresenta um close-up impressionante de um abelharuco empoleirado num cabo elétrico.

O pássaro está virado para a direita da imagem, exibindo as suas cores vibrantes e distintas.

 

A cabeça do abelharuco é de um amarelo intenso no topo e na garganta, contrastando com uma banda escura que atravessa o olho e uma área castanha avermelhada na coroa.

O dorso e as asas são predominantemente de um tom verde-azulado, enquanto a parte inferior do corpo é de um castanho-avermelhado quente.

O seu bico é longo, fino e ligeiramente curvo para baixo.

Os detalhes das penas são nítidos, e o olho do pássaro está bem focado, transmitindo uma sensação de vivacidade e alerta.

.

O fio onde o pássaro está empoleirado é uma estrutura em espiral, de cor acastanhada clara, que atravessa a imagem horizontalmente.

O fundo é um céu claro e uniforme, de um tom azul-acinzentado, o que faz com que o abelharuco se destaque dramaticamente.

A fotografia capta a elegância e a beleza exótica desta ave migratória num momento de quietude.

.

Estória: O Viajante das Cores

Nos vastos vales de Trás-os-Montes, onde o sol abraçava os campos e o ar vibrava com o canto dos insetos, havia um fio elétrico que atravessava o horizonte.

Para a maioria, era apenas um fio.

Mas para um abelharuco, um dos mais belos viajantes dos céus, era um miradouro privilegiado, um palco suspenso no mundo.

Este abelharuco, que todos chamavam "O Pintor" pelas suas cores vibrantes – o amarelo do sol, o verde da oliveira, o castanho da terra – era o que Mário Silva, com a sua paixão pela natureza, um dia conseguiu imortalizar.

.

O Pintor não era como os outros pássaros.

Enquanto eles se contentavam com os ninhos escondidos e os voos curtos, ele sonhava com horizontes distantes.

Tinha nascido em terras quentes, muito para lá do mar, e cada primavera, uma força irresistível puxava-o para o norte, para os campos de Portugal, onde as abelhas zumbiam com mais doçura e os dias eram longos e cheios de luz.

.

O seu poleiro favorito era aquele fio.

Dali, com os seus olhos atentos, observava o “ballet” dos insetos no ar.

Era um caçador exímio, mergulhando no vazio com uma velocidade impressionante, capturando a sua presa em pleno voo com o seu bico fino e preciso, regressando sempre ao seu fio com um triunfo silencioso.

.

Mas o Pintor não caçava apenas por alimento.

Ele caçava por inspiração.

Cada abelha, cada vespa, cada libelinha capturada, parecia infundir-lhe uma nova cor, um novo tom para a sua plumagem.

Era como se absorvesse a essência da paisagem e a convertesse na sua própria beleza.

.

Um dia, enquanto observava a linha do horizonte, o Pintor sentiu uma estranha melancolia.

A estação avançava, e em breve, o chamamento do sul voltaria a ser irresistível.

Teria de deixar aqueles campos verdes, o sol quente, o fio que era o seu trono.

Questionou-se se, na sua ausência, as suas cores desvaneceriam, se o seu esplendor seria esquecido.

.

Nesse exato momento, Mário Silva, que o observava há horas de uma distância respeitosa, levantou a sua câmara.

O Pintor, absorto nos seus pensamentos, não se mexeu.

A luz do sol, suave e dourada, incidia sobre as suas penas.

Mário capturou o momento, não apenas a imagem de um pássaro, mas a alma de um viajante, a beleza de um verão, a essência da liberdade.

.

Quando Mário mais tarde mostrou a fotografia, as pessoas ficaram deslumbradas.

- Que cores! - exclamavam. - Que beleza!

O Pintor não sabia, mas a sua imagem, a sua essência, tinha viajado muito mais longe do que ele jamais conseguiria voar.

A sua beleza não se desvaneceria com a sua partida, pois estava agora guardada, intemporal, na fotografia.

.

E assim, o Abelharuco, o Pintor, continuou a sua vida, voando entre continentes, trazendo consigo as cores de cada lugar onde pousava.

Mas em Trás-os-Montes, a sua imagem, o seu legado, ficou gravado naquele fio, uma lembrança de que a verdadeira beleza não está apenas na presença, mas na memória, na inspiração, e nas cores que deixamos no mundo.

O Pintor era um viajante das cores, e Mário Silva, o seu cronista.

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

.

Mário Silva 📷
29
Jul25

“Flor amarela” (Reichardia picroides) e uma estorieta


Mário Silva Mário Silva

“Flor amarela” (Reichardia picroides)

... e uma estorieta

29Jul DSC08183_ms

Esta fotografia de Mário Silva, intitulada "Flor amarela” (Reichardia picroides), apresenta um close-up vibrante e detalhado de uma flor de tonalidade amarela intensa.

A flor ocupa a parte central da imagem, destacando-se claramente contra um fundo desfocado e luminoso, que sugere um ambiente natural.

.

A flor é do tipo composta, com múltiplas pétalas (lígulas) finas e alongadas, dispostas radialmente a partir de um centro.

A cor amarela é uniforme e brilhante, evocando a luz do sol.

O centro da flor, ligeiramente mais alaranjado ou acastanhado, mostra os estames e pistilos em espiral, com texturas delicadas.

Algumas das pétalas parecem ter pequenas marcas ou variações de cor nas suas extremidades.

.

O desfoque do fundo, com pontos de luz que criam um efeito “bokeh”, faz com que toda a atenção seja direcionada para a beleza e a complexidade da flor, realçando os seus detalhes e a sua cor.

A imagem transmite uma sensação de otimismo, simplicidade e a beleza intrínseca da natureza.

 

A Estória: O Sonho Dourado da Reichardia

Num vasto campo de Chaves, onde o sol beijava a terra e o vento contava histórias antigas, vivia uma pequena flor amarela.

Não era uma rosa majestosa, nem uma orquídea exótica.

Era uma “Reichardia picroides”, humilde na sua origem, mas com uma cor tão vibrante que parecia ter roubado os raios do próprio sol.

.

Mário Silva, viu nela a essência da alegria.

A sua imagem capturava-a em toda a sua glória: as pétalas a estenderem-se como braços abertos, o centro a revelar um coração dourado, tudo contra um fundo etéreo e indistinto, onde o mundo parecia desvanecer-se para que ela brilhasse.

.

Esta flor, que carinhosamente era chamada "Estrela Dourada" pelos insetos que a visitavam, tinha um sonho.

Ao contrário das suas irmãs, que se contentavam em florescer e morrer no mesmo pedaço de terra, a Estrela Dourada sonhava em ser notada, em iluminar mais do que apenas o seu pequeno canto.

Queria que a sua cor, a sua alegria, chegasse longe, muito longe.

.

Os dias passavam, e a Estrela Dourada florescia com todo o seu esplendor, esperando.

As abelhas zumbiam os seus segredos, os grilos cantavam canções monótonas, mas ninguém parecia ver o seu sonho.

.

Até que um dia, um pequeno besouro, que se dizia ser um viajante do mundo, pousou na sua pétala.

- Estrela Dourada - disse ele, com uma voz rouca - A tua cor é tão intensa que ilumina todo o campo. Mas porquê essa melancolia nas tuas pétalas?"

.

A flor suspirou, um leve agitar das suas pétalas.

- Eu desejo que a minha cor vá para além deste campo. Quero ser vista, inspirar alegria em corações distantes.

.

O besouro riu, um riso suave que fez as pétalas tremerem.

- Pequena flor, não percebes? A tua beleza não precisa de viajar para ser vista. A tua cor, a tua essência, é tão pura que atrai os olhos. Há um homem, Mário, que anda pelos campos com uma caixa mágica. Ele vê a luz nas coisas mais simples, e a tua cor já o cativou.

.

E de facto, alguns dias depois, Mário Silva regressou.

Ele ajoelhou-se, observou a Estrela Dourada por um longo tempo, e depois, com um clique suave, capturou a sua imagem.

A flor sentiu um calor, uma espécie de vibração, como se uma parte dela tivesse sido levada para voar.

.

A fotografia da Estrela Dourada foi exibida em galerias, em livros, em ecrãs em todo o mundo.

A sua cor vibrante trouxe sorrisos a rostos cansados, inspirou artistas e lembrou a muitos a beleza da simplicidade.

Pessoas de cidades distantes, que nunca teriam visto um campo de Reichardia picroides, admiraram a sua beleza.

.

A pequena flor, ainda no seu campo em Chaves, sentiu o eco da sua viagem.

Não precisou de arrancar as suas raízes ou voar pelo vento.

A sua essência, a sua cor, a sua alegria, haviam sido levadas pelo olhar de um homem e pela magia da sua máquina.

E assim, a Estrela Dourada percebeu que o seu sonho se realizara.

A sua alegria não estava apenas no florescer, mas na capacidade de ser vista, de inspirar, de ser um pequeno raio de sol no vasto mundo.

E, a partir desse dia, brilhou ainda mais forte, sabendo que a sua beleza, por mais humilde que fosse, tinha o poder de iluminar muito além do seu próprio campo.

.

NOTA: “Bokeh” é um termo usado na fotografia referente às áreas fora de foco e distorcidas, produzidas por lentes fotográficas. (in: https://pt.wikipedia.org/wiki/Bokeh

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

.

Mário Silva 📷
28
Out24

"A casa laranja na aldeia transmontana  - Águas Frias - Chaves - Portugal": Uma Exploração da Cor e do Simbolismo


Mário Silva Mário Silva

"A casa laranja na aldeia transmontana 

Águas Frias - Chaves - Portugal"

Uma Exploração da Cor e do Simbolismo

28Out DSC05274_a_ms

A imagem captura a essência de uma típica aldeia transmontana, com a casa laranja destacando-se vividamente contra o pano de fundo natural.

A arquitetura da casa, com as suas paredes de pedra e janelas pequenas, reflete a tradição construtiva da região.

O laranja vibrante da fachada contrasta com a sobriedade da pedra, criando um efeito visual marcante.

.

Na simbologia das cores, o laranja carrega consigo uma rica gama de significados.

Num contexto isotérico, ele é frequentemente associado a:

 

- O laranja é uma cor quente e vibrante, representando a vida, a energia vital e a força interior.

-  Estimula a criatividade, a inovação e a busca por novas experiências.

É a cor daqueles que são otimistas e enxergam o mundo com entusiasmo.

- Transmite uma sensação de alegria, bem-estar e positividade.

Está ligado à felicidade e à capacidade de desfrutar dos prazeres da vida.

- Representa o sucesso, a ambição e a busca por objetivos.

É a cor daqueles que são determinados e confiantes em si mesmos.

- Facilita a comunicação, a interação social e a expressão de ideias.

.

Ao observar a casa laranja em Águas Frias sob uma perspetiva isotérica, podemos fazer algumas interpretações:

- A cor laranja da casa pode ser vista como um convite à alegria, à positividade e à celebração da vida.

- A vivacidade da cor contrasta com a serenidade da paisagem, representando a força vital e a energia que brotam da natureza e dos habitantes da aldeia.

-  A casa pode ser interpretada como um portal para a criatividade e a inspiração, convidando os visitantes a explorar novas ideias e perspetivas.

- O laranja, associado ao sucesso e à prosperidade, pode sugerir que a casa é um lugar de abundância e bem-estar.

.

Em conclusão, a casa laranja em Águas Frias é mais do que apenas uma construção.

Ela é um símbolo carregado de significado, que evoca emoções e sensações profundas.

Ao explorar o significado isotérico da cor laranja, podemos apreciar a riqueza simbólica desta imagem e estabelecer uma conexão mais profunda com a cultura e a tradição da região.

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

Mário Silva 📷
15
Jul24

Giesta Amarela “Cytisus striatus”


Mário Silva Mário Silva

Giesta Amarela “Cytisus striatus”

Jul15 DSC06382_ms

Um Símbolo da Beleza e Alegria do Campo

A fotografia apresenta um caminho rural ladeado por flores de giesta amarela, convidando-nos a uma viagem sensorial pelas paisagens do campo.

As flores, com a sua cor vibrante e odor inebriante, são um verdadeiro presente para os sentidos, encantando tanto os visitantes em passeio quanto os trabalhadores que se dirigem às suas tarefas agrícolas.

.

A giesta amarela, também conhecida como “Cytisus striatus”, é um arbusto nativo da Península Ibérica, caraterizado pelas suas flores amarelas brilhantes que florescem na primavera.

As flores, dispostas em cachos terminais, são compostas por cinco pétalas delicadas e apresentam um formato papilionáceo, lembrando uma borboleta.

A sua cor vibrante e alegre ilumina as paisagens, contrastando com o verde da vegetação e criando um espetáculo visual único.

 

O Odor Inebriante da Giesta:

As flores da giesta amarela exalam um perfume doce e inebriante, que se espalha pelo ar e encanta quem passa por perto.

O aroma floral é intenso e persistente, capaz de despertar a memória e transportar-nos para momentos de paz e felicidade no campo.

Além de ser agradável ao olfato, o perfume da giesta também possui propriedades calmantes e relaxantes, contribuindo para o bem-estar físico e mental.

.

Um Presente para os Sentidos:

A giesta amarela, com a sua beleza e odor inebriante, é um verdadeiro presente para os sentidos.

Para aqueles que fazem um passeio pelo campo, a visão das flores vibrantes e o perfume delicioso proporcionam um momento de puro deleite e contemplação da natureza.

Já para os trabalhadores agrícolas, a presença da giesta representa um alento e um lembrete da beleza que os rodeia, mesmo no meio das tarefas árduas do dia a dia.

.

Simbolismo da Giesta Amarela:

A giesta amarela é considerada um símbolo da primavera, da alegria e da esperança.

A sua flor delicada e perfumada representa a renovação da vida e a promessa de novos começos.

Na cultura popular portuguesa, a giesta está associada à prosperidade e à boa sorte, sendo comum colocar um ramo da planta nas portas das casas no dia 1º de maio.

.

A imagem do caminho rural ladeado por giestas amarelas é um convite à contemplação da beleza simples e autêntica do campo.

As flores, com a sua cor vibrante, odor inebriante e simbolismo rico, proporcionam um presente para os sentidos e nos conectam com a natureza nos seus momentos mais esplendorosos.

.

A giesta amarela possui diversas propriedades medicinais e é utilizada no tratamento de diversas doenças, como reumatismo, artrite e problemas digestivos.

As flores e folhas da planta também podem ser usadas para preparar chás e infusões com propriedades diuréticas, tónicas e calmantes.

.

A giesta amarela é uma planta importante para a biodiversidade, servindo de alimento e abrigo para diversos animais, como abelhas, borboletas e pássaros.

As raízes da planta também contribuem para a fixação do solo e a prevenção da erosão.

.

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

 

Mário Silva 📷

Dezembro 2025

Mais sobre mim

foto do autor

LUMBUDUS

blog-logo

Hora em PORTUGAL

Calendário

Fevereiro 2026

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728

O Tempo em Águas Frias

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.