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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

23
Dez25

"O castelo de Monforte de Rio Livre, esperando o Natal, sobre um manto branco"


Mário Silva Mário Silva

"O castelo de Monforte de Rio Livre,

esperando o Natal,

sobre um manto branco"

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A fotografia de Mário Silva é uma paisagem de inverno majestosa, que retrata as ruínas históricas do Castelo de Monforte de Rio Livre (em Chaves) completamente dominadas pela neve.

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O Castelo: No topo de uma colina elevada, destaca-se a silhueta da Torre de Menagem quadrangular e de alguns panos de muralha em ruínas.

A pedra escura e antiga contrasta subtilmente com o branco que a rodeia, mantendo a sua postura de sentinela solitária.

O Manto Branco: Toda a paisagem está submersa num manto de neve espesso e uniforme.

As árvores e arbustos que cobrem a encosta até ao castelo estão "petrificados" pelo gelo e pela neve, assemelhando-se a corais brancos ou a uma floresta de cristal.

A Atmosfera: O fundo da imagem é preenchido por montanhas distantes, esbatidas pela neblina e pela queda de neve, criando uma profundidade atmosférica em tons de azul-pálido e cinzento.

A cena transmite frio extremo, silêncio absoluto e uma beleza intemporal.

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O Sentinela de Gelo – Monforte de Rio Livre no Natal Branco

A imagem do Castelo de Monforte de Rio Livre coberto de neve, a poucos dias do Natal, é mais do que um postal de inverno; é um retrato da alma histórica e geográfica da Terra Fria Transmontana.

Neste cenário, onde a história se encontra com a meteorologia, o castelo deixa de ser uma ruína militar para se tornar um monumento à paciência e à resistência.

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A Solidão da História

O castelo, situado num ponto estratégico entre Chaves e Verín, na aldeia de Águas Frias, foi em tempos um bastião de defesa fronteiriça.

Hoje, abandonado e em ruínas, a sua Torre de Menagem ergue-se como o único guardião de uma memória antiga.

Sob o "manto branco", a sua solidão é amplificada.

A neve apaga os caminhos modernos, esconde a vegetação e uniformiza a paisagem, devolvendo ao castelo a sua pureza original.

Ele parece flutuar sobre a colina, intocado pelo tempo, "esperando o Natal" num silêncio monástico que convida à reflexão.

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A Beleza Cruel do Inverno

A fotografia capta a beleza extrema do inverno transmontano, mas não esconde a sua dureza.

As árvores cobertas de neve mostram a severidade das condições climáticas que moldaram esta região e as suas gentes.

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A beleza é fria, quase cortante.

O branco domina tudo, criando um cenário de conto de fadas gótico, onde a natureza reclama a pedra para si.

O castelo, resistindo ao peso da neve e ao vento gélido da serra, simboliza a tenacidade de quem vive nestas terras altas.

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A Espera do Natal

O título sugere uma personificação poética: o castelo está "à espera do Natal".

Nesta época de luz e calor humano, a imagem de uma fortaleza fria e isolada pode parecer contraditória.

No entanto, o Natal é também tempo de paz e silêncio.

E não há paz maior do que a de uma montanha coberta de neve, onde o ruído do mundo não chega.

Monforte de Rio Livre, vestido de branco, oferece-nos o verdadeiro espírito do Natal na natureza: uma quietude sagrada e uma beleza que, tal como a história que ele guarda, resiste a todas as tempestades.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
14
Set25

Nicho de Santiago - Feces de Abaixo, Verín, Espanha


Mário Silva Mário Silva

Nicho de Santiago

Feces de Abaixo, Verín, Espanha

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A fotografia "Nicho de Santiago" de Mário Silva retrata um pequeno nicho esculpido na parede de um edifício, provavelmente uma casa ou uma capela.

No interior do nicho, encontra-se uma pequena estátua de um santo, que se pode presumir ser Santiago, com um cajado de peregrino na mão.

O nicho é adornado por grandes flores de cor fúcsia.

A fotografia capta a luz e as sombras que incidem sobre a parede de pedra.

Um pedaço de papel rasgado está colocado na base da estátua, e um pedaço de tecido de cor laranja repousa ao lado.

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A Importância de Santiago para os Povos Ibéricos

A figura de Santiago, ou São Tiago Maior, transcende a mera iconografia religiosa, assumindo um papel central na história, na cultura e na identidade dos povos ibéricos.

A sua importância advém da lenda que o associa à evangelização da Península Ibérica e, mais significativamente, da sua ligação ao Caminho de Santiago, uma das mais antigas e célebres rotas de peregrinação do mundo.

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Origens e Lenda

A tradição conta que Santiago, um dos doze apóstolos de Jesus, viajou até à Península Ibérica para pregar a palavra de Deus.

Após o seu martírio em Jerusalém, o seu corpo teria sido transportado de barco para a Galiza, onde foi sepultado num local que mais tarde se tornaria a cidade de Santiago de Compostela.

A descoberta do seu túmulo no século IX, sob o reinado de Afonso II das Astúrias, marcou o início de uma nova era para a Europa medieval e para a Península Ibérica em particular.

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O Caminho de Santiago: Rota de Fé e Cultura

O Caminho de Santiago tornou-se uma das três grandes peregrinações da cristandade, a par de Roma e Jerusalém.

Milhares de peregrinos, de diferentes países e classes sociais, aventuravam-se por estas rotas em busca de redenção espiritual, cura ou aventura.

Para os povos ibéricos, o Caminho foi mais do que uma rota de fé; foi um canal de comunicação cultural e comercial que ligou a Península ao resto da Europa.

Ao longo do percurso, surgiram cidades, hospitais, igrejas e mosteiros, que moldaram a paisagem, a arquitetura e a identidade das regiões por onde passavam.

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A figura de Santiago, como "Matamoros" (Matador de Mouros), foi também adotada como símbolo da Reconquista Cristã, tornando-se o patrono e o estandarte dos exércitos cristãos na luta contra os muçulmanos.

Este papel conferiu-lhe um estatuto de herói nacional e um símbolo da identidade cristã e da resistência ibérica.

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O Legado na Cultura Ibérica

Hoje, a influência de Santiago é visível por toda a Península.

Os nichos e as estátuas, como o que Mário Silva fotografou em Feces de Abaixo, são testemunhos da profunda devoção popular.

As conchas de vieira, símbolo do peregrino, são encontradas em casas, igrejas e monumentos.

O Caminho de Santiago, que hoje atrai peregrinos de todo o mundo, continua a ser uma força unificadora, celebrando a fé, a cultura, a história e a solidariedade humana.

A peregrinação, que outrora era um ato de penitência, é hoje uma jornada de autoconhecimento, de convívio e de comunhão com a natureza e o passado.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
21
Mai25

“Um casinhoto na serrania…” (Mandín – Verín – Espanha)


Mário Silva Mário Silva

“Um casinhoto na serrania…”

(Mandín – Verín – Espanha)

21Mai DSC00513_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "Um casinhoto na serrania", retrata uma pequena construção de pedra com telhado de telhas, situada em Mandín, Verín, na Espanha.

A imagem mostra a casinha inserida numa paisagem serrana, cercada por vegetação verdejante, com colinas ao fundo e algumas árvores esparsas, uma delas seca, contrastando com a vitalidade da natureza ao redor.

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Estas pequenas construções de pedra, como o casinhoto fotografado, têm uma relevância histórica, cultural e funcional nas regiões serranas, especialmente em áreas rurais da Península Ibérica.

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Casinhotos como este eram frequentemente usados por pastores, agricultores ou caçadores como abrigos temporários.

Em áreas remotas, onde o clima pode ser imprevisível e rigoroso, essas construções ofereciam proteção contra o frio, a chuva ou o calor excessivo.

Serviam também para armazenar ferramentas, alimentos ou até mesmo para pernoitar durante longos períodos de trabalho na serra.

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Feitos com materiais locais, como pedra e madeira, e cobertos com telhas de barro, esses casinhotos são exemplos da arquitetura vernacular, que utiliza recursos disponíveis no ambiente sem grandes impactos.

A construção em pedra garante durabilidade e isolamento térmico, enquanto o uso de materiais da região reduz a necessidade de transporte, refletindo uma prática sustentável que dialoga com o meio ambiente.

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Estas construções são testemunhos da vida rural e das tradições das comunidades serranas.

Representam um modo de vida mais simples e autossuficiente, onde as pessoas dependiam diretamente da terra e dos recursos naturais.

Em muitas regiões da Galiza e do norte de Portugal, casinhotos semelhantes estão associados a práticas como a transumância (movimentação sazonal de rebanhos) e à agricultura de subsistência.

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A fotografia de Mário Silva captura a beleza rústica do casinhoto integrado à paisagem serrana.

Essas construções, com a sua simplicidade e harmonia com a natureza, têm um valor estético que atrai fotógrafos, artistas e turistas.

Além disso, preservar essas estruturas é importante para manter viva a memória cultural e histórica das comunidades locais.

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Num contexto de mudanças climáticas e urbanização, casinhotos como este, lembram a capacidade de adaptação das populações rurais ao meio ambiente.

A sua construção sólida e funcional pode inspirar práticas modernas de arquitetura sustentável, valorizando técnicas tradicionais que respeitam a natureza.

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Em resumo, o casinhoto na serrania de Mandín é mais do que uma simples construção de pedra: é um símbolo de resiliência, tradição e harmonia com o meio ambiente.

Ele reflete a sabedoria das gerações passadas em lidar com os desafios da vida na serra, ao mesmo tempo em que carrega um valor estético e cultural que merece ser preservado e apreciado.

A fotografia de Mário Silva convida-nos a refletir sobre a importância de manter viva essa herança, tanto pela sua funcionalidade quanto pelo seu significado histórico e emocional.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
24
Set24

"Relógio de Sol" - (Feces de Abaixo – Verín – Espanha) - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

 

"Relógio de Sol" - Mário Silva

(Feces de Abaixo – Verín – Espanha)

24Set DSC07561_ms

A fotografia de Mário Silva captura a essência do tempo que passa, materializada num relógio de sol adornado na parede de pedra em Feces de Abaixo – Verín – Espanha.

A imagem, com a sua composição simples e elegante, convida o observador a uma reflexão sobre a passagem do tempo e a relação do homem com a natureza.

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O protagonista da imagem é o relógio de sol, esculpido em pedra e integrado na parede.

A sua forma circular e os raios que se irradiam a partir do centro criam um efeito visualmente atraente e transmitem a ideia de movimento e passagem do tempo.

A parede de pedra, com a sua textura rústica e cor ocre, serve como um pano de fundo perfeito para o relógio de sol, contrastando com a suavidade das linhas do instrumento de medida.

A luz do sol, que incide sobre o relógio, cria um jogo de sombras que acentua a tridimensionalidade da escultura e confere à imagem uma atmosfera de serenidade.

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A fotografia de Mário Silva é um exemplo de como a arte pode transcender a mera representação da realidade e convidar o observador a uma reflexão mais profunda.

A imagem é simples, mas poderosa, e a escolha cuidadosa dos elementos visuais contribui para a criação de uma atmosfera atemporal.

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A fotografia remete-nos para uma época em que o tempo era medido pela posição do sol e não por relógios mecânicos.

O relógio de sol, presente em diversas culturas ao longo da história, é um símbolo da passagem do tempo e da nossa conexão com os ciclos naturais.

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O relógio de sol foi o primeiro instrumento utilizado pelo homem para medir o tempo.

A sua invenção remonta à antiguidade e a sua importância perdurou por séculos.

Os relógios de sol eram utilizados em diversas atividades, como a agricultura, a navegação e a astronomia.

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Além da sua função prática, os relógios de sol também tinham um significado simbólico.

Eles representavam a passagem do tempo, a impermanência das coisas e a importância de aproveitar cada momento.

Em conclusão, a fotografia de Mário Silva convida-nos a apreciar a beleza e a simplicidade dos objetos quotidianos, e a refletir sobre a passagem do tempo e a nossa conexão com a natureza.

O relógio de sol, presente na imagem, é um símbolo atemporal que nos lembra da importância de desacelerar e apreciar cada momento da vida.

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A fotografia de Mário Silva poderia ser utilizada como ponto de partida para diversas reflexões e discussões, como:

A relação entre o tempo e o espaço

A importância da preservação do património cultural

A influência da tecnologia na nossa perceção do tempo

A busca por um estilo de vida mais lento e conectado com a natureza

Em suma, a fotografia de Mário Silva é uma obra que transcende o tempo e o espaço, convidando o observador a uma jornada de autoconhecimento e reflexão.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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