"À espera de novas férias” ... e uma estória
Mário Silva Mário Silva
"À espera de novas férias”
... e uma estória

Esta fotografia de Mário Silva capta uma pequena paragem de autocarro, com uma estrutura simples de pedra e madeira, num dia de sol.
O abrigo, com o seu telhado de telha de barro, tem dois pilares de madeira que sustentam a parte da frente, enquanto a parte de trás e a lateral são feitas de pedra.
O chão é de cimento e está coberto por algumas folhas secas.
A luz do sol da tarde projeta a sombra dos pilares de madeira na parede lateral.
A paragem, com um banco de madeira no seu interior, está vazia, o que transmite uma sensação de abandono e de espera.
Ao fundo, uma estrada de alcatrão, casas e vegetação rasteira completam a paisagem.
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Estória: A Paragem da Esperança
O abrigo de pedra e madeira, que o Mário Silva fotografou, não era apenas uma paragem de autocarro.
Era a "Paragem da Esperança", como a velha Maria a chamava.
Todos os anos, no fim das férias de verão, era ali que ela e o seu marido, Manuel, esperavam pelo autocarro.
Era ali que se despediam dos netos que vinham do estrangeiro, e que regressavam à sua terra com as malas cheias de recordações e de esperanças.
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O abrigo era um santuário de memórias.
No verão, era o ponto de encontro.
Os netos, que chegavam, vinham com as mochilas cheias de presentes, de histórias e de sotaques diferentes.
Os vizinhos, que passavam, paravam para conversar e para dar as boas-vindas.
A paragem de autocarro, outrora vazia, era agora um lugar de vida, de festa e de alegria.
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Mas o final de agosto chegava sempre.
As malas, que antes vinham cheias, iam agora cheias de doces caseiros, de queijo e de vinho.
Os abraços eram longos e cheios de lágrimas.
A tristeza misturava-se com a gratidão.
O abrigo, que antes era cheio de vozes, tornava-se novamente silencioso.
E a velha Maria, com o seu lenço na cabeça, ficava ali, à espera.
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Ela não estava à espera do autocarro.
Estava à espera do próximo verão.
À espera de novas férias.
Ela sabia que o tempo era um rio que corria, e que as águas que iam, um dia, voltariam.
A fotografia de Mário Silva capta esse momento de espera, de saudade e de esperança.
A paragem, vazia, não era um símbolo de abandono, mas um símbolo da promessa de que, no próximo ano, a vida e a alegria voltariam.
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A paragem de autocarro, para a velha Maria, era a sua âncora.
O lugar onde podia voltar a ligar-se à sua família, à sua terra e às suas raízes.
Era o lugar onde, mesmo na solidão, ela se sentia acompanhada.
Era o lugar onde ela sabia que, apesar da distância, o amor e a esperança permaneceriam, à espera de um novo verão.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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