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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

03
Dez25

"Os castanheiros despidos, deixando ver a casa" - Águas Frias - Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

"Os castanheiros despidos, deixando ver a casa"

Águas Frias - Chaves – Portugal

03Dez DSC03352_ms

A fotografia de Mário Silva capta uma cena de paisagem rural em pleno inverno, destacando a transparência da paisagem quando a folhagem cai, revelando a arquitetura por detrás.

A Casa: No centro do plano, emerge uma habitação rural moderna, de dois pisos, com uma varanda superior e grandes janelas.

A sua caraterística mais notável é o telhado de telha cerâmica de cor viva, alaranjada, que contrasta fortemente com o céu e os elementos circundantes.

A casa assenta num terreno desnivelado, apoiada numa estrutura de cimento ou bloco no rés-do-chão.

Os Castanheiros Despidos: Em primeiro plano, duas árvores de médio porte, desfolhadas, emolduram a casa.

Os seus ramos nus e escuros criam uma rede intricada que, no verão, ocultaria a casa, mas que no inverno a revela.

A falta de folhagem confirma o inverno profundo.

Estas árvores, pela sua estrutura e pelo contexto transmontano de Águas Frias, são castanheiros (Castanea sativa).

O Enquadramento e a Luz: A cena é capturada sob uma luz solar clara e fria, típica do inverno, com um céu azul parcialmente visível.

As sombras projetadas pelos ramos e pelo muro de suporte em primeiro plano reforçam a sensação de um dia de sol invernal.

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Castanheiros Despidos, Casa Revelada – O Ritmo Sazonal da Vida em Trás-os-Montes

A imagem "Os castanheiros despidos, deixando ver a casa" de Águas Frias, Chaves, é uma poderosa representação da sazonalidade e da transparência na vida rural de Trás-os-Montes.

O Outono e o Inverno não são épocas de perda, mas de revelação, onde a natureza retira o seu manto verde e expõe o que está por detrás: a estrutura da terra e a habitação humana.

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A Folha Que Cobre e a Folha Que Revela

No verão, os castanheiros (o souto) constituem uma barreira protetora e uma fonte de sombra, ocultando as casas do calor e, em parte, da vista.

Esta folhagem densa simboliza a abundância e o pico da atividade agrícola.

Quando chega o inverno, os castanheiros, já despidos após a colheita da castanha, tornam-se quase transparentes.

Esta nudez é um convite à contemplação e uma metáfora para a honestidade e a crueza da paisagem de inverno.

A casa, agora visível (com o seu telhado quente e laranja), simboliza o abrigo e o aconchego, o refúgio humano que resiste ao frio imposto pela natureza.

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O Inverno: A Época da Casa

Em Trás-os-Montes, o Inverno não é um tempo morto; é o tempo do recolhimento e da introspeção.

É a época em que a vida se move do campo (o ar livre) para o lar (o interior).

A luz fria do inverno realça a importância da casa como símbolo da família e da permanência.

A estrutura da casa, embora de linhas modernas (com grandes janelas), é ladeada pelas árvores ancestrais, ligando o conforto contemporâneo à tradição do ciclo da castanha, que é o coração económico e cultural da região.

O inverno força a comunidade a focar-se no essencial, tal como a ausência das folhas nos permite focar-nos na estrutura e no alicerce da vida rural.

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A imagem é um lembrete visual de que o ciclo da natureza e o ciclo da vida humana estão interligados: o castanheiro, depois de dar o seu fruto, repousa; e a comunidade, depois do trabalho no campo, recolhe-se à sua casa, esperando o novo ciclo.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
08
Nov25

"A apanha da castanha" - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"A apanha da castanha"

Águas Frias - Chaves - Portugal

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A fotografia de Mário Silva retrata uma cena rural no outono, especificamente em Águas Frias, Chaves.

O foco da imagem está em duas figuras humanas curvadas sobre um campo de relva verde-viva, dedicadas à colheita das castanhas.

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As figuras, vestidas com roupa escura que contrasta fortemente com o verde do relvado, estão em pleno trabalho: uma delas parece estar a recolher algo para um saco branco no chão, enquanto a outra utiliza um balde claro.

A postura curvada de ambas as figuras enfatizam o esforço e a dedicação exigidos por esta tarefa.

O plano de fundo é composto por um maciço de castanheiros com folhagem verde e tons de castanho-avermelhado (fetos e ramos secos), característicos do outono.

A luz do sol incide sobre a vegetação, criando um ambiente natural e rústico.

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A Apanha da Castanha: Mais do que Colheita, um Ritual Transmontano

A fotografia de Mário Silva, que imortaliza o esforço da apanha da castanha em Águas Frias, Chaves, capta um dos rituais mais antigos e significativos do ciclo agrícola em Trás-os-Montes.

A castanha não é apenas um fruto; é um símbolo de subsistência, de convívio e da identidade cultural de uma região onde o castanheiro é apelidado de "árvore do pão".

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O Outono e o Tesouro do Souto

O outono, com o seu tapete de folhas caídas, anuncia o tempo do Souto, a floresta tradicional de castanheiros.

A apanha da castanha é um processo que exige paciência e, como a fotografia bem ilustra, um trabalho manual árduo.

As castanhas, protegidas dentro dos ouriços espinhosos, são libertadas pela queda ou com a ajuda de varas.

As figuras curvadas sobre a terra representam a ligação profunda e física entre o homem transmontano e o seu recurso mais valioso.

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O Sentido da Comunidade e do Esforço

Tradicionalmente, a apanha da castanha é uma atividade comunitária (ou era).

Famílias e vizinhos juntam-se (ou juntavam-se) nos soutos, numa forma de entreajuda que transforma o trabalho num momento de convívio.

A colheita não é apenas um ato económico; é um ritual social que reforça (ou reforçava) os laços comunitários.

O produto final, a castanha, era, e em muitas zonas ainda é, uma reserva vital para o inverno, utilizada em inúmeras receitas doces e salgadas.

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Da Terra à Mesa: O Magusto

O clímax da época da castanha é a celebração do Magusto, tipicamente no Dia de São Martinho (11 de novembro).

É um momento festivo onde as castanhas, assadas no fogo, são partilhadas (ou eram), acompanhadas por vinho novo ou jeropiga.

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A fotografia de Mário Silva é um registo intemporal desta cultura.

As mãos que trabalham, a roupa prática, o balde e o saco, tudo aponta para a importância da castanha como pilar da vida rural, um tesouro que a terra oferece anualmente e que, com o esforço e o suor, garante a sobrevivência e a celebração em Trás-os-Montes.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
06
Nov25

"Outono e os castanheiros transmontanos"


Mário Silva Mário Silva

"Outono e os castanheiros transmontanos"

06Nov DSC09006_ms

A fotografia de Mário Silva retrata uma paisagem florestal dominada pela transformação sazonal.

O cenário é um souto de castanheiros sob a luz do outono, que realça a riqueza de cores da estação.

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As árvores, com os seus troncos robustos e escuros, têm a folhagem em plena mudança, apresentando uma paleta que varia do verde escuro (em algumas árvores mais à direita) ao amarelo e vermelho vivo (especialmente nas árvores mais à esquerda, banhadas pela luz do sol).

O sol, vindo de cima ou da lateral superior esquerda, cria um efeito de raios de luz que atravessam as copas, iluminando o ambiente.

O chão está completamente forrado por uma espessa camada de folhas caídas em tons de castanho e ocre, e as sombras projetadas pelos troncos alongam-se pelo terreno.

A cena evoca uma sensação de tranquilidade e de colheita.

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Os Castanheiros: Colunas Vivas da Identidade Transmontana no Outono

A imagem capturada por Mário Silva dos castanheiros transmontanos no esplendor do outono não é apenas uma fotografia de uma floresta; é um retrato da alma da região de Trás-os-Montes.

O castanheiro (Castanea sativa) é uma das árvores mais emblemáticas e economicamente vitais do interior de Portugal, e a sua presença marca a paisagem, a cultura e a economia local.

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A Coroa Dourada do Outono

O castanheiro é um dos protagonistas visuais do outono.

Na região transmontana, o clima e o solo favorecem o seu desenvolvimento, e é nesta estação que as suas folhas, antes de caírem para forrar o solo (como se vê na fotografia), se transformam num magnífico espetáculo de tons amarelos e vermelhos, que parecem competir com o sol.

A queda das folhas é o anúncio de que a verdadeira riqueza, o fruto, está pronta para ser colhida.

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Mais que um Fruto, um Tesouro

A castanha é o "pão" de Trás-os-Montes, e o outono é o tempo de festa da colheita.

Antigamente, a castanha era um alimento fundamental na dieta das populações rurais, funcionando como um substituto do cereal em tempos de escassez.

Hoje, mantém a sua importância económica e gastronómica, sendo celebrada em feiras e festas como o magusto, onde é assada e acompanhada por jeropiga ou vinho novo.

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O processo de apanha — a abertura dos ouriços espinhosos no solo, o som das castanhas a cair e a corrida para as recolher — é um ritual social que une famílias e vizinhos.

A qualidade das castanhas de Trás-os-Montes, especialmente as variedades da Terra Quente (como a Longal e a Judia), é reconhecida e valorizada.

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A Cultura do Souto

O bosque de castanheiros é tradicionalmente chamado de souto.

Estes soutos não são florestas selvagens, mas sim espaços cultivados e cuidadosamente mantidos ao longo de séculos.

Os troncos robustos e centenários, como os da fotografia, testemunham a longevidade destas árvores, que são passadas de geração em geração.

A sua gestão é uma forma de património cultural, que demonstra o profundo respeito e a ligação das gentes transmontanas à sua terra e aos seus recursos.

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O outono, com a sua luz mágica e o tapete de folhas, celebra o momento em que a natureza partilha o seu fruto, reafirmando o castanheiro como um símbolo da resiliência, da tradição e da abundância transmontana.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
31
Out25

“Campo de futebol relvado, de erva seca” - Travancas – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Campo de futebol relvado, de erva seca”

Travancas – Chaves – Portugal

31Out DSC08003_ms

Esta fotografia de Mário Silva, capturada em Travancas, Chaves, retrata um cenário que evoca a melancolia e o contraste entre o desporto e o abandono.

O plano principal é dominado por um campo coberto por erva alta e seca, em tons profundos de castanho-dourado e ocre, sugerindo o final do verão ou o avanço do Outono no interior transmontano.

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Em contraste com o tom da relva, destacam-se duas balizas de futebol em ferro, visivelmente enferrujadas e sem redes, que se erguem como esqueletos sobre o campo.

A primeira baliza, mais próxima e maior, é ladeada por arbustos.

A segunda, mais distante, reforça a profundidade da composição.

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O fundo da imagem é preenchido por uma paisagem montanhosa, suavemente ondulada, que se estende sob um céu dramático, pesado, com nuvens carregadas em tons de cinzento e amarelo-sujo.

A luz é difusa e quente, conferindo à cena uma atmosfera de quietude, isolamento e a memória de jogos passados.

O campo, outrora palco de atividade, surge agora como um monumento à pausa e à espera.

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O Relvado Seco e as Balizas Enferrujadas – O Futebol como Metáfora no Portugal Rural

O “campo de futebol relvado, de erva seca”, capturado em Travancas, Chaves, é muito mais do que um mero registo paisagístico; é uma profunda metáfora da vida e da memória nas aldeias do interior de Portugal.

A imagem evoca a dualidade entre a paixão comunitária e a realidade do despovoamento.

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O Templo do Desporto no Interior

Em comunidades pequenas, o campo de futebol – por mais rústico que seja – transcende a função desportiva.

É um verdadeiro templo social.

É o ponto de encontro de jovens, o palco de rivalidades amigáveis entre aldeias, e o espaço onde a identidade local se reforça a cada golo.

O “relvado” de erva seca, longe do glamour dos grandes estádios, representa a autenticidade e o engenho do futebol praticado na sua forma mais pura, em condições simples.

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As Balizas: Memória e Abandono

As balizas enferrujadas são o ponto focal dramático da fotografia.

A sua corrosão e a falta de redes simbolizam o passo do tempo e, inevitavelmente, o abandono.

O metal, castigado pelos Invernos e Verões, reflete a estagnação da atividade.

Estas balizas permanecem de pé, orgulhosas, mas vazias, a guardar a memória dos jogos, dos gritos de vitória e dos lamentos de derrota.

Elas representam a resistência de uma tradição que teima em não desaparecer, mesmo quando os jogadores já partiram.

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A Paisagem e a Quietude Transmontana

O cenário de montanhas distantes e o céu carregado enquadra o campo numa quietude quase solene.

A paisagem vasta e rural reforça o sentido de isolamento destas comunidades.

A cena, capturada no silêncio da tarde, convida à reflexão sobre o ciclo de vida das aldeias: a vitalidade trazida pelo verão e pelos regressos, e a pausa melancólica trazida pelo Outono e o Inverno, quando a vida comunitária se recolhe e o campo espera pacientemente pela próxima estação.

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Em Travancas, como em muitas outras aldeias de Chaves, este campo de futebol é uma cápsula do tempo, celebrando a paixão inata pelo jogo enquanto lamenta, silenciosamente, os filhos da terra que já não vêm chutar a bola.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
20
Ago25

Mestre Francisco Branco "Retalhos do Passado – Fragmentos de Madeira e Tempo"


Mário Silva Mário Silva

Mestre Francisco Branco

Retalhos do Passado – Fragmentos de Madeira e Tempo

 

Hoje venho dar a conhecer um verdadeiro artesão transmontano

Trata-se do Mestre Francisco Branco, que com pequenos pedaços de madeira ou fósforos recria magistralmente monumentos nacionais, como o castelo de Monforte ou a ponte romana de Chaves ou a igreja e capela da sua aldeia (Casas de Monforte- Águas Frias – Chaves – Portugal).

O material é simples, assim como as suas ferramentas rudimentares e manuais.

É de facto uma maravilha as obras que reproduz, digno de um Mestre.

Com uma habilidade natural consegue reproduzir muitas peças que já estão em total desuso, como a roda de fiar, teares, utensílios agrícolas e muitas outras peças que a sua memória traduz em realidade com uma beleza e minúcia que deixa o observador estupefacto.

Venho, também louvar a Associação Cultural de Casas de Monforte que recolheu e expôs os trabalhos do Mestre Francisco, numa Exposição com o título “Retalhos do Passado – Fragmentos de Madeira e Tempo”, no Centro de Convívio de Casas de Monforte.

É bom que se reconheça o talento e habilidade manual deste Homem e mostrar ao Mundo a sua Arte e que nos deixa as suas Obras que retratam uma realidade que são uma Memória de uma Cultura de Casas de Monforte, de Trás-os-Montes e Portugal.

Obrigado, Sr. Francisco Branco.

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Nota: As fotografias foram, simpaticamente, cedidas por Romeu Gomes

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Mário Silva 📷
16
Ago25

"Pastor num planalto transmontano"


Mário Silva Mário Silva

"Pastor num planalto transmontano"

16Ago DSC05678_ms_B&W

Esta fotografia de Mário Silva, em preto e branco, intitulada "Pastor num planalto transmontano", retrata um pastor em pé num vasto campo.

O homem, em primeiro plano à direita, está virado para a câmara, segurando um cajado na mão esquerda.

Ele veste calças e uma camisa de trabalho e tem um casaco escuro sobre o ombro.

O seu rosto, sombreado pelo boné, exibe uma expressão que sugere seriedade e a dureza da vida no campo.

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Atrás do pastor, o campo é preenchido por um rebanho de ovelhas, que pastam em relva seca e rala.

O rebanho estende-se pela paisagem, que é dominada por um vasto planalto com algumas árvores dispersas no horizonte.

O céu, com nuvens que se estendem por toda a largura da imagem, contrasta com a terra, criando um cenário dramático e intemporal.

A ausência de cores realça a austeridade da paisagem e a dignidade do trabalho do pastor.

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A Vida Dura do Pastoreio em Trás-os-Montes - Uma Dignidade na Solidão

A fotografia de Mário Silva, "Pastor num planalto transmontano", capta mais do que uma imagem; capta a alma de um ofício que resiste ao tempo e a dureza de uma vida que define a paisagem e as gentes de Trás-os-Montes.

A figura do pastor, com o seu cajado, e o rebanho disperso pelo vasto planalto, são a representação visual da solidão, da resiliência e da profunda ligação à terra.

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A Rotina e os Desafios

A vida de um pastor é marcada por uma rotina ininterrupta e por desafios que poucos conhecem.

A sua jornada começa antes do nascer do sol e termina muito depois de ele se pôr.

O pastor é o guardião do rebanho, responsável por o conduzir a pastos verdes, protegê-lo de predadores e garantir o seu bem-estar.

A sua "casa" é o campo aberto, e o seu "relógio" é o sol, que dita o ritmo do dia.

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O trabalho do pastoreio é fisicamente exigente.

O pastor caminha longas distâncias, atravessando terrenos irregulares e enfrentando as intempéries, desde o calor escaldante do verão, como a fotografia de Mário Silva sugere, ao frio gélido e à neve do inverno transmontano.

A sua companhia é, na maioria das vezes, o seu cão, um fiel amigo e um colaborador essencial na gestão do rebanho.

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A Sabedoria da Experiência

O pastor é também um guardião de saberes ancestrais.

Ele conhece os segredos da terra, o nome de cada planta e o curso de cada ribeiro.

A sua sabedoria é transmitida de geração em geração, e a sua ligação à natureza é profunda e intuitiva.

Ele sabe interpretar os sinais do céu, antecipar o tempo e encontrar os melhores pastos.

A sua vida é um testemunho da importância da experiência e da humildade perante a força da natureza.

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A Solitude e a Dureza da Vida

A solidão é uma companheira constante do pastor.

Horas e horas passadas em silêncio, apenas com o balido das ovelhas e o vento como banda sonora.

A sua vida é despojada de muitas das comodidades modernas, o que lhe confere uma simplicidade e uma dignidade únicas.

O pastoreio não é apenas um trabalho; é um modo de vida, uma filosofia de existência que valoriza a paciência, a observação e a gratidão pelas pequenas coisas.

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A fotografia a preto e branco de Mário Silva é um tributo a esta vida.

A ausência de cor realça a autenticidade e a crueza do ofício.

O pastor, no planalto de Trás-os-Montes, é um símbolo da resistência e da dignidade que se encontram na dureza, um lembrete de que, mesmo nas vidas mais simples, há uma beleza e uma força inabaláveis.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
11
Mar25

Crepúsculo Transmontano (Poema)


Mário Silva Mário Silva

Crepúsculo Transmontano (Poema)

11Mar DSC07927_ms

Nas encostas de telha e pedra,

onde o sol se deita preguiçoso

e o vento sussurra segredos

de eras que se foram,

as aldeias se desvanecem em silêncio.

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Casas de memória,

erguidas como velhas testemunhas

de mãos calejadas e corações pulsantes,

agora repousam solenes,

deixando que o tempo as abrace

num abraço de melancolia e pó.

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Nos caminhos de pedra,

onde os passos se perdem

no eco de histórias antigas,

o arado e a foice jazem esquecidos,

símbolos de um labor que unia vida

se celebrava a terra com fervor ancestral.

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Nas pequenas igrejas quase abandonadas,

a prece ecoa num sussurro distante,

como um hino triste à esperança

que se foi com a brisa,

levando embora os risos e os sonhos

de gerações que partiram rumo ao incerto.

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Oh, Trás-os-Montes!

Na tua paisagem rústica e austera,

a decadência é também poesia,

um lamento que se transforma

em versos de saudade,

e em cada ruína, a semente

de um amor eterno pela terra.

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Poema & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
23
Fev25

“A igreja e a sua importância"


Mário Silva Mário Silva

“A igreja e a sua importância"

23Fev DSC00472_ms

A Igreja desempenha um papel fundamental na vida das comunidades rurais de Trás-os-Montes, tanto do ponto de vista arquitetónico, como cultural, social e religioso.

A fotografia de Mário Silva capta essa essência ao destacar uma igreja típica da região, inserida na paisagem natural e refletindo a importância histórica desses edifícios para o povo transmontano.

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As igrejas rurais de Trás-os-Montes apresentam um estilo arquitetónico tradicional, muitas vezes marcado por influências barrocas e românicas.

A igreja na imagem tem uma estrutura simples, com paredes brancas e um telhado de telha avermelhada, características comuns nas construções religiosas do interior português.

A torre sineira, com arcos bem definidos e uma cruz no topo, simboliza a presença divina e a ligação entre o céu e a terra.

O relógio na fachada reforça a sua função como ponto central da aldeia, regulando o tempo e a vida dos moradores.

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A Igreja é mais do que um edifício religioso; é um marco identitário para as comunidades rurais.

Ao longo dos séculos, esses templos foram espaços de celebração, memória e tradição.

As festividades religiosas, como as festas em honra dos santos padroeiros, romarias e procissões, reúnem os habitantes e descendentes da terra, reforçando os laços culturais e perpetuando as tradições locais.

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Além de local de culto, a Igreja é um ponto de encontro e convivência.

Em muitas aldeias transmontanas, é junto à Igreja que se realizam as principais interações sociais, desde reuniões comunitárias a eventos festivos.

Para uma população que historicamente enfrentou isolamento geográfico e dificuldades socioeconómicas, a Igreja sempre representou um espaço de união, onde os moradores partilham alegrias e tristezas.

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A fé tem um papel central na vida das populações rurais de Trás-os-Montes.

A Igreja representa a espiritualidade e a devoção do povo, sendo o local onde ocorrem os momentos mais importantes da vida comunitária, como batismos, casamentos e funerais.

Para muitos, a igreja é um refúgio espiritual, um espaço de oração e esperança, onde encontram conforto e orientação.

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Como conclusão, a Igreja, como a representada na fotografia de Mário Silva, é um símbolo de resistência e continuidade.

Em Trás-os-Montes, ela permanece como um elo entre o passado e o presente, refletindo a fé, a cultura e a identidade de um povo profundamente ligado às suas raízes e tradições.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
27
Dez24

Um dia gelado numa aldeia remota de Trás-os-Montes


Mário Silva Mário Silva

Um dia gelado numa aldeia remota de

Trás-os-Montes

27Dez Águas Frias - Neve_ms

Numa aldeia escondida no interior transmontano, o dia amanheceu frio, ventoso e coberto de neve.

As casas de pedra, com os seus telhados brancos, pareciam pequenas ilhas num mar de neve.

O vento uivava pelas ruas estreitas, levantando pequenos redemoinhos de neve que dançavam ao seu sabor.

Numa dessas casas, a lareira estava acesa, quebrando o silêncio da casa vazia.

A lenha de carvalho crepitava, lançando faíscas que iluminavam o rosto de uma velhinha sentada junto ao fogo.

Tinha um xaile pelos ombros, protegendo-a do frio que se fazia sentir.

Os seus olhos, marcados pelo tempo, refletiam as chamas que dançavam na lareira.

A velhinha, Dona Maria, era a única habitante daquela casa.

Vivia sozinha desde que o seu marido, um antigo pastor da região, tinha partido.

Agora, passava os seus dias entre as paredes de pedra da sua casa, aquecida pelo fogo da lareira e pelas memórias de tempos mais felizes.

Nesse dia de frio, vento e neve, Dona Maria sentou-se junto à lareira, como fazia todos os dias. O xaile pelos ombros dava-lhe algum conforto, mas era o calor do fogo que realmente a aquecia.

Olhava para as chamas, perdida nos seus pensamentos, enquanto a lenha de carvalho crepitava, quebrando o silêncio da casa.

Fora, a neve continuava a cair, cobrindo a aldeia com um manto branco.

O vento uivava, como se quisesse entrar na casa e juntar-se a Dona Maria junto à lareira.

Mas a velhinha não se deixava perturbar.

Estava em paz, aquecida pelo fogo e pelas suas memórias, num dia de frio, vento e neve, numa aldeia do interior transmontano.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
09
Jul24

Casas Rurais no Norte Transmontano: Importância para o Turismo e Economia


Mário Silva Mário Silva

Casas Rurais no Norte Transmontano:

Importância para o Turismo e Economia

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A fotografia mostra uma casa rural localizada em Castelo, uma freguesia do concelho de Chaves, no norte de Portugal.

As casas rurais são uma parte integrante do panorama arquitetónico e cultural da região transmontana, oferecendo uma janela para o passado e uma oportunidade para o desenvolvimento económico através do turismo rural.

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As casas rurais da região norte de Trás-os-Montes, como a exemplificada na imagem, possuem características únicas que refletem a história e a cultura da região:

Feitas de pedra e com telhados de telha vermelha, essas casas têm um charme rústico e uma durabilidade impressionante.

As paredes espessas de pedra proporcionam isolamento térmico natural, mantendo o interior fresco no verão e quente no inverno.

A presença de grandes ânforas de barro, como as mostradas na imagem, não é apenas decorativa, mas também funcional, pois eram tradicionalmente usadas para armazenamento de vinho e azeite.

As casas estão frequentemente localizadas em áreas de grande beleza natural, rodeadas por vegetação densa e montanhas, oferecendo um refúgio tranquilo e pitoresco.

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O turismo rural tem crescido significativamente na região de Trás-os-Montes, atraindo visitantes que buscam uma experiência autêntica e relaxante.

As casas rurais desempenham um papel crucial neste setor:

Os turistas podem experimentar a vida rural autêntica, desfrutando de atividades como caminhadas, colheita de frutas, e participação em festividades locais.

Muitas dessas casas foram convertidas em alojamentos turísticos, conhecidos como "turismo de habitação" ou "agroturismo", oferecendo acomodações confortáveis com um toque de tradição.

A proximidade com quintas e produtores locais permite aos turistas degustar produtos regionais frescos, como queijos, vinhos, e azeites, muitas vezes produzidos de forma artesanal.

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Além de atrair turistas, as casas rurais têm um impacto positivo na economia local de várias maneiras:

A manutenção e operação das casas rurais, bem como os serviços associados ao turismo (como guias, restaurantes, e lojas de artesanato), geram empregos para os residentes locais.

O turismo rural promove práticas sustentáveis e a preservação do património cultural e natural, incentivando o uso responsável dos recursos locais.

A revitalização das casas rurais e a afluência de turistas ajudam a manter vivas as tradições e costumes locais, além de proporcionar um fluxo constante de renda para as comunidades rurais.

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As casas rurais, como a situada em Castelo, Chaves, são mais do que simples construções antigas; elas são um símbolo da rica herança cultural de Trás-os-Montes e um pilar para o desenvolvimento do turismo e da economia local.

Ao preservar e promover essas casas, a região não só celebra a sua história, mas também assegura um futuro próspero e sustentável.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
14
Set23

As casas, das aldeias rurais de Trás-os-Montes, Portugal, estão a perder as suas características arquitetónicas (1.ª parte)


Mário Silva Mário Silva

 

As casas, das aldeias rurais de Trás-os-Montes, Portugal,

estão a perder as suas características arquitetónicas

(1.ª parte)

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  1. Introdução a Trás-os-Montes: Uma região rural de Portugal

Trás-os-Montes, uma região pitoresca situada no nordeste de Portugal, oferece um vislumbre do rico património cultural e do encanto rural do país. Aninhada em meio de paisagens de tirar o fôlego, esta região é conhecida por sua arquitetura tradicional, que reflete uma mistura única de influências de diferentes épocas e culturas. Vamos mergulhar no fascinante mundo das casas tradicionais de Trás-os-Montes, focando-nos numa casa particular numa aldeia rural. Ao explorarmos a arquitetura, as características únicas e os desafios enfrentados por essas casas, também lançaremos luz sobre os esforços que estão sendo feitos para preservar e restaurar este inestimável património cultural. Junte-se a nós nesta viagem enquanto descobrimos a história de uma casa que encapsula a paisagem arquitetónica em evolução de Trás-os-Montes.

 

  1. Introdução a Trás-os-Montes: Uma região rural de Portugal

Trás-os-Montes, situada no canto nordeste de Portugal, é uma região rural cativante que oferece um vislumbre da cultura tradicional portuguesa. Conhecida pelas suas paisagens de cortar a respiração, aldeias encantadoras e locais calorosos, Trás-os-Montes é uma joia escondida à espera de ser descoberta.

 

  1.1 Panorama de Trás-os-Montes

Trás-os-Montes, que se traduz por "Por trás das montanhas", é apropriadamente chamado por ser caracterizado pelo seu terreno montanhoso e beleza acidentada. Esta região é frequentemente elogiada por sua natureza intocada, tornando-se um refúgio para entusiastas ao ar livre, caminhantes e amantes da natureza. Com uma história rica, Trás-os-Montes exala um sentido de autenticidade e autenticidade difícil de encontrar noutros lugares.

 

  1. Explorar a Arquitetura das Casas Tradicionais de Trás-os-Montes

Há algo verdadeiramente cativante na arquitetura das casas tradicionais de Trás-os-Montes. Estas habitações pitorescas servem como uma janela para o passado da região, exibindo uma mistura única de influências que moldaram o seu design.

 

2.1 O Rico Património Arquitetónico de Trás-os-Montes

Trás-os-Montes possui um rico património arquitetónico que reflete a história e o significado cultural da região. De influências românicas a elementos mouros, estas casas tradicionais contam histórias do passado, pintando um quadro vívido das pessoas que um dia as chamaram de lar.

 

2.2 Influências no Design de Casas Tradicionais em Trás-os-Montes

O design das casas tradicionais de Trás-os-Montes é uma mistura fascinante de influências culturais. As paredes de granito austeras, vigas de madeira robustas e telhas distintas exibem uma mistura de estilos mediterrâneos, mouros e do norte da Europa. Esta fusão única cria uma estética visualmente marcante que se destaca na paisagem rural.

 

  1. As Características Únicas de uma Casa Rural Típica de Trás-os-Montes

Entre numa típica casa rural de Trás-os-Montes e sentirá instantaneamente uma sensação de aconchego e calor. Estas casas são um testemunho da desenvoltura e engenho da população local, com cada elemento cuidadosamente escolhido para suportar os desafios da vida rural.

 

3.1 Disposição e estrutura das casas tradicionais

As casas tradicionais de Trás-os-Montes apresentam frequentemente uma disposição simples, mas eficaz. Os quartos são organizados em torno de uma sala de estar central ou cozinha, criando um espaço acolhedor para reuniões familiares. As grossas paredes de pedra proporcionam isolamento do frio rigoroso do inverno e oferecem descanso do calor escaldante do verão.

 

3.2 Materiais utilizados na construção

Os materiais utilizados na construção de casas rurais em Trás-os-Montes são uma prova da sua durabilidade. O granito, uma pedra predominante na região, é usado para as paredes, dando às casas uma aparência rústica distinta. Vigas de madeira de origem local e telhas de barro vermelho nos telhados completam o visual tradicional, misturando-se harmoniosamente com o ambiente natural.

 

3.3 Design de Interiores e Mobiliário

Dentro destas casas rústicas, encontrará uma simplicidade encantadora que abraça o estilo de vida rural. Os interiores são muitas vezes adornados com têxteis artesanais, cerâmica colorida e móveis de madeira, criando uma atmosfera acolhedora que convida ao relaxamento. Estes toques atenciosos, transmitidos através de gerações, acrescentam um toque pessoal a cada casa.

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Texto & Fotografia: @MárioSilva

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Mário Silva 📷
07
Set23

Uma paisagem de centeio cortado e rolos de palha num planalto transmontano - Portugal


Mário Silva Mário Silva

Uma paisagem de centeio cortado e rolos de palha

num planalto transmontano - Portugal

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É uma cena rural encantadora de Portugal, mais especificamente numa região conhecida como planalto transmontano. Esta é uma área caracterizada pelas suas paisagens naturais deslumbrantes, onde o centeio é cultivado e a agricultura desempenha um papel importante na vida das comunidades locais.

Na fotopintura apresentada, podemos imaginar um vasto campo de centeio que foi colhido recentemente. As hastes douradas e maduras do centeio foram cortadas e agrupadas em feixes, formando rolos de palha.

Esses rolos de palha são cuidadosamente empilhados em grupos ou alinhados em fileiras ordenadas pelo campo. A palha tem uma cor amarelo-dourado, contrastando com o céu azul e possivelmente algumas nuvens brancas que pontuam o horizonte.

A paisagem do planalto transmontano é tipicamente caracterizada por colinas e montanhas suaves, criando um cenário ondulado que se estende até onde os olhos podem ver.

Os campos cultivados estendem-se até onde a vista alcança, com um mosaico de diferentes tons de verde e dourado, dependendo da vegetação e da estação do ano.

As casas rurais de pedra e os edifícios tradicionais podem ser avistados esporadicamente na paisagem, adicionando um toque de autenticidade a essa cena idílica. O ambiente tranquilo e sereno do planalto transmontano oferece uma sensação de isolamento e conexão com a natureza, onde o tempo parece desacelerar.

O som suave do vento soprando pelas colinas e a fragrância da terra e da vegetação acrescentam uma dimensão sensorial a essa paisagem pitoresca.

É uma cena que evoca uma sensação de calma e admiração pela beleza da vida rural em Portugal.

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Texto & Fotopintura: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
13
Nov22

TRANSMONTANO - Portugal


Mário Silva Mário Silva

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TRANSMONTANO - Portugal

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Desta terra sou feito

Fragas são os meus ossos

Húmus a minha carne

Tenho rugas na alma

E correm-me nas veias

Rios impetuosos

Dou poemas agrestes

E fico também longe

No mapa da nação

Longe e fora de mão.

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_____   Miguel Torga   _____

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Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
27
Fev21

NÓS, OS TRANSMONTANOS - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

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A aldeia transmontana de Águas Frias – Chaves – Portugal e outas Terras de Monforte.

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NÓS, OS TRANSMONTANOS

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“Nós, os transmontanos nascemos um bocadinho com essa sina de sermos muito agarrados à terra e aos valores da terra. E eu como transmontano que sou prezo-me de cumprir esse mandato. E portanto, digamos que só viveria 100% satisfeito comigo próprio se fosse numa terra de Trás os Montes. Se tivesse de ir para Lisboa, por exemplo, não conseguia, confesso que não conseguia. Passo lá três dias, às vezes, mas ao fim do terceiro dia já é de me ir embora, vamos embora, vamos lá para a nossa terrinha. Está-se lá melhor. Está a perceber? É a tal maldição que pesa sobre o transmontano, é agarrado à terra, é o terrunho.”

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M. Pires Cabral entrevista ao jornal “Expresso

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Mário Silva 📷
29
Jan21

O arco-íris na Aldeia


Mário Silva Mário Silva

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O arcoris aparece e coroa a aldeia transmontana de Águas Frias (Chaves) – Portugal.

Será que é o sinal que este tempo “negro” que se vive atualmente, vai mudar e dar um colorido à Vida de confinamento, de receios, de dores, de mortes, mas também de Esperança …

A Vida continua (com ou sem coronas vírus).

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E tal como o microrganismo se transfigura (mutações) para melhor aproveitar as condições mais favoráveis à sua existência, também Nós, Humanos, Seres complexos e pensantes, teremos de nos adaptar (confinamento, máscara facial, distanciamento social, higiene sanitária) para superar os efeitos nefastos desta situação nova.

Haja bom senso, e inteligência … Vamos conseguir …

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Arco-íris

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Riscos de cor gravados no céu
Mostrando a harmonia da natureza
Cenário presente em qualquer sonho meu
Derivado da sua enorme beleza.
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Como é deslumbrante o seu colorido
Que me transmite uma calma profunda
Faz-me esquecer este mundo sofrido
Que diariamente é massacrado de uma forma absurda.
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O céu pincelado de cor
Capaz de proporcionar um sorriso num rosto desolado
Colorindo por momentos um dia de horror,
Vivido por alguém com o coração amargurado.
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Perante tal cenário, tudo é possível imaginar
A alegria e a beleza das cores
Fazem os pássaros alegremente à sua volta voar
Bem como fazer despertar a beleza das flores.
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Como é belo o céu a sorrir cheio de cor
Mesmo que seja por pouco tempo,
É capaz de fazer esquecer qualquer dor
Mesmo que seja por um breve momento.
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João Filipe Ferreira

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25
Jan21

EU AMO TUDO O QUE FOI - Águas Frias (Chaves) - Portugal


Mário Silva Mário Silva

 

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EU AMO TUDO O QUE FOI

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Eu amo tudo o que foi,

Tudo o que já não é,

A dor que já não me dói,

A antiga e errónea fé,

Ontem que dor deixou,

O que deixou alegria,

Só porque foi, e voou

E hoje já é outro dia.

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Fernando Pessoa

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12
Jan21

Trás-Os-Montes  - terra de tranquilidade e paz


Mário Silva Mário Silva

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Trás-Os-Montes 

terra de tranquilidade e paz

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As aldeias transmontanas têm paisagens que, seja primavera, verão, outono ou inverno, nos transporta para uma tranquilidade e paz …

Elas são tão importantes nestes momentos tão conturbados … e, em que a “calma” é quase um remédio …

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 “Se chama calma e me custou muitas tempestades.
Se chama calma e quando desaparece a busco incessantemente.
Se chama calma e me ensina a respirar, pensar e repensar.

Se chama calma e quando a loucura chega desencadeia ventos valentes que custam dominar.

Se chama calma e vem com os anos quando a ambição da língua jovem se solta, a barriga esfria sem ânsia, dá mais silêncio e mais sabedoria.

Se chama calma e, quando você aprende a amar, quando o egoísmo se esvai e o inconformismo acaba, abre-se o coração e a alma para quem quer receber e dar.
Se chama calma quando a amizade é tão sincera que todas as máscaras caem e tudo pode ser dito.

Se chama calma e o entendimento do mundo vem da unicidade saindo do labirinto que inventa guerras que ninguém nunca vencerá.

Se chama calma quando o silêncio é apreciado, quando os ruídos não são apenas música e loucura, mas o vento, os pássaros, a boa companhia, o barulho do mar.

Se chama calma e não pode ser paga, não há moeda de qualquer cor que possa cobrir seu valor quando se torna realidade.

Se chama calma e isso me custou muitas tempestades e eu as passaria mil vezes até encontrá-la novamente.

Se chama calma, a amo, a respeito e não quero deixá-la ir.”

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Dalai Lama

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18
Abr20

Águas Frias (Chaves) - ... ser transmontano ...


Mário Silva Mário Silva

 

 

SER TRANSMONTANO
 
 
Nasci numa linda aldeia
Protegida pela serra
Como uma mãe protege um filho
Juntinho ao seu coração.
 

Águas Frias (Chaves) - ... uma visão parcial da Aldeia ..

... uma visão parcial da Aldeia ...

 
Cresci a contemplar
Essa beleza sem par.
Pé descalço calcurreei os montes
Apanhando a lenha que aquecia
As longas noites de inverno
 
E no verão matava a sede
Com a água fria das suas fontes.
 

Águas Frias (Chaves) - ... os raios de sol rasgando por entre as nuvens, em dias de primavera ...

... os raios de sol rasgando por entre as nuvens, em dias de primavera ...

 
Enchido o caixote de lenha
No alto junto à capela
Parava para admirar
Aquela terra tão bela
Que um dia iria deixar.
 
Fui à escola e aprendi a ler
Mas cedo tive de enfrentar
Aquilo que a minha terra
Não tinha para me oferecer.
 

Águas Frias (Chaves) - ... gravelho ou cravelho ...

... gravelho ou cravelho ...
 
 
Tive de abandonar o lar
Quando ainda era menino
Com a minha mãe a chorar
Temendo pelo meu destino.
 
Parti para outras terras 
Com um aperto no coração
Onde tive de ser adulto
Quando na cabeça ainda tinha
O arco, a bola de trapos e o pião.
 
Esperava-me trabalho duro
Do nascer ao pôr do sol
Depois de um esforço tamanho
À noite tinha de dormir
Numas palhas estendidas
No chão térreo de um cardanho.
 

Águas Frias (Chaves) - ... Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) ...

... andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) ...
 
 
Aí tive de passar
Parte da minha mocidade
Até que o meu pai me disse:
Meu filho, vou-te arranjar
Um trabalho na cidade.
 
Para trás deixei a Flávia
Terra de grande beleza
Onde o verde dos seus vales
Contrasta com a pobreza
Dos que têm que amanhar
A vinha que é dos outros
Para o seu pão conquistar.
 

Águas Frias (Chaves) - ... pormenores numa casa na Aldeia ...

... pormenores numa casa na Aldeia ...

 
Parti então para a cidade
Transportando na bagagem
Muitos sonhos e esperanças
E uma grande coragem
Para enfrentar a saudade
Dos meus tempos de criança.
 
Vim encontrar na cidade
Novos e grandes problemas.
Sozinho tive de enfrentar
Toda a adversidade
De quem tem que trabalhar
Longe da sua família
Sem ninguém para o ajudar.
 

Águas Frias (Chaves) - ... "eu vi um ninho" ...

... "eu vi um ninho" ...
 
 
Mas com grande determinação
Venci a adversidade
E aqui vim encontrar
Depois de muito lutar
A minha felicidade.
 
Agora ainda me lembro
Da minha querida aldeia
Dos meus pais e dos meus irmãos
E dos serões à luz da candeia.
 

Águas Frias (Chaves) - ... Pisco de peito ruivo - Erithacus rubecula ...

... pisco de peito ruivo - Erithacus rubecula ...
 
 
Foi daí que eu herdei
Um grande calor humano
E aos ombros carreguei
Pelas terras por onde andei
 

Águas Frias (Chaves) - ... enxertando castanheiros novos ...

... enxertando castanheiros novos ...

 
 
Um grande orgulho de ser Transmontano.
 
Joaquim S. Coutinho

 

 

Até breve !!!

 

 

                 

Mário Silva 📷
12
Abr20

Águas Frias (Chaves) - ... A visita pascal na Aldeia em anos transatos ...


Mário Silva Mário Silva

 

... A visita pascal

na Aldeia

em anos transatos ...

Como a pandemia causada pelo vírus COVID-19, continua e obriga, para a proteção de todos, a confinação social. Assim, tal como no Domingo de Ramos, não haverá qualquer manifestação religiosa e portanto, não há a eucaristia da Páscoa e a tradicional e emotiva Visita Pascal.

2020 ficará na nossa memória como um ano diferente ... mas a memória não se apaga.

Assim, em cada casa, poderemos relembrar como foram as anteriores Visitas Pascais, nesta pequena mas bela aldeia transmontana.

O meu singelo contributo será, partilhar os registos fotográficos que captei em anteriores anos, desta tradicional Visita Pascal pelas casas, que se abriam para receber Cristo Ressuscitado.

Halleluia !     Halleluia !    Halleluia !  

 

 

Desejando que, TODOS,

tenham uma Santa Páscoa,

com muita Paz e Saúde.

 

 

Até Breve !!!

 

 

                       

 

 

 

 

Mário Silva 📷
11
Abr20

Águas Frias (Chaves) - ... o Folar da Páscoa ...


Mário Silva Mário Silva

 

Lenda do Folar da Páscoa

A lenda do folar da Páscoa é tão antiga que se desconhece a sua data de origem.

Reza a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo. Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos. A jovem voltou a pedir ajuda a Santa Catarina para fazer a escolha certa. 

Enquanto estava concentrada na sua oração, bateu à porta Amaro, o lavrador pobre, a pedir-lhe uma resposta e marcando-lhe como data limite o Domingo de Ramos. Passado pouco tempo, naquele mesmo dia, apareceu o fidalgo a pedir-lhe também uma decisão. Mariana não sabia o que fazer.

Chegado o Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte. Mariana correu até ao lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre.

Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe tinham dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro. Mariana rezou a Santa Catarina e a imagem da Santa, ao que parece, sorriu-lhe.
No dia seguinte, Mariana foi pôr flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que, em cima da mesa, estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha posto no altar. Correu para casa de Amaro, mas encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante.

Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo. Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina.

Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação. Durante as festividades cristãs da Páscoa, os afilhados costumam levar, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas à madrinha de batismo e esta, no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar.

in: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$lenda-do-folar-da-pascoa

 

 

 

Até breve!!!!!

 

 

            

 

 

 

 

Mário Silva 📷

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