“Pela rua do Carril” - Águas Frias - Chaves - Portugal
Mário Silva Mário Silva
“Pela rua do Carril”
Águas Frias - Chaves - Portugal

A fotografia de Mário Silva retrata uma rua em Águas Frias, Chaves, com uma atmosfera tranquila e rural.
A imagem tem como ponto central uma rua estreita, que se estende para longe, ladeada por casas tradicionais.
Em primeiro plano, do lado esquerdo, uma casa de dois andares com paredes amarelas e persianas verdes escuras domina a cena.
Uma escadaria exterior conduz ao andar superior, um elemento típico da arquitetura local.
Do lado direito, um muro de pedra irregular e um poste com a placa "Rua do Carril" guiam o olhar.
A vegetação densa e o céu nublado dão um toque de serenidade à paisagem.
A assinatura do autor no canto inferior direito sela a obra.
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Estória: A Rua do Carril
Na aldeia de Águas Frias, a Rua do Carril não era apenas um caminho de cimento; era o coração da aldeia.
Uma rua estreita e sinuosa, ladeada por casas que se aninhavam na encosta, cada uma com a sua própria história.
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Na casa amarela e verde, vivia uma velha costureira, a Senhora Emília.
Todas as manhãs, a Senhora Emília abria as persianas verdes e sentava-se à janela para observar a vida a passar.
Via as crianças a correrem para a escola, os vizinhos a irem para os campos e o carteiro a entregar as cartas.
A sua vida era uma tapeçaria de pequenas histórias, e a Rua do Carril era a sua tela.
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Numa tarde de verão, um forasteiro parou no cimo da rua, com um mapa na mão.
Parecia perdido.
A Senhora Emília, sempre atenta, chamou-o da sua janela.
- Venha, venha, meu senhor. O que procura?
O homem, confuso, explicou que procurava um rio, o qual, segundo o seu mapa, passava por ali.
A Senhora Emília riu-se e explicou-lhe que o rio secou há muito, muito tempo, e a Rua do Carril era o que restou do seu antigo leito.
O homem, fascinado, agradeceu e continuou o seu caminho, mas as palavras da Senhora Emília ficaram na sua mente.
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A Rua do Carril era o leito de um rio invisível, feito de memórias e de vidas.
O carril, que outrora transportara água, agora transportava as histórias das gentes que ali viviam.
A escadaria da casa da Senhora Emília era como uma cascata, por onde desciam os passos dos filhos e netos que a visitavam.
As paredes amarelas eram o calor do sol que outrora tinha secado o rio.
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A fotografia de Mário Silva capturou aquele momento, com a luz do sol a incidir suavemente sobre a casa amarela e a rua de cimento.
A Rua do Carril não era apenas um caminho, mas um rio de história, onde as memórias corriam, e as vidas se entrelaçavam, na tranquilidade de uma aldeia de Trás-os-Montes.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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