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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

26
Dez25

"E ... depois do Natal?"


Mário Silva Mário Silva

"E ... depois do Natal?"

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A fotografia de Mário Silva é uma paisagem florestal serena e simétrica, captada ao nível do solo, que retrata a quietude de uma alameda de árvores no inverno.

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A Geometria Natural: O olhar é conduzido por filas paralelas de árvores altas e esguias, despidas de folhagem, que criam um corredor visual profundo em direção a um horizonte enevoado.

A casca das árvores apresenta tons de cinzento e verde-musgo, salpicados de branco.

O Chão Misto: O solo é um tapete complexo de texturas: há folhas castanhas e secas (vestígios do outono), erva verde a espreitar e uma camada fina de neve ou geada que cobre parcialmente a terra.

A Atmosfera: A luz é difusa e branca, típica de um céu encoberto.

A imagem transmite uma sensação de vazio, silêncio e frescura, como se a natureza estivesse num momento de pausa profunda.

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O Vazio Necessário – A Ressaca Emocional do Dia 26

O título da fotografia, "E ... depois do Natal?", coloca uma questão que paira, pesada e inevitável, sobre todos nós assim que se apagam as luzes da consoada.

A imagem de Mário Silva, com a sua floresta despida e silenciosa, é a resposta visual perfeita para esse estado de espírito coletivo: é o retrato da ressaca emocional.

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O Despir da Festa

Até ao dia 25, vivemos num crescendo de luzes, cores, excessos alimentares e ruído social.

Decoramos as nossas casas como árvores de Natal carregadas.

Mas, tal como as árvores na fotografia, chega o momento em que os enfeites caem.

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"E ... depois do Natal?" é o confronto com a realidade nua.

A fotografia mostra-nos um mundo sem artifícios.

As árvores estão lá, verticais e dignas, mas sem a folhagem que as embeleza.

É uma metáfora crítica para a nossa sociedade: somos capazes de suportar o silêncio e a simplicidade depois de tanta estimulação consumista?

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O Chão da Realidade

O chão da imagem é particularmente simbólico.

Vemos as folhas mortas (o que passou), a erva (a esperança) e a neve (o frio da realidade).

Depois do Natal, resta-nos o chão.

Acabam-se os voos de fantasia, as promessas de "magia" vendidas nos anúncios, e regressamos à terra fria e húmida da rotina.

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Há uma certa melancolia neste regresso.

Sentimos um vazio, uma espécie de solidão que se instala quando a família parte e os papéis de embrulho vão para o lixo.

A paisagem de Mário Silva capta esse isolamento.

Não há vivalma na floresta; apenas o caminho que temos de percorrer sozinhos.

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A Beleza do Silêncio

Contudo, a crítica não é apenas negativa.

Há uma beleza purificadora nesta imagem.

A neve que cai sobre as folhas secas atua como um bálsamo.

O "depois do Natal" é também o tempo necessário para respirar.

É o momento em que a natureza (e nós) recupera o fôlego.

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A fotografia ensina-nos que não podemos viver em festa perpétua.

O inverno, o frio e o silêncio são essenciais para o equilíbrio.

A resposta à pergunta "E ... depois do Natal?" é simples: depois do Natal, vem a paz do essencial, despida de adornos, crua e bela como esta floresta gelada.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
24
Dez24

Conto de Natal - O Natal da Senhora Clementina Panoquinhas


Mário Silva Mário Silva

Conto de Natal

O Natal da Senhora Clementina Panoquinhas

24Dez DSC08261_ms Natal

Na pequena aldeia de Frescura d’Água, em pleno coração de Trás-os-Montes, o frio cortava como lâminas naquela véspera de Natal.

As casas de pedra, cobertas de musgo, exalavam um cheiro de lenha queimada, e as chaminés enchiam o ar com uma névoa que parecia misturar-se com as estrelas que despontavam no céu límpido.

Era uma aldeia esquecida pelo tempo, onde as tradições se mantinham vivas, e o Natal era celebrado com a mesma simplicidade de décadas atrás.

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Clementina Panoquinhas, uma viúva de 76 anos, morava sozinha na última casa da aldeia, à beira de um caminho de terra que subia para o monte.

Desde que perdera o marido, o Sr. Ferraz do Dedo Grande, há vinte anos, a sua vida era marcada pela solidão e pelas lembranças.

Contudo, todos na aldeia conheciam Clementina Panoquinhas pela sua bondade e pela habilidade em fazer o melhor pão de centeio da região.

No Natal, ela tinha o costume de preparar broas doces e distribuí-las pelos vizinhos mais necessitados.

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Naquela noite, enquanto o vento zunia pelas frestas das janelas, Clementina Panoquinhas estava na sua cozinha, amassando a última fornada de broas.

O velho relógio de parede marcava as onze horas.

O calor do forno aquecia-lhe as mãos e o coração, mas a solidão parecia mais pesada do que nunca.

Era a primeira vez que não haveria ninguém para partilhar a ceia.

Os filhos tinham emigrado para França e não conseguiriam vir por causa do trabalho.

Mesmo assim, Clementina Panoquinhas decidira manter a tradição.

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Quando terminou as broas, enrolou-as num pano branco e colocou-as numa cesta de vime.

Vestiu o seu xaile de lã, gasto pelo tempo, e saiu pela porta, enfrentando o frio que fazia doer os ossos.

As ruas da aldeia estavam desertas, mas havia uma magia no ar.

Algumas janelas iluminadas deixavam escapar o som abafado de risos e cantorias.

Clementina Panoquinhas caminhava devagar, depositando uma broa na soleira de cada casa humilde, com um sorriso nos lábios e uma prece no coração.

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Quando terminou, sentiu-se exausta, mas em paz.

Ao voltar para casa, reparou que o céu estava extraordinariamente estrelado, como se o firmamento quisesse dar-lhe um presente.

Sentou-se no banco de pedra junto à porta e olhou para o céu, lembrando-se de Sr. Ferraz do Dedo Grande.

"Que Deus te tenha em paz, meu querido... Se ao menos estivesses aqui" - sussurrou.

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De repente, ouviu um som que a fez sobressaltar.

Era o trote de cavalos, algo raro na aldeia.

Virou-se e viu, no caminho iluminado apenas pela lua, um velho carro de bois decorado com ramos de azevinho e lanternas.

No banco da frente, um homem idoso, de barba branca e um sorriso gentil, segurava as rédeas. Ao lado dele, um jovem com roupas simples segurava um saco volumoso.

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"Senhora Clementina Panoquinhas!" - chamou o homem, com uma voz calorosa.

"Será que podemos entrar? Temos uma mensagem para si."

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Clementina Panoquinhas, surpresa, assentiu e abriu a porta, embora o coração lhe batesse forte.

Assim que os dois homens entraram, a casa pareceu aquecer de forma inexplicável.

O homem mais velho entregou-lhe um pequeno embrulho, envolto em papel pardo e uma fita vermelha.

Clementina Panoquinhas, com as mãos trémulas, abriu-o e encontrou uma fotografia antiga dela e de Sr. Ferraz do Dedo Grande, tirada no Natal de 1953.

Lá estava ela, jovem e sorridente, segurando um bebé nos braços, enquanto Sr. Ferraz do Dedo Grande olhava para ela com ternura.

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"Mas... como conseguiram isto?"- perguntou, com os olhos marejados de lágrimas.

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"Este é o espírito do Natal, minha senhora" - respondeu o homem, com um sorriso enigmático.

"Um presente para lembrar que o amor nunca se perde, mesmo quando aqueles que amamos estão longe, ou já partiram."

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Antes que Clementina Panoquinhas pudesse dizer mais alguma coisa, os dois visitantes despediram-se e desapareceram tão rapidamente quanto tinham chegado.

Clementina Panoquinhas ficou na porta, segurando a fotografia contra o peito, com o coração inundado de gratidão e paz.

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Naquela noite, enquanto a aldeia dormia, Clementina Panoquinhas colocou a fotografia junto ao presépio.

Sentiu, pela primeira vez em muito tempo, que não estava sozinha.

O Natal de Frescura d’Água tornara-se mais brilhante, como se o céu e a terra conspirassem para lembrar que a magia do amor e da partilha nunca desaparece.

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E assim, na madrugada fria, as estrelas pareciam sorrir.

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A TODOS UM BOM e SANTO NATAL

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
09
Mar24

O carvalho e o sol “enjoado” - Água Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

O carvalho e o sol “enjoado”

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Um único carvalho ergue-se contra um céu carregado de nuvens. Os seus galhos nus estendem-se para o céu como dedos enrugados, implorando por chuva. A terra ao seu redor está nua e estéril, rachada e seca pelo sol implacável.

Há uma sensação de solidão e isolamento. A árvore é a única coisa viva à vista, cercada por um vazio infinito. As nuvens escuras pairam sobre ela como uma ameaça, prenunciando uma tempestade que está por vir.

Mas também há uma beleza melancólica. A árvore, nua e vulnerável, ainda assim ergue-se com força e determinação. As nuvens escuras podem ser uma ameaça, mas também podem ser uma fonte de vida. A chuva que elas trazem pode reviver a terra e dar à árvore a força de que ela precisa para brotar novamente.

A fotografia é um lembrete de que a vida é cheia de desafios.

Haverá momentos em que nos sentiremos sozinhos e isolados, como a árvore na fotografia. Mas também haverá momentos de beleza e esperança, como a promessa de chuva que as nuvens representam.

A árvore é um símbolo de força e resiliência. Ela resistiu a muitas tempestades e ainda está de pé.

A terra nua é um símbolo de esperança. Ela está pronta para ser renovada pela chuva.

As nuvens escuras são um símbolo de mudança. Elas podem trazer chuva, mas também podem trazer sol.

A foto é uma bela e comovente imagem da vida. Ela lembra-nos que a vida é cheia de altos e baixos, mas que sempre há esperança de um futuro melhor.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
17
Jan22

Solidão - uma casa só ... e Gente só ... - Águas Frias (Chaves) - Portugal


Mário Silva Mário Silva

__________________   🏠   ________________

Águas Frias – Chaves - Portugal

Solidão - uma casa só ... e Gente só ...

Uma bonita e típica casa … mas …

É solidão que sentem as paredes que ainda a suportam …

É solidão que sente o telhado que, a muito custo, tenta impedir o frio e a chuva …

É solidão que sente o soalho que já não range sob o peso das passadas do homem cansado do trabalho … ou a correria da criançada que brincava sem parança …

É solidão !!!!!!

E, a solidão é triste …

Então, … é uma casa só … e triste …

_____________________   🏠   ______________

Blog 17 DSC00388_ms

 

SOLIDÃO

 

Solidão:

ouvir passos, sabendo de antemão

que ninguém vai passar,

bater à porta.

Abrir, ansiosa, a caixa do correio,

duas vezes por dia,

sabendo muito bem

que está vazia.

Olhar o telefone horas a fio,

ano após ano,

tocar à campainha

e ouvir dizer: ”Desculpe, foi engano.”

Ouvir ranger a porta da entrada,

senti-la estremecer,

arrancar com uma espécie de estertor,

e, enfim, parar,

mas sempre noutro ligar.

Pôr na mesa um talher

para alguém que vier,

sabendo muito bem

que ninguém vem.

Pôr um fato novo,

Uma gravata, um novo andar,

sabendo que ninguém vai reparar.

Ver o cabelo embranquecer aos poucos,

a pele envelhecer, perder o viço,

e ninguém dar por isso.

Morrer. E alguém ler num jornal:

Morreu Fulano. O funeral…

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__________________   Fernanda de Castro   ____________________

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Ver também:

https://www.facebook.com/mariofernando.silva.9803/

http://aguasfrias.blogs.sapo.pt

https://www.youtube.com/channel/UCH8jIgb8fOf9NRcqsTc3sBA...

https://twitter.com/MrioFernandoGo2

https://www.instagram.com/mario_silva_1957/

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Mário Silva 📷

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