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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

28
Dez25

“Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos.” Capela S. Cristóvão - Ervedosa – Vinhais


Mário Silva Mário Silva

“Felizes os que esperam no Senhor

e seguem os seus caminhos.”

Capela S. Cristóvão - Ervedosa – Vinhais

28Dez Falram 3 dias_ms.jpg

A fotografia, capturada por Mário Silva, oferece um retrato sóbrio e emotivo da Capela de São Cristóvão, situada em Ervedosa, Vinhais.

A composição é dominada pela simplicidade arquitetónica da pequena ermida, em primeiro plano.

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A capela apresenta paredes brancas caiadas que se destacam sob uma luz difusa, possivelmente de um final de tarde, com a atmosfera levemente turva, quiçá por névoa ou orvalho.

O telhado, de telha tradicional de barro, é rematado por uma cruz singela e dois pináculos de pedra.

A porta principal, em madeira escura, é ladeada por dois pequenos óculos circulares, típicos de construções rurais e religiosas da região de Trás-os-Montes.

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Em frente à capela, encontra-se uma pequena área de acesso e patamar construída em granito rústico, com degraus largos.

No lado direito, um muro baixo de pedra irregular serve de guarda e assento, conferindo à entrada um ar de acolhimento e repouso.

Em ambos os lados, colunas robustas e trabalhadas em granito, com a sua pátina do tempo, emolduram a entrada.

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O fundo da imagem é preenchido por um horizonte rural, onde se vislumbra uma zona arborizada de pinheiros e vegetação dispersa, tudo envolto numa aura de calma e isolamento.

A terra à volta da capela é seca, de tons castanhos e amarelados, reforçando o cenário de ambiente interiorano.

A luz e o grão da imagem sugerem uma atmosfera quase intemporal, sublinhada pela citação que a acompanha, "Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos."

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O Santuário da Espera

"Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos."

No coração da terra ancestral de Trás-os-Montes, onde o granito guarda as histórias de séculos e o vento sopra a melodia dos pinhais, ergue-se a Capela de São Cristóvão em Ervedosa.

Não é um templo de fausto, mas um santuário da espera, um marco de fé plantado na simplicidade.

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A imagem capturada por Mário Silva não é apenas uma fotografia; é uma meditação sobre o Salmo que a intitula.

A frase, "Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos", ressoa na quietude da paisagem, transformando a capela num farol de paciência e propósito.

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As paredes brancas da ermida, lavadas pela chuva ou pelo tempo, são um reflexo da alma despojada que busca abrigo.

A porta escura, fechada, mas não trancada, sugere a intimidade do encontro — a entrada para o silêncio interior, onde a verdadeira espera acontece.

É no limiar, nos degraus de pedra gasta, que o caminhante de hoje encontra a sombra dos peregrinos de outrora, aqueles que, como São Cristóvão, transportavam o peso do mundo em busca de uma luz maior.

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O granito rude que sustenta a varanda não cede ao tempo; ele ensina a perseverança.

Ele murmura sobre os caminhos percorridos, os de Trás-os-Montes, acidentados e longos, e os da própria vida, cheios de incertezas.

A felicidade prometida não está no destino final apressado, mas no caminhar consciente, no seguir a senda com a certeza invisível da fé.

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Esperar no Senhor não é estagnação, mas um ato de confiança ativa.

É saber que, mesmo quando a luz é difusa e o horizonte se esbate nas árvores distantes, há uma cruz simples no topo do telhado a orientar.

É o reconhecimento de que cada passo é sustentado por uma promessa que transcende a paisagem visível.

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A capela de Ervedosa, solitária e serena, lembra-nos que a verdadeira felicidade reside na humildade da jornada e na fidelidade à direção.

É a poesia da fé anónima, do rito simples, que faz do esperar a forma mais elevada do seguir.

É um convite ao repouso da alma, antes de retomar o caminho com o coração renovado pela esperança.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
07
Mar25

"As ovelhas do senhor e As Ovelhas do Senhor"


Mário Silva Mário Silva

"As ovelhas do senhor e As Ovelhas do Senhor"

07Mar DSC01887_ms

A fotografia de Mário Silva captura um momento de serenidade e inocência no campo.

A imagem apresenta duas ovelhas, uma adulta e um cordeiro, num pasto verdejante.

A ovelha adulta, com a sua lã macia e branca, contrasta com a agilidade e a curiosidade do cordeiro, que se volta para a câmara com um olhar atento.

O fundo verde vibrante e a luz natural criam uma atmosfera pacífica e convidativa.

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A composição da fotografia é simples e eficaz, com as ovelhas ocupando o centro da imagem.

A perspetiva adotada permite apreciar a beleza dos animais e a textura da lã.

A luz natural incide sobre as ovelhas, criando sombras que acentuam a volumetria dos animais.

A paleta de cores é limitada, com predominância de tons de branco, verde e castanho, que evocam a sensação de frescura e de vida.

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As ovelhas são animais que, ao longo da história, têm sido utilizados como metáfora para representar a humanidade.

Na Bíblia, Jesus autodenomina-se o "Bom Pastor" e os seus seguidores são comparados a "ovelhas".

A imagem da ovelha e do cordeiro está associada à inocência, à docilidade e à necessidade de proteção.

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A metáfora das ovelhas como seguidores de Cristo é uma das mais antigas e poderosas da tradição cristã.

Jesus autodenomina-se o "Bom Pastor" e os seus discípulos são comparados a ovelhas que precisam ser guiadas e protegidas.

Essa analogia está presente em diversos textos bíblicos e tem sido utilizada por teólogos e artistas ao longo dos séculos para ilustrar a relação entre Deus e o homem.

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A fotografia de Mário Silva, ao representar duas ovelhas num pasto verdejante, evoca essa poderosa metáfora.

A imagem pode ser interpretada como uma representação da relação entre o pastor e o rebanho, ou seja, entre Deus e os seus fiéis.

A ovelha adulta, com a sua experiência e sabedoria, simboliza a figura do pastor, enquanto o cordeiro representa os fiéis, que precisam de orientação e proteção.

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Em resumo, a fotografia "As ovelhas do senhor e as Ovelhas do Senhor " é uma obra que transcende a mera representação de animais.

A imagem, com a sua beleza simples e a sua carga simbólica, convida-nos a refletir sobre a natureza humana, a nossa relação com o divino e a importância da fé.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
02
Fev25

"O Cruzeiro do Senhor dos Milagres" - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"O Cruzeiro do Senhor dos Milagres"

Águas Frias - Chaves - Portugal

02Fev DSC04269_ms

A fotografia de Mário Silva captura o "Cruzeiro do Senhor dos Milagres" em Águas Frias, Chaves, Portugal.

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O cruzeiro é apresentado dentro de uma pequena capela com quatro colunas de pedra que sustentam um telhado de telhas vermelhas, típico da arquitetura regional.

A estrutura é simples, mas robusta, refletindo a tradição e a importância cultural e religiosa do local.

A cruz azul, da azulejaria portuguesa, com a imagem do Senhor dos Milagres é o foco central da imagem, destacando-se pelo contraste de cores e pela sua posição elevada.

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A presença de flores e velas na base do cruzeiro sugere que é um local de veneração ativa, onde os fiéis vêm prestar homenagem e orar.

A lanterna pendurada na estrutura adiciona um toque de cuidado e tradição, sugerindo que o local pode ser iluminado durante a noite, aumentando sua sacralidade.

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A envolvente do cruzeiro, com árvores e vegetação, cria um ambiente sereno e contemplativo, que convida à reflexão e à oração.

A localização no largo da Junta de Freguesia indica que este é um ponto central da comunidade, integrando a fé na vida diária dos habitantes.

De notar que este cruzeiro já esteve num antigo cemitério da aldeia, que após a sua extinção, foi removido e implantado no local atual.

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O Senhor dos Milagres é uma figura venerada em várias partes do mundo, mas em Portugal, esta devoção tem raízes profundas, muitas vezes associadas a milagres e proteção divina.

A localização original no cemitério pode simbolizar a crença na vida após a morte e na intercessão divina.

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Para os crentes portugueses, a devoção ao Senhor dos Milagres pode ser uma manifestação de fé em tempos de dificuldade, pedindo por milagres ou agradecendo por graças recebidas.

Este tipo de devoção reforça a identidade cultural e religiosa da comunidade, unindo-a através de práticas comuns.

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O Senhor dos Milagres, representado na cruz, simboliza esperança, fé e a crença no poder divino de realizar o impossível.

A escolha de uma cruz azul pode simbolizar a pureza e a divindade, contrastando com o vermelho das telhas, que pode representar o sacrifício e o amor.

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A presença de oferendas como flores e velas mostra uma participação ativa da comunidade, indicando que a devoção é uma prática viva e comunitária.

A localização no largo da Junta de Freguesia sugere que a fé é um componente integral da vida pública e social.

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Em resumo, a fotografia de Mário Silva não apenas captura um monumento religioso, mas também encapsula a profundidade da devoção ao Senhor dos Milagres em Portugal, refletindo tanto a tradição histórica quanto a vivacidade da fé na comunidade local.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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