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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

01
Fev26

“Capela de São Siríaco” – Samaiões- Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Capela de São Siríaco”

Samaiões- Chaves – Portugal

01Fev DSC03547_ms.JPG

A fotografia de Mário Silva capta, num plano aproximado e de baixo para cima, o campanário (ou sineira) da Capela de São Siríaco, em Samaiões, Chaves.

A composição é marcada pelo forte contraste cromático entre o branco imaculado da parede, o cinzento quente do granito lavrado e o azul profundo do céu transmontano.

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No topo, destaca-se uma cruz de pedra de proporções equilibradas, que coroa a estrutura em arco onde se abriga o sino de bronze.

Detalhes como a corrente de ferro que pende da estrutura e o óculo circular perfeitamente talhado na pedra conferem à imagem uma sensação de rusticidade e permanência.

A luz solar, intensa e lateral, realça a textura rugosa do granito e a curvatura das telhas de canudo avermelhadas, evocando a paz e a solidez das tradições rurais portuguesas.

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São Siríaco: A Fé que Ecoa no Granito de Samaiões

A Capela de São Siríaco, situada na freguesia de Samaiões, em Chaves, é mais do que um marco arquitetónico; é um testemunho da persistência da fé através dos séculos.

Para compreendermos a importância desta fotografia, é essencial mergulharmos na Vida e Obra de São Siríaco, um dos santos mais venerados da Igreja primitiva.

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O Diácono e o Mártir

São Siríaco de Roma foi um diácono cristão que viveu no século IV, durante um dos períodos mais conturbados para o Cristianismo: a perseguição de Diocleciano.

A sua "obra" não foi escrita em livros, mas sim gravada através de atos de caridade e coragem.

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Reza a tradição que Siríaco era conhecido pelos seus dons de cura e exorcismo.

A sua fama chegou aos ouvidos do próprio Imperador, cujas lendas afirmam que o santo teria curado a filha de Diocleciano, Artemia, e mais tarde a filha do Rei da Pérsia.

Apesar destes prodígios, Siríaco não renunciou à sua fé, acabando por ser martirizado em 303 d.C.

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A Ligação à Terra Portuguesa

Como é que um diácono romano se torna o padroeiro de uma pequena capela em Chaves?

A resposta reside na expansão das relíquias e do culto aos mártires pela Europa.

Em Portugal, e especificamente na região de Samaiões, a devoção a São Siríaco fundiu-se com a identidade local.

A sobriedade da capela captada por Mário Silva reflete a vida do santo:

A Simplicidade: Tal como o diácono servia os pobres com humildade, a arquitetura da capela foge ao ornamento excessivo, focando-se na pureza da pedra.

A Resistência: O granito de Chaves simboliza a força de Siríaco perante o martírio.

O Sino: Na fotografia, o sino parece pronto a convocar a comunidade, tal como Siríaco convocava os fiéis para a oração nas catacumbas de Roma.

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Em forma de conclusão, a fotografia de Mário Silva não regista apenas um edifício; regista a verticalidade da fé.

O olhar que sobe da parede branca, passa pelo óculo e termina na cruz contra o céu azul, espelha a própria trajetória de São Siríaco: da dedicação terrena ao sacrifício final.

Em Samaiões, o tempo parece parado, e a obra do santo continua viva cada vez que o sino, ali suspenso, recorda aos vivos a memória dos que sofreram pela sua crença.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
28
Dez25

“Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos.” Capela S. Cristóvão - Ervedosa – Vinhais


Mário Silva Mário Silva

“Felizes os que esperam no Senhor

e seguem os seus caminhos.”

Capela S. Cristóvão - Ervedosa – Vinhais

28Dez Falram 3 dias_ms.jpg

A fotografia, capturada por Mário Silva, oferece um retrato sóbrio e emotivo da Capela de São Cristóvão, situada em Ervedosa, Vinhais.

A composição é dominada pela simplicidade arquitetónica da pequena ermida, em primeiro plano.

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A capela apresenta paredes brancas caiadas que se destacam sob uma luz difusa, possivelmente de um final de tarde, com a atmosfera levemente turva, quiçá por névoa ou orvalho.

O telhado, de telha tradicional de barro, é rematado por uma cruz singela e dois pináculos de pedra.

A porta principal, em madeira escura, é ladeada por dois pequenos óculos circulares, típicos de construções rurais e religiosas da região de Trás-os-Montes.

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Em frente à capela, encontra-se uma pequena área de acesso e patamar construída em granito rústico, com degraus largos.

No lado direito, um muro baixo de pedra irregular serve de guarda e assento, conferindo à entrada um ar de acolhimento e repouso.

Em ambos os lados, colunas robustas e trabalhadas em granito, com a sua pátina do tempo, emolduram a entrada.

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O fundo da imagem é preenchido por um horizonte rural, onde se vislumbra uma zona arborizada de pinheiros e vegetação dispersa, tudo envolto numa aura de calma e isolamento.

A terra à volta da capela é seca, de tons castanhos e amarelados, reforçando o cenário de ambiente interiorano.

A luz e o grão da imagem sugerem uma atmosfera quase intemporal, sublinhada pela citação que a acompanha, "Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos."

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O Santuário da Espera

"Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos."

No coração da terra ancestral de Trás-os-Montes, onde o granito guarda as histórias de séculos e o vento sopra a melodia dos pinhais, ergue-se a Capela de São Cristóvão em Ervedosa.

Não é um templo de fausto, mas um santuário da espera, um marco de fé plantado na simplicidade.

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A imagem capturada por Mário Silva não é apenas uma fotografia; é uma meditação sobre o Salmo que a intitula.

A frase, "Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos", ressoa na quietude da paisagem, transformando a capela num farol de paciência e propósito.

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As paredes brancas da ermida, lavadas pela chuva ou pelo tempo, são um reflexo da alma despojada que busca abrigo.

A porta escura, fechada, mas não trancada, sugere a intimidade do encontro — a entrada para o silêncio interior, onde a verdadeira espera acontece.

É no limiar, nos degraus de pedra gasta, que o caminhante de hoje encontra a sombra dos peregrinos de outrora, aqueles que, como São Cristóvão, transportavam o peso do mundo em busca de uma luz maior.

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O granito rude que sustenta a varanda não cede ao tempo; ele ensina a perseverança.

Ele murmura sobre os caminhos percorridos, os de Trás-os-Montes, acidentados e longos, e os da própria vida, cheios de incertezas.

A felicidade prometida não está no destino final apressado, mas no caminhar consciente, no seguir a senda com a certeza invisível da fé.

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Esperar no Senhor não é estagnação, mas um ato de confiança ativa.

É saber que, mesmo quando a luz é difusa e o horizonte se esbate nas árvores distantes, há uma cruz simples no topo do telhado a orientar.

É o reconhecimento de que cada passo é sustentado por uma promessa que transcende a paisagem visível.

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A capela de Ervedosa, solitária e serena, lembra-nos que a verdadeira felicidade reside na humildade da jornada e na fidelidade à direção.

É a poesia da fé anónima, do rito simples, que faz do esperar a forma mais elevada do seguir.

É um convite ao repouso da alma, antes de retomar o caminho com o coração renovado pela esperança.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
09
Dez25

"Um naco da Aldeia" - Águas Frias - Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

"Um naco da Aldeia"

Águas Frias - Chaves – Portugal

09Dez DSC00020a_ms.JPG

A fotografia de Mário Silva é um plano geral que capta uma secção da aldeia de Águas Frias a partir de um ponto de vista elevado, revelando a disposição das casas e a intersecção entre o espaço construído e o espaço rural.

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O Primeiro Plano: O primeiro plano é dominado por uma maciça explosão de folhagem outonal, com tonalidades intensas de amarelo-dourado e castanho-claro.

Esta folhagem, provavelmente de carvalhos ou castanheiros, enquadra a vista e serve como uma cortina quente que nos introduz ao cenário da aldeia.

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O Naco da Aldeia: Imediatamente atrás da folhagem, o olhar é dirigido para um conjunto de casas rurais.

As habitações apresentam a arquitetura típica da região, sendo a maioria de fachadas brancas ou creme com telhados de telha cerâmica de cor laranja-avermelhada.

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A Interação Rural-Urbana: A imagem evidencia a integração da aldeia na paisagem agrícola.

Entre as casas, veem-se terrenos cultivados ou hortas, alguns com vegetação verde viva, contrastando com a cor seca do outono e dos telhados.

Esta disposição mostra a proximidade direta entre o lar e o sustento.

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A Composição: A fotografia utiliza as árvores outonais como moldura e contrapeso ao casario, com a luz a realçar os telhados e a folhagem.

 O título "Um naco da Aldeia" sugere que esta é uma porção representativa, um pequeno pedaço da vida e da paisagem de Águas Frias.

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Um Naco da Aldeia – A Topografia da Vida e do Ocre em Trás-os-Montes

A expressão "Um naco da Aldeia" contida no título da fotografia é singularmente apropriada.

Não é a aldeia inteira, mas uma porção palpável e vital de Águas Frias, Chaves, que Mário Silva nos apresenta.

Esta imagem sintetiza a topografia humana e natural de Trás-os-Montes, onde o assentamento humano se molda ao terreno e coexiste intimamente com a produção agrícola.

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A Transição e a Cor no Outono

O Outono é a estação chave para esta paisagem, marcada pela folhagem amarelada em primeiro plano.

É um momento de transição, onde a energia da natureza se retrai após a colheita, mas a cor — o ocre e o laranja — celebra o calor do fruto e da madeira.

A folhagem em primeiro plano funciona como uma moldura natural e sazonal para o casario, lembrando que a aldeia não se impõe à floresta e ao campo, mas sim assenta neles.

O manto de cores quentes sublinha a interconexão entre o ciclo da vegetação e o ciclo da vida comunitária.

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A Arquitetura da Sobrevivência

O "naco" revelado mostra a essência do assentamento rural transmontano: casas com telhados inclinados de cor viva que combatem as chuvas e as neves do inverno e fachadas de cores claras que refletem a luz, muitas vezes escassa na região.

As casas são construídas em patamares, adaptando-se à inclinação do terreno, uma característica da paisagem montanhosa.

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Crucialmente, as parcelas de terreno cultivado, visíveis entre e por baixo das casas, mostram que a aldeia é uma unidade de produção e de habitação.

A vida não se separa do trabalho na terra; o lar é vizinho da horta, e a agricultura é uma atividade de proximidade, essencial para o sustento e a autonomia das famílias.

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Esta fotografia não é só um postal de uma aldeia; é uma planta do viver rural.

É a história contada em cores de terra e telha de um pedaço de Portugal que se mantém fiel à sua paisagem e ao seu ritmo sazonal.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
06
Nov25

"Outono e os castanheiros transmontanos"


Mário Silva Mário Silva

"Outono e os castanheiros transmontanos"

06Nov DSC09006_ms

A fotografia de Mário Silva retrata uma paisagem florestal dominada pela transformação sazonal.

O cenário é um souto de castanheiros sob a luz do outono, que realça a riqueza de cores da estação.

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As árvores, com os seus troncos robustos e escuros, têm a folhagem em plena mudança, apresentando uma paleta que varia do verde escuro (em algumas árvores mais à direita) ao amarelo e vermelho vivo (especialmente nas árvores mais à esquerda, banhadas pela luz do sol).

O sol, vindo de cima ou da lateral superior esquerda, cria um efeito de raios de luz que atravessam as copas, iluminando o ambiente.

O chão está completamente forrado por uma espessa camada de folhas caídas em tons de castanho e ocre, e as sombras projetadas pelos troncos alongam-se pelo terreno.

A cena evoca uma sensação de tranquilidade e de colheita.

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Os Castanheiros: Colunas Vivas da Identidade Transmontana no Outono

A imagem capturada por Mário Silva dos castanheiros transmontanos no esplendor do outono não é apenas uma fotografia de uma floresta; é um retrato da alma da região de Trás-os-Montes.

O castanheiro (Castanea sativa) é uma das árvores mais emblemáticas e economicamente vitais do interior de Portugal, e a sua presença marca a paisagem, a cultura e a economia local.

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A Coroa Dourada do Outono

O castanheiro é um dos protagonistas visuais do outono.

Na região transmontana, o clima e o solo favorecem o seu desenvolvimento, e é nesta estação que as suas folhas, antes de caírem para forrar o solo (como se vê na fotografia), se transformam num magnífico espetáculo de tons amarelos e vermelhos, que parecem competir com o sol.

A queda das folhas é o anúncio de que a verdadeira riqueza, o fruto, está pronta para ser colhida.

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Mais que um Fruto, um Tesouro

A castanha é o "pão" de Trás-os-Montes, e o outono é o tempo de festa da colheita.

Antigamente, a castanha era um alimento fundamental na dieta das populações rurais, funcionando como um substituto do cereal em tempos de escassez.

Hoje, mantém a sua importância económica e gastronómica, sendo celebrada em feiras e festas como o magusto, onde é assada e acompanhada por jeropiga ou vinho novo.

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O processo de apanha — a abertura dos ouriços espinhosos no solo, o som das castanhas a cair e a corrida para as recolher — é um ritual social que une famílias e vizinhos.

A qualidade das castanhas de Trás-os-Montes, especialmente as variedades da Terra Quente (como a Longal e a Judia), é reconhecida e valorizada.

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A Cultura do Souto

O bosque de castanheiros é tradicionalmente chamado de souto.

Estes soutos não são florestas selvagens, mas sim espaços cultivados e cuidadosamente mantidos ao longo de séculos.

Os troncos robustos e centenários, como os da fotografia, testemunham a longevidade destas árvores, que são passadas de geração em geração.

A sua gestão é uma forma de património cultural, que demonstra o profundo respeito e a ligação das gentes transmontanas à sua terra e aos seus recursos.

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O outono, com a sua luz mágica e o tapete de folhas, celebra o momento em que a natureza partilha o seu fruto, reafirmando o castanheiro como um símbolo da resiliência, da tradição e da abundância transmontana.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
17
Out25

Trepadeiras (Parthenocissus quinquefólia) invadem as ruínas da casa


Mário Silva Mário Silva

Trepadeiras (Parthenocissus quinquefólia)

invadem as ruínas da casa

17Out DSC02798_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada “Trepadeiras (Parthenocissus quinquefólia) invadem as ruínas da casa", é uma imagem poderosa que celebra o vigor da natureza sobre o tempo e a construção humana.

A foto apresenta um muro antigo, possivelmente de uma casa em ruínas, construído com pedra rústica e visivelmente desgastado.

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O elemento mais marcante é a trepadeira que cobre quase toda a parede, exibindo um espetáculo de cores de outono, que variam entre o vermelho vivo e o verde escuro, com as tonalidades mais intensas a dominarem o primeiro plano.

A luz do sol incide lateralmente, realçando a textura da pedra e a vivacidade das folhas.

No topo da parede, à direita, é visível uma chaminé e parte de um telhado, sugerindo que a casa ainda mantém alguma estrutura.

A composição é um forte contraste entre a solidez da pedra e a efemeridade e força da vida vegetal.

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O Abraço Selvagem: A Poesia da Ruína e a Força da Parthenocissus quinquefólia

A imagem capturada por Mário Silva é um testemunho silencioso de uma batalha, não travada com violência, mas com paciência: a batalha entre o trabalho humano e o poder inesgotável da natureza.

As ruínas de uma casa, outrora um lar de paredes sólidas, são agora o palco para o espetáculo da trepadeira Parthenocissus quinquefólia, que as envolve num abraço de fogo e vida.

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A Ruína como Tela

Na região de Trás-os-Montes e outras áreas rurais de Portugal, não é raro encontrar antigas casas de pedra abandonadas, onde o tempo se encarregou de desvanecer a presença humana.

Estas ruínas, longe de serem apenas símbolos de decadência, tornam-se telas para a natureza.

A solidez do granito serve de base para o crescimento de plantas que, gradualmente, recuperam o espaço que lhes foi tomado.

A Parthenocissus quinquefólia, vulgarmente conhecida como vinha virgem ou hera americana, é uma das protagonistas deste processo.

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A Magia do Outono: O Fogo na Parede

O momento em que a trepadeira mais se destaca é no outono.

É nesta estação que a clorofila se retira e revela os pigmentos vermelhos e carmesins que se tornam a assinatura da planta.

A cor intensa não é apenas um adeus ao verão, mas uma demonstração de vitalidade.

Na fotografia, este "fogo" que se espalha pela parede de pedra é uma metáfora poderosa: a vida persiste, e fá-lo com uma beleza espetacular.

O verde que ainda se agarra à estrutura atesta a luta e a resiliência contínua.

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Importância Ecológica e Simbólica

Ecologicamente, as trepadeiras nas ruínas não são destrutivas, mas sim benéficas.

Elas ajudam a estabilizar as paredes de pedra e a criar um micro-habitat para insetos, pássaros e pequenos animais.

As ruínas, assim, transformam-se em pequenos oásis de biodiversidade.

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Simbolicamente, a imagem da Parthenocissus a cobrir a ruína é profundamente poética.

Representa a impermanência de tudo o que é feito pelo homem e a eternidade dos ciclos da natureza.

O que o homem abandona, a natureza reclamará, e fá-lo-á com uma beleza que transcende a tristeza da perda.

A ruína, invadida pelo verde e pelo vermelho, deixa de ser um local de esquecimento para se tornar um hino à vida selvagem e persistente.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
28
Jun25

"O Homem, o Cavalo e o Arado"


Mário Silva Mário Silva

"O Homem, o Cavalo e o Arado"

28Jun DSC00165_ms

A fotografia de Mário Silva capta uma cena intemporal que evoca a dura, mas profunda, ligação entre o ser humano, o animal de trabalho e a terra.

Esta imagem é um poderoso memorando de tradições rurais que estão em rápido declínio em muitas partes do mundo, incluindo Portugal.

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A cena retratada – um homem a arar a terra com a ajuda de um animal (seja um cavalo, uma mula ou um boi) – é um símbolo de uma era em que a agricultura dependia fortemente da força animal e do trabalho manual.

Essa prática, que durante séculos foi o pilar da subsistência rural, está a ser progressivamente substituída por métodos mais mecanizados e industrializados.

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Algumas das tradições rurais que se encontram em vias de desaparecimento incluem:

- O uso de animais de tração (bois, cavalos, mulas) para arar, gradar, semear e transportar produtos agrícolas era uma prática comum.

Estes animais não eram apenas uma força de trabalho, mas parte integrante da família e da comunidade.

A sua substituição por tratores e máquinas agrícolas mais eficientes e rápidas tornou o arado puxado por animal uma raridade, muitas vezes limitado a terrenos de difícil acesso ou a pequenas propriedades que mantêm métodos tradicionais.

A perda desta prática significa também a perda do conhecimento e das técnicas associadas ao maneio e treino destes animais para o trabalho agrícola.

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- Muitas comunidades rurais viviam da agricultura de sequeiro e da produção para autoconsumo, com pequenos excedentes para venda em mercados locais.

As terras eram trabalhadas para produzir uma variedade de culturas essenciais à alimentação da família e do gado.

Com a modernização e a especialização da agricultura, muitas destas pequenas explorações foram abandonadas ou convertidas para culturas mais rentáveis, perdendo-se a diversidade de produções e a autonomia alimentar local.

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- Embora ainda existam em algumas regiões, as práticas de pastoreio tradicionais, incluindo a transumância (movimento sazonal do gado entre pastagens de verão e inverno), diminuíram drasticamente.

A vida do pastor, com a sua sabedoria sobre o território, o clima e o comportamento animal, está em risco de se perder à medida que os rebanhos diminuem e as explorações se tornam mais intensivas e fechadas.

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- Os agricultores e pastores de antigamente possuíam um conhecimento profundo e empírico do ambiente natural – os padrões climáticos, os ciclos da lua e a fertilidade da terra.

Este saber, transmitido de geração em geração, era fundamental para a tomada de decisões agrícolas.

Com a dependência de tecnologias e previsões meteorológicas modernas, grande parte deste conhecimento ancestral está a desaparecer.

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- As comunidades rurais eram frequentemente baseadas em redes de ajuda mútua, onde vizinhos e familiares se ajudavam mutuamente nas tarefas agrícolas mais pesadas (como as mondas, as colheitas ou as desfolhadas).

Estes momentos eram também importantes para a coesão social e a transmissão oral de histórias e canções.

A mecanização e a diminuição da população rural enfraqueceram estes laços comunitários.

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- A manufatura de ferramentas agrícolas, cestos, utensílios de madeira e outros objetos essenciais para a vida no campo era uma parte integrante da economia rural.

Os artesãos rurais, com os seus conhecimentos e técnicas transmitidos ao longo do tempo, são cada vez mais raros, e as ferramentas tradicionais são substituídas por equipamentos industriais.

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A fotografia de Mário Silva serve, assim, como um valioso registo de um passado recente, mas que se afasta rapidamente.

É um convite à reflexão sobre a importância de preservar, ainda que em registo, estas tradições que moldaram a paisagem, a cultura e a identidade das comunidades rurais durante séculos.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
23
Fev25

“A igreja e a sua importância"


Mário Silva Mário Silva

“A igreja e a sua importância"

23Fev DSC00472_ms

A Igreja desempenha um papel fundamental na vida das comunidades rurais de Trás-os-Montes, tanto do ponto de vista arquitetónico, como cultural, social e religioso.

A fotografia de Mário Silva capta essa essência ao destacar uma igreja típica da região, inserida na paisagem natural e refletindo a importância histórica desses edifícios para o povo transmontano.

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As igrejas rurais de Trás-os-Montes apresentam um estilo arquitetónico tradicional, muitas vezes marcado por influências barrocas e românicas.

A igreja na imagem tem uma estrutura simples, com paredes brancas e um telhado de telha avermelhada, características comuns nas construções religiosas do interior português.

A torre sineira, com arcos bem definidos e uma cruz no topo, simboliza a presença divina e a ligação entre o céu e a terra.

O relógio na fachada reforça a sua função como ponto central da aldeia, regulando o tempo e a vida dos moradores.

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A Igreja é mais do que um edifício religioso; é um marco identitário para as comunidades rurais.

Ao longo dos séculos, esses templos foram espaços de celebração, memória e tradição.

As festividades religiosas, como as festas em honra dos santos padroeiros, romarias e procissões, reúnem os habitantes e descendentes da terra, reforçando os laços culturais e perpetuando as tradições locais.

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Além de local de culto, a Igreja é um ponto de encontro e convivência.

Em muitas aldeias transmontanas, é junto à Igreja que se realizam as principais interações sociais, desde reuniões comunitárias a eventos festivos.

Para uma população que historicamente enfrentou isolamento geográfico e dificuldades socioeconómicas, a Igreja sempre representou um espaço de união, onde os moradores partilham alegrias e tristezas.

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A fé tem um papel central na vida das populações rurais de Trás-os-Montes.

A Igreja representa a espiritualidade e a devoção do povo, sendo o local onde ocorrem os momentos mais importantes da vida comunitária, como batismos, casamentos e funerais.

Para muitos, a igreja é um refúgio espiritual, um espaço de oração e esperança, onde encontram conforto e orientação.

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Como conclusão, a Igreja, como a representada na fotografia de Mário Silva, é um símbolo de resistência e continuidade.

Em Trás-os-Montes, ela permanece como um elo entre o passado e o presente, refletindo a fé, a cultura e a identidade de um povo profundamente ligado às suas raízes e tradições.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
18
Fev25

"Os antigos tanques comunitários da Lampaça" (já demolidos) - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"Os antigos tanques comunitários da Lampaça"

(já demolidos)

Águas Frias - Chaves - Portugal

18Fev DSC04221_ms

A fotografia mostra os antigos tanques comunitários da Lampaça, localizados na aldeia de Águas Frias em Chaves, Portugal.

Esses tanques, que já foram demolidos, desempenhavam um papel crucial para as populações rurais em Portugal.

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Os tanques comunitários eram a principal fonte de água para muitas aldeias rurais.

Antes da chegada da água canalizada, as pessoas dependiam desses tanques para obter água potável para beber, cozinhar e lavar roupa.

Além de sua função prática, os tanques também serviam como pontos de encontro social.

As pessoas reuniam-se ao redor desses tanques para conversar, trocar notícias e fortalecer os laços comunitários, especialmente em aldeias onde os habitantes eram geograficamente dispersos.

Em muitas áreas rurais, os tanques comunitários eram essenciais para a higiene pessoal e pública.

A possibilidade de lavar roupas e utensílios num local centralizado ajudava a manter padrões básicos de limpeza, o que era vital para evitar doenças.

Em algumas regiões, esses tanques também eram usados para fornecer água aos animais e para irrigação de pequenas plantações, contribuindo assim para a economia local.

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A imagem captura não apenas a estrutura física dos tanques, mas também evoca a memória de um tempo em que a vida rural dependia fortemente dessas infraestruturas comunitárias.

A demolição desses tanques simboliza a mudança para a modernidade e a evolução das infraestruturas de abastecimento de água, mas também representa a perda de um elemento cultural e social significativo para as comunidades rurais portuguesas.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
07
Out24

"Até ao Lavar dos Pipos é Vindima" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Até ao Lavar dos Pipos é Vindima"

Mário Silva

07Out DSC09432_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "Até ao Lavar dos Pipos é Vindima", captura um momento quotidiano e essencial da vindima, a época da colheita da uva.

A imagem apresenta dois grandes barris de madeira, elementos centrais da produção vinícola, num ambiente rústico e característico das zonas rurais.

O barril maior, com uma torneira, contrasta com o barril menor, deitado sobre uma tábua de madeira.

Ambos os barris demonstram sinais de uso, com a madeira envelhecida e manchas de vinho, evidenciando a sua função na produção de vinho.

O fundo da fotografia é composto por uma parede de pedra e um chão de terra batida, elementos que reforçam a atmosfera rural e tradicional da cena.

A luz natural incide sobre os barris, criando sombras e destacando a textura da madeira.

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O título da fotografia, "Até ao Lavar dos Pipos é Vindima", revela a intenção do fotógrafo em destacar a importância de cada etapa do processo de vinificação, mesmo as mais simples e quotidianas.

O ato de lavar os pipotes, ou barris, é um momento de preparação para a nova vindima, simbolizando o ciclo da vida e da produção vinícola.

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Os barris são os protagonistas da imagem, representando a tradição e a cultura vinícola.

A sua presença evoca a passagem do tempo, a história e o trabalho humano envolvido na produção do vinho.

O fundo da fotografia, com a parede de pedra e o chão de terra batida, transporta o observador para um ambiente rural e autêntico, onde a vindima é uma atividade fundamental.

A luz natural incide sobre os barris, criando um efeito de realismo e autenticidade.

As sombras e as texturas da madeira conferem profundidade à imagem.

A paleta de cores da fotografia é predominantemente terrosa, com tons de castanho e ocre, que evocam a terra, a madeira e o vinho.

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A fotografia de Mário Silva vai além de um simples registro visual.

Ela convida o observador a refletir sobre o significado da vindima e a importância da tradição na cultura portuguesa.

A imagem celebra o trabalho árduo dos vinhateiros e a beleza da natureza, que se manifesta na transformação da uva em vinho.

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"Até ao Lavar dos Pipos é Vindima" é uma fotografia que emociona e inspira.

Através de uma composição simples e elementos visuais fortes, Mário Silva captura a essência da vindima e convida-nos a apreciar a beleza das coisas simples.

A imagem é um tributo à tradição e à cultura portuguesa, e um convite a celebrar a vida e o trabalho.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
29
Set24

Nicho com imagens da Sagrada Família na aldeia de Parada (Sanfins- Chaves- Portugal) - A Religiosidade nas Aldeias Transmontanas


Mário Silva Mário Silva

Nicho com imagens da Sagrada Família na aldeia de Parada (Sanfins- Chaves- Portugal)

A Religiosidade nas Aldeias Transmontanas

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A fotografia apresenta um nicho com imagens da Sagrada Família, localizado na aldeia de Parada, em Sanfins, Chaves, Portugal.

A imagem captura um elemento fundamental da religiosidade popular em Portugal, especialmente nas regiões mais rurais e tradicionais como Trás-os-Montes.

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O nicho, construído em granito, material característico da região, apresenta uma arquitetura simples e tradicional.

A cruz no topo e as imagens da Sagrada Família no interior são elementos iconográficos claramente identificáveis com a fé católica.

A presença de velas e flores artificiais sugere que o nicho é um local de devoção e oração, visitado e cuidado pelos habitantes da aldeia.

O fundo da imagem, com campos e árvores, evoca a paisagem rural de Trás-os-Montes, estabelecendo uma conexão entre a fé e a natureza.

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A imagem do nicho em Parada é mais do que um simples registro fotográfico.

Ela representa um conjunto de valores, crenças e práticas religiosas que moldaram a identidade das comunidades rurais portuguesas ao longo dos séculos.

A religiosidade popular, manifesta em elementos como nichos, capelinhas e cruzes, é profundamente enraizada na cultura de Trás-os-Montes.

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Os nichos são pontos de encontro e de expressão da fé comunitária.

Eles servem como locais de oração, de pedidos de proteção e de agradecimento.

A sua presença nas aldeias reforça os laços sociais e a identidade coletiva.

A religiosidade popular em Portugal é marcada por um rico sincretismo, com a mistura de elementos da fé católica com práticas e crenças mais antigas.

Essa hibridização é evidente na presença de elementos naturais, como árvores e fontes, associados a ritos e crenças pagãs.

Os nichos são testemunhos da resistência das tradições populares face à modernidade.

Apesar das transformações sociais e económicas que ocorreram nas últimas décadas, a fé continua a ser um elemento fundamental na vida das comunidades rurais.

Os nichos são parte integrante do património cultural de Portugal.

Eles são testemunhos de um passado rico e complexo, e devem ser preservados como expressão da identidade e da memória coletiva.

Em conclusão, a fotografia do nicho em Parada oferece-nos uma janela para o mundo da religiosidade popular em Trás-os-Montes.

Através dela, podemos compreender a importância da fé na vida das comunidades rurais, a riqueza das tradições populares e a necessidade de preservar esse património cultural.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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