Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

07
Jul25

"A borboleta (Pieris rapae) e as flores de cardo (Cirsium arvense)"


Mário Silva Mário Silva

"A borboleta (Pieris rapae)

e as

flores de cardo (Cirsium arvense)"

07Jul DSC01263_ms

Naquele dia ensolarado de julho, o campo irradiava uma paleta de verdes vibrantes, salpicados aqui e ali por explosões de cor.

Mas eram os tons de roxo intenso que mais chamavam a atenção, emanando das cabeças espinhosas dos cardos, que se erguiam orgulhosos, apesar da sua natureza um tanto indomável.

.

Uma pequena borboleta, uma “Pieris rapae”, ou a "borboleta-da-couve" como era carinhosamente conhecida, dançava no ar.

As suas asas, de um creme suave e quase translúcido, eram pontuadas por discretas pintas pretas, quase como a assinatura de um artista no seu trabalho.

Ela não era das mais exóticas, nem das mais chamativas, mas a sua elegância residia na sua simplicidade e na sua persistência.

.

A borboleta-da-couve, com os seus sentidos aguçados, sentiu o néctar doce que emanava das flores de cardo.

As “Cirsium arvense”, conhecidas popularmente como cardo-rasteiro, podiam ser consideradas uma praga por alguns, com as suas raízes profundas e a sua capacidade de se espalhar.

Mas para a borboleta, eram um oásis.

As suas flores, um turbilhão de filamentos roxos, ofereciam um banquete de energia essencial para os seus voos incansáveis.

.

Com um movimento grácil, a borboleta pousou delicadamente numa das flores.

As suas patinhas finas agarraram-se às pequenas estruturas espinhosas, não com medo, mas com a familiaridade de quem encontra um velho amigo.

A sua probóscide desenrolou-se, mergulhando no coração púrpura da flor, sorvendo o néctar com satisfação.

.

Ao lado, outra flor de cardo esperava, igualmente vibrante, a prometer mais néctar.

A borboleta sabia que tinha tempo, que o sol de julho ainda aquecia o ar e que a vida no campo se desenrolava no seu próprio ritmo.

.

Naquele instante, a cena era um microcosmo perfeito do equilíbrio da natureza.

A borboleta, frágil, mas determinada, encontrava sustento na planta que muitos consideravam robusta e indesejável.

Era uma dança antiga, um pacto silencioso de coexistência.

A “Pieris rapae” levaria pólen de uma flor para outra, perpetuando o ciclo de vida do cardo, que por sua vez, lhe oferecia a sua doce recompensa.

.

E enquanto a borboleta se demorava, o tempo parecia parar.

Não era apenas uma borboleta e uma flor; era a poesia do dia a dia, uma chamada de atenção de que a beleza e a interconexão podem ser encontradas mesmo nos cantos mais humildes do nosso mundo.

A fotografia de Mário Silva capturou não apenas uma imagem, mas um fragmento de uma história eterna, que continua a desdobrar-se em cada campo e em cada dia de verão.

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

.

Mário Silva 📷
20
Jun25

Pintarroxo (Linaria cannabina) - Mas ele não tem pintas… e também não é roxo!


Mário Silva Mário Silva

Pintarroxo (Linaria cannabina)

Mas ele não tem pintas… e também não é roxo!

19Jun DSC07024_ms

Na imagem, o tempo parece ter parado por um breve e precioso instante.

O pintarroxo, pequeno, mas cheio de presença, pousa sobre uma pedra manchada pelo tempo, como se fosse o guardião de histórias antigas.

O fundo desfocado em tons de verde dá destaque ao protagonista, envolto numa luz suave que parece acariciar cada pena.

.

O peito rubro e vibrante brilha como se fosse chama contida, enquanto o olhar do pássaro, sereno e atento, sugere que ele conhece segredos do campo que os humanos já esqueceram.

Mário Silva, com a sua sensibilidade única, não apenas capturou uma ave — ele prendeu em imagem o respiro da natureza em estado de contemplação.

.

Mas… por que “Pintarroxo”?

É impossível não se questionar com carinho e uma pontinha de humor:

“Pintarroxo?! Mas ele não tem pintas… e também não é roxo!”

.

A resposta, talvez, não esteja apenas na ciência, mas sim na poética popular que batiza o mundo à sua maneira.

.

O nome “pintarroxo” vem do latim vulgar "pictus" (pintado) e do português arcaico "roxo", que não significava exatamente a cor roxa como a entendemos hoje.

Na tradição antiga, “roxo” podia designar qualquer tom avermelhado ou violáceo, especialmente aqueles que se destacavam na natureza.

.

O peito do macho adulto, especialmente na primavera, adquire esse tom carmesim intenso que, à luz dourada dos dias de campo, pode parecer púrpura aos olhos de um camponês de séculos atrás.

E assim nasceu o nome — um “pintado de vermelho”, ou melhor, um pintarroxo.

.

Não é um nome literal. É um nome sentido. Um nome dado por quem observa o mundo com os olhos do coração.

.

O pintarroxo, pequeno e vibrante, é um símbolo de resistência e beleza discreta.

Não canta alto, não se impõe.

Mas quem o vê, não o esquece.

Assim também é a fotografia de Mário Silva: delicada, intensa e profundamente comovente.

.

Nesta imagem, o pássaro é um instante de poesia viva, que nos lembra da importância de olhar com atenção — porque mesmo os menores seres carregam uma beleza que escapa aos distraídos.

.

Em conclusão, “Pintarroxo” é nome de quem não precisa justificar-se com lógica — apenas existir com graça.

E Mário Silva soube escutar esse nome, com a lente e com a alma.

Porque, no fim, o que importa não é se tem pintas ou se é roxo.

O que importa… é que nos toca.

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

.

Mário Silva 📷
17
Abr25

"Agnus Dei"- Quinta-feira Santa e a Última Ceia


Mário Silva Mário Silva

"Agnus Dei"

Quinta-feira Santa e a Última Ceia

18Abr DSC09957_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "Agnus Dei", apresenta um rebanho de ovelhas pastando num campo verdejante, cercado por vegetação densa.

A imagem transmite uma sensação de serenidade e simplicidade, com as ovelhas brancas e algumas de tons mais escuros (castanho e preto) espalhadas pelo terreno, algumas delas com a cabeça baixada enquanto se alimentam da erva.

A borda da fotografia tem um tom roxo, que pode remeter à liturgia cristã, e há uma assinatura no canto inferior direito do autor, Mário Silva.

.

Relação com a Quinta-feira Santa e a Última Ceia

A Quinta-feira Santa é um dia significativo no calendário cristão, marcando a celebração da Última Ceia de Jesus com os seus discípulos, um evento central na Semana Santa que antecede a Páscoa.

Durante a Última Ceia, Jesus institui a Eucaristia, partilhando o pão e o vinho como símbolos do seu corpo e sangue, e também realiza o lava-pés, demonstrando humildade e serviço.

Este dia está profundamente ligado ao sacrifício de Jesus, frequentemente referido como o "Cordeiro de Deus" (em latim, Agnus Dei), que tira os pecados do mundo.

.

A fotografia "Agnus Dei" pode ser relacionada à Quinta-feira Santa e à Última Ceia de várias maneiras simbólicas:

O Cordeiro de Deus (Agnus Dei): O título da fotografia, "Agnus Dei", faz uma referência direta a Jesus, que é simbolizado como o Cordeiro de Deus na tradição cristã.

Na Última Ceia, Jesus oferece-se como sacrifício, prefigurando a sua crucificação na Sexta-feira Santa.

As ovelhas na fotografia representam essa simbologia do cordeiro, um animal associado à pureza, à inocência e ao sacrifício.

Na Páscoa judaica, que coincide com o contexto da Última Ceia, um cordeiro era tradicionalmente sacrificado e consumido, e Jesus, ao instituir a Eucaristia, apresenta-se como o novo cordeiro pascal.

.

A simplicidade e a humildade: A cena rural com as ovelhas pastando evoca uma sensação de simplicidade e paz, que ressoa com os temas de humildade e serviço presentes na Quinta-feira Santa.

Durante a Última Ceia, Jesus lava os pés dos discípulos, um gesto humilde que simboliza o amor e o serviço ao próximo.

As ovelhas, animais humildes e dependentes do pastor, podem simbolizar os fiéis que seguem Jesus, o "Bom Pastor", e que são chamados a viver com humildade e entrega.

.

A cor roxa da borda: O roxo é uma cor litúrgica associada à penitência e à preparação, frequentemente usada durante a Quaresma e a Semana Santa.

Na Quinta-feira Santa, a liturgia ainda reflete esse tom de reflexão e sacrifício, antes da transição para o branco da Páscoa, que simboliza a ressurreição.

A escolha do roxo na borda da fotografia pode ser uma alusão a esse contexto litúrgico, associando a imagem ao período da Semana Santa.

.

A comunidade das ovelhas e a comunhão da Última Ceia: O rebanho de ovelhas na fotografia pode ser interpretado como uma metáfora para a comunidade dos discípulos reunidos na Última Ceia.

Assim como as ovelhas estão juntas, pastando em harmonia, os discípulos reuniram-se com Jesus para compartilhar a refeição que simboliza a unidade e a comunhão.

A Eucaristia, instituída nesse momento, é uma chamadao à união dos fiéis, e as ovelhas, que frequentemente simbolizam o povo de Deus na Bíblia, reforçam essa ideia de comunidade.

.

Em conclusão, a fotografia "Agnus Dei" de Mário Silva, com o seu rebanho de ovelhas e o título evocativo, ressoa profundamente com os temas da Quinta-feira Santa e da Última Ceia.

As ovelhas simbolizam Jesus como o Cordeiro de Deus, cujo sacrifício é prefigurado na Eucaristia, e a simplicidade da cena reflete a humildade e o serviço exemplificados por Jesus nesse dia.

A cor roxa da borda e a ideia de comunidade reforçam ainda mais a conexão com o contexto litúrgico da Semana Santa, fazendo da fotografia uma representação visual poderosa dos significados espirituais desse momento sagrado.

.

Texto & Fotografia: ©Máriosilva

.

.

 

Mário Silva 📷

Dezembro 2025

Mais sobre mim

foto do autor

LUMBUDUS

blog-logo

Hora em PORTUGAL

Calendário

Fevereiro 2026

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728

O Tempo em Águas Frias

Pesquisar

Sigam-me

subscrever feeds

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.