Flor de “Campanula lusitânica” … e uma estória
Mário Silva Mário Silva
Flor de “Campanula lusitânica”
… e uma estória

Esta fotografia de Mário Silva capta um plano aproximado de uma flor de "Campanula lusitânica" em plena floração.
A flor, de cor roxa intensa, apresenta cinco pétalas abertas em forma de estrela, com o centro em tons de branco e rosa.
As pétalas, com as suas linhas finas e delicadas, destacam-se contra o fundo desfocado e em tons de verde e amarelo.
A flor, suspensa por um caule fino, parece flutuar na imagem.
À sua volta, outros caules finos e uma flor mais pequena e ainda por desabrochar, sugerem a presença de outras flores na mesma planta.
A fotografia, com a sua luz suave e o fundo difuso, realça a delicadeza, a beleza e a cor vibrante da flor.
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Estória: A Estrela Roxa da Sombra
No canto mais sombrio da encosta, onde o sol lutava para chegar, vivia uma pequena flor de "Campanula lusitânica".
Ela era a única de um roxo tão intenso que parecia ter roubado a cor do céu noturno e a força de um pôr do sol.
Mário Silva capturou-a na sua fotografia, suspensa no ar, um pequeno milagre de beleza e resiliência.
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A pequena flor não tinha nome.
Era apenas "A Roxa" para as abelhas que a visitavam e "A Bela" para as borboletas que passavam.
Ela era a prova de que a beleza podia nascer nos lugares mais inóspitos.
A sua vida era uma melodia de silêncio e de paciência.
Esperava pelo vento para lhe trazer a notícia do mundo lá fora e pelas abelhas para lhe darem a promessa da vida.
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O seu vizinho, um velho cardo espinhoso e resmungão, passava os dias a queixar-se.
- A vida é dura - dizia ele com a sua voz rouca e espinhosa. - O sol não chega, a terra está seca, e o mundo lá fora é um perigo.
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A pequena flor ouvia-o, mas não se deixava abalar.
A sua missão não era queixar-se, mas ser bela.
Com as suas cinco pétalas abertas, ela era como uma estrela que tinha caído do céu e se tinha fixado na terra.
O seu centro, uma pequena mancha branca e rosa, era o seu coração, um coração que batia ao ritmo da natureza.
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Um dia, uma abelha, esgotada pelo calor e pela distância, pousou no seu centro.
- Oh, que bom que cheguei a tempo! - exclamou a abelha. - Estava quase a desistir. Mas vi a sua luz, a sua cor, e segui-a.
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A pequena flor sentiu o seu coração bater mais forte.
Ela, que pensava estar sozinha, era um farol.
Ela, que pensava ser apenas uma flor, era a esperança de alguém.
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A abelha, depois de beber o seu néctar, disse-lhe:
- Obrigado, pequena estrela. A sua beleza não é em vão. Ela dá-nos a força para continuar.
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A partir desse dia, a pequena flor deixou de ser apenas A Roxa ou A Bela.
Ela era "A Esperança".
A sua cor, que parecia roubada ao céu noturno, era a prova de que mesmo na sombra mais profunda, a beleza podia florescer e inspirar.
Ela florescia não apenas para si, mas para o mundo que a rodeava, um pequeno ponto de cor e de vida que dizia, silenciosamente, que a esperança estava sempre à espera de ser encontrada, mesmo nos caminhos mais difíceis.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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