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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

28
Ago25

"Quem bom, este túnel de sombra, em pleno tórrido verão”


Mário Silva Mário Silva

"Quem bom, este túnel de sombra, em pleno tórrido verão”

28Ago DSC04914_ms

Esta fotografia de Mário Silva capta a essência de um refúgio natural contra o calor intenso.

A imagem mostra um caminho de terra, com pedras soltas, que se aprofunda num túnel de sombra criado pela folhagem de árvores densas.

O sol, a incidir por entre os ramos, cria feixes de luz que iluminam o caminho e a vegetação.

As folhas, em diferentes tons de verde, criam um efeito de contraste e de profundidade.

Os fetos, em primeiro plano, e o tronco de uma árvore, no centro da imagem, contribuem para a atmosfera de paz e de serenidade que a fotografia transmite.

A imagem evoca a sensação de um alívio fresco e de uma pausa na intensidade do verão.

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Estória: O Caminho da Calma

O caminho de terra, castigada pelo sol e pelo tempo, era uma cicatriz na paisagem.

Mas ali, naquele ponto onde Mário Silva a encontrou e a fotografou, ela se transformava em algo mais.

Deixava de ser uma cicatriz e tornava-se uma promessa.

A promessa de um túnel de sombra, de uma pausa no calor insuportável do verão.

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O sol, lá fora, era um tirano.

A sua luz, cruel e impiedosa, fazia o ar tremer e a terra rachar.

Mas o caminho da calma era um refúgio.

As árvores, com as suas folhas densas e os seus ramos entrelaçados, formavam uma cúpula sagrada.

Ali, o calor não entrava.

Apenas o ar fresco e o murmúrio suave do vento, que sussurrava segredos antigos aos fetos.

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A luz, que lá fora era um “flash” de brutalidade, aqui tornava-se suave e delicada.

Ela dançava entre os ramos, pintava o chão com manchas de ouro e de sombra.

Era uma luz que não cegava, mas que guiava.

Guiava os passos cansados, o coração pesado e a mente perturbada.

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O caminho da calma era a metáfora de uma vida.

Ela mostra-nos que, mesmo nos momentos mais difíceis, nos verões mais tórridos, há sempre um lugar de refúgio.

Um lugar onde podemos esconder-nos do calor, das preocupações, do barulho do mundo.

Um lugar onde a luz, em vez de nos cegar, nos ilumina.

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A floresta, com os seus segredos e a sua paz, era uma guardiã.

Os fetos, com as suas folhas delicadas, eram um convite a sentar-se, a respirar e a ouvir o som do silêncio.

E o caminho, que se perdia na escuridão, era a promessa de que, no final do túnel, havia mais luz, mais vida, mais esperança.

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A fotografia de Mário Silva não é apenas um retrato de uma paisagem.

É um poema visual.

Um poema sobre a resiliência da natureza, a beleza da sombra e a importância de encontrarmos os nossos próprios refúgios nos momentos mais tórridos da vida.

É um lembrete de que, mesmo no meio do caos, a paz está sempre à espera de ser encontrada.

E de que, na escuridão, a luz, mesmo que seja apenas um feixe, tem o poder de nos guiar.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
09
Jul25

"O casinhoto na fraga"


Mário Silva Mário Silva

"O casinhoto na fraga"

09Jul DSC08407_ms

No coração do Alto Tâmega, onde a história se entrelaça com a paisagem granítica, em Águas Frias, nas terras de Chaves, existia um lugar que parecia ter parado no tempo.

Não era uma casa imponente, nem uma ruína grandiosa, mas sim um modesto casinhoto na fraga, um abrigo nascido da própria pedra, da resiliência de um povo e da sabedoria de gerações.

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As fragas, enormes blocos de granito arredondados pela ação do tempo e dos elementos, dominavam a paisagem.

Algumas pareciam gigantes adormecidos, outras guardiões silenciosos.

E foi entre duas dessas fragas monumentais que o casinhoto encontrou o seu refúgio.

Não foi construído, mas sim encaixado, aproveitando a cavidade natural que o granito oferecia.

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As paredes laterais eram as próprias rochas nuas, frias no inverno e frescas no verão.

A entrada, baixa e retangular, era delimitada por pedras mais pequenas, empilhadas com mestria, sem argamassa aparente, como se tivessem sido colocadas ali por mãos que conheciam os segredos da pedra.

Sobre a abertura, um lintel robusto de granito apoiava a estrutura do telhado.

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E o telhado!

Era a parte mais humana do casinhoto, uma calha de telhas de barro, velhas e escuras, cobertas por uma patina de musgo e líquen que lhes dava uma cor terrosa, quase igual à da própria rocha.

Dispostas em filas ordenadas, as telhas curvadas pareciam as escamas de um animal antigo, protegendo o interior das intempéries.

Havia um toque de improviso, de engenho, na forma como se apoiavam sobre algumas travessas de madeira, já escurecidas pelo sol e pela chuva.

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À volta do casinhoto, a natureza reivindicava o seu espaço.

Ervas altas e secas, com as suas sementes prontas para a próxima estação, balançavam suavemente com a brisa, desenhando sombras alongadas na entrada escura.

Alguns arbustos e árvores pequenas, adaptados à aridez e à presença da rocha, espreitavam por trás das fragas, os seus verdes um contraste vivo com o cinzento do granito.

No topo da fraga maior, quase a coroá-la, um carvalho teimava em crescer, as suas folhas a murmurar segredos ao vento.

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Quem o teria construído? E para quê?

Seria um abrigo para pastores, que por ali levavam os seus rebanhos em tempos passados?

Um esconderijo para caçadores, que aguardavam a sua presa na solidão do monte?

Ou talvez, um lugar de repouso para os agricultores que trabalhavam a terra árida e pedregosa de Águas Frias, procurando refúgio do sol a pino ou da chuva inesperada?

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A entrada escura do casinhoto convidava à imaginação.

O que haveria lá dentro?

Ferramentas antigas?

Um leito de palha?

Ou estaria vazio, à espera de um novo visitante, de uma nova história para contar?

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Para Mário Silva, o fotógrafo, este casinhoto não era apenas um aglomerado de pedras e telhas.

Era um testemunho silencioso da vida rural portuguesa,foto da capacidade do homem de se adaptar e de coexistir com a natureza mais selvagem.

Era um portal para um passado não tão distante, um sussurro de memórias de trabalho árduo, de simplicidade e de uma profunda ligação à terra.

E ali, na imensidão das fragas de Águas Frias, o pequeno casinhoto continuava a resistir, guardando os seus segredos, um pedaço intemporal da alma transmontana.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
27
Mai22

Refúgio


Mário Silva Mário Silva

*

Um refúgio, longe do núcleo da aldeia, mas fundamental

para as mudanças inesperadas do tempo …

Águas Frias (Chaves) - Portugal

*

Blog 27 DSC00553_ms

 

REFUGIO-ME

 .

Escondo-me

de mim, de todos, sei lá!

daquilo que me magoa,

que me entristece

me faz andar à toa

me dá um nó na garganta

me ataranta

e me escurece

.

Refugio-me

no meu eu profundo

algures, bem lá no fundo

onde só há poesia

uma tela vazia

que eu vou enchendo de luz

de cores de céus

da aura de Deus

.

E perco-me

das coisas insípidas

das futilidades

das tricas e mexericos

do dito pelo não dito

da má onda especializada

da vizinha de boca escancarada

daquilo em que não acredito

.

Encontro-me

na nuvem serena e fofa

que serve de alcova aos meus sonhos

na brisa que embala os ninhos

no voo dos passarinhos

na janela ensolarada da alma

na fresta que se abre aos meus caminhos

na escolha de querer ser feliz

.

_____     Maria Fernanda Reis Esteves   _____

.

.

Fotografia: ©MárioSilva

.

Mário Silva 📷
15
Fev20

Águas Frias (Chaves) - ... o cume da serra ...


Mário Silva Mário Silva

 

O CUME DA SERRA

 

Águas Frias (Chaves) - ... e a neve cobrindo as serranias da vizinha Espanha ...... e a neve cobrindo o cume das serranias, da vizinha Espanha ...


No cume daquela serra
Plantei uma roseira
A rosa no cume cresce
A rosa no cume cheira

Quando cai a chuva grossa
A água o cume desce
O orvalho no cume brilha
O mato no cume cresce

 

Águas Frias (Chaves) - ... a água do ribeiro saltita por entre o arvoredo e os socalcos do seu leito ... 

... a água do ribeiro saltita por entre o arvoredo e os socalcos do seu leito ...


Mas logo que a chuva cessa
Ao cume volta a alegria
Pois volta a brilhar depressa
O sol que no cume ardia

E quando chega o Verão
E tudo no cume seca
O vento o cume limpa
E o cume fica careca

Águas Frias (Chaves) - ... refúgio, no meio da vinha ... ... refúgio, no meio da vinha ...

 


Ao subir a linda serra
Vê-se o cume aparecendo
Mas começando a descer
O cume se vai escondendo

 

Águas Frias (Chaves) - ... espreitando um castanheiro pelo buraco no tronco de outro velho castanheiro ...

... espreitando um castanheiro pelo buraco no tronco de outro velho castanheiro ...


Quando cai a chuva fria
Salpicos no cume caiem
Abelhas no cume picam
Lagartos do cume saem

 

Águas Frias (Chaves) - ... o cordeirinho negro, mas com a cauda de lã branca, para não ser a "ovelha negra do rebanho" ...... o cordeirinho negro, mas com a cauda de lã branca, para não ser a "ovelha negra do rebanho" ...

 


E à hora crepuscular
Tudo no cume escurece
Pirilampos no Cume brilham
E a lua no cume aparece

E quando vem o Inverno
A neve no cume cai
O cume fica tapado
E ninguém ao cume vai

 

Águas Frias (Chaves) - ... visão da Aldeia num dia de céu limpo, em pleno inverno ...... visão da Aldeia num dia de céu limpo, em pleno inverno ...


Mas a tristeza se acaba
E de novo vem o Verão
O gelo do cume derrete
E todos ao cume vão

Poesia tradicional portuguesa

 

Águas Frias (Chaves) - ... o belo altar mor da Igreja matriz ...

... o belo altar mor da Igreja matriz ...

 

 

 

Até breve !!!!

 

 

 

 

 

Mário Silva 📷

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