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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

02
Dez25

"Pela Lampaça, à noite" - Águas Frias - Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

"Pela Lampaça, à noite"

Águas Frias - Chaves – Portugal

02Dez DSC03326_ms

A fotografia de Mário Silva é um plano noturno que se foca num recanto rural iluminado artificialmente, num arruamento da povoação de Águas Frias.

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A Iluminação: O elemento mais distintivo é a luz forte e amarelada de um candeeiro de rua (Lampaça), que banha a cena em tons de ocre e dourado.

Esta luz cria sombras profundas, acentuando a textura dos elementos.

A Árvore Desfolhada: No centro do plano, domina uma árvore caduca, cujos ramos nus e retorcidos se estendem dramaticamente contra o fundo escuro.

A luz do candeeiro incide diretamente nos ramos, transformando-os numa intrincada silhueta dourada.

O Muro de Pedra: Na base da árvore e atravessando a parte inferior do quadro, há um muro de pedra rústico (granito), coberto de musgo e terra.

Este muro representa a fronteira entre a habitação e a rua, e a sua textura rugosa é realçada pela luz.

O Contexto Rural Noturno: No fundo, vislumbram-se as formas escuras de construções rurais e telhados.

O chão, onde a luz mais forte incide, reflete o pavimento húmido e batido de uma rua da aldeia.

A composição evoca uma atmosfera de quietude e intimidade rural sob o manto da noite transmontana.

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Pela Lampaça, à Noite – A Luz que Preserva a Memória da Aldeia

A fotografia "Pela Lampaça, à noite" de Mário Silva capta um momento simples, mas profundo da vida em Águas Frias, Chaves.

O título refere-se à luz do candeeiro público (a “Lampaça”, em linguagem popular do Norte), que assume o papel de guardião silencioso da aldeia, sublinhando o contraste entre a escuridão da noite rural e o foco da vida comunitária.

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A Lampaça: O Coração Luminoso da Comunidade

Na aldeia transmontana, a luz artificial, especialmente à noite, é um elemento de agregação e segurança.

A “Lampaça” não tem apenas a função de iluminar o caminho; ela demarca o espaço cívico onde a vida da aldeia, que se abranda, não cessa completamente.

É o ponto de referência para quem regressa a casa e o foco de luz que repele a solidão da noite.

O tom amarelado e quente da luz (a cor tradicional das lâmpadas de sódio antigas) na imagem evoca uma sensação de nostalgia e conforto.

Contrasta com o frio e o negrume do meio envolvente, criando um microclima de familiaridade e história.

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O Muro e a Árvore: Símbolos de Resistência

Os dois elementos estruturais da fotografia — a árvore desfolhada e o muro de granito — são metáforas poderosas da paisagem e do povo de Trás-os-Montes:

A Árvore: Sem a sua folhagem, a árvore exibe a sua estrutura óssea e ramificada.

Ela suportou as estações e, sob a luz artificial, a sua nudez não é de fraqueza, mas de resiliência.

É um símbolo do ciclo de repouso no inverno, essencial para a força da primavera.

O Muro de Pedra: Construído com o granito local, o muro é um limite de dureza e permanência.

Ele representa a tenacidade com que os transmontanos se agarram à sua terra e às suas raízes, dividindo o espaço privado da rua e resistindo ao tempo, tal como o povo da região.

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O cenário, banhado pela “Lampaça”, é um tributo à vida que persiste no interior de Portugal.

A luz na rua de Águas Frias é a chama que mantém viva a memória e a identidade rural, contrastando o negrume vasto e natural com a pequena, mas fundamental, luz da civilização e da comunidade.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
29
Out25

“Pela rua principal de Sobreira” – Águas Frias – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Pela rua principal de Sobreira”

Águas Frias – Chaves – Portugal

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Esta fotografia de Mário Silva capta um pequeno, mas profundamente característico, recanto da aldeia de Sobreira, em Águas Frias (Chaves), no Norte de Portugal.

A composição é dominada por uma antiga fachada rural, rústica e texturada, dividida em duas secções distintas.

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À esquerda, ergue-se uma parede de pedra irregular em tons quentes, banhada por uma luz solar que lhe confere um brilho dourado e acentua a robustez dos materiais de construção tradicionais.

À direita, a parede apresenta um reboco mais claro e desgastado, em contraste suave com a pedra.

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O ponto focal é a porta castanha-avermelhada, de aspeto metálico e simples, que se insere numa moldura de pedra.

Por cima desta porta, luxuriante e viva, cresce uma parreira (videira), com as suas folhas verdes a penderem de forma protetora sobre a entrada e a criarem uma coroa de vitalidade sobre o cenário de pedra antiga.

Esta vide sugere a tradição agrícola e a profunda ligação da vida rural à produção do vinho.

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A telha tradicional no topo da parede, os pequenos pormenores como o tubo de escoamento e a pequena janela, juntamente com a assinatura do autor, emolduram uma cena que exala a calma, a simplicidade e a durabilidade da vida no interior transmontano.

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A Parreira, a Pedra e a Porta – Os Elementos da Memória Rural Transmontana

A fotografia de Mário Silva, capturada na aldeia de Sobreira, em Águas Frias, não é apenas um retrato arquitetónico; é uma síntese visual dos valores e da cultura do Portugal rural e transmontano.

A imagem condensa três elementos centrais da identidade desta região: a pedra, a porta e a videira.

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A Pedra: A Fundação da Resiliência

A parede de pedra, fria e robusta, simboliza a resiliência e a antiguidade destas comunidades.

Construída com o material abundante da região – o granito –, estas fachadas testemunham séculos de vida, resistindo ao rigor do clima e à passagem do tempo.

Cada bloco irregular, iluminado pelo sol, conta a história de uma construção feita à mão, perfeitamente integrada no ambiente circundante.

É uma arquitetura de necessidade, mas também de profunda beleza.

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A Parreira: O Símbolo da Vida e do Sustento

Contrastando com a imobilidade da pedra, a parreira que se debruça sobre a porta traz vida, movimento e cor.

A videira é, historicamente, um pilar da economia e da cultura transmontana.

Crescer à entrada de casa não é apenas decorativo; é um símbolo de sustento, de sombra no verão e, sobretudo, da produção caseira do vinho.

Esta videira luxuriante representa a interdependência entre o homem e a terra, e o ciclo anual de trabalho, colheita e celebração.

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A Porta: O Limiar do Lar

O elemento central, a porta, é o portal entre o mundo público da rua e o santuário privado do lar.

A sua aparência simples e metálica sugere funcionalidade e proteção.

Numa rua principal de uma aldeia, a porta é o ponto de passagem onde se trocam as primeiras palavras do dia, onde o trabalho começa e onde o descanso se encontra.

É o coração visível da vida familiar, emoldurado pelo legado da pedra e pela promessa da videira.

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A fotografia, ao isolar e realçar estes três elementos, captura a essência de Sobreira e de muitas outras aldeias do interior: um lugar onde a tradição se mantém firme na pedra, a subsistência floresce no verde da videira, e o calor da vida reside logo após o humilde limiar da porta.

É um convite à reflexão sobre a autenticidade e a beleza duradoura do Portugal profundo.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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