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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

06
Dez25

O olhar penetrante da águia-d'asa-redonda (Buteo búteo)


Mário Silva Mário Silva

O olhar penetrante da águia-d'asa-redonda (Buteo búteo)

06Dez DSC00102_ms.JPG

A fotografia de Mário Silva é um close-up dedicado a uma ave de rapina, a águia-d'asa-redonda (Buteo búteo), que está pousada sobre uma peça de metal, com o olhar focado e intenso.

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A Águia-d'asa-redonda (Buteo búteo): A ave preenche grande parte do plano e é capturada num momento de vigília e concentração.

A sua plumagem apresenta uma variação de tons castanhos e cremes/brancos, com um padrão malhado ou listrado no peito.

O Olhar: O título é justificado pela expressão da ave: a cabeça está ligeiramente inclinada para a direita e para baixo, e os olhos são escuros e intensos, com o bico forte e amarelo (ganchoso) a contribuir para a impressão de foco e determinação.

O Pouso: A ave está pousada sobre uma estrutura metálica robusta, um tensor ou peça de ligação de um poste, notável pelos parafusos, correntes e anéis de metal.

As garras amarelas e poderosas agarram firmemente a superfície, realçando a sua natureza de predador.

Fundo: O fundo é quase uniformemente claro e muito suavemente desfocado, talvez um céu nublado ou uma névoa, que serve para isolar a figura da ave e concentrar toda a atenção na sua textura e expressão.

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O Olhar Penetrante – A Águia-d'asa-Redonda no Limiar da Vigilância

A fotografia "O olhar penetrante da águia-d'asa-redonda (Buteo búteo)" transcende o mero registo ornitológico, transformando a ave num símbolo de vigilância, adaptação e soberania silenciosa na paisagem portuguesa.

A Águia-d'asa-redonda, comum, mas majestosa, é o predador de topo que harmoniza força com a discrição necessária para a sobrevivência.

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A Intensidade do Foco

O elemento central da fotografia é o olhar.

A inclinação da cabeça e a contração da pálpebra conferem-lhe uma expressão de foco absoluto.

Este não é um olhar aleatório; é o olhar de um predador que está a calcular a distância, a avaliar o vento e a escutar o silêncio.

A natureza do Buteo búteo é a paciência: a águia-d'asa-redonda passa longos períodos imóvel, observando o solo em busca da mais ligeira perturbação da vegetação que denuncie um roedor.

Este olhar, capturado por Mário Silva, é o paradigma da atenção seletiva, uma qualidade essencial no mundo selvagem.

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O Mestre da Adaptação

A águia-d'asa-redonda é notável pela sua capacidade de adaptação.

Embora seja uma ave de vastos céus abertos, a sua escolha de poleiro – a estrutura metálica feita pelo homem – ilustra a sua capacidade de coexistir com a civilização, utilizando os elementos mais altos do território, sejam eles árvores antigas ou torres de eletricidade, como pontos estratégicos de observação.

A sua plumagem, com os seus tons castanhos e cremes, permite-lhe camuflar-se contra o fundo da paisagem, reforçando a ideia de que a sua força reside na discrição e na paciência, qualidades que o fotógrafo soube captar.

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A Soberania no Contraste

Ao isolar a ave contra um fundo de cor clara e homogénea, o fotógrafo retira-a do contexto paisagístico e confere-lhe uma aura de soberania isolada.

O contraste entre a plumagem áspera e natural e a estrutura metálica e industrial do poleiro simboliza o equilíbrio delicado entre a vida selvagem e a expansão humana.

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O Olhar Penetrante da águia-d'asa-redonda é, portanto, um retrato da natureza não domada, que mantém a sua dignidade e a sua estratégia de sobrevivência no coração da paisagem portuguesa.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
05
Set25

"Real Pombal" - Vila Frade - Lamadarcos (ou Lama de Arcos), Chaves, Portugal


Mário Silva Mário Silva

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"Real Pombal"

Vila Frade - Lamadarcos (ou Lama de Arcos)

Chaves, Portugal

05Set DSC07593_ms

Esta fotografia de Mário Silva mostra um pombal de pedra, de forma cilíndrica e com o topo em forma de coroa de castelo, localizado num campo.

A estrutura, que já foi um magnífico pombal, está agora desgastada pelo tempo.

O edifício está rodeado por um campo de palha ceifada, em tons de amarelo e castanho, o que contrasta com a cor da sua pele.

Uma pequena porta de madeira, com a sua cor escura, é a única entrada para o interior do pombal.

A imagem, com a sua arquitetura única e a sua história de abandono, transmite uma sensação de melancolia e de saudade de um tempo que já foi.

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Estória: A Maldição do Engenheiro

Houve um tempo em que o pombal, que o Mário Silva fotografou, era o centro do mundo.

Milhares de pombas, com as suas penas de cor de pérola e de cinza, viviam no seu interior.

O pombal era o seu lar, o seu santuário, e as pombas eram a voz da aldeia.

Quando voavam, era como se o céu cantasse.

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Mas um dia, um engenheiro agrícola, com o seu chapéu na cabeça e o seu ar de sapiência, chegou à aldeia.

- Os excrementos das pombas - disse ele - prejudicam a criação de gado bovino e ovino.

 A sua voz, antes fina e suave, transformou-se num trovão.

E, por conselho dele, o pombal, que antes era o lar das pombas, transformou-se num local de criação de águias de asa redonda e outras aves de rapina.

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As águias, com as suas asas de fogo e os seus olhos de diamante, tomaram o lugar das pombas.

O canto do pombal, que antes era suave, tornou-se um grito.

As pombas, assustadas e feridas, fugiram.

E a aldeia, que antes era cheia de vida, tornou-se silenciosa.

A maldição do engenheiro, como a chamavam, tinha chegado.

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A velha Rufina, que morava perto, olhava para o pombal com o coração pesado.

O pombal, que antes era um símbolo de vida, era agora um símbolo de morte.

As pombas, que tinham sido os seus amigos, tinham-se ido embora.

O pombal, com as suas paredes de pedra e o seu topo em forma de coroa, era apenas um túmulo para as memórias.

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O tempo passou, e as águias, que tinham sido criadas no pombal, foram para outros lugares.

O pombal, agora vazio, era um castelo abandonado, com as suas paredes a cair e o seu telhado a desmoronar.

A maldição do engenheiro tinha-se concretizado.

O pombal, que antes era o lar de pombas, era agora o lar da saudade.

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A fotografia de Mário Silva capta o pombal como ele é agora.

A imagem é um lembrete de que, por mais que a nossa intenção seja boa, as nossas ações podem ter consequências imprevisíveis.

E a estória do pombal é um conto sobre a perda, a mudança e a importância de não nos esquecermos das lições do passado.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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