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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

15
Dez25

"Águas congeladas em Águas Frias" (Chaves - Portugal)


Mário Silva Mário Silva

"Águas congeladas em Águas Frias"

(Chaves - Portugal)

15Dez DSC03752_ms-fotor.jpg

A fotografia de Mário Silva regista um cenário de inverno rigoroso numa estrutura comunitária rural.

A imagem é dominada pelo frio palpável que transformou a água em pedra.

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O Tanque em Primeiro Plano: O foco principal é um tanque de granito rústico, de formato retangular.

O seu interior, que deveria conter água líquida, está ocupado por um bloco sólido de gelo coberto de neve ou geada, criando uma superfície branca e nivelada.

A textura rugosa da pedra contrasta com a suavidade do gelo.

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O Cenário Enregelado: O chão em redor do tanque está coberto por um manto branco, indicando uma forte nevada ou uma geada intensa que cobriu o pavimento de granito.

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A Perspetiva: Em segundo plano, vislumbra-se um lavadouro comunitário maior, encostado a um muro de pedra coberto de vegetação (hera), também ele com a água congelada e as bordas cobertas de branco.

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A Atmosfera: A luz é difusa e cinzenta, típica de um dia fechado de inverno.

A imagem transmite uma sensação de silêncio absoluto e imobilidade, onde o fluxo da água foi interrompido pela força da temperatura negativa.

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A Profecia do Nome – Quando Águas Frias Cumpre o Seu Destino

Há nomes de terras que são apenas etiquetas geográficas, e há outros, como Águas Frias no concelho de Chaves, que soam como avisos ou profecias meteorológicas.

A fotografia de Mário Silva, "Águas congeladas em Águas Frias", capta o momento exato em que a toponímia e a realidade se fundem num abraço gélido.

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A Geometria do Gelo na Terra Fria

Estamos no coração da Terra Fria Transmontana, uma região onde o inverno não pede licença; ele instala-se com autoridade.

A imagem mostra a transformação da água — o elemento mais dinâmico da aldeia — numa escultura estática.

O tanque de granito, habitualmente um ponto de encontro, de lavagem ou de saciar a sede aos animais, torna-se um monumento ao silêncio.

A água, vencida pelas temperaturas negativas da noite, solidificou, criando um espelho fosco que recobre a pedra.

É uma geometria do frio: o retângulo do tanque molda o gelo, e a neve desenha contornos suaves sobre as arestas duras do granito.

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O Silêncio da Aldeia

Olhar para esta fotografia é quase sentir a dor nas pontas dos dedos e ver o fumo a sair da boca ao respirar.

O congelamento das fontes públicas altera o ritmo da aldeia.

O som constante da água a correr da bica (visível à esquerda) cessa ou é abafado.

A vida recolhe-se para o interior das casas, para junto da lareira, deixando a rua entregue a esta beleza austera.

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Resiliência de Granito

Mas há também uma beleza estoica nesta imagem.

O granito transmontano, coberto de musgo e agora de gelo, aguenta tudo.

Ele foi feito para isto.

A estrutura de pedra não racha com o frio; ela suporta o peso do gelo com a mesma paciência com que suporta o sol de agosto.

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Em Águas Frias, o nome não engana.

E quando o inverno chega com esta força, congelando até a alma das fontes, a aldeia transforma-se numa paisagem de cristal e pedra, provando que há uma beleza extraordinária na dureza do clima do Norte.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
21
Nov25

"Castanha Transmontana - como ela não há igual"


Mário Silva Mário Silva

"Castanha Transmontana - como ela não há igual"

21Nov DSC06391_ms

A fotografia de Mário Silva é um close-up vertical que celebra a colheita da castanha, capturando um cesto rústico repleto dos frutos no solo do souto.

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O elemento central é um cesto de verga ou vime tecido, de formato tradicional e com uma pega larga de madeira clara.

No interior do cesto, repousa uma abundância de castanhas maduras.

As castanhas são de cor castanho-avermelhada intensa e brilhante, com a ponta clara, e parecem ser de um calibre considerável, prontas para serem preparadas.

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O cesto está assente numa mistura de terra e erva verde-escura, com manchas de terra mais exposta no primeiro plano.

Ao fundo, espalhados pela relva e sobre um trecho de terra batida, são visíveis alguns ouriços (as cascas espinhosas da castanha) em tons de castanho-claro, já abertos e vazios, confirmando o local da apanha.

A luz incide suavemente, destacando as cores ricas das castanhas e a textura da verga.

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A Castanha Transmontana: Um Tesouro do Outono, Sabor e Identidade

O título da fotografia, "Castanha Transmontana - como ela não há igual", é uma afirmação que resume o orgulho e a reverência que a região de Trás-os-Montes nutre por este seu fruto.

A castanha não é apenas um produto agrícola; é uma pedra angular da cultura, da história e da paisagem transmontana.

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A Excelência da Terra o Fruto Superior

Trás-os-Montes, com o seu clima continental (invernos rigorosos e verões quentes) e solos graníticos ácidos, oferece o terreno ideal para o cultivo do castanheiro (Castanea sativa).

Esta combinação resulta em castanhas de qualidade excecional, reconhecidas pela Indicação Geográfica Protegida (IGP) "Castanha da Terra Fria", que abrange variedades notáveis como a Longal e a Judia.

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A superioridade da castanha transmontana reside em várias características que a tornam "sem igual":

Sabor e Textura: Possuem um sabor inconfundível, doce e intenso, e uma textura farinhenta e pouco fibrosa, ideal para assar, cozer ou para a produção de farinha e doces.

Calibre: Frequentemente, o seu calibre é superior, o que a torna altamente valorizada nos mercados nacional e internacional.

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O "Pão da Serra" e a Tradição da Sobrevivência

Historicamente, a castanha foi vital.

Antes da disseminação da batata e do milho, servia como a principal fonte de alimentação das populações serranas, valendo-lhe o nome de "pão da pobreza".

Era consumida de múltiplas formas — fresca, cozida, assada ou seca para ser guardada durante o inverno.

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A fotografia, ao mostrar o cesto cheio, simboliza a recompensa do trabalho e a garantia da sobrevivência da comunidade.

A apanha, frequentemente associada ao Magusto (celebrado por São Martinho), transformava-se num ritual de convívio e partilha, reforçando os laços sociais no souto.

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Um Futuro na Modernidade

Hoje, o castanhal transmontano é encarado com um novo valor económico, fornecendo matéria-prima para a indústria de ultracongelados e para a gastronomia de alta cozinha.

O cesto na relva, assim, representa a coesão entre o passado rústico e um futuro próspero, garantindo que a castanha continue a ser o orgulho e o sabor inigualável de Trás-os-Montes.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
15
Nov25

"Ufff... um gato preto" ... e uma estória


Mário Silva Mário Silva

"Ufff... um gato preto" ... e uma estória

15Nov DSC02658_ms

A fotografia de Mário Silva é um retrato de um felino, capturado num enquadramento rústico.

A imagem foca-se num gato preto de pelo denso e lustroso, que está enrolado e confortavelmente aninhado na abertura de uma janela ou nicho em pedra rústica.

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O gato está em repouso, com os olhos parcialmente fechados, parecendo ligeiramente ensonado ou incomodado pela luz que entra.

A sua cor negra contrasta drasticamente com a escuridão total do interior do nicho e com a pedra clara e trabalhada da moldura da janela, que é banhada pela luz solar.

O enquadramento em pedra é grosso e antigo, realçando as texturas e o contraste entre o animal e o ambiente.

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Ufff... Um Gato Preto. A Estória do "Porteiro" Faustino

O título da fotografia, "Ufff... um gato preto", sugere um misto de alívio e talvez uma pitada de superstição bem-humorada.

E é exatamente isso que Faustino, o gato em questão, causa na pequena aldeia de Favas do Tempo.

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Faustino não era apenas um gato; era o Porteiro Não Oficial da Rua da Amargura (assim chamada por ser a mais íngreme).

E tinha a mais importante das funções: sentar-se na janela da velha casa de granito, a de Dona Piedade, e julgar quem passava.

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O seu pelo era tão negro que, quando se aninhava na sombra da sua alcova de pedra, como na fotografia, era virtualmente invisível.

Isto causava uma série de pequenos sustos matinais.

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Um dia, o Sr. Custódio, o padeiro, vinha a subir a rua carregando a primeira fornada de broas de milho.

O sol tinha acabado de bater na janela e, ao ver a silhueta negra imóvel, o padeiro parou a meio do passo.

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"Ufff... um gato preto," sussurrou Custódio, fazendo o sinal da cruz. "Que o azar não me vire as broas."

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Faustino, que estava apenas a tentar desfrutar do seu sono da manhã, abriu um olho dourado, deu um miar de preguiça — um som que mais parecia um "deixa-me em paz" profundo — e virou a cabeça para o sol.

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Custódio, aliviado por o "mau presságio" não ter fugido (sinal de que não era assim tão mau, pensou ele), sorriu.

"Ah, Faustino! Bom dia! Pensei que me tinhas pregado um susto, bicho do Demo. Anda cá, toma uma fatia de salpicão, para abençoar o dia."

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E foi assim que Faustino não só se tornou o felino mais bem-alimentado da aldeia (aceitando o salpicão como compensação pelo esforço de não lhes dar azar), como também o principal motivo de suspiros e exclamações matinais.

O "Ufff... um gato preto" deixou de ser um prenúncio e passou a ser o cumprimento não oficial de Favas do Tempo.

E Faustino, o seu guardião ensonado, continuava a dominar a sua escuridão de granito, aceitando a sua importância cómica com a dignidade que só um gato preto pode ter.

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Estória & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
09
Nov25

Igreja de São Martinho – Ervedosa – Vinhais – Bragança – Portugal


Mário Silva Mário Silva

Igreja de São Martinho

Ervedosa – Vinhais – Bragança – Portugal

09Nov DSC04079_ms

A fotografia de Mário Silva retrata a Igreja de São Martinho, na aldeia de Ervedosa, no concelho de Vinhais, distrito de Bragança.

A igreja é uma construção em granito rústico, com uma tonalidade dourada, banhada pela luz intensa do final da tarde, que projeta sombras nítidas.

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A fachada principal é marcada por uma torre sineira de dupla abertura, que se eleva acima do telhado de telha vermelha, e está coroada por uma cruz de pedra.

Na parte superior da fachada, no topo da empena, é visível um relógio de parede embutido na pedra.

A entrada principal, com uma porta de madeira escura, é ladeada por cantaria bem trabalhada.

A construção combina o granito à vista com paredes laterais caiadas de branco.

Um espelho de trânsito convexo em primeiro plano, no centro-direito, reflete a fachada de forma distorcida, introduzindo um elemento moderno no contexto histórico.

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São Martinho: Do Soldado Romano ao Patrono da Generosidade e do Vinho Novo

A Igreja de São Martinho em Ervedosa (Vinhais) é um testemunho da profunda e antiga devoção portuguesa a este santo, cujo culto está intrinsecamente ligado à época do outono e à celebração do vinho novo.

A história de São Martinho de Tours, que se tornou um dos santos mais populares da Europa, explica a origem do famoso "Verão de São Martinho" e do ritual do Magusto.

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A Origem do Culto: O Manto e a Caridade

O culto a São Martinho (316–397 d.C.) tem origem numa lenda que se tornou um símbolo de generosidade e misericórdia cristã.

Segundo a história, Martinho era um jovem soldado romano na Gália.

Num dia de inverno rigoroso, encontrou um mendigo quase nu à porta da cidade de Amiens.

Sem ter nada para oferecer, Martinho cortou a sua capa militar (o manto) a meio com a espada e deu metade ao mendigo.

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Naquela noite, Martinho sonhou com Jesus, vestido com a metade do manto que havia dado.

Ao acordar, Martinho compreendeu que o ato de caridade era a sua verdadeira vocação, e a partir desse momento, dedicou a sua vida à fé.

Acabou por ser batizado e, mais tarde, nomeado Bispo de Tours, na França.

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O Milagre do Verão de São Martinho

O dia da sua celebração, 11 de novembro, marca um período de melhoria climática no outono europeu, conhecido em Portugal como o Verão de São Martinho.

A lenda diz que o milagre da capa (o corte e a entrega do manto) foi recompensado por Deus com três dias de sol e calor inesperados para aquecer o pobre mendigo.

Este período é esperado anualmente em Portugal e celebrado com alegria.

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O Magusto: Vinho Novo e Castanhas

A data de 11 de novembro coincide com o final das colheitas e o início da prova do vinho novo.

Assim, o culto a São Martinho ligou-se naturalmente ao ritual do Magusto, em que as famílias e comunidades se reúnem para assar castanhas na fogueira (em Trás-os-Montes, como em muitas outras regiões) e beber o vinho acabado de fazer ou a água-pé.

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A Igreja de São Martinho em Ervedosa, com a sua arquitetura de granito, representa este pilar da tradição: um local de fé que resiste ao tempo e que, todos os anos, se torna o centro espiritual de uma festa que celebra a bondade, a memória do santo e a renovação dos frutos da terra.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
30
Out25

“Um pormenor que é pormaior” - Águas Frias – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Um pormenor que é pormaior”

Águas Frias – Chaves – Portugal

30Out DSC07949_ms

Esta fotografia de Mário Silva, capturada em Águas Frias, Chaves, é um estudo focado num detalhe encantador e rústico da arquitetura local.

O título “Um pormenor que é pormaior” (ou “Um pormenor que é por maior”) sugere a importância de se prestar atenção a pequenos aspetos que carregam grande significado.

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A imagem é dominada por uma campainha de ferro forjado e enferrujado, fixada a uma parede rugosa de pedra clara.

O suporte desta campainha tem a forma de um gato sentado, uma figura zoomórfica que confere um toque de fantasia e familiaridade à peça.

O metal está corroído pelo tempo e pela humidade, exibindo tons profundos de castanho e laranja-ferrugem, que contrastam suavemente com o verde esmeralda no olho do gato.

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Por baixo do gato, pende o sino, robusto e igualmente corroído, suspenso por um pequeno elo.

Uma corrente estende-se a partir do sino, completando o mecanismo de chamada.

A luz difusa da tarde realça a textura da pedra e o peso do ferro, conferindo à cena uma atmosfera de quietude, durabilidade e nostalgia pela história que este pequeno objeto carrega.

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O Pormenor que Veste a História

A Simbologia dos Sinos e Enfeites na Arquitetura Transmontana

Nas aldeias do interior de Portugal, especialmente em regiões como Trás-os-Montes, a história não se encontra apenas nos grandes monumentos; está cravada nos pormenores do quotidiano.

A campainha de porta rústica e o suporte em forma de gato, capturados nesta fotografia, são a prova de que “um pormenor é por maior”: um pequeno objeto pode ter um vasto significado cultural e estético.

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O Ferro e o Testemunho do Tempo

O material dominante – o ferro forjado e enferrujado – é um testemunho da durabilidade e da autenticidade da vida rural.

A ferrugem não é vista como desgaste, mas como uma patina do tempo, um registo visual das estações e das décadas que este objeto experienciou na fachada.

O ferro, pesado e resistente, simboliza a natureza imutável da tradição e a resiliência das gentes locais.

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A Campainha e a Comunidade

Antes dos intercomunicadores modernos, o sino à porta era um elemento essencial da comunicação social.

Tocar a campainha não era apenas uma chamada funcional, mas um ato social que anunciava uma visita, o regresso de alguém, ou a chegada de um vendedor.

A campainha é, portanto, um símbolo do limiar entre o público e o privado, e da hospitalidade que define as comunidades pequenas, onde o som do sino era reconhecível e significativo.

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O Gato: Entre a Simbologia e o Afeto

O suporte em forma de gato é o toque que transforma este pormenor em “pormaior”.

O uso de figuras animais em ferro forjado na arquitetura popular tem raízes antigas, muitas vezes ligadas a crenças de proteção e boa sorte.

O gato, em particular, é um símbolo de vigilância, mistério e, nas casas rurais, um guardião prático contra roedores.

A sua presença humaniza a fachada de pedra, injetando uma nota de afeto e folclore no rigor da arquitetura.

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A fotografia de Mário Silva eleva este modesto objeto a um ponto focal, convidando-nos a valorizar os elementos que, embora pequenos, são essenciais para contar a história de uma casa, de uma rua e de uma aldeia.

É uma lembrança subtil de que a beleza e o significado cultural muitas vezes se encontram nos detalhes mais inesperados.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
23
Out25

“Pedra Fálica” - Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Pedra Fálica”

Águas Frias – Chaves - Portugal

23Out DSC09440_ms

A fotografia, intitulada “Pedra Fálica” e capturada em Águas Frias, Chaves, Portugal, é um plano próximo e dramático de uma grande rocha vertical incrustada num muro de pedra rústico.

A pedra central, de formato alongado e ligeiramente afilado no topo, tem uma textura rugosa e é predominantemente coberta por uma camada de musgo escuro e seco nas laterais, enquanto a sua superfície central é iluminada por uma luz quente, intensa e baixa, possivelmente do sol do final da tarde.

Esta iluminação acentua o volume e a forma da rocha, conferindo-lhe uma presença imponente e escultural.

A rocha está enquadrada por um muro de pedras mais pequenas, de cores e formatos variados, que servem de moldura e de contraste, destacando a antiguidade e a importância do monólito.

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Lenda Ancestral da Pedra da Fecundidade

Nas terras de Águas Frias, onde os Invernos são duros e os rios cantam lendas antigas, ergue-se, desde tempos que se perdem na memória dos povos, a "Pedra da Fecundidade", um monólito venerado que o povo viria a conhecer como a Pedra Fálica.

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A Lenda: O Gigante Petrificado e a Deusa Mãe

A lenda mais antiga conta que esta pedra não era, na verdade, uma rocha, mas sim a forma petrificada do Deus-Gigante Turi, o último da sua espécie, que habitava os picos de Barroso.

 Turi, que amava a Deusa-Mãe Telena, Senhora da Água e da Terra, foi amaldiçoado por um ciumento espírito do Submundo.

A maldição transformou-o em pedra, para que nunca mais pudesse abraçar a sua amada.

No entanto, Telena, em lágrimas, usou o seu poder para lhe conceder uma última dádiva: a de que a sua essência, o seu poder criador, permanecesse aprisionado na pedra, para que pudesse continuar a abençoar a vida na Terra.

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A Pedra Fálica era, portanto, vista como o último vestígio do poder do Gigante Turi, um pilar que unia o céu à terra, e que canalizava a energia vital da Deusa Telena.

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Os Rituais da Fertilidade e da Fortuna

Desde a época pré-romana, gentes de todo o Norte de Portugal e da Galiza peregrinavam a Águas Frias para prestar homenagem à Pedra e participar nos seus rituais, que eram sempre realizados sob a luz da Lua Cheia.

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O Ritual da Fecundidade: O mais famoso era o ritual das Mulheres Sem Fruto.

Ao cair da noite, as mulheres que desejavam engravidar subiam ao local da pedra.

Primeiro, banhavam-se nas águas frias da nascente próxima, purificando-se.

Depois, dirigiam-se à Pedra.

O ritual central era o de "abraçar a pedra": a mulher devia esfregar-se ou abraçar o monólito com os braços, vertendo leite ou azeite nos musgos escuros da rocha, pedindo a Turi que lhe desse o "fogo da vida".

Acreditava-se que a rugosidade e a forma da pedra lhe transmitiam o "vigor do gigante".

Se a mulher sentisse um formigueiro ou um calor, a bênção estava concedida.

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O Ritual da Fortuna nos Campos: Os homens, por sua vez, tocavam na pedra antes da sementeira.

O ritual exigia que roçassem nela uma espiga de milho ou um punhado de centeio, pedindo a Turi que a sua força garantisse colheitas fartas e abundância para o ano.

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Os "Milagres" e a Promessa

Os "milagres" atribuídos à Pedra Fálica eram lendários.

As histórias viajavam de boca em boca:

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O Dom da Vida: Centenas de casais de Trás-os-Montes e do Minho atestavam terem concebido um filho após a peregrinação.

A criança nascida após a bênção era frequentemente chamada de "Túrio" ou "Telena", em honra dos deuses ancestrais.

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O Campo Renovado: Conta-se que, durante uma grande seca, os lavradores de Águas Frias, após um ritual desesperado, viram o tempo mudar, salvando as suas searas.

O "poder da Pedra" era mais forte do que a maior das estiagens.

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Mesmo com a chegada de novas religiões, a lenda da Pedra da Fecundidade nunca se apagou.

No íntimo do povo nortenho, o monólito de Águas Frias permaneceu como um símbolo da força da vida, um local onde a natureza e a ancestralidade se encontram para sussurrar a promessa de que a vida sempre encontra um caminho para florescer.

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Se não acredita, venha visitar a Pedra Fálica.

NOTA: Mas desde já aconselho que não menospreze o seu efeito, pois em caso de zombaria, Turi pode ficar irritado e a sua “ação” pode ser de tal maneira violenta, que pode tornar-se brutal e permanente (todos os segundos, minutos, horas, dias e anos).

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
19
Out25

Igreja de Tortomil - Bouçoães – Valpaços – Portugal


Mário Silva Mário Silva

Igreja de Tortomil

Bouçoães – Valpaços – Portugal

19Out DSC03715_ms

A fotografia de Mário Silva retrata a Igreja de Tortomil, na freguesia de Bouçoães, Valpaços.

A imagem, capturada num ângulo que realça a verticalidade e a solidez da construção, mostra a igreja sob a luz forte do final da tarde, que cria um contraste acentuado entre a sombra e a iluminação.

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A igreja é um exemplar de arquitetura religiosa em granito rústico, com as pedras de cor castanho-claro a formar a sua estrutura principal.

A fachada é simples, marcada por uma porta verde no centro.

Acima do telhado de barro, ergue-se uma sineira de dupla abertura, com um sino visível e coroada por uma cruz de pedra.

À direita da porta, uma pequena capela-altar (nichos para santos) está embutida na parede, contendo figuras religiosas, e encimada por uma cruz.

A luz incide diretamente na fachada, realçando a textura da pedra, enquanto o céu azul-claro serve de fundo.

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A Igreja de Tortomil: Um Pilar de Pedra e Fé no Coração de Trás-os-Montes

A Igreja de Tortomil, no concelho de Valpaços, é um exemplar modesto, mas profundamente enraizado, da arquitetura e da espiritualidade transmontana.

Longe da grandiosidade dos templos urbanos, esta igreja de aldeia simboliza a fé inabalável e a resiliência das comunidades rurais.

Ela é o coração de Tortomil, um ponto de encontro e um farol de esperança ao longo dos séculos.

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A Expressão da Arquitetura Rústica

A igreja é construída quase inteiramente em granito, a pedra farta e duradoura da região.

Esta escolha de material não é um acaso; ela reflete a solidez e a tenacidade das gentes de Trás-os-Montes.

A fachada é despojada, com a beleza a residir na simplicidade da sua forma e na honestidade do material.

A sineira de dupla abertura, que se eleva acima do telhado, é o elemento mais decorativo e funcional, pois o som dos seus sinos marca o ritmo da vida na aldeia, da missa dominical aos anúncios de festividades ou luto.

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Devoção e Identidade Comunitária

Como em muitas aldeias transmontanas, a igreja é o centro da identidade comunitária.

Ela é o palco de todas as celebrações importantes – os batismos, que acolhem as novas vidas, os casamentos, que unem as famílias, e os funerais, que encerram os ciclos.

A sua importância é reforçada pela presença de pequenos detalhes devocionais, como a capela-altar exterior (nicho), visível na fotografia, onde os fiéis podem deixar as suas ofertas e acender velas aos seus santos protetores em qualquer hora do dia.

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A Luz e a Permanência

A imagem capturada por Mário Silva, com a luz dourada do sol a incidir sobre o granito, não é apenas um registo arquitetónico; é uma representação da permanência.

A luz, que cria sombras profundas, simboliza a dualidade da vida rural: o trabalho árduo e as dificuldades (as sombras) em contraste com a fé e a esperança (a luz).

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A Igreja de Tortomil não é um monumento para ser admirado pela sua riqueza, mas um local para ser respeitado pela sua história e pelo papel vital que desempenha.

Ela é a casa da fé, um pilar de pedra que resiste ao tempo e que, tal como as gentes de Valpaços, permanece firme na sua essência.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
18
Set25

“Fonte de mergulho” Paradela de Veiga - Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Fonte de mergulho”

Paradela de Veiga - Chaves – Portugal

12Set DSC03563_ms

A fotografia "Fonte de mergulho" de Mário Silva foca em uma fonte de pedra, de estilo rústico e antigo, rodeada por vegetação.

A estrutura de pedra, coberta por musgo e hera, possui uma entrada em arco que permite o acesso à água.

Uma data, 1810, está gravada na pedra, sugerindo a sua antiguidade.

A vegetação luxuriante e a iluminação suave criam um ambiente místico e atemporal.

A imagem é assinada digitalmente no canto inferior direito.

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As Fontes de Mergulho e a sua Importância

As fontes de mergulho são um tipo de fonte rural, com um tanque ou um poço, onde as pessoas, tinham que mergulhar o balde ou outro utensilio para apanhar água.

Estas fontes, muitas vezes encontradas em aldeias remotas, são mais do que simples estruturas para obter água; são o coração da vida rural e um elo com o passado.

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A importância das fontes de mergulho é multifacetada.

Em primeiro lugar, elas são um recurso vital para a população rural.

Numa época em que não existia água canalizada, estas fontes eram a principal fonte de água potável, utilizada para beber, cozinhar, lavar roupa e dar de beber aos animais.

A sua localização, muitas vezes estratégica, era um fator de atração para a fundação de aldeias e para o desenvolvimento das comunidades.

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Em segundo lugar, as fontes de mergulho são um importante ponto de encontro social.

As pessoas que iam buscar água encontravam-se, conversavam e partilhavam as notícias da aldeia.

As fontes, por isso, tornaram-se o palco de histórias, de lendas e de tradições.

Eram o coração da aldeia, o lugar onde as amizades se formavam, os casamentos se combinavam e os segredos se partilhavam.

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Em terceiro lugar, estas fontes são um testemunho da história e da cultura das comunidades rurais.

As suas datas, gravadas na pedra, são um lembrete da longevidade e da resiliência das aldeias.

A sua arquitetura rústica, a sua integração na paisagem e a sua ligação com a natureza fazem delas um elemento importante do património rural.

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Hoje, com a chegada da água canalizada, muitas destas fontes perderam a sua função utilitária.

No entanto, o seu significado permanece.

Elas são um lembrete do passado, um símbolo da vida rural e um tesouro cultural que deve ser preservado.

A fotografia de Mário Silva, "Fonte de mergulho”, Paradela de Veiga - Chaves - Portugal", é uma ode a esta importância, um lembrete da beleza e do valor de um passado que, embora remoto, continua a moldar o nosso presente.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
21
Jul25

"Aquelas Janelas ... e os vasos ao sol" … e uma estória


Mário Silva Mário Silva

"Aquelas Janelas ... e os vasos ao sol"

… e uma estória

21Jul DSC01420_ms

Esta fotografia de Mário Silva, intitulada "Aquelas Janelas ... e os vasos ao sol" (Nozelos - Valpaços - Portugal), apresenta uma secção da fachada de um edifício, focando-se em duas janelas retangulares idênticas.

A parede, de cor clara e com uma textura rugosa e ligeiramente envelhecida, sugere reboco.

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Ambas as janelas possuem estores venezianos de cor creme, que estão parcialmente descidos.

O estore da janela da esquerda está quase totalmente fechado, enquanto o da direita está ligeiramente mais levantado na parte inferior, revelando um pequeno pedaço de vidro da janela por baixo.

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Abaixo de cada janela, há um suporte de pedra saliente, de formato curvo e rústico, onde repousa um vaso de barro.

O vaso da esquerda é de cor castanha e contém o que parecem ser plantas secas ou sem folhas, de aspeto espigado.

O vaso da direita é de cor vermelha ou terracota mais intensa e também alberga plantas semelhantes, secas e esguias.

A luz do sol incide sobre a fachada, criando algumas sombras e realçando as texturas.

A imagem transmite uma sensação de quietude, um pouco de abandono, e a passagem do tempo num cenário rural.

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A Estória: O Mistério dos Vasos Sedentos e a Greve dos Estores

Na pacata aldeia de Nozelos, onde o sol de Valpaços bronzeava as paredes e a vida seguia um ritmo próprio, havia uma casa que era a conversa da freguesia, não por ser a mais bonita ou a mais velha, mas pelas suas janelas peculiares e, mais ainda, pelos seus vasos "ao sol".

Mário Silva, com a sua câmara, captou na perfeição o palco deste drama silencioso e hilariante.

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As janelas, com os seus estores cremes, eram a face da D. Custódia, uma senhora octogenária com o humor tão apurado quanto a sua vista já era fraca.

  1. Custódia tinha uma relação de amor-ódio com o sol.

Adorava-o para secar a roupa e curtir as azeitonas, mas detestava-o por desbotar as suas cortinas e aquecer a casa mais do que o necessário.

Daí a greve permanente dos estores, quase sempre a meio mastro, como bandeiras de rendição perante o calor.

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Mas o verdadeiro espetáculo eram os vasos.

Sim, aqueles vasos!

Um castanho discreto, o outro um vermelho vivo, ambos orgulhosamente empoleirados nas suas prateleiras de pedra como troféus.

O problema?

Os seus habitantes.

  1. Custódia, com a melhor das intenções, decidira que ter plantas à janela trazia alegria.

O que ela não previra era que as suas "plantas" tinham uma vida útil bastante... limitada.

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"São plantas exóticas, daquelas que só precisam de sol!", garantia ela aos vizinhos curiosos, com uma piscadela de olho.

A verdade era que D. Custódia se esquecia da rega com uma regularidade impressionante.

Assim, as pobres plantinhas, outrora viçosas, transformavam-se rapidamente em espigões secos e estóicos, parecendo pequenos ramos de vassoura em miniatura.

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Um dia, a neta de D. Custódia, a jovem Beatriz, veio visitá-la.

Mal pôs os olhos nos vasos, desatou a rir.

- Avó! - exclamou,

- Mas o que é isto? Parecem palitos com folhagem!"

Custódia, ofendida, pôs as mãos na anca.

- Ora, menina! Não vês que são umas raras Espiga-Seca-do-Sol? Precisam de muito sol e pouca água! São a última moda em Lisboa, disseram-me!" (A "última moda em Lisboa" era a desculpa que D. Custódia usava para tudo o que não tinha explicação).

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A piada correu pela aldeia.

Os homens na tasca apostavam quanto tempo demoraria a "Espiga-Seca-do-Sol" do vaso vermelho a virar pó.

As mulheres comentavam, entre risos abafados, sobre a "mão verde seca" da D. Custódia.

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Certo domingo, após a missa, um grupo de vizinhas mais atrevidas decidiu confrontar D. Custódia.

- D. Custódia, não acha que as suas plantas precisam de um bocado de água? - perguntou a D. Glória, com um sorriso matreiro.

Custódia, que por acaso tinha os seus óculos bem postos nesse dia, olhou para os vasos.

Eram apenas gravetos secos.

De repente, a luz acendeu-se nos seus olhos.

Ela olhou para as vizinhas, para os vasos, e depois para os estores, que teimosamente continuavam a meio.

- Ah, mas que distração a minha! -exclamou, batendo na testa.

- Estas são as minhas plantas de inverno! Esqueci-me de as trocar! As de verão, as verdadeiras, são umas que dão umas flores roxas lindíssimas, mas só aparecem quando os estores estão totalmente abertos! E, como sabem, com este sol, os estores andam em greve!"

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A gargalhada geral que se seguiu ecoou por Nozelos, e a história da "Greve dos Estores" e das "Espiga-Seca-do-Sol" tornou-se mais uma lenda da D. Custódia.

E assim, na fotografia de Mário Silva, aquelas janelas e os vasos ao sol não eram apenas um registo de uma fachada, mas um instantâneo de um pedaço de vida, de humor e de uma criatividade inesgotável em manter as aparências, mesmo quando a verdade era tão seca quanto as plantas nos vasos.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
30
Mai25

"A casa cor-de-rosa, com viaduto, na aldeia transmontana"


Mário Silva Mário Silva

"A casa cor-de-rosa, com viaduto, na aldeia transmontana"

30Mai DSC00084_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "A casa cor-de-rosa, com viaduto, na aldeia transmontana", captura uma cena pitoresca da aldeia de Águas Frias, em Chaves, Portugal.

A imagem mostra uma casa de dois andares com uma fachada pintada num tom suave de cor-de-rosa, que se destaca contra o cenário rústico da aldeia.

A casa está elevada, com acesso por uma escadaria de pedra que desce até um pequeno pátio de chão irregular, onde se vê uma mistura de terra e pedras.

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A estrutura da casa apresenta um design funcional e tradicional, com um pequeno viaduto que liga o andar superior a outra construção adjacente, sugerindo uma adaptação ao relevo acidentado da região transmontana.

O viaduto, também pintado de cor-de-rosa, é suportado por uma parede de pedra bruta, que contrasta com a suavidade da cor da fachada.

No andar superior, há uma varanda coberta com colunas cilíndricas da mesma tonalidade, protegida por grades de ferro.

As janelas grandes, com caixilhos brancos e cortinas leves, permitem a entrada de luz natural, conferindo um ar acolhedor ao espaço.

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Ao fundo, é possível vislumbrar um cenário rural com campos verdes e algumas árvores, típicos da paisagem transmontana.

A luz do sol, suave e inclinada, sugere que a foto foi tirada ao final da manhã, criando sombras que realçam a textura das paredes de pedra e o contraste com a pintura cor-de-rosa.

A assinatura de Mário Silva, no canto inferior esquerdo, adiciona um toque pessoal à obra, que reflete a simplicidade e a beleza da vida nas aldeias portuguesas.

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A cor-de-rosa, presente de forma marcante na fotografia de Mário Silva, é uma tonalidade que carrega significados profundos e variados, tanto a nível cultural quanto psicológico.

Associada frequentemente à feminilidade, ao romantismo e à suavidade, essa cor tem o poder de evocar emoções e simbolismos que transcendem o óbvio, especialmente quando inserida num contexto rural e tradicional como o de Águas Frias.

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Na psicologia das cores, o cor-de-rosa é conhecido por transmitir sentimentos de calma, ternura e afeto.

É uma cor que suaviza o ambiente, muitas vezes associada à inocência e à juventude, como se remetesse às memórias de infância ou a momentos de cuidado e carinho.

Em Águas Frias, a escolha do cor-de-rosa para pintar a casa pode refletir um desejo de trazer leveza e serenidade a um ambiente que, pela sua natureza rural e montanhosa, é marcado pela rusticidade e pela dureza do trabalho no campo.

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Além disso, o cor-de-rosa é frequentemente ligado ao amor incondicional e à empatia. Diferentemente do vermelho, que carrega uma energia intensa e passional, o cor-de-rosa oferece uma versão mais delicada desse sentimento, sugerindo harmonia e conexão emocional.

Na fotografia, a casa cor-de-rosa parece ser um refúgio de tranquilidade, um ponto de equilíbrio no meio da aspereza das pedras e do terreno irregular.

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Culturalmente, o cor-de-rosa nem sempre foi associado à feminilidade.

Até meados do século XX, era comum que o cor-de-rosa fosse considerado uma cor masculina, por ser um tom derivado do vermelho, que simbolizava força e vigor.

Com o tempo, porém, a sociedade ocidental passou a vinculá-lo ao universo feminino, especialmente a partir da popularização de estereótipos de gênero.

Hoje, o cor-de-rosa é amplamente usado para representar a delicadeza e a suavidade associadas ao feminino, mas também ganhou novos significados, como a luta contra o cancro de mama, simbolizada pela fita cor-de-rosa.

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Em Portugal, especialmente em regiões rurais como Trás-os-Montes, o uso de cores vibrantes ou suaves nas fachadas das casas muitas vezes reflete uma ligação com a identidade local e um desejo de personalização.

O cor-de-rosa, nesse contexto, pode ser interpretado como uma escolha que busca destacar a casa no meio da paisagem predominantemente cinzenta das pedras e à vegetação verde, criando um ponto focal que atrai o olhar e transmite uma mensagem de acolhimento.

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Na obra de Mário Silva, o cor-de-rosa da casa não é apenas um detalhe estético, mas um elemento narrativo que dialoga com o ambiente ao seu redor.

A tonalidade contrasta com a rusticidade das pedras e do viaduto, criando um equilíbrio visual que reflete a dualidade da vida na aldeia: a simplicidade do dia a dia e o desejo de beleza e conforto.

A escolha desta cor pode ser vista como uma manifestação de esperança e leveza, valores que, mesmo no meio das dificuldades da vida rural, encontram espaço para se expressar.

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A casa cor-de-rosa, com o seu viaduto funcional, torna-se um símbolo de adaptação e resiliência, mas também de delicadeza e cuidado.

É como se a cor trouxesse um toque de suavidade a uma estrutura que, de outra forma, poderia parecer austera.

A luz suave que banha a cena reforça essa ideia, criando uma atmosfera de calma e nostalgia, típica das memórias que associamos às aldeias portuguesas.

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Em conclusão, a cor-de-rosa, na fotografia de Mário Silva, vai além de uma simples escolha estética.

Ela carrega significados que ressoam com os valores da aldeia transmontana: a busca por harmonia, a expressão de afeto e a valorização da beleza em meio à simplicidade.

Ao pintar a casa de cor-de-rosa, os moradores de Águas Frias não apenas personalizam o seu espaço, mas também criam um marco visual que fala de ternura, esperança e conexão emocional — sentimentos que, assim como a própria cor, têm o poder de suavizar até os cenários mais rústicos.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
29
Mai25

"Ruínas floridas"


Mário Silva Mário Silva

"Ruínas floridas"

29Mai DSC00111_ms

A fotografia "Ruínas floridas" de Mário Silva captura um momento de beleza serena e resiliência num meio de abandono.

A imagem mostra uma estrutura de pedra em ruínas, com grandes blocos de granito cobertos por musgo verde, indicando anos de exposição às intempéries.

No centro da composição, uma janela rudimentar, formada por pedras empilhadas, enquadra o céu claro ao fundo.

Sobre as pedras, dois vasos de barro vermelho, simples e rústicos, abrigam plantas suculentas com tons de rosa e roxo, que contrastam com a aspereza da pedra e o verde do musgo.

A assinatura do fotógrafo, "Mário Silva", aparece no canto inferior direito, escrita em uma caligrafia elegante, complementando o tom nostálgico da obra.

A moldura da fotografia, em tons sépia, reforça a sensação de passado, como se estivéssemos olhando para uma memória distante.

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Em Trás-os-Montes, o tempo parece ter parado.

As aldeias, outrora vibrantes com o som de vozes e o trabalho nos campos, hoje ecoam o silêncio de um passado que se desvanece.

As casas de pedra, construídas com o suor e a determinação de gerações, sucumbem à inevitável passagem dos anos.

Paredes que abrigaram famílias inteiras agora desmoronam, cobertas por musgo e esquecidas pelo progresso que atraiu os mais jovens para as cidades ou para o estrangeiro.

Este cenário de abandono, porém, não é apenas uma narrativa de perda.

É também um testemunho da resiliência de um povo que, mesmo no meio do colapso, encontra formas de recriar a beleza e a alegria.

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A fotografia "Ruínas floridas" de Mário Silva capta essa dualidade com uma sensibilidade rara.

Na imagem, uma estrutura de pedra em ruínas, com blocos de granito desgastados pelo tempo, abriga dois vasos de barro vermelho.

Dentro deles, suculentas de tons rosados e roxos florescem, desafiando a aridez do ambiente.

 A janela rudimentar, formada pelas pedras, enquadra o céu, como se sugerisse que, mesmo no desmoronamento, há espaço para a esperança.

O musgo verde que cobre as pedras adiciona uma camada de vida, um lembrete da natureza que reclama o que o homem abandonou.

A moldura sépia e a assinatura do fotógrafo no canto da imagem evocam uma nostalgia que ressoa com a história de Trás-os-Montes.

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A proliferação de casas em ruínas nesta região não é apenas um fenómeno físico, mas também social.

O despovoamento, impulsionado pela falta de oportunidades económicas e pela emigração, deixou para trás um legado de abandono.

Vilarejos que antes pulsavam com vida agora são habitados por poucos, geralmente idosos que resistem a deixar as terras onde nasceram.

As casas, muitas delas sem herdeiros que as reclamem, tornam-se ruínas silenciosas, testemunhas de um tempo que não volta.

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No entanto, o povo transmontano, conhecido pela sua força e ligação à terra, não se rende ao desânimo.

Mesmo no meio do colapso, há uma determinação em encontrar beleza.

Os vasos de flores, como os retratados na fotografia de Mário Silva, são um símbolo disso.

Colocados cuidadosamente sobre as pedras, eles representam um ato de resistência — um esforço para trazer cor e vida a um cenário de decadência.

É como se dissessem: "Ainda estamos aqui, e enquanto estivermos, haverá beleza."

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Essa resiliência não é apenas estética, mas profundamente cultural.

Em Trás-os-Montes, as tradições persistem, mesmo que em menor escala.

As festas populares, as histórias contadas à lareira, o cultivo da terra — tudo isso continua a ser parte da identidade local.

As ruínas, por mais tristes que pareçam, tornam-se também um espaço de memória e de reinvenção.

Algumas são transformadas em pequenas hortas, outras servem de abrigo para animais, e há até quem as utilize como cenários para projetos artísticos, como o próprio Mário Silva fez com a sua fotografia.

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A mensagem de "Ruínas floridas" é clara: o abandono pode ser inevitável, mas a capacidade de recriar alegria e beleza é uma escolha.

O povo de Trás-os-Montes, com a sua ligação visceral à terra e à sua história, ensina-nos que a vida pode florescer mesmo nas condições mais adversas.

Assim como as suculentas que brotam dos vasos de barro, a alma transmontana persiste, resiliente e vibrante, num meio das ruínas de um passado que, embora desmorone, nunca será esquecido.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
09
Abr25

“As duas casas na Aldeia”


Mário Silva Mário Silva

“As duas casas na Aldeia”

09Abr DSC06712_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "As duas casas na Aldeia", retrata duas construções distintas num ambiente rural, numa aldeia portuguesa, dado o estilo arquitetónico e os materiais utilizados.

A imagem captura um contraste interessante entre as duas casas, que, apesar de estarem lado a lado, apresentam diferenças marcantes, ao mesmo tempo que compartilham algumas semelhanças.

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A casa à esquerda é uma construção mais rústica, feita de pedra, com um telhado de telhas tradicionais.

Ela parece mais antiga e possivelmente usada para fins utilitários, como um celeiro ou depósito, devido à sua porta ampla e à ausência de elementos decorativos.

A casa à direita, por outro lado, é mais moderna, com uma estrutura de dois andares, uma varanda com gradeamento e uma porta azul que sugere ser uma residência habitada.

Ambas estão inseridas num cenário de aldeia, com um caminho de cimento e pedra entre elas, e compartilham o uso de materiais tradicionais, como a pedra e as telhas.

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Ambas as casas utilizam pedra como material principal nas suas paredes, o que é típico de construções tradicionais em aldeias portuguesas.

A pedra confere um aspeto rústico e resistente, adequado ao ambiente rural.

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As duas casas possuem telhados feitos de telhas de barro, um elemento comum na arquitetura vernacular do sul da Europa, especialmente em Portugal.

As telhas têm uma tonalidade avermelhada, embora o telhado da casa à esquerda pareça muito mais desgastado.

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Ambas estão inseridas no mesmo ambiente de aldeia, com um caminho de terra e pedra que as liga, que pertencem à mesma comunidade e compartilham a mesma história cultural e geográfica.

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A casa à esquerda é mais rústica e simples, com uma estrutura que parece mais antiga e funcional.

A porta ampla e o pequeno postigo acima sugerem que pode ser um espaço de armazenamento, sem preocupação com a estética.

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A casa à direita, por outro lado, apresenta um estilo mais residencial e moderno.

A varanda com gradeamento decorativo, a porta azul e a janela com moldura indicam que é uma casa habitada, com maior atenção aos detalhes e ao conforto.

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A casa à esquerda mostra sinais de desgaste, com o telhado de telhas visivelmente envelhecido e a porta de madeira em muito mau estado, sugerindo que não é usada regularmente e que não recebe manutenção.

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A casa à direita parece estar em muito melhores condições, com a varanda e a porta pintada de azul indicando que é mantida.

O reboco nas paredes superiores também sugere uma renovação mais recente.

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A casa à esquerda, com a sua porta ampla e ausência de janelas grandes, parece ter uma função utilitária, como guardar ferramentas, animais ou colheitas e que já teve vida

A casa à direita, com a sua varanda e entrada mais elaborada, é claramente uma residência, projetada para moradia e convivência.

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A casa à esquerda é de um único andar, com uma estrutura mais baixa e compacta.

A casa à direita tem dois andares, com uma varanda no segundo piso, o que a torna mais vertical e funcional para uma família.

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A casa à esquerda não apresenta elementos decorativos, reforçando a sua natureza utilitária ou abandonada.

A casa à direita tem detalhes como o gradeamento da varanda, que possui um padrão decorativo, e a porta azul, que adiciona um toque de cor e personalidade.

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A fotografia de Mário Silva captura um contraste interessante entre o passado e o presente da arquitetura rural.

A casa à esquerda representa a tradição, com a sua construção rústica e funcional, enquanto a casa à direita simboliza uma evolução, com elementos mais modernos e residenciais.

Apesar das diferenças, ambas compartilham a essência da aldeia: o uso de materiais locais, como a pedra e as telhas, e a integração com o ambiente natural e comunitário.

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A composição da imagem, com o caminho de pedra entre as duas casas, reforça a ideia de conexão entre o antigo e o novo, sugerindo que, mesmo com o passar do tempo, a aldeia mantém sua identidade cultural.

A assinatura de Mário Silva no canto inferior direito indica que a fotografia pode ter um valor artístico, além de documental, capturando a essência da vida rural com sensibilidade.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
10
Mar25

Pela Rua das Maias - Uma Viagem no Tempo Através do olhar de Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

Pela Rua das Maias

Uma Viagem no Tempo Através do olhar de Mário Silva

10Mar DSC09704_ms

Emoldurada pelo casario rústico de Águas Frias, a fotografia de Mário Silva, "Pela Rua das Maias", transporta-nos para um universo onde o tempo parece correr mais lento.

A rua de calçada, ladeada por muros de pedra e janelas floridas, convida-nos a um passeio nostálgico pelas tradições ancestrais da aldeia.

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O olhar do fotógrafo captura a essência da alma transmontana, revelando a beleza singela do quotidiano.

A luz que banha a rua, outrora palco de festas e romarias, confere um toque mágico à imagem, despertando em nós a vontade de desbravar cada recanto daquele lugar.

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Ao fundo, a imponente colina ergue-se como testemunha silenciosa da história daquelas terras.

A vegetação densa que cobre a encosta contrasta com a aridez do chão, criando um jogo de cores e texturas que encanta a nossa visão.

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Mário Silva, com a sua sensibilidade ímpar, eterniza um momento único na história de Águas Frias.

A fotografia transcende o seu valor documental, transformando-se numa obra de arte que nos convida a refletir sobre a nossa própria identidade e sobre a importância de preservar as nossas raízes.

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"Pela Rua das Maias" é um convite à contemplação, um portal que nos transporta para um mundo de encantos e tradições.

Um lugar onde o tempo se dilui e a alma se liga com a essência da vida.

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A Aldeia de Águas Frias

Águas Frias é uma aldeia transmontana situada no concelho de Chaves, em Portugal. Conhecida pela sua beleza natural e pela hospitalidade de seus habitantes, a aldeia preserva tradições seculares que encantam os visitantes.

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Deixe-se Levar pela Magia da Fotografia

Permita que a fotografia de Mário Silva o transporte para um universo de beleza e tradição. Caminhe pelas ruas de Águas Frias, admire a paisagem, e deixe que a alma transmontana o envolva na sua magia.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
27
Fev25

“Cravelho numa velha porta” (caravelho – gravelho - tramela – taramela – ferrolho – travinca)


Mário Silva Mário Silva

“Cravelho numa velha porta”

(caravelho – gravelho - tramela –

taramela – ferrolho – travinca)

27Fev DSC07866_ms

A fotografia de Mário Silva intitulada "Cravelho numa velha porta" retrata um mecanismo de fecho tradicional, conhecido por vários nomes na região de Trás-os-Montes, Portugal: Caravelho, Gravelho, Tramela, Taramela, Ferrolho, Travinca, ...

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A imagem mostra uma porta de madeira antiga, provavelmente de uma construção rústica, possivelmente uma casa ou um celeiro.

A porta é feita de tábuas de madeira envelhecida, com um aspeto rústico e desgastado pelo tempo.

O cravelho, que é o foco da imagem, é um mecanismo de fecho feito de madeira, consistindo em uma peça principal que se encaixa numa estrutura de suporte, também de madeira, para trancar a porta.

A peça de madeira que forma o cravelho é esculpida de forma a permitir que se mova para dentro e para fora da estrutura, garantindo a segurança da porta.

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Para as Gentes transmontanas, o cravelho tem um significado profundo, enraizado na tradição e na simplicidade da vida rural.

Este tipo de fecho é emblemático da engenhosidade e da utilização de materiais locais disponíveis, refletindo um modo de vida que valoriza a sustentabilidade e a simplicidade.

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O uso do cravelho demonstra a continuidade das tradições locais.

Mesmo com o avanço tecnológico, muitos transmontanos mantêm estas práticas antigas, preservando a cultura e o património.

A construção do cravelho é um exemplo de engenharia popular, onde a funcionalidade é alcançada com recursos simples.

Isso destaca a habilidade manual e o conhecimento prático transmitido de geração em geração.

O cravelho não é apenas funcional, mas também simbólico.

Ele representa a proteção do lar, um valor muito importante nas comunidades rurais onde a casa é um refúgio seguro contra os elementos e intrusos.

O uso de madeira e a integração com a construção rústica refletem uma conexão profunda com a natureza, algo característico da cultura transmontana, onde a vida está intrinsecamente ligada ao ambiente natural.

Os diferentes nomes para o mesmo objeto (Caravelho, Gravelho, etc.) mostram a diversidade dentro da própria região, mas também uma unidade na função e na essência do objeto, reforçando a identidade regional.

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Em resumo, a fotografia de Mário Silva não apenas captura um objeto funcional, mas também encapsula um pedaço da alma transmontana, refletindo valores de tradição, engenhosidade, proteção e uma vida em harmonia com a natureza.

O cravelho, com a sua simplicidade e eficácia, é um símbolo duradouro da cultura desta região de Portugal.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
16
Dez24

"Escadas Branquinhas"


Mário Silva Mário Silva

"Escadas Branquinhas"

16Dez DSC03786_ms

A fotografia "Escadas Branquinhas" de Mário Silva captura a essência da paisagem rural portuguesa, com um foco particular na arquitetura tradicional e nos elementos naturais.

A imagem retrata uma escadaria em pedra, coberta por uma fina camada de neve, que conduz a um espaço indeterminado.

As escadas, com os seus degraus irregulares e revestidos de musgo, evocam uma sensação de tempo e de história.

Ao fundo, uma parede de pedra, coberta de musgo e líquenes, cria um cenário rústico e acolhedor.

No primeiro plano, uma coroa de advento com velas coloridas contrasta com a brancura da neve, adicionando um toque de calor e de espiritualidade à composição.

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A fotografia apresenta uma composição equilibrada, com as escadas ocupando o centro da imagem.

A perspetiva adotada permite ao observador imaginar a jornada que se inicia ao subir os degraus.

A coroa de advento, posicionada no primeiro plano, cria um ponto focal e convida o olhar do observador para a parte inferior da imagem.

A luz natural incide sobre as escadas, criando sombras que acentuam a textura da pedra e a irregularidade dos degraus.

A combinação de luz e sombra confere à imagem uma atmosfera misteriosa e convidativa.

A paleta de cores da fotografia é marcada pela sobriedade dos tons de cinza, verde e branco, que evocam a sensação de um inverno rigoroso.

As velas coloridas da coroa de advento introduzem um toque de vivacidade e de esperança.

As escadas representam a jornada da vida, com os seus altos e baixos.

A neve simboliza a pureza e a renovação, enquanto a coroa de advento representa a espera e a esperança.

A combinação desses elementos cria uma imagem rica em significados, que convida à reflexão sobre o tempo, a vida e a espiritualidade.

A fotografia captura a essência da paisagem rural portuguesa, revelando a importância da arquitetura tradicional e da natureza na vida das comunidades locais.

As escadas em pedra, típicas das aldeias de montanha, são um testemunho da história e da cultura da região.

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O título "Escadas Branquinhas" é uma referência à cor da neve que cobre os degraus da escada.

Além disso, a palavra "branquinhas" evoca uma sensação de pureza e de inocência, que se contrapõe à aspereza da pedra e à passagem do tempo.

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Em conclusão, a fotografia "Escadas Branquinhas" de Mário Silva é uma obra poética e contemplativa, que convida o observador a uma vivência interior.

A imagem, com a sua composição equilibrada e a sua simbologia rica, transcende a mera representação de uma escada, tornando-se numa metáfora da vida e da passagem do tempo.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
07
Out24

"Até ao Lavar dos Pipos é Vindima" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Até ao Lavar dos Pipos é Vindima"

Mário Silva

07Out DSC09432_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "Até ao Lavar dos Pipos é Vindima", captura um momento quotidiano e essencial da vindima, a época da colheita da uva.

A imagem apresenta dois grandes barris de madeira, elementos centrais da produção vinícola, num ambiente rústico e característico das zonas rurais.

O barril maior, com uma torneira, contrasta com o barril menor, deitado sobre uma tábua de madeira.

Ambos os barris demonstram sinais de uso, com a madeira envelhecida e manchas de vinho, evidenciando a sua função na produção de vinho.

O fundo da fotografia é composto por uma parede de pedra e um chão de terra batida, elementos que reforçam a atmosfera rural e tradicional da cena.

A luz natural incide sobre os barris, criando sombras e destacando a textura da madeira.

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O título da fotografia, "Até ao Lavar dos Pipos é Vindima", revela a intenção do fotógrafo em destacar a importância de cada etapa do processo de vinificação, mesmo as mais simples e quotidianas.

O ato de lavar os pipotes, ou barris, é um momento de preparação para a nova vindima, simbolizando o ciclo da vida e da produção vinícola.

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Os barris são os protagonistas da imagem, representando a tradição e a cultura vinícola.

A sua presença evoca a passagem do tempo, a história e o trabalho humano envolvido na produção do vinho.

O fundo da fotografia, com a parede de pedra e o chão de terra batida, transporta o observador para um ambiente rural e autêntico, onde a vindima é uma atividade fundamental.

A luz natural incide sobre os barris, criando um efeito de realismo e autenticidade.

As sombras e as texturas da madeira conferem profundidade à imagem.

A paleta de cores da fotografia é predominantemente terrosa, com tons de castanho e ocre, que evocam a terra, a madeira e o vinho.

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A fotografia de Mário Silva vai além de um simples registro visual.

Ela convida o observador a refletir sobre o significado da vindima e a importância da tradição na cultura portuguesa.

A imagem celebra o trabalho árduo dos vinhateiros e a beleza da natureza, que se manifesta na transformação da uva em vinho.

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"Até ao Lavar dos Pipos é Vindima" é uma fotografia que emociona e inspira.

Através de uma composição simples e elementos visuais fortes, Mário Silva captura a essência da vindima e convida-nos a apreciar a beleza das coisas simples.

A imagem é um tributo à tradição e à cultura portuguesa, e um convite a celebrar a vida e o trabalho.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
09
Jul24

Casas Rurais no Norte Transmontano: Importância para o Turismo e Economia


Mário Silva Mário Silva

Casas Rurais no Norte Transmontano:

Importância para o Turismo e Economia

Jul09 DSC06506_ms

A fotografia mostra uma casa rural localizada em Castelo, uma freguesia do concelho de Chaves, no norte de Portugal.

As casas rurais são uma parte integrante do panorama arquitetónico e cultural da região transmontana, oferecendo uma janela para o passado e uma oportunidade para o desenvolvimento económico através do turismo rural.

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As casas rurais da região norte de Trás-os-Montes, como a exemplificada na imagem, possuem características únicas que refletem a história e a cultura da região:

Feitas de pedra e com telhados de telha vermelha, essas casas têm um charme rústico e uma durabilidade impressionante.

As paredes espessas de pedra proporcionam isolamento térmico natural, mantendo o interior fresco no verão e quente no inverno.

A presença de grandes ânforas de barro, como as mostradas na imagem, não é apenas decorativa, mas também funcional, pois eram tradicionalmente usadas para armazenamento de vinho e azeite.

As casas estão frequentemente localizadas em áreas de grande beleza natural, rodeadas por vegetação densa e montanhas, oferecendo um refúgio tranquilo e pitoresco.

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O turismo rural tem crescido significativamente na região de Trás-os-Montes, atraindo visitantes que buscam uma experiência autêntica e relaxante.

As casas rurais desempenham um papel crucial neste setor:

Os turistas podem experimentar a vida rural autêntica, desfrutando de atividades como caminhadas, colheita de frutas, e participação em festividades locais.

Muitas dessas casas foram convertidas em alojamentos turísticos, conhecidos como "turismo de habitação" ou "agroturismo", oferecendo acomodações confortáveis com um toque de tradição.

A proximidade com quintas e produtores locais permite aos turistas degustar produtos regionais frescos, como queijos, vinhos, e azeites, muitas vezes produzidos de forma artesanal.

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Além de atrair turistas, as casas rurais têm um impacto positivo na economia local de várias maneiras:

A manutenção e operação das casas rurais, bem como os serviços associados ao turismo (como guias, restaurantes, e lojas de artesanato), geram empregos para os residentes locais.

O turismo rural promove práticas sustentáveis e a preservação do património cultural e natural, incentivando o uso responsável dos recursos locais.

A revitalização das casas rurais e a afluência de turistas ajudam a manter vivas as tradições e costumes locais, além de proporcionar um fluxo constante de renda para as comunidades rurais.

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As casas rurais, como a situada em Castelo, Chaves, são mais do que simples construções antigas; elas são um símbolo da rica herança cultural de Trás-os-Montes e um pilar para o desenvolvimento do turismo e da economia local.

Ao preservar e promover essas casas, a região não só celebra a sua história, mas também assegura um futuro próspero e sustentável.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
20
Jul23

Arrumo rústico: Uma solução sustentável que combina com a natureza


Mário Silva Mário Silva

Arrumo rústico:

Uma solução sustentável que combina com a natureza

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O arrumo rústico é um conceito de design que ganhou popularidade nos últimos anos, especialmente entre aqueles que apreciam a beleza da natureza e desejam viver um estilo de vida mais sustentável. As soluções de armazenamento rústico são pensadas para se misturar com a natureza e promover a sustentabilidade, tornando-as uma escolha popular para os campos e matas.

O armazenamento rústico refere-se a soluções de armazenamento projetadas para combinar com o ambiente natural, usando materiais como madeira, pedra e metal já utilizado. As soluções de armazenamento rústico podem ser encontradas em campos de cultivo, vinhas, matas e têm diferenciados formatos e tamanhos. Exemplos de soluções de armazenamento rústico incluem caixotes de madeira, prateleiras feitas de madeira recuperada e “armários” de pedra. Essas soluções de armazenamento não apenas fornecem espaço de armazenamento funcional, mas também aprimoram o apelo estético do ambiente. O armazenamento rústico promove a sustentabilidade usando materiais naturais e reduzindo o desperdício.

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Há vários benefícios em usar soluções de armazenamento rústico. Em primeiro lugar, são ecologicamente corretos e sustentáveis, pois são feitos de materiais naturais e não contribuem para a degradação do meio ambiente. Em segundo lugar, o armazenamento rústico aumenta o apelo estético, dando-lhes uma aparência única e natural. Em terceiro lugar, as soluções de armazenamento rústico são duráveis ​​e duradouras, tornando-as um investimento económico a longo prazo. O uso de soluções rústicas de armazenamento também pode ajudar a reduzir a desordem e criar um espaço mais organizado, o que pode levar a uma maior produtividade e melhor qualidade de vida.

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Em conclusão, o armazenamento rústico é uma solução sustentável e ecológica solução que se mistura com a natureza e aumenta o apelo estético no meio ambiente. As soluções de armazenamento rústicas são duráveis, duradouras e podem ser projetadas para caber em qualquer espaço ou finalidade. Ao usar materiais naturais e reduzir o desperdício, o armazenamento rústico promove a sustentabilidade e é uma escolha popular para quem deseja viver um estilo de vida mais ambientalmente consciente. Com as ferramentas e materiais certos, qualquer pessoa pode projetar e implementar soluções de armazenamento rústicas que sejam funcionais, “bonitas” e únicas.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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