"Tanta vinha abandonada ... mas há sempre alguém resiliente ... e faz crescer uma nova" - Mário Silva
Mário Silva Mário Silva
"Tanta vinha abandonada ...
mas há sempre alguém resiliente ...
e faz crescer uma nova"
Mário Silva

Esta é uma imagem que evoca a melancolia do mundo rural português, mas que, através do olhar de Mário Silva e do título escolhido, transforma-se numa narrativa de esperança.
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A fotografia "Tanta vinha abandonada ... mas há sempre alguém resiliente ... e faz crescer uma nova" transporta-nos para uma encosta marcada pela geometria das estacas de suporte, que se estendem como sentinelas de um tempo passado.
A luz quente do entardecer banha o terreno árido e as videiras despidas, conferindo um tom dourado e nostálgico à paisagem.
Ao fundo, no topo da colina, destaca-se uma imponente formação granítica — um "pousio" de rocha — que parece observar a passagem das gerações.
A imagem capta o contraste entre o aparente abandono da terra e a força silenciosa da natureza e do esforço humano que teima em recomeçar.
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A Resiliência da Terra — O Renascer entre as Cinzas do Abandono
O interior de Portugal é um cenário de contrastes profundos, onde a beleza da paisagem muitas vezes esconde a ferida aberta da desertificação humana.
A fotografia de Mário Silva confronta-nos com uma realidade visual gritante: as vinhas abandonadas.
Aquelas estacas, outrora orgulhosas e carregadas de fruto, surgem agora como esqueletos de uma economia e de um modo de vida que muitos acreditam estar em declínio.
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O Ciclo do Esquecimento
O abandono de uma vinha não é apenas a perda de uma cultura agrícola; é o desvanecer de uma herança.
Cada videira arrancada ou deixada ao abandono representa braços que partiram para a cidade ou para o estrangeiro, e mãos envelhecidas que já não conseguem sustentar a tesoura de poda.
É o silêncio que ocupa o lugar das vozes das vindimas.
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A Figura do Resiliente
Contudo, o título da obra aponta para o elemento que mantém o mundo rural vivo: a resiliência.
No meio de hectares de desolação, há sempre alguém — o herdeiro apaixonado, o jovem que regressa às origens, ou o resistente que nunca saiu — que decide que o ciclo não termina ali.
Fazer crescer uma vinha nova num terreno rodeado de abandono é um ato de coragem, quase de rebeldia. Exige:
Paciência: Para preparar a terra exausta.
Fé: No clima e no mercado, tantas vezes madrastos.
Visão: Para ver o vinho futuro onde outros apenas veem silvados e esquecimento.
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O Futuro que Brota do Granito
Tal como as rochas graníticas que pontuam a paisagem da fotografia — imutáveis e sólidas — a vontade humana de cultivar e produzir é um pilar da nossa identidade.
A "nova vinha" mencionada por Mário Silva é mais do que agricultura; é um sinal de que, enquanto houver alguém disposto a cuidar da terra, a paisagem nunca estará verdadeiramente morta.
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A resiliência é o adubo mais forte.
É ela que garante que, por cada encosta esquecida, haverá um novo rebento verde a desafiar o cinzento do tempo, provando que a vida, tal como o bom vinho, tem a capacidade de se renovar e de surpreender quem sabe esperar por ela.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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