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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

18
Jan26

Cruzeiro do Senhor dos Milagres – Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

Cruzeiro do Senhor dos Milagres

Águas Frias – Chaves - Portugal

18Jan DSC00161_ms.JPG

A fotografia, captada de um ângulo superior (picado), apresenta um cruzeiro monumental protegido por uma estrutura de abrigo típica da arquitetura religiosa popular.

Quatro pilares de granito robustos sustentam um telhado piramidal de quatro águas, revestido com telha cerâmica envelhecida, que exibe manchas de líquenes e musgo.

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No centro da estrutura, destaca-se um painel de azulejos azul e branco com a imagem de Cristo Crucificado — o Senhor dos Milagres.

Na base, pequenos vasos com flores cor-de-rosa e brancas testemunham a manutenção viva do culto e a gratidão da comunidade.

O cruzeiro situa-se na berma do largo da Junta, alcatroada, delimitado por um gradeamento de ferro e um muro de pedra tradicional, inserindo-se harmoniosamente num cenário de vegetação outonal e ruralidade.

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O Cruzeiro – Uma Sentinela de Fé na Berma do Caminho

Os cruzeiros e alminhas são elementos indissociáveis da paisagem transmontana.

Na fotografia de Mário Silva em Águas Frias, o "Cruzeiro do Senhor dos Milagres" surge como mais do que um monumento: é uma coordenada espiritual que liga o viajante ao divino.

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A Arquitetura do Amparo

Diferente dos cruzeiros simples de pedra isolada, este exemplar possui uma cobertura.

Esta arquitetura não é apenas estética; simboliza o amparo e a proteção.

O telhado que guarda a imagem do Senhor dos Milagres reflete a ideia de que a fé deve ser preservada das intempéries, tal como a comunidade se protege sob a crença nos seus milagres.

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O Granito: Representa a perenidade e a dureza da vida na montanha.

O Azulejo: O azul e branco introduzem uma nota de luz e serenidade no cinzento da pedra.

As Flores: São o elo de ligação entre o sagrado e o quotidiano, representando promessas feitas ou agradecimentos alcançados.

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O Senhor dos Milagres: Esperança Comunitária

O título da fotografia remete para uma das invocações mais queridas do povo português.

O "Senhor dos Milagres" é a figura a quem se recorre nas horas de maior incerteza — seja por questões de saúde, colheitas ou proteção dos entes queridos.

Em Águas Frias, este cruzeiro funciona como um altar público, onde a religião sai das paredes da igreja para se encontrar com as pessoas no seu trajeto diário.

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Património e Identidade

Preservar um cruzeiro como este é manter viva a identidade de uma aldeia.

Num mundo que se move cada vez mais depressa, a fotografia de Mário Silva obriga-nos a abrandar.

Ela mostra que, na berma de uma estrada moderna, ainda há lugar para o silêncio, para a oração e para a memória dos antepassados que ergueram aquela estrutura.

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A originalidade desta imagem reside na perspetiva: ao olhar de cima, o fotógrafo coloca-nos numa posição de observadores protegidos, destacando a geometria do telhado e a humildade das ofertas florais, lembrando-nos que o sagrado está presente nos detalhes mais simples.

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"Um cruzeiro na estrada é um lembrete de que nunca caminhamos sozinhos;

há sempre um lugar de paragem para a alma."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
22
Nov25

"O granito na construção rural transmontana"


Mário Silva Mário Silva

"O granito na construção rural transmontana"

22Nov DSC09096_ms

A fotografia de Mário Silva é um close-up angular que foca na fachada e na lateral de uma estrutura rural antiga, provavelmente um celeiro, adega ou habitação, construída integralmente em pedra de granito.

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O edifício é maciço e apresenta uma cantaria de granito irregular e não polida, com pedras de diferentes tamanhos e formatos, ligadas com argamassa.

A parede demonstra uma solidez impressionante, característica das construções de Trás-os-Montes.

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Aberturas: São visíveis duas aberturas na fachada.

Uma delas, mais antiga, é uma porta de madeira vertical no rés-do-chão, com uma pequena soleira de granito e um lintel também em pedra.

A outra abertura é um vão de porta ou janela, com caixilhos de madeira (uma porta) e uma moldura em pedra mais regular na lateral.

Textura e Cor: A pedra, de tom cinzento-claro a ocre, está coberta em alguns pontos por musgos e líquenes verdes, o que atesta a sua idade e a humidade do ambiente.

O telhado, parcialmente visível, é de telha tradicional e confere um toque de cor quente.

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O enquadramento angular realça a robustez e a verticalidade da construção.

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O Granito na Construção Rural Transmontana: A Essência da Robustez e Identidade

A fotografia de Mário Silva capta a mais pura expressão da arquitetura popular transmontana: o uso dominante do granito.

Em Trás-os-Montes, onde este material é abundante, o granito transcendeu a sua função geológica para se tornar o elemento definidor da paisagem construída, simbolizando a robustez, a durabilidade e a identidade cultural da região.

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Funcionalidade: A Resposta ao Clima e ao Solo

O granito foi a escolha óbvia na construção rural transmontana por razões estritamente funcionais.

A sua extrema dureza e densidade garantem:

Isolamento Térmico: A espessura das paredes de granito oferece um isolamento natural, mantendo as casas frescas no verão quente e protegidas do frio intenso do inverno transmontano.

Durabilidade e Estabilidade: O material é praticamente indestrutível, conferindo às estruturas uma longevidade que ultrapassa séculos.

As casas e celeiros são construídos para durar gerações, resistindo ao vento, à chuva e às intempéries.

Disponibilidade: A abundância de afloramentos graníticos na região (sendo Trás-os-Montes uma área predominantemente granítica) tornava-o o material de construção mais acessível, extraído e trabalhado pelos próprios lavradores e pedreiros locais.

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Estética e Identidade Cultural

A estética do granito na construção rural é o oposto do polimento e da perfeição.

A cantaria irregular e a justaposição de blocos de diferentes tamanhos na fotografia refletem uma arquitetura de subsistência e adaptação, onde a beleza reside na honestidade do material.

A cor da pedra, que envelhece gradualmente ganhando musgos e patinas (como se vê na imagem), integra a construção na paisagem natural.

As aldeias de granito fundem-se com os maciços montanhosos, formando um todo coeso.

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O granito, assim, não é apenas um material; é uma afirmação cultural.

Ele representa a tenacidade do povo transmontano — duro, resiliente e profundamente enraizado na sua terra.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
26
Out25

Capela da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro - Fiães – Valpaços – Portugal


Mário Silva Mário Silva

Capela da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Fiães – Valpaços – Portugal

26Out DSC01854_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada “Capela da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro" em Fiães, Valpaços, Portugal, capta uma cena de arquitetura religiosa e popular com uma tonalidade sépia e quente.

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O elemento central é a Capela, uma estrutura rústica, mas sólida, construída em cantaria de granito de cor ocre.

A fachada apresenta uma série de arcos arredondados (dois visíveis), que conduzem à entrada. O telhado é coberto por telha de barro avermelhada, que se destaca contra o céu esbranquiçado.

Na frontaria da capela, eleva-se uma pequena torre sineira ou campanário, também em granito, rematada por uma cruz.

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Em primeiro plano e à direita, destaca-se um cruzeiro ou padrão robusto, feito do mesmo granito, com uma cruz no topo.

À sua base, um vaso preto com flores rosadas e verdes adiciona um toque de cor e vida.

No lado esquerdo, nota-se uma construção mais moderna e simples, com paredes de blocos de cimento e um telhado de telha vermelha, que ladeia a capela, ilustrando o convívio entre o passado e o presente.

O chão é de terra batida e passeio de pedra.

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O Refúgio de Pedra e a Fé Diária: A Capela de Fiães

A Capela da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Fiães, Valpaços, não é apenas um edifício; é um santuário de resistência e devoção na paisagem transmontana.

A fotografia de Mário Silva capta a essência desta fé simples e profunda, onde o granito e a pedra não são apenas materiais de construção, mas guardiões de séculos de orações.

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A Arquitetura do Amparo

O que impressiona na Capela de Fiães é a sua sobriedade ancestral.

A cantaria de granito, robusta e ligeiramente desgastada pelo tempo, confere-lhe um ar de permanência inabalável.

As aberturas em arco de volta perfeita convidam o fiel ao recolhimento, sugerindo um abraço protetor.

O nome da padroeira, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, espelha-se perfeitamente na sua arquitetura: a capela é um refúgio constante numa terra de vida árdua.

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A pequena torre sineira não precisa de ser alta para ser importante.

O seu sino, por séculos, marcou o ritmo da vida na aldeia: o tempo da missa, o tempo do trabalho e o tempo da partida e do regresso.

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O Diálogo entre o Sagrado e o Comunitário

A imagem é rica em detalhes que unem o sagrado ao quotidiano.

O Cruzeiro no primeiro plano, com a sua cruz tosca de pedra, serve como um marco visual e espiritual para os que chegam, simbolizando a proteção de Cristo sobre a comunidade.

A presença das flores frescas na sua base é um sinal de que a devoção é viva e mantida com carinho pelos habitantes de Fiães.

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O contraste com a construção moderna à esquerda é eloquente.

A capela antiga não foi demolida nem substituída; foi integrada no tecido contemporâneo da aldeia.

Isto demonstra que, em Fiães, a história e a fé não são relíquias do passado, mas pilares ativos da vida presente.

O lar e o templo coexistem, sublinhando a forma como a fé está intrinsecamente ligada ao lar e à vizinhança na cultura transmontana.

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Perpétuo Socorro: A Fé Resiliente

Valpaços, tal como grande parte de Trás-os-Montes, é uma região que soube o que é a dificuldade, a emigração e o trabalho duro na terra.

A devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, cuja iconografia representa o auxílio constante e imediato, é particularmente significativa aqui.

A imagem da Virgem, mesmo que não visível na foto, é o centro do amparo.

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Esta capela, com a sua simplicidade de pedra, não celebra o luxo, mas a resiliência.

É o lugar onde as gentes de Fiães trazem as suas alegrias e, principalmente, as suas aflições, buscando a força para continuar.

É um monumento à esperança, construído não por grandes mestres, mas pelo esforço coletivo e pela fé inabalável de uma comunidade que sabe que, mesmo sob um céu por vezes cinzento, há um socorro que é, e sempre será, perpétuo.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
13
Jan25

“Fonte das Tendas” – Dadim (Chaves - Portugal)


Mário Silva Mário Silva

“Fonte das Tendas”

Dadim (Chaves - Portugal)

13Jan DSC05597_ms

A fotografia "Fonte das Tendas" captura a essência de um elemento fundamental da cultura rural portuguesa: a fonte.

Com uma composição cuidadosa e uma paleta de cores harmoniosa, Mário Silva transporta-nos para a pacata aldeia de Dadim, em Chaves, e convida-nos a apreciar a beleza e a simplicidade deste local.

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A imagem apresenta uma fonte de granito, com uma arquitetura simples e funcional.

O arco em forma de ferradura, típico da arquitetura popular portuguesa, domina a composição, enquanto a bacia de água, esculpida numa única peça de pedra, convida à contemplação.

Ao fundo, um conjunto de casas rurais e a vegetação circundante completam o cenário, evocando a tranquilidade da vida rural.

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A composição é equilibrada, com a fonte ocupando o centro da imagem e a vegetação e as casas ao fundo criando um enquadramento natural.

A linha horizontal da bacia da fonte e a verticalidade do arco criam uma sensação de harmonia e estabilidade.

A luz natural, suave e difusa, envolve a cena, criando uma atmosfera serena e contemplativa.

As sombras suaves e alongadas contribuem para a sensação de profundidade e tridimensionalidade da imagem.

A paleta de cores é predominantemente quente, com tons de terra e ocre, que evocam a sensação de antiguidade e tradição.

A pedra da fonte, com as suas tonalidades envelhecidas, contrasta com o verde da vegetação, criando um efeito visual interessante.

A fotografia apresenta uma grande profundidade de campo, permitindo que todos os elementos da imagem estejam nítidos, desde o primeiro plano até ao fundo.

A escolha do diafragma e da velocidade do obturador permitiu capturar a textura da pedra e a atmosfera do local.

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A fonte é um elemento fundamental da cultura rural portuguesa, representando um ponto de encontro e abastecimento de água.

A utilização da pedra como material de construção é uma característica marcante da arquitetura popular portuguesa, conferindo às construções uma grande durabilidade.

O arco em forma de ferradura é um elemento típico da arquitetura popular, presente em diversas construções, desde fontes a pontes.

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A atmosfera serena da fotografia, com a fonte isolada no campo, transmite uma sensação de paz e tranquilidade.

A imagem evoca um sentimento de nostalgia, transportando o observador para um tempo em que a vida era mais simples e a comunidade era mais forte.

A fonte, integrada na paisagem natural, estabelece uma conexão entre o homem e a natureza.

A água, elemento essencial para a vida, é celebrada na fotografia como fonte de vida e de bem-estar.

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Em resumo, a fotografia "Fonte das Tendas" de Mário Silva é uma obra que captura a beleza e a simplicidade da vida rural portuguesa.

Através de uma composição cuidadosa e de uma paleta de cores harmoniosa, o fotógrafo convida o observador a apreciar a importância da água e a valorizar o património cultural do nosso país.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
29
Set24

Nicho com imagens da Sagrada Família na aldeia de Parada (Sanfins- Chaves- Portugal) - A Religiosidade nas Aldeias Transmontanas


Mário Silva Mário Silva

Nicho com imagens da Sagrada Família na aldeia de Parada (Sanfins- Chaves- Portugal)

A Religiosidade nas Aldeias Transmontanas

29Set DSC07106_ms

A fotografia apresenta um nicho com imagens da Sagrada Família, localizado na aldeia de Parada, em Sanfins, Chaves, Portugal.

A imagem captura um elemento fundamental da religiosidade popular em Portugal, especialmente nas regiões mais rurais e tradicionais como Trás-os-Montes.

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O nicho, construído em granito, material característico da região, apresenta uma arquitetura simples e tradicional.

A cruz no topo e as imagens da Sagrada Família no interior são elementos iconográficos claramente identificáveis com a fé católica.

A presença de velas e flores artificiais sugere que o nicho é um local de devoção e oração, visitado e cuidado pelos habitantes da aldeia.

O fundo da imagem, com campos e árvores, evoca a paisagem rural de Trás-os-Montes, estabelecendo uma conexão entre a fé e a natureza.

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A imagem do nicho em Parada é mais do que um simples registro fotográfico.

Ela representa um conjunto de valores, crenças e práticas religiosas que moldaram a identidade das comunidades rurais portuguesas ao longo dos séculos.

A religiosidade popular, manifesta em elementos como nichos, capelinhas e cruzes, é profundamente enraizada na cultura de Trás-os-Montes.

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Os nichos são pontos de encontro e de expressão da fé comunitária.

Eles servem como locais de oração, de pedidos de proteção e de agradecimento.

A sua presença nas aldeias reforça os laços sociais e a identidade coletiva.

A religiosidade popular em Portugal é marcada por um rico sincretismo, com a mistura de elementos da fé católica com práticas e crenças mais antigas.

Essa hibridização é evidente na presença de elementos naturais, como árvores e fontes, associados a ritos e crenças pagãs.

Os nichos são testemunhos da resistência das tradições populares face à modernidade.

Apesar das transformações sociais e económicas que ocorreram nas últimas décadas, a fé continua a ser um elemento fundamental na vida das comunidades rurais.

Os nichos são parte integrante do património cultural de Portugal.

Eles são testemunhos de um passado rico e complexo, e devem ser preservados como expressão da identidade e da memória coletiva.

Em conclusão, a fotografia do nicho em Parada oferece-nos uma janela para o mundo da religiosidade popular em Trás-os-Montes.

Através dela, podemos compreender a importância da fé na vida das comunidades rurais, a riqueza das tradições populares e a necessidade de preservar esse património cultural.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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