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MÁRIO SILVA "navegando" em ... águas frias

"Navegando" no Reino Maravilhoso por Terras de Monforte, especialmente na Aldeia de Águas Frias - Chaves - Trás-Os-Montes - PORTUGAL

MÁRIO SILVA "navegando" em ... águas frias

"Navegando" no Reino Maravilhoso por Terras de Monforte, especialmente na Aldeia de Águas Frias - Chaves - Trás-Os-Montes - PORTUGAL

02
Ago20

A CASA BRANCA


Mário Silva Mário Silva

 

 

A CASA BRANCA

.

Estou reclinado na poltrona, é tarde, o Verão apagou-se...

Nem sonho, nem cismo, um torpor alastra em meu cérebro...

Não existe manhã para o meu torpor nesta hora...

Ontem foi um mau sonho que alguém teve por mim...

Há uma interrupção lateral na minha consciência...

Continuam encostadas as portas da janela desta tarde

Apesar de as janelas estarem abertas de par em par...

Sigo sem atenção as minhas sensações sem nexo,

E a personalidade que tenho está entre o corpo e a alma...

DSC00573_ms

 

Quem dera que houvesse

Um terceiro estado prà alma, se ela tiver só dois...

Um quarto estado prà alma, se são três os que ela tem...

A impossibilidade de tudo quanto eu nem chego a sonhar

Dói-me por detrás das costas da minha consciência de sentir...

.

Fernando Pessoa

.

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12
Jul20

CASTELO ASSOMBRADO (parte II)


Mário Silva Mário Silva

 

.

CASTELO ASSOMBRADO

(parte II)

.

IV

E toda refulgente de pérolas e rubis
era a linda porta do palácio,
através da qual passava, passava e passava,
a refulgir sem cessar,
uma turba de ecos cuja grata missão
era apenas cantar,
com vozes de inexcedível beleza,
o talento e o saber de seu rei.
.
V

Mas seres maus, trajados de luto,
assaltaram o alto trono do monarca;
(ah, lamentemo-nos, visto que nunca mais a alvorada
despontará sobre ele, o desolado!)
e, em torno de sua mansão, a glória,
que, rubra florescia,
não passa agora, de uma história quase esquecida
dos velhos tempos já sepultados.
.

DSC01075_msVI

E agora os caminhantes, nesse vale,
através das janelas de luz avermelhada, vêem
grandes vultos que se movem fantasticamente
ao som de desafinada melodia;
enquanto isso, qual rio rápido e medonho,
através da porta descorada,
odiosa turba se precipita sem cessar,
rindo - mas sem sorrir nunca mais.
.


Edgar Allan Poe

.

 

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09
Jul20

CASTELO ASSOMBRADO (parte I)


Mário Silva Mário Silva

 

.

CASTELO ASSOMBRADO

(parte I)

.
I

No mais verde de nossos vales,
habitado por anjos bons,
antigamente um belo e imponente palácio
- um palácio radiante - se erguia.
Nos domínios do rei Pensamento,
lá se achava ele!
Jamais um serafim espalmou a asa
sobre um edifício só metade tão belo.
.
II

Estandartes amarelos, gloriosos, dourados,
sobre o seu telhado ondulavam, flutuavam.
(Isso, tudo isso, aconteceu há muito,
muitíssimo tempo.)
E em cada brisa suave que soprava,
naqueles doces dias,
ao longo do muros pálidos e empenachados,
se elevava um aroma alado.

DSC03703_ms 1.
III

Caminhantes que passavam por esse vale feliz
viam, através de duas janelas iluminadas,
espíritos que se moviam musicalmente
ao som de um alaúde bem afinado,
em torno de um trono onde, sentado,
(Porfirogênito!)
com majestade digna de sua glória,
aparecia o senhor do reino.

.

(continua)

Edgar Allan Poe

.

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03
Jul20

Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) - VOO DE ANDORINHAS


Mário Silva Mário Silva

 

VOO DE ANDORINHAS

 

Andorinhas voam em bando,

perdida há uma só.

Habituam-se a dizer,

que sozinha não faz verão.

Um só voo de andorinha

é a réplica da solidão.

Somente o voo coletivo

alucinante e altivo

sintetiza integração.

Entre montes e horizontes,

da morte buscando vida,

perdida voa uma só.

DSC09959_ms

Muitas asas se agitam,

no anseio de ser feliz.

Junto à torre da matriz,

ou sobre o teto dos casarões.

Num lenitivo de emoções,

num caracol que se estiliza,

neste adorno que simboliza,

a analogia da paz,

a beleza mais primaz.

Talvez busque-se o infinito

no vigor sereno e bonito

para um rimance de mil canções.

 

Ao findar a primavera,

saudando outra estação

surgem em arribação

quebrando a monotonia

A formar a sinfonia

no painel desta versão.

Na magia da ilusão

que consegue ser mais linda,

nesta beleza infinda

são milhares de andorinhas,

porque uma voando sozinha

nunca, nunca faz verão.

Miguel Arnildo Gomes

 

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30
Jun20

Um gato no telhado


Mário Silva Mário Silva

 

Um gato no telhado

 

repousado,
na cumeeira de um telhado
olhando
e desfrutando
breves miares ao luar
breves melodias pelo ar
que varrem esta aldeia
perdida entre outras aldeias…

DSC07643_msgostava de estar aí sentado
nessa cumeeira
beijada pela lua
gostava de escutar nesse lugar
os sons desta aldeia “viva”
escondido por entre os ramos da noite
e cantar,
com uma guitarra nas mãos


qualquer coisa sonante
ou uma qualquer balada…
mas não sou sequer ágil
para estar sentado
nessa cumeeira ao luar
nem tão pouco ágil
para despontar acordes
desta guitarra sem cordas…


                                                                                                       Bruno Ribeiro

 

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21
Jun20

UM RAIO DE SOL


Mário Silva Mário Silva

 

 

UM RAIO DE SOL


DSC06542_ms

 


Por entre pesadas nuvens,
Um tímido raio de sol
Esgueira-se e por fim surge
Iluminando todo o arrebol.

Tinge de belo o horizonte,
Desde o carmim ao alaranjado,
Traz a luz por cima do monte,
E clareia por todo lado!

São cores as mais sutis,
Que trazem o sol gentil,
Faz o mundo mais feliz
Inspirando amores mil!

 

Fatinha Mussato

 

🌞

 

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09
Jun20

A cancela - Trás-Os-Montes - PORTUGAL


Mário Silva Mário Silva

 

 

A CANCELA

(adaptado)

 

(…)

Bate a cancela do campo

Constantemente.

 

Bate ao vir a madrugada,

Bate, ao ir-se o sol no poente;

(Das sombras pela calada

Seu bater é mais dolente)

Cancela_ms

 

Bate, se é noite enluarada,

Se escura é a noite e silente;

 

Bate a cancela da estrada

Constantemente. (Ou não …)

(…)

 

                                                                               Alberto de Oliveira

 

🚧                 🚧

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🚧                     🚧                    🚧 
 
 
 
 
06
Jun20

Pôr do Sol - PORTUGAL


Mário Silva Mário Silva

 

Pôr do Sol

 

A cada pôr do sol um novo horizonte

A cada amanhecer uma nova inspiração

A cada sorriso uma nova alegria

A todo instante uma nova emoção.

 

                            Wilton Lazarotto

 

Pôr do Sol

 

 

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03
Jun20

Flores campestres amarelas ...


Mário Silva Mário Silva

 

A flor amarela

 

Ela é tão bela, a florzinha amarela

É pequena, é serena, é amena

Ela é bela, amarela, é singela

Olha-la vale sempre a pena

 

A florzinha qu’aqui habita é bonita

É quente, é inocente, é diferente

É uma flor tão bonita, tão catita

Para quem a olha atentamente

DSC09868_ms 1

A flor nesta paragem é selvagem

É bela, assim como uma donzela

Que passa e n’aragem fica a imagem

A cor mais doce qu’o mundo cinzela

 

A florzinha amarela é aquela

Que guardo com devoção no coração

Porque é de todas a flor mais bela

Vê-la molha-me os olhos de emoção…

 

Claudia Moreira

 

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22
Mai20

Oh, as casas, as casas, as casas


Mário Silva Mário Silva

 

Oh, as casas, as casas, as casas

 

Oh, as casas, as casas, as casas

as casas nascem vivem e morrem

Enquanto vivas distinguem-se umas das outras

distinguem-se designadamente pelo cheiro

variam até de sala pr’a sala

 

As casas que eu fazia em pequeno

onde estarei eu hoje em pequeno?

Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?

Terei eu casa onde reter tudo isto

ou serei sempre somente esta instabilidade?

 

As casas, essas parecem estáveis

mas são tão frágeis as pobres casas

Oh as casas as casas as casas

mudas testemunhas da vida

elas morrem não só ao ser demolidas

 

Cimo de Vila 5_InPixio_ms

 

Elas morrem com a morte das pessoas

As casas de fora olham-nos pelas janelas

Não sabem nada de casas os construtores

os senhorios, os procuradores

 

Os ricos vivem nos seus palácios

mas a casa dos pobres é todo o mundo

os pobres sim têm o conhecimento das casas

os pobres esses conhecem tudo

 

Eu amei as casas os recantos das casas

Visitei casas apalpei casas

Só as casas explicam que exista

uma palavra como intimidade

 

Sem casas não haveria ruas

as ruas onde passamos pelos outros

mas passamos principalmente por nós

 

Na casa nasci e hei-de morrer

na casa sofri convivi amei

na casa atravessei as estações

Respirei – ó vida simples problema de respiração

Oh, as casas, as casas, as casas

 

Ruy Belo - “Todos os Poemas”

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