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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

09
Jan26

Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) de papo cheio – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) de papo cheio

Mário Silva

09Jan DSC03482_ms.JPG

Esta é mais uma captura de Mário Silva, onde o detalhe e a luz se unem para contar uma pequena história da natureza.

A fotografia "Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) de papo cheio" retrata esta pequena ave emblemática num momento de repouso e aparente satisfação.

Pousado no topo de um tronco rugoso, o Pisco destaca-se contra um fundo suavemente desfocado (“bokeh”) em tons de terra e verde.

A iluminação lateral e quente realça a textura das penas e o volume arredondado do peito, conferindo-lhe uma aura quase dourada.

A postura da ave, firme e vigilante, mas tranquila, transmite a ideia de abundância e vitalidade num cenário natural.

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Estar de Papo Cheio — Entre a Fartura e a Saturação

Na sabedoria popular e na biologia, a expressão "estar de papo cheio" carrega consigo uma dualidade fascinante.

Literalmente, como vemos na objetiva de Mário Silva, é o símbolo da sobrevivência e do sucesso.

Para um pequeno pisco-de-peito-ruivo, ter o papo cheio é a garantia de energia para enfrentar a noite fria ou a dureza do inverno; é o resultado de uma caçada bem-sucedida e o sinal de que a natureza, naquele momento, foi generosa.

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No entanto, quando transpomos esta expressão para o domínio humano e para o nosso quotidiano, o significado ganha camadas mais complexas, oscilando entre a satisfação plena e a saturação.

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A Satisfação da Abundância

No seu sentido mais positivo, "estar de papo cheio" remete para a ideia de conforto.

É aquele estado de espírito que se segue a um bom jantar em família ou à conclusão de um projeto exigente.

É a sensação de dever cumprido e de necessidades satisfeitas.

Neste contexto, o "papo cheio" é um porto seguro, um momento de pausa onde não há falta, apenas plenitude.

É a celebração do que conquistámos.

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O Limite da Saturação

Por outro lado, a língua portuguesa é fértil em ironias.

Frequentemente, usamos a expressão para indicar que chegámos ao nosso limite:

"Já estou de papo cheio disto!".

Aqui, a fartura transforma-se em excesso.

O que era nutrição passa a ser peso.

Estar de papo cheio de uma situação, de uma conversa ou de uma rotina significa que a paciência se esgotou e que já não há espaço para absorver nem mais um grão de preocupação.

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O Equilíbrio Necessário

Tal como o pequeno pisco da fotografia, que após se alimentar precisa de tempo para digerir e observar o mundo do alto do seu galho, também nós precisamos de gerir os nossos momentos de "papo cheio".

A vida exige que saibamos distinguir a fartura que nos alimenta da saturação que nos desgasta.

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Em suma, "estar de papo cheio" é uma chamada de atenção da nossa condição cíclica.

Quer estejamos a transbordar de alegria ou no limite da nossa resistência, a expressão convida-nos a parar, a reconhecer o nosso estado e, tal como a ave que se prepara para o próximo voo, a decidir o que fazer com o que acumulámos.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
17
Dez25

"Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) no planalto nordestino, nevado"


Mário Silva Mário Silva

"Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula)

no planalto nordestino, nevado"

17Dez DSC00140-fotor-20251126185613_ms.jpg

A fotomontagem de Mário Silva é uma composição artística que justapõe o detalhe de uma ave icónica com a vastidão de uma paisagem de inverno.

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O Pisco-de-peito-ruivo: Em primeiro plano, do lado esquerdo, destaca-se um Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula).

A ave exibe a sua característica mais marcante: a mancha alaranjada vibrante no peito e na face, que contrasta com a plumagem castanha do dorso e o ventre claro.

O pisco está pousado numa haste, olhando diretamente para a câmara (ou para o observador) com uma postura atenta e curiosa.

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O Planalto Nevado: O fundo retrata o Planalto Nordestino coberto por um espesso manto de neve branca e imaculada.

O horizonte é vasto e plano, transmitindo a sensação de isolamento e silêncio.

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A Árvore Solitária: Do lado direito, equilibrando a composição, ergue-se uma árvore grande e despida de folhas.

A sua silhueta negra e ramificada recorta-se nitidamente contra o céu e a neve, enfatizando a nudez do inverno.

Ao fundo, uma linha de árvores escuras marca o limite da paisagem.

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A Atmosfera: O céu azul-acinzentado sugere um dia frio e encoberto.

A imagem joga com o contraste entre o calor da cor da ave e o frio gélido do cenário.

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A Chama Viva no Branco do Planalto – O Pisco e a Neve

No vasto e gelado Planalto Nordestino (Trás-os-Montes), onde o inverno não é apenas uma estação, mas um estado de espírito, a paisagem tende a cair num silêncio monocromático.

A neve cobre os caminhos, as rochas de granito e os campos agrícolas, pintando tudo de branco.

É neste cenário de aparente dormência que surge, como uma pequena chama de esperança, o Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula).

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O Sentinela do Inverno

A fotografia de Mário Silva capta a essência deste contraste.

Enquanto muitas aves migram para sul em busca de calor, o pisco é um residente tenaz (reforçado no inverno por companheiros vindos do norte da Europa).

Ele permanece.

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Com o seu corpo pequeno e arredondado, o pisco desafia as temperaturas negativas da Terra Fria transmontana.

A sua mancha alaranjada no peito funciona visualmente como uma brasa acesa no meio da neve, quebrando a monotonia dos cinzentos e brancos.

Ele é o verdadeiro sentinela do inverno: territorial, corajoso e sempre atento a qualquer movimento na terra que possa revelar alimento.

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A Solidão da Árvore e a Companhia da Ave

A árvore solitária ao fundo da imagem representa a estrutura da paisagem despida.

Sem a folhagem, a árvore dorme, esperando a primavera.

O pisco, porém, não dorme.

Ele traz vida ao cenário estático.

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Conhecido como o "amigo do jardineiro" ou dos lavradores, o pisco tem o hábito de seguir quem trabalha a terra, esperando que a enxada revire o solo para encontrar minhocas.

No planalto nevado, onde a terra está escondida, a sua resiliência é ainda mais notável.

Ele procura abrigo nas sebes e alimenta-se do que a natureza ainda oferece ou da caridade humana.

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Um Símbolo de Natal e de Resistência

Não é por acaso que o pisco-de-peito-ruivo é associado aos postais de Natal.

A sua presença na neve evoca conforto e alegria.

Nesta fotografia, ele é mais do que uma ave bonita; é um símbolo da resistência transmontana.

Tal como as gentes do Nordeste, que se adaptam e vivem em harmonia com a dureza do clima, o pisco enfrenta o frio com o peito erguido, lembrando-nos que a vida pulsa forte mesmo debaixo do manto gelado do inverno.

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Texto & Fotomontagem: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
29
Mar20

Águas Frias (Chaves) - - ... Os Dois Horizontes ...


Mário Silva Mário Silva

 

Os Dois Horizontes

 

Dois horizontes fecham nossa vida:

Águas Frias (Chaves) - ... a porta vermelha ...

... a velha porta vermelha ...

 

        Um horizonte, — a saudade
          Do que não há de voltar;
          Outro horizonte, — a esperança
          Dos tempos que hão de chegar;
          No presente, — sempre escuro,—
          Vive a alma ambiciosa
          Na ilusão voluptuosa
          Do passado e do futuro.

 

Águas Frias (Chaves) - ... o gatito que "fugiu" para o campo para evitar o contacto social com outros gatos ...

... o gatito que "fugiu" para o campo para evitar o contacto social com outros gatos ...

 

         Os doces brincos da infância
          Sob as asas maternais,
          O vôo das andorinhas,
          A onda viva e os rosais;
          O gozo do amor, sonhado
          Num olhar profundo e ardente,
          Tal é na hora presente
          O horizonte do passado.

 

Águas Frias (Chaves) - ... casa na Aldeia (Lampaça) ...... casa na Aldeia (Lampaça) ...

 

          Ou ambição de grandeza
          Que no espírito calou,
          Desejo de amor sincero
          Que o coração não gozou;
          Ou um viver calmo e puro
          À alma convalescente,
          Tal é na hora presente
          O horizonte do futuro.

 

Águas Frias (Chaves) - ... ave colorida (Pisco de peito ruivo - "Erithacus rubecula") de belo canto, alegrando o "silêncio" dos campos ...... ave colorida (Pisco de peito ruivo - "Erithacus rubecula") de belo canto, alegrando o "silêncio" dos campos ...

 

          No breve correr dos dias
          Sob o azul do céu, — tais são
          Limites no mar da vida:
          Saudade ou aspiração;
          Ao nosso espírito ardente,
          Na avidez do bem sonhado,
          Nunca o presente é passado,
          Nunca o futuro é presente.

 

Águas Frias (Chaves) - ... a igreja matriz, mesmo em situação de "quarentena" ladeada de árvores "vestidas" de flores brancas ...... a igreja matriz, mesmo em situação de "quarentena" ladeada de árvores "vestidas" de flores brancas ...

 

          Que cismas, homem? – Perdido
          No mar das recordações,
          Escuto um eco sentido
          Das passadas ilusões.
          Que buscas, homem? – Procuro,
          Através da imensidade,
          Ler a doce realidade
          Das ilusões do futuro.

 

Águas Frias (Chaves) - ... galinhas caseiras ...... galinhas caseiras Vivem alegremente (afinal não é a "gripe aviária") ...

 

Dois horizontes fecham nossa vida.

                                                                                                                    Machado de Assis, in "Crisálidas"

 

 

Até breve !!!!

 

 

 

 

 

 

 

Mário Silva 📷
04
Ago18

Águas Frias (Chaves) - " ... Agosto, dá o sol no rosto ... "


Mário Silva Mário Silva

 

 

" ... Agosto,

dá o sol no rosto ... "

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... pôr do sol por trás do Larouco ...

     ... pôr do sol por trás do Larouco ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... ave canora apanhada em flagrante, em pleno canto ...

     ... ave canora apanhada em flagrante, em pleno canto ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... a rua da Nª Sª dos Prazeres espontaneamente florida ...

     ... a rua da Nª Sª dos Prazeres espontaneamente florida ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... uma casa na Aldeia ...

     ... uma casa na Aldeia ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... vistosa borboleta entre flores de cardos ...

     ... vistosa borboleta entre flores de cardos ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... vista parcial da Aldeia, destacando-se a igreja matriz ...

      ... vista parcial da Aldeia, destacando-se a igreja matriz ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... borboleta em repouso na ponta da planta ...

     ... borboleta em repouso na ponta da planta ...     

 

 

 

 

Até breve !!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mário Silva 📷
19
Mar16

Águas Frias (Chaves) - Palavras transmontanas e não só ... ( letra D)


Mário Silva Mário Silva

 

 

LÉXICO TRANSMONTANO (letra D)

Águas Frias (Chaves) - ...

daimoso - amigo de dar

dar as boas horas - saudar, cumprimentar

dar às de Vila Diogo – fugir

dar com as ventas num sedeiro -desiludir-se, magoar-se

dar conta do recado - ser capaz de fazer bem alguma tarefa

dar de corpo – evacuar, cagar

dar fé - descobrir, aperceber-se

dar fogo - disparar

dar parte - informar, denunciar “foi dar parte dele à Guarda”

dar sumiço - fazer desaparecer

dar um tombo - cair

debiqueiro - enfastiado

Águas Frias (Chaves) - ...

de corpo bem feito - pouco agasalhado “com o frio que está, e tu de corpo bem feito?”

decrua - primeira lavra

deitar a fugir - pôr-se a correr

deixa - herança “fez-lhe a deixa antes de morrer”

de monca caída - triste, abatido

de orelha fita - de ouvido atento

de reda-cú - a recuar

derrear - cansar, vergar, dobrar

derruir – derrubar, “estas paredes estão derruídas”

desapondoar - processo de queda da flor e surgimento dos grãos do centeio

desatinar - perder o juízo, agir sem contrôlo

desaustinado - descontrolado, sem tino

 

Águas Frias (Chaves) - ...

descerrar os dentes - abrir a boca para falar ou comer

desconchavado – desajeitado, desarticulado

desembaraço - destreza, agilidade

desinçar - catar, libertar de parasitas

desinfarnação - queda da flor das vinhas e árvores de fruto e surgimento dos frutos

desmancha - separação das diferentes partes do porco

desmancho - aborto

desobriga (confesso)- obrigação religiosa da confissão antes da Páscoa

despiques - satisfações

de portas a dentro - dentro de casa, na intimidade do lar “cá fora mando eu, mas de portas a dentro é ela quem dá ordens”

desprecatado - descuidado, desprevenido

destemido - corajoso

Águas Frias (Chaves) - ...

destravar a língua - quebrar o silêncio e falar

destravar os dentes - comer depois de algum tempo em jejum “ainda hoje não destravei os dentes”

detrás - depois, atrasado “quem detrás vier, comerá do que trouxer”

dia de pica-boi - dia de muito trabalho

ditagio - ditado popular

dizeres - palavras escritas “encontrou uma pedra com uns dizeres”

do céu te venha o remédio - não tens alternativa

dolmar - dobrar, vergar

domingo Gordo - último domingo antes do Entrudo

dreito – direcção, “vai sempre a dreito, não tem que enganar”, “fica logo ò dreito da capela”

 

 

Créditos: Herculano Pombo in “Treze contos do mundo que acabou/Léxico-Glossário Transmontano”, publicado

In: http://chaves.blogs.sapo.pt/717749.html

 

Águas Frias (Chaves) - ...

 

 

Até breve ... com palavras começadas pela letra E.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mário Silva 📷
10
Out15

Águas Frias (Chaves) - ... diversidades ... unanimidade: Águas Frias


Mário Silva Mário Silva

 

 

Diversidade ...versos unanimidade: Águas Frias

 

 

 

 Aqui vou deixando uma diversidade de fotos, da diversidade que constitui a Natureza, os Povos, os costumes, ...

Afinal, por muito que o Homem tente uniformizar, confronta-se com a diversidade.

Ainda bem que assim é ...

Cada Pessoa é diferente de outra Pessoa - até os gémeos têm as suas diversidades.

Cada lugar é diferente de outro e diverso ao longo do tempo ou de quem o observa ...

Cada ser vivo (planta ou animal é diferente de outro) mesmo sendo da mesma família ...

Em tudo há diversidade e unanimidade no seu geral ...

 

Agora vou apresentar uma diversidade de momentos que têm como unanimidade: Águas Frias

 

DSC01720ms.JPG

 

             Tudo são cabaças ou abóboras ... mas ... será que há alguma igual a outra?!!!!   

 

 

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     ... velha vide ... mas não deixa de ser uma vide que já foi nova e viçosa ...    

 

 

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     ... paisagem com o Larouco ao fundo, mas ainda no dia anterior  o dia estava limpo, sem névoa ...    

 

 

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      ... a pereira, as fragas e a Aldeia ... tudo se manteve, mas há 6 meses atrás não havia maçãs ...     

 

 

DSC02010ms.JPG

     ... ainda me lembro deste mesmo lugar com o chão verdejante ...    

 

 

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     ... a diversidades de cores cada vez mais frias caraterizando o tempo outonal ...     

 

 

DSC02074ms.JPG

    ... é  uma simples ave, um pisco de peito ruivo,  no meio de uma imensa diversidade de aves ...    

 

Mesmo na unanimidade encontramos a diversidade e, é nela que encontramos o explendor de novas realidades, simples observações, que divergem conforme quem e quando as observamos, refletimos e agimos.

 

Até breve com mais diversas observações da mesma realidade ... Águas Frias.

 

 

 

 

 

 

 

Mário Silva 📷

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