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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

09
Fev26

"Inverno e a misteriosa névoa" – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Inverno e a misteriosa névoa"

Mário Silva

09Fev s2w7sus2w7sus2w7_ms.jpg

A fotografia de Mário Silva transporta-nos para uma atmosfera de quietude e introspeção, típica das paisagens de inverno em Portugal.

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A foto de Mário Silva apresenta uma paisagem natural banhada pela luz suave e difusa de um dia de inverno.

No centro da composição, um pequeno curso de água ou lago reflete a claridade do céu, servindo de ponto focal entre as margens verdejantes.

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À esquerda, destaca-se uma árvore de ramos intrincados e despidos, cujas linhas castanhas contrastam com o verde vivo da erva húmida em primeiro plano.

À direita, árvores mais jovens e esguias emolduram a cena.

O elemento mais marcante é a névoa densa que surge ao fundo, envolvendo o resto da paisagem — um prado ascendente e árvores distantes — num véu branco e impenetrável, conferindo à imagem uma profundidade etérea e um silêncio visual profundo.

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O Hálito da Terra: Reflexões sobre o Inverno e a Névoa

O inverno não é apenas uma estação de privação; é, na sua essência, um estado de espera e mistério.

Na obra de Mário Silva, "Inverno e a misteriosa névoa", somos convidados a entrar num mundo onde a realidade se funde com o sonho através do fumo branco que emana do solo.

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O Véu do Invisível

A névoa nesta fotografia atua como uma fronteira entre o que conhecemos e o que apenas podemos imaginar.

Ela não apaga a paisagem; antes, protege-a.

Sob o seu manto, a natureza descansa, escondendo os seus segredos dos olhares apressados.

É o "hálito da terra" que sobe para o céu, transformando um campo comum num cenário de lenda.

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A Melancolia Vital

Há uma beleza crua nos ramos despidos que se estendem para a água.

Eles representam a vulnerabilidade do inverno, a honestidade de uma árvore que nada tem a esconder.

No entanto, o verde vibrante da erva recorda-nos que, sob o frio e a humidade, a vida pulsa com uma força silenciosa.

A água, estática e espelhada, parece guardar a memória da luz que o nevoeiro tenta dissipar.

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O Convite ao Silêncio

Contemplar esta imagem é ouvir o silêncio.

A "misteriosa névoa" de Mário Silva obriga o observador a abrandar.

Num mundo de ruído constante, o inverno oferece-nos esta pausa sagrada.

É um convite para olharmos para dentro, para as nossas próprias "névoas" interiores, aceitando que nem tudo na vida precisa de ser nítido para ser belo.

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O mistério não reside naquilo que falta, mas na promessa do que está lá, apenas à espera que o sol da primavera o venha desvelar.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
02
Fev26

“A Lampaça numa manhã de geada” – Águas Frias – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“A Lampaça numa manhã de geada”

Águas Frias – Chaves – Portugal

02Fev A Lampaça numa manhã de geada_ms.jpg

Esta fotografia de Mário Silva é um retrato fiel da alma transmontana no inverno.

Capta não apenas uma paisagem, mas um estado de espírito típico da região de Chaves.

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A imagem apresenta uma vista panorâmica da Lampaça, na freguesia de Águas Frias, mergulhada num cenário invernal rigoroso.

A composição divide-se em três planos distintos:

O Primeiro Plano: Revela a vida quotidiana da aldeia, com habitações de telhados alaranjados que contrastam suavemente com o cinzento da manhã.

Os campos em redor já mostram o tom esbranquiçado da terra gelada.

O Plano Médio: É dominado por uma densa massa arbórea totalmente coberta por uma camada espessa de geada ou sincelo, criando um efeito visual de "floresta de cristal".

O Plano de Fundo: Um céu pesado e carregado de nevoeiro baixo (as "nuvens de geada") que paira sobre a montanha, comprimindo a paisagem e acentuando a sensação de isolamento e frio cortante.

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A paleta de cores é fria e melancólica, dominada por tons de cinza, branco e o verde escuro das persistentes árvores resinosas, transmitindo com perfeição o silêncio de uma manhã em que a temperatura desceu abaixo de zero.

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O Fenómeno da Geada: Onde a Humidade se Transforma em Arte

O título da fotografia, "A Lampaça numa manhã de geada", remete-nos para um dos fenómenos mais característicos do Nordeste Transmontano.

Em regiões como Chaves, a geada não é apenas um detalhe meteorológico; é um elemento moldador da agricultura e da paisagem.

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O Que é a Geada e Como se Forma?

Contrariamente ao que muitos pensam, a geada não é neve que caiu.

É um processo de deposição direta:

Arrefecimento Noturno: Durante a noite, o solo e as plantas perdem calor rapidamente, especialmente em noites de céu limpo.

Ponto de Congelação: Quando a temperatura da superfície desce abaixo dos 0°C, a humidade do ar que entra em contacto com essas superfícies não condensa em líquido (orvalho), mas passa diretamente do estado gasoso ao sólido.

Este processo chama-se sublimação inversa.

Inversão Térmica: Em vales como os da região de Chaves, o ar frio (mais denso) desce e acumula-se nos pontos mais baixos, tornando as manhãs em locais como Lampaça e Águas Frias particularmente propícias a este "manto branco".

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O "Sincelo": O Grau Seguinte da Geada

Na fotografia de Mário Silva, as árvores ao fundo aparecem tão brancas que podemos estar perante o fenómeno do sincelo.

Este ocorre quando existe nevoeiro (pequenas gotas de água em suspensão) com temperaturas negativas.

As gotículas, ao chocarem com os ramos das árvores, congelam instantaneamente, criando estruturas de gelo mais volumosas e dramáticas do que a geada comum.

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Impacto na Região

Para os habitantes de Águas Frias, a geada é um sinal de "limpeza" do ar e da terra, embora exija cuidados redobrados com as culturas.

Visualmente, como demonstra a fotografia, ela transforma a paisagem rural numa obra de arte efémera, onde cada folha e cada ramo são contornados por minúsculos cristais de gelo que brilham à primeira luz do dia.

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Nota Curiosa: O termo popular "nove meses de inverno e três de inferno", frequentemente aplicado a Trás-os-Montes, ganha toda a sua expressão visual em fotografias como esta, onde o rigor do clima define a beleza do território.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
10
Jan26

"Tanta vinha abandonada ... mas há sempre alguém resiliente ... e faz crescer uma nova" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Tanta vinha abandonada ...

mas há sempre alguém resiliente ...

e faz crescer uma nova"

Mário Silva

10Jan DSC03487_ms.JPG

Esta é uma imagem que evoca a melancolia do mundo rural português, mas que, através do olhar de Mário Silva e do título escolhido, transforma-se numa narrativa de esperança.

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A fotografia "Tanta vinha abandonada ... mas há sempre alguém resiliente ... e faz crescer uma nova" transporta-nos para uma encosta marcada pela geometria das estacas de suporte, que se estendem como sentinelas de um tempo passado.

A luz quente do entardecer banha o terreno árido e as videiras despidas, conferindo um tom dourado e nostálgico à paisagem.

Ao fundo, no topo da colina, destaca-se uma imponente formação granítica — um "pousio" de rocha — que parece observar a passagem das gerações.

A imagem capta o contraste entre o aparente abandono da terra e a força silenciosa da natureza e do esforço humano que teima em recomeçar.

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A Resiliência da Terra — O Renascer entre as Cinzas do Abandono

O interior de Portugal é um cenário de contrastes profundos, onde a beleza da paisagem muitas vezes esconde a ferida aberta da desertificação humana.

A fotografia de Mário Silva confronta-nos com uma realidade visual gritante: as vinhas abandonadas.

Aquelas estacas, outrora orgulhosas e carregadas de fruto, surgem agora como esqueletos de uma economia e de um modo de vida que muitos acreditam estar em declínio.

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O Ciclo do Esquecimento

O abandono de uma vinha não é apenas a perda de uma cultura agrícola; é o desvanecer de uma herança.

Cada videira arrancada ou deixada ao abandono representa braços que partiram para a cidade ou para o estrangeiro, e mãos envelhecidas que já não conseguem sustentar a tesoura de poda.

É o silêncio que ocupa o lugar das vozes das vindimas.

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A Figura do Resiliente

Contudo, o título da obra aponta para o elemento que mantém o mundo rural vivo: a resiliência.

No meio de hectares de desolação, há sempre alguém — o herdeiro apaixonado, o jovem que regressa às origens, ou o resistente que nunca saiu — que decide que o ciclo não termina ali.

Fazer crescer uma vinha nova num terreno rodeado de abandono é um ato de coragem, quase de rebeldia. Exige:

Paciência: Para preparar a terra exausta.

Fé: No clima e no mercado, tantas vezes madrastos.

Visão: Para ver o vinho futuro onde outros apenas veem silvados e esquecimento.

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O Futuro que Brota do Granito

Tal como as rochas graníticas que pontuam a paisagem da fotografia — imutáveis e sólidas — a vontade humana de cultivar e produzir é um pilar da nossa identidade.

A "nova vinha" mencionada por Mário Silva é mais do que agricultura; é um sinal de que, enquanto houver alguém disposto a cuidar da terra, a paisagem nunca estará verdadeiramente morta.

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A resiliência é o adubo mais forte.

É ela que garante que, por cada encosta esquecida, haverá um novo rebento verde a desafiar o cinzento do tempo, provando que a vida, tal como o bom vinho, tem a capacidade de se renovar e de surpreender quem sabe esperar por ela.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
08
Jan26

"O fumo que sai da chaminé do chupão" – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"O fumo que sai da chaminé do chupão"

Mário Silva

08Jan DSC03475_ms.JPG

Esta fotografia de Mário Silva é uma ode à vida rural e ao aconchego do lar nas regiões mais frias de Portugal.

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A fotografia "O fumo que sai da chaminé do chupão" capta uma paisagem de uma beleza nostálgica e etérea.

Em primeiro plano, vemos tons outonais de castanho e oiro na vegetação rasteira.

No vale, aninhada entre árvores de folha caduca, destaca-se uma pequena casa branca de onde emana uma coluna de fumo branco e denso.

A neblina ou a luz difusa do sol de inverno envolve toda a encosta, criando uma atmosfera de mistério.

No ponto mais alto da composição, recortado contra um céu pálido, surge a silhueta imponente de um castelo (de Monforte de Rio Livre), que observa silenciosamente a vida que palpita no vale através daquele fumo que sobe.

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O Fumo que Sai da Chaminé do Chupão — O Coração da Casa

Há sinais que, na paisagem rural portuguesa, valem mais do que mil palavras.

O fumo branco que se eleva de uma chaminé, num dia de inverno, é o mais eloquente de todos.

Na obra de Mário Silva, esse fumo não é apenas um detalhe visual; é a prova de vida, de calor e de resistência humana frente à imensidão da montanha e à História gravada nas pedras do castelo ao fundo.

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O Que é o "Chupão"?

Para quem conhece a arquitetura tradicional do interior de Portugal, o termo "chupão" evoca memórias muito específicas.

Refere-se às grandes chaminés de base larga, típicas das casas de pedra, que se abrem sobre a lareira.

É uma estrutura feita para "chupar" o fumo de um fogo que raramente se apaga durante os meses de frio.

No chupão, o fogo serve para cozinhar, para aquecer o corpo e, muitas vezes, para curar o fumeiro que alimentará a família durante o ano.

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O Contraste entre o Poder e o Quotidiano

A composição desta fotografia estabelece um diálogo fascinante:

O Castelo: No topo, o símbolo do poder, da guerra e da história antiga.

É estático, frio e monumental.

O Chupão: No vale, o símbolo do quotidiano, do conforto e da sobrevivência.

O fumo é dinâmico, efémero e quente.

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Enquanto o castelo nos fala de um tempo de reis e conquistas, o fumo da chaminé fala-nos do aqui e do agora.

Diz-nos que alguém acabou de colocar uma acha de carvalho no fogo; que talvez haja uma panela de ferro ao lume com um caldo verde ou um cozido; que a vida continua, simples e resiliente, aos pés da grande montanha.

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O Fumo como Sinal de Hospitalidade

Em Trás-os-Montes, ver fumo a sair de uma chaminé é um convite implícito à humanidade.

Representa o aconchego.

Num cenário onde a natureza pode ser agreste e o isolamento é uma realidade, aquela coluna branca é um farol.

É o "calor do lar" tornado visível.

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Mário Silva, ao escolher este título e este ângulo, convida-nos a valorizar o pequeno e o íntimo.

O fumo que sai do chupão é a alma da casa a respirar.

É o elo de ligação entre a terra e o céu, lembrando-nos que, mesmo sob a sombra de castelos milenares, a maior vitória humana é, muitas vezes, manter o lume aceso e a casa quente.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
07
Jan26

"O Ocaso" e um soneto - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"O Ocaso"

e um soneto

Mário Silva

07Jan DSC03504_ms.JPG

A fotografia "O Ocaso", de Mário Silva, apresenta uma paisagem crepuscular onde o horizonte é dominado por uma gradação vibrante de laranjas e amarelos.

No lado esquerdo, destaca-se a silhueta negra e detalhada de uma árvore despida, cujos ramos parecem tentar tocar o sol que se põe.

O primeiro plano é composto por sombras densas e terrenos irregulares, criando um contraste profundo que acentua a luminosidade do céu e a atmosfera de tranquilidade e despedida do dia.

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                      O  Ocaso

 

O sol mergulha, em fogo, no horizonte,

Tingindo o céu de oiro e de escarlate.

No peito, o dia trava o seu combate,

E a luz desce, submissa, sobre o monte.

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Eis que a árvore, em silhueta, se defronte,

Ao brilho que, no ocaso, se debate,

Num último e sereno xeque-mate,

Bebendo a cor na derradeira fonte.

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As sombras crescem, mansas, pelo chão,

A terra envolve-se em manto de veludo,

No fim de um ciclo, em plena solidão.

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Fica o silêncio, imenso e quase mudo,

Guardando a luz na palma da sua mão,

Neste instante em que o nada se faz tudo.

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Texto, Soneto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
31
Dez25

"A Aldeia preparada para receber o Novo Ano" (2026) - Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"A Aldeia preparada para receber o Novo Ano" (2026)

Águas Frias – Chaves - Portugal

31Dez Gemini_Generated_Image_gganszgganszggan_ms.j

Nesta composição noturna, Mário Silva capta a essência mágica da aldeia de Águas Frias, no concelho de Chaves, sob o manto gélido de um inverno transmontano.

A imagem apresenta uma vista aérea onde a paisagem rural, coberta por um ténue manto de geada azulada, contrasta vibrantemente com o calor das luzes artificiais.

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A característica dominante da fotografia é a iluminação festiva: os contornos dos telhados, beirais e fachadas das casas foram meticulosamente desenhados com cordões de luz dourada.

Este efeito transforma a aldeia num verdadeiro "presépio vivo" à escala real, destacando a arquitetura tradicional e o aglomerado acolhedor das habitações no meio dos campos agrícolas e vinhas despidas pelo inverno.

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É visível o fumo a sair de uma chaminé, sugerindo o conforto das lareiras acesas no interior, enquanto a aldeia brilha como uma joia na escuridão, pronta para a contagem decrescente para 2026.

A atmosfera transmite paz, união comunitária e uma esperança luminosa no ano que se avizinha.

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A Noite em que as Estrelas Desceram à Terra

Era o fim da tarde de 31 de dezembro de 2025.

Em Águas Frias, o nome da terra fazia jus à temperatura que se sentia na pele.

O frio de Chaves cortava o ar, e a geada já começava a pintar de branco as vinhas e os caminhos de terra batida.

Mas, naquele dia, ninguém se importava com o frio.

Havia um segredo partilhado por todos os habitantes, uma conspiração de alegria que tinha começado meses antes.

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— "Este ano, o fogo de artifício não vai ser no céu," tinha dito o Sr. Teotónio, o habitante mais velho da rua principal, numa reunião no café da aldeia em outubro.

— "Este ano, a luz vem das nossas casas."

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E assim foi.

Durante semanas, escadotes foram montados, fios desenrolados e vizinhos ajudaram vizinhos.

A ideia era simples, mas audaz: desenhar a aldeia na escuridão.

Cada telhado, cada alpendre, cada muro de pedra seria contornado por luz.

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Quando o sol se pôs e o azul-escuro da noite tomou conta do vale, Águas Frias parecia adormecida.

As janelas estavam fechadas, retendo o calor das lareiras onde se assavam as chouriças e se preparava o bacalhau.

O silêncio reinava, apenas quebrado pelo som do vento nas árvores despidas.

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Às onze horas e cinquenta e nove minutos, o sino da igreja tocou.

Não era a badalada da meia-noite, era o sinal.

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Como se fosse coreografado por magia, um a um, os interruptores de dezenas de casas foram ligados.

De repente, a escuridão foi rasgada.

Do alto do monte, quem olhasse para baixo não via apenas uma aldeia; via uma constelação dourada que parecia ter aterrado suavemente na terra.

As luzes contornavam a geometria perfeita dos telhados, criando um labirinto brilhante que aquecia a alma só de olhar.

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O fumo das chaminés subia agora iluminado pelo brilho dourado, como incenso numa catedral a céu aberto.

As portas abriram-se e as pessoas saíram à rua, agasalhadas, com copos de espumante e jeropiga na mão.

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"Feliz 2026!" — gritavam, abraçando-se sob a luz que eles próprios tinham criado.

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Naquele momento, em Águas Frias, a noite não era escura nem fria.

Era dourada, quente e cheia de promessas.

A aldeia não precisou de olhar para o céu para ver magia; a magia estava ali, nas linhas de luz que uniam a casa do João à da Maria, a do Sr. António à escola primária.

Tinham transformado a sua terra na imagem mais bonita de Portugal, provando que, quando uma comunidade se une, até a noite mais longa pode brilhar.

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Texto e Fotografia (editada): ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
26
Dez25

"E ... depois do Natal?"


Mário Silva Mário Silva

"E ... depois do Natal?"

26Dez Gemini_Generated_Image_5jn9lj5jn9lj5jn9_ms.j

A fotografia de Mário Silva é uma paisagem florestal serena e simétrica, captada ao nível do solo, que retrata a quietude de uma alameda de árvores no inverno.

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A Geometria Natural: O olhar é conduzido por filas paralelas de árvores altas e esguias, despidas de folhagem, que criam um corredor visual profundo em direção a um horizonte enevoado.

A casca das árvores apresenta tons de cinzento e verde-musgo, salpicados de branco.

O Chão Misto: O solo é um tapete complexo de texturas: há folhas castanhas e secas (vestígios do outono), erva verde a espreitar e uma camada fina de neve ou geada que cobre parcialmente a terra.

A Atmosfera: A luz é difusa e branca, típica de um céu encoberto.

A imagem transmite uma sensação de vazio, silêncio e frescura, como se a natureza estivesse num momento de pausa profunda.

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O Vazio Necessário – A Ressaca Emocional do Dia 26

O título da fotografia, "E ... depois do Natal?", coloca uma questão que paira, pesada e inevitável, sobre todos nós assim que se apagam as luzes da consoada.

A imagem de Mário Silva, com a sua floresta despida e silenciosa, é a resposta visual perfeita para esse estado de espírito coletivo: é o retrato da ressaca emocional.

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O Despir da Festa

Até ao dia 25, vivemos num crescendo de luzes, cores, excessos alimentares e ruído social.

Decoramos as nossas casas como árvores de Natal carregadas.

Mas, tal como as árvores na fotografia, chega o momento em que os enfeites caem.

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"E ... depois do Natal?" é o confronto com a realidade nua.

A fotografia mostra-nos um mundo sem artifícios.

As árvores estão lá, verticais e dignas, mas sem a folhagem que as embeleza.

É uma metáfora crítica para a nossa sociedade: somos capazes de suportar o silêncio e a simplicidade depois de tanta estimulação consumista?

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O Chão da Realidade

O chão da imagem é particularmente simbólico.

Vemos as folhas mortas (o que passou), a erva (a esperança) e a neve (o frio da realidade).

Depois do Natal, resta-nos o chão.

Acabam-se os voos de fantasia, as promessas de "magia" vendidas nos anúncios, e regressamos à terra fria e húmida da rotina.

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Há uma certa melancolia neste regresso.

Sentimos um vazio, uma espécie de solidão que se instala quando a família parte e os papéis de embrulho vão para o lixo.

A paisagem de Mário Silva capta esse isolamento.

Não há vivalma na floresta; apenas o caminho que temos de percorrer sozinhos.

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A Beleza do Silêncio

Contudo, a crítica não é apenas negativa.

Há uma beleza purificadora nesta imagem.

A neve que cai sobre as folhas secas atua como um bálsamo.

O "depois do Natal" é também o tempo necessário para respirar.

É o momento em que a natureza (e nós) recupera o fôlego.

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A fotografia ensina-nos que não podemos viver em festa perpétua.

O inverno, o frio e o silêncio são essenciais para o equilíbrio.

A resposta à pergunta "E ... depois do Natal?" é simples: depois do Natal, vem a paz do essencial, despida de adornos, crua e bela como esta floresta gelada.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
23
Dez25

"O castelo de Monforte de Rio Livre, esperando o Natal, sobre um manto branco"


Mário Silva Mário Silva

"O castelo de Monforte de Rio Livre,

esperando o Natal,

sobre um manto branco"

23Dez 2i6he72i6he72i6h_ms.jpg

A fotografia de Mário Silva é uma paisagem de inverno majestosa, que retrata as ruínas históricas do Castelo de Monforte de Rio Livre (em Chaves) completamente dominadas pela neve.

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O Castelo: No topo de uma colina elevada, destaca-se a silhueta da Torre de Menagem quadrangular e de alguns panos de muralha em ruínas.

A pedra escura e antiga contrasta subtilmente com o branco que a rodeia, mantendo a sua postura de sentinela solitária.

O Manto Branco: Toda a paisagem está submersa num manto de neve espesso e uniforme.

As árvores e arbustos que cobrem a encosta até ao castelo estão "petrificados" pelo gelo e pela neve, assemelhando-se a corais brancos ou a uma floresta de cristal.

A Atmosfera: O fundo da imagem é preenchido por montanhas distantes, esbatidas pela neblina e pela queda de neve, criando uma profundidade atmosférica em tons de azul-pálido e cinzento.

A cena transmite frio extremo, silêncio absoluto e uma beleza intemporal.

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O Sentinela de Gelo – Monforte de Rio Livre no Natal Branco

A imagem do Castelo de Monforte de Rio Livre coberto de neve, a poucos dias do Natal, é mais do que um postal de inverno; é um retrato da alma histórica e geográfica da Terra Fria Transmontana.

Neste cenário, onde a história se encontra com a meteorologia, o castelo deixa de ser uma ruína militar para se tornar um monumento à paciência e à resistência.

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A Solidão da História

O castelo, situado num ponto estratégico entre Chaves e Verín, na aldeia de Águas Frias, foi em tempos um bastião de defesa fronteiriça.

Hoje, abandonado e em ruínas, a sua Torre de Menagem ergue-se como o único guardião de uma memória antiga.

Sob o "manto branco", a sua solidão é amplificada.

A neve apaga os caminhos modernos, esconde a vegetação e uniformiza a paisagem, devolvendo ao castelo a sua pureza original.

Ele parece flutuar sobre a colina, intocado pelo tempo, "esperando o Natal" num silêncio monástico que convida à reflexão.

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A Beleza Cruel do Inverno

A fotografia capta a beleza extrema do inverno transmontano, mas não esconde a sua dureza.

As árvores cobertas de neve mostram a severidade das condições climáticas que moldaram esta região e as suas gentes.

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A beleza é fria, quase cortante.

O branco domina tudo, criando um cenário de conto de fadas gótico, onde a natureza reclama a pedra para si.

O castelo, resistindo ao peso da neve e ao vento gélido da serra, simboliza a tenacidade de quem vive nestas terras altas.

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A Espera do Natal

O título sugere uma personificação poética: o castelo está "à espera do Natal".

Nesta época de luz e calor humano, a imagem de uma fortaleza fria e isolada pode parecer contraditória.

No entanto, o Natal é também tempo de paz e silêncio.

E não há paz maior do que a de uma montanha coberta de neve, onde o ruído do mundo não chega.

Monforte de Rio Livre, vestido de branco, oferece-nos o verdadeiro espírito do Natal na natureza: uma quietude sagrada e uma beleza que, tal como a história que ele guarda, resiste a todas as tempestades.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
22
Dez25

"A misteriosa névoa" (Águas Frias - Chaves - Portugal)


Mário Silva Mário Silva

"A misteriosa névoa"

(Águas Frias - Chaves - Portugal)

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A fotografia de Mário Silva é uma representação atmosférica e minimalista da paisagem transmontana sob condições climáticas de inverno rigoroso.

A imagem é quase inteiramente dominada pelo efeito dramático da névoa densa e profunda.

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O Caminho: Um caminho rural de terra batida ou estrada secundária estabelece uma forte linha de fuga a partir do primeiro plano.

O caminho avança, mas o seu destino é incerto, pois se dissolve visualmente na massa branca da névoa que preenche todo o fundo.

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O Contraste: O lado direito da imagem é definido por uma sebe densa de arbustos ou vegetação de baixo porte, que se apresenta em tons de castanho e negro.

Esta linha escura funciona como uma âncora visual, contrastando vivamente com o branco-leitoso da bruma e impedindo que a imagem se dissolva totalmente no vazio.

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A Atmosfera: A ausência de horizonte e de formas distantes cria uma poderosa sensação de isolamento, silêncio e mistério.

A luz é difusa, mas suficiente para dar textura à névoa, que parece espessa e fria, confirmando a dureza da Terra Fria de Chaves.

 

A Misteriosa Névoa – O Véu da Incerteza em Águas Frias

Em Águas Frias, o topónimo é uma garantia de inverno rigoroso, e a névoa, mais do que um fenómeno meteorológico, é uma presença viva que define a paisagem e o estado de espírito.

A fotografia de Mário Silva, "A misteriosa névoa", não é apenas um registo do tempo, mas uma meditação sobre a incerteza e a beleza do que está oculto.

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A Estratégia do Esconderijo

A névoa tem a capacidade de despir a paisagem de tudo o que é supérfluo: o horizonte, as cores saturadas e a perspetiva.

Ao fazê-lo, força o observador a concentrar-se no imediato e no essencial.

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O caminho, que nas estações luminosas nos promete um destino e uma continuidade, dissolve-se aqui no branco.

Este limite visual é o cerne do mistério.

Onde leva a estrada?

O que está escondido no véu?

A névoa transforma o familiar em desconhecido, convidando-nos à introspeção típica do período do Solstício, quando a luz é escassa e o mundo se recolhe.

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O Enigma Transmontano

A presença da sebe escura na margem do caminho é crucial. Ela é a única certeza tátil e visual na imensidão branca.

Simboliza a resiliência da natureza transmontana, que se agarra à terra e resiste ao frio cortante.

É o único guia, a única linha divisória entre o campo e o caminho que permanece visível.

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A névoa em Águas Frias não é passageira; ela é a névoa que traz o orvalho gelado, aquela humidade persistente que penetra nos ossos.

Ela isola a aldeia do resto do mundo, reforçando o sentido de comunidade e de autossuficiência da Terra Fria.

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A fotografia é uma obra de arte sobre o silêncio.

O silêncio que se obtém quando o mundo se cala e só resta o caminho, a sebe, e o grande e misterioso branco.

É uma imagem que celebra a força do que não se vê, onde a beleza reside precisamente na ausência de resposta para a pergunta: "O que virá a seguir?".

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
19
Dez25

"Outono! ... ou já será inverno?"


Mário Silva Mário Silva

"Outono! ... ou já será inverno?"

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A fotografia de Mário Silva, apresenta uma paisagem atmosférica dominada por tons de sépia, bronze e castanho, que evocam uma forte sensação de nostalgia e transição.

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As Silhuetas: O enquadramento é definido pelas silhuetas escuras de árvores despidas, cujos ramos finos e intrincados se estendem como veias contra o céu.

A ausência de folhas é quase total, restando apenas alguns vestígios secos nas pontas, sinalizando o final do ciclo vegetativo.

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O Céu Dramático: O fundo é preenchido por um céu nublado e texturado.

Existe uma abertura nas nuvens por onde se filtra uma luz difusa e pálida (talvez de um sol baixo de inverno), criando um ponto focal luminoso que contrasta com o negrume dos ramos e da encosta.

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A Paisagem: Na base da imagem, recorta-se o perfil escuro de uma colina ou montanha, com vegetação rasteira, sugerindo um terreno agreste e em repouso.

A imagem transmite frio, silêncio e a quietude que antecede o solstício.

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O Limiar do Solstício – A Indefinição Dourada de Dezembro

A questão lançada pelo título da fotografia, "Outono! ... ou já será inverno?", captada num dia 19 de dezembro, toca no ponto nevrálgico do nosso calendário natural.

Estamos na "terra de ninguém" temporal, naquele hiato suspenso entre a definição astronómica e a realidade visual.

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A Ilusão do Calendário

Oficialmente, a 19 de dezembro, o Outono ainda reina.

O Solstício de Inverno, o dia mais curto do ano que marca a entrada oficial na nova estação, ocorre habitualmente a 21 ou 22 de dezembro.

No entanto, a fotografia de Mário Silva prova que a natureza não obedece a datas marcadas no papel.

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Visualmente, a paisagem já se rendeu ao Inverno.

As árvores, esqueletos elegantes desenhados a tinta da china contra o céu, já se despiram das cores quentes de outubro e novembro.

Já não há o fogo das folhas vermelhas; há apenas a estrutura nua da madeira, preparada para resistir às geadas e ventos que se avizinham.

O "Outono" da colheita e da abundância já partiu; o que resta é a sua sombra.

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A Cor da Saudade

O uso do tom sépia ou monocromático quente na fotografia acentua esta ambiguidade.

Não é o cinzento frio e azulado do inverno profundo, nem o laranja vibrante do outono pleno.

É uma cor de memória, uma cor de terra adormecida.

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A luz que rompe as nuvens é tímida, típica dos dias em que o sol caminha baixo no horizonte.

Esta luz ilumina uma natureza que está em pausa, em suspenso, aguardando o renascimento que só virá meses mais tarde.

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A Resposta da Natureza

Então, é Outono ou Inverno?

A fotografia responde-nos que é um momento de fronteira.

É o adeus arrastado de uma estação que se desvanece e a chegada silenciosa de outra que se impõe.

Em Trás-os-Montes e no interior norte, a 19 de dezembro, o frio já dita a lei.

O calendário pode dizer "Outono", mas a terra, as árvores e o céu da fotografia de Mário Silva sussurram, inequivocamente, que o espírito do Inverno já tomou o seu trono.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
17
Dez25

"Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) no planalto nordestino, nevado"


Mário Silva Mário Silva

"Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula)

no planalto nordestino, nevado"

17Dez DSC00140-fotor-20251126185613_ms.jpg

A fotomontagem de Mário Silva é uma composição artística que justapõe o detalhe de uma ave icónica com a vastidão de uma paisagem de inverno.

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O Pisco-de-peito-ruivo: Em primeiro plano, do lado esquerdo, destaca-se um Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula).

A ave exibe a sua característica mais marcante: a mancha alaranjada vibrante no peito e na face, que contrasta com a plumagem castanha do dorso e o ventre claro.

O pisco está pousado numa haste, olhando diretamente para a câmara (ou para o observador) com uma postura atenta e curiosa.

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O Planalto Nevado: O fundo retrata o Planalto Nordestino coberto por um espesso manto de neve branca e imaculada.

O horizonte é vasto e plano, transmitindo a sensação de isolamento e silêncio.

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A Árvore Solitária: Do lado direito, equilibrando a composição, ergue-se uma árvore grande e despida de folhas.

A sua silhueta negra e ramificada recorta-se nitidamente contra o céu e a neve, enfatizando a nudez do inverno.

Ao fundo, uma linha de árvores escuras marca o limite da paisagem.

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A Atmosfera: O céu azul-acinzentado sugere um dia frio e encoberto.

A imagem joga com o contraste entre o calor da cor da ave e o frio gélido do cenário.

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A Chama Viva no Branco do Planalto – O Pisco e a Neve

No vasto e gelado Planalto Nordestino (Trás-os-Montes), onde o inverno não é apenas uma estação, mas um estado de espírito, a paisagem tende a cair num silêncio monocromático.

A neve cobre os caminhos, as rochas de granito e os campos agrícolas, pintando tudo de branco.

É neste cenário de aparente dormência que surge, como uma pequena chama de esperança, o Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula).

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O Sentinela do Inverno

A fotografia de Mário Silva capta a essência deste contraste.

Enquanto muitas aves migram para sul em busca de calor, o pisco é um residente tenaz (reforçado no inverno por companheiros vindos do norte da Europa).

Ele permanece.

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Com o seu corpo pequeno e arredondado, o pisco desafia as temperaturas negativas da Terra Fria transmontana.

A sua mancha alaranjada no peito funciona visualmente como uma brasa acesa no meio da neve, quebrando a monotonia dos cinzentos e brancos.

Ele é o verdadeiro sentinela do inverno: territorial, corajoso e sempre atento a qualquer movimento na terra que possa revelar alimento.

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A Solidão da Árvore e a Companhia da Ave

A árvore solitária ao fundo da imagem representa a estrutura da paisagem despida.

Sem a folhagem, a árvore dorme, esperando a primavera.

O pisco, porém, não dorme.

Ele traz vida ao cenário estático.

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Conhecido como o "amigo do jardineiro" ou dos lavradores, o pisco tem o hábito de seguir quem trabalha a terra, esperando que a enxada revire o solo para encontrar minhocas.

No planalto nevado, onde a terra está escondida, a sua resiliência é ainda mais notável.

Ele procura abrigo nas sebes e alimenta-se do que a natureza ainda oferece ou da caridade humana.

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Um Símbolo de Natal e de Resistência

Não é por acaso que o pisco-de-peito-ruivo é associado aos postais de Natal.

A sua presença na neve evoca conforto e alegria.

Nesta fotografia, ele é mais do que uma ave bonita; é um símbolo da resistência transmontana.

Tal como as gentes do Nordeste, que se adaptam e vivem em harmonia com a dureza do clima, o pisco enfrenta o frio com o peito erguido, lembrando-nos que a vida pulsa forte mesmo debaixo do manto gelado do inverno.

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Texto & Fotomontagem: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
14
Dez25

"Trás-os-Montes atravessando o seu 'Inverno'"


Mário Silva Mário Silva

"Trás-os-Montes atravessando o seu "Inverno'"

14Dez DSC09225_ms A.JPG

A fotografia de Mário Silva é uma paisagem panorâmica que captura a atmosfera melancólica e serena do inverno no interior norte de Portugal.

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O Caminho: Em primeiro plano, um caminho de terra batida serpenteia suavemente por entre a vegetação, convidando o olhar a entrar na paisagem.

O caminho está ladeado por arbustos densos e árvores com folhagem de tons outonais e invernais (castanhos, ocres e verdes-escuros), indicando a dormência da flora.

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O Plano de Fundo e a Bruma: O fundo da imagem é dominado por uma colina ou serra, cujos detalhes estão suavizados por uma densa camada de bruma ou nevoeiro cinzento-azulado.

Esta neblina retira a saturação às cores, criando uma separação visual entre a nitidez do primeiro plano e o mistério do horizonte.

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Os Gigantes Eólicos: No cume da colina, quase desvanecidos pela neblina, erguem-se três aerogeradores (turbinas eólicas).

As suas silhuetas finas giram no vento, introduzindo um elemento moderno e tecnológico na paisagem rústica.

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A Atmosfera: A luz é difusa e sem sombras marcadas, típica de um dia encoberto.

A imagem transmite frio, silêncio e a vastidão da região transmontana.

 

O Manto de Bruma e a Resiliência da Terra Fria

O título da fotografia, "Trás-os-Montes atravessando o seu 'Inverno'", encerra em si uma verdade geográfica e emocional.

Nesta região, onde o ditado popular reza "nove meses de inverno e três de inferno", a estação fria não é apenas uma passagem no calendário; é um estado de espírito e uma prova de resistência que a terra atravessa com dignidade.

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A Travessia pelo Caminho de Terra

O caminho de terra batida que vemos no sopé da imagem é a metáfora perfeita para esta travessia.

Ele rasga o mato rasteiro, ladeado por carvalhos e giestas que já perderam o verde vibrante da primavera, vestindo-se agora de castanho e ferrugem.

É por estes caminhos que a vida rural continua a fluir, lenta, mas imparável, mesmo quando o frio aperta.

A vegetação, despida e rude, não está morta; está em recolhimento, guardando forças nas raízes profundas que se agarram ao xisto e ao granito.

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O Abraço do Nevoeiro

Ao fundo, a serra desaparece sob o manto da bruma.

Este nevoeiro, que muitas vezes se instala nos vales e teima em não levantar durante dias, confere à paisagem transmontana um carácter místico e isolado.

Ele suaviza as arestas duras da montanha e une o céu à terra num abraço cinzento.

É este clima rigoroso que molda o caráter das gentes: temperado pelo frio, resiliente como a rocha e habituado a ver para além da neblina.

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O Vento que Move o Futuro

No topo da colina, as turbinas eólicas giram silenciosamente.

Elas são os novos moinhos de Trás-os-Montes.

Aproveitando o mesmo vento gélido que fustiga a face dos pastores, estas estruturas transformam a dureza do clima em energia.

A sua presença na fotografia de Mário Silva é um lembrete de que a região, embora profundamente tradicional, não parou no tempo.

Ela adapta-se.

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"Atravessar o Inverno" em Trás-os-Montes é, portanto, um ato de paciência.

É saber caminhar pela terra húmida, aceitar a proteção da bruma e esperar, com a certeza inabalável das estações, que o sol voltará a romper a neblina para trazer a "Terra Quente" de volta à superfície.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
03
Dez25

"Os castanheiros despidos, deixando ver a casa" - Águas Frias - Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

"Os castanheiros despidos, deixando ver a casa"

Águas Frias - Chaves – Portugal

03Dez DSC03352_ms

A fotografia de Mário Silva capta uma cena de paisagem rural em pleno inverno, destacando a transparência da paisagem quando a folhagem cai, revelando a arquitetura por detrás.

A Casa: No centro do plano, emerge uma habitação rural moderna, de dois pisos, com uma varanda superior e grandes janelas.

A sua caraterística mais notável é o telhado de telha cerâmica de cor viva, alaranjada, que contrasta fortemente com o céu e os elementos circundantes.

A casa assenta num terreno desnivelado, apoiada numa estrutura de cimento ou bloco no rés-do-chão.

Os Castanheiros Despidos: Em primeiro plano, duas árvores de médio porte, desfolhadas, emolduram a casa.

Os seus ramos nus e escuros criam uma rede intricada que, no verão, ocultaria a casa, mas que no inverno a revela.

A falta de folhagem confirma o inverno profundo.

Estas árvores, pela sua estrutura e pelo contexto transmontano de Águas Frias, são castanheiros (Castanea sativa).

O Enquadramento e a Luz: A cena é capturada sob uma luz solar clara e fria, típica do inverno, com um céu azul parcialmente visível.

As sombras projetadas pelos ramos e pelo muro de suporte em primeiro plano reforçam a sensação de um dia de sol invernal.

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Castanheiros Despidos, Casa Revelada – O Ritmo Sazonal da Vida em Trás-os-Montes

A imagem "Os castanheiros despidos, deixando ver a casa" de Águas Frias, Chaves, é uma poderosa representação da sazonalidade e da transparência na vida rural de Trás-os-Montes.

O Outono e o Inverno não são épocas de perda, mas de revelação, onde a natureza retira o seu manto verde e expõe o que está por detrás: a estrutura da terra e a habitação humana.

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A Folha Que Cobre e a Folha Que Revela

No verão, os castanheiros (o souto) constituem uma barreira protetora e uma fonte de sombra, ocultando as casas do calor e, em parte, da vista.

Esta folhagem densa simboliza a abundância e o pico da atividade agrícola.

Quando chega o inverno, os castanheiros, já despidos após a colheita da castanha, tornam-se quase transparentes.

Esta nudez é um convite à contemplação e uma metáfora para a honestidade e a crueza da paisagem de inverno.

A casa, agora visível (com o seu telhado quente e laranja), simboliza o abrigo e o aconchego, o refúgio humano que resiste ao frio imposto pela natureza.

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O Inverno: A Época da Casa

Em Trás-os-Montes, o Inverno não é um tempo morto; é o tempo do recolhimento e da introspeção.

É a época em que a vida se move do campo (o ar livre) para o lar (o interior).

A luz fria do inverno realça a importância da casa como símbolo da família e da permanência.

A estrutura da casa, embora de linhas modernas (com grandes janelas), é ladeada pelas árvores ancestrais, ligando o conforto contemporâneo à tradição do ciclo da castanha, que é o coração económico e cultural da região.

O inverno força a comunidade a focar-se no essencial, tal como a ausência das folhas nos permite focar-nos na estrutura e no alicerce da vida rural.

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A imagem é um lembrete visual de que o ciclo da natureza e o ciclo da vida humana estão interligados: o castanheiro, depois de dar o seu fruto, repousa; e a comunidade, depois do trabalho no campo, recolhe-se à sua casa, esperando o novo ciclo.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
24
Nov25

"Depois da chuvada" – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Depois da chuvada"

Mário Silva

24Nov DSC08936_ms

A fotografia de Mário Silva capta uma cena de natureza, um pequeno ribeiro a correr suavemente por uma área de bosque, sob a luz difusa que se segue a uma precipitação.

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O Curso de Água: O elemento central é a água do riacho, que corre cristalina sobre um leito de pedras e seixos arredondados.

A água é rasa e espelha a luz do céu e as árvores nas margens, criando reflexos ténues e cintilantes.

O nível da água, ligeiramente elevado, e a presença de lodo húmido e folhas caídas nas margens sugerem que a chuvada acabou de cessar.

As Margens: A margem esquerda está densamente coberta por vegetação verde escura, musgo, e terra encharcada, destacando-se as raízes expostas das árvores que se agarram ao solo.

A Luz: A iluminação é de final de tarde, com o sol baixo (ou a sair por detrás das nuvens) a atravessar a folhagem das árvores mais altas na parte superior direita.

Esta luz quente, em contraste com o ambiente húmido e escuro do ribeiro, confere uma atmosfera de serenidade e renovação.

O Enquadramento: O enquadramento em plano picado (de cima para baixo) acentua o brilho e a fluidez da água, transmitindo uma sensação de quietude e ar puro, típica do momento "Depois da chuvada".

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A Chuvada e a Alma Transmontana — O Ciclo da Renovação

Em Trás-os-Montes, a chuvada não é apenas um fenómeno meteorológico; é um acontecimento fundamental que molda a paisagem, a economia e o temperamento das suas gentes.

A fotografia "Depois da chuvada" representa o momento exato em que a natureza respira aliviada, um instante de tranquilidade e saturação de vida que é essencial para a identidade desta região do Norte de Portugal.

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O Inverno Húmido e a Benção da Água

Trás-os-Montes, especialmente a Terra Fria, é caraterizada por um clima continental que traz invernos rigorosos e, crucialmente, períodos de precipitação intensa.

O granito, o solo e o sistema agrícola da região dependem diretamente desta afluência de água:

Vitalidade Agrícola: É a chuva que nutre os soutos (castanheiros), os carvalhais e as culturas de sequeiro.

A cena do ribeiro a correr suavemente após a chuvada simboliza a reposição da água nas ribeiras e nas nascentes, garantindo a vitalidade dos campos.

O Sabor da Terra: A qualidade dos produtos transmontanos, desde a castanha até aos cogumelos (cuja aparição é determinada pela humidade), está intrinsecamente ligada à sazonalidade e à pluviosidade.

A chuva é a promessa de uma boa colheita e de um solo fértil.

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A Sensação de "Depois da Chuvada"

O momento capturado na fotografia é rico em emoções e sensações que são universais, mas agudizadas na rusticidade transmontana:

O Aroma da Terra: O cheiro a terra molhada, a “petricor”, é a fragrância da floresta purificada.

A Quietude: O som da chuva intensa cede lugar ao murmúrio suave do ribeiro e ao silêncio das árvores encharcadas.

A Limpeza: A água remove o pó do verão e revela as cores mais saturadas da vegetação e das pedras.

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A Metáfora da Resiliência

Na cultura transmontana, o ciclo da água reflete a resiliência do seu povo.

Tal como as raízes das árvores se agarram à terra húmida para resistir à erosão (como se vê na margem do ribeiro), o povo da região agarra-se à sua terra, resistindo à adversidade.

A chuvada, por vezes avassaladora, é sempre seguida pela serenidade e pela renovação — um ciclo perpétuo de dificuldade e superação.

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A cena do riacho, iluminada pelo sol que regressa, é um lembrete de que, mesmo após as tempestades mais fortes, a luz e a vida voltam a fluir, prometendo a fertilidade e a continuidade.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
06
Nov25

"Outono e os castanheiros transmontanos"


Mário Silva Mário Silva

"Outono e os castanheiros transmontanos"

06Nov DSC09006_ms

A fotografia de Mário Silva retrata uma paisagem florestal dominada pela transformação sazonal.

O cenário é um souto de castanheiros sob a luz do outono, que realça a riqueza de cores da estação.

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As árvores, com os seus troncos robustos e escuros, têm a folhagem em plena mudança, apresentando uma paleta que varia do verde escuro (em algumas árvores mais à direita) ao amarelo e vermelho vivo (especialmente nas árvores mais à esquerda, banhadas pela luz do sol).

O sol, vindo de cima ou da lateral superior esquerda, cria um efeito de raios de luz que atravessam as copas, iluminando o ambiente.

O chão está completamente forrado por uma espessa camada de folhas caídas em tons de castanho e ocre, e as sombras projetadas pelos troncos alongam-se pelo terreno.

A cena evoca uma sensação de tranquilidade e de colheita.

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Os Castanheiros: Colunas Vivas da Identidade Transmontana no Outono

A imagem capturada por Mário Silva dos castanheiros transmontanos no esplendor do outono não é apenas uma fotografia de uma floresta; é um retrato da alma da região de Trás-os-Montes.

O castanheiro (Castanea sativa) é uma das árvores mais emblemáticas e economicamente vitais do interior de Portugal, e a sua presença marca a paisagem, a cultura e a economia local.

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A Coroa Dourada do Outono

O castanheiro é um dos protagonistas visuais do outono.

Na região transmontana, o clima e o solo favorecem o seu desenvolvimento, e é nesta estação que as suas folhas, antes de caírem para forrar o solo (como se vê na fotografia), se transformam num magnífico espetáculo de tons amarelos e vermelhos, que parecem competir com o sol.

A queda das folhas é o anúncio de que a verdadeira riqueza, o fruto, está pronta para ser colhida.

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Mais que um Fruto, um Tesouro

A castanha é o "pão" de Trás-os-Montes, e o outono é o tempo de festa da colheita.

Antigamente, a castanha era um alimento fundamental na dieta das populações rurais, funcionando como um substituto do cereal em tempos de escassez.

Hoje, mantém a sua importância económica e gastronómica, sendo celebrada em feiras e festas como o magusto, onde é assada e acompanhada por jeropiga ou vinho novo.

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O processo de apanha — a abertura dos ouriços espinhosos no solo, o som das castanhas a cair e a corrida para as recolher — é um ritual social que une famílias e vizinhos.

A qualidade das castanhas de Trás-os-Montes, especialmente as variedades da Terra Quente (como a Longal e a Judia), é reconhecida e valorizada.

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A Cultura do Souto

O bosque de castanheiros é tradicionalmente chamado de souto.

Estes soutos não são florestas selvagens, mas sim espaços cultivados e cuidadosamente mantidos ao longo de séculos.

Os troncos robustos e centenários, como os da fotografia, testemunham a longevidade destas árvores, que são passadas de geração em geração.

A sua gestão é uma forma de património cultural, que demonstra o profundo respeito e a ligação das gentes transmontanas à sua terra e aos seus recursos.

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O outono, com a sua luz mágica e o tapete de folhas, celebra o momento em que a natureza partilha o seu fruto, reafirmando o castanheiro como um símbolo da resiliência, da tradição e da abundância transmontana.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
31
Out25

“Campo de futebol relvado, de erva seca” - Travancas – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Campo de futebol relvado, de erva seca”

Travancas – Chaves – Portugal

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Esta fotografia de Mário Silva, capturada em Travancas, Chaves, retrata um cenário que evoca a melancolia e o contraste entre o desporto e o abandono.

O plano principal é dominado por um campo coberto por erva alta e seca, em tons profundos de castanho-dourado e ocre, sugerindo o final do verão ou o avanço do Outono no interior transmontano.

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Em contraste com o tom da relva, destacam-se duas balizas de futebol em ferro, visivelmente enferrujadas e sem redes, que se erguem como esqueletos sobre o campo.

A primeira baliza, mais próxima e maior, é ladeada por arbustos.

A segunda, mais distante, reforça a profundidade da composição.

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O fundo da imagem é preenchido por uma paisagem montanhosa, suavemente ondulada, que se estende sob um céu dramático, pesado, com nuvens carregadas em tons de cinzento e amarelo-sujo.

A luz é difusa e quente, conferindo à cena uma atmosfera de quietude, isolamento e a memória de jogos passados.

O campo, outrora palco de atividade, surge agora como um monumento à pausa e à espera.

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O Relvado Seco e as Balizas Enferrujadas – O Futebol como Metáfora no Portugal Rural

O “campo de futebol relvado, de erva seca”, capturado em Travancas, Chaves, é muito mais do que um mero registo paisagístico; é uma profunda metáfora da vida e da memória nas aldeias do interior de Portugal.

A imagem evoca a dualidade entre a paixão comunitária e a realidade do despovoamento.

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O Templo do Desporto no Interior

Em comunidades pequenas, o campo de futebol – por mais rústico que seja – transcende a função desportiva.

É um verdadeiro templo social.

É o ponto de encontro de jovens, o palco de rivalidades amigáveis entre aldeias, e o espaço onde a identidade local se reforça a cada golo.

O “relvado” de erva seca, longe do glamour dos grandes estádios, representa a autenticidade e o engenho do futebol praticado na sua forma mais pura, em condições simples.

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As Balizas: Memória e Abandono

As balizas enferrujadas são o ponto focal dramático da fotografia.

A sua corrosão e a falta de redes simbolizam o passo do tempo e, inevitavelmente, o abandono.

O metal, castigado pelos Invernos e Verões, reflete a estagnação da atividade.

Estas balizas permanecem de pé, orgulhosas, mas vazias, a guardar a memória dos jogos, dos gritos de vitória e dos lamentos de derrota.

Elas representam a resistência de uma tradição que teima em não desaparecer, mesmo quando os jogadores já partiram.

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A Paisagem e a Quietude Transmontana

O cenário de montanhas distantes e o céu carregado enquadra o campo numa quietude quase solene.

A paisagem vasta e rural reforça o sentido de isolamento destas comunidades.

A cena, capturada no silêncio da tarde, convida à reflexão sobre o ciclo de vida das aldeias: a vitalidade trazida pelo verão e pelos regressos, e a pausa melancólica trazida pelo Outono e o Inverno, quando a vida comunitária se recolhe e o campo espera pacientemente pela próxima estação.

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Em Travancas, como em muitas outras aldeias de Chaves, este campo de futebol é uma cápsula do tempo, celebrando a paixão inata pelo jogo enquanto lamenta, silenciosamente, os filhos da terra que já não vêm chutar a bola.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
16
Out25

"Mais um belo dia nasce..."


Mário Silva Mário Silva

"Mais um belo dia nasce..."

16Out DSC03104_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "Mais um belo dia nasce...", é uma imagem que captura a beleza dramática do nascer do sol sobre uma paisagem rural.

Dominada por tonalidades quentes de laranja, dourado e sépia, a foto transmite uma sensação de esperança e renovação.

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O sol, um disco brilhante e intenso, está a emergir por trás das colinas distantes, banhando o horizonte com a sua luz.

Em primeiro plano, os elementos da natureza são apresentados em silhueta escura, com ramos de árvores suspensos no topo e arbustos a emoldurar o terço inferior.

O contraste entre a silhueta da vegetação e o brilho intenso do sol cria um poderoso efeito visual de profundidade e mistério.

É uma cena de transição, onde a escuridão da noite dá lugar à promessa do dia.

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A Promessa Dourada da Aurora: A Esperança que Renasce a Cada Manhã

A fotografia de Mário Silva não é apenas o registo de um fenómeno astronómico; é uma ode à esperança e ao poder da renovação diária.

O título, "Mais um belo dia nasce...", é um convite à contemplação, uma lembrança de que, não importa a escuridão da noite que passou, a luz regressa sempre, implacável e gloriosa.

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O Confronto de Cores e Sentimentos

Na imagem, a escuridão dos ramos e das árvores em silhueta representa os desafios, as incertezas e a quietude da noite.

É o peso do que fica para trás.

No entanto, o horizonte está a ser invadido pelo laranja-fogo e pelo dourado do sol.

Este contraste dramático é profundamente emotivo.

O sol não apenas ilumina, ele incendeia a paisagem, forçando a sombra a recuar e anunciando a chegada de uma nova oportunidade.

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A Lição da Persistência da Luz

Na vida, enfrentamos as nossas próprias "noites escuras", momentos em que o horizonte parece distante e incerto.

Mas o espetáculo da aurora, repetido com uma fidelidade inabalável pela natureza, é uma lição de persistência.

A luz, embora nasça lentamente e exija que a escuridão se dissipe, vence sempre.

A cada nascer do sol, somos confrontados com a beleza de um novo começo, uma tela em branco onde podemos reescrever as nossas histórias.

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Um Convite à Gratidão

Observar o nascer do sol, como nos convida esta fotografia, é um ato de gratidão.

É agradecer pela força que nos permite sobreviver à escuridão e pela beleza que nos é oferecida gratuitamente.

É respirar o ar fresco da manhã e sentir o calor do sol a despertar a terra.

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Assim, o que Mário Silva capturou não é apenas o sol a subir, mas a promessa de um novo ciclo; a garantia de que a esperança é uma energia tão poderosa quanto a luz que irradia do horizonte e que nos convida a erguer a cabeça e a receber o belo dia que acaba de nascer.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
22
Set25

“Rio Tuela” – Torre de Dona Chama - Mirandela - Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Rio Tuela”

Torre de Dona Chama - Mirandela - Portugal

22Set  DSC04175_ms

Esta fotografia de Mário Silva retrata o Rio Tuela, com as suas margens densamente arborizadas.

A imagem, com o seu reflexo na água, evoca a serenidade do rio e a beleza da paisagem.

O rio, com a sua água escura e calma, flui entre as margens.

A luz do sol, que incide sobre a vegetação, cria um efeito de brilho e de sombra.

A fotografia, com a sua luz e a sua cor, é um retrato da beleza natural de Portugal.

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Estória: O Sussurro do Rio

O Rio Tuela, com as suas águas escuras e profundas, era o guardião de segredos.

Ao longo dos anos, ele tinha ouvido as estórias dos amantes, os lamentos dos solitários e as promessas dos viajantes.

A sua vida era um conto de silêncio e de murmúrio, com o seu nome a ser ecoado por cada folha, por cada pedra e por cada ave.

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Uma manhã, o rio, com as suas águas calmas, ouviu o lamento de uma jovem.

O nome dela era Estrelinha, e a sua vida era um conto de dor e de saudade.

Ela tinha perdido o seu amor, e o seu coração, como o rio, tinha-se tornado um túmulo para as suas memórias.

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O rio, com a sua voz calma, sussurrou-lhe a estória do tempo.

- O tempo - disse ele - não para. As águas do rio, como as nossas lágrimas, vão para o mar. Mas as nossas memórias, como as pedras do rio, ficam para sempre.

Estrelinha, que tinha ouvido o lamento do rio, sentou-se na margem.

O sol, com os seus raios, incidiu sobre o rio e sobre as folhas.

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Estrelinha, com a sua mão, tocou na água.

A sua dor, que era como uma tempestade, começou a dissipar-se.

O rio, com o seu murmúrio, disse-lhe:

- Não te esqueças de mim. A tua estória está no meu coração, e eu, como o teu amor, vou estar sempre contigo.

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A fotografia de Mário Silva é um retrato do encontro entre a natureza e a alma humana.

O rio Tuela não é apenas um curso de água, mas um espelho da nossa alma.

O seu poder, o seu silêncio e a sua beleza são uma lembrança de que, mesmo na nossa solidão, a natureza tem o poder de nos confortar e de nos curar.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
10
Set25

"Não é uma Aldeia qualquer ... é Águas Frias"


Mário Silva Mário Silva

"Não é uma Aldeia qualquer ... é Águas Frias"

10Set DSC03906_ms

A fotografia "Não é uma Aldeia qualquer... é Águas Frias" de Mário Silva capta uma vista panorâmica de uma aldeia aninhada numa paisagem rural.

Em primeiro plano, uma cerca rústica e vegetação verde enquadram o cenário.

A aldeia é composta por casas de diferentes cores, com telhados de cerâmica, espalhadas por uma colina.

A paisagem é dominada por uma vasta área arborizada e montanhosa no horizonte.

A fotografia é tirada num dia de poucas nuvens e a luz do sol realça as cores vivas das casas.

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A Lenda de Águas Frias

Há muito, muito tempo, quando as montanhas de Verín, na Espanha, eram ainda mais altas e o rio corria com mais força, existia uma aldeia que vivia sob uma maldição.

Era a "Aldeia das Águas Quentes", e a sua maldição era a falta de água.

Os rios estavam secos, as colheitas morriam e o povo sofria.

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Um dia, um viajante, um antigo peregrino, chegou à aldeia.

Ele, que tinha percorrido os caminhos de Santiago, tinha ouvido falar da maldição.

Ele disse ao povo:

- O vosso coração está cheio de ganância. O vosso amor é por ouro, não pela terra.

E disse-lhes que a única forma de quebrar a maldição era encontrar a fonte de "águas frias", uma fonte lendária que, segundo a lenda, se encontrava no coração da floresta.

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O povo riu-se do viajante.

Eles não acreditavam em lendas.

Mas o seu coração estava endurecido pela falta de água.

No entanto, uma jovem, de coração puro, que não tinha ganância, acreditou na lenda.

Ela, que tinha visto a sua família a sofrer, decidiu procurar a fonte.

A fotografia de Mário Silva, com as suas cores vibrantes e a sua beleza, capta o seu espírito.

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Ela entrou na floresta, aquela floresta densa e sombria que o fotógrafo capturou no horizonte.

Ela andou por dias, sem comer, sem beber, apenas com a esperança de encontrar a fonte.

Ela não tinha medo, pois o seu amor pela família e pelo seu povo era mais forte que o seu medo.

Ela não desistiu.

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E, num dia, quando a sua esperança estava quase a acabar, ela viu.

Não era uma fonte de água, mas uma fonte de luz.

Uma luz que brilhava por entre as árvores e que a chamava.

Ela seguiu a luz e chegou a uma clareira.

No centro da clareira, havia uma pequena fonte.

A água, límpida e fresca, parecia ter um brilho próprio.

Ela bebeu, e sentiu uma paz que nunca tinha sentido.

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A jovem voltou à aldeia e contou a sua história.

O povo, que tinha sofrido, finalmente acreditou.

Eles foram à fonte e beberam da água, e a sua ganância desapareceu, substituída pela bondade.

E, a partir desse dia, a maldição foi quebrada.

O rio voltou a correr, as colheitas voltaram a crescer, e a aldeia prosperou.

E a aldeia, que antes era conhecida como a "Aldeia das Águas Quentes", passou a ser conhecida como Águas Frias, uma homenagem à jovem corajosa e à sua fé.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
09
Set25

"Árvore seca e solitária"


Mário Silva Mário Silva

"Árvore seca e solitária"

09Set DSC07679_ms

A fotografia "Árvore seca e solitária" de Mário Silva foca numa paisagem árida, onde uma árvore solitária, com a maioria dos seus galhos despidos e secos, destaca-se no topo de uma colina coberta por vegetação de cor ocre.

A luz do sol incide sobre a vegetação, criando um efeito de brilho intenso e sombras profundas.

O céu, em tons de azul e cinzento claro, contrasta com as cores da paisagem.

A imagem, com a sua composição simples e minimalista, realça a beleza da solidão e da resiliência da natureza.

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Estória: O Guardião Silencioso da Colina

A colina, que Mário Silva capturou na sua fotografia, era um lugar de lendas.

A aldeia chamava-lhe "a Colina da Esperança", e a árvore que se erguia no seu cume era o seu guardião silencioso.

Para os aldeões, a árvore não era apenas um pinheiro; era um símbolo de resiliência, de força e de esperança.

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A árvore tinha visto tudo.

Tinha visto o sol a nascer e a pôr-se, a chuva a cair e o vento a soprar.

Tinha visto a vida a passar lá em baixo, a aldeia a crescer, as crianças a brincar, as gerações a virem e a irem.

Ela era a testemunha silenciosa da história da aldeia, o seu coração e a sua alma.

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A fotografia de Mário Silva capturou a sua beleza e a sua solidão.

O seu tronco, cinzento e rugoso, era a prova da sua idade e da sua força.

Os seus galhos, despidos e secos, eram os seus braços estendidos para o céu, uma prece por mais um ano de vida.

A vegetação de cor ocre, que Mário Silva capturou com a sua luz intensa, era a vida que se agarrava à terra, a prova de que mesmo num lugar árido, a vida encontra sempre um caminho.

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A lenda dizia que a árvore tinha um segredo.

A sua alma, dizia-se, estava escondida num pequeno ninho de pássaros que se encontrava no seu tronco.

A lenda dizia que, se alguém com o coração puro subisse a colina e sussurrasse o seu desejo no ninho, o desejo seria realizado.

Mas ninguém o tinha feito.

O medo e a superstição eram mais fortes que a fé.

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A fotografia de Mário Silva era um lembrete de que, mesmo em tempos difíceis, a esperança permanece.

A árvore, com a sua solidão, era um farol, um guia para a aldeia.

E os aldeões, que olhavam para a fotografia, sentiam uma profunda gratidão.

A árvore, o seu guardião, estava ali, a protegê-los, a dar-lhes força, a ser o seu farol.

E eles, a sua aldeia, estavam ali, a protegê-la, a dar-lhe vida, a ser o seu porto seguro.

A árvore e a aldeia eram uma só, unidas por uma lenda, uma história, e uma fotografia.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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