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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

21
Jul25

"Aquelas Janelas ... e os vasos ao sol" … e uma estória


Mário Silva Mário Silva

"Aquelas Janelas ... e os vasos ao sol"

… e uma estória

21Jul DSC01420_ms

Esta fotografia de Mário Silva, intitulada "Aquelas Janelas ... e os vasos ao sol" (Nozelos - Valpaços - Portugal), apresenta uma secção da fachada de um edifício, focando-se em duas janelas retangulares idênticas.

A parede, de cor clara e com uma textura rugosa e ligeiramente envelhecida, sugere reboco.

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Ambas as janelas possuem estores venezianos de cor creme, que estão parcialmente descidos.

O estore da janela da esquerda está quase totalmente fechado, enquanto o da direita está ligeiramente mais levantado na parte inferior, revelando um pequeno pedaço de vidro da janela por baixo.

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Abaixo de cada janela, há um suporte de pedra saliente, de formato curvo e rústico, onde repousa um vaso de barro.

O vaso da esquerda é de cor castanha e contém o que parecem ser plantas secas ou sem folhas, de aspeto espigado.

O vaso da direita é de cor vermelha ou terracota mais intensa e também alberga plantas semelhantes, secas e esguias.

A luz do sol incide sobre a fachada, criando algumas sombras e realçando as texturas.

A imagem transmite uma sensação de quietude, um pouco de abandono, e a passagem do tempo num cenário rural.

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A Estória: O Mistério dos Vasos Sedentos e a Greve dos Estores

Na pacata aldeia de Nozelos, onde o sol de Valpaços bronzeava as paredes e a vida seguia um ritmo próprio, havia uma casa que era a conversa da freguesia, não por ser a mais bonita ou a mais velha, mas pelas suas janelas peculiares e, mais ainda, pelos seus vasos "ao sol".

Mário Silva, com a sua câmara, captou na perfeição o palco deste drama silencioso e hilariante.

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As janelas, com os seus estores cremes, eram a face da D. Custódia, uma senhora octogenária com o humor tão apurado quanto a sua vista já era fraca.

  1. Custódia tinha uma relação de amor-ódio com o sol.

Adorava-o para secar a roupa e curtir as azeitonas, mas detestava-o por desbotar as suas cortinas e aquecer a casa mais do que o necessário.

Daí a greve permanente dos estores, quase sempre a meio mastro, como bandeiras de rendição perante o calor.

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Mas o verdadeiro espetáculo eram os vasos.

Sim, aqueles vasos!

Um castanho discreto, o outro um vermelho vivo, ambos orgulhosamente empoleirados nas suas prateleiras de pedra como troféus.

O problema?

Os seus habitantes.

  1. Custódia, com a melhor das intenções, decidira que ter plantas à janela trazia alegria.

O que ela não previra era que as suas "plantas" tinham uma vida útil bastante... limitada.

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"São plantas exóticas, daquelas que só precisam de sol!", garantia ela aos vizinhos curiosos, com uma piscadela de olho.

A verdade era que D. Custódia se esquecia da rega com uma regularidade impressionante.

Assim, as pobres plantinhas, outrora viçosas, transformavam-se rapidamente em espigões secos e estóicos, parecendo pequenos ramos de vassoura em miniatura.

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Um dia, a neta de D. Custódia, a jovem Beatriz, veio visitá-la.

Mal pôs os olhos nos vasos, desatou a rir.

- Avó! - exclamou,

- Mas o que é isto? Parecem palitos com folhagem!"

Custódia, ofendida, pôs as mãos na anca.

- Ora, menina! Não vês que são umas raras Espiga-Seca-do-Sol? Precisam de muito sol e pouca água! São a última moda em Lisboa, disseram-me!" (A "última moda em Lisboa" era a desculpa que D. Custódia usava para tudo o que não tinha explicação).

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A piada correu pela aldeia.

Os homens na tasca apostavam quanto tempo demoraria a "Espiga-Seca-do-Sol" do vaso vermelho a virar pó.

As mulheres comentavam, entre risos abafados, sobre a "mão verde seca" da D. Custódia.

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Certo domingo, após a missa, um grupo de vizinhas mais atrevidas decidiu confrontar D. Custódia.

- D. Custódia, não acha que as suas plantas precisam de um bocado de água? - perguntou a D. Glória, com um sorriso matreiro.

Custódia, que por acaso tinha os seus óculos bem postos nesse dia, olhou para os vasos.

Eram apenas gravetos secos.

De repente, a luz acendeu-se nos seus olhos.

Ela olhou para as vizinhas, para os vasos, e depois para os estores, que teimosamente continuavam a meio.

- Ah, mas que distração a minha! -exclamou, batendo na testa.

- Estas são as minhas plantas de inverno! Esqueci-me de as trocar! As de verão, as verdadeiras, são umas que dão umas flores roxas lindíssimas, mas só aparecem quando os estores estão totalmente abertos! E, como sabem, com este sol, os estores andam em greve!"

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A gargalhada geral que se seguiu ecoou por Nozelos, e a história da "Greve dos Estores" e das "Espiga-Seca-do-Sol" tornou-se mais uma lenda da D. Custódia.

E assim, na fotografia de Mário Silva, aquelas janelas e os vasos ao sol não eram apenas um registo de uma fachada, mas um instantâneo de um pedaço de vida, de humor e de uma criatividade inesgotável em manter as aparências, mesmo quando a verdade era tão seca quanto as plantas nos vasos.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
25
Mai25

“Capela de Nossa Senhora das Dores” (Nozelos – Valpaços – Portugal)


Mário Silva Mário Silva

“Capela de Nossa Senhora das Dores”

(Nozelos – Valpaços – Portugal)

25Mai DSC00201_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada “Capela de Nossa Senhora das Dores” (Nozelos – Valpaços – Portugal), retrata o interior de uma capela barroca, marcada por uma rica decoração e um ambiente de devoção.

O destaque da imagem é o retábulo dourado, que ocupa a parede frontal da capela.

Este retábulo, ricamente ornamentado, apresenta colunas torsas com detalhes em vermelho e dourado, enquadrando duas pinturas laterais de figuras religiosas, possivelmente santos ou mártires, com vestes tradicionais e expressões solenes.

No centro, há uma cruz de madeira sobre um pequeno altar, ladeada por elementos decorativos, incluindo uma caveira esculpida à direita, simbolizando a mortalidade e a penitência.

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A base do retábulo é adornada com padrões geométricos e florais em tons de dourado, vermelho e branco, típicos do estilo barroco português.

Abaixo do retábulo, encontra-se um túmulo ou arca de pedra, com uma abertura frontal que revela um interior vermelho desgastado, sugerindo a passagem do tempo e o uso contínuo do espaço para práticas religiosas.

As paredes laterais da capela mostram sinais de deterioração, com tinta descascada e vestígios de frescos, enquanto o teto exibe uma pintura parcial com figuras angelicais e ornamentos, parcialmente danificados.

A luz suave que ilumina a cena confere um tom de reverência e melancolia, reforçando o carácter sagrado e histórico do espaço.

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A veneração de Nossa Senhora das Dores, também conhecida como “Mater Dolorosa”, é uma das devoções mais antigas e profundamente enraizadas na tradição católica portuguesa.

Esta devoção centra-se nas sete dores de Maria, mãe de Jesus, que incluem momentos como a profecia de Simeão, a fuga para o Egito, a perda de Jesus no templo e, especialmente, a sua presença ao pé da cruz durante a crucificação.

Em Portugal, essa devoção ganhou força a partir da Idade Média, sendo promovida por ordens religiosas como os Servitas, que dedicaram a sua espiritualidade ao culto das dores de Maria.

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Em muitas regiões de Portugal, como em Nozelos, Valpaços, onde se localiza a Capela de Nossa Senhora das Dores retratada na fotografia de Mário Silva, a devoção manifesta-se através de capelas, procissões e festas litúrgicas.

A festa de Nossa Senhora das Dores, celebrada a 15 de setembro, é um momento alto de espiritualidade, marcada por missas solenes, cânticos tradicionais e procissões onde a imagem de Maria, frequentemente representada com o coração trespassado por sete espadas (simbolizando as sete dores), é levada pelas ruas.

Em algumas localidades, é comum a prática do “Ofício das Dores”, uma série de orações e meditações que refletem sobre o sofrimento de Maria.

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Esta devoção também reflete a espiritualidade do povo português, que historicamente encontrou na figura de Nossa Senhora das Dores um símbolo de compaixão e intercessão nos momentos de sofrimento, como durante as guerras, fomes ou calamidades.

A Capela de Nossa Senhora das Dores em Nozelos, com o seu retábulo barroco e ambiente austero, é um testemunho da fé popular e da importância desta devoção na vida comunitária, servindo como um espaço de recolhimento e ligação espiritual com o sagrado.

Através de locais como este, a veneração de Nossa Senhora das Dores continua a ser uma expressão viva da religiosidade portuguesa, unindo gerações na partilha de uma fé marcada pela empatia e pela esperança.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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