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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

02
Jan26

"Águas Frias no silêncio da noite" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Águas Frias no silêncio da noite"

 Águas Frias, Chaves, Portugal

02Jan DSC00278_ms.JPG

Esta fotografia noturna capta a atmosfera intimista e serena da aldeia de Águas Frias.

A imagem é dominada por um forte contraste cromático entre o azul profundo e quase negro do céu e da encosta montanhosa em segundo plano, e os tons quentes, alaranjados e âmbar da iluminação pública que banha o casario.

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No centro da composição, destaca-se a silhueta da torre sineira da igreja, que se ergue acima dos telhados como um ponto de referência espiritual e geográfico.

As casas, aglomeradas de forma típica das aldeias transmontanas, parecem aninhar-se umas nas outras, com os telhados a refletir subtilmente a luz das ruas.

A granulação da imagem e a suavidade da focagem conferem-lhe uma textura quase pictórica, reforçando a sensação de silêncio, frio e recolhimento noturno.

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O Abraço Âmbar na Escuridão de Trás-os-Montes

Onde o silêncio não é vazio, mas um guardião.

Quando a noite cai sobre as terras de Chaves, não cai simplesmente; ela abraça.

Em Águas Frias, quando o último raio de sol se esconde atrás da serra e o frio desce com a autoridade do inverno transmontano, a aldeia não desaparece na escuridão.

Ela acende-se.

A fotografia de Mário Silva não nos mostra apenas casas e ruas; mostra-nos a resistência do conforto contra a imensidão da noite.

Ali, naquele vale de sombras azuladas, a iluminação pública desenha um mapa de calor humano.

Cada ponto de luz laranja é uma promessa: a promessa de que, lá dentro, há vida, há histórias a serem contadas à lareira e há o respirar compassado de uma comunidade que dorme.

A torre da igreja, altiva no centro da imagem, ergue-se como um pastor de pedra a velar pelo seu rebanho de telhados.

Ela é a testemunha muda dos séculos, a âncora que segura a aldeia para que esta não flutue para o céu estrelado.

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Neste silêncio, ouve-se tudo o que importa.

Ouve-se a paz.

Ouve-se o estalar da geada nos campos vizinhos e o sussurro do vento nas frinchas das portas.

Não é um escuro que assusta; é um escuro que protege.

As luzes não combatem a noite; dialogam com ela, criando uma pintura onde o âmbar e o azul dançam numa valsa lenta.

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"Águas Frias no silêncio da noite" é um lembrete de que a beleza mais profunda reside, muitas vezes, na quietude.

É a imagem de um lar que espera, paciente e luminoso, pelo nascer de um novo dia.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
31
Dez25

"A Aldeia preparada para receber o Novo Ano" (2026) - Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"A Aldeia preparada para receber o Novo Ano" (2026)

Águas Frias – Chaves - Portugal

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Nesta composição noturna, Mário Silva capta a essência mágica da aldeia de Águas Frias, no concelho de Chaves, sob o manto gélido de um inverno transmontano.

A imagem apresenta uma vista aérea onde a paisagem rural, coberta por um ténue manto de geada azulada, contrasta vibrantemente com o calor das luzes artificiais.

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A característica dominante da fotografia é a iluminação festiva: os contornos dos telhados, beirais e fachadas das casas foram meticulosamente desenhados com cordões de luz dourada.

Este efeito transforma a aldeia num verdadeiro "presépio vivo" à escala real, destacando a arquitetura tradicional e o aglomerado acolhedor das habitações no meio dos campos agrícolas e vinhas despidas pelo inverno.

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É visível o fumo a sair de uma chaminé, sugerindo o conforto das lareiras acesas no interior, enquanto a aldeia brilha como uma joia na escuridão, pronta para a contagem decrescente para 2026.

A atmosfera transmite paz, união comunitária e uma esperança luminosa no ano que se avizinha.

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A Noite em que as Estrelas Desceram à Terra

Era o fim da tarde de 31 de dezembro de 2025.

Em Águas Frias, o nome da terra fazia jus à temperatura que se sentia na pele.

O frio de Chaves cortava o ar, e a geada já começava a pintar de branco as vinhas e os caminhos de terra batida.

Mas, naquele dia, ninguém se importava com o frio.

Havia um segredo partilhado por todos os habitantes, uma conspiração de alegria que tinha começado meses antes.

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— "Este ano, o fogo de artifício não vai ser no céu," tinha dito o Sr. Teotónio, o habitante mais velho da rua principal, numa reunião no café da aldeia em outubro.

— "Este ano, a luz vem das nossas casas."

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E assim foi.

Durante semanas, escadotes foram montados, fios desenrolados e vizinhos ajudaram vizinhos.

A ideia era simples, mas audaz: desenhar a aldeia na escuridão.

Cada telhado, cada alpendre, cada muro de pedra seria contornado por luz.

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Quando o sol se pôs e o azul-escuro da noite tomou conta do vale, Águas Frias parecia adormecida.

As janelas estavam fechadas, retendo o calor das lareiras onde se assavam as chouriças e se preparava o bacalhau.

O silêncio reinava, apenas quebrado pelo som do vento nas árvores despidas.

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Às onze horas e cinquenta e nove minutos, o sino da igreja tocou.

Não era a badalada da meia-noite, era o sinal.

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Como se fosse coreografado por magia, um a um, os interruptores de dezenas de casas foram ligados.

De repente, a escuridão foi rasgada.

Do alto do monte, quem olhasse para baixo não via apenas uma aldeia; via uma constelação dourada que parecia ter aterrado suavemente na terra.

As luzes contornavam a geometria perfeita dos telhados, criando um labirinto brilhante que aquecia a alma só de olhar.

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O fumo das chaminés subia agora iluminado pelo brilho dourado, como incenso numa catedral a céu aberto.

As portas abriram-se e as pessoas saíram à rua, agasalhadas, com copos de espumante e jeropiga na mão.

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"Feliz 2026!" — gritavam, abraçando-se sob a luz que eles próprios tinham criado.

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Naquele momento, em Águas Frias, a noite não era escura nem fria.

Era dourada, quente e cheia de promessas.

A aldeia não precisou de olhar para o céu para ver magia; a magia estava ali, nas linhas de luz que uniam a casa do João à da Maria, a do Sr. António à escola primária.

Tinham transformado a sua terra na imagem mais bonita de Portugal, provando que, quando uma comunidade se une, até a noite mais longa pode brilhar.

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Texto e Fotografia (editada): ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
26
Jun25

“Coruja-do-mato (Strix aluco)” ou coruja-parda


Mário Silva Mário Silva

“Coruja-do-mato (Strix aluco)” ou coruja-parda

26Jun DSC00624_ms

A coruja-do-mato (Strix aluco), também conhecida como coruja-parda, é a espécie retratada na fotografia de Mário Silva.

Estas aves noturnas, com os seus olhos penetrantes e voo silencioso, fascinam a humanidade há milénios, gerando uma rica tapeçaria de mitos e, claro, muitas realidades científicas.

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Desde a antiguidade, as corujas têm sido figuras proeminentes no folclore de diversas culturas, muitas vezes associadas a dualidades e simbolismos opostos:

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Na mitologia grega, a coruja era o animal sagrado da deusa Atena, deusa da sabedoria, da guerra estratégica e das artes.

Esta associação perdura até hoje, sendo a coruja frequentemente utilizada como símbolo de inteligência, erudição e estudo.

Acredita-se que a sua capacidade de ver no escuro simbolize a capacidade de enxergar além das aparências, desvendando verdades ocultas.

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Paradoxalmente, em muitas outras culturas, especialmente em algumas tradições europeias e latino-americanas, a coruja é vista como um presságio de morte, doença ou desgraça.

O seu piar noturno, muitas vezes percebido como um lamento, era interpretado como um anúncio de fatalidade.

A crença de que a coruja "chama a alma" dos doentes ainda persiste em algumas regiões.

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Na Idade Média, a coruja foi frequentemente associada a bruxas, magias negras e rituais noturnos.

A sua vida noturna e hábitos discretos contribuíram para essa reputação, tornando-a um símbolo do misterioso e do sobrenatural.

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Contudo, nem todos os mitos são negativos.

Em algumas culturas, a coruja era vista como um amuleto de proteção contra maus espíritos ou um portador de boa sorte, especialmente para aqueles que buscavam conhecimento.

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Longe dos véus do mito, a ciência revela-nos a verdadeira natureza das corujas, criaturas notáveis com adaptações impressionantes.

 

A mais notável adaptação das corujas é a sua visão noturna superdesenvolvida.

Os seus olhos grandes e tubulares, que não se movem nas órbitas como os nossos, são projetados para captar o máximo de luz disponível.

Para compensar a falta de mobilidade ocular, as corujas conseguem girar a cabeça em até 270 graus, proporcionando um campo de visão incrivelmente amplo.

Além da visão, a audição das corujas é extremamente aguçada e direcional.

A face em forma de disco atua como um coletor de som, e a assimetria das aberturas auditivas de muitas espécies permite-lhes localizar presas com precisão milimétrica, mesmo na escuridão total.

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As penas das asas das corujas possuem uma estrutura especial que permite um voo praticamente inaudível.

As bordas das penas são serrilhadas, quebrando o fluxo de ar e eliminando o ruído que normalmente acompanharia o bater das asas.

Essa adaptação é crucial para a caça, permitindo que se aproximem das presas sem serem detetadas.

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As corujas são predadores noturnos por excelência.

A sua dieta consiste principalmente de pequenos mamíferos (roedores, musaranhos), aves, insetos e, ocasionalmente, anfíbios e répteis.

Desempenham um papel vital no controlo de pragas em ecossistemas naturais e agrícolas.

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A maioria das espécies de corujas é solitária e territorial, defendendo rigorosamente o seu espaço de caça e nidificação.

A coruja-do-mato, por exemplo, é uma espécie sedentária que ocupa o mesmo território durante toda a sua vida.

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As corujas não constroem ninhos elaborados.

Geralmente utilizam cavidades em árvores (como é o caso da coruja-do-mato, que se adapta bem a buracos em árvores velhas), tocas abandonadas, fendas em rochas ou até mesmo edifícios.

O período de reprodução varia de acordo com a espécie e a região, e os pais dedicam-se intensamente ao cuidado dos filhotes.

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As corujas habitam uma vasta variedade de “habitats”, desde florestas densas e áreas rurais até parques urbanos e jardins.

A sua capacidade de se adaptar a diferentes ambientes demonstra a sua resiliência e sucesso evolutivo.

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Em suma, enquanto os mitos sobre as corujas revelam-nos a riqueza da imaginação humana e a necessidade de atribuir significado ao mundo natural, as realidades científicas oferecem-nos uma compreensão profunda e igualmente fascinante dessas aves noturnas, verdadeiras mestras da noite.

A fotografia de Mário Silva é um testemunho da beleza e do mistério que as corujas continuam a inspirar.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
15
Fev25

"Fonte dos Leões" (Porto – Portugal)


Mário Silva Mário Silva

"Fonte dos Leões"

(Porto – Portugal)

15Fev DSC09145_ms

A fotografia de Mário Silva captura a beleza e a imponência da Fonte dos Leões, um marco icónico da cidade do Porto.

A imagem, com uma composição equilibrada, destaca a fonte em toda a sua exuberância, com os leões de bronze a sobressair sobre a água cristalina.

A iluminação noturna, com tons de azul e verde, confere à fonte um ar mágico e misterioso.

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A Fonte dos Leões foi inaugurada a 24 de julho de 1882.

O nome da fonte deve-se às quatro imponentes estátuas de leões que a rodeiam – daí a designação “Fonte dos Leões”.

Estes leões foram esculpidos pelo artista francês Emmanuel Fremiet, conhecido pelas suas esculturas de animais durante os finais do século XIX

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A composição da fotografia é simétrica, com a fonte ocupando o centro da imagem.

A perspetiva adotada permite apreciar a fonte em toda a sua grandiosidade, destacando os detalhes das esculturas e a beleza da água.

A luz artificial, com tons de azul e verde, cria um ambiente mágico e noturno.

A água, iluminada por baixo, parece brilhar, criando um efeito visualmente impactante.

Os leões, símbolo de força e poder, representam a importância da cidade do Porto como um centro económico e cultural.

A água, por sua vez, simboliza a vida, a renovação e a purificação.

A Fonte dos Leões foi construída no século XIX, durante um período de grande desenvolvimento urbano da cidade do Porto.

A fonte representa a modernização da cidade e a sua aspiração a uma imagem cosmopolita.

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A Fonte dos Leões é um dos monumentos mais emblemáticos da cidade do Porto, desempenhando um papel importante na vida dos portuenses e na identidade da cidade.

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A fonte é um dos cartões de visita da cidade, sendo um ponto de encontro e um local de passeio para turistas e habitantes locais.

A construção da fonte, no século XIX, representou um avanço tecnológico e um símbolo de progresso para a cidade.

A Fonte dos Leões faz parte da memória coletiva dos portuenses e está associada a diversos acontecimentos históricos e culturais.

A fonte tem sido representada em diversas obras de arte, como pinturas, fotografias e esculturas, tornando-se um ícone da cultura portuense.

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Em resumo, a fotografia de Mário Silva captura a beleza e a importância da Fonte dos Leões, um marco histórico e cultural da cidade do Porto.

A imagem, com a sua composição harmoniosa e a sua simbologia rica, convida-nos a refletir sobre a história da cidade e a sua identidade.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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