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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

23
Nov25

"Lindos altares laterais" (2008) – Águas Frias – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

"Lindos altares laterais" (2008)

Águas Frias – Chaves – Portugal

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A fotografia de Mário Silva oferece um vislumbre do interior da igreja de Águas Frias, Chaves, concentrando-se na disposição simétrica de dois altares secundários ou colaterais, enquadrados por arcos.

A composição revela a confluência de estilos e materiais que caracterizam a arte sacra portuguesa em espaços rurais, nomeadamente no Norte.

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Elementos Estruturais e Enquadramento Arquitetónico

Simetria e Arcos: A composição é marcada pela simetria de dois nichos ou capelas laterais, inseridos na parede da nave, cada um enquadrado por um arco de volta perfeita ou arco pleno.

Estes arcos definem o espaço sagrado dedicado aos cultos secundários.

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Retábulos de Talha: Ambos os altares são dominados por retábulos de madeira, pintada e dourada, de um estilo que remete para o final do Barroco ou inícios do Rococó, período em que a decoração em talha se popularizou nas igrejas paroquiais de Portugal.

O retábulo é composto por molduras, colunas e painéis que enquadram as figuras centrais.

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Iconografia e Imagens Sacras

Altar Esquerdo (Sacro Coração): O nicho da esquerda acolhe a figura de Jesus Cristo, possivelmente na invocação de Sagrado Coração de Jesus.

A imagem de Cristo está vestida com um manto branco e vermelho, num fundo de cor intensa (vermelho) que realça a figura central.

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Altar Direito (Crucificação e Devoções Marianas): O nicho da direita apresenta uma imagem de Jesus Crucificado, também em fundo azul escuro, uma cor frequentemente associada ao luto e ao mistério.

Ao lado do retábulo direito, numa peanha ou tribuna separada, está uma imagem de Nossa Senhora, provavelmente na invocação de Imaculada Conceição ou Nossa Senhora de Fátima (pela cor branca do hábito e a coroa), destacando a devoção mariana.

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Elementos Decorativos e Azulejaria

Revestimento Cerâmico: A parte inferior das paredes e a base dos altares estão revestidas com azulejos de padrão, típicos da produção portuguesa.

A presença de azulejos azuis e brancos, com desenhos geométricos e florais, é um elemento de grande importância na arte religiosa portuguesa, servindo tanto para decoração como para proteção das paredes.

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Mobiliário e Ornamentos: Em primeiro plano, destaca-se a balaustrada ou o comungatório em madeira, separando a nave do espaço dos altares.

Nos altares, as toalhas brancas de altar (possivelmente em renda ou bordado) e os arranjos florais naturais (rosas, amarelos e laranjas) sublinham a importância litúrgica e festiva dos altares.

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Iluminação e Efeito Espacial

Luz e Atmosfera: A iluminação é dramática, com uma grande janela a banhar o espaço com luz natural intensa no centro da imagem.

Este foco de luz cria um forte contraste entre a claridade exterior e o ambiente mais sombrio do primeiro plano (onde estão os bancos da nave), realçando o mistério e a sacralidade do interior do templo.

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A Arte e Religiosidade em comunhão

(de mãos dadas entre o Passado, o Presente e o Futuro)

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Texto & Fotografia (2008): ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
20
Nov25

“Fonte dos Leões e como fundo as igrejas do Carmo e a dos Carmelitas” (Porto – Portugal)


Mário Silva Mário Silva

“Fonte dos Leões e como fundo as igrejas do Carmo e a dos Carmelitas” (Porto – Portugal)

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A fotografia de Mário Silva é uma composição noturna ou de final de tarde que justapõe um elemento escultórico moderno ou do século XIX (a fonte) com o complexo arquitetónico religioso do Porto (as igrejas).

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Primeiro Plano: A Fonte e a Cor

O primeiro plano é dominado pela escultura de um leão da fonte, que está coberto por uma iluminação artificial intensa, em tom azul-elétrico.

Este leão, com uma expressão feroz e juba trabalhada, tem a sua cabeça e parte do corpo em destaque.

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O Jato de Água:  Da boca do leão, emerge um jato de água forte e longo, que se projeta em arco, criando um risco de luz que se estende para o centro da imagem.

Textura e Brilho: A cor azul da escultura, combinada com o brilho da água que escorre e dos jatos de luz, confere um caráter dramático e quase irreal à fonte.

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Segundo Plano e Fundo: O Complexo Religioso

Atrás da fonte e servindo como pano de fundo, está a fachada de uma das igrejas, provavelmente a Igreja do Carmo (ou Carmelitas Descalços), conhecida pela sua exuberante decoração.

Arquitetura Barroca/Rococó: A fachada apresenta uma riqueza de talha em pedra (cantaria) com relevos, nichos, pilastras e elementos decorativos de grande detalhe, típicos do estilo Barroco e Rococó do Norte de Portugal.

Iluminação da Fachada: O edifício histórico está iluminado em tons quentes e naturais (diferentes do azul da fonte), o que destaca a sua textura e as complexas molduras.

A iluminação confere profundidade e contrasta a permanência da arquitetura com o movimento da água e a cor da fonte.

Ambiente Noturno: O céu escuro e o uso de luz artificial acentuam a justaposição de elementos — o dinamismo da água e da cor, em oposição à solidez e antiguidade da pedra histórica.

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A fotografia cria um diálogo entre a arte escultórica urbana e o património arquitetónico do Porto, realçando a beleza dos monumentos sob a luz noturna.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
01
Nov25

"Dia de Todos Os Santos"


Mário Silva Mário Silva

"Dia de Todos Os Santos"

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A fotografia de Mário Silva, intitulada “Dia de Todos Os Santos”, capta um nicho de devoção profundamente enraizado na natureza.

Em primeiro plano, a cena é dominada por uma vegetação rasteira e densa, com ervas secas em tons de dourado e castanho, e uma grande folhagem verde de uma planta suculenta no canto inferior direito.

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No plano médio e superior, sobre uma formação rochosa natural e em socalco, ergue-se uma estátua de Cristo, vestida de branco, com os braços abertos num gesto de acolhimento e bênção.

A estátua repousa sobre um pequeno pedestal de pedra.

À sua esquerda, uma pedra arredondada complementa o cenário rústico.

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Abaixo da estátua, nota-se uma estrutura de pedra ou cimento semi-enterrada, com uma abertura em arco coberta por vidro ou acrílico, que reflete o ambiente.

Esta estrutura parece ser um pequeno altar ou nicho que alberga no seu interior flores e, possivelmente, uma imagem de outro santo ou da Virgem.

A luz quente do sol incide de forma intensa, banhando a estátua e a vegetação circundante, criando um ambiente de solenidade, mas também de abandono sereno, sugerindo a antiguidade do local.

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O Limiar da Memória: Dia de Todos os Santos em Portugal

A fotografia de Mário Silva, com a sua estátua isolada e o nicho semi-escondido na vegetação, evoca a profunda ligação entre a fé, a natureza e a memória em Portugal, especialmente no contexto do Dia de Todos os Santos (1 de novembro).

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Origem e Significado para os Católicos

O Dia de Todos os Santos (ou Solennitas Omnium Sanctorum) é uma das celebrações mais antigas e importantes do calendário litúrgico católico.

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Origem Histórica: A sua origem remonta ao século IV, quando a Igreja começou a celebrar coletivamente os mártires.

Com o tempo, e à medida que o número de santos reconhecidos crescia, tornou-se impraticável dedicar um dia a cada um.

No século VIII, o Papa Gregório III dedicou uma capela na Basílica de São Pedro a Todos os Santos e instituiu a celebração a 1 de novembro.

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Significado Teológico: O dia celebra não apenas os santos canonizados, mas a comunhão de todos os santos — ou seja, todos aqueles que morreram na graça de Deus e já estão na glória celestial.

É uma festa de esperança, que lembra aos fiéis que a santidade é acessível a todos e que há uma ponte espiritual que liga a Igreja Peregrina (os vivos) à Igreja Triunfante (os santos).

O dia é também o preâmbulo do Dia de Finados (2 de Novembro), que se dedica à oração pelos fiéis defuntos no Purgatório.

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Celebrações e Tradições em Portugal

Em Portugal, o Dia de Todos os Santos, apesar de ser uma festa religiosa, carrega consigo uma forte componente de memória familiar e tradição popular:

A Visita aos Cemitérios (Preparo para Finados): Embora o foco principal seja nos santos, o dia 1 de novembro é tradicionalmente usado para limpar, enfeitar e florir as sepulturas dos entes queridos, em preparação para o Dia de Finados.

As famílias reúnem-se nos cemitérios, um ato de carinho e continuidade da memória.

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A Tradição do Pão-por-Deus: Esta é, talvez, a tradição mais distintiva e popular.

No Dia de Todos os Santos, as crianças e, por vezes, os adultos, saem à rua, batendo de porta em porta e pedindo o Pão-por-Deus.

O pedido é feito em nome das almas, e em troca recebem broas, bolos secos, castanhas, nozes e, mais recentemente, rebuçados e dinheiro.

Este ritual está diretamente ligado à antiga prática de dar esmolas para as almas dos defuntos.

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As Missas Solenes: São celebradas missas especiais nas paróquias, honrando a memória dos santos e reforçando a doutrina da vida eterna.

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O Ambiente de Recolhimento: Numa perspetiva social, o dia é marcado por um ambiente de respeito, silêncio e reflexão.

Interrompe-se o trabalho agrícola ou outras atividades para dar primazia ao culto da memória e à celebração da fé.

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A fotografia, com o seu nicho votivo isolado e quase selvagem, sugere a fé discreta e duradoura dos locais, que mantêm a sua estátua e o seu altar adornado, integrando o sagrado no seu quotidiano, lembrando que a celebração da santidade e da memória é um ato contínuo, para além dos rituais litúrgicos formais.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
20
Set25

O pipo-vaso e o nicho sem imagem” - Travancas – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

O pipo-vaso e o nicho sem imagem”

Travancas – Chaves – Portugal

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Esta fotografia de Mário Silva mostra um barril de madeira, que foi transformado num vaso para uma planta.

O barril, com os seus aros de metal enferrujados, está encostado a uma parede de pedra.

A planta, com a sua folhagem verde escura, tem algumas flores vermelhas que se destacam.

Acima do vaso, há uma espécie de nicho, com um arco de pedra, mas vazio, sem qualquer imagem.

A fotografia transmite uma sensação de abandono e de melancolia, mas a presença da planta e das suas flores é um sinal de vida e de esperança.

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Estória: A Memória do Pipo e do Nicho

O velho pipo, com os seus aros de metal enferrujados, tinha sido, noutros tempos, um nobre recipiente de vinho.

Tinha visto muitos dias de sol, muitas noites de chuva e muitos anos de festa.

Mas o tempo, que não perdoa, tinha transformado a sua madeira em cinzas.

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A velha Maria, que morava na casa ao lado, encontrou o pipo no lixo.

A sua bondade, que era mais forte que a sua idade, não a deixou atirá-lo fora.

Ela transformou-o num vaso para uma planta.

A planta, com a sua folhagem verde escura, floresceu.

E as suas flores vermelhas eram o seu coração, que tinha renascido.

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Acima do pipo, a parede de pedra tinha um nicho vazio.

O nicho, que antes tinha a imagem de um santo, era agora um túmulo para as memórias.

A imagem, dizia a lenda, tinha sido roubada.

Mas a velha Maria dizia que a imagem tinha ido embora, porque o santo não aguentou o abandono da aldeia.

- Os santos também precisam de amor - dizia ela.

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Um dia, um viajante, que passava por Travancas, viu o pipo-vaso e o nicho vazio.

Ele tirou uma fotografia.

E na sua mente, ele criou uma estória.

A estória de um pipo que, de velho, se tornou novo.

A estória de um nicho que, de vazio, se tornou um símbolo de esperança.

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A estória do pipo-vaso e do nicho sem imagem é um conto sobre a beleza da vida e a importância da fé.

É um lembrete de que, mesmo nos lugares mais sombrios, a luz pode nascer.

E a fotografia de Mário Silva é um retrato desse momento, em que a esperança e a beleza, como o pipo-vaso e o nicho, se encontram.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
14
Set25

Nicho de Santiago - Feces de Abaixo, Verín, Espanha


Mário Silva Mário Silva

Nicho de Santiago

Feces de Abaixo, Verín, Espanha

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A fotografia "Nicho de Santiago" de Mário Silva retrata um pequeno nicho esculpido na parede de um edifício, provavelmente uma casa ou uma capela.

No interior do nicho, encontra-se uma pequena estátua de um santo, que se pode presumir ser Santiago, com um cajado de peregrino na mão.

O nicho é adornado por grandes flores de cor fúcsia.

A fotografia capta a luz e as sombras que incidem sobre a parede de pedra.

Um pedaço de papel rasgado está colocado na base da estátua, e um pedaço de tecido de cor laranja repousa ao lado.

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A Importância de Santiago para os Povos Ibéricos

A figura de Santiago, ou São Tiago Maior, transcende a mera iconografia religiosa, assumindo um papel central na história, na cultura e na identidade dos povos ibéricos.

A sua importância advém da lenda que o associa à evangelização da Península Ibérica e, mais significativamente, da sua ligação ao Caminho de Santiago, uma das mais antigas e célebres rotas de peregrinação do mundo.

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Origens e Lenda

A tradição conta que Santiago, um dos doze apóstolos de Jesus, viajou até à Península Ibérica para pregar a palavra de Deus.

Após o seu martírio em Jerusalém, o seu corpo teria sido transportado de barco para a Galiza, onde foi sepultado num local que mais tarde se tornaria a cidade de Santiago de Compostela.

A descoberta do seu túmulo no século IX, sob o reinado de Afonso II das Astúrias, marcou o início de uma nova era para a Europa medieval e para a Península Ibérica em particular.

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O Caminho de Santiago: Rota de Fé e Cultura

O Caminho de Santiago tornou-se uma das três grandes peregrinações da cristandade, a par de Roma e Jerusalém.

Milhares de peregrinos, de diferentes países e classes sociais, aventuravam-se por estas rotas em busca de redenção espiritual, cura ou aventura.

Para os povos ibéricos, o Caminho foi mais do que uma rota de fé; foi um canal de comunicação cultural e comercial que ligou a Península ao resto da Europa.

Ao longo do percurso, surgiram cidades, hospitais, igrejas e mosteiros, que moldaram a paisagem, a arquitetura e a identidade das regiões por onde passavam.

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A figura de Santiago, como "Matamoros" (Matador de Mouros), foi também adotada como símbolo da Reconquista Cristã, tornando-se o patrono e o estandarte dos exércitos cristãos na luta contra os muçulmanos.

Este papel conferiu-lhe um estatuto de herói nacional e um símbolo da identidade cristã e da resistência ibérica.

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O Legado na Cultura Ibérica

Hoje, a influência de Santiago é visível por toda a Península.

Os nichos e as estátuas, como o que Mário Silva fotografou em Feces de Abaixo, são testemunhos da profunda devoção popular.

As conchas de vieira, símbolo do peregrino, são encontradas em casas, igrejas e monumentos.

O Caminho de Santiago, que hoje atrai peregrinos de todo o mundo, continua a ser uma força unificadora, celebrando a fé, a cultura, a história e a solidariedade humana.

A peregrinação, que outrora era um ato de penitência, é hoje uma jornada de autoconhecimento, de convívio e de comunhão com a natureza e o passado.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
22
Jun25

“Alminhas” - Casas de Monforte – Águas Frias – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Alminhas”

Casas de Monforte – Águas Frias – Chaves – Portugal

22Jun DSC07711_ms

As "Alminhas" são pequenos santuários ou nichos religiosos que se encontram espalhados por várias regiões de Portugal, como o exemplo capturado na fotografia de Mário Silva em Casas de Monforte, Águas Frias, Chaves.

Estas construções, muitas vezes embutidas em paredes de casas ou caminhos rurais, são testemunhos de uma tradição profundamente enraizada na cultura popular portuguesa, ligada à fé católica e à memória dos defuntos.

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As origens das "Alminhas" remontam à Idade Média, numa época em que a morte era uma presença constante na vida das comunidades, marcada por pragas, guerras e condições de vida difíceis.

Inspiradas na crença de que as almas dos falecidos, especialmente as que estavam no purgatório, podiam beneficiar de orações e atos de caridade, estas pequenas capelas começaram a ser erguidas como forma de oferecer conforto espiritual.

Os nichos eram frequentemente dedicados a almas penadas, sendo comum a inscrição de pedidos de esmolas ("esmolas pelas almas") para que os vivos ajudassem na salvação dessas almas através de missas ou orações.

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A construção das "Alminhas" ganhou especial relevância entre os séculos XVII e XIX, coincidindo com o Barroco e o aumento da devoção popular.

Eram geralmente financiadas por famílias locais ou comunidades, muitas vezes em memória de entes queridos ou como agradecimento por favores divinos.

A arquitetura simples, com um arco de pedra e uma cruz no topo, reflete a humildade das intenções, enquanto os altares interiores, decorados com imagens de santos, anjos ou cenas da Virgem Maria, como na fotografia, simbolizam a esperança de redenção.

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Com o passar do tempo, as "Alminhas" tornaram-se marcos culturais e religiosos, muitas vezes associadas a tradições locais, como a colocação de flores ou velas.

Apesar da modernização, estas construções continuam a ser preservadas como parte do património imaterial português, evocando um passado de fé, solidariedade e memória coletiva.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
11
Mai25

“Alminhas” – Casas de Monforte – Águas Frias – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Alminhas”

Casas de Monforte – Águas Frias – Chaves – Portugal

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A fotografia de Mário Silva, intitulada “Alminhas” – Casas de Monforte – Águas Frias – Chaves - Portugal, mostra um pequeno nicho religioso encravado numa parede de pedra.

Dentro do nicho, há uma pintura que retrata uma cena tradicional: um anjo, possivelmente São Miguel Arcanjo, que está no topo, com asas e uma lança, sobre um fundo celestial.

Abaixo, figuras humanas, algumas em vestes azuis, parecem estar em sofrimento, envoltas em chamas que simbolizam o Purgatório.

À frente da pintura, há um vaso dourado com flores brancas (provavelmente lírios, associados à pureza) e uma lamparina vermelha com uma cruz, contendo uma vela acesa.

A palavra "Esmolas" está escrita na base do nicho, sugerindo um pedido de ofertas para as almas.

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Os nichos conhecidos como "alminhas" são pequenas construções religiosas comuns em Portugal, especialmente em áreas rurais como Trás-os-Montes.

Surgiram principalmente entre os séculos XVII e XIX, durante o período da Contrarreforma, quando a Igreja Católica reforçava a doutrina do Purgatório.

Esses nichos eram erguidos em encruzilhadas, caminhos ou muros, com o objetivo de lembrar os fiéis de orar pelas almas do Purgatório.

Muitas vezes, continham imagens ou pinturas de almas penadas no meio de chamas, com anjos ou santos intercessores, e a palavra "esmolas" indicava a solicitação de donativos para missas ou orações que ajudassem a aliviar o sofrimento dessas almas.

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Na tradição católica, as "almas penadas" são as almas dos mortos que estão no Purgatório, um estado intermediário entre o Céu e o Inferno.

Segundo a doutrina, essas almas pertencem a pessoas que morreram em estado de graça, mas ainda precisam ser purificadas de pecados veniais ou expiar as consequências de pecados já perdoados.

No Purgatório, elas sofrem temporariamente, frequentemente representado por chamas, até estarem prontas para entrar no Céu.

A Igreja ensina que as orações, missas e esmolas dos vivos podem ajudar a acelerar essa purificação, daí a importância dos nichos como as "alminhas", que incentivam os fiéis a interceder por essas almas.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
06
Abr25

"O nicho de Santa Rita, em Águas Frias - Chaves - Portugal"


Mário Silva Mário Silva

"O nicho de Santa Rita,

em Águas Frias - Chaves - Portugal"

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A fotografia de Mário Silva, "O nicho de Santa Rita, em Águas Frias - Chaves - Portugal", apresenta um pequeno santuário ou oratório dedicado a Santa Rita, localizado na aldeia de Águas Frias, no concelho de Chaves.

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Um nicho religioso como este pode variar em tamanho e elaboração, desde uma simples cavidade na parede com uma imagem ou estátua da santa, até uma estrutura mais elaborada com detalhes arquitetónicos.

Dada a localização numa aldeia transmontana, é o nicho é feito com materiais locais, como pedra, e apresenta elementos decorativos tradicionais.

A sua localização pode ser variada, encontrando-se numa fachada de uma casa, num muro, num cruzeiro ou noutro local de devoção na aldeia.

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Santa Rita de Cássia (1381-1457) foi uma religiosa italiana da Ordem de Santo Agostinho.

É uma santa muito popular na Igreja Católica, conhecida como a "Santa das Causas Impossíveis" ou a "Advogada dos Casos Desesperados".

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A sua vida foi marcada por diversas provações e sofrimentos:

Rita casou-se com um homem rude e violento, com quem teve dois filhos.

Após o assassinato do marido, ela perdoou os seus assassinos.

Os seus dois filhos morreram pouco depois.

Após a morte do marido e dos filhos, Rita ingressou no Mosteiro Agostiniano de Santa Maria Madalena em Cássia.

Reza a tradição que, durante uma pregação sobre a Paixão de Cristo, Rita recebeu um estigma na testa, uma ferida semelhante à coroa de espinhos de Jesus.

Esta ferida acompanhou-a até à sua morte.

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Muitos milagres são atribuídos à intercessão de Santa Rita, tanto durante a sua vida como após a sua morte.

Um dos mais conhecidos é o "milagre das rosas no inverno", onde, apesar do frio, uma roseira seca no seu jardim floresceu.

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Devido à sua história de vida marcada pelo sofrimento e pela fé, e aos numerosos milagres que lhe são atribuídos, Santa Rita é uma figura de grande devoção popular, sendo invocada em situações difíceis e desesperadas.

A presença de um nicho dedicado a ela em Águas Frias demonstra a fé e a tradição religiosa da comunidade local.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
01
Abr25

A troca de santos no nicho do cemitério de Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

A troca de santos no nicho do cemitério de

Águas Frias – Chaves - Portugal

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Lá no extremo da aldeia transmontana de Águas Frias, onde o vento uiva canções antigas entre os túmulos do cemitério, havia um nicho.

Durante gerações, aquele pequeno abrigo de pedra tinha sido o lar de uma imagem de São Pedro, o guardião das portas do céu, com as suas chaves reluzentes a apaziguar os corações dos que ali repousavam.

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Mas uma manhã de nevoeiro denso, quando o sol ainda hesitava em romper as nuvens, os habitantes de Águas Frias fizeram uma descoberta insólita.

São Pedro tinha desaparecido.

No seu lugar, sorria enigmaticamente Santo António, com o Menino Jesus ao colo e um lírio branco na mão.

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Ninguém conseguia explicar o sucedido.

As portas do cemitério não tinham sinais de arrombamento, até porque estavam sempre abertas.

A imagem de São Pedro parecia ter-se evaporado no ar húmido da madrugada.

Santo António, por sua vez, parecia perfeitamente à vontade no seu novo lar, como se sempre ali tivesse estado.

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A velha Dona Adelaide, a mais antiga da aldeia, lembrou-se de uma lenda antiga, sussurrada pelos seus avós à lareira.

Contava-se que, em noites de lua cheia, os santos padroeiros das aldeias vizinhas trocavam visitas secretas, montados em burros invisíveis, para partilharem histórias e vinho tinto.

Seria possível que São Pedro, cansado de guardar as portas celestiais, tivesse ido visitar algum amigo santo, deixando Santo António a tomar conta do seu posto por uns tempos?

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Outros moradores tinham teorias mais terrenas.

Talvez algum jovem preguiçoso (até porque já são raros), a precisar de um milagre urgente para passar nos exames, tivesse trocado as imagens na esperança de obter uma ajuda mais imediata de Santo António, o santo casamenteiro e dos objetos perdidos.

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O Padre Arlequim, o pároco da aldeia, tentou manter a calma.

Explicou que ambos os santos eram importantes e intercessores poderosos.

Mas, secretamente, sentia um arrepio percorrer-lhe a espinha.

Aquela troca silenciosa, naquela manhã enevoada, tinha algo de estranhamente inquietante.

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Os dias passaram e São Pedro não regressou.

Santo António continuou no nicho, com o seu sorriso sereno a contrastar com a melancolia do cemitério.

Os habitantes de Águas Frias acabaram por se habituar à nova presença.

Começaram até a depositar mais flores no nicho, talvez na esperança de que Santo António lhes trouxesse mais sorte do que São Pedro.

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Mas, em noites de tempestade, quando os raios rasgavam o céu e o vento gemia entre as sepulturas, alguns juravam ouvir um leve tilintar de chaves, vindo de direção incerta, como se São Pedro, algures no éter, ainda se lembrasse do seu antigo posto em Águas Frias.

E, por vezes, no meio da noite, um suave aroma a lírios brancos pairava sobre o cemitério, lembrando a estranha história da troca dos santos no nicho da aldeia transmontana.

Ninguém nunca soube ao certo o que aconteceu naquela manhã de nevoeiro, mas a lenda da troca das imagens de São Pedro e Santo António ficou para sempre gravada na memória de Águas Frias.

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Estória & Fotomontagem: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
09
Mar25

As “Alminhas” na Crença do Povo Português (Assureiras – Águas Frias – Chaves - Portugal)


Mário Silva Mário Silva

As “Alminhas” na Crença do Povo Português

Assureiras – Águas Frias – Chaves - Portugal

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Em muitas estradas e encruzilhadas de Portugal, é comum encontrar pequenos nichos de pedra, conhecidos como Alminhas.

São pequenos monumentos religiosos erguidos em honra das almas do Purgatório, representando um dos elementos mais tradicionais da religiosidade popular portuguesa.

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O Que São as Alminhas?

As Alminhas são manifestações de fé, erguidas geralmente por famílias ou comunidades, como forma de lembrar e interceder pelas almas dos falecidos que ainda não alcançaram a salvação eterna.

Muitas vezes, esses oratórios são acompanhados de imagens religiosas, como representações do fogo purificador, santos intercessores e cruzes.

É habitual ver velas acesas e flores junto a essas estruturas, demonstrando a devoção dos fiéis que ali rezam pelos mortos.

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O Que São Almas Penadas?

Na tradição popular portuguesa, as Almas Penadas são espíritos de pessoas falecidas que, por diversos motivos, não encontraram descanso após a morte.

Acredita-se que estas almas vagueiam pelo mundo dos vivos, manifestando-se através de lamentos, luzes estranhas ou até aparições.

Segundo a crença, essas almas buscam orações e boas ações dos vivos para conseguirem redenção e seguir para a luz divina.

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O Que É o Purgatório?

O conceito do Purgatório está enraizado na doutrina católica e refere-se a um estado transitório de purificação após a morte.

Segundo a Igreja, as almas que não morreram em estado de graça plena, mas que também não merecem a condenação eterna, passam por esse processo de purificação para se tornarem dignas do Céu.

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Na tradição portuguesa, essa ideia do Purgatório está fortemente ligada às Alminhas, pois acredita-se que as orações dos vivos podem aliviar o sofrimento das almas que ali se encontram, acelerando a sua ascensão ao Paraíso.

Daí a importância dos monumentos das Alminhas, que servem como pontos de oração e intercessão.

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As Alminhas e a Cultura Popular

As Alminhas fazem parte do imaginário coletivo português e continuam a ser respeitadas, mesmo nos tempos modernos.

Muitas histórias e lendas falam de milagres atribuídos a promessas feitas nesses pequenos altares.

Os viajantes que passam por esses nichos costumam fazer o sinal da cruz ou murmurar uma oração, mantendo viva a tradição que atravessa séculos.

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Assim, as Alminhas são mais do que simples monumentos – são testemunhos da fé e da relação profunda dos portugueses com os seus antepassados, num ciclo de devoção, esperança e memória.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
02
Mar25

"As Alminhas" (Águas Frias - Chaves - Portugal)


Mário Silva Mário Silva

"As Alminhas"

(Águas Frias - Chaves - Portugal)

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A fotografia mostra uma estrutura conhecida como "Alminhas" localizada em Águas Frias, Chaves, Portugal.

As "Alminhas" são pequenas capelas ou nichos geralmente encontrados em encruzilhada de estradas ou caminhos rurais, e são dedicadas às almas do purgatório.

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As "Alminhas" têm origem na tradição católica, especialmente na Península Ibérica, onde eram erguidas como forma de devoção e lembrança das almas dos falecidos que se acreditava estarem no purgatório, precisando de orações para alcançar o céu.

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A crença central é que as almas do purgatório podem ser ajudadas a alcançar a salvação através das orações dos vivos.

As pessoas acreditavam que ao rezar, acender velas ou deixar oferendas nestas capelas, estavam a ajudar essas almas a reduzir o seu tempo no purgatório.

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Existem várias lendas associadas às "Alminhas".

As "Almas Penadas" são uma parte fascinante do folclore português, especialmente relacionado às "Alminhas".

Almas Penadas refere-se a almas dos falecidos que, segundo a crença popular, ainda estão no purgatório, um estado intermediário onde as almas expiam os seus pecados antes de alcançar o céu.

Essas almas são vistas como penadas porque estão num estado de sofrimento ou busca por redenção.

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Segundo a lenda, essas almas podem aparecer aos vivos, muitas vezes à noite, em locais como encruzilhadas, cemitérios, ou perto das "Alminhas".

Elas podem manifestar-se como sombras, luzes fracas, ou até mesmo como figuras humanas translúcidas.

Uma característica comum dessas aparições é que elas pedem orações.

Acredita-se que as orações dos vivos podem ajudar a aliviar o sofrimento destas almas e acelerar o seu caminho para o céu.

Por exemplo, uma alma penada poderia aparecer para alguém e pedir que rezassem por ela para diminuir o seu tempo no purgatório.

Às vezes, as almas penadas são vistas como protetoras ou como portadoras de avisos.

Elas podem alertar sobre perigos iminentes ou proteger aqueles que as ajudam com as suas orações.

Em algumas estórias, elas aparecem para guiar pessoas perdidas ou para evitar que cometam erros graves.

Para honrar e ajudar estas almas, as pessoas deixam oferendas nas "Alminhas", como flores, velas, e até alimentos.

No Dia de Finados (2 de novembro), é comum ver mais atividade em torno das "Alminhas", com muitas pessoas a visitar, para rezar e lembrar os mortos.

A lenda das Almas Penadas reflete a visão cultural sobre a morte, o além-vida, e a importância da comunidade em ajudar os falecidos.

Esta crença fortalece a prática de lembrar e rezar pelos mortos, mantendo uma ligação entre os vivos e os que partiram.

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Ao longo dos séculos, as "Alminhas" têm servido como pontos de encontro espiritual e comunitário, onde as pessoas se reuniam para rezar.

Elas também simbolizam a lembrança contínua dos mortos e a interligação entre o mundo dos vivos e dos mortos na tradição católica.

Além disso, essas estruturas muitas vezes refletem a arquitetura local e a expressão artística da comunidade, tornando-as também um património cultural.

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Na imagem, a data "8-10-1983" pode indicar uma data significativa, possivelmente a data de construção ou uma data de um evento memorial específico.

A presença de flores e a manutenção da estrutura mostram que ainda é um local de devoção e respeito.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
08
Dez24

"Imaculada Conceição", na igreja de Águas Frias (Chaves - Portugal)


Mário Silva Mário Silva

"Imaculada Conceição"

na igreja de Águas Frias (Chaves - Portugal)

08Dez DSC04825_Advento_ms

A fotografia de Mário Silva captura a beleza e a solenidade de um altar dedicado à Imaculada Conceição, num dia dedicado a esta celebração.

A imagem apresenta um nicho ornado, com colunas e detalhes dourados, que abriga a estátua da Virgem Maria, segurando o Menino Jesus.

A figura central da Virgem, vestida de branco e azul, simboliza a pureza e a realeza.

O altar está adornado com flores coloridas e duas velas, uma verde e outra vermelha, um dos elementos tradicionais da celebração do Advento.

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A fotografia retrata um momento de profunda devoção religiosa.

A imagem da Virgem Maria, como centro da composição, evoca a fé e a espiritualidade dos fiéis.

O altar, ricamente decorado, demonstra a importância dessa celebração na comunidade.

A paleta de cores da fotografia é suave e harmoniosa.

O branco da roupa da Virgem, o azul do manto e o dourado dos detalhes criam uma atmosfera celestial.

As flores coloridas e as velas adicionam um toque de vida e de esperança à imagem.

A luz, que incide sobre a imagem da Virgem, cria um efeito de halo, realçando a sua figura e conferindo-lhe um ar de santidade.

As sombras, que se projetam sobre o altar, adicionam profundidade à composição.

A composição da fotografia é equilibrada e simétrica.

A imagem da Virgem, posicionada no centro da composição, atrai imediatamente a atenção do observador.

As colunas, que flanqueiam a imagem, criam um enquadramento que realça a importância da figura central.

A fotografia está repleta de simbolismo.

A Virgem Maria, como símbolo de pureza e de maternidade, representa a esperança e a salvação.

As velas, por sua vez, simbolizam a luz e a vida.

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Em conclusão, "Imaculada Conceição" é uma fotografia que nos transporta para um universo de fé e espiritualidade.

A imagem, rica em simbolismo, evoca sentimentos de devoção, esperança e paz.

A fotografia é um testemunho da importância da religião na vida das pessoas e da beleza da arte sacra.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
29
Set24

Nicho com imagens da Sagrada Família na aldeia de Parada (Sanfins- Chaves- Portugal) - A Religiosidade nas Aldeias Transmontanas


Mário Silva Mário Silva

Nicho com imagens da Sagrada Família na aldeia de Parada (Sanfins- Chaves- Portugal)

A Religiosidade nas Aldeias Transmontanas

29Set DSC07106_ms

A fotografia apresenta um nicho com imagens da Sagrada Família, localizado na aldeia de Parada, em Sanfins, Chaves, Portugal.

A imagem captura um elemento fundamental da religiosidade popular em Portugal, especialmente nas regiões mais rurais e tradicionais como Trás-os-Montes.

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O nicho, construído em granito, material característico da região, apresenta uma arquitetura simples e tradicional.

A cruz no topo e as imagens da Sagrada Família no interior são elementos iconográficos claramente identificáveis com a fé católica.

A presença de velas e flores artificiais sugere que o nicho é um local de devoção e oração, visitado e cuidado pelos habitantes da aldeia.

O fundo da imagem, com campos e árvores, evoca a paisagem rural de Trás-os-Montes, estabelecendo uma conexão entre a fé e a natureza.

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A imagem do nicho em Parada é mais do que um simples registro fotográfico.

Ela representa um conjunto de valores, crenças e práticas religiosas que moldaram a identidade das comunidades rurais portuguesas ao longo dos séculos.

A religiosidade popular, manifesta em elementos como nichos, capelinhas e cruzes, é profundamente enraizada na cultura de Trás-os-Montes.

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Os nichos são pontos de encontro e de expressão da fé comunitária.

Eles servem como locais de oração, de pedidos de proteção e de agradecimento.

A sua presença nas aldeias reforça os laços sociais e a identidade coletiva.

A religiosidade popular em Portugal é marcada por um rico sincretismo, com a mistura de elementos da fé católica com práticas e crenças mais antigas.

Essa hibridização é evidente na presença de elementos naturais, como árvores e fontes, associados a ritos e crenças pagãs.

Os nichos são testemunhos da resistência das tradições populares face à modernidade.

Apesar das transformações sociais e económicas que ocorreram nas últimas décadas, a fé continua a ser um elemento fundamental na vida das comunidades rurais.

Os nichos são parte integrante do património cultural de Portugal.

Eles são testemunhos de um passado rico e complexo, e devem ser preservados como expressão da identidade e da memória coletiva.

Em conclusão, a fotografia do nicho em Parada oferece-nos uma janela para o mundo da religiosidade popular em Trás-os-Montes.

Através dela, podemos compreender a importância da fé na vida das comunidades rurais, a riqueza das tradições populares e a necessidade de preservar esse património cultural.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
22
Set24

Interior da igreja de Vila Frade (Lamadarcos - Chaves -Portugal)


Mário Silva Mário Silva

Interior da igreja de Vila Frade

(Lamadarcos - Chaves -Portugal)

22Set DSC07640_ms

A fotografia capturada por Mário Silva apresenta o interior da Igreja de Vila Frade, localizada na freguesia de Lamadarcos, Chaves, Portugal.

A imagem revela um espaço sagrado com rica ornamentação barroca, caracterizada pela sua complexidade e detalhe.

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No centro da imagem, vemos o altar-mor da igreja, que é o ponto focal.

Ele é adornado com detalhes dourados e finamente trabalhados, típicos do estilo barroco.

No altar, há um crucifixo ao centro, ressaltando a presença cristã e a devoção religiosa.

O retábulo atrás do altar exibe colunas com detalhes dourados e tons de mármore.

A simetria é predominante na disposição dos elementos, o que é uma característica importante na arquitetura barroca.

À esquerda, encontra-se a imagem de Nossa Senhora do Rosário, destacada numa posição elevada, dentro de uma nicho ornamentado, o que reforça a sua importância na devoção católica.

À direita do altar-mor, observa-se uma escultura antiquíssima de estilo barroco de Santa Marta, também colocada ñuma área ricamente decorada, refletindo o estilo barroco e sua ênfase em representações visuais detalhadas e dramáticas.

Vê-se um ambão (púlpito) com a inscrição "Palavra de Deus" e a presença de flores sobre a mesa do altar, que adiciona cor e simbolismo à cena.

A luz natural que entra pela igreja e a luz artificial destacam os detalhes dourados e o brilho dos elementos decorativos, criando um contraste que exalta a riqueza dos materiais usados.

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A fotografia de Mário Silva captura a essência do estilo barroco presente na igreja, enfatizando a grandiosidade e o detalhe do altar-mor.

A simetria da composição e o uso de cores quentes e douradas trazem uma sensação de profundidade e riqueza espiritual ao observador.

A escolha do ângulo de captura é eficaz para revelar os detalhes tanto das esculturas como da arquitetura, transmitindo a atmosfera de reverência e admiração que o espaço busca evocar.

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A imagem é um exemplo claro de como a arte sacra e a arquitetura barroca se combinam para criar um ambiente visualmente impressionante e espiritualmente significativo, reforçando o papel da igreja não apenas como um local de culto, mas também como uma expressão artística e cultural.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
28
Jul24

Antigo altar da capela particular (antes) dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

Antigo altar da capela particular (antes) dedicada

a Nossa Senhora dos Prazeres

Jul28  DSC02074_ms

De acordo com as informações disponíveis, o antigo altar da capela particular dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres era feito em madeira e apresentava as seguintes características:

-  O altar era provavelmente de estilo barroco, comum nas capelas portuguesas dos séculos XVII e XVIII.

-  O altar era feito de madeira talhada e dourada.

-  O altar era retangular, com um nicho central onde se encontrava a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres.

- O altar era decorado com colunas, colunas, frisos e outros elementos ornamentais típicos do estilo barroco.

-  A imagem de Nossa Senhora dos Prazeres era uma estátua de madeira policromada, com cabelo natural, provavelmente do século XVIII.

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A demolição do antigo altar da capela particular dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres e a sua substituição por um novo altar moderno e incaracterístico representa uma perda significativa para o património cultural e religioso da região.

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O antigo altar era uma obra de arte valiosa que testemunhava a história e a tradição da capela.

Era também um importante elemento da identidade da comunidade local, que se identificava com a sua beleza e significado religioso.

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O novo altar, por outro lado, é um objeto sem alma que não tem qualquer valor histórico ou cultural.

É um mero objeto decorativo que não contribui para a identidade da capela ou da comunidade.

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A decisão de demolir o antigo altar e construir um novo foi tomada, pelo proprietário, sem a opinião da comunidade local, o que gerou grande consternação e tristeza.

Esta decisão é um exemplo da crescente secularização da sociedade portuguesa e da perda de apreço pelo património religioso.

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A demolição do antigo altar da capela particular dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres é um ato irreversível que representa uma perda significativa para o património cultural e religioso da aldeia, da região e da arte.

É importante que as autoridades competentes tomem medidas para proteger o património religioso e para garantir que este tipo de situações não se repita no futuro.

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Recomendações (minha opinião, valendo o que vale):

Criar um inventário do património religioso da região.

Classificar as capelas e outros edifícios religiosos como monumentos de interesse público.

Promover a educação para o património religioso e cultural.

Envolver as comunidades locais na tomada de decisões sobre o património religioso, apoiando-se no conhecimento técnico de especialistas na área da arte religiosa.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
02
Mai24

As "Alminhas" da Nossa Senhora dos Bons Caminhos - (Oucidres – Chaves – Portugal)


Mário Silva Mário Silva

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As "Alminhas" da Nossa Senhora dos Bons Caminhos

(Oucidres – Chaves – Portugal)

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As "alminhas" são pequenos nichos ou capelas dedicadas às almas dos falecidos.

São encontrados em todo o Portugal, mas são mais comuns nas regiões do Norte e Centro do país.

A origem das "alminhas" remonta à Idade Média, quando a crença no purgatório era muito difundida. O purgatório era um lugar de purificação das almas após a morte, antes de entrarem no Céu ou no Inferno.

As "alminhas" eram construídas como forma de ajudar as almas a alcançar a salvação eterna.

As primeiras "alminhas" eram simples cruzes de madeira colocadas em locais onde se acreditava que os falecidos haviam morrido.

Com o tempo, as "alminhas" tornaram-se mais elaboradas, sendo feitas de pedra, tijolo ou madeira e decoradas com imagens religiosas, flores e velas.

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A "alminha" da Nossa Senhora dos Bons Caminhos é um exemplo típico de "alminha" portuguesa. É feita de tijolo e tem uma cruz no topo. A capela está decorada com imagens da Virgem Maria e de Jesus Cristo.

As "alminhas" são geralmente encontradas em locais públicos, como cruzamentos de estradas, praças e cemitérios

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As "alminhas" têm um significado religioso e cultural importante. Elas são um símbolo da fé católica e da crença na vida após a morte.

As "alminhas" também nos lembram da fragilidade da vida e da importância de rezar pelas almas dos falecidos.

Além disso, as "alminhas" têm um valor cultural importante. Elas fazem parte do património cultural português e são um símbolo da identidade nacional.

As "alminhas" também são um ponto de encontro para a comunidade, onde as pessoas se reúnem para rezar e conversar.

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As "alminhas" são frequentemente mencionadas na cultura popular portuguesa. Elas aparecem em canções, histórias e lendas. As "alminhas" também são um tema popular na arte portuguesa.

Um exemplo famoso da presença das "alminhas" na cultura popular portuguesa é a canção "As Alminhas", de Zeca Afonso. A canção fala sobre a importância de rezar pelas almas dos falecidos e de lembrar das pessoas que já morreram.

 

As "alminhas" são um elemento importante da cultura portuguesa. Elas são um símbolo da fé católica, da crença na vida após a morte e da identidade nacional.

As "alminhas" também são um ponto de encontro para a comunidade e um tema popular na cultura popular portuguesa.

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Texto e fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
25
Fev24

Nicho de S. Pedro - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

Nicho de S. Pedro

Águas Frias - Chaves - Portugal

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O nicho apresentado é em honra de São Pedro, o orago da aldeia de Águas Frias, em Chaves, Portugal.

A estrutura é baseada em uma réplica da torre e muralha do castelo de Monforte de Rio Livre.

O nicho é uma pequena estrutura de pedra com uma abertura em arco.

Dentro do nicho há uma estátua de São Pedro, o santo padroeiro da aldeia. A estátua é feita de gesso e está pintada de azul e vermelho. São Pedro está segurando uma chave numa mão e um livro na outra.

A base do nicho é uma réplica da torre e muralha do castelo de Monforte de Rio Livre. O castelo é uma fortificação medieval que fica perto da aldeia de Águas Frias. A torre e a muralha do castelo são feitas de granito da região e têm uma cor acinzentada.

O nicho está localizado na entrada principal da aldeia de Águas Frias.

O nicho é um marco importante da aldeia e é um local popular para os moradores se reunirem.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
31
Mar21

Nicho de S. Pedro - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

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Nicho, à entrada da aldeia de Águas Frias (Chaves) – Portugal, dedicado a S. Pedro, pois é o orago da Aldeia.

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“São Pedro foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo e primeiro bispo de Roma, sendo assim, a igreja católica o considera o primeiro papa de toda a história da religião. Seu papado é até então o mais longo da história. Segundo as Escrituras, seu papado durou 37 anos.”

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"Eu te darei as chaves do reino dos céus e o que ligares na Terra, será ligado nos céus".

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“São Pedro também é conhecido por decidir como será o clima em cada dia. Essa fama veio através da outra, a de abrir e fechar as portas dos céus. Logo, se é ele que abre e fecha as janelas e portas, então é para ele que devemos pedir para que faça chover ou cesse inundações.”

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Ver também:

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Mário Silva 📷
02
Nov20

Dia dos Fiéis Defuntos ou Dia de Finados


Mário Silva Mário Silva

 

Dia dos Fiéis Defuntos

ou

Dia de Finados

 


Dia dos Fiéis Defuntos ou Dia de Finados, (conhecido ainda como Dia dos Mortos), é celebrado pela Igreja Católica no dia 2 de novembro.

Desde o século II, alguns cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram.

No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava.

Também o abade de Cluny, Santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. Desde o século XI os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia aos mortos.

cruz com moldura

No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado em 2 de novembro, porque 1 de novembro é a Festa de Todos os Santos. A doutrina católica evoca algumas passagens bíblicas para fundamentar sua posição (cf. Tobias 12,12; Jó 1,18-20; Mt 12,32 e II Macabeus 12,43-46), e apoia-se numa prática de quase dois mil anos.

S Pedro cemitério com moldura

Nicho de S. Pedro, no cemitério de Águas Frias, com a seguinte inscrição:

Fomos o que vós sois

Sereis quaes somos agora

Orae por nós nesta hora

O prémio tereis depois.

 

Neste dia, dois de novembro, relembramos os que nos deixaram desta Vida Terrestre, mas a sua memória não se apaga e por isso, relembro com saudade todos aqueles que partiram deste Mundo, mas nos deixaram a sua memória, as suas vivências, todo um passado que a memória de cada um torna "presente".

 DESCANSEM EM PAZ ... 

Friso - Cruz P&B

 A Vossa memória jamais será esquecida ...

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Mário Silva 📷
07
Mai20

Avelelas - Águas Frias - Chaves


Mário Silva Mário Silva

 

AVELELAS

 

Avelelas é uma aldeia pertencente à freguesia de Águas Frias, concelho de Chaves, distrito de Vila Real – Portugal.  

Avelelas está situada a uma altitude de 759 metros.

 

Avelelas - Águas Frias - Chaves

 

Quem cruza as terras de Monforte de Rio Livre não pode ficar indiferente a Avelelas.

O lugar é detentor de um património que se perde na memória, apenas preservado por uma epígrafe ou pelo sulco gravado no granito.

Disso é exemplo a ara romana que se conserva na igreja de Nossa Senhora da Natividade que, por sua vez, data de 1699.

Um pouco mais para sul do lugar de Avelelas, o imponente lagar escavado na rocha ilustra a dimensão e potencial agrícola da região noutros tempos.

 

in: https://www.avivar.pt/avelelas.php

 

 

 

Mário Silva 📷

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