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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

22
Jan26

“Pedra Bolideira” - Planalto de Monforte – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Pedra Bolideira”

Planalto de Monforte – Chaves – Portugal

22Jan Pedra Bolideira_ms.jpg

Esta é uma belíssima composição que nos transporta para o misticismo das terras altas transmontanas.

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A fotografia de Mário Silva, intitulada "Pedra Bolideira", captura a alma do Planalto de Monforte, em Chaves, sob o rigor de um inverno rigoroso.

A imagem destaca-se pela sua atmosfera etérea, onde o nevoeiro denso funde o céu e a terra num branco infinito.

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No centro da composição, as monumentais massas de granito — cobertas por musgo e agora salpicadas por uma fina camada de neve ou geada — impõem-se pela sua robustez.

Em primeiro plano, um conjunto de mesa e bancos de pedra surge solitário, convidando à contemplação do silêncio.

O tratamento artístico, com uma vinheta suave e uma tonalidade fria, acentua o isolamento e a quietude deste lugar emblemático, transformando a paisagem geológica num cenário quase onírico.

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O Equilíbrio Mágico da Pedra Bolideira

O título da obra transporta-nos imediatamente para um dos fenómenos geológicos mais fascinantes de Portugal: a Pedra Bolideira.

Situada no Planalto de Monforte, esta não é apenas uma rocha colossal; é um símbolo de equilíbrio improvável e um guardião de lendas ancestrais.

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O Mistério do Movimento

A "Pedra Bolideira" deve o seu nome à sua característica mais singular: apesar de pesar várias dezenas de toneladas, diz-se que um pequeno impulso humano num ponto específico é capaz de a fazer oscilar (ou "bolir").

Na fotografia de Mário Silva, este gigante parece repousar numa fragilidade silenciosa, desafiando as leis da gravidade sob o manto branco do inverno de Chaves.

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A Paisagem Transmontana no Inverno

O Planalto de Monforte é uma região de beleza crua e resiliente.

O artigo visual proposto pelo fotógrafo realça o binómio entre a dureza e a suavidade:

A Dureza: Representada pelo granito eterno e pelas árvores despidas, símbolos de uma terra que resiste ao tempo.

A Suavidade: Transmitida pelo nevoeiro e pela geada, que suavizam as arestas da rocha e criam uma sensação de paz absoluta.

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Mais que Geologia, uma Identidade

Relacionar o tema da fotografia com o seu título é falar da identidade de Trás-os-Montes.

A Pedra Bolideira é um ponto de paragem obrigatório, um local onde a natureza parece querer comunicar connosco.

O mobiliário de pedra em primeiro plano, vazio, mas presente, sugere que este ritual de visitar a "pedra que bole" é uma tradição partilhada por gerações, mesmo quando o frio afasta os visitantes e deixa a paisagem entregue aos seus próprios mistérios.

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A lente de Mário Silva não regista apenas um local turístico; imortaliza o “genius loci” (o espírito do lugar) de Monforte, onde a pedra ganha vida e o tempo parece ter parado para nos deixar ouvir o silêncio do planalto.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
25
Dez25

"É Natal !!!" (Águas Frias – Chaves – Portugal … e todo o Mundo)


Mário Silva Mário Silva

"É Natal !!!"

(Águas Frias – Chaves – Portugal … e todo o Mundo)

A  TODOS  UM  FELIZ  e  SANTO  NATAL

25 Dez uek44suek44suek4_ms.jpg

A fotografia de Mário Silva é a representação quintessencial de um "Natal Branco", capturando um cenário idílico na aldeia de Águas Frias, sob um forte nevão.

O Presépio: Em primeiro plano, destaca-se um Presépio de rua montado sobre um murete de pedra.

A estrutura central é uma cabana de madeira rústica com telhado coberto de neve.

No interior, iluminada por uma luz quente e dourada (que contrasta com o branco frio do exterior), está a Sagrada Família.

Ao redor, espalham-se as figuras dos Reis Magos montados nos seus camelos, pastores e ovelhas, todos eles subtilmente salpicados por flocos de neve reais.

A Igreja: Como pano de fundo majestoso, ergue-se a Igreja Matriz.

A fachada é caiada de branco com molduras em granito, e a torre sineira de dupla abertura exibe os sinos silenciosos sob a neve.

O relógio na fachada marca o tempo na aldeia.

A Neve: O ambiente é dominado pela queda de neve ativa.

Flocos brancos preenchem o ar, desfocando ligeiramente as árvores despidas nas laterais e cobrindo o chão e os telhados com um manto imaculado.

A luz é difusa, suave e mágica.

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Quando o Céu Toca a Terra – O Milagre de Natal em Águas Frias

O título é um grito de alegria, simples e direto: "É Natal !!!".

E na fotografia de Mário Silva, a natureza parece ter respondido a esse grito vestindo a aldeia de Águas Frias, em Chaves, com a sua melhor gala.

Não há luzes de néon, nem centros comerciais, nem artifícios.

Há apenas a pedra, a fé e a neve.

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O Presépio Vivo de Gelo e Luz

Nesta imagem, o Presépio deixa de ser uma representação para se tornar realidade.

As figuras de barro, imóveis no seu palco de pedra, ganham vida sob a tempestade branca.

Os camelos dos Reis Magos parecem caminhar verdadeiramente por um deserto gelado, guiados não apenas pela estrela, mas pela pequena luz amarela que brilha dentro da cabana de madeira.

Aquela luz solitária no meio do nevão é o coração da fotografia.

É a metáfora perfeita para o Natal: uma chama pequena e frágil que, no entanto, é suficiente para aquecer a imensidão fria do mundo.

É o conforto do lar, a promessa de abrigo e o nascimento da Esperança no meio do inverno mais rigoroso.

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O Tempo Suspenso na Torre

Atrás, a igreja ergue-se como uma guardiã de granito.

O seu relógio marca as horas, mas a neve tem o poder de suspender o tempo.

Em Águas Frias, sob este manto branco, o século XXI desaparece.

Poderia ser hoje, poderia ser há cem anos.

O silêncio da neve abafa os ruídos modernos e deixa ouvir apenas o essencial: o bater do coração da comunidade e o eco da mensagem de paz.

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De Águas Frias para o Mundo

Embora a imagem seja de um recanto transmontano, o sentimento é universal.

"É Natal !!!" em Águas Frias, mas a emoção que a fotografia transmite viaja para todo o mundo.

A neve que cai sobre este adro é a mesma que cai nos sonhos de crianças em qualquer latitude.

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Mário Silva captou o momento em que o divino e o humano se tocam.

A aldeia transformou-se numa catedral a céu aberto, onde cada floco de neve é uma prece e cada pedra coberta de branco é um testemunho de que, mesmo nas noites mais frias, a Luz acaba sempre por nascer.

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A TODOS UM FELIZ e SANTO NATAL

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
24
Dez25

"A Aldeia colocou a 'toalha' branca para a Ceia de Natal" (Águas Frias - Chaves - Portugal)


Mário Silva Mário Silva

"A Aldeia colocou a 'toalha' branca para a Ceia de Natal"

(Águas Frias - Chaves - Portugal)

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A fotografia de Mário Silva é uma magnífica vista panorâmica aérea da aldeia de Águas Frias, captada num dia de nevada intensa, provavelmente na véspera de Natal.

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A Paisagem: A imagem revela a topografia da região, com a aldeia aninhada num vale suave.

Todo o cenário está coberto por um manto de neve espesso e imaculado.

A "Toalha" Branca: Os campos agrícolas que rodeiam o casario, habitualmente verdes ou castanhos, transformaram-se em superfícies brancas e lisas.

Os muros de pedra que dividem as propriedades desenham linhas escuras e geométricas sobre a neve, assemelhando-se às dobras ou aos bordados de uma grande toalha estendida sobre a terra.

O Casario: No centro, as casas da aldeia agrupam-se com os seus telhados cobertos de branco.

A arquitetura tradicional transmontana destaca-se timidamente, com algumas fachadas a revelar tons de pedra ou reboco, mas a predominância é a uniformidade da neve.

Primeiro Plano: Em primeiro plano, ramos de árvores despidas de folhagem, salpicados de neve, criam uma moldura natural, dando profundidade à imagem e acentuando a sensação de estarmos a observar um presépio vivo a partir de um ponto elevado.

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A Toalha de Linho do Céu – Um Natal Branco em Águas Frias

Há metáforas que, de tão perfeitas, deixam de ser figuras de estilo para se tornarem realidade visível.

O título desta fotografia, "A Aldeia colocou a 'toalha' branca para a Ceia de Natal", é uma dessas verdades poéticas.

Na véspera da noite mais sagrada do ano, Águas Frias não precisou de enfeites artificiais; a própria natureza encarregou-se da decoração, estendendo sobre o vale o mais puro linho que o inverno transmontano consegue tecer.

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O Ritual do Silêncio

A neve tem o poder de silenciar o mundo.

Ela abafa o ruído dos passos, o som dos carros e até o ladrar dos cães.

Quando a "toalha" branca é colocada, a aldeia entra num estado de reverência.

É como se a paisagem soubesse que a Ceia de Natal exige solenidade.

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Nesta fotografia, vemos Águas Frias transformada num presépio à escala real.

As casas, aconchegadas umas às outras sob o peso branco dos telhados, guardam no seu interior o calor que falta lá fora.

Imaginamos, por detrás daquelas paredes de pedra, as lareiras acesas, o cheiro a lenha queimada, o polvo ou o bacalhau a cozer e as filhós a fritar.

O contraste é absoluto: fora, o gelo estático e belo; dentro, o fogo vivo e a família.

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A Mesa Está Posta

Diz-se que no Natal ninguém deve ficar sozinho e que a mesa deve estar sempre posta.

Aqui, é a terra inteira que se senta à mesa.

Os muros de pedra, desenhados a negro sobre a neve, parecem as marcas dos lugares marcados para os convidados: os ausentes, os presentes e os que hão de vir.

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Esta "toalha" não foi lavada no tanque da aldeia nem secada ao sol de agosto.

Foi enviada do céu, caindo floco a floco, cobrindo as imperfeições do chão, nivelando os caminhos e purificando a vista.

É uma toalha efémera, que durará apenas enquanto o frio permitir, mas que chegou no momento exato para dignificar a festa.

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O Milagre da Terra Fria

Em Trás-os-Montes, o Natal tem uma dureza terna.

O frio aperta o corpo, mas a tradição aquece a alma.

A fotografia de Mário Silva capta esse espírito: a beleza austera de uma aldeia que, no dia 24 de dezembro, recebeu o presente mais bonito que o céu podia dar.

A aldeia vestiu-se de branco, a mesa está posta, e o mundo parece, por um instante, imaculado e novo, pronto para o nascimento da Esperança.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
23
Dez25

"O castelo de Monforte de Rio Livre, esperando o Natal, sobre um manto branco"


Mário Silva Mário Silva

"O castelo de Monforte de Rio Livre,

esperando o Natal,

sobre um manto branco"

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A fotografia de Mário Silva é uma paisagem de inverno majestosa, que retrata as ruínas históricas do Castelo de Monforte de Rio Livre (em Chaves) completamente dominadas pela neve.

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O Castelo: No topo de uma colina elevada, destaca-se a silhueta da Torre de Menagem quadrangular e de alguns panos de muralha em ruínas.

A pedra escura e antiga contrasta subtilmente com o branco que a rodeia, mantendo a sua postura de sentinela solitária.

O Manto Branco: Toda a paisagem está submersa num manto de neve espesso e uniforme.

As árvores e arbustos que cobrem a encosta até ao castelo estão "petrificados" pelo gelo e pela neve, assemelhando-se a corais brancos ou a uma floresta de cristal.

A Atmosfera: O fundo da imagem é preenchido por montanhas distantes, esbatidas pela neblina e pela queda de neve, criando uma profundidade atmosférica em tons de azul-pálido e cinzento.

A cena transmite frio extremo, silêncio absoluto e uma beleza intemporal.

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O Sentinela de Gelo – Monforte de Rio Livre no Natal Branco

A imagem do Castelo de Monforte de Rio Livre coberto de neve, a poucos dias do Natal, é mais do que um postal de inverno; é um retrato da alma histórica e geográfica da Terra Fria Transmontana.

Neste cenário, onde a história se encontra com a meteorologia, o castelo deixa de ser uma ruína militar para se tornar um monumento à paciência e à resistência.

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A Solidão da História

O castelo, situado num ponto estratégico entre Chaves e Verín, na aldeia de Águas Frias, foi em tempos um bastião de defesa fronteiriça.

Hoje, abandonado e em ruínas, a sua Torre de Menagem ergue-se como o único guardião de uma memória antiga.

Sob o "manto branco", a sua solidão é amplificada.

A neve apaga os caminhos modernos, esconde a vegetação e uniformiza a paisagem, devolvendo ao castelo a sua pureza original.

Ele parece flutuar sobre a colina, intocado pelo tempo, "esperando o Natal" num silêncio monástico que convida à reflexão.

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A Beleza Cruel do Inverno

A fotografia capta a beleza extrema do inverno transmontano, mas não esconde a sua dureza.

As árvores cobertas de neve mostram a severidade das condições climáticas que moldaram esta região e as suas gentes.

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A beleza é fria, quase cortante.

O branco domina tudo, criando um cenário de conto de fadas gótico, onde a natureza reclama a pedra para si.

O castelo, resistindo ao peso da neve e ao vento gélido da serra, simboliza a tenacidade de quem vive nestas terras altas.

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A Espera do Natal

O título sugere uma personificação poética: o castelo está "à espera do Natal".

Nesta época de luz e calor humano, a imagem de uma fortaleza fria e isolada pode parecer contraditória.

No entanto, o Natal é também tempo de paz e silêncio.

E não há paz maior do que a de uma montanha coberta de neve, onde o ruído do mundo não chega.

Monforte de Rio Livre, vestido de branco, oferece-nos o verdadeiro espírito do Natal na natureza: uma quietude sagrada e uma beleza que, tal como a história que ele guarda, resiste a todas as tempestades.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
21
Dez25

"Advento -(Rorate, caeli) - "Desça o orvalho do alto dos céus e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador.""


Mário Silva Mário Silva

Advento -(Rorate, caeli)

"Desça o orvalho do alto dos céus e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador."

21Dez DSC06498_ms.jpg

A fotografia, captada por Mário Silva, apresenta a torre sineira da Igreja Matriz de Águas Frias, em Chaves, sob um enquadramento dramático e evocativo do tempo do Advento.

O ângulo de visão é baixo, acentuando a verticalidade e a imponência da torre de pedra granítica, que domina a composição e se eleva contra um céu azul pontuado por nuvens.

A arquitetura é robusta, de um estilo barroco sóbrio, visível no corpo principal branco e no remate da torre com os seus pináculos e a cruz no topo.

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Destaca-se um elemento de contraste sazonal e simbolismo litúrgico: a imagem está artisticamente tratada com um efeito de neve a cair em primeiro plano.

Estas "gotas" brancas e brilhantes preenchem o espaço, simulando a precipitação e a ideia de "orvalho" e "chuva" mencionadas na citação bíblica (Rorate, caeli), conferindo um toque de mistério e expetativa.

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À direita, parte de uma árvore de folhagem verdejante contrasta com a neve e a pedra, adicionando um elemento de vida e cor.

No centro da torre, um relógio marca as horas, simbolizando a passagem do tempo e a espera.

Em primeiro plano, no canto inferior esquerdo, vê-se parte de um pilar de pedra trabalhado, típico da arquitetura religiosa local, que enquadra e protege o olhar.

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A fotografia funde a realidade arquitetónica da aldeia transmontana com o simbolismo da fé, criando uma imagem que é, simultaneamente, um registo documental e uma meditação poética sobre a espera do Natal.

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Advento - O Clamor do "Rorate, caeli"

O título "Advento -(Rorate, caeli)" e a citação profética que o acompanha — "Desça o orvalho do alto dos céus e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador." (uma adaptação de Isaías 45:8, na Vulgata) — remetem para um dos mais belos e profundos temas da liturgia cristã: o tempo do Advento.

Este é um período de quatro semanas que antecede o Natal, marcado pela vigilância, penitência e, sobretudo, ardente expetativa da vinda do Salvador.

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O Significado do Clamor Profético

A expressão latina "Rorate caeli desuper" significa "Destilai, ó céus, o vosso orvalho do alto".

É o Intróito (Canto de Entrada) tradicional de uma missa votiva da Virgem Maria celebrada no Advento, popularmente conhecida como Missa Rorate.

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O Orvalho e a Chuva: O "orvalho" e a "chuva" simbolizam a graça divina e a descida do Messias, Jesus Cristo.

Na mentalidade bíblica, o orvalho é uma bênção que vivifica a terra seca; o Justo (o Salvador) é a água de vida que a humanidade anseia para sair da sua aridez espiritual.

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Abertura da Terra: O pedido "Abra-se a terra e germine o Salvador" exprime o anseio da criação e da humanidade.

É a oração para que a terra, que está "fechada" pelo pecado original, se torne fecunda pela intervenção divina, dando à luz a Salvação.

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Expetativa e Anseio: Este texto, cantado em canto gregoriano, reflete o clamor dos profetas e, simbolicamente, o anseio da Igreja ao longo da História pela primeira vinda de Cristo (o Natal) e a segunda vinda (no fim dos tempos).

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A Missa Rorate e o Símbolo da Luz

A Missa Rorate é tradicionalmente celebrada antes do amanhecer nos sábados do Advento (dedicados à Virgem Maria).

A sua simbologia é poderosa:

A Escuridão: A celebração começa na escuridão da madrugada, com a igreja iluminada apenas pela luz das velas trazidas pelos fiéis.

Esta penumbra representa o mundo envolto nas trevas do pecado e na noite de espera antes da Vinda de Cristo.

A Luz que Cresce: À medida que a missa avança, a luz da aurora começa a surgir e, no fim da celebração, o templo é inundado pela luz do sol nascente.

Este é o símbolo de Cristo, o Sol Nascente (Oriens) prometido pelos profetas, que vem dissipar as trevas.

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A Igreja de Águas Frias na Espera

Ao escolher a Igreja de Águas Frias, em Chaves, como cenário, o fotógrafo Mário Silva enquadra esta meditação teológica numa realidade concreta e portuguesa.

A pedra granítica da igreja (ver-se na fotografia) evoca a solidez e a longevidade da fé nas comunidades transmontanas.

O efeito de neve e orvalho sobre o edifício (como se sugere na descrição visual) torna-se a materialização da súplica litúrgica: a promessa de Salvação desce sobre a casa de Deus e sobre a comunidade reunida.

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O Advento não é apenas um tempo de memória, mas um apelo à conversão e à vigilância ativa.

A imagem da torre, robusta, mas coberta pelo suave "orvalho" divino, convida o observador a preparar o coração para receber Aquele que está para vir, lembrando que a luz, mesmo que comece com uma simples vela na escuridão, acabará por inundar o mundo.

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Texto & Fotografia (tratada): ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
17
Dez25

"Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) no planalto nordestino, nevado"


Mário Silva Mário Silva

"Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula)

no planalto nordestino, nevado"

17Dez DSC00140-fotor-20251126185613_ms.jpg

A fotomontagem de Mário Silva é uma composição artística que justapõe o detalhe de uma ave icónica com a vastidão de uma paisagem de inverno.

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O Pisco-de-peito-ruivo: Em primeiro plano, do lado esquerdo, destaca-se um Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula).

A ave exibe a sua característica mais marcante: a mancha alaranjada vibrante no peito e na face, que contrasta com a plumagem castanha do dorso e o ventre claro.

O pisco está pousado numa haste, olhando diretamente para a câmara (ou para o observador) com uma postura atenta e curiosa.

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O Planalto Nevado: O fundo retrata o Planalto Nordestino coberto por um espesso manto de neve branca e imaculada.

O horizonte é vasto e plano, transmitindo a sensação de isolamento e silêncio.

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A Árvore Solitária: Do lado direito, equilibrando a composição, ergue-se uma árvore grande e despida de folhas.

A sua silhueta negra e ramificada recorta-se nitidamente contra o céu e a neve, enfatizando a nudez do inverno.

Ao fundo, uma linha de árvores escuras marca o limite da paisagem.

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A Atmosfera: O céu azul-acinzentado sugere um dia frio e encoberto.

A imagem joga com o contraste entre o calor da cor da ave e o frio gélido do cenário.

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A Chama Viva no Branco do Planalto – O Pisco e a Neve

No vasto e gelado Planalto Nordestino (Trás-os-Montes), onde o inverno não é apenas uma estação, mas um estado de espírito, a paisagem tende a cair num silêncio monocromático.

A neve cobre os caminhos, as rochas de granito e os campos agrícolas, pintando tudo de branco.

É neste cenário de aparente dormência que surge, como uma pequena chama de esperança, o Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula).

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O Sentinela do Inverno

A fotografia de Mário Silva capta a essência deste contraste.

Enquanto muitas aves migram para sul em busca de calor, o pisco é um residente tenaz (reforçado no inverno por companheiros vindos do norte da Europa).

Ele permanece.

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Com o seu corpo pequeno e arredondado, o pisco desafia as temperaturas negativas da Terra Fria transmontana.

A sua mancha alaranjada no peito funciona visualmente como uma brasa acesa no meio da neve, quebrando a monotonia dos cinzentos e brancos.

Ele é o verdadeiro sentinela do inverno: territorial, corajoso e sempre atento a qualquer movimento na terra que possa revelar alimento.

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A Solidão da Árvore e a Companhia da Ave

A árvore solitária ao fundo da imagem representa a estrutura da paisagem despida.

Sem a folhagem, a árvore dorme, esperando a primavera.

O pisco, porém, não dorme.

Ele traz vida ao cenário estático.

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Conhecido como o "amigo do jardineiro" ou dos lavradores, o pisco tem o hábito de seguir quem trabalha a terra, esperando que a enxada revire o solo para encontrar minhocas.

No planalto nevado, onde a terra está escondida, a sua resiliência é ainda mais notável.

Ele procura abrigo nas sebes e alimenta-se do que a natureza ainda oferece ou da caridade humana.

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Um Símbolo de Natal e de Resistência

Não é por acaso que o pisco-de-peito-ruivo é associado aos postais de Natal.

A sua presença na neve evoca conforto e alegria.

Nesta fotografia, ele é mais do que uma ave bonita; é um símbolo da resistência transmontana.

Tal como as gentes do Nordeste, que se adaptam e vivem em harmonia com a dureza do clima, o pisco enfrenta o frio com o peito erguido, lembrando-nos que a vida pulsa forte mesmo debaixo do manto gelado do inverno.

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Texto & Fotomontagem: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
15
Dez25

"Águas congeladas em Águas Frias" (Chaves - Portugal)


Mário Silva Mário Silva

"Águas congeladas em Águas Frias"

(Chaves - Portugal)

15Dez DSC03752_ms-fotor.jpg

A fotografia de Mário Silva regista um cenário de inverno rigoroso numa estrutura comunitária rural.

A imagem é dominada pelo frio palpável que transformou a água em pedra.

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O Tanque em Primeiro Plano: O foco principal é um tanque de granito rústico, de formato retangular.

O seu interior, que deveria conter água líquida, está ocupado por um bloco sólido de gelo coberto de neve ou geada, criando uma superfície branca e nivelada.

A textura rugosa da pedra contrasta com a suavidade do gelo.

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O Cenário Enregelado: O chão em redor do tanque está coberto por um manto branco, indicando uma forte nevada ou uma geada intensa que cobriu o pavimento de granito.

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A Perspetiva: Em segundo plano, vislumbra-se um lavadouro comunitário maior, encostado a um muro de pedra coberto de vegetação (hera), também ele com a água congelada e as bordas cobertas de branco.

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A Atmosfera: A luz é difusa e cinzenta, típica de um dia fechado de inverno.

A imagem transmite uma sensação de silêncio absoluto e imobilidade, onde o fluxo da água foi interrompido pela força da temperatura negativa.

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A Profecia do Nome – Quando Águas Frias Cumpre o Seu Destino

Há nomes de terras que são apenas etiquetas geográficas, e há outros, como Águas Frias no concelho de Chaves, que soam como avisos ou profecias meteorológicas.

A fotografia de Mário Silva, "Águas congeladas em Águas Frias", capta o momento exato em que a toponímia e a realidade se fundem num abraço gélido.

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A Geometria do Gelo na Terra Fria

Estamos no coração da Terra Fria Transmontana, uma região onde o inverno não pede licença; ele instala-se com autoridade.

A imagem mostra a transformação da água — o elemento mais dinâmico da aldeia — numa escultura estática.

O tanque de granito, habitualmente um ponto de encontro, de lavagem ou de saciar a sede aos animais, torna-se um monumento ao silêncio.

A água, vencida pelas temperaturas negativas da noite, solidificou, criando um espelho fosco que recobre a pedra.

É uma geometria do frio: o retângulo do tanque molda o gelo, e a neve desenha contornos suaves sobre as arestas duras do granito.

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O Silêncio da Aldeia

Olhar para esta fotografia é quase sentir a dor nas pontas dos dedos e ver o fumo a sair da boca ao respirar.

O congelamento das fontes públicas altera o ritmo da aldeia.

O som constante da água a correr da bica (visível à esquerda) cessa ou é abafado.

A vida recolhe-se para o interior das casas, para junto da lareira, deixando a rua entregue a esta beleza austera.

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Resiliência de Granito

Mas há também uma beleza estoica nesta imagem.

O granito transmontano, coberto de musgo e agora de gelo, aguenta tudo.

Ele foi feito para isto.

A estrutura de pedra não racha com o frio; ela suporta o peso do gelo com a mesma paciência com que suporta o sol de agosto.

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Em Águas Frias, o nome não engana.

E quando o inverno chega com esta força, congelando até a alma das fontes, a aldeia transforma-se numa paisagem de cristal e pedra, provando que há uma beleza extraordinária na dureza do clima do Norte.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
05
Fev25

"A Neve no cume da serra, por entre árvores"


Mário Silva Mário Silva

"A Neve no cume da serra, por entre árvores"

05Fev DSC09331_ms

A fotografia "A Neve no cume da serra, por entre árvores" de Mário Silva captura a beleza agreste e serena da paisagem transmontana num dia de inverno.

A imagem apresenta uma vista panorâmica, com uma montanha coberta de neve no horizonte, vista através da copa de árvores despidas.

A paisagem, dominada por tons de cinza, branco e castanho, evoca uma sensação de tranquilidade e isolamento.

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A composição da fotografia é diagonal, com os galhos das árvores conduzindo o olhar do observador para o cume da montanha.

A perspetiva adotada permite apreciar a vastidão da paisagem e a grandeza da natureza.

A luz, fria e difusa, cria uma atmosfera de inverno, com sombras longas e contrastes suaves.

A paleta de cores é limitada, com predominância de tons de cinza, branco e castanho, que reforçam a sensação de frio e de inverno.

A neve, além de ser um elemento natural, possui um forte simbolismo.

Na cultura popular, a neve está associada à pureza, à renovação e à esperança.

Na fotografia de Mário Silva, a neve que cobre o cume da montanha pode ser vista como um símbolo de resistência e de adaptação da natureza às condições adversas.

A fotografia captura a essência da vida rural em Portugal, revelando a importância da natureza na vida das comunidades locais.

A imagem da montanha coberta de neve evoca um sentimento de nostalgia e de pertença, remetendo para um tempo em que a vida era mais simples e as pessoas estavam mais ligadas à natureza.

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As regiões montanhosas de Trás-os-Montes são caracterizadas por invernos rigorosos, com temperaturas baixas e nevadas frequentes.

As populações locais desenvolveram ao longo dos séculos diversas estratégias para enfrentar as condições climáticas adversas:

-  As casas tradicionais transmontanas são construídas com materiais naturais, como pedra e madeira, que proporcionam um bom isolamento térmico.

- A agricultura de montanha adaptou-se às condições climáticas adversas, com a produção de culturas resistentes ao frio e a criação de animais adaptados ao clima.

- A população local utiliza roupas quentes e impermeáveis para se proteger do frio e da neve.

A vida em comunidade é fundamental para enfrentar as dificuldades do inverno.

Os vizinhos ajudam-se mutuamente nas tarefas como a limpeza da neve e a manutenção das casas.

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Em suma, a fotografia "A Neve no cume da serra, por entre árvores" de Mário Silva é um tributo à beleza e à resiliência da natureza.

A imagem captura a essência do inverno transmontano, com as suas paisagens brutas e sua beleza agreste.

A obra convida-nos a refletir sobre a relação entre o homem e a natureza e sobre a capacidade de adaptação das comunidades rurais às condições climáticas adversas.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
29
Jan25

"Águas Frias... gelada"


Mário Silva Mário Silva

"Águas Frias... gelada"

29Jan Águas Frias 27_ms

A fotografia "Águas Frias... gelada" de Mário Silva captura a essência de um inverno rigoroso numa aldeia transmontana.

A imagem apresenta uma pequena casa de aldeia, com o telhado coberto de neve, ao fundo.

Em primeiro plano, destaca-se uma antiga placa com a inscrição "Águas Frias", também coberta por uma espessa camada de neve.

A placa, direcionada para a direita, indica o caminho a seguir, convidando o observador a adentrar-se na paisagem invernal.

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A composição é marcada pela simplicidade e pela elegância.

A casa, com as suas linhas simples e a sua cor clara, contrasta com a brancura da neve, criando um efeito visualmente impactante.

A placa, com a sua inscrição clara e concisa, funciona como um elemento de orientação e de identificação do lugar.

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A composição é equilibrada e harmoniosa.

A casa, situada no fundo da imagem, cria um ponto de referência visual, enquanto a placa, em primeiro plano, atrai o olhar do observador.

A diagonal da placa conduz o olhar para a direita, convidando o observador a imaginar o que se encontra além da imagem.

A luz, fria e difusa, cria uma atmosfera de tranquilidade e isolamento.

A neve, que cobre toda a paisagem, reflete a luz de forma uniforme, criando uma sensação de paz e serenidade.

As sombras, suaves e ténues, acentuam a textura da neve e da placa.

A paleta de cores é limitada, com predominância de tons de branco, cinza e castanho.

Essa escolha cromática reforça a sensação de frio e de inverno.

A neve, além de ser um elemento natural, possui um forte simbolismo.

Na cultura popular, a neve está associada à pureza, à renovação e à esperança.

Na fotografia de Mário Silva, a neve cobre a paisagem, criando uma espécie de véu branco que oculta a realidade subjacente.

A fotografia captura a essência da vida rural em Portugal, revelando a importância da natureza na vida das comunidades locais.

A imagem da aldeia coberta de neve evoca um sentimento de nostalgia e de pertença, remetendo para um tempo em que a vida era mais simples e as pessoas estavam mais ligadas à natureza.

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O inverno é uma estação marcante nas aldeias transmontanas, caracterizada por temperaturas baixas, nevadas e longas noites.

A fotografia de Mário Silva captura a beleza e a força da natureza nesta época do ano, mostrando como a vida continua a fluir, mesmo nas condições mais adversas.

A imagem da placa, com a inscrição "Águas Frias", é um lembrete da dureza do clima e da resistência dos habitantes desta região.

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Em conclusão, "Águas Frias... gelada" é uma fotografia que nos transporta para um universo de paz e serenidade.

A imagem, com a sua composição equilibrada e a sua atmosfera poética, convida o observador a uma reflexão sobre a beleza da natureza e a força do homem diante das adversidades.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
03
Jan25

"Campos Brancos" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Campos Brancos"

Mário Silva

03Jan DSC03611_ms

A fotografia "Campos Brancos" de Mário Silva captura um cenário rural característico da região de Águas Frias, em Chaves, Portugal.

A imagem apresenta uma composição equilibrada, com um pequeno casebre de pedra como elemento central, adornado por uma porta vermelha vibrante.

Ao redor, estendem-se campos cobertos por uma camada branca, possivelmente geada ou neve, que contrasta com o tom mais escuro das árvores desfolhadas e dos muros de pedra.

A perspetiva elevada e ligeiramente inclinada da fotografia confere uma sensação de amplitude e profundidade ao campo.

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A composição é cuidadosamente estruturada, com linhas horizontais e verticais que guiam o olhar do observador.

O casebre, posicionado no centro da imagem, serve como ponto focal e cria um senso de equilíbrio.

A diagonal formada pelo muro de pedra adiciona dinamismo à composição.

A paleta de cores é predominantemente fria e acinzentada, com o branco da geada/neve como protagonista.

A porta vermelha do casebre funciona como um ponto de cor vibrante, contrastando com o restante da imagem e atraindo o olhar do observador.

A luz natural, suave e difusa, envolve a cena, criando uma atmosfera serena e contemplativa.

 As sombras suaves e alongadas contribuem para a sensação de profundidade e tridimensionalidade da imagem.

A fotografia apresenta uma grande profundidade de campo, permitindo que todos os elementos da imagem estejam nítidos, desde o primeiro plano até ao fundo.

A escolha do diafragma e da velocidade do obturador permitiu congelar o momento e capturar a textura da geada/neve.

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A fotografia "Campos Brancos" evoca uma série de emoções e sensações no observador:

-  A ausência de figuras humanas e a atmosfera silenciosa transmitem uma sensação de solidão e tranquilidade.

O casebre, isolado no meio dos campos, parece um refúgio afastado da agitação da vida moderna.

- A beleza da paisagem reside na sua simplicidade e austeridade.

A geada/neve transforma a paisagem num cenário quase onírico, com uma beleza crua e intocada.

-  A ausência de folhas nas árvores e a cobertura branca dos campos sugerem a chegada do inverno e a passagem do tempo.

A imagem evoca uma sensação de tempo suspenso e de ciclos naturais.

- A predominância de tons frios e a atmosfera silenciosa podem despertar sentimentos de melancolia e nostalgia.

A imagem pode ser interpretada como uma reflexão sobre a passagem do tempo e a efemeridade da vida.

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Em resumo, a fotografia "Campos Brancos" de Mário Silva é uma obra que captura a beleza e a poesia da paisagem rural portuguesa.

Através de uma composição cuidadosa e de uma paleta de cores minimalista, o fotógrafo convida o observador a uma reflexão sobre a natureza, o tempo e a condição humana.

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Texto & Fotografia: ©Mário Silva

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Mário Silva 📷
28
Dez24

O conto: "A Rampa Escorregadia de Cimo de Vila"


Mário Silva Mário Silva

A Rampa Escorregadia de Cimo de Vila

28Dez Águas Frias 7

A neve havia embranquecido toda a aldeia de Cimo de Vila, trazendo um silêncio profundo, interrompido apenas pelo tilintar ocasional dos flocos de gelo que se desprendiam dos beirais.

A rampa que ligava o topo ao centro da aldeia parecia um tapete de cristal.

Ninguém ousava atravessá-la à noite... exceto, claro, Sarafim "Trôpego", conhecido não só pelo equilíbrio duvidoso, mas também pela paixão pelos copitos de aguardente.

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Naquela noite, Sarafim tinha visitado a tasca do Quim da Esquina.

Entre conversas sobre os lobos que rondavam as serras e as histórias exageradas sobre as colheitas, Sarafim havia aquecido o espírito com generosas doses do néctar forte da aldeia.

Sentia-se invencível e, sobretudo, com uma coragem de leão para enfrentar a rampa traiçoeira.

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Com o casaco mal abotoado e um gorro torto, Sarafim começou a descer o caminho.

A lua cheia iluminava a neve com um brilho quase mágico.

- Isto tá um espelho! - disse, enquanto soltava um riso misturado com um soluço.

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Ao primeiro passo, um leve deslize.

Sarafim riu, ajustou a postura e continuou.

No segundo passo, o chão pareceu querer abraçá-lo, mas ele manteve o equilíbrio com uma dança desajeitada.

No terceiro, não teve a mesma sorte: o pé esquerdo escorregou, o direito foi atrás, e Sarafim transformou-se num trenó humano.

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- Ai valha-me Nossa Senhora das Botas de Fricção! - gritou enquanto deslizava.

A rampa parecia não ter fim.

Tentou travar com as mãos, mas o gelo estava tão polido que parecia um sabão.

Passou em frente à casa da Dona Gertrudes, que espreitava pela janela.

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- Ó Sarafim, isso é um trenó ou estás a testar o gelo?! - gritou ela, gargalhando.

Sarafim, sem conseguir responder, soltou um "Uuuhhh, lá vou euuu!" enquanto girava em círculos.

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Mais abaixo, o cachorro do senhor Anacleto, um pequeno, mas audacioso cão chamado Piloto, viu Sarafim aproximando-se a toda velocidade.

Piloto, na sua inocência canina, decidiu brincar e correu atrás do "intruso deslizante".

Agora, Sarafim era seguido por um cão entusiasmado que latia como se estivesse numa perseguição policial.

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Quando chegou ao fim da rampa, o inevitável aconteceu.

Sarafim embateu num monte de lenha empilhada.

A madeira voou, o cachorro latiu, e o som ecoou pela aldeia.

Mas, surpreendentemente, Sarafim levantou-se, sacudiu a neve das roupas e declarou com orgulho:

- E é assim, meus amigos, que se faz a descida mais rápida de Cimo de Vila! Alguém me traz um copito para celebrar?"

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A aldeia inteira acordou com as risadas e, nos dias seguintes, a história do "trenó humano" de Sarafim espalhou-se como um incêndio.

Dizem que, até hoje, ele insiste que foi tudo planeado.

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E assim, a rampa de Cimo de Vila ganhou um novo nome: "A Pista do Sarafim Trôpego".

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Conto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
27
Dez24

Um dia gelado numa aldeia remota de Trás-os-Montes


Mário Silva Mário Silva

Um dia gelado numa aldeia remota de

Trás-os-Montes

27Dez Águas Frias - Neve_ms

Numa aldeia escondida no interior transmontano, o dia amanheceu frio, ventoso e coberto de neve.

As casas de pedra, com os seus telhados brancos, pareciam pequenas ilhas num mar de neve.

O vento uivava pelas ruas estreitas, levantando pequenos redemoinhos de neve que dançavam ao seu sabor.

Numa dessas casas, a lareira estava acesa, quebrando o silêncio da casa vazia.

A lenha de carvalho crepitava, lançando faíscas que iluminavam o rosto de uma velhinha sentada junto ao fogo.

Tinha um xaile pelos ombros, protegendo-a do frio que se fazia sentir.

Os seus olhos, marcados pelo tempo, refletiam as chamas que dançavam na lareira.

A velhinha, Dona Maria, era a única habitante daquela casa.

Vivia sozinha desde que o seu marido, um antigo pastor da região, tinha partido.

Agora, passava os seus dias entre as paredes de pedra da sua casa, aquecida pelo fogo da lareira e pelas memórias de tempos mais felizes.

Nesse dia de frio, vento e neve, Dona Maria sentou-se junto à lareira, como fazia todos os dias. O xaile pelos ombros dava-lhe algum conforto, mas era o calor do fogo que realmente a aquecia.

Olhava para as chamas, perdida nos seus pensamentos, enquanto a lenha de carvalho crepitava, quebrando o silêncio da casa.

Fora, a neve continuava a cair, cobrindo a aldeia com um manto branco.

O vento uivava, como se quisesse entrar na casa e juntar-se a Dona Maria junto à lareira.

Mas a velhinha não se deixava perturbar.

Estava em paz, aquecida pelo fogo e pelas suas memórias, num dia de frio, vento e neve, numa aldeia do interior transmontano.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
26
Dez24

O Milagre da Aldeia Esquecida


Mário Silva Mário Silva

O Milagre da Aldeia Esquecida

26Dez 08a2e113ed1d9a97848223e13433ae43

Na pequena aldeia de Águas Frescas, aninhada entre colinas verdejantes do interior de Portugal, o Natal de 1994 prometia ser como tantos outros.

As casas de pedra, testemunhas silenciosas de séculos de história, aglomeravam-se em torno do largo central, onde uma igreja antiga se erguia, imponente e acolhedora.

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A família Carriço preparava-se para mais um Natal modesto.

Maria, a matriarca, acendia velas na janela, uma tradição quase esquecida que a sua avó lhe ensinara.

O seu marido, António, cortava lenha para a lareira, enquanto os filhos, João e Ana, decoravam um pequeno pinheiro com ornamentos feitos à mão, com “pratas” de chocolates eu foram colecionando durante todo o ano.

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Naquela tarde fria de dezembro, um forasteiro chegou à aldeia.

Manuel, um emigrante que partira há vinte anos para o Brasil, regressava à sua terra natal.

O seu rosto, marcado pelo tempo e pela saudade, iluminou-se ao reconhecer os contornos familiares da sua infância.

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Ao entrar na praça, Manuel sentiu o peso dos olhares curiosos.

Poucos o reconheceram, mas uma voz familiar quebrou o silêncio:

- Manuel? És mesmo tu?

Era Maria, sua amiga de infância.

O abraço que se seguiu foi caloroso, cheio de memórias e emoções há muito guardadas.

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-Vem - disse Maria - junta-te a nós para a ceia de Natal.

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À medida que a noite caía, a aldeia ganhava vida.

As velas nas janelas, uma tradição quase esquecida, começaram a brilhar uma a uma, como se a chegada de Manuel tivesse despertado antigas lembranças.

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Na casa dos Carriço, o jantar era simples, mas repleto de amor.

Manuel partilhou histórias das suas viagens, enquanto a família escutava, fascinada.

À meia-noite, os sinos da igreja tocaram, chamando os aldeões para a Missa do Galo.

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Ao saírem, foram surpreendidos por um espetáculo mágico.

Flocos de neve caíam suavemente, cobrindo a aldeia com um manto branco - algo que não acontecia há décadas.

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- Um milagre de Natal! - exclamou Ana, com os seus olhos brilhando de alegria.

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A praça encheu-se rapidamente.

Vizinhos que mal se falavam abraçavam-se, crianças riam e brincavam na neve, e até o velho Patrocínio, conhecido pelo seu temperamento difícil, sorria abertamente.

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Manuel, emocionado, olhou para Maria.

- Sabes - disse ele - passei anos a procurar um lugar para chamar de lar. Só agora percebo que ele sempre esteve aqui.

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Naquela noite, enquanto a neve continuava a cair, a aldeia de Águas Frescas redescobriu o verdadeiro espírito do Natal.

As tradições esquecidas foram revividas, velhas amizades renovadas, e um sentimento de comunidade, há muito adormecido, voltou a florescer.

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FELIZ e SANTO NATAL … para TODOS

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Texto & Pintura digital: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
25
Dez24

Natal Emotivo na aldeia portuguesa de Águas Frescas


Mário Silva Mário Silva

Natal Emotivo na aldeia portuguesa de

Águas Frescas

25Dez _Natal 2024_ms

Na pequena aldeia de Águas Frescas, aninhada nas montanhas do interior de Portugal, o Natal sempre foi uma época mágica.

Este ano, porém, prometia ser diferente.

A neve caía suavemente, cobrindo as ruas de pedra e os telhados das casas centenárias com um manto branco, criando uma atmosfera de conto de fadas que encantava os poucos habitantes que ainda resistiam ao êxodo rural.

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Na véspera de Natal, a família Rechousa preparava-se para a tradicional consoada.

Dona Henriqueta, com as suas mãos enrugadas pelo tempo, preparava cuidadosamente o bacalhau com couves, enquanto seu marido, Sarafim, arrumava a mesa com a melhor louça da família.

O aroma delicioso dos pratos tradicionais preenchia a casa, misturando-se com o cheiro da lenha que ardia na lareira.

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Enquanto isso, no largo central da aldeia, os homens mais jovens reuniam-se para acender o Madeiro, uma enorme fogueira que serviria como ponto de encontro para toda a comunidade.

As chamas dançavam alegremente, iluminando os rostos sorridentes dos aldeões que se aproximavam, trazendo consigo pratos de doces caseiros e garrafas de vinho tinto para compartilhar.

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À meia-noite, o sino da igreja matriz repicou, chamando todos para a Missa do Galo.

As famílias saíram das suas casas, caminhando juntas pela neve em direção à igreja.

Lá dentro, diante do presépio vivo montado com tanto carinho pelos moradores, as vozes uniram-se em cânticos natalinos, ecoando pelas paredes de pedra e tocando o coração de cada presente.

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De volta à casa dos Rechousa, a família reuniu-se ao redor da árvore de Natal para a troca de presentes.

Os olhos dos netos brilhavam de expectativa, enquanto os avós observavam com ternura.

Naquele momento, perceberam que o verdadeiro presente era estar ali, juntos, mantendo vivas as tradições que faziam de Águas Frescas um lugar tão especial, especialmente no Natal.

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Quando o dia amanheceu, a aldeia despertou para um Natal branco.

As crianças corriam pelas ruas, fazendo bonecos de neve, enquanto os mais velhos reuniam-se novamente ao redor do Madeiro ainda aceso, compartilhando histórias e risos.

Naquele dia, em Águas Frescas, o espírito natalino não era apenas uma tradição, mas uma força viva que unia gerações e aquecia os corações, provando que a magia do Natal ainda sobrevivia nas pequenas aldeias de Portugal.

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Texto & Pintura digital: ©MárioSilva

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A TODOS UM FELIZ e SANTO NATAL

 

 

 

Mário Silva 📷
22
Dez24

"Igreja de Santo Estevão (Chaves) com neve imaginária" - A Neve como Metáfora da Purificação Espiritual


Mário Silva Mário Silva

"Igreja de Santo Estevão (Chaves)

com neve imaginária"

A Neve como Metáfora da Purificação Espiritual

22Dez Igreja de Santo Estevão (Chaves) com neve imaginária

A fotografia de Mário Silva, "Igreja de Santo Estevão (Chaves) com neve imaginária", apresenta uma imagem surreal e poética, onde a arquitetura religiosa encontra a beleza da natureza em um momento de transformação.

A neve, elemento ausente na realidade, é utilizada como um recurso expressivo para intensificar a atmosfera espiritual da imagem e estabelecer uma conexão com a simbologia do Advento.

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A Igreja de Santo Estevão, coberta por um manto de neve imaginária, destaca-se no cenário.

A arquitetura gótica da igreja, com as suas linhas verticais e suas torres pontiagudas, evoca a ideia de transcendência e de busca pela espiritualidade.

A neve, que cobre a igreja, simboliza a pureza e a renovação, convidando à introspeção e à meditação.

A neve, elemento central da composição, é um recurso expressivo que confere à imagem uma atmosfera de sonho e de mistério.

A neve, ausente na realidade, é utilizada para criar uma atmosfera de pureza e de renovação, convidando à reflexão sobre a importância da purificação espiritual.

O céu, claro e azul, contrasta com a brancura da neve, criando uma sensação de serenidade e de paz.

O céu pode ser interpretado como um símbolo da divindade e da esperança.

A ausência de figuras humanas na imagem enfatiza a dimensão espiritual da obra. A igreja, solitária e coberta de neve, se torna um símbolo da fé e da esperança.

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O último domingo do Advento, conhecido como Domingo Gaudete, marca o início da última semana antes do Natal.

É um dia de alegria e de esperança, pois aproxima-se o nascimento de Jesus Cristo.

A fotografia de Mário Silva, com a sua atmosfera de serenidade e de beleza, captura perfeitamente o espírito do Domingo Gaudete.

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A neve, que cobre a igreja, pode ser interpretada como um símbolo da purificação espiritual, necessária para celebrar o nascimento de Cristo.

A neve, que purifica a terra, também purifica a alma, preparando-a para receber a graça divina.

A igreja, coberta de neve, representa a comunidade cristã, que se prepara para celebrar o Natal.

A neve, que une todos os elementos da paisagem, simboliza a união da comunidade em torno da fé.

A luz que incide sobre a igreja, mesmo sob a neve, simboliza a esperança.

A esperança na vinda do Salvador, que ilumina as trevas do mundo.

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Em conclusão, a fotografia "Igreja de Santo Estevão (Chaves) com neve imaginária" de Mário Silva é uma obra que nos convida a refletir sobre a importância da fé e da espiritualidade.

A imagem, com a sua beleza poética e a sua carga simbólica, é um convite à contemplação e à meditação, convidando-nos a celebrar o nascimento de Cristo com alegria e esperança.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
19
Dez24

"A Pedra Bolideira depois de uma nevadazita adventícia" - A Neve como Véu sobre o Tempo


Mário Silva Mário Silva

"A Pedra Bolideira depois de uma nevadazita adventícia"

A Neve como Véu sobre o Tempo

19Dez DSC03675_ms

A fotografia de Mário Silva, "A Pedra Bolideira depois de uma nevadazita adventícia", captura um momento de serenidade e introspeção, convidando o observador a uma profunda reflexão sobre a passagem do tempo e a renovação da natureza.

A imagem, com a sua composição cuidadosa e a sua paleta de cores frias, evoca uma atmosfera de mistério e espiritualidade, estabelecendo um diálogo interessante com a simbologia do Advento.

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A Pedra Bolideira, coberta de neve, é o elemento central da composição.

A sua forma imponente e a sua localização isolada conferem-lhe um caráter quase mítico.

A pedra pode ser interpretada como um símbolo da eternidade e da resistência, contrastando com a fragilidade da natureza.

A neve, que cobre a pedra e o chão, cria uma atmosfera de pureza e renovação.

A neve também pode ser interpretada como um símbolo de purificação e de um novo começo, aludindo aos ritos de purificação e penitência associados ao Advento.

As árvores, com os seus ramos desnudos, contrastam com o céu nublado, criando uma sensação de melancolia e introspeção.

No entanto, a presença de alguns ramos verdes sugere a esperança de um renascimento e a promessa de uma nova vida.

As velas, com as suas chamas quentes, contrastam com o frio da neve.

Elas representam a luz da esperança e a fé, elementos essenciais do período do Advento.

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O Advento é um período de preparação para o Natal, um tempo de espera e de expectativa.

A fotografia de Mário Silva, com a sua atmosfera invernal e a sua composição marcada pela presença de elementos naturais e religiosos, evoca perfeitamente o espírito do Advento.

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A neve que cobre a pedra pode ser vista como uma metáfora do tempo que passa, apagando as marcas do passado e preparando o caminho para o futuro.

A queda de neve, como um véu branco que cobre a paisagem, pode ser comparada à passagem do tempo, que nos leva a refletir sobre a nossa própria história e a prepararmo-nos para o futuro.

A Pedra Bolideira, com a sua história milenar, representa a tradição e a continuidade.

A pedra, coberta de neve, simboliza a tradição que se renova a cada ano, com a chegada do Advento.

As velas, com as suas chamas quentes, representam a luz da esperança que ilumina o caminho do Advento.

A chama da vela, que se eleva para o céu, simboliza a nossa aspiração à luz divina e à salvação.

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Em conclusão, a fotografia "A Pedra Bolideira depois de uma nevadazita adventícia" é uma obra que nos convida a uma reflexão profunda sobre a passagem do tempo, a renovação da natureza e a importância da tradição.

A imagem, com a sua beleza austera e a sua carga simbólica, é um convite à contemplação e à meditação, valores que são particularmente relevantes durante o período do Advento.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
16
Dez24

"Escadas Branquinhas"


Mário Silva Mário Silva

"Escadas Branquinhas"

16Dez DSC03786_ms

A fotografia "Escadas Branquinhas" de Mário Silva captura a essência da paisagem rural portuguesa, com um foco particular na arquitetura tradicional e nos elementos naturais.

A imagem retrata uma escadaria em pedra, coberta por uma fina camada de neve, que conduz a um espaço indeterminado.

As escadas, com os seus degraus irregulares e revestidos de musgo, evocam uma sensação de tempo e de história.

Ao fundo, uma parede de pedra, coberta de musgo e líquenes, cria um cenário rústico e acolhedor.

No primeiro plano, uma coroa de advento com velas coloridas contrasta com a brancura da neve, adicionando um toque de calor e de espiritualidade à composição.

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A fotografia apresenta uma composição equilibrada, com as escadas ocupando o centro da imagem.

A perspetiva adotada permite ao observador imaginar a jornada que se inicia ao subir os degraus.

A coroa de advento, posicionada no primeiro plano, cria um ponto focal e convida o olhar do observador para a parte inferior da imagem.

A luz natural incide sobre as escadas, criando sombras que acentuam a textura da pedra e a irregularidade dos degraus.

A combinação de luz e sombra confere à imagem uma atmosfera misteriosa e convidativa.

A paleta de cores da fotografia é marcada pela sobriedade dos tons de cinza, verde e branco, que evocam a sensação de um inverno rigoroso.

As velas coloridas da coroa de advento introduzem um toque de vivacidade e de esperança.

As escadas representam a jornada da vida, com os seus altos e baixos.

A neve simboliza a pureza e a renovação, enquanto a coroa de advento representa a espera e a esperança.

A combinação desses elementos cria uma imagem rica em significados, que convida à reflexão sobre o tempo, a vida e a espiritualidade.

A fotografia captura a essência da paisagem rural portuguesa, revelando a importância da arquitetura tradicional e da natureza na vida das comunidades locais.

As escadas em pedra, típicas das aldeias de montanha, são um testemunho da história e da cultura da região.

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O título "Escadas Branquinhas" é uma referência à cor da neve que cobre os degraus da escada.

Além disso, a palavra "branquinhas" evoca uma sensação de pureza e de inocência, que se contrapõe à aspereza da pedra e à passagem do tempo.

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Em conclusão, a fotografia "Escadas Branquinhas" de Mário Silva é uma obra poética e contemplativa, que convida o observador a uma vivência interior.

A imagem, com a sua composição equilibrada e a sua simbologia rica, transcende a mera representação de uma escada, tornando-se numa metáfora da vida e da passagem do tempo.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
03
Dez24

"Campos Brancos" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Campos Brancos"

Mário Silva

03Jan DSC03611_ms

A fotografia "Campos Brancos" de Mário Silva captura um cenário rural característico da região de Águas Frias, em Chaves, Portugal.

A imagem apresenta uma composição equilibrada, com um pequeno casebre de pedra como elemento central, adornado por uma porta vermelha vibrante.

Ao redor, estendem-se campos cobertos por uma camada branca, possivelmente geada ou neve, que contrasta com o tom mais escuro das árvores desfolhadas e dos muros de pedra.

A perspetiva elevada e ligeiramente inclinada da fotografia confere uma sensação de amplitude e profundidade ao campo.

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A composição é cuidadosamente estruturada, com linhas horizontais e verticais que guiam o olhar do observador.

O casebre, posicionado no centro da imagem, serve como ponto focal e cria um senso de equilíbrio.

A diagonal formada pelo muro de pedra adiciona dinamismo à composição.

A paleta de cores é predominantemente fria e acinzentada, com o branco da geada/neve como protagonista.

A porta vermelha do casebre funciona como um ponto de cor vibrante, contrastando com o restante da imagem e atraindo o olhar do observador.

A luz natural, suave e difusa, envolve a cena, criando uma atmosfera serena e contemplativa.

 As sombras suaves e alongadas contribuem para a sensação de profundidade e tridimensionalidade da imagem.

A fotografia apresenta uma grande profundidade de campo, permitindo que todos os elementos da imagem estejam nítidos, desde o primeiro plano até ao fundo.

A escolha do diafragma e da velocidade do obturador permitiu congelar o momento e capturar a textura da geada/neve.

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A fotografia "Campos Brancos" evoca uma série de emoções e sensações no observador:

-  A ausência de figuras humanas e a atmosfera silenciosa transmitem uma sensação de solidão e tranquilidade.

O casebre, isolado no meio dos campos, parece um refúgio afastado da agitação da vida moderna.

- A beleza da paisagem reside na sua simplicidade e austeridade.

A geada/neve transforma a paisagem num cenário quase onírico, com uma beleza crua e intocada.

-  A ausência de folhas nas árvores e a cobertura branca dos campos sugerem a chegada do inverno e a passagem do tempo.

A imagem evoca uma sensação de tempo suspenso e de ciclos naturais.

- A predominância de tons frios e a atmosfera silenciosa podem despertar sentimentos de melancolia e nostalgia.

A imagem pode ser interpretada como uma reflexão sobre a passagem do tempo e a efemeridade da vida.

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Em resumo, a fotografia "Campos Brancos" de Mário Silva é uma obra que captura a beleza e a poesia da paisagem rural portuguesa.

Através de uma composição cuidadosa e de uma paleta de cores minimalista, o fotógrafo convida o observador a uma reflexão sobre a natureza, o tempo e a condição humana.

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Texto & Fotografia: ©Mário Silva

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Mário Silva 📷
23
Fev24

O céu brilha ... de um azul suave, mas a mesa e bancos de pedra, à beira da estrada, na Bolideira (Chaves-Portugal) estão cobertos de neve que caiu em abundância durante a noite ...


Mário Silva Mário Silva

O céu brilha ... de um azul suave, mas a mesa e bancos de pedra, à beira da estrada, na Bolideira (Chaves-Portugal) estão cobertos de neve que caiu em abundância durante a noite ...

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A imagem mostra um contraste impressionante entre o céu azul suave e a mesa e bancos de pedra cobertos de neve. A neve caída em abundância durante a noite criou uma cena de beleza serena e pacífica.

A mesa e bancos de pedra, vazios e imóveis, sugerem um momento de quietude e contemplação.

 A única marca de vida na imagem é a árvore no fundo, que se destaca contra o céu azul.

A imagem é uma bela representação do inverno em Portugal.

A neve branca e pura contrasta com o azul vibrante do céu, criando uma sensação de frescor e limpeza.

A cena é calma e tranquila, perfeita para um momento de reflexão ou relaxamento.

A neve parece ter caído recentemente, pois ainda está fresca e fofa.

A mesa e bancos de pedra estão bem cuidados, o que sugere que são usados com frequência.

A árvore no fundo da imagem é um carvalho, uma árvore comum em Portugal.

A imagem foi tirada num dia ensolarado, o que contribui para a beleza da cena.

No geral, a imagem é uma bela representação de um dia de inverno em Portugal.

É uma cena calma e pacífica que captura a beleza da natureza.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
08
Fev24

Queda aparatosa nas escadas estreitas, numa rua coberta de neve, na aldeia transmontana - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

Queda aparatosa nas escadas estreitas,

numa rua coberta de neve, na aldeia transmontana

Águas Frias - Chaves - Portugal

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Numa fria manhã de inverno na aldeia transmontana de Águas Frias, Chaves, Portugal, uma densa camada de neve cobria as ruas estreitas e sinuosas. Era uma cena típica naquela região montanhosa, onde o branco predominante contrastava com os telhados das casas antigas e as montanhas ao redor.

Maria, uma moradora local, estava atrasada para o seu trabalho na padaria da “vila”. Após se despedir da família, apressadamente desceu as escadas estreitas e íngremes da sua casa de pedra. O seu objetivo era atravessar a rua e alcançar o carro que estava estacionado no largo. No entanto, o destino tinha outros planos para ela naquela manhã gélida.

Enquanto descia as escadas escorregadias, Maria sentiu o gelo sob os seus pés e tentou manter o equilíbrio. Ela agarrou-se às pedras da casa ao lado, com firmeza, mas uma rajada de vento forte apanhou-a de surpresa, fazendo-a perder o equilíbrio. Com um grito abafado, ela se viu deslizando descontroladamente pelos degraus cobertos de neve.

Os vizinhos que estavam nas proximidades ouviram o barulho e correram para ajudar. No entanto, Maria já estava no meio do seu trajeto de queda, incapaz de se segurar ou deter a sua descida. Sua bolsa voou para um lado, seu cachecol soltou-se, e os seus sapatos escorregaram, deixando-a num desamparo total.

Com um estrondo, Maria chegou ao final das escadas, onde uma pilha de neve macia a aguardava. Para sua sorte, a neve amortizou a sua queda, evitando qualquer ferimento grave. Ela viu-se deitada de bruços na neve fofa, um pouco atordoada, mas grata por não ter se machucado seriamente.

Os vizinhos correram para ajudá-la a levantar-se, oferecendo palavras de conforto e verificando se ela estava bem. Com um sorriso corajoso, Maria levantou-se, sacudiu a neve dos seus cabelos e agradeceu a todos pela ajuda.

Apesar do susto, Maria decidiu não desistir. Com determinação, ela seguiu em frente, enfrentando os desafios do inverno transmontano com coragem e resiliência, sabendo que cada obstáculo era apenas mais uma história para contar na sua vida na aldeia de Águas Frias.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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