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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

19
Jan26

"O marco geodésico" - Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"O marco geodésico"

Águas Frias – Chaves - Portugal

19Jan DSC03054_ms.JPG

Esta obra da coleção de Mário Silva convida-nos a olhar para as alturas e para a ciência que moldou a nossa compreensão do território.

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A fotografia apresenta um vórtice ou marco geodésico de betão, implantado estrategicamente sobre um imponente conjunto de penedos de granito.

A estrutura, de forma cilíndrica na base com um topo cónico truncado, destaca-se contra um céu de um azul límpido e profundo, que ocupa a metade superior da composição.

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A paisagem em redor é tipicamente transmontana: uma vasta extensão de terrenos agrícolas e pastagens em tons de castanho e ocre, sugerindo o repouso da terra no inverno.

Ao fundo, vislumbra-se o casario branco da aldeia de Casas de Monforte, aninhado na encosta das montanhas.

A imagem equilibra a solidez da rocha, a precisão da engenharia humana e a amplitude do horizonte, captando a essência de um ponto que é, simultaneamente, um lugar físico e uma coordenada matemática.

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O Marco Geodésico – Sentinela do Espaço e do Tempo

Muitas vezes ignorados por quem percorre os trilhos de Chaves, os marcos geodésicos, como o captado por Mário Silva em Águas Frias, são muito mais do que simples colunas de betão.

São os pilares invisíveis sobre os quais se construiu o mapa de Portugal.

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No Passado: A Construção do Mapa

Antes da era dos satélites e do sinal digital, a única forma de mapear um país com precisão era através da triangulação.

Pontos de Vigia: Estes marcos eram erguidos nos pontos mais altos e com maior visibilidade para que os topógrafos pudessem avistar outros marcos a quilómetros de distância.

Cálculo Matemático: Através da medição dos ângulos entre estes pontos, era possível calcular distâncias e altitudes com uma precisão notável para a época.

A Rede Geodésica Nacional: Portugal foi um dos pioneiros na criação de uma rede estruturada, essencial para definir fronteiras, planear estradas e gerir o território agrícola e florestal.

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No Presente: Da Estática ao GPS

Poder-se-ia pensar que, com a chegada do GPS e do sistema Galileo, estas estruturas seriam obsoletas.

Pelo contrário, a sua importância mantém-se, embora tenha evoluído:

Pontos de Calibração: Os equipamentos de alta precisão utilizados em engenharia civil e cartografia moderna precisam de pontos físicos de referência para calibrar os sinais de satélite.

Monitorização da Crosta: Alguns destes marcos são utilizados para medir movimentos impercetíveis da terra, ajudando a estudar a atividade sísmica.

Património e Identidade: Hoje, são também marcos de lazer.

Estar junto a um marco geodésico significa, quase sempre, estar num local de vista privilegiada, servindo como destino para caminhantes e amantes da natureza.

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A Simbiose entre Homem e Natureza

Na fotografia de Mário Silva, o marco assenta no granito.

Esta imagem é uma metáfora poderosa: a ciência (o betão) apoia-se na natureza (a rocha).

O marco geodésico de Águas Frias é uma "âncora" no espaço; ele diz-nos exatamente onde estamos num mundo em constante mudança.

Enquanto a aldeia ao fundo cresce e se transforma, o marco permanece imóvel, garantindo que o território continua devidamente medido e reconhecido.

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"Um marco geodésico é o local onde a terra se deixa medir pela inteligência humana, oferecendo em troca a melhor vista sobre o horizonte."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
05
Fev25

"A Neve no cume da serra, por entre árvores"


Mário Silva Mário Silva

"A Neve no cume da serra, por entre árvores"

05Fev DSC09331_ms

A fotografia "A Neve no cume da serra, por entre árvores" de Mário Silva captura a beleza agreste e serena da paisagem transmontana num dia de inverno.

A imagem apresenta uma vista panorâmica, com uma montanha coberta de neve no horizonte, vista através da copa de árvores despidas.

A paisagem, dominada por tons de cinza, branco e castanho, evoca uma sensação de tranquilidade e isolamento.

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A composição da fotografia é diagonal, com os galhos das árvores conduzindo o olhar do observador para o cume da montanha.

A perspetiva adotada permite apreciar a vastidão da paisagem e a grandeza da natureza.

A luz, fria e difusa, cria uma atmosfera de inverno, com sombras longas e contrastes suaves.

A paleta de cores é limitada, com predominância de tons de cinza, branco e castanho, que reforçam a sensação de frio e de inverno.

A neve, além de ser um elemento natural, possui um forte simbolismo.

Na cultura popular, a neve está associada à pureza, à renovação e à esperança.

Na fotografia de Mário Silva, a neve que cobre o cume da montanha pode ser vista como um símbolo de resistência e de adaptação da natureza às condições adversas.

A fotografia captura a essência da vida rural em Portugal, revelando a importância da natureza na vida das comunidades locais.

A imagem da montanha coberta de neve evoca um sentimento de nostalgia e de pertença, remetendo para um tempo em que a vida era mais simples e as pessoas estavam mais ligadas à natureza.

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As regiões montanhosas de Trás-os-Montes são caracterizadas por invernos rigorosos, com temperaturas baixas e nevadas frequentes.

As populações locais desenvolveram ao longo dos séculos diversas estratégias para enfrentar as condições climáticas adversas:

-  As casas tradicionais transmontanas são construídas com materiais naturais, como pedra e madeira, que proporcionam um bom isolamento térmico.

- A agricultura de montanha adaptou-se às condições climáticas adversas, com a produção de culturas resistentes ao frio e a criação de animais adaptados ao clima.

- A população local utiliza roupas quentes e impermeáveis para se proteger do frio e da neve.

A vida em comunidade é fundamental para enfrentar as dificuldades do inverno.

Os vizinhos ajudam-se mutuamente nas tarefas como a limpeza da neve e a manutenção das casas.

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Em suma, a fotografia "A Neve no cume da serra, por entre árvores" de Mário Silva é um tributo à beleza e à resiliência da natureza.

A imagem captura a essência do inverno transmontano, com as suas paisagens brutas e sua beleza agreste.

A obra convida-nos a refletir sobre a relação entre o homem e a natureza e sobre a capacidade de adaptação das comunidades rurais às condições climáticas adversas.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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