“Fonte de mergulho” - Oucidres - Planalto de Monforte – Chaves – Portugal
Mário Silva Mário Silva
“Fonte de mergulho”
Oucidres - Planalto de Monforte – Chaves – Portugal

A fotografia de Mário Silva, “Fonte de mergulho” (Oucidres, Planalto de Monforte, Chaves, Portugal), mostra uma pequena estrutura de pedra antiga, que é um abrigo para uma fonte.
A estrutura, feita de pedras rústicas e musgosas, tem um telhado de duas águas e uma abertura arqueada na frente.
Há uma grade de ferro enferrujada à sua frente, que impede o acesso ao interior escuro.
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Por trás da estrutura, ergue-se um muro alto de pedras irregulares, coberto de vegetação rasteira.
O solo em frente é de terra batida, com algumas ervas e pedras soltas.
A imagem tem uma tonalidade sépia, que realça a antiguidade e a história do local.
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Estória: Uma fonte de amor
Alonso era um homem de poucas palavras, mas de um coração imenso.
Todos os dias, passava pela Fonte de Mergulho a caminho do campo.
A fonte era um local antigo e misterioso, um portal para memórias de uma Chaves que já não existia.
Alonso nunca parava para a admirar, mas a sua alma gravava-lhe cada pormenor: as pedras musgosas, a grade de ferro que a protegia, a entrada escura que guardava os segredos de gerações.
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Até que um dia, a sua rotina foi interrompida.
Uma jovem, com um vestido florido e os cabelos ao vento, estava sentada no muro de pedra, a desenhar a fonte num pequeno caderno.
Alonso, que sempre se sentira invisível, sentiu o seu coração a bater com força.
Ele parou, indeciso, mas ela, com um sorriso, olhou para ele e disse:
- Não se preocupe, não estou a roubar o seu caminho.
Alonso, envergonhado, apenas murmurou um “Não, de todo”, e seguiu em frente.
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Nos dias que se seguiram, Alonso esperou por ela, a caminho do campo.
E ela estava sempre lá.
Primeiro, apenas se cumprimentavam.
Depois, começaram a trocar breves palavras.
Ela chamava-se Clara, e era uma artista de Lisboa que se apaixonou pela calma da região.
A fonte de mergulho era a sua musa, um símbolo do amor que ela queria expressar na sua arte.
Alonso, tímido, escutava as suas palavras com atenção, descobrindo um mundo novo, de cores e emoções.
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Um dia, choveu.
Alonso abrigou-se sob a fonte, para evitar a intempérie.
Clara juntou-se a ele, e o pequeno espaço, protegido pela pedra e pelo tempo, tornou-se o seu refúgio.
Foi ali, naquele abrigo antigo e seguro, que Alonso e Clara se apaixonaram.
A fonte de mergulho, que antes guardava os segredos de gerações, guardava agora a história de um amor que florescia, um amor tão puro e eterno quanto a água que um dia a fonte guardou.
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Anos mais tarde, Alonso e Clara, casados, passavam pela fonte de mergulho, de mãos dadas.
Clara, com um sorriso, disse-lhe:
- Lembras-te? Foi aqui que tudo começou.
Alonso, com o coração cheio de ternura, respondeu:
- Sempre que te vejo, sinto que voltei a encontrar-me de novo.
E ali, debaixo daquele muro de pedra, a fonte de mergulho testemunhou mais um momento de amor, um amor que se tornara tão forte e eterno quanto a própria pedra.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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