"Castelo medieval de Santo Estevão” (Chaves - Portugal) … e uma estória histórica
Mário Silva Mário Silva
"Castelo medieval de Santo Estêvão” (Chaves - Portugal)
… e uma estória histórica

A fotografia de Mário Silva, intitulada "Castelo medieval de Santo Estevão” (Chaves - Portugal), apresenta uma imponente torre de menagem de um castelo medieval, construída em pedra de granito robusta e de tonalidade acastanhada.
A torre é o elemento central e mais proeminente da imagem, erguendo-se contra um céu azul claro com poucas nuvens.
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A estrutura da torre é de planta quadrada, com muros espessos e alvenaria irregular, mas sólida.
No topo, exibe ameias dentadas, características das fortificações medievais, que serviam para defesa.
Possui várias aberturas estreitas e altas, com arcos, que funcionariam como frestas ou janelas, dando-lhe um aspeto austero.
Na base da torre, é visível uma pequena porta em arco, de madeira escura, a qual é acedida por uma escadaria de pedra.
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Em frente à torre, um portão de ferro forjado de cor escura, com um design simples, delimita o acesso.
À direita do portão, um arbusto com flores rosadas/lilás (possivelmente uma Lagerstroemia indica) adiciona um toque de cor e vida.
À esquerda, uma árvore de folhagem verde-amarelada vibrante contrasta com a pedra escura do castelo.
O chão em primeiro plano é de calçada irregular, e no fundo, colinas verdes escuras sob um céu claro completam a paisagem.
A fotografia transmite uma sensação de história, força e intemporalidade.
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A Estória Histórica: O Guardião Silencioso de Santo Estêvão
O Castelo de Santo Estêvão, em Chaves, é mais do que um amontoado de pedras antigas.
É um guardião silencioso, uma sentinela do tempo, cujas muralhas e a imponente torre de menagem, tão bem retratada na fotografia de Mário Silva, contam a história de séculos de batalhas e de vida fronteiriça.
Erguido algures entre os séculos XII e XIII, nascida das necessidades de defesa de um reino em formação, esta fortaleza foi um ponto estratégico vital no controlo do vale do Tâmega e da fronteira com a Galiza.
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No século XIV, o Reino de Portugal e Castela viviam em constante tensão.
As incursões e escaramuças eram diárias, e o Castelo de Santo Estêvão, com a sua torre inexpugnável, era a primeira e última linha de defesa.
Naquela época, o alcaide do castelo era D. Vasco Martins, um veterano de muitas guerras, cuja lealdade ao Rei D. Fernando era inabalável.
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Corria o ano de 1383, um ano que ficaria gravado a ferro e fogo na memória de Portugal.
A morte de D. Fernando sem herdeiro varão mergulhou o reino numa crise de sucessão que duraria dois anos e ficaria conhecida como a Crise de 1383-1385.
A filha de D. Fernando, D. Beatriz, era casada com D. João I de Castela, e muitos viam nela a legítima herdeira, o que significaria a anexação de Portugal a Castela.
Mas o povo e parte da nobreza preferiam o Mestre de Avis, D. João, meio-irmão do rei falecido.
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- Vasco Martins, apesar das pressões castelhanas e da incerteza que se espalhava pelo reino, manteve-se fiel à causa portuguesa, à independência.
A sua torre, altiva e inabalável, tornara-se um símbolo da resistência.
Os mensageiros chegavam exaustos, com notícias de cidades que se rendiam, de traições e de intrigas.
Mas a cada notícia, D. Vasco subia ao cimo da torre, olhava para a bandeira portuguesa que tremulava orgulhosamente e reforçava a sua determinação.
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Numa manhã de outono, um exército castelhano, menor mas determinado, apareceu à vista do castelo.
Não era um grande cerco, mas uma provocação, um teste à lealdade de D. Vasco.
O mensageiro castelhano, na base da torre, gritou exigindo a rendição.
"O Castelo de Santo Estêvão é da Rainha D. Beatriz e de D. João de Castela! Rendei-vos e salvareis a vossa vida e a da vossa gente!"
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- Vasco, com a sua voz rouca de comando, respondeu do alto da torre:
"Este castelo é de Portugal! E enquanto eu for o seu alcaide, ele defenderá este reino até ao último fôlego! Não há Castela que nos dobre!"
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A torre de menagem resistiu.
As flechas choveram, as pedras foram arremessadas, mas a fortificação manteve-se firme.
O exército castelhano, frustrado, acabou por retirar, levando a mensagem da inquebrantável lealdade de D. Vasco e da resistência de Santo Estêvão.
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A fotografia de Mário Silva capta essa essência.
A torre, com as suas ameias a desenhar-se no céu, as suas frestas como olhos vigilantes, e a pequena porta de acesso que foi palco de tantos momentos de decisão, é um eco da história.
A bandeira no topo, mesmo que não seja a original, é um lembrete da soberania que ali foi defendida.
O Castelo de Santo Estêvão, mais do que uma estrutura militar, é um monumento à persistência e à coragem de um povo que, mesmo nos momentos mais sombrios, soube defender a sua terra e a sua identidade.
É, de facto, o guardião silencioso de uma história que continua a ressoar nas suas pedras.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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