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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

17
Jan26

"Feto (Dryopteris erythrosora)"


Mário Silva Mário Silva

"Feto (Dryopteris erythrosora)"

17Jan DSC05425_ms.JPG

A fotografia apresenta um plano de pormenor (macro) de uma fronde de feto da espécie Dryopteris erythrosora, vulgarmente conhecido como feto-de-outono.

A imagem destaca-se pelo contraste cromático vibrante: os tons avermelhados e rosados das folhas jovens do feto sobressaem intensamente contra o fundo escuro, rugoso e texturizado de um tronco de madeira em decomposição.

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A composição é diagonal, com o caule fino e avermelhado a atravessar a imagem, de onde brotam as pinas delicadamente recortadas.

A iluminação realça a transparência das folhas e a textura fibrosa da madeira velha, criando uma harmonia visual entre a vida que nasce (o feto) e a matéria que se transforma (o tronco).

É uma celebração da geometria fractal da natureza e da sua paleta de cores outonais.

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Dryopteris erythrosora – A Elegância do Renascimento

Na natureza, a beleza muitas vezes revela-se através do contraste.

A fotografia de Mário Silva capta precisamente esse momento em que o Dryopteris erythrosora desafia a monotonia do solo da floresta com a sua cor improvável.

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O Feto que "Arde" sem Fogo

Ao contrário da maioria dos fetos, que se apresentam em tons de verde profundo desde o nascimento, o Dryopteris erythrosora possui uma característica genética fascinante: as suas frondes jovens emergem com tonalidades que variam entre o cobre, o rosa e o vermelho alaranjado.

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Nome Científico: O epíteto erythrosora deriva do grego e refere-se aos seus soros (estruturas de reprodução) avermelhados.

Adaptação: Esta coloração inicial serve frequentemente como proteção contra a radiação solar intensa e herbívoros, antes de a folha amadurecer e tornar-se verde-escura.

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Vida Sobre a Matéria: O Ciclo Infinito

A escolha de enquadramento do autor, colocando o feto sobre madeira velha e fendida, remete-nos para o conceito de sucessão ecológica.

O feto não está apenas "ali"; ele está a prosperar num micro-habitat criado pela decomposição.

A Madeira: Representa o passado, a estabilidade e o nutriente.

O Feto: Representa a juventude, a fragilidade aparente e o futuro.

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A Estética da Fragilidade

Esta fotografia ensina-nos que a originalidade da natureza não reside apenas na perfeição das formas, mas na sua capacidade de adornar o que está morto.

O feto, com as suas folhas que parecem rendas de seda rosada, transforma um pedaço de madeira bruta numa obra de arte.

É a prova de que, mesmo nos recantos mais sombrios e húmidos da floresta, a vida insiste em manifestar-se com uma elegância sofisticada.

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"Observar um feto-de-outono é perceber que a renovação não é apenas um processo biológico, mas um espetáculo visual de cores que aquecem o olhar."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
23
Nov25

"Lindos altares laterais" (2008) – Águas Frias – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

"Lindos altares laterais" (2008)

Águas Frias – Chaves – Portugal

23Nov DSC06901_ms

A fotografia de Mário Silva oferece um vislumbre do interior da igreja de Águas Frias, Chaves, concentrando-se na disposição simétrica de dois altares secundários ou colaterais, enquadrados por arcos.

A composição revela a confluência de estilos e materiais que caracterizam a arte sacra portuguesa em espaços rurais, nomeadamente no Norte.

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Elementos Estruturais e Enquadramento Arquitetónico

Simetria e Arcos: A composição é marcada pela simetria de dois nichos ou capelas laterais, inseridos na parede da nave, cada um enquadrado por um arco de volta perfeita ou arco pleno.

Estes arcos definem o espaço sagrado dedicado aos cultos secundários.

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Retábulos de Talha: Ambos os altares são dominados por retábulos de madeira, pintada e dourada, de um estilo que remete para o final do Barroco ou inícios do Rococó, período em que a decoração em talha se popularizou nas igrejas paroquiais de Portugal.

O retábulo é composto por molduras, colunas e painéis que enquadram as figuras centrais.

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Iconografia e Imagens Sacras

Altar Esquerdo (Sacro Coração): O nicho da esquerda acolhe a figura de Jesus Cristo, possivelmente na invocação de Sagrado Coração de Jesus.

A imagem de Cristo está vestida com um manto branco e vermelho, num fundo de cor intensa (vermelho) que realça a figura central.

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Altar Direito (Crucificação e Devoções Marianas): O nicho da direita apresenta uma imagem de Jesus Crucificado, também em fundo azul escuro, uma cor frequentemente associada ao luto e ao mistério.

Ao lado do retábulo direito, numa peanha ou tribuna separada, está uma imagem de Nossa Senhora, provavelmente na invocação de Imaculada Conceição ou Nossa Senhora de Fátima (pela cor branca do hábito e a coroa), destacando a devoção mariana.

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Elementos Decorativos e Azulejaria

Revestimento Cerâmico: A parte inferior das paredes e a base dos altares estão revestidas com azulejos de padrão, típicos da produção portuguesa.

A presença de azulejos azuis e brancos, com desenhos geométricos e florais, é um elemento de grande importância na arte religiosa portuguesa, servindo tanto para decoração como para proteção das paredes.

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Mobiliário e Ornamentos: Em primeiro plano, destaca-se a balaustrada ou o comungatório em madeira, separando a nave do espaço dos altares.

Nos altares, as toalhas brancas de altar (possivelmente em renda ou bordado) e os arranjos florais naturais (rosas, amarelos e laranjas) sublinham a importância litúrgica e festiva dos altares.

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Iluminação e Efeito Espacial

Luz e Atmosfera: A iluminação é dramática, com uma grande janela a banhar o espaço com luz natural intensa no centro da imagem.

Este foco de luz cria um forte contraste entre a claridade exterior e o ambiente mais sombrio do primeiro plano (onde estão os bancos da nave), realçando o mistério e a sacralidade do interior do templo.

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A Arte e Religiosidade em comunhão

(de mãos dadas entre o Passado, o Presente e o Futuro)

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Texto & Fotografia (2008): ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
06
Out25

“A cerca rústica e a vaquinha”


Mário Silva Mário Silva

“A cerca rústica e a vaquinha”

06Out DSC09219_ms

A fotografia de Mário Silva retrata uma cena campestre serena e com um toque de nostalgia.

Em primeiro plano, uma cerca rústica de madeira crua domina a parte inferior da imagem, com um poste de madeira e uma corda que segura a travessa.

Esta cerca serve como uma moldura natural para a cena do fundo.

No plano intermédio, uma pequena vaca de pelagem branca e preta, com a cabeça levantada, observa o ambiente.

O prado em que se encontra é de tons verdes e castanhos, e as árvores, ao fundo, apresentam cores de outono, amareladas.

A atmosfera da imagem é calma, e a luz sugere um final de tarde tranquilo.

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A Vaquinha e a Cerca da Felicidade

Numa colina suave, banhada pela luz dourada do final de um dia de outono, vivia uma pequena vaca chamada Carmina.

Não era uma vaca como as outras.

Carmina, de pelagem branca e manchas pretas que pareciam nuvens escuras no céu da manhã, tinha uma visão muito particular do mundo.

A sua vida era medida pelos dias que se sucediam e pelo sabor da erva fresca, mas o seu coração pertencia à cerca rústica que delimitava o seu prado.

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A cerca não era bonita.

Era feita de troncos toscos e cordas gastas, e os seus nós e rachaduras contavam histórias de chuvas e de sóis.

Mas para Carmina, aquela cerca era a fronteira da felicidade.

Do seu lado, tinha o pasto verde, a água fresca de um riacho e a companhia das outras vacas.

Era ali, junto à cerca, que ela se sentia segura e em paz.

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Muitas vezes, parava perto do tronco mais velho e, com a cabeça erguida, olhava para o que se passava do outro lado.

Via as árvores mudarem de cor com a chegada do outono, as raposas que passavam ao longe e as nuvens que navegavam lentamente no céu.

Às vezes, os “resistentes” da aldeia, que passavam no caminho, paravam para a observar, e Carmina ficava quieta, sentindo-se a guardiã daquele espaço.

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Houve um dia em que o dono da quinta decidiu arranjar a cerca.

Carmina observou-o a trocar os troncos velhos por novos, mais direitos e polidos.

Sentiu uma ponta de tristeza.

Aquela cerca antiga, com todas as suas imperfeições, era a sua casa.

Mas o dono da quinta, com um gesto simples, pegou nas antigas travessas e deixou-as de lado, sem as deitar fora.

No final, o novo espaço era bonito, mas Carmina sentia que o seu antigo lugar, o seu cantinho, tinha desaparecido.

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O que ela não sabia é que o dono, com a sua sabedoria de homem do campo, pegou nas antigas travessas e construiu uma nova cerca, mais pequena, à volta de um campo de flores silvestres.

A Carmina não viu, mas sabia que, mesmo com um novo aspeto, a cerca antiga continuava a proteger um mundo de beleza.

E assim, a vaquinha de Carmina, que a fotografia de Mário Silva capturou, era, no fundo, a vaquinha da cerca, a guardiã silenciosa de um mundo de paz e simplicidade.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
24
Set25

“A Ponte dos Mineiros” - (de cabos de aço e tábuas de madeira (partidas ou podres)) que atravessa o Rio Tuela, dando acesso ao complexo mineiro de Nuzedo/Ervedosa - Vale das Fontes – Vinhais – Bragança – Portugal


Mário Silva Mário Silva

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“A Ponte dos Mineiros”

(de cabos de aço e tábuas de madeira (partidas ou podres))

que atravessa o Rio Tuela, dando acesso ao complexo mineiro de

Nuzedo/Ervedosa - Vale das Fontes – Vinhais – Bragança – Portugal

24Set DSC03881_ms

Esta fotografia de Mário Silva capta uma ponte de tábuas de madeira, com cabos de aço e pilares de metal enferrujados.

A ponte, que atravessa o rio Tuela, está desgastada pelo tempo.

As tábuas de madeira estão partidas ou podres, e os cabos de aço estão a enferrujar.

A fotografia, com a sua iluminação dourada e a sua perspetiva, transmite uma sensação de abandono e de perigo.

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A Importância da Ponte dos Mineiros: Uma História de Ligação e de Sacrifício

A Ponte dos Mineiros, que Mário Silva fotografou, é mais do que uma estrutura de madeira e de aço.

É um monumento de grande importância histórica.

A ponte, que atravessa o Rio Tuela, ligava as aldeias de Vale das Fontes à margem esquerda do rio, dando acesso ao complexo mineiro de Nuzedo/Ervedosa.

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As minas, que foram uma fonte de sustento para a comunidade local, eram o centro da vida económica e social da região.

Os mineiros, que arriscavam as suas vidas todos os dias, dependiam da ponte para chegar ao trabalho.

A ponte era o seu caminho, o seu refúgio, e o seu elo com as suas famílias e as suas casas.

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No entanto, a ponte, com a sua estrutura frágil, era um perigo constante.

Os mineiros, que eram valentes, mas também vulneráveis, arriscavam as suas vidas a cada passo.

A ponte era um teste à sua coragem e à sua fé, uma chamada de atenção constante de que a vida, por mais que lutemos, é frágil e imprevisível.

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Com o fim da atividade das minas, a ponte, que já foi um símbolo de trabalho e de sacrifício, foi abandonada.

As tábuas de madeira, que antes eram um caminho de esperança, tornaram-se um túmulo para as memórias.

Os cabos de aço, que antes eram um símbolo de força, tornaram-se um símbolo de abandono.

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A fotografia de Mário Silva é um retrato da beleza e da melancolia da Ponte dos Mineiros.

É uma lembrança do passado da região, do trabalho dos mineiros, do seu sacrifício e da importância que esta ponte teve.

É um convite a olhar para o passado com respeito e a não nos esquecermos das lições do presente.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
07
Set25

"Teto pintado sobre madeira" - Igreja de São Lourenço – Rebordelo – Vinhais - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"Teto pintado sobre madeira"

Igreja de São Lourenço – Rebordelo – Vinhais - Portugal

07Set DSC03281_ms

Esta fotografia de Mário Silva foca-se no teto pintado da Igreja de São Lourenço.

A imagem, captada a partir de um ângulo baixo, revela uma rica e detalhada pintura sobre madeira, com cores vibrantes e figuras complexas.

O teto, arqueado, possui um fresco com representações de anjos e de outras figuras celestiais.

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A Riqueza Oculta da Igreja de São Lourenço em Rebordelo

A Igreja de São Lourenço, em Rebordelo, é um templo do século XVI que, com o seu exterior simples e sóbrio, contrasta com a riqueza do seu interior.

A igreja, que é um exemplo da arquitetura religiosa rural, é uma obra-prima que esconde a beleza da sua arte e da sua história.

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O interior da igreja é revestido por painéis de azulejos do século XVIII, que representam cenas religiosas do Velho Testamento.

Um dos painéis, datado do século XVI, é provavelmente da decoração original.

Nas paredes laterais, há dois painéis do século XVII com cenas da vida de São Lourenço, o orago da igreja.

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O altar-mor, uma obra de arte barroca, é uma das peças mais notáveis da igreja.

O altar é uma estrutura imponente e ornamentada, revestida em talha dourada.

Cada espiral e cada folha de acanto são um testemunho da maestria dos artesãos que, séculos atrás, criaram esta peça de devoção.

A tela do altar-mor, com a imagem da Última Ceia, é uma das peças mais importantes da igreja.

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O teto da igreja, pintado sobre madeira, é uma obra de arte por si só.

O fresco, com as suas figuras celestiais e os seus anjos, é um retrato da fé e da arte dos séculos passados.

A luz que incide sobre o teto realça a riqueza dos detalhes e a beleza das cores.

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A Igreja de São Lourenço é um tesouro escondido no coração de Trás-os-Montes.

A sua beleza, a sua história e a sua fé são um tributo ao legado dos nossos antepassados.

O seu interior, rico em detalhes e em significado, é um convite a olhar para o passado com respeito e admiração.

O interior continua sua a sua rica originalidade, sem intervenções de pseudo-embelezamento.

Parabéns aos frequentadores deste templo religioso, por preservarem esta riqueza artística e religiosa.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
20
Ago25

Mestre Francisco Branco "Retalhos do Passado – Fragmentos de Madeira e Tempo"


Mário Silva Mário Silva

Mestre Francisco Branco

Retalhos do Passado – Fragmentos de Madeira e Tempo

 

Hoje venho dar a conhecer um verdadeiro artesão transmontano

Trata-se do Mestre Francisco Branco, que com pequenos pedaços de madeira ou fósforos recria magistralmente monumentos nacionais, como o castelo de Monforte ou a ponte romana de Chaves ou a igreja e capela da sua aldeia (Casas de Monforte- Águas Frias – Chaves – Portugal).

O material é simples, assim como as suas ferramentas rudimentares e manuais.

É de facto uma maravilha as obras que reproduz, digno de um Mestre.

Com uma habilidade natural consegue reproduzir muitas peças que já estão em total desuso, como a roda de fiar, teares, utensílios agrícolas e muitas outras peças que a sua memória traduz em realidade com uma beleza e minúcia que deixa o observador estupefacto.

Venho, também louvar a Associação Cultural de Casas de Monforte que recolheu e expôs os trabalhos do Mestre Francisco, numa Exposição com o título “Retalhos do Passado – Fragmentos de Madeira e Tempo”, no Centro de Convívio de Casas de Monforte.

É bom que se reconheça o talento e habilidade manual deste Homem e mostrar ao Mundo a sua Arte e que nos deixa as suas Obras que retratam uma realidade que são uma Memória de uma Cultura de Casas de Monforte, de Trás-os-Montes e Portugal.

Obrigado, Sr. Francisco Branco.

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Nota: As fotografias foram, simpaticamente, cedidas por Romeu Gomes

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Mário Silva 📷
01
Ago25

"O baloiço do Arquinho" e a estória: “O Baloiço dos Recomeços de Agosto”


Mário Silva Mário Silva

"O baloiço do Arquinho"

... e a estória:

“O Baloiço dos Recomeços de Agosto”

01Ago DSC07543_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "O baloiço do Arquinho", apresenta um baloiço de madeira suspenso entre dois troncos de árvores robustos e de cor acastanhada.

As árvores, com as suas cascas rugosas e escuras, servem como pilares naturais para a estrutura do baloiço, que consiste num assento de tábuas de madeira e correntes metálicas.

O baloiço encontra-se ligeiramente inclinado e vazio, sugerindo um momento de quietude ou à espera de ser usado.

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Acima do baloiço, entre os dois troncos, uma placa de madeira escura exibe a inscrição "BALOIÇO DO ARQUINHO" em letras brancas, ladeada por duas silhuetas de pássaros, adicionando um toque decorativo e informativo.

O chão, sob o baloiço, é de terra batida, de tonalidade clara e uniforme, com algumas irregularidades.

No topo da placa, um pássaro, possivelmente uma pomba ou rola, está empoleirado, olhando para a frente, o que adiciona um elemento de vida à cena.

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A iluminação da fotografia é suave, com tons ligeiramente sépia ou amarelados, que conferem uma atmosfera nostálgica e tranquila.

A composição é simples e centrada, transmitindo uma sensação de calma, infância e a passagem do tempo num ambiente natural e convidativo.

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A Estória: O Baloiço dos Recomeços de Agosto

O "Baloiço do Arquinho", como orgulhosamente anunciava a placa de madeira entre as duas árvores centenárias, era mais do que um simples baloiço.

Era um portal, um confidente silencioso, um guardião de segredos e de recomeços.

Na fotografia de Mário Silva, ele parecia suspenso no tempo, as suas tábuas vazias a convidar a uma pausa, a um novo fôlego, especialmente no início de agosto.

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Agosto em Portugal é o mês da transição.

O calor intenso do verão começa a dar sinais de abrandamento, as férias grandes aproximam-se do fim, e o cheiro a terra seca e a pinho queimado paira no ar.

É o mês dos reencontros nas aldeias, dos emigrantes que regressam, mas também das despedidas, quando as vidas se preparam para seguir novos rumos.

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Foi nesse primeiro dia de agosto que Mariana, uma jovem de vinte e poucos anos, encontrou o Baloiço do Arquinho.

Viera a casa dos avós, na aldeia vizinha, com o coração pesado.

Tinha acabado de terminar uma relação longa e de perder uma oportunidade de emprego que tanto desejara.

Sentia-se perdida, sem rumo, como um navio à deriva.

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A sua avó, uma mulher sábia de poucas palavras, tinha-lhe dito:

- Quando te sentires sem chão, vai até ao Arquinho. Ele sabe de recomeços.

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Mariana, cética, mas desesperada, seguiu as indicações da avó.

Encontrou o baloiço e sentou-se nas suas tábuas de madeira, que pareciam envolver-lhe o corpo num abraço.

O pássaro no topo da placa observava-a com curiosidade, como se conhecesse a história de todos os que ali se sentavam.

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Ela baloiçou, devagar no início, depois mais alto, o vento a soprar nos seus cabelos, as correntes a ranger num ritmo melancólico.

E enquanto baloiçava, as memórias vinham e iam, como as folhas secas que o vento levantava no chão de terra.

As lágrimas começaram a escorrer, quentes no seu rosto.

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- Para onde vou? - sussurrou ela para o vazio, para o pássaro, para o próprio baloiço. - O que faço agora?

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De repente, sentiu uma leve brisa, diferente do vento.

Era um sopro suave que parecia vir do próprio baloiço.

Não havia voz, mas uma sensação, uma certeza que se aninhou no seu peito.

O baloiço parecia dizer:

- Baloiça. Deixa que o movimento leve o que pesa. E quando parares, estarás num novo lugar.

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Mariana baloiçou até o sol começar a cair no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e roxo.

Quando finalmente parou, sentiu-se estranhamente leve.

Não tinha encontrado uma resposta mágica, mas uma clareza.

O fim de uma jornada não era o fim de tudo, mas o convite a um novo baloiço, a um novo recomeço.

As correntes, que antes pareciam presas, agora simbolizavam a ligação entre o passado e o futuro, a capacidade de se mover, mesmo que sem saber para onde.

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Ela levantou-se do baloiço, o corpo mais leve, a alma mais tranquila.

Olhou para a placa, para o pássaro que ainda ali estava, e sorriu.

O Baloiço do Arquinho não lhe dera respostas, mas dera-lhe a força para procurá-las.

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E assim, cada início de agosto, quando os dias parecem mais longos e o ar mais denso, o Baloiço do Arquinho em Chaves, tão lindamente captado por Mário Silva, continua a ser um santuário.

É o lugar onde as pessoas vêm baloiçar as suas tristezas, celebrar os seus pequenos triunfos e encontrar a coragem para dar o próximo passo, lembrando-se que cada fim é apenas o balançar para um novo começo.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
19
Jul25

"Aldraba inclinada" e mais uma breve estória


Mário Silva Mário Silva

"Aldraba inclinada"

e mais uma breve estória

19Jul DSC01384_ms

Esta fotografia de Mário Silva, intitulada "Aldraba inclinada", oferece um close-up detalhado de uma antiga aldraba de metal, montada numa porta de madeira envelhecida.

A aldraba, feita de ferro forjado, apresenta um design simples e robusto, com uma argola em forma de "U" invertido que termina num batente esférico na parte inferior.

A sua superfície está visivelmente enferrujada, com tons de castanho-avermelhado e vestígios de oxidação, o que lhe confere um aspeto rústico e uma sensação de passagem do tempo.

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A aldraba está fixada a uma placa de metal quadrada, também enferrujada, que por sua vez está presa à porta com pregos.

O facto de ser descrita como "inclinada" sugere que a aldraba ou a placa de montagem não estão perfeitamente alinhadas verticalmente, ou que a perspetiva da fotografia a faz parecer assim, adicionando um toque de carácter à imagem.

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A porta de madeira, que serve de fundo, é igualmente marcada pelo tempo.

Apresenta uma textura rugosa com veios visíveis, fissuras e descolorações que indicam exposição aos elementos.

Alguns pregos antigos, também enferrujados, estão cravados na madeira, reforçando a antiguidade da peça.

A iluminação realça as texturas e os detalhes da ferrugem e da madeira, criando uma imagem que evoca histórias e uma sensação de história e mistério.

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A Estória: A Aldraba da Memória

Na aldeia de Fontelas, perdida entre colinas verdejantes, havia uma casa que todos conheciam como "A Casa da Aldraba Torta".

Não era a maior, nem a mais imponente, mas a sua porta de madeira, castigada pelo sol e pela chuva, guardava uma aldraba de ferro que se inclinava ligeiramente para a esquerda.

Era essa pequena imperfeição que lhe dava um ar de mistério e, para alguns, de melancolia.

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A fotografia de Mário Silva capturava essa aldraba com uma honestidade quase dolorosa.

O ferro enferrujado, as estrias da madeira envelhecida, os pregos cravados como cicatrizes de um tempo longínquo.

Não era apenas uma aldraba; era um portal para o passado, para as histórias que a casa testemunhara.

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Para o pequeno Tiago, que passava os seus verões em Fontelas com a avó, a Aldraba Torta era mais do que um simples puxador.

Era a guardiã dos segredos da sua bisavó, Ana.

A avó de Tiago, Maria, costumava contar-lhe que Ana, uma mulher de fibra e riso fácil, tinha mandado fazer aquela aldraba ao ferreiro da aldeia, o Sr. Joaquim, um homem tão torto de corpo quanto hábil com o ferro.

A inclinação da aldraba, dizia-se, era um reflexo da inclinação da sua própria alma.

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A lenda na família era que cada vez que a aldraba era batida, ela não chamava apenas quem estava dentro; chamava também uma memória.

O som seco e ressonante que ecoava pelos corredores da velha casa trazia consigo ecos de gargalhadas de crianças, de discussões apaixonadas, de canções entoadas nas noites de festa. Para Tiago, o som da aldraba era a voz da sua bisavó.

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Certa manhã de verão, Tiago, já adolescente e com os seus próprios dilemas, sentou-se no degrau da porta da Casa da Aldraba Torta.

A sua vida na cidade parecia tão distante, tão cheia de escolhas difíceis.

Ele tocou a aldraba enferrujada, sentindo a rugosidade do ferro sob os seus dedos.

Imaginou as mãos da bisavó Ana a fazer o mesmo, os seus dedos gastos pelo trabalho na terra.

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Com um suspiro, Tiago ergueu a aldraba e deixou-a cair.

O toc-toc ressoou, e por um instante, o ar na aldeia pareceu vibrar.

Não ouviu vozes, mas sentiu uma quietude diferente.

Uma sensação de paz e aceitação.

Olhou para a aldraba, ligeiramente torta, mas forte, resistente ao tempo.

Percebeu que a sua inclinação não era um defeito, mas uma característica, uma parte da sua história e da sua identidade.

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Naquele momento, Tiago compreendeu que, tal como a aldraba, a vida nem sempre é perfeita ou reta.

Há inclinações, desafios, e marcas do tempo.

Mas são essas imperfeições que contam a história, que dão caráter, que a tornam única.

A Aldraba Torta não era um sinal de fragilidade, mas de resiliência.

E, como a sua bisavó Ana, Tiago sentiu que podia enfrentar as suas próprias "inclinações" com a mesma força e com um sorriso no rosto.

O segredo da Aldraba da Memória não era trazer o passado, mas ensinar a viver o presente com a sabedoria dos que vieram antes.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
14
Mar25

“O carrinho de mão e a lenha pitada”


Mário Silva Mário Silva

“O carrinho de mão e a lenha pitada”

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Na quietude do pátio, a porta de madeira gasta pelo tempo guarda segredos sussurrados pelo vento.

A sua tonalidade, outrora vibrante, agora desbotada pelo sol e pela chuva, conta histórias de invernos rigorosos e verões escaldantes.

As ranhuras e os nós da madeira são testemunhas silenciosas do passar dos anos, cada um deles uma marca da resiliência da casa.

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À sua frente, um carrinho de mão de metal verde, outrora vibrante, agora manchado pelo tempo, repousa como um servo cansado.

A sua roda, gasta pelo atrito com a terra, guarda memórias de inúmeras jornadas carregadas de esperança e trabalho árduo.

No seu interior, um monte de lenha, galhos secos e ramos entrelaçados, aguarda o seu destino, a chama que aquece e ilumina.

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A pedra, bruta e irregular, que emoldura a porta, confere-lhe um ar de fortaleza, um refúgio seguro contra as intempéries.

As marcas do tempo esculpidas na pedra contam histórias de mãos calejadas que a ergueram, de vidas que ali se abrigaram.

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A paleta de cores, outrora vibrante, agora dominada pelos tons terrosos e pelo cinzento da pedra, evoca a simplicidade da vida no campo, a ligação profunda com a natureza.

A luz, suave e difusa, que banha a cena, convida à contemplação, à reflexão sobre a passagem do tempo e a beleza das coisas simples.

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Nesta imagem, Mário Silva captura a essência da vida rural, a beleza da simplicidade, a poesia do quotidiano.

A porta, o carrinho de mão, a lenha, a pedra, tudo se conjuga numa sinfonia visual que nos transporta para um mundo de paz e tranquilidade, onde o tempo parece ter abrandado o seu ritmo.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
27
Fev25

“Cravelho numa velha porta” (caravelho – gravelho - tramela – taramela – ferrolho – travinca)


Mário Silva Mário Silva

“Cravelho numa velha porta”

(caravelho – gravelho - tramela –

taramela – ferrolho – travinca)

27Fev DSC07866_ms

A fotografia de Mário Silva intitulada "Cravelho numa velha porta" retrata um mecanismo de fecho tradicional, conhecido por vários nomes na região de Trás-os-Montes, Portugal: Caravelho, Gravelho, Tramela, Taramela, Ferrolho, Travinca, ...

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A imagem mostra uma porta de madeira antiga, provavelmente de uma construção rústica, possivelmente uma casa ou um celeiro.

A porta é feita de tábuas de madeira envelhecida, com um aspeto rústico e desgastado pelo tempo.

O cravelho, que é o foco da imagem, é um mecanismo de fecho feito de madeira, consistindo em uma peça principal que se encaixa numa estrutura de suporte, também de madeira, para trancar a porta.

A peça de madeira que forma o cravelho é esculpida de forma a permitir que se mova para dentro e para fora da estrutura, garantindo a segurança da porta.

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Para as Gentes transmontanas, o cravelho tem um significado profundo, enraizado na tradição e na simplicidade da vida rural.

Este tipo de fecho é emblemático da engenhosidade e da utilização de materiais locais disponíveis, refletindo um modo de vida que valoriza a sustentabilidade e a simplicidade.

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O uso do cravelho demonstra a continuidade das tradições locais.

Mesmo com o avanço tecnológico, muitos transmontanos mantêm estas práticas antigas, preservando a cultura e o património.

A construção do cravelho é um exemplo de engenharia popular, onde a funcionalidade é alcançada com recursos simples.

Isso destaca a habilidade manual e o conhecimento prático transmitido de geração em geração.

O cravelho não é apenas funcional, mas também simbólico.

Ele representa a proteção do lar, um valor muito importante nas comunidades rurais onde a casa é um refúgio seguro contra os elementos e intrusos.

O uso de madeira e a integração com a construção rústica refletem uma conexão profunda com a natureza, algo característico da cultura transmontana, onde a vida está intrinsecamente ligada ao ambiente natural.

Os diferentes nomes para o mesmo objeto (Caravelho, Gravelho, etc.) mostram a diversidade dentro da própria região, mas também uma unidade na função e na essência do objeto, reforçando a identidade regional.

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Em resumo, a fotografia de Mário Silva não apenas captura um objeto funcional, mas também encapsula um pedaço da alma transmontana, refletindo valores de tradição, engenhosidade, proteção e uma vida em harmonia com a natureza.

O cravelho, com a sua simplicidade e eficácia, é um símbolo duradouro da cultura desta região de Portugal.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
04
Dez24

"A velha e enferrujada fechadura"


Mário Silva Mário Silva

"A velha e enferrujada fechadura"

03Dez DSC05384_Advento_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "A velha e enferrujada fechadura", apresenta um close-up duma pequena fechadura de ferro enferrujada, cravada numa porta de madeira envelhecida.

A fechadura, com a sua forma arredondada e os rebites oxidados, contrasta com a textura áspera da madeira.

À direita da imagem, uma vela verde acesa, adornada com ramos de pinheiro e bagas vermelhas, introduz um elemento de contraste e evoca um sentimento de aconchego e espiritualidade.

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A fechadura enferrujada é um símbolo do tempo que passa.

A oxidação do metal e as marcas deixadas pelo uso evocam uma história de décadas, talvez até séculos.

A madeira envelhecida, com as suas rachaduras e imperfeições, reforça essa ideia de tempo e de passagem.

A fechadura, fechada e enferrujada, sugere um lugar abandonado, onde o tempo parece ter parado.

A ausência de uma porta, ou de qualquer outro elemento que pudesse indicar a função da fechadura, reforça essa sensação de solidão e abandono.

A presença da vela acesa, um símbolo de esperança e renovação, contrasta com a imagem de decadência da fechadura.

A vela, com a sua chama viva, introduz um elemento de contraste e dinamismo, quebrando a monotonia da imagem.

A composição da fotografia é simples e eficaz.

A fechadura ocupa o centro da imagem, atraindo a atenção do observador.

A vela, colocada no canto inferior direito, equilibra a composição e cria um ponto focal secundário.

A fechadura, como símbolo de proteção e de acesso, pode ser interpretada de diversas formas.

 Neste contexto, a fechadura fechada pode representar a passagem do tempo, a perda de memórias e a impossibilidade de voltar ao passado.

A vela, por sua vez, pode simbolizar a esperança, a fé e a renovação.

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Em conclusão, "A velha e enferrujada fechadura" é uma fotografia que nos convida à reflexão sobre o tempo, a memória e a passagem.

A imagem, carregada de simbolismo, evoca um sentimento de nostalgia e melancolia, mas também de esperança e renovação.

A fotografia é um convite a olhar para o passado e a encontrar significado nas pequenas coisas.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
20
Nov24

"A cancela de ramos de giesta" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"A cancela de ramos de giesta"

Mário Silva

20Nov DSC08702_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "A cancela de ramos de giesta", transporta-nos para um cenário bucólico e familiar, com um forte apelo à tradição e à identidade rural portuguesa.

A imagem captura uma simples cancela de madeira, confecionada com ramos de giesta, que dá acesso a um extenso lameiro verdejante.

Ao fundo, destaca-se uma paisagem campestre, com árvores e arbustos, que se estende até o horizonte.

A luz natural incide sobre a cena, criando um ambiente tranquilo e convidativo.

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A fotografia valoriza a simplicidade e a autenticidade.

A cancela de giesta, rústica e artesanal, é o elemento central da imagem e evoca um passado rural, onde a vida era mais simples e os recursos naturais eram utilizados de forma sustentável.

A escolha deste elemento como protagonista da fotografia revela a sensibilidade do fotógrafo em capturar a beleza nas pequenas coisas.

A imagem estabelece uma forte conexão com a natureza.

A giesta, uma planta típica da região, simboliza a resistência e a adaptação ao meio ambiente.

O lameiro verdejante e a paisagem campestre evocam a força da terra e a importância da agricultura na cultura transmontana.

A fotografia convida o observador a entrar em contacto com a natureza e a apreciar a sua beleza.

A cancela de giesta, aberta e convidativa, pode ser interpretada como uma metáfora para a confiança do povo transmontano.

A tradição de construir cancelas com materiais naturais e simples reflete a honestidade e a abertura das comunidades rurais.

A ausência de fechaduras ou cadeados sugere um ambiente seguro e acolhedor, onde a confiança prevalece.

A fotografia de Mário Silva é um retrato da identidade cultural da região de Trás-os-Montes.

A cancela de giesta, o lameiro, a paisagem campestre e a luz natural são elementos que evocam a memória coletiva e a história da região.

A imagem captura a essência do rural e contribui para a valorização do património cultural e natural de Portugal.

A composição da fotografia é equilibrada e harmoniosa.

A linha diagonal da cancela conduz o olhar do espectador para o fundo da imagem, criando uma sensação de profundidade.

A luz natural, suave e difusa, envolve a cena em um halo de poesia, realçando as texturas e as cores.

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Como conclusão, "A cancela de ramos de giesta" é uma fotografia que transcende a mera representação da realidade, revelando a sensibilidade e a profundidade do olhar de Mário Silva.

A imagem, ao mesmo tempo simples e complexa, convida à reflexão sobre a importância da tradição, da natureza e da identidade cultural.

A fotografia é um hino à beleza da vida rural e um convite a valorizar as raízes e a simplicidade.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
15
Out24

"A enorme cadeira azul" - Vila Verde da Raia - Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

"A enorme cadeira azul"

Vila Verde da Raia - Chaves – Portugal

15Out DSC07585_ms

A fotografia de Mário Silva apresenta uma imagem singular e intrigante: uma cadeira de madeira, pintada de um vibrante azul, suspensa no ar por uma corrente presa a um poste de madeira.

O objeto, de proporções exageradas em relação ao seu entorno natural, cria um forte contraste visual e convida à reflexão.

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O objeto central da fotografia, a cadeira, é um elemento familiar que evoca a ideia de descanso, contemplação e até mesmo solidão.

No entanto, suspensa no ar, ela perde a sua função utilitária e adquire um caráter simbólico.

A cor azul, associada frequentemente ao céu, à água e à tranquilidade, contrasta com a rusticidade da madeira e com a aspereza do ambiente natural.

Ela pode simbolizar um desejo de transcender o quotidiano, de alcançar um estado de serenidade ou de elevação espiritual.

A cadeira, suspensa no ar, desafia as leis da gravidade e cria uma sensação de leveza e de irrealidade.

Essa suspensão pode ser interpretada como uma metáfora para a fuga da realidade, para a busca por um mundo ideal ou para a transcendência da condição humana.

A envolvente natural, com as suas plantas secas e o céu nublado, contrasta com a artificialidade da cadeira.

Essa oposição pode sugerir uma reflexão sobre a relação entre o homem e a natureza, sobre a artificialidade da civilização e sobre a busca por um equilíbrio entre os dois.

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A fotografia de Mário Silva pode ser interpretada de diversas maneiras, dependendo da perspetiva do observador.

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A cadeira suspensa pode ser vista como uma crítica à sociedade contemporânea, que muitas vezes impõe limites e expetativas às pessoas, impedindo-as de alcançar os seus sonhos e de viver de forma autêntica.

A cadeira pode representar a jornada da vida, com os seus altos e baixos, os seus momentos de tranquilidade e os seus desafios.

A suspensão no ar pode simbolizar a incerteza e a precariedade da existência.

A fotografia pode ser apreciada simplesmente como uma obra de arte, que provoca emoções e reflexões no observador.

A combinação de elementos visuais e a originalidade da composição tornam a imagem memorável.

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A fotografia "A enorme cadeira azul" foi realizada em Vila Verde da Raia, uma pequena localidade no norte de Portugal.

O contexto geográfico e cultural pode influenciar a interpretação da obra, uma vez que a região possui uma rica história e tradições.

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Em conclusão, a fotografia de Mário Silva é uma obra aberta à interpretação, que convida o observador a refletir sobre questões existenciais e a construir os seus próprios significados.

A imagem, com a sua força visual e a sua carga simbólica, transcende o mero registro fotográfico e torna-se uma obra de arte que dialoga com o observador.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
09
Out24

“O velho e enferrujado batente” – uma estória intrigante


Mário Silva Mário Silva

“O velho e enferrujado batente”

uma estória intrigante

09Out DSC03094_ms

Na pequena aldeia transmontana de Águas Frias, perto da cidade de Chaves, Portugal, havia uma velha casa de pedra com uma porta de madeira maciça.

A porta estava desgastada pelo tempo, com a tinta descascada e o batente enferrujado.

Mas mesmo assim, a porta tinha um certo encanto, como se guardasse segredos do passado.

Um dia, um jovem chamado Pedro estava a passear pela aldeia quando se deparou com a casa.

Ele ficou fascinado com a porta e decidiu investigar.

Com cuidado, ele abriu a porta e entrou.

O interior da casa era escuro e sombrio, mas Pedro não se deixou intimidar.

Ele começou a explorar as divisões, procurando por algum sinal de vida.

De repente, ele ouviu um barulho vindo do sótão.

Ele subiu as escadas e encontrou uma porta trancada.

Pedro tentou abri-la, mas estava trancada.

Ele então percebeu que havia uma pequena janela no sótão.

Ele aproximou-se e olhou para fora.

Do outro lado da janela, ele viu uma mulher de cabelos brancos sentada numa cadeira de balanço.

Ela estava a olhar para a lua, com um sorriso no rosto.

Pedro ficou surpreso.

Ele não sabia que alguém vivia naquela casa.

Ele bateu na janela para chamar a atenção da mulher.

A mulher olhou para ele e sorriu.

Ela então levantou-se e abriu a porta do sótão.

Pedro entrou e ficou impressionado com o que viu.

O sótão era um grande espaço aberto, com paredes de madeira e um teto inclinado.

Havia uma cama, uma mesa e uma cadeira.

 

A mulher apresentou-se como Dona Maribela.

Ela disse que vivia na casa há muitos anos, desde que era jovem.

Ela disse que a porta estava trancada porque ela não queria que ninguém a perturbasse.

Pedro ficou fascinado com a história de Dona Maribela.

Ele perguntou por que ela não queria que ninguém a perturbasse.

Dona Maribela explicou que ela tinha um segredo.

Ela disse que era uma bruxa.

Pedro ficou surpreso, mas não assustado.

Ele disse que sempre acreditou em bruxas.

Dona Maribela sorriu. Ela disse que era bom saber que alguém acreditava nela.

Eles conversaram por horas, sobre a vida, a morte e o universo. Pedro aprendeu muito com Dona Maribela.

Quando chegou a hora de ir, Pedro agradeceu a Dona Maribela por ter aberto a porta para ele. Ele disse que nunca esqueceria a experiência que teve naquela casa.

Dona Maribela sorriu e disse que estava feliz por ter conhecido Pedro. Ela disse que ele era um bom rapaz.

Pedro saiu da casa, com um sentimento de esperança no coração.

Ele sabia que a vida era cheia de mistérios, mas também de beleza.

E ele estava ansioso para explorar o mundo e descobrir tudo o que ele tinha a oferecer.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
29
Jul24

Uma relíquia de uma antiga carroça


Mário Silva Mário Silva

Uma relíquia de uma antiga carroça

Jul29 DSC03714_ms

A fotografia mostra uma antiga carroça de madeira assente na erva sob uma árvore.

A carroça está em estado de abandono, com a pintura descascada e a madeira apodrecida.

No entanto, ainda é possível ver alguns detalhes da sua construção, como as rodas de ferro e madeira maciça e o eixo de madeira.

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É provável que esta carroça tenha sido utilizada para transportar produtos agrícolas, como feno, grãos e frutas, das áreas rurais para os mercados.

Também pode ter sido utilizada para transportar pessoas, como membros da família ou trabalhadores agrícolas.

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A carroça era um meio de transporte essencial para as zonas rurais transmontanas até meados do século XX.

As estradas eram precárias e os automóveis ainda eram raros e muitíssimo caros.

A carroça era a única maneira de transportar grandes quantidades de produtos e pessoas de forma eficiente.

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A carroça também desempenhava um papel importante na vida social das comunidades rurais.

As carroças eram utilizadas para transportar pessoas para festas, feiras e outros eventos sociais.

Também eram utilizadas para transportar os corpos dos mortos para o cemitério.

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A carroça é um símbolo da cultura transmontana.

Ela representa a simplicidade da vida rural e a importância do trabalho duro.

A carroça também é um símbolo da resiliência do povo transmontano, que sempre soube superar as dificuldades da vida rural.

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A imagem da carroça abandonada é uma chamada de atenção de um passado que se foi.

No entanto, a carroça ainda é um símbolo importante da cultura transmontana e da importância do trabalho duro e da resiliência.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
28
Jul24

Antigo altar da capela particular (antes) dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

Antigo altar da capela particular (antes) dedicada

a Nossa Senhora dos Prazeres

Jul28  DSC02074_ms

De acordo com as informações disponíveis, o antigo altar da capela particular dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres era feito em madeira e apresentava as seguintes características:

-  O altar era provavelmente de estilo barroco, comum nas capelas portuguesas dos séculos XVII e XVIII.

-  O altar era feito de madeira talhada e dourada.

-  O altar era retangular, com um nicho central onde se encontrava a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres.

- O altar era decorado com colunas, colunas, frisos e outros elementos ornamentais típicos do estilo barroco.

-  A imagem de Nossa Senhora dos Prazeres era uma estátua de madeira policromada, com cabelo natural, provavelmente do século XVIII.

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A demolição do antigo altar da capela particular dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres e a sua substituição por um novo altar moderno e incaracterístico representa uma perda significativa para o património cultural e religioso da região.

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O antigo altar era uma obra de arte valiosa que testemunhava a história e a tradição da capela.

Era também um importante elemento da identidade da comunidade local, que se identificava com a sua beleza e significado religioso.

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O novo altar, por outro lado, é um objeto sem alma que não tem qualquer valor histórico ou cultural.

É um mero objeto decorativo que não contribui para a identidade da capela ou da comunidade.

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A decisão de demolir o antigo altar e construir um novo foi tomada, pelo proprietário, sem a opinião da comunidade local, o que gerou grande consternação e tristeza.

Esta decisão é um exemplo da crescente secularização da sociedade portuguesa e da perda de apreço pelo património religioso.

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A demolição do antigo altar da capela particular dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres é um ato irreversível que representa uma perda significativa para o património cultural e religioso da aldeia, da região e da arte.

É importante que as autoridades competentes tomem medidas para proteger o património religioso e para garantir que este tipo de situações não se repita no futuro.

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Recomendações (minha opinião, valendo o que vale):

Criar um inventário do património religioso da região.

Classificar as capelas e outros edifícios religiosos como monumentos de interesse público.

Promover a educação para o património religioso e cultural.

Envolver as comunidades locais na tomada de decisões sobre o património religioso, apoiando-se no conhecimento técnico de especialistas na área da arte religiosa.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
26
Jun24

“Vaso” - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

“Vaso”

Mário Silva

Jun26 DSC08080_ms

A fotografia, intitulada "Vaso" por Mário Silva, apresenta um jarro de cerâmica verde sobre uma mesa de madeira.

O jarro possui alça e está posicionado próximo a uma grade branca, que presumivelmente pertence à varanda de uma casa.

A imagem é capturada através das barras da grade, o que gera um efeito de enquadramento e confere à cena uma aura de mistério e intriga.

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O jarro é o elemento central da fotografia e atrai a atenção do observador.

A sua cor verde vibrante contrasta com a tonalidade neutra da mesa de madeira, criando um ponto focal interessante.

A presença do jarro sugere a ideia de um lar, aconchego e convivialidade.

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A mesa serve como base para o jarro e contribui para a composição da cena.

A sua textura rústica e tom amadeirado adicionam um toque natural à fotografia, reforçando a sensação de aconchego.

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A grade branca, presente no primeiro plano da imagem, desempenha um papel importante na composição da fotografia.

Ela cria um efeito de enquadramento que direciona o olhar do observador para o jarro e, ao mesmo tempo, introduz um elemento de divisão entre o interior e o exterior.

Isso sugere uma sensação de privacidade e intimidade, como se o observador estivesse espiando através da janela de uma casa.

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A fotografia foi capturada à luz natural, o que confere à cena uma aparência realista e autêntica.

A luz suave banha os objetos de forma uniforme, criando sombras sutis que adicionam profundidade à imagem.

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A fotografia "Vaso" pode ser interpretada de diversas maneiras, dependendo da perspetiva do observador.

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A fotografia captura um objeto simples do cotidiano, um jarro de cerâmica, e transforma-o numa obra de arte.

Isso sugere que a beleza pode ser encontrada nos lugares mais inesperados, e que basta um olhar atento para apreciar a riqueza do mundo ao nosso redor.

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A presença do jarro de cerâmica sobre a mesa de madeira evoca a ideia de um lar, aconchego e convivialidade.

A grade branca, por sua vez, pode simbolizar a proteção e a segurança do ambiente familiar.

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O facto da fotografia ter sido capturada através da grade branca sugere uma sensação de privacidade e intimidade.

Isso pode ser interpretado como um convite para o observador refletir sobre os seus próprios pensamentos e sentimentos, ou como um lembrete da importância de valorizar os momentos de reclusão e introspeção.

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O efeito de enquadramento criado pela grade branca e a luz natural suave conferem à cena uma aura de mistério e intriga.

Isso convida o observador a imaginar o que está além da grade, ou a criar as suas próprias histórias sobre o que se passa dentro da casa.

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Em última análise, a interpretação da fotografia "Vaso" é livre e individual.

Cada observador poderá encontrar os seus próprios significados e interpretações na imagem, de acordo com suas experiências e perspetivas pessoais.

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A fotografia não apresenta elementos que identifiquem o local em que foi capturada.

Isso permite que o observador projete as suas próprias experiências e memórias na imagem, tornando-a ainda mais pessoal e significativa.

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A ausência de pessoas na fotografia deixa espaço para a imaginação do observador.

Isso pode ser interpretado como um convite para refletir sobre a solidão, a quietude ou a contemplação.

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A fotografia possui uma composição simples e minimalista, o que contribui para a sua beleza e impacto visual.

A escolha de focar num único objeto, o jarro, permite que o observador aprecie os seus detalhes e texturas com mais atenção.

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Como conclusão, a fotografia "Vaso" de Mário Silva é uma obra de arte simples, mas poderosa, que convida o observador a refletir sobre diversos temas, como a beleza do cotidiano, o lar e a família, a privacidade e a intimidade, o mistério e a intriga.

A sua composição minimalista e a ausência de elementos que identifiquem o local em que foi capturada permitem que o observador projete as suas próprias experiências e interpretações na imagem, tornando-a uma obra de arte pessoal e significativa.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
29
Abr23

ESCADA SEM CORRIMÃO


Mário Silva Mário Silva

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ESCADA SEM CORRIMÃO

27 DSC04216_ms

 

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É uma escada sem caracol

e que não tem corrimão.

Vai a caminho do Sol

mas nunca passa do chão.

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Os degraus, quanto mais altos,

mais estragados estão.

Nem sustos nem sobressaltos

servem sequer de lição.

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Quem tem medo não a sobe.

Quem tem sonhos também não.

Há quem chegue a deitar fora

o lastro do coração.

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Sobe-se numa corrida.

Correm-se p’rigos em vão.

Adivinhaste: é a vida

a escada sem corrimão.

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__________     David Mourão-Ferreira     __________

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Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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