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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

18
Dez23

A luz inebriante da luz da lua numa noite outonal ... Que ela traga PAZ ao MUNDO


Mário Silva Mário Silva

 

A luz inebriante da luz da lua numa noite outonal ...

Que ela traga PAZ ao MUNDO

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A luz inebriante da luz da lua numa noite outonal é uma experiência única e inesquecível.

A luz da lua, refletida nas folhas secas das árvores, cria um cenário mágico e surreal.

A brisa fresca do outono sopra suavemente, embalando o corpo e a alma.

Nesta noite, tudo parece estar suspenso no tempo.

O mundo parece estar em silêncio, apenas o som da brisa e o canto dos grilos.

A luz da lua é tão brilhante que é possível ver as sombras das árvores e dos arbustos com clareza.

Sinto-me como se estivesse num sonho. A beleza da noite é simplesmente estonteante.

Sinto-me relaxado e tranquilo, como se todos os meus problemas tivessem desaparecido.

Fecho os olhos e respiro fundo. A brisa fresca do outono refresca meu rosto.

Sinto a paz e a tranquilidade da noite.

A luz da lua é como uma droga. Ela é inebriante e hipnotizante. É impossível não se render ao seu encanto.

Nesta noite, eu sou um com a natureza. Eu faço parte deste mundo mágico e surreal.

A luz da lua lembra-nos que a beleza ainda existe no mundo.

Mesmo numa noite fria de outono, é possível encontrar momentos de paz e tranquilidade.

Ela até parece que nos faz “esquecer” as guerras, as mortes de inocentes, que ocorrem em vários pontos do Mundo.

HAJA PAZ no MUNDO inteiro.

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Texto e Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
14
Dez23

Apetece-me imaginar como seria um dia com neve na paisagem transmontana


Mário Silva Mário Silva

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Apetece-me imaginar como seria um dia com neve na paisagem transmontana

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Acordo cedo, ainda escuro, e ouço o barulho da neve a cair. Abro a janela e vejo o mundo coberto por um manto branco. É um dia de inverno perfeito na paisagem transmontana.

Saio de casa e caminho pela aldeia. As casas estão cobertas de neve, e os telhados brilham à luz do sol nascente. Os caminhos estão cobertos de uma camada espessa de neve, e é preciso ter cuidado para não escorregar.

O ar está frio e fresco, e posso ouvir o som dos pássaros cantando. A neve brilha no sol, e é uma visão deslumbrante.

Chego a uma floresta e entro. As árvores estão cobertas de neve, e os galhos estão carregados de flocos de neve. O silêncio é absoluto, e só se ouve o som do meu próprio respirar.

Caminhar pela floresta é uma experiência mágica. Parece que estou em um mundo diferente, um mundo silencioso e pacífico.

Ao longe, vejo uma aldeia. As casas estão cobertas de neve, e as pessoas estão a sair de casa para aproveitar o dia.

Vou até à aldeia e sento-me num banco para observar as pessoas. As crianças estão a brincar na neve, e os adultos estão a conversar e a rir.

É um dia perfeito para estar ao ar livre, e estou a aproveitar ao máximo.

Depois do almoço, vou para a serra. A neve está mais espessa na serra, e o cenário é ainda mais deslumbrante.

Caminhar na serra é uma experiência desafiante, mas também muito gratificante. O ar é puro e fresco, e a vista é simplesmente incrível.

No final do dia, estou cansado, mas feliz. Foi um dia perfeito para estar na natureza.

Volto para casa e sento-me à lareira. Aqueço-me e saboreio um copo de vinho quente.

A neve está a cair lá fora, e o mundo está silencioso. É um momento perfeito para relaxar e refletir.

Penso no dia que tive, e sinto-me feliz por ter vivido esta experiência. A neve transformou a paisagem transmontana num lugar mágico, e foi um dia que nunca esquecerei.

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Texto & Pintura (AI): ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
22
Ago23

Afinal, o que é o amor?


Mário Silva Mário Silva

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Afinal, o que é o amor?

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É uma canção que toca nosso coração,

É uma luz que ilumina nosso caminho,

É uma esperança que nos faz acreditar no amanhã.

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É um sentimento que nos faz sentir vivos,

É uma força que nos move,

É uma energia que nos transforma.

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É uma dádiva que devemos apreciar,

É um tesouro que devemos guardar,

É um presente que devemos compartilhar.

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O amor é tudo isso e muito mais.

É a força mais poderosa do universo.

É o que nos conecta uns aos outros.

É o que nos torna humanos.

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O amor é a resposta para tudo.

É a solução para todos os problemas.

É a chave para a felicidade.

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Parabéns, Amor!!!

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Poema & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
11
Set22

A   LUA   DIURNA


Mário Silva Mário Silva

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A   LUA   DIURNA

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É uma saudade noturna

Que recaiu manhã adentro

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É uma vontade de sem fim

Pelo encontro estendido

Sob o céu negro e protetor

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É uma beleza fora de lugar

Cheia ou crescente, de verdade e desjeito

Como o sorriso de um cego

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A lua diurna

é o emblema definitivo

da paz espirituosa dos filhos do amor

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_____   Aldo Votto   _____

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Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
25
Jan20

Águas Frias (Chaves) - ... a tradicional matança do porco ...


Mário Silva Mário Silva

 

A TRADICIONAL MATANÇA DO PORCO

 

Águas Frias - ... a tradicional matança do porco ...

... a tradicional matança do porco ...

 

Gordo, gordinho, matulão, o porco chega ao terreiro, conduzido por aquele que havia de lhe pôr termo aos dias de ceva. Mirones, apesar do chuvisco frigidíssimo. Motivo para estar ali um garrafão encarapuçado por um púcaro de alumínio. «Vai um?» «Claro!» Dantes, já lá vão uns anitos, quando eu assistia ao ritual, reparava em um ou dois molhos de palha que se destinavam a faxucar o animalzinho; agora olho, com alguma nostalgia, para uma botija de gás. O fumo da palha tinha outro encanto, carregada que era de símbolos sacrificiais.

 

Águas Frias (Chaves) - ... uma vista "apertada" de uma parcela da Aldeia ...

... uma vista "apertada" de uma parcela da Aldeia ...

 

Um facalhão, tachos, um balde e a senhora ......., lesta, apesar da idade, a encher um regador no fontanário próximo. «Vamos a isto, rapazes» – voz de comando do senhor ....... que prende uma corda na boca do animal, segurando-a bem entre as duas queixadas. «E o banco? Traga o banco», diz a afanosa ........ «Qual banco, responde o dono. – Vai ser aí em cima do muro».

E eu a cismar: aquele bloco ancho de cantaria sempre tinha mais parecença com uma pedra de ara.

 «Espere aí: deixe-me beber mais uma pucarada» – voz de um rapazola que esfregou as beiças com as costas da mão.

Águas Frias - ... a lua entre os pinheiros ...

... a lua entre os pinheiros ...

 

O porco, desconfiado do sítio, tinha fossado uma borda de rango e leitugas, abrindo-lhe um sulco direito de sachola. Os cochilros que inundavam a parede espreitavam a cerimónia. Quatro homens aferraram-se ao colosso e foi então que o berreiro a sério começou. A proximidade do sacrifício é o melhor estímulo da sensibilidade.

Aguas Frias - ... levando a vaquinha para um melhor pasto ...

... levando a vaquinha para um melhor pasto ...

 

 

As mãos dos homens confundiram-se num momento com as da besta. A razão e a força. As queixas de um na ufania do outro. Sempre assim foi – pensaria uma leituga prostrada na lamiça. Ao tempo em que a senhora ........ aparava o sangue ainda vivo num tacho, frémitos de cozinha alegravam o coração dos circunstantes. Alguém voltara os olhos, quando o facalhão perfurou a peitaça do animal. «Ora, não sejas maricas» – teve de ouvir.

 

Águas Frias - ... os grelos floridos colorindo a visão da Aldeia ...

... os grelos floridos colorindo a visão da Aldeia ...

 

 

«Venha o maçarico, venha o maçarico». E o fogo acendeu júbilos novos nas sedas do ridente chacim. Amolecido com água quente, o couro foi raspadinho com lascas de pedra rugosa e, logo a seguir, pendurado na loja onde o tal maricas se pôs a farejar. Pudera! Já a senhora ........ descia com uma travessa de bolos de bacalhau e fatias de salpicão a dizerem «comei-me».

 

Águas Frias - ... um caçador e os seus cão (mas ão vislumbro caça nenhuma) ...

... um caçador e os seus cão (mas não vislumbro caça nenhuma) ...

 

 

Sape, gato – voz a ralhar a um ougado, porque o senhor magarefe ainda estava rec-rec com a alimária. Sape, gato – repetiu a patroa, ao descer novamente as escadas com um açafate de trigo de quartos numa mão e uma caçarola de sangue cozido com alho picado na outra. Já o tal se havia desougado, fazendo mão baixa à travessa.

 

Águas Frias - ... pela rua da Lampaça ...

... pela rua da Lampaça ...

 

 

Interim, ........ tinha aberto o formoso bestigo, de alto a baixo, e fazia a colheita do interior. Primeiro, as tripas, que encheram um balde; depois, a colada: fígado, pulmões e coração. Finalmente, os untos ou banha que, depois de atravessar três bilhardas à entrada da barriga, para efeito de arejamento, deixou a pingar de uma delas.

Águas Frias - ... Papa-moscas (comum)  Ficedula hypoleuca  Pied flycatcher ...

... Papa-moscas (comum) Ficedula hypoleuca Pied flycatcher ...

 

 

«Tens-me cá uma colada», ouvi uma mulher dizer ao tal que parecia maricas e que acabava de abichar uma rodela de salpicão. Vim a saber que o que ela queria dizer era que o outro era um mandrião. Comia e dormia. Como o porco. A gente riu-se. E, quando mestre .......... acabou de lavar as mãos, fiquei admirado por ele não meter à boca mais do que um bolo de bacalhau, recusando os pedaços quentinhos de sangue cozido – que para mim estavam uma delícia.

 

 


António Cabral [1931-2007] foi um poeta, ficcionista, cronista, ensaísta, dramaturgo, etnógrafo e divulgador da cultura popular portuguesa.
in: "Tradições populares"https://www.antoniocabral.com.pt/matanca-do-porco/   



 

 

Até breve !!!

 

 

 

 

Mário Silva 📷
06
Jan20

Águas Frias (Chaves) - ... "Um reino Maravilhoso ..."


Mário Silva Mário Silva

 

 

Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso.

Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite.

 

Águas Frias (Chaves) - ... vista sobre Cimo de Vila ...

... vista sobre Cimo de Vila ...

 

Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos.

E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.

Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador.

Tudo parado e mudo. Apenas e move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:

– Para cá do Marão, mandam os que cá estão!…

 

Águas Frias (Chaves) - ... o cão atento, vigiando a entrada de casa ...

... o cão atento, vigiando a entrada de casa ...

Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de nós?

Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena:
– Entre!

A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso.

Águas Frias (Chaves) - ... ó lua que vais tão alto ...

... ó lua que vais tão alto, iluminando a noite desta terra do Reino Maravilhoso  ...

 

A autoridade emana da força interior que cada qual traz do berço. Dum berço que oficialmente vai de Vila Real a Chaves, de Chaves a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Régua.

Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.

Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas. Nos intervalos, apertados entre os rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta angústia.

E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista.

Águas Frias (Chaves) - ... planta encarnada que rompe por entre as folhas já a entrarem em decomposição ...

... planta encarnada que rompe por entre as folhas já a entrarem em decomposição ...

 

Não se vê por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho. Mas dá. Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre.

Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio aveza, crescem as cepas como os manjericos às janelas. No Setembro, os homens deixam as eiras da Terra-Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem.

E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo. A terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão.

Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde:
– Entre quem é! Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva.

Águas Frias (Chaves) - ... nicho de S.ta Rita ...

... nicho de S.ta Rita - manifestação  da devoção cristã das Gentes da Aldeia ...

 

Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada.

Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Medo de ficarem aquém do estalão por onde, desde que o mundo é mundo, se mede à hora da morte o tamanho de uma criatura.

Águas Frias (Chaves) - ...  na estreita rua D.ª Alice Chaves ...

... na estreita rua D.ª Alice Chaves ...

 

Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura emigram. Metem toda a quimera numa saca de retalhos, e lá vão eles. Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia.

O nome de Trasmontano, que quer dizer filho de Trás-os-Montes, pois assim se chama o Reino Maravilhoso de que vos falei.

 

in: "Trás-os-Montes, o Reino Maravilhoso" de Miguel Torga

 

 

Até Breve !!!

 

 

 

 

 

Mário Silva 📷

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