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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

23
Out25

“Pedra Fálica” - Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Pedra Fálica”

Águas Frias – Chaves - Portugal

23Out DSC09440_ms

A fotografia, intitulada “Pedra Fálica” e capturada em Águas Frias, Chaves, Portugal, é um plano próximo e dramático de uma grande rocha vertical incrustada num muro de pedra rústico.

A pedra central, de formato alongado e ligeiramente afilado no topo, tem uma textura rugosa e é predominantemente coberta por uma camada de musgo escuro e seco nas laterais, enquanto a sua superfície central é iluminada por uma luz quente, intensa e baixa, possivelmente do sol do final da tarde.

Esta iluminação acentua o volume e a forma da rocha, conferindo-lhe uma presença imponente e escultural.

A rocha está enquadrada por um muro de pedras mais pequenas, de cores e formatos variados, que servem de moldura e de contraste, destacando a antiguidade e a importância do monólito.

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Lenda Ancestral da Pedra da Fecundidade

Nas terras de Águas Frias, onde os Invernos são duros e os rios cantam lendas antigas, ergue-se, desde tempos que se perdem na memória dos povos, a "Pedra da Fecundidade", um monólito venerado que o povo viria a conhecer como a Pedra Fálica.

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A Lenda: O Gigante Petrificado e a Deusa Mãe

A lenda mais antiga conta que esta pedra não era, na verdade, uma rocha, mas sim a forma petrificada do Deus-Gigante Turi, o último da sua espécie, que habitava os picos de Barroso.

 Turi, que amava a Deusa-Mãe Telena, Senhora da Água e da Terra, foi amaldiçoado por um ciumento espírito do Submundo.

A maldição transformou-o em pedra, para que nunca mais pudesse abraçar a sua amada.

No entanto, Telena, em lágrimas, usou o seu poder para lhe conceder uma última dádiva: a de que a sua essência, o seu poder criador, permanecesse aprisionado na pedra, para que pudesse continuar a abençoar a vida na Terra.

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A Pedra Fálica era, portanto, vista como o último vestígio do poder do Gigante Turi, um pilar que unia o céu à terra, e que canalizava a energia vital da Deusa Telena.

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Os Rituais da Fertilidade e da Fortuna

Desde a época pré-romana, gentes de todo o Norte de Portugal e da Galiza peregrinavam a Águas Frias para prestar homenagem à Pedra e participar nos seus rituais, que eram sempre realizados sob a luz da Lua Cheia.

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O Ritual da Fecundidade: O mais famoso era o ritual das Mulheres Sem Fruto.

Ao cair da noite, as mulheres que desejavam engravidar subiam ao local da pedra.

Primeiro, banhavam-se nas águas frias da nascente próxima, purificando-se.

Depois, dirigiam-se à Pedra.

O ritual central era o de "abraçar a pedra": a mulher devia esfregar-se ou abraçar o monólito com os braços, vertendo leite ou azeite nos musgos escuros da rocha, pedindo a Turi que lhe desse o "fogo da vida".

Acreditava-se que a rugosidade e a forma da pedra lhe transmitiam o "vigor do gigante".

Se a mulher sentisse um formigueiro ou um calor, a bênção estava concedida.

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O Ritual da Fortuna nos Campos: Os homens, por sua vez, tocavam na pedra antes da sementeira.

O ritual exigia que roçassem nela uma espiga de milho ou um punhado de centeio, pedindo a Turi que a sua força garantisse colheitas fartas e abundância para o ano.

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Os "Milagres" e a Promessa

Os "milagres" atribuídos à Pedra Fálica eram lendários.

As histórias viajavam de boca em boca:

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O Dom da Vida: Centenas de casais de Trás-os-Montes e do Minho atestavam terem concebido um filho após a peregrinação.

A criança nascida após a bênção era frequentemente chamada de "Túrio" ou "Telena", em honra dos deuses ancestrais.

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O Campo Renovado: Conta-se que, durante uma grande seca, os lavradores de Águas Frias, após um ritual desesperado, viram o tempo mudar, salvando as suas searas.

O "poder da Pedra" era mais forte do que a maior das estiagens.

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Mesmo com a chegada de novas religiões, a lenda da Pedra da Fecundidade nunca se apagou.

No íntimo do povo nortenho, o monólito de Águas Frias permaneceu como um símbolo da força da vida, um local onde a natureza e a ancestralidade se encontram para sussurrar a promessa de que a vida sempre encontra um caminho para florescer.

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Se não acredita, venha visitar a Pedra Fálica.

NOTA: Mas desde já aconselho que não menospreze o seu efeito, pois em caso de zombaria, Turi pode ficar irritado e a sua “ação” pode ser de tal maneira violenta, que pode tornar-se brutal e permanente (todos os segundos, minutos, horas, dias e anos).

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
23
Nov24

"A Bruxa de Pedra" – conto fantástico do lendário de Águas Frias – Chaves – Portugal (2ª parte)


Mário Silva Mário Silva

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"A Bruxa de Pedra"

conto fantástico do lendário

de Águas Frias – Chaves – Portugal

2ª parte

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À medida que Marinela crescia, a sua fascinação pela lenda da "Bruxa de Pedra" apenas se intensificava.

Ela passava horas observando a fraga imponente, estudando cada detalhe do seu rosto pétreo, imaginando as histórias que aquelas feições esculpidas poderiam contar.

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Na sua mente jovem e fértil, Marinela criava cenários fantásticos, onde a bruxa petrificada era uma guardiã poderosa, protegendo a aldeia de forças malignas que ameaçavam a sua tranquilidade.

Outras vezes, ela a imaginava como uma feiticeira ambiciosa, punida por desafiar os próprios deuses da natureza.

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Impulsionada pela sua curiosidade insaciável, Marinela decidiu embarcar numa jornada de descoberta, determinada a desvendar os mistérios que envolviam a "Bruxa de Pedra".

Ela explorou cada recanto da aldeia, entrevistando os anciãos e coletando fragmentos de histórias e lendas que haviam sido transmitidas por gerações.

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A suas investigações levaram-na a antigas ruínas escondidas nas profundezas das montanhas, onde encontrou inscrições enigmáticas e símbolos místicos gravados nas pedras.

Marinela estudou esses vestígios com afinco, buscando pistas que pudessem revelar a verdadeira origem da lenda.

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Nas suas explorações, Marinela encontrou um antigo grimório, um livro de feitiços e encantamentos que havia sido preservado por séculos.

As suas páginas amareladas continham segredos místicos e rituais arcanos, alguns dos quais pareciam estar relacionados à lenda da "Bruxa de Pedra".

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Com o coração palpitante de emoção, Marinela decodificou os textos antigos, desvendando pistas sobre uma antiga feiticeira que havia vivido naquelas terras há séculos.

Segundo o grimório, essa poderosa bruxa havia sido a guardiã de um conhecimento ancestral, protegendo os segredos da natureza de mãos ambiciosas.

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No entanto, um dia, ela foi desafiada por um feiticeiro malévolo, que buscava dominar esses conhecimentos para os seus próprios propósitos sombrios.

Uma batalha épica se desenrolou, sacudindo as próprias montanhas com a força dos feitiços lançados.

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No clímax desse confronto, a bruxa invocou um encantamento supremo, transformando-se em pedra para selar o feiticeiro maligno e proteger os segredos da terra para sempre.

O seu corpo petrificado ergueu-se como a "Bruxa de Pedra", uma sentinela eterna vigiando a aldeia e preservando o equilíbrio entre a magia e a natureza.

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Marinela ficou extasiada com essa revelação e a sua mente ardia com as implicações dessa descoberta.

Ela compreendeu que a lenda da "Bruxa de Pedra" não era apenas um conto fantástico, mas uma história real, enraizada na própria história da aldeia e nos mistérios ancestrais que haviam sido guardados por gerações.

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Com essa nova compreensão, Marinela tornou-se a guardiã da lenda da "Bruxa de Pedra".

Ela compartilhava as suas descobertas com os moradores da aldeia, reavivando o respeito e a admiração por essa figura mítica que havia protegido as suas terras por tanto tempo.

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Marinela organizou festivais e celebrações em homenagem à "Bruxa de Pedra", onde as histórias eram contadas e encenadas, mantendo viva a chama da tradição.

Ela encorajou os jovens a explorar a riqueza cultural da aldeia, incentivando-os a valorizar as suas raízes e a preservar os mistérios que haviam sido transmitidos por gerações.

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Com o passar dos anos, Marinela tornou-se uma anciã respeitada, uma contadora de histórias cujas narrativas eram aguardadas com ansiedade pelos moradores da aldeia.

As suas palavras evocavam imagens vívidas da "Bruxa de Pedra", transportando os ouvintes para um mundo de magia e mistério.

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E assim, a lenda da "Bruxa de Pedra" continuou a ecoar pelas ruas estreitas de Trás-os-Montes, uma história fantástica que se entrelaçava com a própria essência da aldeia.

Graças aos esforços de Marinela e de tantos outros guardiões da tradição, essa lenda permaneceu viva, inspirando gerações futuras a explorar os mistérios do passado e a valorizar a rica herança cultural que as cercava.

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Perlimpimpim, a estória chegou ao fim …

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva (com a colaboração e testemunho de Marinela)

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Mário Silva 📷
22
Nov24

"A Bruxa de Pedra" – conto fantástico do lendário de Águas Frias – Chaves – Portugal (1ª parte)


Mário Silva Mário Silva

"A Bruxa de Pedra"

conto fantástico do lendário de Águas Frias –

Chaves – Portugal

1ª parte

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Nas profundezas da região montanhosa de Trás-os-Montes, em Portugal, uma pequena aldeia repousava pacificamente, cercada por vales verdejantes e cumes rochosos que desafiavam o céu.

Ali, o ritmo da vida seguia um compasso antigo, ditado pelas estações e pelos ciclos da natureza. As ruas de pedra testemunhavam o passar dos séculos, enquanto os habitantes cultivavam a terra com mãos calejadas, preservando tradições que haviam sido transmitidas de geração em geração.

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No meio dessa tapeçaria rural, erguia-se uma formação rochosa singular, uma fraga imponente que parecia vigiar a aldeia com um olhar pétreo.

A sua silhueta era esculpida pelas forças da natureza, modelada ao longo de eras por ventos implacáveis e chuvas incessantes.

E, como se por uma brincadeira caprichosa do destino, o seu perfil lembrava um rosto humano, com traços severos e uma expressão austera.

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Os habitantes locais chamavam-na de "A Bruxa de Pedra", e a sua presença dominava tanto a paisagem quanto as histórias que se contavam ao redor das lareiras nas noites frias.

Ao cair da noite, quando as famílias se reuniam em torno do calor acolhedor das lareiras, as vozes dos mais velhos se erguiam, repletas de mistérios e segredos ancestrais.

Era nessas ocasiões que a lenda da "Bruxa de Pedra" ganhava vida, transmitida de boca em boca, como um tesouro precioso a ser guardado e compartilhado.

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Alguns contavam que, em tempos imemoriais, uma poderosa feiticeira havia caminhado por aquelas terras, dominando os elementos com os seus feitiços e invocações.

A sua magia era tão intensa que despertava tanto temor quanto admiração nos corações dos aldeões.

Diziam que, num ato de arrogância, ela ousou desafiar as forças da natureza, tentando roubar os segredos mais profundos da terra.

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Como punição pela sua ousadia, a feiticeira foi transformada em pedra pelo próprio poder que buscava dominar.

O seu corpo petrificado ergueu-se como uma sentinela silenciosa, condenada a vigiar eternamente a aldeia que um dia ameaçou subjugar com a sua magia sombria.

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Outros, no entanto, sussurravam que a própria bruxa havia escolhido aquela forma rochosa, renunciando à sua humanidade em troca de uma existência imortal.

Segundo essas histórias, ela havia metamorfoseado-se em pedra para vigiar perpetuamente a aldeia, protegendo-a de ameaças ocultas e preservando os mistérios da terra que tanto amava.

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Enquanto as histórias sobre a "Bruxa de Pedra" ecoavam pelas ruas estreitas da aldeia, uma jovem chamada Marinela bebia avidamente cada palavra, permitindo que a sua imaginação fosse alimentada por essas narrativas fantásticas.

Com apenas doze anos, ela já se havia tornado uma depositária dessas lendas, guardando-as como tesouros preciosos no seu coração.

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Marinela era uma criança curiosa, com olhos brilhantes que pareciam refletir a própria magia da terra.

Ela cresceu ouvindo as histórias contadas pela sua avó, uma mulher sábia que conhecia todos os segredos da aldeia e os ensinamentos antigos que haviam sido passados de geração em geração.

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À noite, quando a lua cheia banhava a aldeia com sua luz prateada, Marinela sentava-se aos pés da sua avó, hipnotizada pelas narrativas que fluíam dos seus lábios.

Ela ouvia atentamente as descrições da feiticeira poderosa que desafiou as forças da natureza, ou da bruxa que escolheu uma forma rochosa para vigiar eternamente a aldeia.

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Cada detalhe, cada nuance dessas lendas, era cuidadosamente absorvido por Marinela, que as guardava na sua mente como pequenas joias preciosas.

Ela sonhava em explorar os mistérios que envolviam a "Bruxa de Pedra", imaginando-se como uma intrépida aventureira desvendando os segredos daquela formação rochosa enigmática.

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Segundo alguns anciãos, em tempos remotos, uma feiticeira de poder inigualável havia percorrido aquelas terras, dominando os elementos com sua magia antiga.

O seu conhecimento era tão vasto que ela ousou desafiar as próprias forças da natureza, buscando roubar os segredos mais profundos da terra.

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Essa ousadia, no entanto, não passou despercebida pelas entidades que governavam o equilíbrio do mundo natural.

Como punição pela sua arrogância, a feiticeira foi transformada em pedra, seu corpo petrificado erguendo-se como um monumento à sua ambição desmedida.

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Outras vozes, no entanto, contavam uma história diferente.

Elas sussurravam que a própria bruxa havia escolhido aquela forma rochosa, renunciando à sua humanidade em troca de uma existência imortal.

Segundo essas narrativas, ela havia metamorfoseado-se em pedra para vigiar perpetuamente a aldeia, protegendo-a de ameaças ocultas e preservando os mistérios da terra que tanto amava.

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Algumas variações dessas lendas sugeriam que a bruxa havia sido uma guardiã benigna, enquanto outras a retratavam como uma força sombria e ameaçadora.

Independentemente da versão, todas essas histórias convergiam para a imponente fraga que dominava a paisagem, a sua silhueta esculpida pelo tempo e pelas forças da natureza.

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Marinela bebia avidamente cada uma dessas narrativas, permitindo que a sua imaginação fosse alimentada por essas lendas fantásticas.

Ela sonhava em desvendar os mistérios que envolviam a "Bruxa de Pedra", explorando cada nuance e cada detalhe que pudesse revelar a verdade por trás daquela formação rochosa enigmática.

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Se você é fascinado por histórias de magia, mistério e lendas antigas, não perca a oportunidade de explorar a rica cultura e as tradições encantadoras de Trás-os-Montes, Portugal.

Planeie a sua viagem hoje mesmo e mergulhe nesse mundo de contos fantásticos, onde a natureza e a imaginação se fundem numa tapeçaria deslumbrante.

Descubra os segredos da "Bruxa de Pedra" e deixe-se encantar por esta região mágica, onde o passado e o presente se entrelaçam numa dança eterna de mistério e encantamento.

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(A estória continua … amanhã, se, entretanto, não houver algum encantamento que o impeça)

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva (com a colaboração e testemunho de Marinela)

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Mário Silva 📷

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