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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

23
Nov25

"Lindos altares laterais" (2008) – Águas Frias – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

"Lindos altares laterais" (2008)

Águas Frias – Chaves – Portugal

23Nov DSC06901_ms

A fotografia de Mário Silva oferece um vislumbre do interior da igreja de Águas Frias, Chaves, concentrando-se na disposição simétrica de dois altares secundários ou colaterais, enquadrados por arcos.

A composição revela a confluência de estilos e materiais que caracterizam a arte sacra portuguesa em espaços rurais, nomeadamente no Norte.

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Elementos Estruturais e Enquadramento Arquitetónico

Simetria e Arcos: A composição é marcada pela simetria de dois nichos ou capelas laterais, inseridos na parede da nave, cada um enquadrado por um arco de volta perfeita ou arco pleno.

Estes arcos definem o espaço sagrado dedicado aos cultos secundários.

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Retábulos de Talha: Ambos os altares são dominados por retábulos de madeira, pintada e dourada, de um estilo que remete para o final do Barroco ou inícios do Rococó, período em que a decoração em talha se popularizou nas igrejas paroquiais de Portugal.

O retábulo é composto por molduras, colunas e painéis que enquadram as figuras centrais.

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Iconografia e Imagens Sacras

Altar Esquerdo (Sacro Coração): O nicho da esquerda acolhe a figura de Jesus Cristo, possivelmente na invocação de Sagrado Coração de Jesus.

A imagem de Cristo está vestida com um manto branco e vermelho, num fundo de cor intensa (vermelho) que realça a figura central.

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Altar Direito (Crucificação e Devoções Marianas): O nicho da direita apresenta uma imagem de Jesus Crucificado, também em fundo azul escuro, uma cor frequentemente associada ao luto e ao mistério.

Ao lado do retábulo direito, numa peanha ou tribuna separada, está uma imagem de Nossa Senhora, provavelmente na invocação de Imaculada Conceição ou Nossa Senhora de Fátima (pela cor branca do hábito e a coroa), destacando a devoção mariana.

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Elementos Decorativos e Azulejaria

Revestimento Cerâmico: A parte inferior das paredes e a base dos altares estão revestidas com azulejos de padrão, típicos da produção portuguesa.

A presença de azulejos azuis e brancos, com desenhos geométricos e florais, é um elemento de grande importância na arte religiosa portuguesa, servindo tanto para decoração como para proteção das paredes.

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Mobiliário e Ornamentos: Em primeiro plano, destaca-se a balaustrada ou o comungatório em madeira, separando a nave do espaço dos altares.

Nos altares, as toalhas brancas de altar (possivelmente em renda ou bordado) e os arranjos florais naturais (rosas, amarelos e laranjas) sublinham a importância litúrgica e festiva dos altares.

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Iluminação e Efeito Espacial

Luz e Atmosfera: A iluminação é dramática, com uma grande janela a banhar o espaço com luz natural intensa no centro da imagem.

Este foco de luz cria um forte contraste entre a claridade exterior e o ambiente mais sombrio do primeiro plano (onde estão os bancos da nave), realçando o mistério e a sacralidade do interior do templo.

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A Arte e Religiosidade em comunhão

(de mãos dadas entre o Passado, o Presente e o Futuro)

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Texto & Fotografia (2008): ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
30
Mar25

"Altar lateral da igreja Matriz de Santa Marta" (Vila Frade - Chaves - Portugal)


Mário Silva Mário Silva

"Altar lateral da igreja Matriz de Santa Marta"

(Vila Frade - Chaves - Portugal)

29Mar DSC07641_ms

A imagem apresenta um altar lateral ornamentado, caracterizado por uma exuberante talha dourada que cobre a estrutura, exibindo um trabalho artesanal intricado.

A moldura do altar é composta por arabescos, volutas e elementos florais esculpidos, típicos da arquitetura barroca portuguesa, que conferem um brilho opulento ao conjunto.

No centro, destaca-se a figura de Jesus Cristo crucificado, uma escultura realista que domina a composição.

O seu corpo, esculpido com expressiva dor e resignação, está suspenso na cruz, com os braços abertos e a cabeça inclinada.

Acima da cruz, uma placa com a inscrição "INRI" (Iesus Nazarenus, Rex Iudaeorum - Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus) reforça o contexto bíblico da crucificação.

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À esquerda da cruz, encontra-se a estátua de Nossa Senhora das Dores, vestida com um manto azul-escuro e véu, segurando um lenço ou as mãos em gesto de lamento.

A sua expressão serena, mas carregada de tristeza, reflete a tradicional iconografia mariana associada ao sofrimento materno diante da morte do filho.

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Ao redor das figuras principais, pequenas estátuas de anjos e santos adornam as colunas laterais, adicionando uma camada de espiritualidade e hierarquia celestial.

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No topo do altar, um painel pintado retrata uma cena religiosa, possivelmente a deposição de Cristo da cruz ou uma representação da Virgem e dos santos, envolta por uma aura de luz que sugere santidade.

A luz natural que entra pela janela à direita ilumina suavemente o altar, criando um contraste entre as áreas douradas e as sombras, enquanto os azulejos decorativos na parede inferior, com padrões geométricos e florais, complementam a estética tradicional portuguesa.

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Este altar é um testemunho da rica tradição religiosa e artística de Portugal, especialmente na região de Trás-os-Montes, conhecida pelas suas igrejas barrocas.

A talha dourada simboliza a glória divina e a riqueza espiritual, um recurso comum nas igrejas portuguesas para honrar a fé e atrair os fiéis.

A presença de Jesus crucificado e de Nossa Senhora das Dores evoca o núcleo da narrativa cristã: o sacrifício de Cristo e o sofrimento de Maria, que se tornaram ícones de redenção e compaixão.

Juntos, representam a Paixão de Cristo, um tema central na liturgia católica, especialmente durante a Quaresma e a Semana Santa.

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A luz que penetra pela janela pode ser interpretada como um símbolo de esperança ou da presença divina, iluminando o altar como um farol de fé num meio carregado de penumbra.

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Os azulejos, típicos da cultura portuguesa, ligam a obra ao património local, refletindo a identidade cultural de Vila Frade e Chaves.

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 A assinatura de Mário Silva no canto inferior direito sugere uma valorização pessoal do fotógrafo por esta peça de devoção e arte, capturando não apenas a beleza visual, mas também a profundidade espiritual do local.

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Em conclusão, a fotografia de Mário Silva transcende a mera representação visual, oferecendo uma janela para a história, a fé e a arte de uma comunidade.

O altar lateral da igreja Matriz de Santa Marta é mais do que um objeto decorativo; é um espaço de contemplação, onde a dor, a glória e a esperança se entrelaçam, preservadas pela lente sensível do fotógrafo.

 

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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