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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

23
Jan26

"Já foi um lar..." - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Já foi um lar..."

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Esta é uma imagem que toca profundamente na alma do Portugal interior, capturando a fragilidade do tempo e a memória de outros dias.

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A fotografia de Mário Silva, intitulada "Já foi um lar...", retrata uma casa tradicional em ruínas na aldeia de Águas Frias, Chaves.

A imagem foca-se na estrutura esquelética de uma varanda de madeira que, outrora vibrante, agora se desfaz sob o peso do abandono e das intempéries.

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As robustas paredes de granito, típicas da região transmontana, contrastam com a madeira apodrecida e lascada da galeria.

No piso inferior, vislumbram-se restos de palha e algumas abóboras, sugerindo que o espaço, antes habitado por pessoas, serviu por último como armazém agrícola antes de ser entregue ao silêncio.

A luz solar incide lateralmente, criando sombras dramáticas que acentuam as texturas das pedras e a fragilidade das tábuas suspensas, enquanto uma moldura escura (vinheta) envolve a cena, conferindo-lhe um tom nostálgico e quase fúnebre.

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O Eco das Paredes Vazias – Quando o Tempo Apaga o Lar

O título escolhido pelo fotógrafo — "Já foi um lar..." — não é apenas uma descrição; é um lamento em forma de reticências.

Em Águas Frias, como em tantas outras aldeias de Trás-os-Montes, as casas não são apenas amontoados de pedra e madeira; são baús de memórias que, lentamente, se deixam vencer pelo esquecimento.

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A Anatomia do Abandono

Olhar para esta fotografia é testemunhar a finitude das coisas humanas.

A varanda, que outrora poderá ter sido o lugar onde se via o pôr-do-sol ou se trocavam palavras com o vizinho, é hoje um esqueleto de madeira que desafia a gravidade por pouco tempo.

O Granito: Permanece firme, como a espinha dorsal de uma história que se recusa a cair totalmente.

A Madeira: Cede e lasca-se, representando a vida que se retirou e a fragilidade do que é orgânico.

Os Frutos da Terra: As abóboras e a palha no rés-do-chão são os últimos vestígios de utilidade, um eco distante da subsistência que ali pulsava.

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A Saudade do que foi

Relacionar o tema com o título é falar de Saudade.

Quando Mário Silva diz que "já foi um lar", ele convida-nos a imaginar o fumo a sair da chaminé, o cheiro do caldo ao lume e o som de passos no soalho que agora range sob o nada.

Esta imagem é o retrato da desertificação do interior, mas também uma homenagem à dignidade dessas ruínas que, mesmo no fim, mantêm uma beleza melancólica e severa.

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Esta fotografia serve como um espelho de um país que envelhece e de casas que, ao perderem os seus habitantes, perdem a sua alma, restando apenas a luz do sol a iluminar o pó do que um dia foi vida.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
08
Jan26

"O fumo que sai da chaminé do chupão" – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"O fumo que sai da chaminé do chupão"

Mário Silva

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Esta fotografia de Mário Silva é uma ode à vida rural e ao aconchego do lar nas regiões mais frias de Portugal.

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A fotografia "O fumo que sai da chaminé do chupão" capta uma paisagem de uma beleza nostálgica e etérea.

Em primeiro plano, vemos tons outonais de castanho e oiro na vegetação rasteira.

No vale, aninhada entre árvores de folha caduca, destaca-se uma pequena casa branca de onde emana uma coluna de fumo branco e denso.

A neblina ou a luz difusa do sol de inverno envolve toda a encosta, criando uma atmosfera de mistério.

No ponto mais alto da composição, recortado contra um céu pálido, surge a silhueta imponente de um castelo (de Monforte de Rio Livre), que observa silenciosamente a vida que palpita no vale através daquele fumo que sobe.

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O Fumo que Sai da Chaminé do Chupão — O Coração da Casa

Há sinais que, na paisagem rural portuguesa, valem mais do que mil palavras.

O fumo branco que se eleva de uma chaminé, num dia de inverno, é o mais eloquente de todos.

Na obra de Mário Silva, esse fumo não é apenas um detalhe visual; é a prova de vida, de calor e de resistência humana frente à imensidão da montanha e à História gravada nas pedras do castelo ao fundo.

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O Que é o "Chupão"?

Para quem conhece a arquitetura tradicional do interior de Portugal, o termo "chupão" evoca memórias muito específicas.

Refere-se às grandes chaminés de base larga, típicas das casas de pedra, que se abrem sobre a lareira.

É uma estrutura feita para "chupar" o fumo de um fogo que raramente se apaga durante os meses de frio.

No chupão, o fogo serve para cozinhar, para aquecer o corpo e, muitas vezes, para curar o fumeiro que alimentará a família durante o ano.

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O Contraste entre o Poder e o Quotidiano

A composição desta fotografia estabelece um diálogo fascinante:

O Castelo: No topo, o símbolo do poder, da guerra e da história antiga.

É estático, frio e monumental.

O Chupão: No vale, o símbolo do quotidiano, do conforto e da sobrevivência.

O fumo é dinâmico, efémero e quente.

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Enquanto o castelo nos fala de um tempo de reis e conquistas, o fumo da chaminé fala-nos do aqui e do agora.

Diz-nos que alguém acabou de colocar uma acha de carvalho no fogo; que talvez haja uma panela de ferro ao lume com um caldo verde ou um cozido; que a vida continua, simples e resiliente, aos pés da grande montanha.

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O Fumo como Sinal de Hospitalidade

Em Trás-os-Montes, ver fumo a sair de uma chaminé é um convite implícito à humanidade.

Representa o aconchego.

Num cenário onde a natureza pode ser agreste e o isolamento é uma realidade, aquela coluna branca é um farol.

É o "calor do lar" tornado visível.

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Mário Silva, ao escolher este título e este ângulo, convida-nos a valorizar o pequeno e o íntimo.

O fumo que sai do chupão é a alma da casa a respirar.

É o elo de ligação entre a terra e o céu, lembrando-nos que, mesmo sob a sombra de castelos milenares, a maior vitória humana é, muitas vezes, manter o lume aceso e a casa quente.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
12
Dez24

"Uma casa ... um lar"


Mário Silva Mário Silva

"Uma casa ... um lar"

12Dez DSC00112_ms

A fotografia "Uma casa... um lar" de Mário Silva retrata uma cena bucólica e acolhedora numa aldeia rural transmontana.

A imagem captura uma casa de pedra, com telhado de telha e um jardim cuidado, situada num cenário campestre.

A casa, com as suas linhas simples e a sua fachada de pedra, exibe uma arquitetura típica das aldeias portuguesas.

A porta de madeira, entreaberta, convida o observador a entrar e a descobrir o que se esconde por detrás das paredes.

No canto inferior esquerdo, uma coroa de advento com velas, parcialmente visível, adiciona um toque de calor e de acolhimento à cena.

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A casa, como elemento central da composição, representa mais do que apenas um edifício.

É um símbolo de lar, de família, de raízes e de identidade.

A porta entreaberta sugere a ideia de um lar acolhedor, onde a vida flui de forma tranquila e serena.

A fotografia destaca a beleza da simplicidade.

A casa, com as suas linhas puras e a sua construção em pedra, é um exemplo de arquitetura popular, que se integra harmoniosamente na paisagem circundante.

A ausência de elementos decorativos excessivos realça a beleza natural dos materiais e das formas.

A luz natural incide sobre a fachada da casa, criando sombras e destacando a textura da pedra. A paleta de cores, com predominância de tons quentes como o ocre e o vermelho, confere à imagem uma atmosfera acolhedora e convidativa.

A composição da fotografia é equilibrada e harmoniosa.

A casa, posicionada no centro da imagem, é o ponto focal e atrai o olhar do observador.

A linha diagonal da estrada conduz o olhar para a entrada da casa, convidando-nos a explorar o espaço.

A fotografia evoca um sentimento de nostalgia e de saudade.

A imagem da casa de campo, com o seu jardim cuidado e a sua atmosfera tranquila, remete para uma época em que a vida era mais simples e as relações humanas eram mais próximas.

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A fotografia de Mário Silva captura a essência da vida rural portuguesa, transportando-nos para um mundo onde o tempo parece passar mais lentamente.

A obra, com a sua composição cuidadosa e a sua paleta de cores harmoniosa, convida o observador a uma imersão profunda neste universo bucólico.

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Em conclusão, "Uma casa... um lar" é uma fotografia que nos convida a refletir sobre a importância do lar e das raízes.

A obra, com a sua beleza simples e a sua atmosfera acolhedora, é um testemunho do talento de Mário Silva e da sua capacidade de captar a essência da vida rural.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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