"A ponte romana do Arquinho” (Chaves - Portugal) … e uma lendária estória
Mário Silva Mário Silva
"A ponte romana do Arquinho” (Chaves - Portugal)
… e uma lendária estória

A fotografia de Mário Silva, intitulada "A ponte romana do Arquinho” (Chaves - Portugal), exibe uma encantadora ponte de arco único, construída em pedra rústica, que atravessa um pequeno curso de água.
A ponte, visivelmente antiga, apresenta blocos de granito que mostram o desgaste do tempo e estão cobertos por musgo e líquenes, o que lhe confere um ar pitoresco e histórico.
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A forma do arco é bem definida, criando uma moldura natural através da qual se vê o rio Arcossó.
A água do riacho é pouco profunda, revelando um leito de pedras e areia, e a luz do sol, que penetra através da folhagem, cria reflexos e padrões luminosos na superfície da água.
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A vegetação circundante é exuberante, com árvores de troncos grossos e folhagem densa a flanquear as margens do riacho e a crescer ao redor da ponte, criando um ambiente sombrio e natural.
Fetos e outras plantas rasteiras verdejantes emergem das pedras da ponte e das margens.
A iluminação geral da fotografia, com raios de sol a filtrar-se pelas árvores, realça a textura da pedra e a serenidade do local, evocando uma sensação de paz e intemporalidade.
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A Estória Lendária: O Encontro Secreto do Arquinho
Na distante e mística terra de Chaves, onde as águas termais sussurravam segredos antigos e as fragas guardavam lendas esquecidas, existia uma pequena ponte de pedra, conhecida como o Arquinho.
Não era a grande ponte romana da cidade, mas um modesto arco sobre um ribeiro que serpenteava por um vale escondido.
Mário Silva, com a sua câmara, capturou não só a beleza da sua pedra milenar e da água que por ali corria, mas a aura de um tempo em que o amor e a magia andavam de mãos dadas.
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Diz a lenda que há muitos séculos, quando o Império Romano governava estas terras, e os deuses antigos ainda caminhavam entre os mortais, vivia em Chaves uma jovem patrícia romana chamada Lívia.
Era bela como as deusas e de espírito tão livre quanto os ventos da serra.
Do outro lado do rio, nas florestas profundas onde os lusitanos ainda resistiam aos conquistadores, vivia um jovem guerreiro, Andreo, com o coração tão puro quanto a água que corria sob o Arquinho e a coragem de um leão.
Os mundos de Lívia e Andreo eram proibidos.
Romanos e Lusitanos eram inimigos, separados por muralhas e desconfiança.
Mas o destino, ou talvez um deus travesso, uniu-os.
Encontravam-se secretamente junto ao Arquinho, a pequena ponte que era o único ponto de passagem seguro entre os seus dois mundos.
Ali, sob o arco de pedra, trocavam juras de amor eterno, os seus corações a bater ao ritmo das águas.
A ponte tornou-se o seu santuário, o testemunho silencioso de um amor que desafiava todas as convenções.
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Conta-se que uma noite, quando a lua cheia iluminava o vale e a água cintilava como prata, Lívia e Andreo encontraram-se no Arquinho.
Tinham descoberto que as suas famílias planeavam casá-los com outros, selando o seu destino em casamentos de conveniência.
Desesperados, fizeram um pacto.
"Se o nosso amor for verdadeiro, e se os céus nos quiserem juntos", disse Lívia, "que esta ponte nos proteja e nos una para sempre."
Andreo anuiu, com os seus olhos cheios de lágrimas.
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Naquela mesma noite, uma tempestade súbita e violenta abateu-se sobre o vale.
O ribeiro, geralmente tão manso, transformou-se numa torrente furiosa, ameaçando arrastar tudo à sua passagem.
As árvores vergavam, o chão tremia.
As famílias de ambos correram para o Arquinho, temendo o pior.
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Quando a manhã raiou, o vale estava devastado.
Árvores caídas, margens desfeitas.
Mas o Arquinho, para espanto de todos, estava intocado.
A sua estrutura de pedra, robusta e inabalável, permanecia ali, inquebrável.
No entanto, Lívia e Andreo haviam desaparecido sem rasto.
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Os aldeões, entre o espanto e a tristeza, começaram a sussurrar a lenda.
Diziam que o Arquinho, sensibilizado pelo amor puro dos jovens, os havia transformado.
Alguns acreditavam que se tinham tornado parte da própria ponte, as suas almas entrelaçadas nas pedras que resistiam ao tempo.
Outros, mais românticos, contavam que o ribeiro os levara para um reino escondido sob as suas águas, onde poderiam amar em paz para toda a eternidade.
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Desde então, o Arquinho é considerado um lugar sagrado para os amantes.
Dizem que, se um casal apaixonado atravessar a ponte de mãos dadas ao pôr do sol, e o seu amor for verdadeiro, ouvirão um sussurro nas águas do ribeiro e sentirão a força do amor de Lívia e Andreo a abençoá-los.
E a cada vez que o sol se filtra pelas árvores e se reflete na água, como na fotografia de Mário Silva, é o brilho do amor eterno que reside no coração do Arquinho, a ponte que, um dia, uniu dois mundos e duas almas para sempre.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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