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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

31
Jul25

"A protetora das Rias Baixas" (Sanxenxo - Espanha)


Mário Silva Mário Silva

"A protetora das Rias Baixas"

(Sanxenxo - Espanha)

31Jul DSC09071_ms

Esta fotografia de Mário Silva, intitulada "A protetora das Rias Baixas" (Sanxenxo - Espanha), retrata uma escultura intrigante e etérea, imersa nas águas de uma Ria Baixa.

A figura, de bronze, apresenta uma forma alongada e esguia, com uma postura curvada, como se estivesse a inclinar-se ou a espreitar algo na água.

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A sua cabeça tem uma forma invulgar, com projeções que se assemelham a antenas ou chifres alongados, conferindo-lhe um ar místico ou de criatura marinha.

Uma das mãos da figura segura uma concha grande e detalhada, enquanto a outra parece tocar ou apontar para a superfície da água.

Os pés da escultura repousam sobre uma formação rochosa, que serve de base e está parcialmente submersa.

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A paisagem envolvente é dominada pelo mar, com as águas calmas e um pouco escuras, onde boias amarelas flutuam, possivelmente marcando uma área de navegação ou banhos.

Ao fundo, uma linha costeira com edifícios urbanos, incluindo casas e prédios de apartamentos, estende-se, revelando a proximidade da cidade.

O céu é nublado, com tons de cinzento claro, criando uma atmosfera suave e um pouco melancólica.

A imagem transmite uma sensação de mistério, ligando o elemento humano à natureza marinha e à paisagem urbana.

 

A Lenda: A Guardiã dos Sussurros do Mar

Nas Rias Baixas da Galiza, onde a terra beija o Atlântico e as marés trazem consigo histórias de navegantes e lendas milenares, emerge das águas de Sanxenxo uma figura de bronze, esguia e enigmática.

Mário Silva capturou a sua essência na fotografia "A Protetora das Rias Baixas", mas a sua verdadeira história, a lenda que os pescadores mais antigos sussurram ao anoitecer, é muito mais profunda.

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Conta-se que, há incontáveis séculos, quando as Rias eram habitadas por criaturas mágicas e os homens viviam em harmonia com o mar, uma sereia de nome Xoana, diferente das suas irmãs, nasceu com uma paixão inigualável pela terra.

Enquanto as outras sereias se deliciavam nas profundezas, Xoana sentia-se atraída pelos murmúrios da costa, pelas canções dos homens e pelo cheiro dos pinhais.

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O seu amor pelo mundo humano levou-a a desobedecer às leis do Mar Profundo.

Passava os dias a observar os pescadores, a ouvir as suas preces por boas capturas, a sentir as suas alegrias e tristezas.

As suas antenas, antes finas e translúcidas, tornaram-se mais robustas, capazes de captar os mais ténues sussurros do vento e das ondas, e a sua cauda de peixe começou a transformar-se em pernas quando se aproximava da costa.

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Um dia, uma grande tempestade, a mais violenta de que havia memória, abateu-se sobre as Rias.

Os barcos dos pescadores eram atirados contra as rochas, e as ondas gigantes ameaçavam destruir as aldeias costeiras.

Xoana, angustiada, implorou ao Deus do Mar, Neptuno, para que poupasse os humanos que tanto amava.

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Neptuno, furioso pela desobediência de Xoana, negou-lhe o pedido.

- Tu escolheste o mundo dos homens, agora suporta as suas tormentas!

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Desesperada, Xoana fez um sacrifício supremo.

Pegou na concha mais bela que alguma vez encontrara, uma concha mágica que continha todos os sons e segredos do oceano, e ergueu-a em direção ao céu.

- Eu dou-vos a minha voz, o meu canto e a minha forma de sereia - suplicou aos céus e ao mar, - se em troca poupardes estas gentes e as suas terras!

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No momento em que as suas palavras se perderam no vento, um raio atingiu Xoana, transformando-a na mesma estátua de bronze que hoje vemos.

A sua forma ficou congelada entre o mar e a terra, as suas antenas esticadas para o céu, a concha mágica firmemente apertada na mão, um gesto eterno de súplica e proteção.

A tempestade acalmou, o mar serenou, e as Rias foram salvas.

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Desde então, Xoana, a "Protetora das Rias Baixas", vigia a costa.

Os pescadores dizem que, nas noites de nevoeiro, quando o mar está em fúria, se ouvirmos com atenção, podemos escutar um fraco sussurro vindo da concha que ela segura.

É a sua voz de sereia, transformada em oração silenciosa, a guiar os barcos e a proteger a costa das intempéries.

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Acredita-se que, se alguém com um coração puro se aproximar da estátua e sussurrar um desejo à concha, Xoana, na sua forma de bronze, levará esse desejo às profundezas do oceano, e ele será atendido se for para o bem de todos.

E assim, a estátua em Sanxenxo não é apenas uma obra de arte; é o testemunho vivo de um amor abnegado e da magia que ainda reside nas águas e nas lendas das Rias Baixas.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
23
Nov24

"A Bruxa de Pedra" – conto fantástico do lendário de Águas Frias – Chaves – Portugal (2ª parte)


Mário Silva Mário Silva

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"A Bruxa de Pedra"

conto fantástico do lendário

de Águas Frias – Chaves – Portugal

2ª parte

23Nov DSC05651a_ms

À medida que Marinela crescia, a sua fascinação pela lenda da "Bruxa de Pedra" apenas se intensificava.

Ela passava horas observando a fraga imponente, estudando cada detalhe do seu rosto pétreo, imaginando as histórias que aquelas feições esculpidas poderiam contar.

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Na sua mente jovem e fértil, Marinela criava cenários fantásticos, onde a bruxa petrificada era uma guardiã poderosa, protegendo a aldeia de forças malignas que ameaçavam a sua tranquilidade.

Outras vezes, ela a imaginava como uma feiticeira ambiciosa, punida por desafiar os próprios deuses da natureza.

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Impulsionada pela sua curiosidade insaciável, Marinela decidiu embarcar numa jornada de descoberta, determinada a desvendar os mistérios que envolviam a "Bruxa de Pedra".

Ela explorou cada recanto da aldeia, entrevistando os anciãos e coletando fragmentos de histórias e lendas que haviam sido transmitidas por gerações.

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A suas investigações levaram-na a antigas ruínas escondidas nas profundezas das montanhas, onde encontrou inscrições enigmáticas e símbolos místicos gravados nas pedras.

Marinela estudou esses vestígios com afinco, buscando pistas que pudessem revelar a verdadeira origem da lenda.

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Nas suas explorações, Marinela encontrou um antigo grimório, um livro de feitiços e encantamentos que havia sido preservado por séculos.

As suas páginas amareladas continham segredos místicos e rituais arcanos, alguns dos quais pareciam estar relacionados à lenda da "Bruxa de Pedra".

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Com o coração palpitante de emoção, Marinela decodificou os textos antigos, desvendando pistas sobre uma antiga feiticeira que havia vivido naquelas terras há séculos.

Segundo o grimório, essa poderosa bruxa havia sido a guardiã de um conhecimento ancestral, protegendo os segredos da natureza de mãos ambiciosas.

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No entanto, um dia, ela foi desafiada por um feiticeiro malévolo, que buscava dominar esses conhecimentos para os seus próprios propósitos sombrios.

Uma batalha épica se desenrolou, sacudindo as próprias montanhas com a força dos feitiços lançados.

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No clímax desse confronto, a bruxa invocou um encantamento supremo, transformando-se em pedra para selar o feiticeiro maligno e proteger os segredos da terra para sempre.

O seu corpo petrificado ergueu-se como a "Bruxa de Pedra", uma sentinela eterna vigiando a aldeia e preservando o equilíbrio entre a magia e a natureza.

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Marinela ficou extasiada com essa revelação e a sua mente ardia com as implicações dessa descoberta.

Ela compreendeu que a lenda da "Bruxa de Pedra" não era apenas um conto fantástico, mas uma história real, enraizada na própria história da aldeia e nos mistérios ancestrais que haviam sido guardados por gerações.

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Com essa nova compreensão, Marinela tornou-se a guardiã da lenda da "Bruxa de Pedra".

Ela compartilhava as suas descobertas com os moradores da aldeia, reavivando o respeito e a admiração por essa figura mítica que havia protegido as suas terras por tanto tempo.

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Marinela organizou festivais e celebrações em homenagem à "Bruxa de Pedra", onde as histórias eram contadas e encenadas, mantendo viva a chama da tradição.

Ela encorajou os jovens a explorar a riqueza cultural da aldeia, incentivando-os a valorizar as suas raízes e a preservar os mistérios que haviam sido transmitidos por gerações.

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Com o passar dos anos, Marinela tornou-se uma anciã respeitada, uma contadora de histórias cujas narrativas eram aguardadas com ansiedade pelos moradores da aldeia.

As suas palavras evocavam imagens vívidas da "Bruxa de Pedra", transportando os ouvintes para um mundo de magia e mistério.

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E assim, a lenda da "Bruxa de Pedra" continuou a ecoar pelas ruas estreitas de Trás-os-Montes, uma história fantástica que se entrelaçava com a própria essência da aldeia.

Graças aos esforços de Marinela e de tantos outros guardiões da tradição, essa lenda permaneceu viva, inspirando gerações futuras a explorar os mistérios do passado e a valorizar a rica herança cultural que as cercava.

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Perlimpimpim, a estória chegou ao fim …

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva (com a colaboração e testemunho de Marinela)

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Mário Silva 📷

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