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ÁGUAS FRIAS - Chaves - Portugal

Pequena e bela aldeia do Concelho de Chaves

ÁGUAS FRIAS - Chaves - Portugal

Pequena e bela aldeia do Concelho de Chaves

Pequenas Gotas de Águas Frias

16
Abr16

Águas Frias (Chaves) - Palavras transmontanas e não só ... ( letras N e O)

Mário Silva ÁguasFrias

LÉXICO-GLOSSÁRIO TRANSMONTANO

(letras N e O) 

 

 

 N

 

nacho - nariz achatado


naifa - faca, navalha

 

nainho (anainho) – anão

 

Águas Frias (Chaves) - ... aldeia entre ramos floridos ...

 

nanja - não, negação “nanja que o tivesse sabido por mim”


não achar pão cozido - não encontar o que se esperava, sair desiludido “esteve uns tempos para o Brasil, mas não achou por lá pão cozido”


não cagas sem mecha - mesmo para fazer coisas simples é preciso reforço “se não te dou um doce, não me fazias o recado; tu não cagas sem mecha!”

 

não dar a ida pela vinda - não ter sossego, não descansar


 

Águas Frias (Chaves) - ...folares no forno ...

 

não dá pelo pau nem pela pedra - não dá qualquer resposta, fica absolutamente calado


não disse nem xis nem mis - ficou calado, não deu resposta


não é bom de assoar - não é fácil de levar


não estou crente - nem quero acreditar, desconfio “não estou crente que isso seja como dizes”


não lhe cabia um chícharro no cu - estava todo inchado de contente, estava orgulhoso, vaidoso

 

Águas Frias (Chaves) - ... de motossera na mão ...

não meteu prego nem estopa - manteve-se alheado, não quis entrar na conversa


não tardou um credo - não demorou nada


não te caem os parentes na lama - não é vergonha nenhuma


não tinha outra coisa na ideia! - não sei como me esqueci, não me lembrei


não tinhas tu a culpa! - não querias mais nada! Nem penses nisso!


não vás no engodo! - não te eixes enganar


Águas Frias (Chaves) - ... entre o vermelho e o amarelo ...

 

nassa - aparelho de pesca feito de vime, bebedeira


negacear – provocar


negra - pisadura, hematoma “fiquei com duas negras de roda dos olhos”


negrilho - ôlmo, ulmeiro (ulmus procera)


nem por uma nota de sete c’roas! - não o vendo nem o dou


nem que o digas, não mentes - é verdade, é indesmentível


nevasqueira - neve e vento

 

 

Águas Frias (Chaves) - ...estorninho observador ...

 

névoa - cataratas dos olhos, nevoeiro


nico - pedacinho, pequena porção


niquento - miudinho, quezilento


níscaro (míscaro) - cogumelo comestível (boletus edulis)


nomeada - alcunha, nome


núbio - nublado “amanheceu bonito, mas ficou núbio de repente”

 

Águas Frias (Chaves) - ... janela "sempre" aberta ...

 

 

 

 

 O

 

odrada - pancada com o corpo no chão “conforme caíu abaixo da burra, deu uma odrada no chão e ofenderam-se-lhe duas costelas”


odre - vasilha de pele de cabra para vinho ou azeite “Quem troca odre por odre,algum deles está podre”, indivíduo gordo ou inchado “a comer assim, vais-te pôr como um odre”


olvidar - esquecer “o que tu sabes, já a mim há muito que se me olvidou”


o melhor estrume é o que vai agarrado às botas do dono - clara alusão à necessidade de ser o proprietário a tratar das suas próprias terras


onde a mim - ao pé de mim “chega-te aqui onde a mim”


onde quer - em qualquer lugar

 

Águas Frias (Chaves) - ... a chocolateira ao lume ...

 

orelheira - orelha do porco afumada


ougado - babado de desejo


ougar - apetecer, desejar


ougas - limos do rio, algas “estas maçãs estão verdes como as ougas do rio”

 

 

 

Créditos: Herculano Pombo in “Treze contos do mundo que acabou/Léxico-Glossário Transmontano”, publicado

In: http://chaves.blogs.sapo.pt/740520.html 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... e o sol a poente por trás do Larouco ...

 

 

Até breve !!!!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

25
Abr14

Os folares da Páscoa e a visita pascal 2014

Mário Silva ÁguasFrias

Já venho um pouco fora de tempo mas deixo aqui alguns registos captados durante o tempo pascal de 2014, em Águas Frias.

 

 

 

FOLARES

 

Espreitando os folares através da "boca" do forno

 

 

 

... a D.ª Noémia dando um "jeitinho" aos folares no forno

 

 

 

 ... que bom aspeto ... huuuuum !!!!

 

 ... é tradição as avós, mães ou tias, fazerem pequenos folares para oferecerem aos netos, filhos ou sobrinhos, que geralmente são os primeiros a saborear esta iguaria transmontana ...

 

 

 

 

 

VISITA PASCAL  2014

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Espero que todos tenham tido uma excelente Páscoa

 

 

 

 

 

 

26
Mar08

Águas Frias (Chaves) – A Páscoa e o folar

Mário Silva ÁguasFrias
A época pascal é um período nobre na vida das aldeias flavienses e a aldeia de Águas Frias não foge a esta regra.
Além de todo o espírito religioso que a época evoca, com todos os seus rituais próprios, desde as várias celebrações passando pela Via-Sacra e culminando com a Visita Pascal (vulgarmente denominada “compasso”),

 a aldeia prepara cuidadosamente o dia de Páscoa de variadas formas, embora hoje dedicarei este espaço ao elemento que nenhum aquafrigedense dispensa nesta época: o FOLAR.
Desde algum tempo atrás que se dedica a atenção aos componentes necessários à sua confecção.
Não se pode ficar pela intenção, é preciso acção. Ou então corre-se o risco de acontecer como na estória que se conta por estas alturas:
“Havia uma mulher que tinha vontade de cozer o seu folar só que:
- a lenha estava no monte;
- a farinha por moer;
E pergunta-lhe o marido, não vendo os preparativos para a confecção dos folares:
- Então, mulher, e a farinha?
E a mulher zangada responde:
- Ó c’um catano, e dá-lhe a p… com a farinha.”
.......
Voltando à realidade, ... em Águas Frias, já todos desde há algum tempo que:
- prepararam o forno;
- cortaram e pitaram a lenha;
- compraram a farinha (desde há muito que os moinhos não moem) e o fermento de padeiro;
- se limpou criteriosamente a masseira;
- se prepararam panos limpos e brancos para proteger a massa; …
Bom, … tudo está a postos … então, vamos lá à sua confecção:
- Na masseira deita-se a farinha, separando-a em duas partes e no meio juntam-se os ovos (12 para cada kilo de farinha). Lentamente, mas com movimentos ritmados, vai-se juntando a farinha com os ovos, de modo a que se torne numa massa homogénea.
- De seguida separa-se novamente a massa e junta-se uma chávena de azeite e volta-se a misturar muito bem. Novamente se separa a massa e junta-se margarina (ou banha) derretida (± 250g) mas tendo o cuidado que ela esteja morna e não muito quente para não “cozer” a massa;
- Volta-se a amassar. Junta-se fermento de padeiro (± 15 gramas por cada Kilo de farinha). Amassa-se novamente e finalmente junta-se um pouco de sal. Os ingredientes já estão todos. Agora têm-se que amassar de novo, de forma enérgica (sendo uma tarefa que exige esforço físico, pois tudo tem que ficar completamente misturado).
Enquanto se amassa e para que a fornada saia na perfeição, vai-se dizendo a seguinte oração:
“S. João te faça pão
S. Brás te faça em Paz
S. Mamede te levede
S. Vicente te acrescente”
(a cada frase faz-se uma cruz na massa)
“Em nome de Deus e da Virgem Maria,
Um Pai-Nosso e uma Avé Maria” (que se rezam enquanto se vai amassando).
Quando a massa começa a produzir bolhas de ar é indicador que está pronta.
Junta-se toda a massa e rapa-se a masseira (lembrem-se que aqui nada se perde …) e tapa-se com um pano branco, deixando-a, durante pelo menos duas horas, a levedar.
….
Entretanto já se foi preparando as gestas e a lenha para aquecer o forno.
Depois de queimada a lenha, rapam-se as brasas para a boca do forno e varre-se, com uma vassoura de gesta.
Não há qualquer termómetro ou outro instrumento para medir a temperatura, mas a experiência diz que forno está devidamente quente quando o tijolo passa de laranja para esbranquiçado e a temperatura ideal verifica-se atirando um pouco de farinha para o seu interior e se observa que esta não queima de imediato.
Enquanto isto, já se deu tempo à massa levedar, ficando mais alta e menos consistente. Agora, vai-se dividindo em pequenas porções, volta-se a amassar, espalma-se e colocam-se as carnes (pequenos pedaços de presunto, carne gorda, salpicão, …) e envolvendo-as com a massa, dando-lhes a forma característica desta região.
É altura de enfornar.
Coloca-se uma folha de papel (muitas vezes recuperando o papel dos sacos da farinha – nada se perde …), na pá e vai-se colocando, de forma ordenada, os folares no forno. Enquanto se enforna diz-se:

 “Cresça o pão no forno
À  saúde do seu dono
Bem como ao Mundo inteiro
Rezemos um Pai Nosso e uma Avé Maria”
Agora é só esperar.
Algum tempo depois, é vê-los … com aquele aspecto aloirado a “olhar” para nós. Huuummm … mas ainda é necessário desenfornar, um a um, e colocá-los sob um alvo pano.

Que cheirinho bom!!!!
Mas, que pena, era Sexta-feira Santa e não se lhes podia meter o dente, mas no Sábado não escapam.
Esta verdadeira iguaria vai ser degustada, não só pelos naturais de Águas Frias como pelos que a visitaram e/ou enviados para as mais variadas localidades (portuguesas ou pelos mais diversos cantos do mundo, onde haver um familiar ou amigo).

Aproveito para agradecer à Noémia, que amassou os folares, à Dona Fernanda que entre outras tarefas, acendeu o forno e ajudou a enfornar; às Senhoras Elviras que também ajudaram e à Dete que é a proprietária do forno. Mas, acima de tudo, tenho que estar grato pela paciência e total disponibilidade que todas tiveram para me aturarem e pelo modo, sempre alegre, que foram descrevendo todas as fases da confecção do folar.
A todas o meu muito obrigado.

**************

Quanto aos folares, apenas consigo partilhar as imagens, mas … posso confiar-vos que estavam um regalo.

.
.
Onde quer que estejam, espero que tenham tido uma Páscoa Feliz.
 .
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09
Abr07

Águas Frias (Chaves) - O Folar da Páscoa

Mário Silva ÁguasFrias

Desde tempos remotos que os habitantes de Águas Frias se empenham na transformação de simples ingredientes na saborosa iguaria que é o "Folar".

Muitas regiões fazem de facto "um folar" mas é, na região de Chaves e em particular nesta aldeia, que se confecciona O FOLAR".

Deve-se esta particularidade:

- à mestria, na escolha das carnes (o porco criado sem rações) e aos ovos de galinhas caseiras;

- ao modo de partir, em pequenos pedaços das linguiças, salpicões, presunto e da carne gorda;

- à selecção da melhor farinha;

- ao modo como se aquece o forno, doseando, como só a sabedoria popularsabe, a temperatura ideal para a cozedura perfeita;

- e, sobretudo às mãos que, com movimentos enérgicos e ritmados amassam e dão forma ao "folar";

Agora espera-se que a massa "levede" para que se possa enfornar.

O tempo de cozedura é outro saber que estas gentes têm.

Com a ajuda da pá retiram-se os "folares", depositamdo-os, com carinho sobre um pano de uma alvura e limpeza irrepreensíveis.

 

Agora ... o olhar aguça-se ... o cheiro convida ... só falta dar oportunidade ao paladar.