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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

10
Fev26

“Cartaxo-comum fêmea ou chasco (Saxicola Torquata) – um habitante resiliente e permanente”


Mário Silva Mário Silva

“Cartaxo-comum fêmea ou chasco (Saxicola Torquata)

um habitante resiliente e permanente”

10Fev DSC03663_ms.JPG

Nesta fotografia de Mário Silva, o foco recai sobre uma fêmea de Cartaxo-comum (Saxicola torquata), captada num momento de alerta e serenidade.

A ave exibe uma plumagem em tons de terra: o peito de um laranja suave e quente que se funde com os tons acastanhados e cinzentos da cabeça e das asas.

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Pousada sobre um emaranhado de ramos secos e espinhosos — possivelmente uma silva — a ave destaca-se contra um fundo de luz dourada e difusa (bokeh).

Esta iluminação quente realça a textura das penas e o brilho do seu olho negro e atento.

A composição coloca a fragilidade do pequeno pássaro em contraste direto com a dureza dos espinhos, sublinhando a sua natureza resiliente.

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Pequena Sentinela: A Alma de Fogo entre os Espinhos

O título escolhido por Mário Silva — "um habitante resiliente e permanente" — é mais do que uma classificação biológica; é um manifesto sobre a força daqueles que decidem ficar quando tudo o resto parte.

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O Trono de Espinhos

Enquanto outros buscam o conforto de climas distantes, o Cartaxo permanece.

Observamo-lo na fotografia, não como alguém que se fere na silva, mas como um monarca que reclama os espinhos como o seu trono.

Há uma poesia muda no modo como as suas garras frágeis se prendem à aspereza do arbusto.

Ele ensina-nos que a beleza não precisa de seda para repousar; ela encontra o seu lugar mesmo no que é agreste.

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A Cor da Resistência

O laranja do seu peito é como uma pequena brasa que se recusa a apagar.

No inverno, quando a paisagem se despe e as cores desbotam, o Cartaxo-comum é um ponto de calor visual.

Ele é a promessa de que a vida continua, mesmo quando o vento sopra frio e os dias se encurtam.

Não é apenas um pássaro; é um guardião da continuidade, uma prova viva de que a permanência é uma forma de coragem.

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O Olhar do Destino

A sua postura é de vigilância.

Na quietude da imagem, pressente-se o movimento iminente, o voo curto e decidido.

Ser "resiliente" na natureza significa estar atento, transformar o perigo (os espinhos) em proteção e a escassez em oportunidade.

Este pequeno habitante permanente é o símbolo da pátria selvagem que não se rende às estações.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
09
Fev26

"Inverno e a misteriosa névoa" – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Inverno e a misteriosa névoa"

Mário Silva

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A fotografia de Mário Silva transporta-nos para uma atmosfera de quietude e introspeção, típica das paisagens de inverno em Portugal.

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A foto de Mário Silva apresenta uma paisagem natural banhada pela luz suave e difusa de um dia de inverno.

No centro da composição, um pequeno curso de água ou lago reflete a claridade do céu, servindo de ponto focal entre as margens verdejantes.

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À esquerda, destaca-se uma árvore de ramos intrincados e despidos, cujas linhas castanhas contrastam com o verde vivo da erva húmida em primeiro plano.

À direita, árvores mais jovens e esguias emolduram a cena.

O elemento mais marcante é a névoa densa que surge ao fundo, envolvendo o resto da paisagem — um prado ascendente e árvores distantes — num véu branco e impenetrável, conferindo à imagem uma profundidade etérea e um silêncio visual profundo.

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O Hálito da Terra: Reflexões sobre o Inverno e a Névoa

O inverno não é apenas uma estação de privação; é, na sua essência, um estado de espera e mistério.

Na obra de Mário Silva, "Inverno e a misteriosa névoa", somos convidados a entrar num mundo onde a realidade se funde com o sonho através do fumo branco que emana do solo.

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O Véu do Invisível

A névoa nesta fotografia atua como uma fronteira entre o que conhecemos e o que apenas podemos imaginar.

Ela não apaga a paisagem; antes, protege-a.

Sob o seu manto, a natureza descansa, escondendo os seus segredos dos olhares apressados.

É o "hálito da terra" que sobe para o céu, transformando um campo comum num cenário de lenda.

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A Melancolia Vital

Há uma beleza crua nos ramos despidos que se estendem para a água.

Eles representam a vulnerabilidade do inverno, a honestidade de uma árvore que nada tem a esconder.

No entanto, o verde vibrante da erva recorda-nos que, sob o frio e a humidade, a vida pulsa com uma força silenciosa.

A água, estática e espelhada, parece guardar a memória da luz que o nevoeiro tenta dissipar.

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O Convite ao Silêncio

Contemplar esta imagem é ouvir o silêncio.

A "misteriosa névoa" de Mário Silva obriga o observador a abrandar.

Num mundo de ruído constante, o inverno oferece-nos esta pausa sagrada.

É um convite para olharmos para dentro, para as nossas próprias "névoas" interiores, aceitando que nem tudo na vida precisa de ser nítido para ser belo.

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O mistério não reside naquilo que falta, mas na promessa do que está lá, apenas à espera que o sol da primavera o venha desvelar.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
08
Fev26

"Telha de igreja, ... sempre goteja" – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Telha de igreja, ... sempre goteja"

Mário Silva

08Fev 53uf3f53uf3f53uf_ms.jpg

“Provérbio antigo que se refere à ideia de que onde existe abundância ou grandes instituições, sempre há algum benefício, sobra ou privilégio que acaba por chegar aos que estão por perto.”

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Esta fotografia de Mário Silva, intitulada “Telha de igreja, ... sempre goteja”, é uma representação visual profunda da hierarquia e da proximidade social no mundo rural transmontano.

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A imagem apresenta uma perspetiva de uma aldeia onde o sagrado e o secular coabitam em estreita proximidade.

À direita, destaca-se a Igreja Matriz, com a sua alvura realçada pela luz lateral e uma torre sineira que se ergue contra o céu limpo.

Em plano médio, à esquerda, observam-se habitações civis de diferentes épocas — algumas em pedra tradicional, outras com acabamentos mais modernos e elementos de construção recente.

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Ao fundo, dominando a paisagem, ergue-se uma montanha escarpada coroada pelas ruínas de um castelo, simbolizando o poder histórico e militar que outrora protegeu a região.

A luz quente do final da tarde banha as fachadas das casas, criando um jogo de sombras que acentua as texturas das paredes e dos telhados.

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Onde há Abundância, Algo Goteja: A Sabedoria do Proximidade

O título escolhido para esta fotografia remete para o antigo provérbio popular: "Telha de igreja sempre goteja".

Esta expressão encerra uma observação pragmática sobre a vida em comunidade e a relação com as grandes instituições.

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O Significado do Provérbio

Na tradição oral portuguesa, este ditado sugere que quem vive perto de fontes de abundância, poder ou de instituições sólidas (como a Igreja ou o Estado), acaba invariavelmente por beneficiar de alguma forma.

Tal como a água da chuva que escorre das amplas telhas de uma igreja acaba por humedecer e beneficiar o solo ou as plantas que crescem junto às suas paredes, também a influência e os recursos destas instituições "gotejam" privilégios ou benefícios para aqueles que lhes são próximos.

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A Composição como Metáfora

Na fotografia de Mário Silva, esta ideia é ilustrada pela disposição física dos elementos:

A Proteção do Alto: O castelo no topo da montanha e a igreja na aldeia são as estruturas mais imponentes.

O Acolhimento das Casas: As habitações parecem aninhar-se sob a sombra e a proteção destas entidades.

A Sobra Beneficiária: Historicamente, estar perto da "telha da igreja" significava ter acesso facilitado à caridade, ao trabalho, à proteção espiritual e, muitas vezes, a uma segurança económica que não existia no isolamento total.

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Reflexão Social

O artigo visual proposto pelo fotógrafo convida-nos a refletir sobre como a sobrevivência das aldeias transmontanas esteve, durante séculos, ligada a estes centros de poder.

Mesmo num Portugal moderno e mais secular, a imagem recorda-nos que as grandes instituições continuam a ser pilares de estabilidade.

O "gotejar" pode hoje manifestar-se através do património preservado, do turismo religioso ou da identidade cultural que estas estruturas conferem ao povoado, garantindo que, onde há uma "telha" forte, a vida em redor raramente fica totalmente desamparada.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
07
Fev26

“As árvores nem sempre morrem de pé” - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

“As árvores nem sempre morrem de pé”

Mário Silva

07Fev DSC09558_ms.JPG

Esta fotografia de Mário Silva, é uma composição que convida à reflexão sobre a resiliência e a inevitabilidade do tempo.

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A imagem transporta-nos para um ambiente rural autêntico, numa aldeia transmontana.

Em primeiro plano, o elemento central é o tronco robusto e retorcido de uma árvore (com aspeto de ser uma figueira dada a sua estrutura e casca acinzentada) que, contrariando o adágio popular, tombou ou cresceu de forma quase horizontal.

O tronco atravessa a composição, cruzando um pequeno caminho de terra batida.

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Ao fundo, observamos habitações de traça tradicional.

Uma delas apresenta paredes de pedra nua e um telhado de quatro águas envelhecido, enquanto outra, mais ao lado, exibe paredes brancas.

O cenário é completado por um céu azul límpido e uma luz solar clara que realça as texturas da madeira seca e da vegetação rasteira que começa a cobrir o solo.

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A Dignidade na Queda – Quando a Natureza Escreve o seu Próprio Roteiro

O título desta obra de Mário Silva é uma subversão inteligente e poética do título da famosa peça de teatro de Alejandro Casona, "Los árboles mueren de pie" (As Árvores Morrem de Pé).

Se, na literatura, a expressão serve como metáfora para a dignidade e a força moral de quem se mantém firme até ao fim, a lente de Mário Silva propõe-nos uma realidade mais crua, mas não menos bela.

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O Mito vs. A Realidade

O provérbio sugere que a honra reside na verticalidade.

No entanto, na natureza — e na vida das aldeias do interior de Portugal — a sobrevivência exige, muitas vezes, a capacidade de se curvar, de cair e de continuar a existir noutra forma.

A árvore que vemos na fotografia não "desistiu"; ela adaptou-se à gravidade, ao vento ou ao peso dos anos.

Mesmo tombada, ela permanece ligada à terra, servindo de marco no caminho e de abrigo para a pequena fauna.

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Metáfora do Mundo Rural

Há uma analogia poderosa entre esta árvore e as próprias aldeias transmontanas que Mário Silva tão bem documenta.

Muitas destas localidades, fustigadas pela desertificação, parecem estar "caídas" aos olhos de quem as vê de fora.

Mas, tal como o tronco da foto, elas possuem uma estrutura que resiste.

As casas de pedra ao fundo, com os seus telhados musgosos, são testemunhas de gerações que souberam viver com o que a terra lhes dava.

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A Beleza da Imperfeição

A fotografia celebra a estética do que é torto e do que não segue a linha reta.

Num mundo que valoriza a perfeição geométrica e a juventude eterna, o registo desta árvore "que não morreu de pé" é um hino à autenticidade.

Ela conta uma história de invernos rigorosos e de verões tórridos.

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Ao captar este momento, o fotógrafo recorda-nos que não há vergonha na queda.

Existe, sim, uma forma profunda de dignidade em permanecer presente, em ocupar o espaço e em continuar a fazer parte da paisagem, mesmo quando o destino nos obriga a mudar de perspetiva.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
06
Fev26

“Chouriças assadas na brasa” - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

“Chouriças assadas na brasa”

Mário Silva

06Fev DSC05478_ms.JPG

Esta é uma imagem que quase nos permite sentir o aroma e o calor, captando um dos rituais mais autênticos e reconfortantes do Norte de Portugal.

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Na obra “Chouriças assadas na brasa”, Mário Silva foca a sua lente no coração da gastronomia transmontana: o fogo.

A composição é dominada pelas labaredas vibrantes de tons cor-de-laranja e amarelo que se erguem ao fundo, consumindo ramos e lenha miúda.

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No primeiro plano, sobre um denso leito de brasas incandescentes e cinzas esbranquiçadas, repousa uma grelha de ferro artesanal.

Nela, várias chouriças tradicionais, de cor escura e aspeto suculento, estão a ser assadas lentamente.

O contraste entre o brilho do fogo e a textura rugosa dos enchidos cria uma imagem rica em sensações, onde o calor é o elemento transformador que prepara o alimento.

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O Banquete do Fogo: O Valor Inestimável da Gastronomia Transmontana

O título desta fotografia, "Chouriças assadas na brasa", remete-nos para uma simplicidade que é, na verdade, o auge de um saber ancestral.

Em Trás-os-Montes, o ato de assar enchidos diretamente no lume não é apenas uma forma de cozinhar; é um ato de celebração da sobrevivência, da terra e do convívio.

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O Fumeiro como Identidade

A gastronomia transmontana tem no fumeiro o seu pilar central.

A chouriça, o salpicão, a alheira e o botelo são o resultado de meses de cuidado, desde a criação do animal até à cura feita com o fumo das lareiras de granito.

Quando Mário Silva regista estas chouriças na brasa, ele está a documentar o capítulo final de um ciclo que envolve famílias inteiras e mantém vivas as tradições das aldeias.

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O Sabor do "Lume de Chão"

Diferente da cozinha moderna e impessoal, a gastronomia desta região vive do tempo e do elemento natural.

O sabor único que a brasa confere à carne não pode ser replicado num fogão elétrico.

Há um componente de "fumo" e "terra" que define o paladar transmontano — um sabor forte, honesto e generoso, feito para combater os invernos rigorosos da região de Chaves e arredores.

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Valorização e Património

Hoje, a gastronomia de Trás-os-Montes é um dos principais motores de turismo e resistência económica do interior.

Feiras de fumeiro atraem milhares de visitantes, provando que o que nasce da tradição tem um valor universal.

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Economia Local: A produção artesanal de enchidos sustenta pequenas unidades familiares

Cultura: O ritual de partilhar o pão e a chouriça assada à volta do fogo reforça os laços comunitários que a desertificação ameaça romper.

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Esta fotografia é, portanto, um convite.

Convida-nos a sentar à lareira, a ouvir o estalar da lenha e a reconhecer que, num mundo cada vez mais digital e acelerado, o verdadeiro luxo reside na autenticidade de uma chouriça assada no calor das cinzas.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
05
Fev26

“Cai "pedra" num meio vegetal” – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

“Cai "pedra" num meio vegetal”

Mário Silva

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Esta é uma imagem fascinante de Mário Silva, que captura a beleza gélida e efémera de um fenómeno meteorológico intenso.

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A fotografia é um grande plano (macro) que revela o contraste entre a fragilidade da natureza viva e a dureza do gelo.

No centro da composição, destaca-se algumas pedras de granizo de dimensões invulgares, com uma estrutura translúcida, bolhosa e quase escultural.

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A "pedra" repousa sobre um tapete denso de vegetação verde e viçosa, onde se distinguem pequenas folhas ovais e alguns botões de flores brancas.

A luz atravessa o gelo, criando reflexos cristalinos que realçam as suas formas orgânicas, enquanto as gotas de água resultantes do degelo começam a humedecer as folhas circundantes.

É um registo de um momento imediato após uma tempestade, onde o "agressor" (o granizo) se transforma numa joia sobre a natureza.

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O Encontro do Gelo com a Terra: A Ciência e a Estética do Granizo

O título escolhido pelo autor, "Cai 'pedra' num meio vegetal", utiliza a linguagem popular — onde o granizo de grandes dimensões é frequentemente chamado de "pedra" — para descrever um evento que é, simultaneamente, um espetáculo visual e um desafio para a agricultura.

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O Fenómeno: Como se forma o granizo?

O granizo não é apenas "chuva congelada"; é o resultado de um processo dinâmico e violento no interior das nuvens de grande desenvolvimento vertical, as “Cumulonimbus”.

Correntes Ascendentes: Tudo começa quando correntes de ar quentes e húmidas sobem rapidamente para altitudes elevadas e extremamente frias.

O Núcleo de Condensação: Pequenas gotas de água encontram partículas em suspensão (poeira ou cristais de gelo) e congelam instantaneamente.

Crescimento em Camadas: No interior da nuvem, estas pequenas esferas de gelo são empurradas para cima e para baixo repetidamente pelas correntes de ar.

Cada vez que sobem, acumulam uma nova camada de água que congela, fazendo a "pedra" crescer como se fosse uma cebola, com camadas concêntricas.

A Queda: Quando o peso do granizo se torna superior à força da corrente de ar que o sustenta, ou quando esta corrente enfraquece, a pedra cai em direção ao solo.

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Impacto e Beleza

Na fotografia de Mário Silva, vemos pedras de granizo que, pelo seu tamanho e complexidade, terá realizado várias viagens verticais no interior da nuvem antes de se despenhar sobre o verde de Trás-os-Montes.

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Embora para o fotógrafo este seja um momento de rara beleza plástica — o brilho do cristal contra o acetinado das folhas — para o mundo rural, a "pedra" é frequentemente sinónimo de destruição.

No entanto, aqui, a imagem imortaliza a estética do efémero: em poucos minutos, este diamante de gelo derreterá, devolvendo à terra a água de que a vegetação se alimenta, fechando um ciclo natural de transformação.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
04
Fev26

"A rústica cancela de madeira" e um poema


Mário Silva Mário Silva

"A rústica cancela de madeira"

e um poema

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Na obra intitulada "A rústica cancela de madeira", somos apresentados a um cenário pastoral que transpira serenidade.

Em primeiro plano, destaca-se uma cancela artesanal, feita de troncos e tábuas de madeira envelhecida, que serve de passagem num muro de pedra seca e vegetação rasteira.

A textura da madeira gasta pelo tempo e a robustez do muro conferem à imagem uma autenticidade tátil.

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Para lá da cancela, abre-se um prado verdejante onde um pequeno grupo de bovinos repousa e pasta calmamente, indiferente à lente do fotógrafo.

Ao fundo, a paisagem eleva-se em sucessivas camadas de montes e montanhas, sob um céu claro que banha toda a cena com uma luz suave, típica de uma manhã de inverno.

A composição guia o olhar do observador da barreira física da cancela para a liberdade vasta do horizonte.

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O Guardião do Prado

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Velha cancela de madeira gasta,

Pelo sol e pela chuva moldada,

És a fronteira que o tempo afasta,

Nesta montanha por Deus desenhada.

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No prado verde, o gado descansa,

Sob o olhar de um monte altaneiro,

Há no silêncio uma doce esperança,

Que envolve a vida do mundo inteiro.

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Muros de pedra, de herança antiga,

Guardam segredos de quem já passou,

A terra mãe, que o povo fustiga,

É a mesma terra que o gado adotou.

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Abre-se a porta p'ró horizonte,

Onde o azul se vem deitar no chão,

Bebe a beleza na bica da fonte,

Quem traz a aldeia no seu coração.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
03
Fev26

"Rua Central sem vivalma, somente um cão" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Rua Central sem vivalma, somente um cão"

Mário Silva

03Fev DSC04093_ms.JPG

Esta é uma imagem que capta com sensibilidade a alma profunda dum Portugal profundo.

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A fotografia de Mário Silva, intitulada "Rua Central sem vivalma, somente um cão", transporta-nos para a aldeia de Águas Frias, em Chaves.

A composição é dominada por uma estrada de asfalto clara que serpenteia por entre muros de pedra e habitações típicas da região transmontana.

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No centro do caminho, um cão preto caminha solitário, afastando-se do observador, servindo como o único sinal de movimento e vida num cenário de absoluta quietude.

À esquerda, árvores de ramos despidos de folhas sugerem o rigor do inverno, enquanto ao fundo se ergue uma casa de tons cinzentos com o característico telhado de telha cerâmica laranja.

O céu encoberto e a luz suave reforçam a atmosfera de melancolia e isolamento que a obra emana.

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O Silêncio de Trás-os-Montes: Quando a Rua Deixa de Ter Gente

O título escolhido por Mário Silva não é apenas uma descrição visual; é um diagnóstico social.

Dizer que uma "Rua Central" não tem "vivalma" encerra em si uma contradição dolorosa.

Por definição, a rua central de qualquer localidade deveria ser o seu coração pulsante, o ponto de encontro, o lugar do comércio e do "bom dia" trocado entre vizinhos.

Em Águas Frias, como em tantas outras aldeias de Trás-os-Montes, esse pulsar está a tornar-se um eco.

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A Desertificação como Realidade Inexorável

A imagem é uma metáfora poderosa da desertificação do mundo rural.

Ao longo das últimas décadas, o interior de Portugal tem assistido a um êxodo contínuo.

Os jovens partem para as cidades do litoral ou para o estrangeiro em busca de oportunidades, deixando para trás um património de pedra e silêncio.

O que resta são casas fechadas e ruas onde o som dos passos humanos foi substituído pelo sopro do vento nos ramos secos.

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O Cão: O Último Guardião

A presença do cão na fotografia é simbólica.

Nas aldeias fustigadas pelo despovoamento, os animais tornam-se, muitas vezes, os últimos habitantes das ruas.

Este cão preto, caminhando sozinho, representa a lealdade a um território que parece ter sido esquecido pelo progresso.

Ele é o testemunho vivo de que, embora a "vivalma" humana escasseie, o espírito do lugar resiste, ainda que de forma solitária.

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Um Apelo à Memória

A fotografia de Mário Silva cumpre uma função vital: a de documento histórico e emocional.

Ela obriga-nos a olhar para o que estamos a perder.

A desertificação não é apenas a falta de pessoas; é a perda de tradições, de saberes ancestrais e da identidade transmontana que tanto caracteriza o norte de Portugal.

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Águas Frias, vista através desta lente, é um lembrete poético e triste de que o país corre a duas velocidades.

Enquanto o litoral ferve em atividade, o interior recolhe-se na dignidade de quem, como o cão da imagem, continua a percorrer o seu caminho, mesmo que já não haja ninguém à janela para o ver passar.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
02
Fev26

“A Lampaça numa manhã de geada” – Águas Frias – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“A Lampaça numa manhã de geada”

Águas Frias – Chaves – Portugal

02Fev A Lampaça numa manhã de geada_ms.jpg

Esta fotografia de Mário Silva é um retrato fiel da alma transmontana no inverno.

Capta não apenas uma paisagem, mas um estado de espírito típico da região de Chaves.

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A imagem apresenta uma vista panorâmica da Lampaça, na freguesia de Águas Frias, mergulhada num cenário invernal rigoroso.

A composição divide-se em três planos distintos:

O Primeiro Plano: Revela a vida quotidiana da aldeia, com habitações de telhados alaranjados que contrastam suavemente com o cinzento da manhã.

Os campos em redor já mostram o tom esbranquiçado da terra gelada.

O Plano Médio: É dominado por uma densa massa arbórea totalmente coberta por uma camada espessa de geada ou sincelo, criando um efeito visual de "floresta de cristal".

O Plano de Fundo: Um céu pesado e carregado de nevoeiro baixo (as "nuvens de geada") que paira sobre a montanha, comprimindo a paisagem e acentuando a sensação de isolamento e frio cortante.

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A paleta de cores é fria e melancólica, dominada por tons de cinza, branco e o verde escuro das persistentes árvores resinosas, transmitindo com perfeição o silêncio de uma manhã em que a temperatura desceu abaixo de zero.

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O Fenómeno da Geada: Onde a Humidade se Transforma em Arte

O título da fotografia, "A Lampaça numa manhã de geada", remete-nos para um dos fenómenos mais característicos do Nordeste Transmontano.

Em regiões como Chaves, a geada não é apenas um detalhe meteorológico; é um elemento moldador da agricultura e da paisagem.

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O Que é a Geada e Como se Forma?

Contrariamente ao que muitos pensam, a geada não é neve que caiu.

É um processo de deposição direta:

Arrefecimento Noturno: Durante a noite, o solo e as plantas perdem calor rapidamente, especialmente em noites de céu limpo.

Ponto de Congelação: Quando a temperatura da superfície desce abaixo dos 0°C, a humidade do ar que entra em contacto com essas superfícies não condensa em líquido (orvalho), mas passa diretamente do estado gasoso ao sólido.

Este processo chama-se sublimação inversa.

Inversão Térmica: Em vales como os da região de Chaves, o ar frio (mais denso) desce e acumula-se nos pontos mais baixos, tornando as manhãs em locais como Lampaça e Águas Frias particularmente propícias a este "manto branco".

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O "Sincelo": O Grau Seguinte da Geada

Na fotografia de Mário Silva, as árvores ao fundo aparecem tão brancas que podemos estar perante o fenómeno do sincelo.

Este ocorre quando existe nevoeiro (pequenas gotas de água em suspensão) com temperaturas negativas.

As gotículas, ao chocarem com os ramos das árvores, congelam instantaneamente, criando estruturas de gelo mais volumosas e dramáticas do que a geada comum.

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Impacto na Região

Para os habitantes de Águas Frias, a geada é um sinal de "limpeza" do ar e da terra, embora exija cuidados redobrados com as culturas.

Visualmente, como demonstra a fotografia, ela transforma a paisagem rural numa obra de arte efémera, onde cada folha e cada ramo são contornados por minúsculos cristais de gelo que brilham à primeira luz do dia.

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Nota Curiosa: O termo popular "nove meses de inverno e três de inferno", frequentemente aplicado a Trás-os-Montes, ganha toda a sua expressão visual em fotografias como esta, onde o rigor do clima define a beleza do território.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
01
Fev26

“Capela de São Siríaco” – Samaiões- Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Capela de São Siríaco”

Samaiões- Chaves – Portugal

01Fev DSC03547_ms.JPG

A fotografia de Mário Silva capta, num plano aproximado e de baixo para cima, o campanário (ou sineira) da Capela de São Siríaco, em Samaiões, Chaves.

A composição é marcada pelo forte contraste cromático entre o branco imaculado da parede, o cinzento quente do granito lavrado e o azul profundo do céu transmontano.

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No topo, destaca-se uma cruz de pedra de proporções equilibradas, que coroa a estrutura em arco onde se abriga o sino de bronze.

Detalhes como a corrente de ferro que pende da estrutura e o óculo circular perfeitamente talhado na pedra conferem à imagem uma sensação de rusticidade e permanência.

A luz solar, intensa e lateral, realça a textura rugosa do granito e a curvatura das telhas de canudo avermelhadas, evocando a paz e a solidez das tradições rurais portuguesas.

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São Siríaco: A Fé que Ecoa no Granito de Samaiões

A Capela de São Siríaco, situada na freguesia de Samaiões, em Chaves, é mais do que um marco arquitetónico; é um testemunho da persistência da fé através dos séculos.

Para compreendermos a importância desta fotografia, é essencial mergulharmos na Vida e Obra de São Siríaco, um dos santos mais venerados da Igreja primitiva.

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O Diácono e o Mártir

São Siríaco de Roma foi um diácono cristão que viveu no século IV, durante um dos períodos mais conturbados para o Cristianismo: a perseguição de Diocleciano.

A sua "obra" não foi escrita em livros, mas sim gravada através de atos de caridade e coragem.

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Reza a tradição que Siríaco era conhecido pelos seus dons de cura e exorcismo.

A sua fama chegou aos ouvidos do próprio Imperador, cujas lendas afirmam que o santo teria curado a filha de Diocleciano, Artemia, e mais tarde a filha do Rei da Pérsia.

Apesar destes prodígios, Siríaco não renunciou à sua fé, acabando por ser martirizado em 303 d.C.

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A Ligação à Terra Portuguesa

Como é que um diácono romano se torna o padroeiro de uma pequena capela em Chaves?

A resposta reside na expansão das relíquias e do culto aos mártires pela Europa.

Em Portugal, e especificamente na região de Samaiões, a devoção a São Siríaco fundiu-se com a identidade local.

A sobriedade da capela captada por Mário Silva reflete a vida do santo:

A Simplicidade: Tal como o diácono servia os pobres com humildade, a arquitetura da capela foge ao ornamento excessivo, focando-se na pureza da pedra.

A Resistência: O granito de Chaves simboliza a força de Siríaco perante o martírio.

O Sino: Na fotografia, o sino parece pronto a convocar a comunidade, tal como Siríaco convocava os fiéis para a oração nas catacumbas de Roma.

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Em forma de conclusão, a fotografia de Mário Silva não regista apenas um edifício; regista a verticalidade da fé.

O olhar que sobe da parede branca, passa pelo óculo e termina na cruz contra o céu azul, espelha a própria trajetória de São Siríaco: da dedicação terrena ao sacrifício final.

Em Samaiões, o tempo parece parado, e a obra do santo continua viva cada vez que o sino, ali suspenso, recorda aos vivos a memória dos que sofreram pela sua crença.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
28
Fev25

O Regresso


Mário Silva Mário Silva

O Regresso

28Fev DSC07924_ms_a

Miguel regressou à aldeia onde nascera depois de quase duas décadas vivendo em Lisboa. Deixara Trás-os-Montes ainda adolescente, com sonhos de estudar, crescer e conquistar um mundo que, para ele, parecia pequeno demais nas serras e vales da sua infância.

Agora, regressava homem feito, com anos de trabalho numa multinacional e o espírito inquieto de quem já não sabia onde pertencia.

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O reencontro com a aldeia foi agridoce.

Os mais velhos ainda se lembravam dele e saudaram-no com abraços demorados e sorrisos carregados de nostalgia.

Mas os mais novos viam-no como um estranho. "O lisboeta", murmuravam quando passava.

Sentiu-se deslocado na própria terra, como se pertencesse a dois mundos e, ao mesmo tempo, a nenhum.

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Nos primeiros meses, Miguel lutou contra o silêncio das noites sem o ruído incessante da cidade.

Estranhou a lentidão dos dias, o tempo que se media pelo nascer e pôr do sol e não pelos ponteiros de um relógio de pulso.

Habituara-se a cafés apressados em esplanadas movimentadas e agora via-se a partilhar longas conversas na tasca local, ouvindo histórias que pareciam suspensas no tempo.

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A adaptação foi difícil.

A internet era lenta, a mercearia mais próxima ficava a mais de meia hora de distância e a solidão impunha-se de forma avassaladora.

Mas, aos poucos, aprendeu a apreciar as rotinas simples: a ida à mercearia para comprar pão fresco, o cheiro da terra molhada depois da chuva, o prazer de colher os próprios legumes da horta do seu avô.

E, sobretudo, redescobriu a alegria da proximidade humana, dos almoços intermináveis à volta da mesa e da solidariedade entre vizinhos.

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Miguel percebeu, então, que a felicidade não era exclusiva dos grandes centros.

O progresso e a modernidade tinham o seu valor, mas também tinham um preço.

Na aldeia, encontrou um sentido de pertença que nunca tivera nos anos apressados da cidade.

Aprendeu que a vida não precisa de ser sempre uma corrida e que, por vezes, voltar às raízes é a melhor forma de avançar.

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Para aqueles que enfrentam um regresso semelhante, Miguel deixa um ensinamento: a adaptação não é imediata, mas é possível.

A saudade da vida anterior vai existir, assim como a incerteza sobre se foi a escolha certa.

Mas, se há algo que Trás-os-Montes lhe ensinou, é que a terra sabe esperar pelos seus filhos.

E quando estes regressam, de coração aberto, a aldeia sempre encontra um lugar para eles.

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Com o passar dos meses, Miguel começou a investir na comunidade.

Restaurou a casa dos avós, plantou uma vinha e começou a colaborar com os produtores locais, trazendo novas ideias que equilibravam tradição e inovação.

Criou um pequeno negócio de turismo rural, mostrando aos visitantes as belezas escondidas da região, partilhando histórias antigas e os sabores únicos da gastronomia transmontana.

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E, enquanto a vida se desenrolava entre colinas e vinhedos, Miguel sentiu que finalmente encontrara o seu lugar.

A aldeia já não o via como o "lisboeta", mas como um dos seus.

E ele, que um dia partira em busca de um futuro melhor, percebeu que o futuro sempre estivera ali, à espera do seu regresso.

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Texto & Desenho digital: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
27
Fev25

“Cravelho numa velha porta” (caravelho – gravelho - tramela – taramela – ferrolho – travinca)


Mário Silva Mário Silva

“Cravelho numa velha porta”

(caravelho – gravelho - tramela –

taramela – ferrolho – travinca)

27Fev DSC07866_ms

A fotografia de Mário Silva intitulada "Cravelho numa velha porta" retrata um mecanismo de fecho tradicional, conhecido por vários nomes na região de Trás-os-Montes, Portugal: Caravelho, Gravelho, Tramela, Taramela, Ferrolho, Travinca, ...

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A imagem mostra uma porta de madeira antiga, provavelmente de uma construção rústica, possivelmente uma casa ou um celeiro.

A porta é feita de tábuas de madeira envelhecida, com um aspeto rústico e desgastado pelo tempo.

O cravelho, que é o foco da imagem, é um mecanismo de fecho feito de madeira, consistindo em uma peça principal que se encaixa numa estrutura de suporte, também de madeira, para trancar a porta.

A peça de madeira que forma o cravelho é esculpida de forma a permitir que se mova para dentro e para fora da estrutura, garantindo a segurança da porta.

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Para as Gentes transmontanas, o cravelho tem um significado profundo, enraizado na tradição e na simplicidade da vida rural.

Este tipo de fecho é emblemático da engenhosidade e da utilização de materiais locais disponíveis, refletindo um modo de vida que valoriza a sustentabilidade e a simplicidade.

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O uso do cravelho demonstra a continuidade das tradições locais.

Mesmo com o avanço tecnológico, muitos transmontanos mantêm estas práticas antigas, preservando a cultura e o património.

A construção do cravelho é um exemplo de engenharia popular, onde a funcionalidade é alcançada com recursos simples.

Isso destaca a habilidade manual e o conhecimento prático transmitido de geração em geração.

O cravelho não é apenas funcional, mas também simbólico.

Ele representa a proteção do lar, um valor muito importante nas comunidades rurais onde a casa é um refúgio seguro contra os elementos e intrusos.

O uso de madeira e a integração com a construção rústica refletem uma conexão profunda com a natureza, algo característico da cultura transmontana, onde a vida está intrinsecamente ligada ao ambiente natural.

Os diferentes nomes para o mesmo objeto (Caravelho, Gravelho, etc.) mostram a diversidade dentro da própria região, mas também uma unidade na função e na essência do objeto, reforçando a identidade regional.

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Em resumo, a fotografia de Mário Silva não apenas captura um objeto funcional, mas também encapsula um pedaço da alma transmontana, refletindo valores de tradição, engenhosidade, proteção e uma vida em harmonia com a natureza.

O cravelho, com a sua simplicidade e eficácia, é um símbolo duradouro da cultura desta região de Portugal.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
26
Fev25

"As gotas do último aguaceiro e a teia que ainda resiste" - A Naturalidade e a Resiliência


Mário Silva Mário Silva

"As gotas do último aguaceiro e

a teia que ainda resiste"

A Naturalidade e a Resiliência

26Fev DSC08996_ms

A fotografia de Mário Silva intitulada "As gotas do último aguaceiro e a teia que ainda resiste" captura uma cena natural delicada e íntima.

A imagem mostra uma planta com ramos finos e verdes, sobre os quais repousam gotas de água, presumivelmente do último aguaceiro.

As gotas de água são translúcidas e refletem a luz de maneira que brilham, adicionando um toque de magia à imagem.

Além disso, há uma teia de aranha visível, que se estende entre os ramos da planta, adicionando um elemento de resiliência e permanência à composição.

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A composição é minimalista, focando em detalhes pequenos, mas significativos.

O uso do foco seletivo destaca as gotas de água e a teia, enquanto o fundo é desfocado, o que ajuda a manter a atenção do observador nos elementos principais.

A escolha de um fundo verde suave complementa a cor da planta, criando uma harmonia visual.

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A teia de aranha, apesar de ser frágil, ainda resiste após o aguaceiro, simbolizando a resiliência da natureza.

Este tema é reforçado pela presença das gotas de água, que, embora temporárias, são capturadas num momento de beleza efêmera.

A fotografia lembra-nos da força silenciosa e da persistência da natureza.

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A luz é utilizada de maneira magistral para realçar as gotas de água, criando reflexos e brilhos que adicionam profundidade e textura à imagem.

A luz suave também sugere um momento de calma após a tempestade, reforçando o sentimento de tranquilidade e renovação.

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A imagem pode ser interpretada como um comentário sobre a capacidade da natureza de se recuperar e manter a sua beleza mesmo após eventos adversos como um aguaceiro.

As gotas de água simbolizam a vida e a renovação, enquanto a teia representa a continuidade e a resistência.

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Embora a imagem seja bela e poética, poderia haver um maior contraste entre a planta e o fundo para destacar ainda mais a estrutura da planta.

Além disso, uma perspetiva ligeiramente diferente poderia ter incluído mais da teia, mostrando a sua extensão e complexidade, o que poderia aumentar a narrativa de resiliência.

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No geral, Mário Silva conseguiu capturar um momento fugaz da natureza com uma profundidade simbólica e uma estética que celebra tanto a beleza quanto a resistência do mundo natural.

A fotografia não só documenta um evento natural, mas também convida o observador a refletir sobre temas maiores como a resiliência e a beleza efêmera.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
25
Fev25

"Cogumelos Psilocybe semilanceata"


Mário Silva Mário Silva

"Cogumelos Psilocybe semilanceata"

25Fev DSC09209_ms

A fotografia de Mário Silva intitulada "Cogumelos Psilocybe semilanceata" retrata uma espécie de cogumelo conhecida pelas suas propriedades alucinógeneas devido à presença de psilocibina.

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“Psilocybe semilanceata”, é um cogumelo pequeno com um chapéu cónico que se estreita em direção ao caule, frequentemente amarelado ou castanho claro.

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A fotografia mostra os cogumelos a crescer num ambiente natural, entre a vegetação, o que é típico para esta espécie, que prefere pastagens e áreas ricas em matéria orgânica em decomposição.

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Três cogumelos são visíveis, com um foco claro no cogumelo mais próximo à câmara, enquanto os outros dois estão um pouco desfocados, criando uma sensação de profundidade.

A vegetação ao redor é vibrante e verde, contrastando com o tom mais apagado dos cogumelos.

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A composição é bem pensada, com os cogumelos em diferentes planos focais, o que guia o olhar do observador de maneira natural pelo quadro.

O uso do foco seletivo destaca o cogumelo principal, tornando-o o ponto focal da imagem.

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As cores dos cogumelos são suaves e naturais, contrastando bem com o verde vibrante da vegetação.

Este contraste não só destaca os cogumelos, mas também enfatiza a beleza da natureza no seu habitat natural.

No entanto, a imagem poderia beneficiar de um pouco mais de saturação para destacar ainda mais as diferenças de cor.

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A iluminação é natural, provavelmente luz do dia, o que é apropriado para uma fotografia de natureza.

A luz suave evita sombras duras e mantém os detalhes dos cogumelos visíveis.

A iluminação poderia ser um pouco mais direcional para adicionar drama ou textura, mas a escolha aqui mantém a imagem fiel ao ambiente natural.

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A escolha de fotografar “Psilocybe semilanceata” pode ser interpretada de várias maneiras.

Por um lado, pode ser uma celebração da biodiversidade e da beleza dos fungos.

Por outro, pode levantar questões sobre o uso de substâncias psicoativas, dado o contexto cultural em torno da psilocibina.

A imagem, portanto, não apenas documenta a espécie mas também convida a uma reflexão sobre as plantas e fungos com propriedades alucinógeneas e o seu lugar na natureza e na sociedade.

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A nitidez do cogumelo principal é excelente, mostrando detalhes finos da textura do chapéu.

A profundidade de campo é bem utilizada, embora um pouco mais de desfoque no fundo poderia aumentar ainda mais o destaque do cogumelo principal.

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Em resumo, a fotografia de Mário Silva é uma representação eficaz e esteticamente agradável da “Psilocybe semilanceata”.

A imagem é informativa para quem se interessa por micologia, mas também é artisticamente composta, o que a torna atraente para um público mais amplo.

A crítica principal seria sobre a possibilidade de explorar mais a iluminação e o contraste para adicionar uma camada extra de profundidade à imagem.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
24
Fev25

"Se as pedras falassem..."


Mário Silva Mário Silva

"Se as pedras falassem..."

24Fev DSC01568_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "Se as pedras falassem...", captura a essência da arquitetura rural transmontana, com foco numa casa de pedra.

A imagem apresenta uma fachada de granito, com uma pequena janela e uma porta de madeira, coberta por um telhado de telha.

A casa está parcialmente escondida por uma sebe, que se entrelaça nas pedras e confere à imagem um ar de mistério e abandono.

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A composição da fotografia é vertical, com a casa ocupando a maior parte da imagem.

A perspetiva adotada permite apreciar a textura da pedra e a volumetria da construção.

A linha diagonal da sebe conduz o olhar do espectador para o interior da imagem, convidando-o a explorar os detalhes da fachada.

A luz natural incide sobre a fachada da casa, criando sombras que acentuam a textura da pedra e a irregularidade das paredes.

A combinação de luz e sombra confere à imagem uma atmosfera de nostalgia e de tempo passado.

A paleta de cores é marcada pela sobriedade dos tons de cinza, castanho e verde, que evocam a sensação de rusticidade e de enraizamento no solo.

A casa de pedra, com as suas paredes grossas e a sua porta de madeira, é um símbolo de resistência e de tradição.

A vegetação que cresce nas paredes e no telhado representa o ciclo da vida e a força da natureza.

O título da fotografia, "Se as pedras falassem...", convida o observador a imaginar a história da casa e das pessoas que a habitaram.

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As casas de granito são um elemento característico da arquitetura rural transmontana.

Estas construções, com as suas paredes grossas e resistentes, foram erguidas com o objetivo de proteger os seus habitantes das intempéries e de garantir a sua segurança.

O granito, uma rocha abundante na região, era o material de construção mais utilizado, devido à sua durabilidade e resistência.

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A preservação do património construído, como as casas de pedra de Águas Frias, é fundamental para a salvaguarda da identidade cultural de uma região.

Estas construções são testemunhas da história e da forma de vida das comunidades locais, e a sua destruição representaria uma perda irreparável para o património nacional.

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Em resumo, a fotografia "Se as pedras falassem..." de Mário Silva é uma obra que nos convida a refletir sobre a importância do património construído e sobre a necessidade de preservar as nossas raízes.

A imagem, com a sua beleza simples e a sua carga simbólica, é um testemunho da sabedoria ancestral e da capacidade do homem de se adaptar ao meio ambiente.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
23
Fev25

“A igreja e a sua importância"


Mário Silva Mário Silva

“A igreja e a sua importância"

23Fev DSC00472_ms

A Igreja desempenha um papel fundamental na vida das comunidades rurais de Trás-os-Montes, tanto do ponto de vista arquitetónico, como cultural, social e religioso.

A fotografia de Mário Silva capta essa essência ao destacar uma igreja típica da região, inserida na paisagem natural e refletindo a importância histórica desses edifícios para o povo transmontano.

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As igrejas rurais de Trás-os-Montes apresentam um estilo arquitetónico tradicional, muitas vezes marcado por influências barrocas e românicas.

A igreja na imagem tem uma estrutura simples, com paredes brancas e um telhado de telha avermelhada, características comuns nas construções religiosas do interior português.

A torre sineira, com arcos bem definidos e uma cruz no topo, simboliza a presença divina e a ligação entre o céu e a terra.

O relógio na fachada reforça a sua função como ponto central da aldeia, regulando o tempo e a vida dos moradores.

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A Igreja é mais do que um edifício religioso; é um marco identitário para as comunidades rurais.

Ao longo dos séculos, esses templos foram espaços de celebração, memória e tradição.

As festividades religiosas, como as festas em honra dos santos padroeiros, romarias e procissões, reúnem os habitantes e descendentes da terra, reforçando os laços culturais e perpetuando as tradições locais.

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Além de local de culto, a Igreja é um ponto de encontro e convivência.

Em muitas aldeias transmontanas, é junto à Igreja que se realizam as principais interações sociais, desde reuniões comunitárias a eventos festivos.

Para uma população que historicamente enfrentou isolamento geográfico e dificuldades socioeconómicas, a Igreja sempre representou um espaço de união, onde os moradores partilham alegrias e tristezas.

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A fé tem um papel central na vida das populações rurais de Trás-os-Montes.

A Igreja representa a espiritualidade e a devoção do povo, sendo o local onde ocorrem os momentos mais importantes da vida comunitária, como batismos, casamentos e funerais.

Para muitos, a igreja é um refúgio espiritual, um espaço de oração e esperança, onde encontram conforto e orientação.

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Como conclusão, a Igreja, como a representada na fotografia de Mário Silva, é um símbolo de resistência e continuidade.

Em Trás-os-Montes, ela permanece como um elo entre o passado e o presente, refletindo a fé, a cultura e a identidade de um povo profundamente ligado às suas raízes e tradições.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
22
Fev25

A Névoa que sobe do vale do Tâmega


Mário Silva Mário Silva

"A Névoa que sobe do vale do Tâmega"

22Fev DSC08980_ms

A fotografia "A Névoa que sobe do vale do Tâmega" de fotografia captura um momento sereno e atmosférico na região de Chaves, Portugal.

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A imagem mostra um vale envolto em nevoeiro, com a névoa subindo das partes mais baixas do vale, criando uma sensação de profundidade e mistério.

O céu está coberto de nuvens, com tons suaves de cinza e branco, contribuindo para a atmosfera calma e etérea.

Há uma árvore desfolhada no canto direito, que adiciona um elemento de contraste e textura à composição.

A paleta de cores é predominantemente fria, com tons de cinza, azul e verde, o que reforça a sensação de um ambiente húmido e frio típico de dias nevoentos.

A luz é difusa, provavelmente devido ao nevoeiro, que suaviza as sombras e cria um efeito de iluminação uniforme.

Isso contribui para a suavidade visual da imagem.

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A fotografia de Mário Silva utiliza o nevoeiro de forma magistral para criar uma atmosfera de tranquilidade e isolamento.

O uso do nevoeiro como elemento principal não só adiciona um toque de mistério, mas também destaca a beleza natural do vale do Tâmega.

A composição é bem equilibrada, com a árvore desfolhada adicionando um ponto focal interessante sem distrair do tema principal.

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O nevoeiro cria um ambiente calmo e silencioso, ideal para reflexão e para atividades que requerem paz, como meditação ou caminhadas tranquilas.

Como mostrado na imagem de Mário Silva, o nevoeiro pode ser um excelente elemento fotográfico, proporcionando textura, profundidade e uma qualidade etérea às fotos.

Em algumas regiões, o nevoeiro pode ser benéfico para a agricultura, pois ajuda a manter a humidade do solo e pode proteger as plantas contra geadas leves.

 

A visibilidade reduzida pode ser perigosa para o tráfego, tanto rodoviário quanto aéreo, aumentando o risco de acidentes.

Pessoas com problemas respiratórios podem encontrar dificuldades em dias muito nevoentos, especialmente se o nevoeiro estiver combinado com poluição.

O nevoeiro pode limitar a prática de atividades ao ar livre como desportos ou turismo, pois a humidade e a falta de visibilidade podem ser desconfortáveis ou perigosas.

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Em resumo, a fotografia de Mário Silva captura a beleza e a atmosfera únicas do nevoeiro no vale do Tâmega, enquanto os dias de nevoeiro têm os seus próprios conjuntos de benefícios e malefícios que dependem do contexto em que são considerados.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
21
Fev25

“Pormenor da fachada da Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo” (Porto – Portugal)


Mário Silva Mário Silva

“Pormenor da fachada da Igreja da Venerável

Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo”

(Porto – Portugal)

21Fev DSC08966_ms

A fotografia " Pormenor da fachada da Igreja do Carmo" de Mário Silva captura um detalhe arquitetónico desta joia do barroco e rococó situada no Porto, Portugal.

A Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, construída entre 1756 e 1768, sendo o projeto do arquiteto José Figueiredo Seixas, reflete o esplendor artístico e religioso do século XVIII.

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A imagem destaca uma escultura em pedra no topo da fachada da igreja, provavelmente representando São Lucas, tradicionalmente associado ao touro, seu símbolo iconográfico.

A figura esculpida segura um livro e um instrumento de escrita, remetendo à sua identidade como evangelhista.

O contraste entre a textura da pedra envelhecida e o céu azul cria uma composição visualmente impactante, ressaltando a riqueza ornamental da igreja.

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A igreja é um dos exemplos mais notáveis do rococó no Porto.

A sua fachada apresenta elementos típicos desse estilo, como curvas dinâmicas, ornamentos exuberantes e uma sensação de movimento nas esculturas e relevos.

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A escultura destacada na fotografia faz parte de um conjunto mais amplo que adorna a igreja, incluindo representações de santos e símbolos religiosos esculpidos em granito.

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Embora não visível na imagem, um dos elementos mais famosos da Igreja do Carmo é o seu grandioso painel lateral de azulejos, instalado em 1912, representando cenas da fundação da Ordem Carmelita.

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O interior da igreja mantém o luxo do barroco, com altares em talha dourada, pinturas e elementos decorativos detalhados.

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A fotografia de Mário Silva consegue capturar a essência do esplendor artístico da Igreja do Carmo, focando-se num detalhe muitas vezes ignorado pelo olhar casual.

A escolha do ângulo e da iluminação realça as texturas da pedra e a expressividade da escultura, enquanto o céu limpo ao fundo confere profundidade à imagem.

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Esta abordagem fotográfica convida o observador a refletir sobre a grandiosidade dos edifícios históricos e o seu papel na identidade cultural.

A preservação deste património é fundamental para manter viva a memória artística e religiosa do Porto.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
20
Fev25

O lago, sob o sol de inverno


Mário Silva Mário Silva

O lago, sob o sol de inverno

20ms DSC09324_ms

Sob o sol de inverno, o lago sereno,

Reflete o céu em tons de azul sereno,

As árvores nuas, em dourado e castanho,

Pintam a paisagem com um toque de encanto.

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O ar é frio, mas a luz aquece,

A natureza em silêncio, paz oferece,

As águas calmas, espelhando a beleza,

Do inverno suave, sem pressa ou tristeza.

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Os juncos ao redor, em tons de ouro,

Marcam o limite do lago, que é puro,

E nas margens, a terra adormecida,

Espera a primavera, em sonho escondida.

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No horizonte, as colinas em verde e amarelo,

Guardam segredos do tempo e do céu,

O sol de inverno, com a sua luz branda,

Abraça a paisagem, em ternura que expande.

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O lago, espelho da estação fria,

Convida-nos a contemplar, sem pressa alguma,

A beleza simples, mas tão sublime,

Do inverno que chega, trazendo a sua rima.

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E assim, em silêncio, o dia se encerra,

Com o lago refletindo a luz que se apaga,

O inverno nos ensina, na sua maneira,

A encontrar beleza na calma e na paz.

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Poema & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
19
Fev25

"Cogumelo (Lactarius pallidus) no meio das folhas secas"


Mário Silva Mário Silva

"Cogumelo (Lactarius pallidus)

no meio das folhas secas"

19Fev DSC09192_ms

A fotografia de Mário Silva captura a delicadeza e a fragilidade de um cogumelo “Lactarius pallidus” no seu habitat natural.

O cogumelo, com o seu chapéu de cor creme e textura aveludada, contrasta com as folhas secas que o circundam, criando uma composição visualmente interessante.

A perspetiva macro permite apreciar os detalhes do fungo, como as lamelas e o estipe.

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A composição da fotografia é simples e eficaz, com o cogumelo a ocupar o centro da imagem.

A perspetiva macro permite apreciar a beleza e a complexidade desse pequeno organismo.

O fundo desfocado, composto por folhas secas, cria uma atmosfera natural e acolhedora.

A luz natural incide sobre o cogumelo, criando sombras que acentuam a textura do chapéu e a humidade do ambiente.

A paleta de cores é limitada, com predominância de tons de castanho, amarelo e branco, que evocam a sensação de decomposição.

Os cogumelos, ao longo da história, têm sido associados a diversos significados simbólicos, como a transformação, a espiritualidade e a conexão com o mundo natural.

Na fotografia de Mário Silva, o cogumelo pode ser visto como um símbolo da vida e da morte, da fragilidade e da resiliência da natureza.

Os cogumelos desempenham um papel fundamental no ecossistema, atuando como decompositores.

Ao decompor a matéria orgânica, eles contribuem para a ciclagem de nutrientes e para a formação do húmus, enriquecendo o solo e promovendo o crescimento de outras plantas.

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Os fungos, como os cogumelos, desempenham um papel essencial na manutenção dos ecossistemas.

Eles são responsáveis por diversos processos ecológicos.

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Os fungos decompõem a matéria orgânica morta, como folhas, troncos e animais, liberando nutrientes que são utilizados por outros organismos.

Muitos fungos estabelecem relações simbióticas com as raízes das plantas, formando micorrizas.

Essa associação beneficia tanto o fungo quanto a planta, pois o fungo fornece nutrientes à planta e a planta fornece açúcares ao fungo.

Muitos cogumelos são comestíveis e são utilizados na culinária de diversos países.

Alguns fungos produzem substâncias com propriedades medicinais, como a penicilina.

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Em resumo, a fotografia "Cogumelo (Lactarius pallidus) no meio das folhas secas" de Mário Silva é mais do que uma simples imagem de um fungo.

Ela convida-nos a refletir sobre a importância dos fungos para o equilíbrio dos ecossistemas e sobre a beleza da natureza nas suas diversas formas.

A imagem, com a sua composição delicada e a sua riqueza de detalhes, é um convite à observação e à contemplação da natureza.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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