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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

08
Jan26

"O fumo que sai da chaminé do chupão" – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"O fumo que sai da chaminé do chupão"

Mário Silva

08Jan DSC03475_ms.JPG

Esta fotografia de Mário Silva é uma ode à vida rural e ao aconchego do lar nas regiões mais frias de Portugal.

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A fotografia "O fumo que sai da chaminé do chupão" capta uma paisagem de uma beleza nostálgica e etérea.

Em primeiro plano, vemos tons outonais de castanho e oiro na vegetação rasteira.

No vale, aninhada entre árvores de folha caduca, destaca-se uma pequena casa branca de onde emana uma coluna de fumo branco e denso.

A neblina ou a luz difusa do sol de inverno envolve toda a encosta, criando uma atmosfera de mistério.

No ponto mais alto da composição, recortado contra um céu pálido, surge a silhueta imponente de um castelo (de Monforte de Rio Livre), que observa silenciosamente a vida que palpita no vale através daquele fumo que sobe.

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O Fumo que Sai da Chaminé do Chupão — O Coração da Casa

Há sinais que, na paisagem rural portuguesa, valem mais do que mil palavras.

O fumo branco que se eleva de uma chaminé, num dia de inverno, é o mais eloquente de todos.

Na obra de Mário Silva, esse fumo não é apenas um detalhe visual; é a prova de vida, de calor e de resistência humana frente à imensidão da montanha e à História gravada nas pedras do castelo ao fundo.

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O Que é o "Chupão"?

Para quem conhece a arquitetura tradicional do interior de Portugal, o termo "chupão" evoca memórias muito específicas.

Refere-se às grandes chaminés de base larga, típicas das casas de pedra, que se abrem sobre a lareira.

É uma estrutura feita para "chupar" o fumo de um fogo que raramente se apaga durante os meses de frio.

No chupão, o fogo serve para cozinhar, para aquecer o corpo e, muitas vezes, para curar o fumeiro que alimentará a família durante o ano.

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O Contraste entre o Poder e o Quotidiano

A composição desta fotografia estabelece um diálogo fascinante:

O Castelo: No topo, o símbolo do poder, da guerra e da história antiga.

É estático, frio e monumental.

O Chupão: No vale, o símbolo do quotidiano, do conforto e da sobrevivência.

O fumo é dinâmico, efémero e quente.

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Enquanto o castelo nos fala de um tempo de reis e conquistas, o fumo da chaminé fala-nos do aqui e do agora.

Diz-nos que alguém acabou de colocar uma acha de carvalho no fogo; que talvez haja uma panela de ferro ao lume com um caldo verde ou um cozido; que a vida continua, simples e resiliente, aos pés da grande montanha.

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O Fumo como Sinal de Hospitalidade

Em Trás-os-Montes, ver fumo a sair de uma chaminé é um convite implícito à humanidade.

Representa o aconchego.

Num cenário onde a natureza pode ser agreste e o isolamento é uma realidade, aquela coluna branca é um farol.

É o "calor do lar" tornado visível.

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Mário Silva, ao escolher este título e este ângulo, convida-nos a valorizar o pequeno e o íntimo.

O fumo que sai do chupão é a alma da casa a respirar.

É o elo de ligação entre a terra e o céu, lembrando-nos que, mesmo sob a sombra de castelos milenares, a maior vitória humana é, muitas vezes, manter o lume aceso e a casa quente.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
05
Ago25

"O Sol brilha ...e a Festa da Aldeia aproxima-se" … e uma breve estória


Mário Silva Mário Silva

"O Sol brilha ...e a Festa da Aldeia aproxima-se"

… e uma breve estória

05Ago DSC00009 (3)_ms

A fotografia de Mário Silva captura uma cena rural sob a intensa luz do sol.

Em primeiro plano, a imagem é dominada pelas silhuetas escuras de duas árvores frondosas, cujos troncos e ramos se destacam contra o brilho ofuscante do sol.

O sol, no centro da composição, irradia uma luz dourada e amarelada que preenche grande parte do céu, criando um efeito de “flamejar” e um “halo” luminoso à volta das árvores.

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A vegetação em primeiro plano, que parece ser erva seca e alguma folhagem rasteira, está também em contraluz, adquirindo tons quentes de dourado e castanho, banhada pela luz solar.

A atmosfera geral da fotografia é quente e um pouco etérea, sugerindo um final de tarde de verão.

A imagem transmite uma sensação de tranquilidade e a grandiosidade da natureza, realçando o poder e a beleza do sol.

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Estória: A Promessa Dourada do Verão

Em cada verão, havia um dia que a aldeia inteira aguardava com uma ansiedade doce: o dia da Festa de Verão.

Era a altura em que a rotina das sementeiras e das colheitas cedia lugar à alegria do reencontro, ao barulho das concertinas e ao cheiro a sardinhas assadas que perfumava as noites.

Na fotografia de Mário Silva, o sol, num brilho intenso por entre as folhas de uma árvore, não era apenas a luz do dia; era a promessa da festa que se aproximava, um farol dourado no fim do cansaço.

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Para o pequeno Tiago, de apenas sete anos, a festa era um mundo mágico.

Significava gelados, algodão doce, e a oportunidade de ver primos que só apareciam uma vez por ano.

Mas este ano, Tiago sentia algo mais.

Os seus avós, que sempre tinham sido o coração da festa – a avó Maria, com a sua mesa farta de iguarias, e o avô Joaquim, o contador de histórias junto à fogueira – pareciam mais cansados.

As suas vozes eram mais baixas, os seus passos mais lentos.

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Tiago tinha ouvido os adultos sussurrarem que talvez este ano a festa não fosse tão grande.

Faltava gente, faltava mão-de-obra, faltavam os velhos braços que sempre erguiam os arcos e enfeitavam as ruas.

O coração de Tiago encolheu-se.

Uma festa menor? Como seria isso possível?

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Todas as tardes, Tiago ia para o alto do monte, para o seu lugar secreto, onde duas árvores gigantes, irmãs em silêncio, se erguiam.

Dali, olhava para o sol, que se filtrava por entre as folhas, pintando o chão de ouro e sombra.

Era o mesmo sol que Mário Silva um dia capturaria na sua fotografia, com a sua luz quase ofuscante, a espalhar uma aura de esperança.

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- Ó sol - sussurrava Tiago - faz com que a nossa festa seja a mais bonita de sempre.

Pelos meus avós, que tanto já deram a esta terra.

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Os dias passavam e, na aldeia, a preparação da festa parecia arrastar-se.

Mas, como por magia, algo começou a mudar.

Um a um, os emigrantes que tinham partido anos antes, começaram a chegar mais cedo do que o habitual.

Trouxeram consigo filhos, netos, e uma nova energia.

As notícias dos receios da aldeia tinham-se espalhado, e a saudade, aliada à vontade de ajudar, trouxe-os de volta.

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As mulheres mais novas, que agora tinham as suas próprias vidas nas cidades, arregaçaram as mangas e começaram a cozinhar ao lado da avó Maria, aprendendo os segredos das receitas antigas.

Os homens mais novos, com as suas forças renovadas, ajudaram o avô Joaquim a montar os arcos e as luzes.

O baloiço da Escola, onde as crianças da aldeia riam, parecia ter um novo balanço.

O som das marteladas, das vozes em festa, das gargalhadas ecoava pelos vales.

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Quando o dia da Festa de Verão chegou, o sol brilhava no céu como um olho benevolente, exatamente como na fotografia de Mário Silva.

As árvores no alto do monte pareciam vibrar com a luz dourada.

A aldeia estava irreconhecível, cheia de cor, de música, de gente.

Era a festa mais vibrante que Tiago alguma vez vira.

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Ele correu para os seus avós, que, rodeados por filhos e netos, sorriam com os olhos marejados de alegria.

- Avó! - exclamou Tiago - A festa é linda!

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Maria apertou a mão do neto.

- Vês, meu filho? O sol brilha, sim. Mas é a luz das nossas gentes que faz a festa.

São as raízes que nos prendem a esta terra, a memória que nos traz de volta.

A festa não é só a celebração do verão; é a celebração do nosso povo, da nossa união.

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Naquela noite, sob um céu estrelado, o avô Joaquim contou as suas histórias, e o canto das concertinas uniu gerações.

Tiago percebeu que a verdadeira beleza da festa não estava no algodão doce, mas no fio invisível que ligava cada um à sua aldeia, à sua história, e à luz dourada de um sol que, ano após ano, prometia recomeços e celebrações para as gentes de Trás-os-Montes.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
31
Jul25

"A protetora das Rias Baixas" (Sanxenxo - Espanha)


Mário Silva Mário Silva

"A protetora das Rias Baixas"

(Sanxenxo - Espanha)

31Jul DSC09071_ms

Esta fotografia de Mário Silva, intitulada "A protetora das Rias Baixas" (Sanxenxo - Espanha), retrata uma escultura intrigante e etérea, imersa nas águas de uma Ria Baixa.

A figura, de bronze, apresenta uma forma alongada e esguia, com uma postura curvada, como se estivesse a inclinar-se ou a espreitar algo na água.

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A sua cabeça tem uma forma invulgar, com projeções que se assemelham a antenas ou chifres alongados, conferindo-lhe um ar místico ou de criatura marinha.

Uma das mãos da figura segura uma concha grande e detalhada, enquanto a outra parece tocar ou apontar para a superfície da água.

Os pés da escultura repousam sobre uma formação rochosa, que serve de base e está parcialmente submersa.

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A paisagem envolvente é dominada pelo mar, com as águas calmas e um pouco escuras, onde boias amarelas flutuam, possivelmente marcando uma área de navegação ou banhos.

Ao fundo, uma linha costeira com edifícios urbanos, incluindo casas e prédios de apartamentos, estende-se, revelando a proximidade da cidade.

O céu é nublado, com tons de cinzento claro, criando uma atmosfera suave e um pouco melancólica.

A imagem transmite uma sensação de mistério, ligando o elemento humano à natureza marinha e à paisagem urbana.

 

A Lenda: A Guardiã dos Sussurros do Mar

Nas Rias Baixas da Galiza, onde a terra beija o Atlântico e as marés trazem consigo histórias de navegantes e lendas milenares, emerge das águas de Sanxenxo uma figura de bronze, esguia e enigmática.

Mário Silva capturou a sua essência na fotografia "A Protetora das Rias Baixas", mas a sua verdadeira história, a lenda que os pescadores mais antigos sussurram ao anoitecer, é muito mais profunda.

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Conta-se que, há incontáveis séculos, quando as Rias eram habitadas por criaturas mágicas e os homens viviam em harmonia com o mar, uma sereia de nome Xoana, diferente das suas irmãs, nasceu com uma paixão inigualável pela terra.

Enquanto as outras sereias se deliciavam nas profundezas, Xoana sentia-se atraída pelos murmúrios da costa, pelas canções dos homens e pelo cheiro dos pinhais.

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O seu amor pelo mundo humano levou-a a desobedecer às leis do Mar Profundo.

Passava os dias a observar os pescadores, a ouvir as suas preces por boas capturas, a sentir as suas alegrias e tristezas.

As suas antenas, antes finas e translúcidas, tornaram-se mais robustas, capazes de captar os mais ténues sussurros do vento e das ondas, e a sua cauda de peixe começou a transformar-se em pernas quando se aproximava da costa.

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Um dia, uma grande tempestade, a mais violenta de que havia memória, abateu-se sobre as Rias.

Os barcos dos pescadores eram atirados contra as rochas, e as ondas gigantes ameaçavam destruir as aldeias costeiras.

Xoana, angustiada, implorou ao Deus do Mar, Neptuno, para que poupasse os humanos que tanto amava.

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Neptuno, furioso pela desobediência de Xoana, negou-lhe o pedido.

- Tu escolheste o mundo dos homens, agora suporta as suas tormentas!

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Desesperada, Xoana fez um sacrifício supremo.

Pegou na concha mais bela que alguma vez encontrara, uma concha mágica que continha todos os sons e segredos do oceano, e ergueu-a em direção ao céu.

- Eu dou-vos a minha voz, o meu canto e a minha forma de sereia - suplicou aos céus e ao mar, - se em troca poupardes estas gentes e as suas terras!

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No momento em que as suas palavras se perderam no vento, um raio atingiu Xoana, transformando-a na mesma estátua de bronze que hoje vemos.

A sua forma ficou congelada entre o mar e a terra, as suas antenas esticadas para o céu, a concha mágica firmemente apertada na mão, um gesto eterno de súplica e proteção.

A tempestade acalmou, o mar serenou, e as Rias foram salvas.

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Desde então, Xoana, a "Protetora das Rias Baixas", vigia a costa.

Os pescadores dizem que, nas noites de nevoeiro, quando o mar está em fúria, se ouvirmos com atenção, podemos escutar um fraco sussurro vindo da concha que ela segura.

É a sua voz de sereia, transformada em oração silenciosa, a guiar os barcos e a proteger a costa das intempéries.

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Acredita-se que, se alguém com um coração puro se aproximar da estátua e sussurrar um desejo à concha, Xoana, na sua forma de bronze, levará esse desejo às profundezas do oceano, e ele será atendido se for para o bem de todos.

E assim, a estátua em Sanxenxo não é apenas uma obra de arte; é o testemunho vivo de um amor abnegado e da magia que ainda reside nas águas e nas lendas das Rias Baixas.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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