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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

12
Jan26

Uma casa típica transmontana - Paradela de Monforte – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

Uma casa típica transmontana

Paradela de Monforte – Chaves – Portugal

12Jan DSC05086_ms.JPG

A fotografia de Mário Silva transporta-nos para o coração de Trás-os-Montes, apresentando uma habitação que é um exemplo vivo da arquitetura vernácula regional.

A composição destaca a robustez do granito, material predominante na base da casa, onde as marcas do tempo e o musgo conferem uma textura orgânica à construção.

O elemento central é a escadaria exterior de pedra, que conduz ao piso superior (a zona habitacional), protegida por um corrimão de ferro forjado com um desenho geométrico simples.

No sopé das escadas, um pequeno portão de ferro pintado de tons avermelhados delimita o espaço.

As paredes do andar superior são rebocadas e caiadas de branco, contrastando com o peso da pedra do rés-do-chão, enquanto o telhado de telha cerâmica tradicional completa este quadro de autenticidade e memória.

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A Casa Transmontana – Onde a Pedra Guarda a História

A arquitetura tradicional de Trás-os-Montes, como a captada em Paradela de Monforte, não é apenas uma escolha estética; é uma lição de sobrevivência e adaptação ao clima rigoroso e à geografia da região "para lá dos montes".

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A Anatomia da Casa Típica

A casa transmontana clássica, particularmente na zona de Chaves, segue uma organização funcional muito específica que espelha o modo de vida agrícola de outrora:

Rés-do-chão (Lojas): Construído em granito grosso para suportar o peso e isolar. Antigamente, servia para guardar o gado, alfaias agrícolas e a adega. O calor dos animais ajudava a aquecer o piso superior.

Piso Superior: A zona de habitação da família. É aqui que se encontra a cozinha (o centro da casa com a sua lareira) e os quartos.

Escada Exterior: Um elemento iconográfico. Como o piso inferior era para os animais e trabalho, o acesso à casa fazia-se por fora, muitas vezes culminando num patamar chamado "balcão".

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A Simbiose com a Paisagem

Estas casas parecem brotar diretamente do chão.

O uso do granito local não só facilitava a construção, como permitia que a habitação tivesse uma inércia térmica fundamental: manter o fresco nos verões tórridos do interior e preservar o calor durante os invernos gelados.

O reboco branco no andar superior, visível na fotografia de Mário Silva, tinha também uma função prática e social.

A cal protegia as paredes e refletia a luz, conferindo uma sensação de limpeza e dignidade à moradia.

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Um Património em Preservação

Hoje, estas casas são mais do que habitações; são contentores de memória.

Em aldeias como Paradela de Monforte, a preservação destes detalhes — o portão de ferro, a pequena lanterna sobre a porta, a disposição das janelas — é o que mantém viva a identidade cultural do norte de Portugal.

Ver uma fotografia destas é recordar um tempo em que o ritmo da vida era ditado pelas estações e pela terra, e onde a casa era o refúgio seguro contra a dureza da montanha.

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"Trás-os-Montes não é apenas um lugar no mapa, é um estado de espírito gravado na pedra das suas casas."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
10
Out25

“Pela rua do Carril” - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Pela rua do Carril”

Águas Frias - Chaves - Portugal

10Out P1180496_ms

A fotografia de Mário Silva retrata uma rua em Águas Frias, Chaves, com uma atmosfera tranquila e rural.

A imagem tem como ponto central uma rua estreita, que se estende para longe, ladeada por casas tradicionais.

Em primeiro plano, do lado esquerdo, uma casa de dois andares com paredes amarelas e persianas verdes escuras domina a cena.

Uma escadaria exterior conduz ao andar superior, um elemento típico da arquitetura local.

Do lado direito, um muro de pedra irregular e um poste com a placa "Rua do Carril" guiam o olhar.

A vegetação densa e o céu nublado dão um toque de serenidade à paisagem.

A assinatura do autor no canto inferior direito sela a obra.

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Estória: A Rua do Carril

Na aldeia de Águas Frias, a Rua do Carril não era apenas um caminho de cimento; era o coração da aldeia.

Uma rua estreita e sinuosa, ladeada por casas que se aninhavam na encosta, cada uma com a sua própria história.

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Na casa amarela e verde, vivia uma velha costureira, a Senhora Emília.

Todas as manhãs, a Senhora Emília abria as persianas verdes e sentava-se à janela para observar a vida a passar.

Via as crianças a correrem para a escola, os vizinhos a irem para os campos e o carteiro a entregar as cartas.

A sua vida era uma tapeçaria de pequenas histórias, e a Rua do Carril era a sua tela.

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Numa tarde de verão, um forasteiro parou no cimo da rua, com um mapa na mão.

Parecia perdido.

A Senhora Emília, sempre atenta, chamou-o da sua janela.

- Venha, venha, meu senhor. O que procura?

 O homem, confuso, explicou que procurava um rio, o qual, segundo o seu mapa, passava por ali.

A Senhora Emília riu-se e explicou-lhe que o rio secou há muito, muito tempo, e a Rua do Carril era o que restou do seu antigo leito.

O homem, fascinado, agradeceu e continuou o seu caminho, mas as palavras da Senhora Emília ficaram na sua mente.

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A Rua do Carril era o leito de um rio invisível, feito de memórias e de vidas.

O carril, que outrora transportara água, agora transportava as histórias das gentes que ali viviam.

A escadaria da casa da Senhora Emília era como uma cascata, por onde desciam os passos dos filhos e netos que a visitavam.

As paredes amarelas eram o calor do sol que outrora tinha secado o rio.

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A fotografia de Mário Silva capturou aquele momento, com a luz do sol a incidir suavemente sobre a casa amarela e a rua de cimento.

A Rua do Carril não era apenas um caminho, mas um rio de história, onde as memórias corriam, e as vidas se entrelaçavam, na tranquilidade de uma aldeia de Trás-os-Montes.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
28
Set25

“Capela S. Cristovão” - Ervedosa – Vinhais – Bragança – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Capela S. Cristovão”

Ervedosa – Vinhais – Bragança – Portugal

28Set DSC04026_ms

A fotografia de Mário Silva retrata a Capela de São Cristóvão, em Ervedosa, Vinhais, Bragança.

A imagem, capturada sob uma luz clara, no final da tarde, foca na fachada da pequena capela.

A construção, de paredes brancas e telhado de barro, tem uma porta de madeira escura e é encimada por uma cruz.

Uma escadaria de pedra rústica conduz a um pátio cercado por uma grade de ferro verde, que se destaca em primeiro plano.

Folhas secas espalhadas pelos degraus e o verde das árvores nos cantos da foto dão um toque de vida à cena.

A assinatura de Mário Silva no canto inferior direito finaliza a obra.

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São Cristóvão: A Lenda do Gigante e a Fé que Move Montanhas

A figura de São Cristóvão é uma das mais fascinantes e populares do cristianismo, especialmente pela sua ligação com os viajantes e motoristas.

A sua história, contada principalmente através da Legenda Áurea, um famoso livro medieval, mistura elementos de lenda e fé, e a sua devoção atravessou séculos e continentes.

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A Lenda de Offero, o Gigante

A história começa com um homem de nome Offero (que significa "o que carrega").

Ele era um gigante, de grande força e estatura, que decidiu dedicar a sua vida a servir o rei mais poderoso do mundo.

Após uma longa busca, Offero percebeu que o rei a quem servia tinha medo do diabo, o que o levou a procurar o próprio príncipe das trevas para servi-lo.

No entanto, o diabo demonstrou medo de uma cruz, o que convenceu Offero de que a cruz, e por consequência, Cristo, era o poder mais forte do universo.

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Determinado a servir a Jesus, Offero consultou um eremita.

O homem santo disse-lhe que a melhor forma de servir a Cristo seria usar a sua imensa força para ajudar os outros.

O eremita sugeriu que ele se instalasse na margem de um rio perigoso e caudaloso, onde muitos peregrinos se afogavam.

A sua missão seria carregar as pessoas nos seus ombros, ajudando-as a atravessar a correnteza em segurança.

Offero aceitou de bom grado.

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O Encontro com o Menino Jesus

Certa noite, Offero estava a descansar quando ouviu uma voz de criança a chamá-lo.

Ao se aproximar, viu um pequeno menino à espera para atravessar o rio.

Com a sua força habitual, ele colocou o menino no seu ombro e começou a caminhada.

No meio da travessia, no entanto, a criança tornou-se incrivelmente pesada, como se todo o peso do mundo estivesse no seu corpo.

O rio agitava-se e a travessia tornou-se uma luta exaustiva.

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Quando finalmente chegaram à outra margem, Offero desabou, exausto.

Ele disse ao menino:

- Parece que carreguei o mundo inteiro nos meus ombros!

O menino sorriu e respondeu:

- Não te admires, Offero, pois não levaste só o mundo às costas, mas também Aquele que o criou. Eu sou Jesus, teu Senhor e teu Rei, e acabas de carregar o Salvador."

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Após o encontro, o menino batizou-o, e Offero, "o que carrega", e tornou-se Christophorus, que em grego significa "o que carrega Cristo".

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O Legado de São Cristóvão

A devoção a São Cristóvão espalhou-se rapidamente na Idade Média.

A sua lenda inspirou milhares de pessoas e ele tornou-se o patrono dos viajantes.

Apesar do seu nome ter sido removido do calendário litúrgico oficial da Igreja Católica em 1969, por falta de evidências históricas da sua existência, a devoção popular a São Cristóvão continua muito forte.

Ele é invocado para a proteção nas estradas e contra a morte súbita, e a sua imagem é comumente encontrada em carros e em capelas à beira de estradas, como a de Ervedosa.

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A sua história é um lembrete poderoso de que a verdadeira força não reside apenas no poder físico, mas no serviço humilde e na fé inabalável.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
22
Jul25

"Os vasos floridos nas escaleiras de pedra" (Águas Frias – Chaves – Portugal) … … e uma estória


Mário Silva Mário Silva

"Os vasos floridos nas escaleiras de pedra"

(Águas Frias – Chaves – Portugal)

… e uma estória

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A fotografia de Mário Silva, intitulada "Os vasos floridos nas escaleiras de pedra", apresenta uma cena encantadora e pitoresca, utilizando a técnica de cor seletiva para realçar elementos específicos.

O fundo da imagem é predominantemente em preto e branco, mostrando uma parede de pedra rústica e uma escadaria também de pedra, com um corrimão de ferro forjado.

As pedras são grandes e irregulares, conferindo um aspeto tradicional e sólido ao ambiente.

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No entanto, o que imediatamente capta a atenção, são os vasos de flores e as próprias flores, que foram deixados nas suas cores originais, vibrantes e quentes, contrastando fortemente com o monocromatismo do restante.

Vários vasos de terracota, em tons de laranja e vermelho, estão dispostos ao longo dos degraus e em pequenas saliências.

Estes vasos contêm gerânios (e plantas similares) com folhas verdes e flores vermelhas e rosadas intensas, que se destacam vivamente.

Um dos vasos maiores, cor laranja, está no pilar de pedra no início das escadas.

As plantas parecem exuberantes, crescendo e pendendo sobre os degraus, conferindo um ar de vida e cuidado à estrutura de pedra.

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A composição cria uma sensação de aconchego e hospitalidade, convidando o olhar a percorrer os detalhes coloridos que se espalham pela escadaria.

A técnica de cor seletiva acentua a beleza e a vivacidade das flores, transformando um cenário comum num quadro artístico e apelativo.

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A Estória: O Segredo da Cor na Escadaria de Pedra

Na aldeia de Penedos Altos, onde as casas eram feitas de pedra e o tempo parecia mover-se mais devagar, vivia uma bela senhora chamada Maria.

A sua casa era igual a todas as outras, com paredes de granito robusto e uma escadaria exterior que levava à porta principal, feita das mesmas pedras gastas pelo tempo.

Mas havia algo que tornava a casa de Maria única, algo que Mário Silva capturou na sua fotografia com uma magia que só ele conhecia: a explosão de cor na escadaria monocromática.

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Para os forasteiros, era apenas uma escadaria antiga com vasos de flores.

Mas para Maria, e para a própria escadaria, era uma história de vida e resiliência.

Maria tivera uma vida algo difícil, marcada por perdas e tristezas que haviam pintado o seu mundo de cinzento, tal como a fotografia, antes das flores, mostrava.

Os dias pareciam blocos de pedra sobrepostos, frios e inertes.

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Um dia, depois de mais uma tarde cinzenta, Maria olhou para a sua escadaria.

Parecia tão dura, tão sem vida, tal como ela própria se sentia.

Foi então que uma ideia lhe surgiu, como um pequeno raio de sol: iria plantar flores.

Não apenas um vaso, mas muitos.

Vasos de gerânios, as flores que a sua mãe tanto amava, com as suas cores vivas e a sua capacidade de resistir ao sol forte e às noites frias.

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Começou com um único vaso, o grande de terracota que agora repousava no pilar da escada.

 Depois, vieram outros, pequenos, médios, de barro e de cerâmica, cada um com as suas tonalidades de vermelho, laranja e rosa.

Cada vez que plantava uma nova flor, Maria sentia um pequeno brilho acender-se dentro de si.

Era como se estivesse a pintar a sua própria vida de novo, uma pétala de cada vez.

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As flores cresceram, derramando-se pelos degraus, abraçando o corrimão de ferro que parecia um braço protetor.

As suas cores vibrantes contrastavam com o cinzento austero da pedra, criando um espetáculo que atraía os olhares de todos os que passavam.

Os vizinhos começaram a chamar a casa de Maria "A Casa da Escadaria Florida".

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Mas o verdadeiro segredo da cor era que ela só aparecia para quem a procurava.

Tal como na fotografia de Mário Silva, onde o mundo em volta se tornava preto e branco para que as flores pudessem brilhar.

Maria costumava dizer ao seu neto: "O mundo pode parecer cinzento, meu querido, mas há sempre uma cor, um pequeno milagre à espera de ser visto. Basta olhar com o coração."

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E assim, a escadaria de pedra de Maria tornou-se mais do que um mero caminho para a sua porta.

Transformou-se num farol de esperança, uma lembrança viva de que mesmo nas estruturas mais sólidas e nos corações mais endurecidos pelo tempo, a beleza, a vida e a cor podem sempre florescer, se forem cultivadas com amor e persistência.

E a cada novo dia, as flores, no seu esplendor vibrante, sussurravam a todos os que passavam o segredo da cor na escadaria de pedra.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
16
Dez24

"Escadas Branquinhas"


Mário Silva Mário Silva

"Escadas Branquinhas"

16Dez DSC03786_ms

A fotografia "Escadas Branquinhas" de Mário Silva captura a essência da paisagem rural portuguesa, com um foco particular na arquitetura tradicional e nos elementos naturais.

A imagem retrata uma escadaria em pedra, coberta por uma fina camada de neve, que conduz a um espaço indeterminado.

As escadas, com os seus degraus irregulares e revestidos de musgo, evocam uma sensação de tempo e de história.

Ao fundo, uma parede de pedra, coberta de musgo e líquenes, cria um cenário rústico e acolhedor.

No primeiro plano, uma coroa de advento com velas coloridas contrasta com a brancura da neve, adicionando um toque de calor e de espiritualidade à composição.

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A fotografia apresenta uma composição equilibrada, com as escadas ocupando o centro da imagem.

A perspetiva adotada permite ao observador imaginar a jornada que se inicia ao subir os degraus.

A coroa de advento, posicionada no primeiro plano, cria um ponto focal e convida o olhar do observador para a parte inferior da imagem.

A luz natural incide sobre as escadas, criando sombras que acentuam a textura da pedra e a irregularidade dos degraus.

A combinação de luz e sombra confere à imagem uma atmosfera misteriosa e convidativa.

A paleta de cores da fotografia é marcada pela sobriedade dos tons de cinza, verde e branco, que evocam a sensação de um inverno rigoroso.

As velas coloridas da coroa de advento introduzem um toque de vivacidade e de esperança.

As escadas representam a jornada da vida, com os seus altos e baixos.

A neve simboliza a pureza e a renovação, enquanto a coroa de advento representa a espera e a esperança.

A combinação desses elementos cria uma imagem rica em significados, que convida à reflexão sobre o tempo, a vida e a espiritualidade.

A fotografia captura a essência da paisagem rural portuguesa, revelando a importância da arquitetura tradicional e da natureza na vida das comunidades locais.

As escadas em pedra, típicas das aldeias de montanha, são um testemunho da história e da cultura da região.

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O título "Escadas Branquinhas" é uma referência à cor da neve que cobre os degraus da escada.

Além disso, a palavra "branquinhas" evoca uma sensação de pureza e de inocência, que se contrapõe à aspereza da pedra e à passagem do tempo.

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Em conclusão, a fotografia "Escadas Branquinhas" de Mário Silva é uma obra poética e contemplativa, que convida o observador a uma vivência interior.

A imagem, com a sua composição equilibrada e a sua simbologia rica, transcende a mera representação de uma escada, tornando-se numa metáfora da vida e da passagem do tempo.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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