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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

24
Jul25

Entrada da Fortaleza de Valença (Portugal) ... e uma estória histórica


Mário Silva Mário Silva

Entrada da Fortaleza de Valença (Portugal)

... e uma estória histórica

24Jul DSC04322_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "Entrada da Fortaleza de Valença (Portugal)", apresenta um close-up impressionante de um dos portões de entrada desta notável fortificação.

A imagem foca-se na monumentalidade e na riqueza de detalhes arquitetónicos em pedra.

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Ao centro, domina um arco de volta perfeita, construído em blocos de granito bem aparelhados e envelhecidos, exibindo manchas claras de líquenes e musgo, testemunhos da passagem do tempo e da exposição aos elementos.

O túnel escuro por trás do arco sugere a profundidade das muralhas.

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Acima do arco, a estrutura é adornada com um brasão de armas esculpido em pedra, com uma coroa no topo e volutas barrocas que lhe conferem um ar solene e imponente.

Este brasão é ladeado por dois pináculos esféricos que repousam sobre pedestais, adicionando simetria e grandiosidade à composição.

Abaixo do brasão principal, um escudo menor com um desenho diferente também está esculpido.

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A estrutura de pedra do portão emerge de uma muralha robusta e irregular, feita de pedras de diferentes tamanhos, que se estende para os lados e para cima.

No topo da muralha, vislumbra-se alguma vegetação rasteira e erva seca, indicando que a fortaleza está inserida num ambiente natural.

A iluminação realça as texturas da pedra e a tridimensionalidade dos elementos esculpidos, conferindo à imagem uma atmosfera de história e imponência.

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A Estória Histórica: O Portal dos Dois Reinos

A Fortaleza de Valença, um colosso de pedra que se ergue orgulhosamente sobre o rio Minho, não é apenas um conjunto de muralhas; é um livro aberto da história, e a sua entrada principal, magnificamente captada na fotografia de Mário Silva, é a capa desse livro.

Erguida ao longo de séculos, esta fortaleza testemunhou inúmeras batalhas, tratados de paz e a passagem de gerações.

O brasão que coroa o portão, com as suas volutas barrocas e a sua imponência real, é mais do que um ornamento: é o símbolo de uma identidade forjada na fronteira.

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No século XVII, com a Restauração da Independência de Portugal, a Fortaleza de Valença assumiu um papel estratégico crucial.

O seu posicionamento fronteiriço com a Galiza, em Espanha, fez dela um bastião inexpugnável, um olho atento sobre o vizinho do lado.

O portão que vemos na fotografia, embora com remodelações posteriores, já era a principal boca da fortaleza, o ponto de passagem para comerciantes, soldados e espiões.

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Corria o ano de 1658, e a Guerra da Restauração arrastava-se.

Portugal, sob o domínio filipino por 60 anos, lutava para garantir a sua soberania.

Valença, por estar na linha da frente, era palco de constantes escaramuças e cercos.

As suas muralhas resistiram, mas a vida dentro delas era uma mistura de tensão e resiliência.

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O Governador de Valença, D. Gonçalo de Castelo Branco, um homem de ferro e fé, supervisionava pessoalmente a manutenção do portão.

Sabia que por ali passaria o destino da fortaleza.

O brasão, recentemente esculpido e ainda com o brilho da pedra nova, era uma lembrança constante da coroa portuguesa que defendiam.

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Uma manhã fria de inverno, um emissário espanhol, um fidalgo arrogante de nome Dom Rodrigo, apresentou-se no portão.

Trazia uma mensagem do General espanhol, que exigia a rendição imediata de Valença.

"Vossa Majestade Espanhola não tolerará mais esta insolência", terá dito Dom Rodrigo, com um desdém nos olhos que roçava a ofensa.

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  1. Gonçalo, que o esperava junto ao arco maciço, ouviu-o em silêncio, os seus olhos fixos no brasão real acima.

Quando Dom Rodrigo terminou, D. Gonçalo apontou para o escudo e para a coroa.

"Dizei ao vosso General, Dom Rodrigo, que este portão e estas pedras são a fronteira inexpugnável de um reino.

Enquanto este brasão erguer-se sobre nós, e enquanto houver um único soldado português dentro destas muralhas, Valença não se renderá. Passareis por este arco apenas com a nossa permissão e nunca como vitoriosos."

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Dom Rodrigo, furioso, virou costas.

Dias depois, as tropas espanholas tentaram um assalto, mas a Fortaleza de Valença, com o seu portão imponente e as suas muralhas robustas, resistiu bravamente, como sempre fizera.

 Os canhões trovejaram, as armas chocaram, mas o portão, guardado por bravos portugueses, nunca cedeu.

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A fotografia de Mário Silva, com a sua luz a incidir sobre a pedra gasta e o brasão orgulhoso, captura não só a arquitetura, mas o espírito daquele tempo.

É a porta para um passado de coragem e determinação, uma recordação de que cada fenda na pedra, cada mancha de líquen, conta uma história de resistência e de orgulho nacional.

É o portal onde Portugal se ergueu, pedra a pedra, face ao seu vizinho, um símbolo eterno da sua soberania e do seu povo inquebrantável.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
13
Abr25

"Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém" – Mário Silva (IA)


Mário Silva Mário Silva

"Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém"

Mário Silva (IA)

13Abr Domingo de Ramos

O desenho digital de Mário Silva, intitulado "Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém", retrata um momento significativo da tradição cristã, conhecido como a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém, que é celebrada pelos católicos no Domingo de Ramos.

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A ilustração mostra Jesus a entrar em Jerusalém montado num jumento, um símbolo de humildade e paz, em contraste com a entrada de reis ou líderes militares que geralmente usavam cavalos para demonstrar poder.

Ele está no centro da composição, com uma expressão serena, vestindo uma túnica azul e branca, e é recebido por uma multidão entusiasmada.

As pessoas ao seu redor seguram ramos de palmeiras e outras folhagens, que agitam em saudação, enquanto algumas parecem estar em êxtase, com os braços levantados.

A multidão é composta por homens, mulheres e crianças, todos vestidos com trajes típicos da época, como túnicas e mantos.

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Ao fundo, é possível ver a cidade de Jerusalém, com as suas muralhas, torres e construções de pedra, além de palmeiras e ciprestes que adicionam um toque de vegetação à cena.

A atmosfera é de celebração e reverência, capturando o momento em que Jesus é aclamado como um rei espiritual pela população.

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A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, narrada nos quatro Evangelhos (Mateus 21:1-11, Marcos 11:1-11, Lucas 19:28-44 e João 12:12-19), marca o início da Semana Santa, a semana mais importante do calendário litúrgico cristão, que culmina na Páscoa.

Para os católicos, esse evento tem múltiplos significados:

- A entrada de Jesus num jumento cumpre a profecia de Zacarias 9:9, que diz: "Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis que o teu rei vem a ti, justo e salvador, humilde, montado sobre um jumento."

 Isso reforça a crença de que Jesus é o Messias prometido.

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- Ao escolher um jumento em vez de um cavalo, Jesus demonstra que o seu reinado não é terreno ou militar, mas espiritual.

Ele vem como um rei de paz, amor e salvação, em contraste com as expectativas de um líder político que libertaria Israel do domínio romano.

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- Embora a entrada seja um momento de júbilo, ela também marca o começo dos eventos que levam à Paixão de Cristo.

Poucos dias depois, a mesma multidão que o aclama gritará pela sua crucificação, destacando a volubilidade humana e o sacrifício iminente de Jesus.

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- No contexto católico, o Domingo de Ramos é um dia de celebração, mas também de reflexão.

A liturgia desse dia inclui a bênção dos ramos e a leitura da Paixão de Cristo, preparando os fiéis para a jornada espiritual da Semana Santa, que os leva à morte e ressurreição de Jesus.

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O nome "Domingo de Ramos" vem do costume descrito nos Evangelhos, onde a multidão acolheu Jesus com ramos de palmeiras, um símbolo de vitória e realeza na cultura da época.

João 12:13 menciona especificamente que as pessoas "tomaram ramos de palmeiras e saíram ao seu encontro, clamando: 'Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!'".

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Na tradição católica, esse dia é celebrado com a bênção e distribuição de ramos (geralmente de palmeiras, oliveiras ou alecrim, dependendo da região), que os fiéis levam para casa como um símbolo de bênção e proteção.

Esses ramos também são queimados no ano seguinte para produzir as cinzas usadas na Quarta-feira de Cinzas, ligando os ciclos litúrgicos.

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Em conclusão, o desenho de Mário Silva captura a essência da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, um evento que, para os católicos, simboliza a realeza espiritual de Cristo, a sua humildade e o início de sua caminhada rumo à cruz.

O Domingo de Ramos, com os seus ramos e celebrações, é um momento de alegria, mas também de preparação para os eventos solenes da Paixão, morte e ressurreição de Jesus, que definem o cerne da fé cristã.

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Texto & Desenho digital: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
11
Abr25

"A porta norte do castelo de Monforte de Rio Livre" - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"A porta norte do castelo de Monforte de Rio Livre"

Águas Frias - Chaves - Portugal

11Abr DSC01004_ms

A fotografia de Mário Silva retrata a "porta norte do castelo de Monforte de Rio Livre", localizado em Águas Frias, Chaves, Portugal.

A imagem mostra uma pequena entrada em forma de arco, construída com pedras rústicas e desgastadas pelo tempo, cobertas por musgo e vegetação rasteira.

A estrutura parece sólida, mas com sinais de deterioração, típicos de construções medievais expostas aos elementos por séculos.

A porta é estreita e baixa, sugerindo que não era destinada a grandes movimentações, mas sim a um propósito mais específico.

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As pequenas entradas, como a porta norte do castelo de Monforte de Rio Livre, tinham uma importância tática crucial na arquitetura militar medieval.

- Controle de acesso e defesa: Portas pequenas, como a da fotografia, eram projetadas para limitar o número de pessoas que podiam entrar ou sair ao mesmo tempo.

Isso dificultava invasões em massa por inimigos, pois apenas um ou dois indivíduos podiam passar de cada vez, tornando-os alvos fáceis para os defensores dentro do castelo. Além disso, essas portas eram frequentemente protegidas por mecanismos defensivos, como ranhuras para barras ou portões internos.

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- Entradas secundárias para saídas estratégicas: Essas portas, conhecidas como postigos, eram usadas para saídas discretas ou missões furtivas.

Durante um cerco, os defensores podiam usá-las para enviar mensageiros, buscar suprimentos ou realizar ataques surpresa contra os sitiantes, sem expor as entradas principais do castelo.

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- Dificuldade de acesso para atacantes: A localização e o tamanho dessas portas eram estrategicamente planeados.

Muitas vezes, ficavam em pontos elevados ou de difícil acesso, como encostas ou áreas protegidas por outros elementos naturais ou artificiais.

A porta norte de Monforte de Rio Livre, por exemplo, parece estar numa área inclinada, o que dificultaria a aproximação de um inimigo com equipamento pesado, como aríetes.

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- Proteção contra armas de cerco: Portas pequenas eram menos vulneráveis a armas de cerco, como catapultas ou aríetes, que eram mais eficazes contra portões principais maiores.

A construção em arco, como a da fotografia, também aumentava a resistência estrutural, distribuindo melhor o peso e os impactos.

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- Uso em tempos de paz: Além da sua função defensiva, essas portas podiam ser usadas em tempos de paz para acesso de moradores ou para atividades rotineiras, como a entrada de suprimentos ou a saída de guarnições para patrulhas, sem a necessidade de abrir os portões principais, que demandavam mais esforço e vigilância.

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O castelo de Monforte de Rio Livre, situado em Águas Frias, Chaves, é um exemplo de fortificação medieval portuguesa, construído no século XII, durante o período de consolidação do reino de Portugal e das lutas contra os mouros e os reinos cristãos vizinhos, como Leão e Castela.

A sua localização na região de Trás-os-Montes, próxima à fronteira com a Espanha, reforça a sua importância estratégica para a defesa do território português.

Pequenas portas como a da fotografia eram elementos essenciais para a sobrevivência do castelo em tempos de conflito, garantindo tanto a segurança quanto a flexibilidade tática.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
10
Mai21

INTERIOR da IGREJA MATRIZ de ÁGUAS FRIAS – CHAVES - PORTUGAL


Mário Silva Mário Silva

INTERIOR da IGREJA MATRIZ

de

ÁGUAS FRIAS – CHAVES - PORTUGAL

Interior da igreja (maio de 2017) vista para a porta de entrada principal, o coro e o batistério (que já foi remodelado, tendo agora uma cercadura de pilares de madeira, com inteira visibilidade para a antiga pia batismal e ainda foi acrescentada uma pintura relativa ao batismo de Jesus por S. João Batista).

Embora seja uma vista menos comum para quem a fotografa, não resisti a fazê-lo, pois não será a visão de todos os que entraram, mas que inevitavelmente a terão que ver quando saem.

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Nem sempre a atenção é a mesma, pois quando se entra, vai-se com a devoção da oração e contemplação … mas a saída é, por vezes, mais apressada pois os afazeres terrenos muitas vezes sobrepõem-se aos espirituais. São as camas que ficaram por fazer, é a louça do pequeno almoço para lavar, é o assado que ficou no forno e ainda se queima, ou o arroz para fazer ou até a converseta que espera no adro e o aperitivo que se bebe com os amigos …

Às vezes, estes e outos afazeres turvam a devoção e a atenção… eis talvez a explicação para a pouca observação na hora de voltarmos as costas ao lindíssimo altar e voltar à “nossa” rotineira Vida terrena ….   

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Ver também:

https://www.facebook.com/mariofernando.silva.9803/

http://aguasfrias.blogs.sapo.pt

https://www.youtube.com/channel/UCH8jIgb8fOf9NRcqsTc3sBA...

https://twitter.com/MrioFernandoGo2

https://www.instagram.com/mario_silva_1957/

 

Mário Silva 📷

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