Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

31
Ago25

"Mais um agosto está a finar” … e um poema


Mário Silva Mário Silva

"Mais um agosto está a finar” … e um poema

31Ago DSC05758_ms

Mário Silva capta a paisagem de um campo de palha ceifado, sob um céu claro.

O campo, de cor dourada, estende-se até ao horizonte, onde se avista uma cadeia de montanhas em tons de azul e cinzento.

Em primeiro plano, dois fardos de palha, redondos, repousam no campo, como se estivessem à espera de algo.

A luz do sol da tarde incide sobre a palha, realçando a sua textura e a sua cor.

A imagem transmite uma sensação de melancolia e de fim de ciclo, como se o agosto estivesse a despedir-se, e o campo, antes cheio de vida, estivesse a ser preparado para o próximo outono.

.

Poema: O Fim do Agosto

.

O sol, cansado e lento,

dourou a palha no campo.

Mais um agosto se vai embora,

um adeus sem lamento.

.

Os fardos, redondos e quietos,

guardam a luz do verão.

Lá longe, a serra dorme,

em tons de azul, em cansaço.

.

O vento, um sopro de saudade,

leva consigo a vida que foi.

As promessas de um tempo bom,

a memória do que se foi.

.

O campo, antes vivo e verde,

agora em silêncio e dourado,

espera o outono que vem,

o inverno que será.

.

E o sol, já a finar,

deixa a sua marca no ar.

A certeza de que, apesar da dor,

mais um verão vai voltar.

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

.

Mário Silva 📷
05
Ago25

"O Sol brilha ...e a Festa da Aldeia aproxima-se" … e uma breve estória


Mário Silva Mário Silva

"O Sol brilha ...e a Festa da Aldeia aproxima-se"

… e uma breve estória

05Ago DSC00009 (3)_ms

A fotografia de Mário Silva captura uma cena rural sob a intensa luz do sol.

Em primeiro plano, a imagem é dominada pelas silhuetas escuras de duas árvores frondosas, cujos troncos e ramos se destacam contra o brilho ofuscante do sol.

O sol, no centro da composição, irradia uma luz dourada e amarelada que preenche grande parte do céu, criando um efeito de “flamejar” e um “halo” luminoso à volta das árvores.

.

A vegetação em primeiro plano, que parece ser erva seca e alguma folhagem rasteira, está também em contraluz, adquirindo tons quentes de dourado e castanho, banhada pela luz solar.

A atmosfera geral da fotografia é quente e um pouco etérea, sugerindo um final de tarde de verão.

A imagem transmite uma sensação de tranquilidade e a grandiosidade da natureza, realçando o poder e a beleza do sol.

.

Estória: A Promessa Dourada do Verão

Em cada verão, havia um dia que a aldeia inteira aguardava com uma ansiedade doce: o dia da Festa de Verão.

Era a altura em que a rotina das sementeiras e das colheitas cedia lugar à alegria do reencontro, ao barulho das concertinas e ao cheiro a sardinhas assadas que perfumava as noites.

Na fotografia de Mário Silva, o sol, num brilho intenso por entre as folhas de uma árvore, não era apenas a luz do dia; era a promessa da festa que se aproximava, um farol dourado no fim do cansaço.

.

Para o pequeno Tiago, de apenas sete anos, a festa era um mundo mágico.

Significava gelados, algodão doce, e a oportunidade de ver primos que só apareciam uma vez por ano.

Mas este ano, Tiago sentia algo mais.

Os seus avós, que sempre tinham sido o coração da festa – a avó Maria, com a sua mesa farta de iguarias, e o avô Joaquim, o contador de histórias junto à fogueira – pareciam mais cansados.

As suas vozes eram mais baixas, os seus passos mais lentos.

.

Tiago tinha ouvido os adultos sussurrarem que talvez este ano a festa não fosse tão grande.

Faltava gente, faltava mão-de-obra, faltavam os velhos braços que sempre erguiam os arcos e enfeitavam as ruas.

O coração de Tiago encolheu-se.

Uma festa menor? Como seria isso possível?

.

Todas as tardes, Tiago ia para o alto do monte, para o seu lugar secreto, onde duas árvores gigantes, irmãs em silêncio, se erguiam.

Dali, olhava para o sol, que se filtrava por entre as folhas, pintando o chão de ouro e sombra.

Era o mesmo sol que Mário Silva um dia capturaria na sua fotografia, com a sua luz quase ofuscante, a espalhar uma aura de esperança.

.

- Ó sol - sussurrava Tiago - faz com que a nossa festa seja a mais bonita de sempre.

Pelos meus avós, que tanto já deram a esta terra.

.

Os dias passavam e, na aldeia, a preparação da festa parecia arrastar-se.

Mas, como por magia, algo começou a mudar.

Um a um, os emigrantes que tinham partido anos antes, começaram a chegar mais cedo do que o habitual.

Trouxeram consigo filhos, netos, e uma nova energia.

As notícias dos receios da aldeia tinham-se espalhado, e a saudade, aliada à vontade de ajudar, trouxe-os de volta.

.

As mulheres mais novas, que agora tinham as suas próprias vidas nas cidades, arregaçaram as mangas e começaram a cozinhar ao lado da avó Maria, aprendendo os segredos das receitas antigas.

Os homens mais novos, com as suas forças renovadas, ajudaram o avô Joaquim a montar os arcos e as luzes.

O baloiço da Escola, onde as crianças da aldeia riam, parecia ter um novo balanço.

O som das marteladas, das vozes em festa, das gargalhadas ecoava pelos vales.

.

Quando o dia da Festa de Verão chegou, o sol brilhava no céu como um olho benevolente, exatamente como na fotografia de Mário Silva.

As árvores no alto do monte pareciam vibrar com a luz dourada.

A aldeia estava irreconhecível, cheia de cor, de música, de gente.

Era a festa mais vibrante que Tiago alguma vez vira.

.

Ele correu para os seus avós, que, rodeados por filhos e netos, sorriam com os olhos marejados de alegria.

- Avó! - exclamou Tiago - A festa é linda!

.

Maria apertou a mão do neto.

- Vês, meu filho? O sol brilha, sim. Mas é a luz das nossas gentes que faz a festa.

São as raízes que nos prendem a esta terra, a memória que nos traz de volta.

A festa não é só a celebração do verão; é a celebração do nosso povo, da nossa união.

.

Naquela noite, sob um céu estrelado, o avô Joaquim contou as suas histórias, e o canto das concertinas uniu gerações.

Tiago percebeu que a verdadeira beleza da festa não estava no algodão doce, mas no fio invisível que ligava cada um à sua aldeia, à sua história, e à luz dourada de um sol que, ano após ano, prometia recomeços e celebrações para as gentes de Trás-os-Montes.

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

.

Mário Silva 📷
04
Jan25

A águia dourada em Águas Frias (Chaves – Portugal) - “O extraordinário acontece …”


Mário Silva Mário Silva

A águia dourada em Águas Frias (Chaves – Portugal)

“O extraordinário acontece …”

04Jan DSC00295_ms

Era uma vez, numa manhã de inverno, quando o sol mal se atrevia a romper as densas nuvens cinzentas, a aldeia de Águas Frias parecia mergulhada num silêncio peculiar.

As chaminés soltavam fumaça preguiçosa, e cobria os campos como um manto de cristais.

.

Dona Anatércia, a anciã mais sábia da aldeia, estava sentada na sua cadeira de baloiço, envolta num xale quentinho, enquanto observava a rua principal pela janela da sua casa.

Era um dia como qualquer outro, até que um grito distante cortou a tranquilidade da manhã.

.

Os aldeões saíram das suas casas, curiosos e alarmados.

O som vinha da bela igreja (ainda barroca) no centro da aldeia.

O padre Emmanuel, um homem jovem e sempre sorridente, estava parado à porta, acenando freneticamente para que todos se aproximassem.

.

- Venham, venham todos! - clamava ele, a voz cheia de uma confusão de emoção e comoção.

.

Os aldeões apressaram-se até à igreja, com os passos ecoando pela rua empedrada.

Dentro, encontrei algo realmente espantoso: no altar, onde normalmente estava a imagem de São Pedro, havia agora uma imponente águia dourada, com olhos que brilhavam sob a luz das velas.

.

- É um sinal! - exclamou o senhor Joaquim, o pedreiro da aldeia, sempre propenso a acreditar em histórias fantásticas. - Um presságio!

.

Debate e murmúrios encheram o ar.

Uns acreditavam que a águia era um milagre, outros suspeitavam de um truque.

Mas ninguém conseguia explicar como uma criatura majestosa apareceu ali, nem como conseguia estar permanente tão tranquila, observando calmamente todos os presentes.

.

Dona Anatércia, que até então permaneceu em silêncio, mudou-se para o altar.

- Deixem-me ver - pediu ela, com uma voz suave, mas firme.

.

Com passos cuidadosos, Dona Anatércia chegou-se à frente da águia.

Olhou-a nos olhos, e por um momento, parecia que ambos, mulher e ave, estavam a comunicar sem palavras.

Então, a águia abriu as asas, revelando um brilho ainda mais intenso, e num movimento gracioso, levantou voo pelo corredor da igreja, saindo pela porta principal.

.

Lá fora, os aldeões viram a águia voar em direção ao bosque dos Barros, que se estendia além da aldeia, até desaparecer no horizonte.

O silêncio voltou a cair sobre Águas Frias, mas desta vez, carregado de uma nova energia, de um segredo partilhado por todos.

.

Naquela noite, à lareira, Dona Anatércia contou aos mais jovens que a águia dourada era uma guardiã das lendas antigas, uma mensagem que aparecia apenas em tempos de grande mudança.

- Talvez seja um aviso - disse ela, enigmática. - Ou talvez seja apenas para nos lembrar que o mundo está cheio de maravilhas que ainda não compreendemos.

.

E assim, a história da águia dourada de Águas Frias tornou-se parte do folclore da aldeia, um conto para aquecer as noites frias de inverno, lembrando a todos que mesmo na mais tranquila das aldeias, há sempre espaço para o belo e o extraordinário.

.

Conto & Fotografia: ©MárioSilva

.

.

Mário Silva 📷
28
Jul24

Antigo altar da capela particular (antes) dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

Antigo altar da capela particular (antes) dedicada

a Nossa Senhora dos Prazeres

Jul28  DSC02074_ms

De acordo com as informações disponíveis, o antigo altar da capela particular dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres era feito em madeira e apresentava as seguintes características:

-  O altar era provavelmente de estilo barroco, comum nas capelas portuguesas dos séculos XVII e XVIII.

-  O altar era feito de madeira talhada e dourada.

-  O altar era retangular, com um nicho central onde se encontrava a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres.

- O altar era decorado com colunas, colunas, frisos e outros elementos ornamentais típicos do estilo barroco.

-  A imagem de Nossa Senhora dos Prazeres era uma estátua de madeira policromada, com cabelo natural, provavelmente do século XVIII.

.

A demolição do antigo altar da capela particular dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres e a sua substituição por um novo altar moderno e incaracterístico representa uma perda significativa para o património cultural e religioso da região.

.

O antigo altar era uma obra de arte valiosa que testemunhava a história e a tradição da capela.

Era também um importante elemento da identidade da comunidade local, que se identificava com a sua beleza e significado religioso.

.

O novo altar, por outro lado, é um objeto sem alma que não tem qualquer valor histórico ou cultural.

É um mero objeto decorativo que não contribui para a identidade da capela ou da comunidade.

.

A decisão de demolir o antigo altar e construir um novo foi tomada, pelo proprietário, sem a opinião da comunidade local, o que gerou grande consternação e tristeza.

Esta decisão é um exemplo da crescente secularização da sociedade portuguesa e da perda de apreço pelo património religioso.

.

A demolição do antigo altar da capela particular dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres é um ato irreversível que representa uma perda significativa para o património cultural e religioso da aldeia, da região e da arte.

É importante que as autoridades competentes tomem medidas para proteger o património religioso e para garantir que este tipo de situações não se repita no futuro.

.

Recomendações (minha opinião, valendo o que vale):

Criar um inventário do património religioso da região.

Classificar as capelas e outros edifícios religiosos como monumentos de interesse público.

Promover a educação para o património religioso e cultural.

Envolver as comunidades locais na tomada de decisões sobre o património religioso, apoiando-se no conhecimento técnico de especialistas na área da arte religiosa.

.

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

Mário Silva 📷

Dezembro 2025

Mais sobre mim

foto do autor

LUMBUDUS

blog-logo

Hora em PORTUGAL

Calendário

Fevereiro 2026

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728

O Tempo em Águas Frias

Pesquisar

Sigam-me

subscrever feeds

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.