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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

18
Jan26

Cruzeiro do Senhor dos Milagres – Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

Cruzeiro do Senhor dos Milagres

Águas Frias – Chaves - Portugal

18Jan DSC00161_ms.JPG

A fotografia, captada de um ângulo superior (picado), apresenta um cruzeiro monumental protegido por uma estrutura de abrigo típica da arquitetura religiosa popular.

Quatro pilares de granito robustos sustentam um telhado piramidal de quatro águas, revestido com telha cerâmica envelhecida, que exibe manchas de líquenes e musgo.

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No centro da estrutura, destaca-se um painel de azulejos azul e branco com a imagem de Cristo Crucificado — o Senhor dos Milagres.

Na base, pequenos vasos com flores cor-de-rosa e brancas testemunham a manutenção viva do culto e a gratidão da comunidade.

O cruzeiro situa-se na berma do largo da Junta, alcatroada, delimitado por um gradeamento de ferro e um muro de pedra tradicional, inserindo-se harmoniosamente num cenário de vegetação outonal e ruralidade.

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O Cruzeiro – Uma Sentinela de Fé na Berma do Caminho

Os cruzeiros e alminhas são elementos indissociáveis da paisagem transmontana.

Na fotografia de Mário Silva em Águas Frias, o "Cruzeiro do Senhor dos Milagres" surge como mais do que um monumento: é uma coordenada espiritual que liga o viajante ao divino.

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A Arquitetura do Amparo

Diferente dos cruzeiros simples de pedra isolada, este exemplar possui uma cobertura.

Esta arquitetura não é apenas estética; simboliza o amparo e a proteção.

O telhado que guarda a imagem do Senhor dos Milagres reflete a ideia de que a fé deve ser preservada das intempéries, tal como a comunidade se protege sob a crença nos seus milagres.

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O Granito: Representa a perenidade e a dureza da vida na montanha.

O Azulejo: O azul e branco introduzem uma nota de luz e serenidade no cinzento da pedra.

As Flores: São o elo de ligação entre o sagrado e o quotidiano, representando promessas feitas ou agradecimentos alcançados.

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O Senhor dos Milagres: Esperança Comunitária

O título da fotografia remete para uma das invocações mais queridas do povo português.

O "Senhor dos Milagres" é a figura a quem se recorre nas horas de maior incerteza — seja por questões de saúde, colheitas ou proteção dos entes queridos.

Em Águas Frias, este cruzeiro funciona como um altar público, onde a religião sai das paredes da igreja para se encontrar com as pessoas no seu trajeto diário.

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Património e Identidade

Preservar um cruzeiro como este é manter viva a identidade de uma aldeia.

Num mundo que se move cada vez mais depressa, a fotografia de Mário Silva obriga-nos a abrandar.

Ela mostra que, na berma de uma estrada moderna, ainda há lugar para o silêncio, para a oração e para a memória dos antepassados que ergueram aquela estrutura.

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A originalidade desta imagem reside na perspetiva: ao olhar de cima, o fotógrafo coloca-nos numa posição de observadores protegidos, destacando a geometria do telhado e a humildade das ofertas florais, lembrando-nos que o sagrado está presente nos detalhes mais simples.

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"Um cruzeiro na estrada é um lembrete de que nunca caminhamos sozinhos;

há sempre um lugar de paragem para a alma."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
27
Nov25

"O largo; a sede da Junta de Freguesia; o cruzeiro de Nosso Sr. dos Milagres" - Águas Frias - Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

"O largo; a sede da Junta de Freguesia;

o cruzeiro de Nosso Sr. dos Milagres"

Águas Frias - Chaves – Portugal

27Nov DSC08973_ms

A fotografia de Mário Silva capta um amplo plano do largo principal da aldeia de Águas Frias, onde se encontram os elementos cívicos, administrativos e religiosos da comunidade, sob a luz clara de um dia de outono.

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A Sede da Junta de Freguesia: No lado esquerdo do plano, domina um edifício de dois pisos, com as paredes em pedra (granito) e uma varanda no piso superior.

O telhado é de telha tradicional.

O rés-do-chão apresenta inscrições identificativas ("Junta de Freguesia de Águas Frias") e algumas aberturas.

A estrutura é robusta e utilitária, tipicamente rural.

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O Cruzeiro: No lado direito, sob a sombra das árvores, encontra-se uma pequena estrutura religiosa que funciona como cruzeiro de rua.

Esta consiste num nicho emoldurado por um pequeno telhado sustentado por colunas, abrigando uma imagem de culto, Nosso Senhor dos Milagres, dado ser um cruzeiro.

A sua presença demarca o espaço sagrado no largo.

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O Largo e a Vegetação: O largo propriamente dito é um espaço amplo de pavimento simples, que serve de ponto de encontro e estacionamento.

Árvores de grande porte, com folhagem de outono em tons de verde, amarelo-dourado e vermelho intenso, emolduram a cena, sugerindo a transição da estação.

 O céu é limpo e azul.

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O Coração da Aldeia Transmontana – A Tripla Identidade do Largo

O largo principal de Águas Frias, Chaves, imortalizado na fotografia de Mário Silva, é o palco onde se manifestam os três pilares que estruturam a vida social e cultural da aldeia transmontana: o poder cívico (Junta), a fé (Cruzeiro) e a comunidade (Largo).

Este espaço é o verdadeiro coração da freguesia, um ponto de convergência de todos os caminhos.

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A Junta de Freguesia: O Poder Terreno

O edifício da Sede da Junta de Freguesia representa a autoridade local e a voz da comunidade.

Não se trata de uma simples repartição administrativa, mas sim do polo onde se resolvem os problemas quotidianos, se organizam os festejos e se mantêm as tradições.

Na arquitetura de granito e de linhas simples, o edifício simboliza a solidez e a resiliência das instituições rurais.

É o elo de ligação entre a aldeia e o município, garantindo que as necessidades dos habitantes, desde o arranjo dos caminhos à distribuição de água, sejam atendidas.

É o símbolo da vida organizada e da gestão coletiva.

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O Cruzeiro: O Elo com o Sagrado

A presença do Cruzeiro de Nosso Senhor dos Milagres lado a lado com a administração civil sublinha a profunda raiz religiosa que ainda impera nas comunidades transmontanas.

Estes pequenos altares ao ar livre são pontos de devoção espontânea e local.

O cruzeiro é um farol de fé, onde os lavradores, antes ou depois do trabalho, podem fazer uma breve oração.

Simboliza a esperança, a proteção e a constante busca por milagres que amparem a vida, muitas vezes dura, do campo.

É um lembrete de que a vida da aldeia é regida não só pelas leis humanas, mas também pelas leis divinas.

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O Largo: O Espaço da Comunidade

Por fim, o Largo é o palco da vida social.

É onde se dão os encontros após a missa, onde as crianças brincam e onde se realizam as festas anuais.

Rodeado pela vegetação do outono em tons vibrantes, este espaço aberto representa a liberdade, a partilha e o convívio.

O largo é o ponto de partida e o ponto de chegada.

Ao unir a administração (Junta) e a fé (Cruzeiro), este espaço encapsula a identidade completa da aldeia: uma comunidade que se apoia na organização prática, mas que encontra o seu conforto e a sua força na espiritualidade e na tradição.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
26
Out25

Capela da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro - Fiães – Valpaços – Portugal


Mário Silva Mário Silva

Capela da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Fiães – Valpaços – Portugal

26Out DSC01854_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada “Capela da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro" em Fiães, Valpaços, Portugal, capta uma cena de arquitetura religiosa e popular com uma tonalidade sépia e quente.

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O elemento central é a Capela, uma estrutura rústica, mas sólida, construída em cantaria de granito de cor ocre.

A fachada apresenta uma série de arcos arredondados (dois visíveis), que conduzem à entrada. O telhado é coberto por telha de barro avermelhada, que se destaca contra o céu esbranquiçado.

Na frontaria da capela, eleva-se uma pequena torre sineira ou campanário, também em granito, rematada por uma cruz.

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Em primeiro plano e à direita, destaca-se um cruzeiro ou padrão robusto, feito do mesmo granito, com uma cruz no topo.

À sua base, um vaso preto com flores rosadas e verdes adiciona um toque de cor e vida.

No lado esquerdo, nota-se uma construção mais moderna e simples, com paredes de blocos de cimento e um telhado de telha vermelha, que ladeia a capela, ilustrando o convívio entre o passado e o presente.

O chão é de terra batida e passeio de pedra.

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O Refúgio de Pedra e a Fé Diária: A Capela de Fiães

A Capela da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Fiães, Valpaços, não é apenas um edifício; é um santuário de resistência e devoção na paisagem transmontana.

A fotografia de Mário Silva capta a essência desta fé simples e profunda, onde o granito e a pedra não são apenas materiais de construção, mas guardiões de séculos de orações.

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A Arquitetura do Amparo

O que impressiona na Capela de Fiães é a sua sobriedade ancestral.

A cantaria de granito, robusta e ligeiramente desgastada pelo tempo, confere-lhe um ar de permanência inabalável.

As aberturas em arco de volta perfeita convidam o fiel ao recolhimento, sugerindo um abraço protetor.

O nome da padroeira, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, espelha-se perfeitamente na sua arquitetura: a capela é um refúgio constante numa terra de vida árdua.

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A pequena torre sineira não precisa de ser alta para ser importante.

O seu sino, por séculos, marcou o ritmo da vida na aldeia: o tempo da missa, o tempo do trabalho e o tempo da partida e do regresso.

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O Diálogo entre o Sagrado e o Comunitário

A imagem é rica em detalhes que unem o sagrado ao quotidiano.

O Cruzeiro no primeiro plano, com a sua cruz tosca de pedra, serve como um marco visual e espiritual para os que chegam, simbolizando a proteção de Cristo sobre a comunidade.

A presença das flores frescas na sua base é um sinal de que a devoção é viva e mantida com carinho pelos habitantes de Fiães.

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O contraste com a construção moderna à esquerda é eloquente.

A capela antiga não foi demolida nem substituída; foi integrada no tecido contemporâneo da aldeia.

Isto demonstra que, em Fiães, a história e a fé não são relíquias do passado, mas pilares ativos da vida presente.

O lar e o templo coexistem, sublinhando a forma como a fé está intrinsecamente ligada ao lar e à vizinhança na cultura transmontana.

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Perpétuo Socorro: A Fé Resiliente

Valpaços, tal como grande parte de Trás-os-Montes, é uma região que soube o que é a dificuldade, a emigração e o trabalho duro na terra.

A devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, cuja iconografia representa o auxílio constante e imediato, é particularmente significativa aqui.

A imagem da Virgem, mesmo que não visível na foto, é o centro do amparo.

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Esta capela, com a sua simplicidade de pedra, não celebra o luxo, mas a resiliência.

É o lugar onde as gentes de Fiães trazem as suas alegrias e, principalmente, as suas aflições, buscando a força para continuar.

É um monumento à esperança, construído não por grandes mestres, mas pelo esforço coletivo e pela fé inabalável de uma comunidade que sabe que, mesmo sob um céu por vezes cinzento, há um socorro que é, e sempre será, perpétuo.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
25
Ago25

Invulgar Cruzeiro de Santa Apolónia – Mairos – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

Invulgar Cruzeiro de Santa Apolónia

Mairos – Chaves – Portugal

25Ago DSC03412_ms

Esta fotografia de Mário Silva foca-se num cruzeiro de pedra, incomum pela figura que o coroa.

A estátua, esculpida em pedra rústica, apresenta uma figura humana de corpo inteiro, sem braços, com um capuz na cabeça e as pernas juntas, como se estivesse envolta num manto.

A sua forma alongada e a expressão austera e anónima do rosto conferem-lhe um aspeto enigmático.

A estátua está colocada sobre uma base esférica de pedra, que repousa sobre uma coluna (não visível na totalidade).

No fundo, um telhado de telhas de barro de cor laranja-claro e uma parede de cimento com textura servem de pano de fundo.

A luz do sol incide sobre a estátua, realçando a sua textura rugosa e a sua antiguidade.

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O Enigma do Cruzeiro de Santa Apolónia - Uma Peça Única na Paisagem de Chaves

A fotografia de Mário Silva do cruzeiro de Santa Apolónia, em Mairos, Chaves, capta um monumento que se destaca na paisagem de Trás-os-Montes não pela sua beleza convencional, mas pela sua singularidade e mistério.

Este cruzeiro, com a sua estátua invulgar, é um convite a uma reflexão sobre a história, a arte e a fé que moldaram esta região.

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A Origem e a Singularidade

Os cruzeiros, como símbolos da fé cristã, são elementos comuns em Portugal.

Servem como marcadores de devoção, de território ou de eventos importantes.

No entanto, o cruzeiro de Mairos é notavelmente diferente.

Em vez da representação clássica de Jesus Cristo crucificado, ele é encimado por uma figura humana de forma rudimentar, com o corpo estreito e o capuz a cobrir-lhe a cabeça.

Esta representação é incomum e levanta várias questões sobre a sua origem e significado.

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Possíveis Interpretações

A figura pode ser interpretada de várias formas.

Uma delas é a de que se trata de uma representação de Santa Apolónia, a padroeira do local.

Santa Apolónia foi uma virgem mártir, que, segundo a tradição, teve os seus dentes arrancados durante a perseguição aos cristãos no século III.

Embora a figura não apresente qualquer elemento que a associe diretamente a esta história, a sua pose, com as mãos cruzadas sobre o peito, pode sugerir uma atitude de resignação e de fé.

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Outra interpretação é que a figura pode ser uma representação de um eremita ou de um santo penitente.

A forma minimalista e austera da escultura, com o corpo coberto por um manto, evoca a imagem de uma vida dedicada à contemplação e à solidão.

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Há ainda a possibilidade de que o cruzeiro seja de uma época mais antiga, possivelmente pré-cristã, e que tenha sido reutilizado e reinterpretado com o passar do tempo.

A sua forma rudimentar e a sua falta de detalhe podem ser um sinal da sua antiguidade.

A própria escultura é um testemunho da capacidade de uma comunidade de criar símbolos que resistem ao tempo.

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O Valor da Autenticidade

A beleza deste cruzeiro reside na sua autenticidade.

Ele não é uma obra de arte perfeita, mas uma peça com alma, com a marca do tempo e da fé de uma comunidade.

Em vez de ser "restaurado" para corresponder a uma estética moderna, o seu estado atual é um testemunho da sua história e da sua identidade.

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Em suma, a fotografia de Mário Silva do cruzeiro de Santa Apolónia é mais do que um registo visual.

É um convite a explorar o mistério da história, a riqueza da arte popular e a força da fé.

O cruzeiro de Mairos, com a sua figura enigmática, é um símbolo da resistência do tempo e da beleza que se encontra naquilo que é único e invulgar.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
30
Jul25

"O Lampião do Cruzeiro do Senhor dos Milagres" (Águas Frias - Chaves - Portugal) e uma estorinha fantástica


Mário Silva Mário Silva

"O Lampião do Cruzeiro do Senhor dos Milagres"

(Águas Frias - Chaves - Portugal)

... e uma estorinha fantástica

30Jul DSC08262_ms

Esta fotografia de Mário Silva, intitulada "O Lampião do Cruzeiro do Senhor dos Milagres" (Águas Frias - Chaves - Portugal), é uma composição minimalista e atmosférica que foca um lampião suspenso.

A imagem é dominada por um plano de fundo em tons de cinzento claro e escuro, que representa o pavimento, subindo em direção a um horizonte onde se vislumbram tons mais claros, quase etéreos, de luz dourada.

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No lado esquerdo, uma coluna do cruzeiro de pedra robusta, com uma textura granular e cor acastanhada clara, enquadra a cena, sugerindo que o lampião está pendurado numa estrutura maior, o cruzeiro do Senhor dos Milagres.

Pendurado por uma corrente fina, no lado direito do pilar de pedra, encontra-se um lampião antigo.

Este é feito de metal escuro, com as suas faces de vidro amareladas, indicando que uma luz amarela bruxuleia no seu interior.

O design do lampião é clássico, com uma estrutura metálica que envolve os painéis de vidro.

 A parte superior tem uma argola de suspensão e um pequeno chapéu.

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A luz dourada no horizonte parece ser a fonte de iluminação, criando um halo de mistério e talvez o pôr do sol.

A composição é simples, mas evocativa, transmitindo uma sensação de quietude, observação e a passagem do tempo, com um toque de misticismo conferido pela luz e pelo próprio lampião.

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A Estória Fantástica: O Lampião dos Desejos Perdidos

Em Águas Frias, para além dos caminhos de pedra e dos muros antigos, há um lugar especial: o Cruzeiro do Senhor dos Milagres.

É um cruzeiro antigo, feito de granito gasto pelo tempo, e sobre ele pendia um lampião de ferro e vidro, o mesmo que Mário Silva capturou na sua fotografia, quase suspenso entre dois mundos.

Não era um lampião comum.

Este lampião, dizia a lenda, guardava os desejos perdidos.

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Havia muito, muito tempo, quando as estrelas caíam para a terra como orvalho e as fadas dançavam nas névoas da manhã, um jovem artesão de nome Gabriel foi incumbido de forjar o lampião para o recém-erguido Cruzeiro.

Gabriel era um sonhador, com o coração cheio de desejos que pareciam impossíveis: queria que a sua amada, Lisa, que partira para terras distantes, regressasse; queria que a sua aldeia, tão pobre, florescesse; queria que as pessoas nunca perdessem a esperança.

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Enquanto forjava o lampião, Gabriel infundiu cada batida do martelo com um desses desejos.

Quando o lampião foi pendurado, na primeira noite, uma luz amarela e bruxuleante acendeu-se sozinha no seu interior, mesmo sem chama visível.

Não era o fogo comum, mas a essência dos desejos de Gabriel.

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A partir desse dia, sempre que alguém em Águas Frias perdia um desejo – um sonho que parecia inalcançável, uma esperança que desvanecia – essa luz do lampião aumentava de intensidade.

Era como se o lampião recolhesse a energia desses desejos esquecidos, armazenando-os na sua pequena alma de vidro e metal.

Os anciãos da aldeia diziam que o lampião era um repositório de sonhos, um farol para almas perdidas.

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Mas a lenda tinha um pequeno "senão".

O lampião só libertaria um desejo perdido se uma alma pura, num momento de desespero genuíno, pedisse algo não para si, mas para outro.

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Séculos passaram.

A luz do lampião flutuava, ora mais intensa, ora mais ténue, à medida que os desejos se perdiam e se acumulavam.

As pessoas viam o lampião como um símbolo, mas poucos se lembravam da sua verdadeira magia.

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Até que, numa noite fria e escura, a pequena Inês, uma criança com o coração mais puro de Águas Frias, sentou-se junto ao cruzeiro.

A sua avó, a última da sua família, estava muito doente, e Inês desejava com toda a sua força que ela ficasse bem.

Mas não pediu por si.

Pediu pela alegria da avó, pelas suas histórias e pelo seu sorriso.

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- Ó lampião - sussurrou Inês, com as lágrimas a escorrer-lhe pelo rosto - Eu não peço que a minha avó fique bem para mim.

Peço que ela se cure para que possa ver as flores da primavera, contar mais histórias às outras crianças e sentir o sol na sua pele. Que a sua alegria volte.

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Mal acabou de falar, a luz do lampião, que Mário Silva mais tarde capturaria com os seus raios dourados no fundo, intensificou-se subitamente.

Uma onda de calor e uma melodia suave, quase impercetível, emanaram do lampião.

As águas frias do ribeiro, que davam nome à aldeia, pareceram cintilar com um novo brilho.

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Na manhã seguinte, a avó de Inês acordou, sentindo-se melhor do que nunca em anos.

O seu sorriso, que se perdera por tanto tempo, regressou.

E ninguém em Águas Frias percebeu o que tinha acontecido, a não ser Inês e, talvez, o velho cruzeiro.

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Desde então, o Lampião do Cruzeiro do Senhor dos Milagres, capturado na fotografia como um ponto de luz no vasto desconhecido, continua a recolher desejos perdidos.

Mas agora, os habitantes de Águas Frias, inspirados pela história de Inês, olham para ele com um novo entendimento.

Sabem que, em algum lugar, na sua luz amarelada e bruxuleante, reside a magia da esperança e o poder dos desejos que são oferecidos sem egoísmo, prontos a serem libertados por uma alma que saiba pedir, não para si, mas para o amor do outro.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
16
Fev25

"O Cruzeiro" (Vila Frade – Chaves – Portugal)


Mário Silva Mário Silva

"O Cruzeiro"

(Vila Frade – Chaves – Portugal)

16Fev DSC07634_ms

A fotografia de Mário Silva captura a serenidade e a espiritualidade de uma paisagem rural portuguesa, com um cruzeiro de pedra como elemento central.

A cruz, simples e imponente, está erguida sobre um pedestal de pedra, num espaço aberto e tranquilo.

Ao fundo, um muro de pedra e algumas árvores completam a composição, criando um ambiente bucólico e convidativo à reflexão.

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Os cruzeiros são elementos emblemáticos da paisagem rural portuguesa, com uma rica história e um profundo significado cultural.

A sua origem remonta aos primeiros séculos do cristianismo e sua evolução ao longo dos séculos espelha as transformações sociais e religiosas do país.

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Os primeiros cruzeiros em Portugal surgiram nos primórdios da cristianização, no período visigótico.

Eram, na sua maioria, cruzes simples, esculpidas em pedra, erguidas em locais estratégicos, como encruzilhadas e caminhos, com o objetivo de marcar o território cristão e proteger os viajantes.

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Com a consolidação do cristianismo, os cruzeiros adquiriram um significado cada vez mais profundo, tornando-se símbolos da fé e da devoção.

Eram frequentemente associados a milagres, aparições e outras manifestações da religiosidade popular.

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Ao longo dos séculos, os cruzeiros evoluíram em termos de forma e ornamentação.

Inicialmente, eram cruzes simples, esculpidas em pedra.

Com o passar do tempo, tornaram-se mais elaborados, com a adição de elementos decorativos como volutas, flores e figuras humanas.

A partir do século XVI, com a influência do Renascimento, os cruzeiros adquiriram um caráter mais artístico, com esculturas mais elaboradas e detalhes arquitetónicos mais sofisticados.

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Os cruzeiros desempenharam diversas funções ao longo da história:

- Religiosa: Marcar lugares sagrados, proteger os viajantes e celebrar eventos religiosos.

- Social: Servir como pontos de encontro e de referência para as comunidades locais.

- Memorial: Homenagear pessoas ou eventos importantes.

- Divisória: Marcar limites territoriais ou propriedades.

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Os cruzeiros estão profundamente enraizados na cultura popular portuguesa.

Muitas lendas e tradições estão associadas a estes monumentos, como a crença de que os cruzeiros protegiam as aldeias de pragas e desastres naturais.

As romarias aos cruzeiros eram eventos importantes na vida das comunidades rurais, reunindo as pessoas em torno de práticas religiosas e festividades.

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Com a secularização da sociedade, a importância religiosa dos cruzeiros diminuiu.

No entanto, eles continuam a ser um elemento importante do património cultural português, valorizados pela sua beleza estética e pelo seu significado histórico.

Muitos cruzeiros foram alvo de obras de restauro e conservação, garantindo a sua preservação para as futuras gerações.

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Os cruzeiros possuem um significado profundo para o povo português, tanto do ponto de vista religioso como cultural.

Os cruzeiros são elementos fundamentais da paisagem religiosa portuguesa, marcando lugares sagrados e servindo como pontos de referência para as procissões e romarias.

Os cruzeiros eram utilizados para marcar os caminhos entre as aldeias, servindo como pontos de orientação para os viajantes.

Acreditava-se que os cruzeiros tinham o poder de proteger as comunidades das calamidades e dos males.

Os cruzeiros são testemunhas da história e da fé das comunidades locais, muitas vezes associados a lendas e tradições populares.

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Em resumo, a fotografia "O Cruzeiro" de Mário Silva é uma obra que nos convida a refletir sobre a importância da fé e da tradição na cultura portuguesa.

A imagem, com a sua beleza simples e a sua carga simbólica, é um testemunho da profunda ligação entre o homem e a natureza, e da busca por um sentido transcendente.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
02
Fev25

"O Cruzeiro do Senhor dos Milagres" - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"O Cruzeiro do Senhor dos Milagres"

Águas Frias - Chaves - Portugal

02Fev DSC04269_ms

A fotografia de Mário Silva captura o "Cruzeiro do Senhor dos Milagres" em Águas Frias, Chaves, Portugal.

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O cruzeiro é apresentado dentro de uma pequena capela com quatro colunas de pedra que sustentam um telhado de telhas vermelhas, típico da arquitetura regional.

A estrutura é simples, mas robusta, refletindo a tradição e a importância cultural e religiosa do local.

A cruz azul, da azulejaria portuguesa, com a imagem do Senhor dos Milagres é o foco central da imagem, destacando-se pelo contraste de cores e pela sua posição elevada.

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A presença de flores e velas na base do cruzeiro sugere que é um local de veneração ativa, onde os fiéis vêm prestar homenagem e orar.

A lanterna pendurada na estrutura adiciona um toque de cuidado e tradição, sugerindo que o local pode ser iluminado durante a noite, aumentando sua sacralidade.

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A envolvente do cruzeiro, com árvores e vegetação, cria um ambiente sereno e contemplativo, que convida à reflexão e à oração.

A localização no largo da Junta de Freguesia indica que este é um ponto central da comunidade, integrando a fé na vida diária dos habitantes.

De notar que este cruzeiro já esteve num antigo cemitério da aldeia, que após a sua extinção, foi removido e implantado no local atual.

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O Senhor dos Milagres é uma figura venerada em várias partes do mundo, mas em Portugal, esta devoção tem raízes profundas, muitas vezes associadas a milagres e proteção divina.

A localização original no cemitério pode simbolizar a crença na vida após a morte e na intercessão divina.

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Para os crentes portugueses, a devoção ao Senhor dos Milagres pode ser uma manifestação de fé em tempos de dificuldade, pedindo por milagres ou agradecendo por graças recebidas.

Este tipo de devoção reforça a identidade cultural e religiosa da comunidade, unindo-a através de práticas comuns.

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O Senhor dos Milagres, representado na cruz, simboliza esperança, fé e a crença no poder divino de realizar o impossível.

A escolha de uma cruz azul pode simbolizar a pureza e a divindade, contrastando com o vermelho das telhas, que pode representar o sacrifício e o amor.

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A presença de oferendas como flores e velas mostra uma participação ativa da comunidade, indicando que a devoção é uma prática viva e comunitária.

A localização no largo da Junta de Freguesia sugere que a fé é um componente integral da vida pública e social.

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Em resumo, a fotografia de Mário Silva não apenas captura um monumento religioso, mas também encapsula a profundidade da devoção ao Senhor dos Milagres em Portugal, refletindo tanto a tradição histórica quanto a vivacidade da fé na comunidade local.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
21
Set24

"Cruzeiro da aldeia de Parada (Sanfins - Chaves – Portugal)"


Mário Silva Mário Silva

"Cruzeiro da aldeia de Parada

(Sanfins - Chaves – Portugal)"

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A fotografia apresenta um "Cruzeiro" localizado na aldeia de Parada, em Sanfins, Chaves, Portugal.

O "Cruzeiro" é uma estrutura de pedra com uma base circular maciça e um fuste cilíndrico, no topo do qual se encontra uma cruz.

O cruzeiro, marcado pelo tempo e pela exposição aos elementos, exibe sinais de desgaste natural, como musgo e manchas de líquen, que se destacam na superfície da pedra.

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Ao fundo, podemos ver uma construção típica da região, com paredes de pedra e um telhado de telhas de barro avermelhadas, evidenciando o estilo arquitetónico tradicional das aldeias do norte de Portugal.

A fachada da construção parece envelhecida, com janelas antigas e portas de madeira envelhecidas pelo tempo.

Algumas roupas penduradas a secar ao sol adicionam um toque de vida quotidiana ao cenário, refletindo a simplicidade e o caráter autêntico da vida rural portuguesa.

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A luz do sol, provavelmente captada no final da tarde, proporciona uma tonalidade quente à fotografia, destacando o contraste entre o cruzeiro de pedra e o fundo rústico da casa.

A composição é centrada no cruzeiro, destacando a sua importância e imponência na praça da aldeia.

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A fotografia de Mário Silva capta com precisão a essência e a atmosfera da ruralidade portuguesa, especialmente no que diz respeito à arquitetura vernacular e à presença histórica dos cruzeiros nas aldeias.

O uso da luz natural e o enquadramento centralizado do cruzeiro permitem que o observador sinta a presença robusta e espiritual desse elemento religioso e cultural, que tem uma importância significativa na cultura local.

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A imagem transmite um sentimento de nostalgia e de respeito pelas tradições e crenças que moldaram o modo de vida das aldeias portuguesas ao longo dos séculos.

O contraste entre a robustez da pedra e a fragilidade da madeira envelhecida nas janelas e portas ao fundo simboliza, de certa forma, a resistência da fé e da cultura perante a passagem do tempo.

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Os cruzeiros são monumentos religiosos comuns em muitas aldeias de Portugal, especialmente no Norte.

Eles desempenham um papel importante tanto do ponto de vista espiritual quanto cultural.

Tradicionalmente, os cruzeiros eram erguidos em locais estratégicos, como entradas de aldeias, encruzilhadas, praças centrais, cemitérios ou caminhos peregrinos, simbolizando proteção divina e demarcação de território sagrado.

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Os cruzeiros são pontos de oração e reflexão para os habitantes locais e peregrinos.

Muitas vezes, são erigidos para comemorar eventos religiosos ou milagres, ou simplesmente como símbolos de fé.

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Representam a identidade das comunidades rurais e a sua herança histórica.

Cada cruzeiro é único, muitas vezes esculpido localmente com estilos e elementos decorativos que refletem a história e a cultura da aldeia.

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Historicamente, os cruzeiros serviam como pontos de orientação para viajantes e como símbolos de proteção para quem entrava ou saía da aldeia.

Acreditava-se que traziam proteção espiritual contra males e infortúnios.

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Muitos cruzeiros datam da Idade Média e do Renascimento, tendo grande valor patrimonial.

Eles são testemunhos da arte sacra portuguesa, mostrando a evolução da escultura em pedra e da iconografia religiosa ao longo dos séculos.

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Em conclusão, a fotografia de Mário Silva não apenas captura a estética e a simplicidade do cruzeiro de Parada, mas também convida a refletir sobre a importância cultural e histórica dos cruzeiros nas aldeias de Portugal.

Eles são mais do que monumentos religiosos; são símbolos de fé, história, e identidade que resistem ao tempo e continuam a ser pontos de referência e reflexão para as comunidades que os cercam.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
07
Abr23

6.ª FEIRA SANTA


Mário Silva Mário Silva

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6.ª FEIRA SANTA

07 DSC08522_ms

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Segundo a tradição cristã, a ressurreição de Cristo aconteceu em um domingo, no dia 14 de Nisã, de acordo com o calendário hebraico.

Assim sendo, contando a partir do domingo, e sabendo que o costume judaico contava o primeiro e o último dia, concluiu-se que Jesus morreu numa sexta-feira.

Atualmente, a escolha da data é feita baseada na primeira lua cheia após o equinócio da primavera.

Nesta data, acontecem diversos rituais religiosos. A Igreja Católica aconselha aos fiéis cristãos a fazerem algum tipo de penitência, como jejum e a abstinência de carne ou de qualquer ato que se refira ao prazer mundano.

Procissões e reconstituições da Via Sacra de Caaró (caminho que Cristo teria percorrido ao carregar a cruz antes de morrer) são alguns dos rituais mais populares.

A adoração da cruz pelos católicos também é um símbolo que representa as tradições típicas da Sexta-Feira da Paixão. Muitos devotos costumam beijar os seus crucifixos em sinal de respeito e eterno agradecimento a Jesus, por ter se sacrificado em prol da humanidade.

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Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
11
Mai20

CASAS de MONFORTE (Águas Frias) – CHAVES - PORTUGAL


Mário Silva Mário Silva

 

CASAS de MONFORTE

(Águas Frias) – CHAVES - PORTUGAL

A Aldeia de Casas de Monforte pertence à freguesia de Águas Frias, concelho de Chaves, distrito de Vila Real, região de Trás-Os-Montes - PORTUGAL

Casas de Monforte, é uma aldeia antiga, com um imponente edifício, denominado de Casa do Mosteiro pertencente à família Chaves que possuía pedra de armas. Associada a esta casa está a capela do Santo Cristo, onde se situa um nicho das Almas do Purgatório, uma sineta datada de 1607 e um artístico cruzeiro abrigado pela galilé da capela.

Cruzeiro de Santo Cristo - Casas de Monforte -Chaves - PORTUGAL

Reza a tradição que todo este património teria sido construído por dois frades em observância das regras de uma ordem. Teriam realizado uma peregrinação, a pé, até Roma donde foram portadores, no regresso, de muitas indulgências para a sua capelinha do Santo Cristo.

A aldeia situa-se praticamente toda ao longo de uma comprida rua, elevando-se no cimo dela, a igreja de Santa Marinha, padroeira da igreja. Acima da aldeia está a capela do Senhor dos Aflitos.

Na envolvente da aldeia existem várias memórias arqueológicas entre as quais se destaca um lagar cavado na rocha, um menir com cruciformes insculpidos e uma rocha nas Meias, que ostenta diversos motivos da arte rupestre, tão abundante na região.

Contam as muitas lendas que debaixo dessas belas pedras existiriam tesouros de ouro enterrados e, por isso, os "caça tesouros" profanaram esses locais à procura das riquezas que aí estariam escondidas.

Outra lenda refere que antigamente as raparigas iam a esse local, lançar pedrinhas ao menir na persuasão de que tantos anos estariam solteiras quantas tivessem que atirar, antes de em cima, ficar uma.

in: https://casasdemonforte.blogs.sapo.pt/9973.html

 

https://www.facebook.com/mario.silva.3363

https://mariosilva2020.blogs.sapo.pt 

 

 

 

 

Mário Silva 📷
07
Mai20

Avelelas - Águas Frias - Chaves


Mário Silva Mário Silva

 

AVELELAS

 

Avelelas é uma aldeia pertencente à freguesia de Águas Frias, concelho de Chaves, distrito de Vila Real – Portugal.  

Avelelas está situada a uma altitude de 759 metros.

 

Avelelas - Águas Frias - Chaves

 

Quem cruza as terras de Monforte de Rio Livre não pode ficar indiferente a Avelelas.

O lugar é detentor de um património que se perde na memória, apenas preservado por uma epígrafe ou pelo sulco gravado no granito.

Disso é exemplo a ara romana que se conserva na igreja de Nossa Senhora da Natividade que, por sua vez, data de 1699.

Um pouco mais para sul do lugar de Avelelas, o imponente lagar escavado na rocha ilustra a dimensão e potencial agrícola da região noutros tempos.

 

in: https://www.avivar.pt/avelelas.php

 

 

 

Mário Silva 📷
10
Abr20

Águas Frias (Chaves) - ... Sexta feira Santa ... 2020


Mário Silva Mário Silva

 

Sexta-feira Santa

Este ano tudo está diferente ...

Tempo que proporciona mais recolhimento, mais reflexão, mais importância à Familia, mais importância a quem sofre, mais valor pela saúde, mais reconhecimento por Aquilo que não vemos

mas que acreditamos  ...

 

 

 

Mário Silva 📷
08
Fev20

Águas Frias (Chaves) - ... a cancela da estrada ...


Mário Silva Mário Silva

 

 

 

A CANCELA DA ESTRADA

 

Aguas Frias (Chaves) - ... a cancela /vedação ...

... a cancela /vedação ...


Bate a cancela da estrada
Constantemente.

Cavaleiro, à disparada,
Lá vai no cavalo ardente.
Cavaleiro em descuidada
Marcha, lá vem indolente.

Passa, ondeia levantada
A poeira, toldando o ambiente.

Bate a cancela da estrada
Constantemente.
 
 

Aguas Frias (Chaves) - ... os tanques que já foram mas não são ...

... os tanques que já foram, mas que agora já não estão ...



Bate, e exaspera-se e brada
Ou chora contra o batente:
(Ninguém lhe ouve na arrastada,
Roufenha voz o que sente)

— "Minha vida desgraçada
Repouso não me consente;
Vivo a bater nesta estrada
Constantemente."
 
 

Aguas Frias (Chaves) - ... pela rua da Lampaça ...... pela rua da Lampaça ...

 

Moços, moças, de tornada
De alguma festa, em ridente
Chusma inquieta e alvoroçada,
Passaram ruidosamente.

Desta inda se ouve a risada,
Daquele o beijo... Plangente

Bate a cancela da estrada
Constantemente.
 

Aguas Frias (Chaves) - ... o cabaz das saborosas maçãs e o cão que as guarda ... ... o cabaz das saborosas maçãs e o cão que as guarda ...

 

Agora, é noiva coroada
De capela alvinitente;
Segue o noivo a sua amada,
Um carro atrás, outro à frente.

Agora, é uma cruz alçada...
Um enterro. Quanta gente!

Bate a cancela da estrada
Constantemente.

Bate ao vir a madrugada,
Bate, ao ir-se o sol no poente;
(Das sombras pela calada
Seu bater é mais dolente)

Bate, se é noite enluarada,
Se escura é a noite e silente;

Bate a cancela da estrada
Constantemente.
 

Aguas Frias (Chaves) - ... o cruzeiro do Senhor dos Milagres ...

... o cruzeiro do Senhor dos Milagres ...


Nossa vida é aquela estrada,
Com os que passam diariamente
E após si da caminhada
A poeira deixam somente.

Coração, como a cansada
Cancela de som gemente,

Bates a tua pancada
Constantemente.


In:  Alberto de Oliveira  "Poesias completas"
 

Aguas Frias (Chaves) - ... uma das entradas da Aldeia, pela Estrada Nacional ....... uma das entradas da Aldeia, pela Estrada Nacional ....

 

 

Até breve !!!

 

 

 

 

 

Mário Silva 📷
10
Nov19

Águas Frias (Chaves) - ... um pouco de outono e um pouco de Águas Frias ...


Mário Silva Mário Silva

 

... um pouco de outono

e

um pouco de Águas Frias ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... placa sinalizando a entrada para o centro da Aldeia ...

... placa sinalizando a entrada para o centro da Aldeia ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... e a água já corre por entre as árvores e encharca os lameiros ...

 ... e a água já corre por entre as árvores e encharca os lameiros ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... monumento em forma de estrela, com as seguintes gravações na pedra: M P F (será Mocidade Portuguesa Feminina); a data de 1965 e a identificação: Águas Frias ...

... monumento em forma de estrela, com as seguintes gravações na pedra: M P F (será Mocidade Portuguesa Feminina); a data de 1965 e a identificação: Águas Frias ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... cruzeiro do Senhor dos Milagres ...

... cruzeiro do Senhor dos Milagres ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... cogumelos (amanita parcivolvata)que têm tanto de vistosos como de tóxicos ...

... cogumelos (amanita parcivolvata) que têm tanto de vistosos

como de tóxicos ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... Café /Restaurante "Quim Russo" ...

... café /restaurante "Quim Russo" ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... vista da Aldeia em dia de nevoeiro ...

... vista da Aldeia em dia de nevoeiro ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... o edifício da Junta de Freguesia em tempo outonal ...

... o edifício da Junta de Freguesia, em tempo outonal ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... um cesto de saborosas castanhas, acabadas de apanhar ,,,

... uma cesta com saborosas castanhas, acabadas de apanhar ...

 

 

 

Até breve !!!

 

 

 

 

 

 

 

Mário Silva 📷
02
Nov19

Aguas Frias (Chaves) - ... Aldeia onde em cada recanto, podemos "ver" maravilhas ...


Mário Silva Mário Silva

 

Águas Frias

... Aldeia

onde em cada recanto,

poderemos "ver" maravilhas ...

Águas Frias (Chaves) - ... o cruzeiro do adro da igreja matriz  e o pôr do sol  por trás do Larouco ...

... o cruzeiro do adro da igreja matriz e o pôr do sol

por trás da serra do Larouco ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... a janela, agora sempre aberta, pois já não há necessidade de protejer os seus habitantes (ninguém) ...

 ... a janela, agora sempre aberta, pois já não há necessidade de protejer os seus habitantes ... (ninguém) ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... observando a paisagem por um buraco natural de um velho castanheiro ...

... observando a paisagem por um buraco natural

de um velho castanheiro ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... a ex-cantina da escola, vista da lateral, com a abertura para o alpendre e casas de banho ...

... a ex-cantina da escola, vista da lateral, com a abertura

para o alpendre e casas de banho ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... bagas vermelhas e (a "ovelhas negra") que se quiz diferenciar e ficou amarela ---

... bagas vermelhas e (a "ovelhas negra") que se quiz diferenciar e ficou amarela ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... aS arvores fazendo um "tunel de folhagem ...

... as árvores fazendo um "tunel de folhagem ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - pequena imagem se S. Lourenço - padroeiro dos padeiros - (corrijam-me se estiver enganado), que está num altar lateral na Igreja Matriz ...

... pequena imagem se S. Lourenço - padroeiro dos padeiros - (corrijam-me se estiver enganado), que está num altar lateral na Igreja Matriz ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... uma casa na Aldeia ...

... uma casa na Aldeia ...

 

 

Até breve !!!

 

 

 

 

 

 

Mário Silva 📷
05
Mai19

Águas Frias (Chaves) - 5 de maio - Dia da Mãe


Mário Silva Mário Silva

 

 

5 de maio

Dia da Mãe

Águas Frias (Chaves) - ... planta campestre ...

.. planta campestre ("Vicia sativa L.") ...

 

O Dia da Mãe é uma data comemorativa que se celebra no primeiro domingo do mês de maio.

Em Portugal, o Dia da Mãe chegou a ser celebrado a 8 de dezembro, mas passou a ser celebrado no 1º domingo de maio, em homenagem à Virgem Maria, mãe de Cristo, que se celebra durante o mês de maio.

A data é uma homenagem a todas as mães e serve para reforçar e demonstrar o amor dos filhos pelas suas mães.

No Dia da Mãe, os filhos costumam oferecer presentes às suas mães e preparam surpresas para elas, de forma a mostrarem o quanto gostam de suas progenitoras e agradecer todo o empenho e dedicação delas.

 

Origem do Dia da Mãe

Grécia Antiga e Roma

Remonta às comemorações primaveris da Grécia Antiga, em honra de Rhea, mulher de Cronos e Mãe dos Deuses. Em Roma, as festas do Dia da Mãe eram dedicadas à Cybele, a Mãe dos Deuses romanos, e as cerimónias em sua homenagem começaram por volta de 250 anos antes do nascimento de Cristo.

Século XVII - Inglaterra

Celebrava-se no 4º Domingo de Quaresma um dia chamado “Domingo da Mãe”, que homenageava todas as mães inglesas.

Estados Unidos

Em 1904, quando Anna Jarvis, perdeu a sua mãe ela ficou muito triste. As suas amigas decidiram organizar uma festa em memória à sua mãe e Anna quis que a festa fosse festejada para todas as mães, vivas ou mortas. Em 1914, a data foi oficializada pelo presidente Woodrow Wilson e passou e ser celebrada no primeiro domingo de Maio.

Frases para o Dia da Mãe

  • Feliz Dia da Mãe, não tenho palavras para descrever tudo o que sinto por ti, por isso quero agradecer-te por cuidares de mim e por me dares muito amor! Adoro-te!
  • Feliz Dia da Mãe! Que Deus te abençoe e te proteja para que continues a ser a mãe linda, maravilhosa, carinhosa, amorosa e dedicada que és. Um beijo muito especial da (o) tua (teu) filha (o) que te ama muito!
  • Parabéns Mãe! Quero te lembrar-te mais uma vez que te amo muito e que és muito especial e importante para mim. Obrigado por todos estes anos de amor, carinho, compreensão, dedicação e companheirismo. Adoro-te muito mãe!

 

Poemas para o Dia da Mãe

Poema à Mãe, de Eugénio de Andrade

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Poema "Porque os outros se mascaram mas tu não", de Sophia Mello Breyner Andresen

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

in: https://www.calendarr.com/portugal/dia-da-mae/

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... cruzeiro do Senhor dos Milagres ...

... cruzeiro do Senhor dos Milagres ...

 

Águas Frias (Chaves) - ... ave atenta ao horizonte ...

... ave atenta ao horizonte ...

 

Águas Frias (Chaves) - ... uma casa na Aldeia ...

... uma casa na Aldeia ...

 

Águas Frias (Chaves) - ... rachando lenha de forma mecânica ...

... rachando lenha de forma mecânica ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... duas casas na Aldeia ... (descobra as diferenças !!!!)

... duas casas na Aldeia ... (descobra as diferenças !!!!) ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... casa na Aldeia na Lampaça ...

... casa na Aldeia na Lampaça ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... trabalhando a terra (dos poucos "resistentes") ...

... trabalhando a terra (dos poucos "resistentes") ...

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... pôr do sol por trás da serra do Larouco ...

... pôr do sol por trás da serra do Larouco ...

 

 

Até breve !!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mário Silva 📷
17
Nov18

Águas Frias (Chaves) - " ... em Novembro chuva, frio e sol e deixa o resto ..."


Mário Silva Mário Silva

 

 

 

" ... em Novembro chuva,

frio e sol e

deixa o resto ..."

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... um cogumelo ... (pelo aspeto ... eu não comeria !!!!!) ...

     ... um cogumelo ... (pelo aspeto ... eu não comeria !!!!!) ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... a placa toponímica e o Castelo de Monforte de Rio Livre envolto pelo manto de névoa ...

  ... a placa toponímica e o Castelo de Monforte de Rio Livre envolto pelo manto de névoa ... 

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... o cruzeiro do Senhor dos Milagres ... (que inicialmente esteve no antigo cemitério, onde hoje é o Largo do "Concelho")  e após a construção do atual cemitério foi transferido para este lugar ...

     ... o cruzeiro do Senhor dos Milagres ... (que inicialmente esteve no antigo cemitério, onde hoje é o Largo do "Concelho") e após a construção do atual cemitério foi transferido para este lugar ...    

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... já "correm" as águas frias serpenteando pelos regatos ...

     ... já "correm" as águas frias serpenteando pelos regatos ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... uma casa na Aldeia ...

     ... uma casa na Aldeia ...    

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... um pequeno "pingo" de Águas Frias, mas pelo aspeto das nuvens que lá vêm, muitas mais chegarão !!!!!

     ... um pequeno "pingo" de Águas Frias, mas pelo aspeto das nuvens que lá vêm, ... muitas mais chegarão !!!!!     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) -  " ... por acaso, não foi ao acaso ..." 2

      " ... por acaso, não foi ao acaso ..." 2     

 

 

 

 

Até breve !!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mário Silva 📷
16
Jun18

Águas Frias (Chaves) - " ... Para Junho guarda um toco e uma pinha, e a velha que o dizia guardados os tinha ..."


Mário Silva Mário Silva

 

 

 

" ... Para Junho

guarda um toco e uma pinha,

e a velha que o dizia

guardados os tinha ..."

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... a rola descansando entre os ramos da árvore ...

      ... rola descansando, entre os ramos da árvore ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... a papoila vermelha, espreitando a igreja ...

     ... a papoila vermelha, espreitando a igreja ...    

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... lavrando as terras ...

     ... lavrando as terras ...    

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ...altar mor da igreja matriz (agora com renovado soalho em pedra e madeira) ...

     ... altar mor da igreja matriz (agora com renovado soalho em pedra e madeira) ...    

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... o castelo de Monforte de Rio Livre (monumento nacional) no alto do Brunheiro ...

     ... o castelo de Monforte de Rio Livre (monumento nacional) no alto do Brunheiro ...    

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... cruzeiro do Senhor dos Milagres ...

     ... cruzeiro do Senhor dos Milagres ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ...casas na Aldeia ...

     ... casas na Aldeia ...    

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... borboleta entre a verdejante erva ...

     ... borboleta entre a verdejante erva ...    

 

 

 

 

 

Até breve !!!

 

 

 

 

 

 

Mário Silva 📷
09
Jun18

Águas Frias (Chaves) - "... Quem em Junho não descansa, enche a bolsa e farta a pança ..."


Mário Silva Mário Silva

 

 

 

"... Quem em Junho não descansa,

enche a bolsa e farta a pança ..."

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... o gato branco destacando-se na paisagem ...

     ... o gato branco destacando-se na paisagem ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ...

     ... Castelo de Monforte de Rio Livre (Monumento Nacional) ...    

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... ave descansando en fino ramo de giesta ...

     ... ave descansando en fino ramo de giesta ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... casas na Aldeia ...

     ... casas na Aldeia ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... cruzeiro de N.º Senhor dos Milagres ...

     ... cruzeiro de N.º Senhor dos Milagres ...    

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ...as torres: da cheminé e da torre sineira da igreja matriz ...

     ... as torres: da cheminé e da torre sineira da igreja matriz ...     

 

 

 

Águas Frias (Chaves) - ... alfazema (lavanda) com giesta branca como fundo ...

     ... alfazema (lavanda) com giesta branca como fundo ...    

 

 

 

 

Até breve !!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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