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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

09
Jan26

Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) de papo cheio – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) de papo cheio

Mário Silva

09Jan DSC03482_ms.JPG

Esta é mais uma captura de Mário Silva, onde o detalhe e a luz se unem para contar uma pequena história da natureza.

A fotografia "Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) de papo cheio" retrata esta pequena ave emblemática num momento de repouso e aparente satisfação.

Pousado no topo de um tronco rugoso, o Pisco destaca-se contra um fundo suavemente desfocado (“bokeh”) em tons de terra e verde.

A iluminação lateral e quente realça a textura das penas e o volume arredondado do peito, conferindo-lhe uma aura quase dourada.

A postura da ave, firme e vigilante, mas tranquila, transmite a ideia de abundância e vitalidade num cenário natural.

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Estar de Papo Cheio — Entre a Fartura e a Saturação

Na sabedoria popular e na biologia, a expressão "estar de papo cheio" carrega consigo uma dualidade fascinante.

Literalmente, como vemos na objetiva de Mário Silva, é o símbolo da sobrevivência e do sucesso.

Para um pequeno pisco-de-peito-ruivo, ter o papo cheio é a garantia de energia para enfrentar a noite fria ou a dureza do inverno; é o resultado de uma caçada bem-sucedida e o sinal de que a natureza, naquele momento, foi generosa.

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No entanto, quando transpomos esta expressão para o domínio humano e para o nosso quotidiano, o significado ganha camadas mais complexas, oscilando entre a satisfação plena e a saturação.

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A Satisfação da Abundância

No seu sentido mais positivo, "estar de papo cheio" remete para a ideia de conforto.

É aquele estado de espírito que se segue a um bom jantar em família ou à conclusão de um projeto exigente.

É a sensação de dever cumprido e de necessidades satisfeitas.

Neste contexto, o "papo cheio" é um porto seguro, um momento de pausa onde não há falta, apenas plenitude.

É a celebração do que conquistámos.

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O Limite da Saturação

Por outro lado, a língua portuguesa é fértil em ironias.

Frequentemente, usamos a expressão para indicar que chegámos ao nosso limite:

"Já estou de papo cheio disto!".

Aqui, a fartura transforma-se em excesso.

O que era nutrição passa a ser peso.

Estar de papo cheio de uma situação, de uma conversa ou de uma rotina significa que a paciência se esgotou e que já não há espaço para absorver nem mais um grão de preocupação.

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O Equilíbrio Necessário

Tal como o pequeno pisco da fotografia, que após se alimentar precisa de tempo para digerir e observar o mundo do alto do seu galho, também nós precisamos de gerir os nossos momentos de "papo cheio".

A vida exige que saibamos distinguir a fartura que nos alimenta da saturação que nos desgasta.

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Em suma, "estar de papo cheio" é uma chamada de atenção da nossa condição cíclica.

Quer estejamos a transbordar de alegria ou no limite da nossa resistência, a expressão convida-nos a parar, a reconhecer o nosso estado e, tal como a ave que se prepara para o próximo voo, a decidir o que fazer com o que acumulámos.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
17
Dez25

"Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) no planalto nordestino, nevado"


Mário Silva Mário Silva

"Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula)

no planalto nordestino, nevado"

17Dez DSC00140-fotor-20251126185613_ms.jpg

A fotomontagem de Mário Silva é uma composição artística que justapõe o detalhe de uma ave icónica com a vastidão de uma paisagem de inverno.

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O Pisco-de-peito-ruivo: Em primeiro plano, do lado esquerdo, destaca-se um Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula).

A ave exibe a sua característica mais marcante: a mancha alaranjada vibrante no peito e na face, que contrasta com a plumagem castanha do dorso e o ventre claro.

O pisco está pousado numa haste, olhando diretamente para a câmara (ou para o observador) com uma postura atenta e curiosa.

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O Planalto Nevado: O fundo retrata o Planalto Nordestino coberto por um espesso manto de neve branca e imaculada.

O horizonte é vasto e plano, transmitindo a sensação de isolamento e silêncio.

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A Árvore Solitária: Do lado direito, equilibrando a composição, ergue-se uma árvore grande e despida de folhas.

A sua silhueta negra e ramificada recorta-se nitidamente contra o céu e a neve, enfatizando a nudez do inverno.

Ao fundo, uma linha de árvores escuras marca o limite da paisagem.

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A Atmosfera: O céu azul-acinzentado sugere um dia frio e encoberto.

A imagem joga com o contraste entre o calor da cor da ave e o frio gélido do cenário.

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A Chama Viva no Branco do Planalto – O Pisco e a Neve

No vasto e gelado Planalto Nordestino (Trás-os-Montes), onde o inverno não é apenas uma estação, mas um estado de espírito, a paisagem tende a cair num silêncio monocromático.

A neve cobre os caminhos, as rochas de granito e os campos agrícolas, pintando tudo de branco.

É neste cenário de aparente dormência que surge, como uma pequena chama de esperança, o Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula).

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O Sentinela do Inverno

A fotografia de Mário Silva capta a essência deste contraste.

Enquanto muitas aves migram para sul em busca de calor, o pisco é um residente tenaz (reforçado no inverno por companheiros vindos do norte da Europa).

Ele permanece.

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Com o seu corpo pequeno e arredondado, o pisco desafia as temperaturas negativas da Terra Fria transmontana.

A sua mancha alaranjada no peito funciona visualmente como uma brasa acesa no meio da neve, quebrando a monotonia dos cinzentos e brancos.

Ele é o verdadeiro sentinela do inverno: territorial, corajoso e sempre atento a qualquer movimento na terra que possa revelar alimento.

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A Solidão da Árvore e a Companhia da Ave

A árvore solitária ao fundo da imagem representa a estrutura da paisagem despida.

Sem a folhagem, a árvore dorme, esperando a primavera.

O pisco, porém, não dorme.

Ele traz vida ao cenário estático.

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Conhecido como o "amigo do jardineiro" ou dos lavradores, o pisco tem o hábito de seguir quem trabalha a terra, esperando que a enxada revire o solo para encontrar minhocas.

No planalto nevado, onde a terra está escondida, a sua resiliência é ainda mais notável.

Ele procura abrigo nas sebes e alimenta-se do que a natureza ainda oferece ou da caridade humana.

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Um Símbolo de Natal e de Resistência

Não é por acaso que o pisco-de-peito-ruivo é associado aos postais de Natal.

A sua presença na neve evoca conforto e alegria.

Nesta fotografia, ele é mais do que uma ave bonita; é um símbolo da resistência transmontana.

Tal como as gentes do Nordeste, que se adaptam e vivem em harmonia com a dureza do clima, o pisco enfrenta o frio com o peito erguido, lembrando-nos que a vida pulsa forte mesmo debaixo do manto gelado do inverno.

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Texto & Fotomontagem: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
06
Dez25

O olhar penetrante da águia-d'asa-redonda (Buteo búteo)


Mário Silva Mário Silva

O olhar penetrante da águia-d'asa-redonda (Buteo búteo)

06Dez DSC00102_ms.JPG

A fotografia de Mário Silva é um close-up dedicado a uma ave de rapina, a águia-d'asa-redonda (Buteo búteo), que está pousada sobre uma peça de metal, com o olhar focado e intenso.

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A Águia-d'asa-redonda (Buteo búteo): A ave preenche grande parte do plano e é capturada num momento de vigília e concentração.

A sua plumagem apresenta uma variação de tons castanhos e cremes/brancos, com um padrão malhado ou listrado no peito.

O Olhar: O título é justificado pela expressão da ave: a cabeça está ligeiramente inclinada para a direita e para baixo, e os olhos são escuros e intensos, com o bico forte e amarelo (ganchoso) a contribuir para a impressão de foco e determinação.

O Pouso: A ave está pousada sobre uma estrutura metálica robusta, um tensor ou peça de ligação de um poste, notável pelos parafusos, correntes e anéis de metal.

As garras amarelas e poderosas agarram firmemente a superfície, realçando a sua natureza de predador.

Fundo: O fundo é quase uniformemente claro e muito suavemente desfocado, talvez um céu nublado ou uma névoa, que serve para isolar a figura da ave e concentrar toda a atenção na sua textura e expressão.

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O Olhar Penetrante – A Águia-d'asa-Redonda no Limiar da Vigilância

A fotografia "O olhar penetrante da águia-d'asa-redonda (Buteo búteo)" transcende o mero registo ornitológico, transformando a ave num símbolo de vigilância, adaptação e soberania silenciosa na paisagem portuguesa.

A Águia-d'asa-redonda, comum, mas majestosa, é o predador de topo que harmoniza força com a discrição necessária para a sobrevivência.

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A Intensidade do Foco

O elemento central da fotografia é o olhar.

A inclinação da cabeça e a contração da pálpebra conferem-lhe uma expressão de foco absoluto.

Este não é um olhar aleatório; é o olhar de um predador que está a calcular a distância, a avaliar o vento e a escutar o silêncio.

A natureza do Buteo búteo é a paciência: a águia-d'asa-redonda passa longos períodos imóvel, observando o solo em busca da mais ligeira perturbação da vegetação que denuncie um roedor.

Este olhar, capturado por Mário Silva, é o paradigma da atenção seletiva, uma qualidade essencial no mundo selvagem.

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O Mestre da Adaptação

A águia-d'asa-redonda é notável pela sua capacidade de adaptação.

Embora seja uma ave de vastos céus abertos, a sua escolha de poleiro – a estrutura metálica feita pelo homem – ilustra a sua capacidade de coexistir com a civilização, utilizando os elementos mais altos do território, sejam eles árvores antigas ou torres de eletricidade, como pontos estratégicos de observação.

A sua plumagem, com os seus tons castanhos e cremes, permite-lhe camuflar-se contra o fundo da paisagem, reforçando a ideia de que a sua força reside na discrição e na paciência, qualidades que o fotógrafo soube captar.

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A Soberania no Contraste

Ao isolar a ave contra um fundo de cor clara e homogénea, o fotógrafo retira-a do contexto paisagístico e confere-lhe uma aura de soberania isolada.

O contraste entre a plumagem áspera e natural e a estrutura metálica e industrial do poleiro simboliza o equilíbrio delicado entre a vida selvagem e a expansão humana.

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O Olhar Penetrante da águia-d'asa-redonda é, portanto, um retrato da natureza não domada, que mantém a sua dignidade e a sua estratégia de sobrevivência no coração da paisagem portuguesa.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
29
Nov25

"O Papa-moscas-cinzento (Muscicapa striata) e a pinha (Pinus pinaster)"


Mário Silva Mário Silva

"O Papa-moscas-cinzento (Muscicapa striata)

e a pinha (Pinus pinaster)"

29Nov DSC05053_ms

A fotografia de Mário Silva é um close-up que enquadra uma pequena ave num ramo, lado a lado com uma pinha, com um fundo luminoso e desfocado, típico do outono.

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A Ave (Muscicapa striata): No centro-direito do plano, encontra-se uma pequena ave pousada num ramo.

A ave é de cor cinzenta-acastanhada clara no dorso e mais clara no peito e abdómen.

A sua postura é vertical e a cabeça é proporcionalmente grande em relação ao corpo, características compatíveis com o Papa-moscas-cinzento (Muscicapa striata), embora os detalhes da risca da testa não sejam totalmente nítidos.

A Pinha (Pinus pinaster): No lado esquerdo, e pendurada num ramo que se cruza, está uma pinha grande e escura.

A pinha é alongada, com as suas escamas lenhosas bem visíveis, sugerindo que pertence a um pinheiro-bravo (Pinus pinaster), comum em Portugal.

A Composição e Cor: A ave e a pinha estão em equilíbrio num ramo escuro e fino.

O fundo é dominado por uma desfocagem (bokeh) de cores quentes, sobretudo amarelo-dourado e verde-claro, que remete para a luz do outono a filtrar-se pela folhagem.

Este fundo confere à cena uma atmosfera de serenidade e calor.

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O Papa-Moscas e o Pinhal – A Vida Aérea e o Repouso Resinoso

A justaposição do Papa-moscas-cinzento (Muscicapa striata) e da pinha (Pinus pinaster) na fotografia de Mário Silva é um retrato da ecologia do pinhal português, um ecossistema que oferece abrigo, alimento e um ponto de pausa para a vida selvagem.

Esta imagem celebra dois elementos que definem a dinâmica do Norte e do Centro do país: a migração e a resina.

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O Viajante Incansável: O Papa-Moscas-Cinzentos

O Papa-moscas-cinzento é um dos grandes símbolos da migração e do verão português.

É uma ave insectívora que chega a Portugal (e à Europa) na primavera para nidificar e passa o inverno na África subsaariana.

A sua presença no ramo, talvez nos meses de outono, sugere um momento crucial: o repouso final antes da longa viagem para sul.

O Papa-moscas é conhecido pela sua postura discreta e pela sua técnica de caça, permanecendo imóvel num posto de vigia (como o ramo na foto) para, de repente, voar e capturar insetos em pleno ar.

A sua silhueta discreta contrasta com a sua vitalidade e o seu instinto de viajante.

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O Ponto de Apoio: A Pinha e a Resina

Ao lado da ave, a pinha do pinheiro-bravo (Pinus pinaster) é o símbolo da estabilidade, da semente e da resistência.

O pinhal, com a sua madeira e a sua resina, é uma cultura de rendimento crucial em muitas zonas rurais portuguesas.

A pinha é o fruto que alberga a semente e que oferece uma fonte de alimento para outras aves e roedores.

A sua presença na imagem, grande e robusta, ancorando o observador no local, contrasta com a natureza ligeira e efémera da ave.

Juntos, no mesmo ramo, representam a interdependência da Natureza: o pinhal providencia o substrato da vida e os insetos (alimento do papa-moscas) contribuem para o equilíbrio do ecossistema.

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A fotografia, com o seu fundo dourado, capta a harmonia silenciosa entre a ave migrante, que se prepara para voar, e o fruto resinado do pinhal, que se prepara para semear a próxima geração, tudo sob o calor efémero da luz outonal.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
27
Out25

Picanço-barreteiro (Lanius senator) – “o carniceiro”


Mário Silva Mário Silva

Picanço-barreteiro (Lanius senator)

 “o carniceiro”

27Out DSC01926_ms

O Picanço Vigilante

A fotografia de Mário Silva capta um momento íntimo de uma ave da família dos Picanços, pousada num fio de arame retorcido.

A ave, que parece ser um Picanço-barreteiro ou similar, é de porte médio, com um corpo robusto.

Apresenta um dorso e cabeça cinzentos (ou castanhos escuros), contrastando com a máscara negra que lhe atravessa os olhos e se estende até à base do bico, conferindo-lhe um ar feroz e determinado.

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O peito e o ventre exibem uma tonalidade alaranjada ou castanha-clara, aquecida pela iluminação.

A cauda é longa e preta.

A ave agarra-se firmemente ao fio, que atravessa a imagem na diagonal, adicionando dinamismo.

O fundo é de uma tonalidade uniforme e suave, esbranquiçada ou sépia, o que realça o pássaro e o fio, isolando o sujeito do seu habitat natural para um estudo focado.

A sua postura é de vigilância aguda, com o bico ligeiramente apontado, como se estivesse a procurar a próxima presa.

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A Arte da Caça no Fio: O Picanço e o Silêncio da Vigilância

O Fio como Trono

No mundo da ornitologia, o Picanço é um predador fascinante, frequentemente apelidado de "açor dos pequenos pássaros".

A imagem de Mário Silva capta perfeitamente esta natureza dupla: a beleza estética e a ferocidade inerente.

O arame retorcido, uma invenção humana, serve aqui de trono precário e de posto de vigia ideal.

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O picanço usa estas estruturas elevadas — fios, postes, ramos isolados — não por conveniência, mas por estratégia.

A sua máscara negra e o bico forte não são apenas traços de beleza; são as ferramentas e a insígnia de um caçador.

A partir do seu poleiro, ele domina o território, perscrutando o chão à procura de insetos grandes, pequenos roedores, lagartixas e, por vezes, até outras aves.

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A Estratégia da Reserva: O Carniceiro da Natureza

A característica mais singular do picanço, e que lhe vale o seu nome popular em muitas culturas, é o seu comportamento de "carniceiro".

Após a caça, o picanço tem o hábito de empalar as suas presas em espinhos de arbustos, arames farpados ou ramos pontiagudos, criando uma espécie de despensa natural.

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Este comportamento tem múltiplas funções: serve para armazenar alimento para consumo posterior, permite-lhe desmembrar presas maiores que não consegue segurar com os pés fracos e, nalgumas espécies, pode servir para secar o veneno de certas presas antes de as consumir.

A imagem do picanço no fio, com a sua postura tensa e focada, evoca esta estratégia metódica e quase sádica de sobrevivência.

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O Contraste e o Isolamento

A técnica fotográfica, que isola a ave contra um fundo monocromático e suave, retira-nos do habitat tradicional da natureza e coloca-nos num espaço de contemplação pura.

A luz quente realça as penas alaranjadas, tornando o animal paradoxalmente belo apesar da sua natureza implacável.

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Ao capturar esta vigilância isolada, Mário Silva transforma o simples ato de um pássaro pousar num fio numa meditação sobre a selvageria elegante da natureza.

O Picanço é uma chamada de atenção de que, mesmo nas paisagens mais domesticadas e marcadas pela presença humana (como os fios elétricos), a lei da caça e da sobrevivência governa com uma beleza implacável.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
21
Ago25

"A gaivota descansando da manhã agitada”


Mário Silva Mário Silva

"A gaivota descansando da manhã agitada”

21Ago DSC04556_ms2

Esta fotografia de Mário Silva, foca-se numa gaivota solitária, branca e imaculada, que repousa sobre uma rocha submersa na água.

A ave, com as suas penas fofas e pernas finas e avermelhadas, está de pé sobre uma pata, com a outra recolhida, e tem a cabeça ligeiramente inclinada, como se estivesse a meditar ou a observar a maré.

A água à sua volta é calma e de cor cinzento-prateada, com reflexos suaves.

A presença de algas e outras rochas em segundo plano confere profundidade à imagem.

A fotografia, com a sua composição simples e serena, transmite uma sensação de paz e isolamento, contrastando com a agitação que o título sugere.

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O nome da gaivota era Alma.

Não que os humanos soubessem, mas as outras gaivotas do bando chamavam-lhe assim, porque a sua cor branca era tão pura que parecia a alma da espuma do mar.

A fotografia de Mário Silva capturou-a naquele momento de repouso, o único momento de paz num dia que tinha sido uma batalha.

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A manhã tinha começado com um vento forte que chicoteava as ondas e tornava a caça difícil.

Alma tinha lutado contra a tempestade, voando baixo sobre a água, com as suas asas a cortar o ar salgado.

Tinha mergulhado e subido, tinha visto o sol nascer e o mar revolto.

Tinha caçado o seu peixe, tinha defendido o seu território e tinha voltado, exausta, para a sua rocha.

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A sua rocha era o seu trono, o seu santuário.

Era um pequeno pedaço de terra no meio da água, com musgo e conchas incrustadas, que ela tinha reivindicado como seu.

Ninguém a incomodava ali.

Era o seu refúgio da agitação do mundo, o seu ponto de observação do céu e do mar.

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Alma pousou na rocha, recolheu uma das pernas e fechou os olhos.

O vento continuava a soprar, mas a sua alma estava calma.

Conseguiu ouvir os sons familiares do mar: as ondas a quebrar, o grito distante de outras gaivotas, o sussurro da espuma que se dissolvia na areia.

O sal do mar secava nas suas penas e o sol da manhã acariciava-lhe o corpo.

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Ela pensou nos desafios da manhã, na luta pela comida, na dança perigosa com as ondas.

Pensou na sua coragem e na sua perseverança.

A vida de uma gaivota não era fácil, mas era a sua vida.

Era uma vida de liberdade, de voo, de vento e de mar.

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Quando finalmente abriu os olhos, o mar parecia diferente.

Não era mais a paisagem hostil da manhã, mas um espelho prateado que refletia a luz do céu.

A sua rocha, que antes era apenas um ponto de descanso, parecia agora uma ilha de paz.

Alma sentiu um profundo sentimento de gratidão.

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Mário Silva, na sua fotografia, capturou o momento exato em que a gaivota Alma encontrou a sua paz.

Ele não capturou a gaivota, mas a sua alma: a dignidade do seu repouso, a coragem que se esconde na sua pose, a beleza que se encontra na sua solidão.

O resto da manhã seria de calma, mas a gaivota já estava pronta para a próxima batalha, com a alma lavada pelo sal e o coração cheio da paz do seu trono.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
19
Ago25

"O Picanço-real (Lanius meridionalis)"


Mário Silva Mário Silva

"O Picanço-real"

(Lanius meridionalis)

19Ago DSC00035 (3)_ms

Esta fotografia de Mário Silva, intitulada "O Picanço-real", é um plano aproximado de uma ave, um picanço-real, pousado no topo de um galho seco.

A ave, com o seu corpo robusto e penas em tons de castanho e cinzento claro, tem uma cauda comprida e um bico forte e curvo.

O olho escuro e a máscara facial dão-lhe uma expressão séria e atenta.

As asas e a cauda têm detalhes em preto e branco.

O pássaro está em perfil, com a cabeça ligeiramente virada para a direita, observando o horizonte.

O fundo é um céu azul, com a luz do sol a incidir sobre a ave, realçando os pormenores das suas penas.

A imagem transmite uma sensação de alerta e a beleza selvagem da ave, que parece estar em plena vigilância.

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Estória: A Coroa do Picanço-Real

O Picanço-real, que na aldeia de Trás-os-Montes era apenas conhecido como "o pássaro-rei", tinha a fama de ser o caçador mais astuto do planalto.

A sua coroa, um conjunto de penas cinzentas na cabeça, era mais do que um adorno; era o seu trono, o símbolo da sua soberania sobre os campos.

Mário Silva capturou-o na sua fotografia no seu momento de maior majestade: pousado no topo de um galho, a observar o seu reino.

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A sua vida não era fácil.

O seu território era vasto e a caça escassa.

O seu jantar, uma libelinha ou um gafanhoto, era conquistado com paciência e uma agilidade que era a inveja de todas as outras aves.

A sua técnica era brutal, mas eficaz: empalar as suas presas em espinhos de arbustos ou farpas de arame, uma espécie de despensa macabra que servia de aviso aos outros predadores.

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Naquele dia de verão, o Picanço-real estava no seu posto de vigia favorito.

As suas pequenas garras agarravam-se firmemente ao galho seco, e os seus olhos, afiados como agulhas, varriam o horizonte.

O sol do meio-dia fazia as suas penas brilhar e o ar estava carregado de calor.

De repente, um movimento na relva seca chamou a sua atenção.

Uma família de gafanhotos verdes, distraídos com a sua própria conversa, movia-se em direção à sombra de um cardo.

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O Picanço-real ficou imóvel, os seus músculos tensos, o seu corpo pronto para a ação.

Contou as batidas do seu coração, o eco do vento na sua coroa de penas.

No momento certo, ele soltou-se do galho, uma sombra veloz que rasgou o céu azul.

A sua descida foi rápida e silenciosa. Agarrou o maior dos gafanhotos, uma presa suculenta, e levou-o para o seu poleiro.

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Mas o Picanço-real não era apenas um predador.

Ele era um guardião.

As suas canções, uma mistura de trinados e assobios, eram o aviso de que o rei estava em casa.

As outras aves do planalto, desde os pardais mais pequenos aos falcões mais imponentes, sabiam que aquele era o seu território e que a sua palavra era lei.

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Quando o sol começou a descer, pintando o céu de laranja e roxo, o Picanço-real voou para a sua despensa. Comeu a sua presa e, satisfeito, cantou uma última canção antes de se abrigar para a noite.

A sua silhueta, um pequeno ponto escuro contra o céu que se desvanecia, era um lembrete de que, mesmo nos lugares mais áridos e solitários, a vida floresce na sua forma mais pura e selvagem.

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A fotografia de Mário Silva não é apenas um retrato de um pássaro; é um retrato de um rei, de um caçador, de um guardião.

É a imagem da vida dura e solitária do campo, da dignidade e da beleza que se encontram na luta pela sobrevivência, e da força inabalável da natureza.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
04
Ago25

"Abelharuco" (Merops apiaster) … e uma estória


Mário Silva Mário Silva

"Abelharuco" (Merops apiaster)

… e uma estória

04Ago DSC04888_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "Abelharuco" (Merops apiaster), apresenta um close-up impressionante de um abelharuco empoleirado num cabo elétrico.

O pássaro está virado para a direita da imagem, exibindo as suas cores vibrantes e distintas.

 

A cabeça do abelharuco é de um amarelo intenso no topo e na garganta, contrastando com uma banda escura que atravessa o olho e uma área castanha avermelhada na coroa.

O dorso e as asas são predominantemente de um tom verde-azulado, enquanto a parte inferior do corpo é de um castanho-avermelhado quente.

O seu bico é longo, fino e ligeiramente curvo para baixo.

Os detalhes das penas são nítidos, e o olho do pássaro está bem focado, transmitindo uma sensação de vivacidade e alerta.

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O fio onde o pássaro está empoleirado é uma estrutura em espiral, de cor acastanhada clara, que atravessa a imagem horizontalmente.

O fundo é um céu claro e uniforme, de um tom azul-acinzentado, o que faz com que o abelharuco se destaque dramaticamente.

A fotografia capta a elegância e a beleza exótica desta ave migratória num momento de quietude.

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Estória: O Viajante das Cores

Nos vastos vales de Trás-os-Montes, onde o sol abraçava os campos e o ar vibrava com o canto dos insetos, havia um fio elétrico que atravessava o horizonte.

Para a maioria, era apenas um fio.

Mas para um abelharuco, um dos mais belos viajantes dos céus, era um miradouro privilegiado, um palco suspenso no mundo.

Este abelharuco, que todos chamavam "O Pintor" pelas suas cores vibrantes – o amarelo do sol, o verde da oliveira, o castanho da terra – era o que Mário Silva, com a sua paixão pela natureza, um dia conseguiu imortalizar.

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O Pintor não era como os outros pássaros.

Enquanto eles se contentavam com os ninhos escondidos e os voos curtos, ele sonhava com horizontes distantes.

Tinha nascido em terras quentes, muito para lá do mar, e cada primavera, uma força irresistível puxava-o para o norte, para os campos de Portugal, onde as abelhas zumbiam com mais doçura e os dias eram longos e cheios de luz.

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O seu poleiro favorito era aquele fio.

Dali, com os seus olhos atentos, observava o “ballet” dos insetos no ar.

Era um caçador exímio, mergulhando no vazio com uma velocidade impressionante, capturando a sua presa em pleno voo com o seu bico fino e preciso, regressando sempre ao seu fio com um triunfo silencioso.

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Mas o Pintor não caçava apenas por alimento.

Ele caçava por inspiração.

Cada abelha, cada vespa, cada libelinha capturada, parecia infundir-lhe uma nova cor, um novo tom para a sua plumagem.

Era como se absorvesse a essência da paisagem e a convertesse na sua própria beleza.

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Um dia, enquanto observava a linha do horizonte, o Pintor sentiu uma estranha melancolia.

A estação avançava, e em breve, o chamamento do sul voltaria a ser irresistível.

Teria de deixar aqueles campos verdes, o sol quente, o fio que era o seu trono.

Questionou-se se, na sua ausência, as suas cores desvaneceriam, se o seu esplendor seria esquecido.

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Nesse exato momento, Mário Silva, que o observava há horas de uma distância respeitosa, levantou a sua câmara.

O Pintor, absorto nos seus pensamentos, não se mexeu.

A luz do sol, suave e dourada, incidia sobre as suas penas.

Mário capturou o momento, não apenas a imagem de um pássaro, mas a alma de um viajante, a beleza de um verão, a essência da liberdade.

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Quando Mário mais tarde mostrou a fotografia, as pessoas ficaram deslumbradas.

- Que cores! - exclamavam. - Que beleza!

O Pintor não sabia, mas a sua imagem, a sua essência, tinha viajado muito mais longe do que ele jamais conseguiria voar.

A sua beleza não se desvaneceria com a sua partida, pois estava agora guardada, intemporal, na fotografia.

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E assim, o Abelharuco, o Pintor, continuou a sua vida, voando entre continentes, trazendo consigo as cores de cada lugar onde pousava.

Mas em Trás-os-Montes, a sua imagem, o seu legado, ficou gravado naquele fio, uma lembrança de que a verdadeira beleza não está apenas na presença, mas na memória, na inspiração, e nas cores que deixamos no mundo.

O Pintor era um viajante das cores, e Mário Silva, o seu cronista.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
23
Jul25

Alvéola-branca (Motacilla alba) … e uma estória


Mário Silva Mário Silva

Alvéola-branca (Motacilla alba)

… e uma estória

23Jul DSC06931_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada "Alvéola-branca (Motacilla alba)", captura uma alvéola-branca num momento peculiar e visualmente interessante.

O pássaro está empoleirado no topo de um cone de um remate de telhado laranja, que se destaca vibrantemente contra um fundo claro e desfocado, que pode ser o céu ou uma superfície muito iluminada.

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A alvéola-branca, identificável pelas suas cores distintas (preto, branco e cinzento), é vista de perfil, com a sua cauda longa e elegante a apontar para baixo.

O seu bico está ligeiramente aberto, e parece ter algo que acabou de caçar ou recolher – possivelmente um inseto – o que sugere um momento de alimentação ou de transporte de alimento para os seus jovens.

Os detalhes das penas são nítidos, e o olho do pássaro está focado, transmitindo uma sensação de alerta e vivacidade.

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O cone laranja, com a sua textura áspera e algumas manchas escuras, serve como um pedestal inesperado e moderno para a ave, criando um contraste fascinante entre a natureza selvagem e um objeto criado pelo homem.

A composição minimalista, com o foco total no pássaro e no cone, realça a beleza da alvéola-branca e a estranheza do seu poleiro incomum.

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A Estória: O Rei do Cone Laranja

Na movimentada cidade, onde o cinzento do asfalto reinava supremo e os prédios arranhavam o céu, havia um pequeno cone de trânsito.

Laranja berrante, desgastado por mil carros e esquecido numa berma, parecia um ponto de exclamação perdido no grande livro da cidade.

Mas para Piu-Piu, uma alvéola-branca de penas impecáveis e olhos astutos, aquele cone não era um obstáculo; era um trono.

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Piu-Piu era uma alvéola diferente.

Enquanto as suas irmãs se contentavam com telhados e fios elétricos, ele ansiava por um poleiro que lhe desse uma perspetiva única sobre o mundo.

E foi assim que descobriu o cone laranja.

De longe, parecia uma montanha colorida, e de perto, era o poleiro perfeito para o seu plano: tornar-se o melhor caçador de insetos da cidade.

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Todos os dias, ao amanhecer, Piu-Piu voava para o seu trono laranja.

A partir dali a sua visão era imbatível.

Observava o zumbido das moscas, o rastejar dos besouros e o voo errático das borboletas.

E com uma precisão que faria inveja a qualquer falcão, ele mergulhava, apanhava a sua presa – um minúsculo inseto, mal visível para o olho humano – e regressava triunfante ao seu cone.

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Mário Silva, o fotógrafo, passou semanas a tentar captar este momento.

Piu-Piu era esquivo, rápido.

Mas naquele dia, com o sol a nascer e o céu a pintar-se de um branco suave, Piu-Piu pousou no seu trono.

No bico, trazia o seu pequeno prémio da manhã.

Ele olhou para o horizonte, com o seu olhar de rei, a sua cauda a balançar com a autoconfiança de um monarca.

Era o momento perfeito.

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A fotografia, quando revelada, tornou-se a lenda de Piu-Piu.

"O Rei do Cone Laranja", diziam.

As outras alvéolas, que antes o olhavam com estranheza, agora admiravam-no.

Aprenderam que, às vezes, o melhor lugar para ser o que se é, não é onde se espera, mas onde a ousadia nos leva.

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Mas Piu-Piu tinha um segredo hilariante que ninguém sabia.

Ele não escolhera o cone apenas pela vista privilegiada.

A verdade é que, um dia, ao voar apressado, tinha embatido com o bico no cone e, para sua surpresa, o impacto tinha libertado um cheiro a... pizza!

Parece que, na noite anterior, um desavisado transeunte tinha deixado cair um pedaço de pizza na base do cone, e o calor do sol havia fermentado um aroma que atraía os insetos mais suculentos de toda a cidade.

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Então, enquanto todos viam em Piu-Piu um símbolo de perspicácia e adaptabilidade, ele, no seu trono laranja, ria-se baixinho com o seu segredo de caça: a pizza esquecida que fazia do seu poleiro não só o mais alto, mas também o mais... apetitoso.

E assim, Piu-Piu continuou a reinar, o seu pequeno império de insetos garantido pela mais improvável das iscas, um verdadeiro “gourmand” da natureza no coração da cidade.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
08
Jul25

Trepadeira-comum (Certhia brachydactyla)


Mário Silva Mário Silva

Trepadeira-comum

(Certhia brachydactyla)

08Jul DSC06670_ms

Naquele recanto tranquilo da floresta, onde o sol se filtrava em feixes dourados através da densa folhagem, erguia-se uma árvore antiga, com o seu tronco rugoso coberto por um manto aveludado de líquenes e musgo.

As suas raízes, profundas e entrelaçadas, contavam histórias de séculos.

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De repente, um movimento ágil quebrou a quietude.

Não era uma folha a cair, nem um esquilo a saltitar.

Era ela, a Trepadeira-comum, uma “Certhia brachydactyla”, como os ornitólogos a chamavam, mas para quem a observava, era simplesmente a "trepadeira".

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Com a sua plumagem mimética, em tons de castanho e branco que se confundiam perfeitamente com a casca da árvore, era fácil perdê-la de vista.

No entanto, o seu pequeno corpo, compacto e elegante, movia-se com uma destreza impressionante.

Não era um pássaro que saltitava entre os ramos, mas sim um escalador nato.

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A trepadeira-comum subia o tronco em espiral, os seus pés minúsculos, mas fortes, agarrando-se a cada fissura, a cada irregularidade da casca.

A sua cauda, robusta e rígida, servia-lhe de apoio, como um terceiro ponto de equilíbrio, permitindo-lhe um movimento quase vertical.

Parecia um relógio, o seu pequeno bico, fino e ligeiramente curvado, a investigar cada fenda, cada reentrância, em busca de insetos minúsculos e aranhas escondidas.

Era uma caçadora meticulosa, sem pressas, mas implacável.

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Naquele dia, enquanto subia, a sua cabeça pequena e atenta inclinou-se ligeiramente para cima.

Os seus olhos negros e brilhantes, mais do que simples esferas, eram janelas para um mundo de detalhes que a maioria de nós nem sequer percebia.

Talvez estivesse a procurar um novo percurso, a detetar o cheiro de uma larva escondida, ou simplesmente a apreciar a luz que se abria no topo do dossel, uma promessa de um novo horizonte.

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O fotógrafo, Mário Silva, com a sua objetiva paciente, conseguiu captar aquele momento efémero.

Não apenas a imagem de um pássaro, mas a essência da sua vida: a sua resiliência, a sua adaptação perfeita ao seu “habitat” e a sua busca incessante pelo sustento.

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A Trepadeira-comum não cantava canções elaboradas, nem exibia cores vistosas.

A sua beleza residia na sua discrição, na sua funcionalidade e na sua capacidade de habitar um nicho tão específico e fascinante.

Ela era a guardiã silenciosa da árvore, uma sentinela que passava os seus dias a explorar os segredos da casca, um exemplo vivo da complexidade e da maravilha da vida selvagem, ali, mesmo ao nosso lado, na floresta que muitas vezes nos passam despercebidos.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
02
Jul25

Cartaxo-comum (Saxicola rubicola)


Mário Silva Mário Silva

Cartaxo-comum

(Saxicola rubicola)

02Jul DSC01144_ms

A fotografia de Mário Silva, "Cartaxo-comum (Saxicola rubicola)", retrata com clareza esta pequena ave passeriforme.

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O Cartaxo-comum é uma ave pequena e compacta, com cerca de 12-14 cm de comprimento.

O dimorfismo sexual é evidente, especialmente na plumagem nupcial:

Macho: Caracteriza-se pela cabeça e garganta pretas, gola branca distintiva no pescoço, e uma mancha branca nas asas (coberturas alares).

O peito e flancos são de um tom alaranjado-avermelhado vibrante que se estende até ao abdómen, tornando-se mais pálido.

O dorso é castanho-escuro com estrias mais claras.

Fêmea: Apresenta cores mais baças.

A cabeça e a garganta são castanhas-escuras ou acinzentadas, com estrias mais claras.

A gola branca é menos proeminente ou ausente.

O peito é mais pálido, um laranja-acastanhado desbotado, e as manchas brancas nas asas são menores ou ausentes.

Juvenil: Assemelha-se à fêmea, mas com um padrão mais mosqueado e manchado na plumagem.

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Na fotografia, é possível identificar um macho de Cartaxo-comum devido à sua cabeça escura contrastante com a gola branca (embora menos nítida devido à posição e luminosidade) e o peito alaranjado.

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O Cartaxo-comum é uma espécie comum e generalizada, habitando uma vasta gama de habitats abertos ou semi-abertos.

Prefere áreas com vegetação rasteira e arbustos dispersos, como charnecas, dunas costeiras, pastagens, campos agrícolas, bordas de floresta e terrenos baldios.

Em Portugal, é frequentemente avistado em culturas de sequeiro e montados.

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É uma ave territorial, especialmente durante a época de reprodução.

O seu comportamento mais característico é empoleirar-se em pontos elevados (fios, arbustos, postes) a partir dos quais vigia o seu território e procura alimento.

Ao avistar uma presa, desce rapidamente ao solo para a capturar, regressando frequentemente ao mesmo poleiro.

A sua dieta consiste principalmente em insetos (gafanhotos, grilos, besouros, formigas, borboletas e as suas larvas) e aranhas, complementada ocasionalmente com bagas no outono e inverno.

O seu canto é um assobio metálico e repetitivo, e o seu chamamento é um "tschack-tschack" característico, que deu origem ao seu nome comum em algumas línguas.

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A época de reprodução do Cartaxo-comum ocorre entre abril e julho, podendo realizar duas ou três posturas por ano.

O ninho é construído pela fêmea, geralmente no solo, bem escondido entre a vegetação densa, ou em pequenas depressões protegidas por ervas ou tufos.

É uma taça bem construída de musgo, ervas e raízes, forrada com pêlos e penas.

A fêmea põe 4 a 6 ovos azuis-esverdeados pálidos, com pequenas manchas avermelhadas.

A incubação dura cerca de 13-14 dias e é realizada principalmente pela fêmea.

Ambos os pais alimentam os juvenis, que abandonam o ninho ao fim de 12-15 dias, mas continuam a ser alimentados pelos pais por mais algum tempo.

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O Cartaxo-comum é uma espécie classificada como Pouco Preocupante (Least Concern) a nível global e europeu pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

A sua população é considerada estável ou em ligeiro declínio em algumas regiões, mas sem ameaças significativas à sua sobrevivência a longo prazo.

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Em Portugal, é uma espécie comum e residente, presente em quase todo o território continental, embora a sua abundância possa variar localmente.

Beneficia da heterogeneidade das paisagens agrícolas tradicionais e da presença de habitats abertos.

No entanto, a intensificação agrícola, a perda de sebes e a alteração dos habitats podem representar desafios a nível local.

A sua adaptabilidade a diferentes tipos de ambientes, desde que com vegetação adequada para poleiros e alimentação, contribui para a sua ampla distribuição e abundância.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
26
Jun25

“Coruja-do-mato (Strix aluco)” ou coruja-parda


Mário Silva Mário Silva

“Coruja-do-mato (Strix aluco)” ou coruja-parda

26Jun DSC00624_ms

A coruja-do-mato (Strix aluco), também conhecida como coruja-parda, é a espécie retratada na fotografia de Mário Silva.

Estas aves noturnas, com os seus olhos penetrantes e voo silencioso, fascinam a humanidade há milénios, gerando uma rica tapeçaria de mitos e, claro, muitas realidades científicas.

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Desde a antiguidade, as corujas têm sido figuras proeminentes no folclore de diversas culturas, muitas vezes associadas a dualidades e simbolismos opostos:

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Na mitologia grega, a coruja era o animal sagrado da deusa Atena, deusa da sabedoria, da guerra estratégica e das artes.

Esta associação perdura até hoje, sendo a coruja frequentemente utilizada como símbolo de inteligência, erudição e estudo.

Acredita-se que a sua capacidade de ver no escuro simbolize a capacidade de enxergar além das aparências, desvendando verdades ocultas.

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Paradoxalmente, em muitas outras culturas, especialmente em algumas tradições europeias e latino-americanas, a coruja é vista como um presságio de morte, doença ou desgraça.

O seu piar noturno, muitas vezes percebido como um lamento, era interpretado como um anúncio de fatalidade.

A crença de que a coruja "chama a alma" dos doentes ainda persiste em algumas regiões.

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Na Idade Média, a coruja foi frequentemente associada a bruxas, magias negras e rituais noturnos.

A sua vida noturna e hábitos discretos contribuíram para essa reputação, tornando-a um símbolo do misterioso e do sobrenatural.

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Contudo, nem todos os mitos são negativos.

Em algumas culturas, a coruja era vista como um amuleto de proteção contra maus espíritos ou um portador de boa sorte, especialmente para aqueles que buscavam conhecimento.

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Longe dos véus do mito, a ciência revela-nos a verdadeira natureza das corujas, criaturas notáveis com adaptações impressionantes.

 

A mais notável adaptação das corujas é a sua visão noturna superdesenvolvida.

Os seus olhos grandes e tubulares, que não se movem nas órbitas como os nossos, são projetados para captar o máximo de luz disponível.

Para compensar a falta de mobilidade ocular, as corujas conseguem girar a cabeça em até 270 graus, proporcionando um campo de visão incrivelmente amplo.

Além da visão, a audição das corujas é extremamente aguçada e direcional.

A face em forma de disco atua como um coletor de som, e a assimetria das aberturas auditivas de muitas espécies permite-lhes localizar presas com precisão milimétrica, mesmo na escuridão total.

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As penas das asas das corujas possuem uma estrutura especial que permite um voo praticamente inaudível.

As bordas das penas são serrilhadas, quebrando o fluxo de ar e eliminando o ruído que normalmente acompanharia o bater das asas.

Essa adaptação é crucial para a caça, permitindo que se aproximem das presas sem serem detetadas.

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As corujas são predadores noturnos por excelência.

A sua dieta consiste principalmente de pequenos mamíferos (roedores, musaranhos), aves, insetos e, ocasionalmente, anfíbios e répteis.

Desempenham um papel vital no controlo de pragas em ecossistemas naturais e agrícolas.

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A maioria das espécies de corujas é solitária e territorial, defendendo rigorosamente o seu espaço de caça e nidificação.

A coruja-do-mato, por exemplo, é uma espécie sedentária que ocupa o mesmo território durante toda a sua vida.

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As corujas não constroem ninhos elaborados.

Geralmente utilizam cavidades em árvores (como é o caso da coruja-do-mato, que se adapta bem a buracos em árvores velhas), tocas abandonadas, fendas em rochas ou até mesmo edifícios.

O período de reprodução varia de acordo com a espécie e a região, e os pais dedicam-se intensamente ao cuidado dos filhotes.

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As corujas habitam uma vasta variedade de “habitats”, desde florestas densas e áreas rurais até parques urbanos e jardins.

A sua capacidade de se adaptar a diferentes ambientes demonstra a sua resiliência e sucesso evolutivo.

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Em suma, enquanto os mitos sobre as corujas revelam-nos a riqueza da imaginação humana e a necessidade de atribuir significado ao mundo natural, as realidades científicas oferecem-nos uma compreensão profunda e igualmente fascinante dessas aves noturnas, verdadeiras mestras da noite.

A fotografia de Mário Silva é um testemunho da beleza e do mistério que as corujas continuam a inspirar.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
20
Jun25

Pintarroxo (Linaria cannabina) - Mas ele não tem pintas… e também não é roxo!


Mário Silva Mário Silva

Pintarroxo (Linaria cannabina)

Mas ele não tem pintas… e também não é roxo!

19Jun DSC07024_ms

Na imagem, o tempo parece ter parado por um breve e precioso instante.

O pintarroxo, pequeno, mas cheio de presença, pousa sobre uma pedra manchada pelo tempo, como se fosse o guardião de histórias antigas.

O fundo desfocado em tons de verde dá destaque ao protagonista, envolto numa luz suave que parece acariciar cada pena.

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O peito rubro e vibrante brilha como se fosse chama contida, enquanto o olhar do pássaro, sereno e atento, sugere que ele conhece segredos do campo que os humanos já esqueceram.

Mário Silva, com a sua sensibilidade única, não apenas capturou uma ave — ele prendeu em imagem o respiro da natureza em estado de contemplação.

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Mas… por que “Pintarroxo”?

É impossível não se questionar com carinho e uma pontinha de humor:

“Pintarroxo?! Mas ele não tem pintas… e também não é roxo!”

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A resposta, talvez, não esteja apenas na ciência, mas sim na poética popular que batiza o mundo à sua maneira.

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O nome “pintarroxo” vem do latim vulgar "pictus" (pintado) e do português arcaico "roxo", que não significava exatamente a cor roxa como a entendemos hoje.

Na tradição antiga, “roxo” podia designar qualquer tom avermelhado ou violáceo, especialmente aqueles que se destacavam na natureza.

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O peito do macho adulto, especialmente na primavera, adquire esse tom carmesim intenso que, à luz dourada dos dias de campo, pode parecer púrpura aos olhos de um camponês de séculos atrás.

E assim nasceu o nome — um “pintado de vermelho”, ou melhor, um pintarroxo.

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Não é um nome literal. É um nome sentido. Um nome dado por quem observa o mundo com os olhos do coração.

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O pintarroxo, pequeno e vibrante, é um símbolo de resistência e beleza discreta.

Não canta alto, não se impõe.

Mas quem o vê, não o esquece.

Assim também é a fotografia de Mário Silva: delicada, intensa e profundamente comovente.

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Nesta imagem, o pássaro é um instante de poesia viva, que nos lembra da importância de olhar com atenção — porque mesmo os menores seres carregam uma beleza que escapa aos distraídos.

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Em conclusão, “Pintarroxo” é nome de quem não precisa justificar-se com lógica — apenas existir com graça.

E Mário Silva soube escutar esse nome, com a lente e com a alma.

Porque, no fim, o que importa não é se tem pintas ou se é roxo.

O que importa… é que nos toca.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
14
Jun25

Chamariz (Serinus serinus)


Mário Silva Mário Silva

Chamariz

(Serinus serinus)

14Jun DSC03875_ms

A fotografia de Mário Silva, intitulada “Chamariz (Serinus serinus)”, captura a delicadeza de um pequeno pássaro pousado num galho, com o seu corpo amarelo brilhante contrastando contra o céu azul e a vegetação coberta de musgo.

O Chamariz, ou “Serinus serinus”, é uma ave comum em várias regiões da Europa, África e Ásia Ocidental, conhecida pelo seu canto melodioso e pela sua plumagem vibrante.

Preservar essa espécie é essencial por diversos motivos, tanto ecológicos quanto culturais.

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O Chamariz desempenha um papel importante nos ecossistemas onde habita.

Como ave granívora, ele alimenta-se principalmente de sementes, contribuindo para a dispersão de plantas e ajudando a manter o equilíbrio da vegetação em áreas naturais.

Além disso, serve como presa para predadores naturais, como aves de rapina, sendo uma peça fundamental na cadeia alimentar.

A presença do Chamariz num ambiente é também um indicador de saúde ecológica, pois ele depende de habitats com boa qualidade, como campos abertos, bosques e jardins.

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Além da sua relevância ecológica, o Chamariz tem um valor cultural e estético.

O seu canto alegre é uma fonte de inspiração para poetas, músicos e amantes da natureza, trazendo beleza e serenidade aos espaços que frequenta.

Em muitas culturas, pássaros como o Chamariz simbolizam liberdade e harmonia, ligando as pessoas à natureza de forma profunda.

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No entanto, o Chamariz enfrenta ameaças como a perda de “habitat” devido à urbanização, o uso de pesticidas que reduzem a sua fonte de alimento e as mudanças climáticas, que alteram os seus padrões migratórios.

Para preservar esta espécie, é crucial proteger os seus “habitats” naturais, promover práticas agrícolas sustentáveis e aumentar a conscientização sobre a importância da biodiversidade.

Ações como a criação de áreas protegidas e a redução do uso de químicos nocivos podem garantir que o Chamariz continue a encantar as futuras gerações com a sua presença e o seu melodioso canto.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
11
Jun25

“O simbolismo da andorinha (Hirundo rustica)"


Mário Silva Mário Silva

O simbolismo da andorinha

(Hirundo rustica)

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A fotografia de Mário Silva, intitulada “O simbolismo da andorinha (Hirundo rustica)”, captura uma andorinha no seu ninho, feito de barro e materiais naturais.

A andorinha, com a sua plumagem característica de tons escuros e brancos, está parcialmente visível, com a cabeça e o corpo emergindo do ninho.

A iluminação suave destaca a textura do ninho e as cores da ave, criando um contraste com o fundo claro, de uma parede.

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A imagem mostra um momento íntimo e natural: a andorinha no seu habitat, simbolizando a ligação com a natureza e o ciclo da vida.

O ninho de barro, construído com precisão, reflete a habilidade e a dedicação da ave.

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A andorinha (Hirundo rustica), conhecida como um símbolo de renovação, esperança e liberdade, é frequentemente associada à chegada da primavera e à ideia de retorno, já que é uma ave migratória que volta ao mesmo local ano após ano.

Na fotografia, o ninho reforça a ideia de lar, proteção e continuidade.

A escolha de Mário Silva em capturar esse momento pode simbolizar a resiliência e a harmonia da natureza, além de evocar um sentimento de nostalgia e simplicidade.

A andorinha, ao construir o seu ninho, representa o trabalho árduo e a dedicação, valores que podem ser interpretados como uma metáfora para a vida humana e a busca por estabilidade.

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A composição da fotografia, com foco na ave e no ninho, transmite serenidade e um convite à reflexão sobre a relação entre o homem e a natureza, destacando a beleza nas pequenas coisas do quotidiano.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
03
Jun25

Chasco-cinzento fêmea (Oenanthe oenanthe)


Mário Silva Mário Silva

Chasco-cinzento fêmea (Oenanthe oenanthe)

03Jun DSC06525_ms

A fotografia de Mário Silva captura uma fêmea de chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe), uma ave migratória conhecida pela sua elegância discreta e comportamento ágil.

Na imagem, a ave está pousada num fio elétrico, exibindo a sua plumagem em tons de castanho-acinzentado, com um distintivo tom alaranjado na cauda, que é uma característica marcante da espécie.

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O chasco-cinzento é uma pequena ave passeriforme, comum em regiões de clima temperado da Europa, África e Ásia.

Durante o verão, reproduz-se em áreas abertas e rochosas, como campos, charnecas e encostas, onde constrói o ninho em cavidades no solo ou entre pedras.

No inverno, migra para o sul, atravessando o deserto do Saara para passar a temporada em savanas e áreas semiáridas da África Subsaariana.

Essa migração é impressionante, considerando o tamanho reduzido da ave – cerca de 15 cm de comprimento – e as longas distâncias que percorre, muitas vezes superiores a 10.000 km por ano.

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A fêmea, como a da fotografia, apresenta uma coloração mais discreta que o macho, que na época de reprodução exibe tons mais vivos, como uma máscara preta e peito alaranjado.

O chasco-cinzento é conhecido pela sua agilidade ao caçar insetos em voo ou no solo, frequentemente pousando em locais expostos, como o fio da imagem, para observar o ambiente.

O seu canto é melodioso e usado para marcar território durante a época de acasalamento.

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Esta espécie desempenha um papel importante nos ecossistemas, contribuindo para o controle de populações de insetos.

Contudo, enfrenta desafios como a perda de habitat e mudanças climáticas, que afetam as suas rotas migratórias e áreas de nidificação.

A fotografia de Mário Silva não só destaca a beleza natural do chasco-cinzento, mas também lembra-nos da importância de proteger estas aves migratórias e os seus habitats.

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Testo & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
27
Mai25

“Cartaxo-comum ou Chasco (Saxicola Torquata)”


Mário Silva Mário Silva

“Cartaxo-comum ou Chasco

(Saxicola Torquata)”

27Mai DSC06548_ms

A fotografia de Mário Silva retrata um Cartaxo-comum, também conhecido como Chasco (Saxicola torquata), uma pequena ave passeriforme.

Na imagem, o pássaro está pousado num galho de arbusto com espinhos, exibindo a sua plumagem característica: uma mistura de tons castanhos, com peito alaranjado, asas escuras com detalhes brancos e uma cauda curta.

O fundo é um céu claro, destacando a ave e as folhas verdes do arbusto, com a assinatura do fotógrafo no canto inferior direito.

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O Cartaxo-comum, cientificamente conhecido como “Saxicola Torquata”, é uma pequena ave passeriforme amplamente distribuída nas regiões da Europa, África e Ásia.

Com o seu peito alaranjado e comportamento ativo, é frequentemente avistado em campos abertos, áreas de pastagem e terrenos com vegetação rasteira.

Apesar do seu tamanho modesto, o Cartaxo-comum desempenha um papel significativo na manutenção de ecossistemas saudáveis, contribuindo para o controle de populações de insetos e a dispersão de sementes.

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O Cartaxo-comum é um predador oportunista de insetos, alimentando-se principalmente de pequenos artrópodes, como gafanhotos, besouros e aranhas.

Essa dieta torna-o num importante agente de controle biológico em ecossistemas agrícolas e naturais.

Ao reduzir populações de insetos que se podem tornar pragas, a ave ajuda a proteger culturas e a minimizar a necessidade de pesticidas químicos, promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis e preservando a biodiversidade local.

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Embora a sua dieta seja predominantemente insetívora, o Cartaxo-comum também consome pequenas frutas e bagas, especialmente durante os meses mais frios, quando os insetos são menos abundantes.

Esse comportamento transforma-o num dispersor de sementes, contribuindo para a regeneração de plantas no seu habitat.

A dispersão de sementes é essencial para a manutenção da diversidade vegetal, a restauração de áreas degradadas e o equilíbrio de ecossistemas, especialmente em paisagens fragmentadas.

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A presença do Cartaxo-comum num ambiente é frequentemente um indicador de saúde ecológica.

Esta ave prefere habitats abertos com vegetação baixa e média, que são típicos de paisagens bem equilibradas.

A diminuição das suas populações pode sinalizar problemas como a perda de “habitat”, o uso excessivo de pesticidas ou a degradação do solo.

Assim, monitorar o Cartaxo-comum pode ajudar os cientistas a identificar áreas que necessitam de intervenções para a conservação ambiental.

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Em conclusão, o Cartaxo-comum é muito mais do que uma ave de bela aparência; ele é um componente vital para a saúde dos ecossistemas.

O seu papel no controle de pragas, na dispersão de sementes e como indicador de qualidade ambiental destaca a importância de proteger essa espécie e o seu “habitat”.

A conservação do Cartaxo-comum, por meio de práticas como a preservação de áreas naturais e a redução do uso de químicos agrícolas, beneficia não apenas a ave, mas todo o ecossistema que ela ajuda a sustentar.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
06
Mai25

 “O tordo-comum (Turdus philomelos) que queria ser uma cotovia (Alaudidae)”


Mário Silva Mário Silva

 “O tordo-comum (Turdus philomelos)

que queria ser uma cotovia (Alaudidae)”

06Mai DSC06392_ms

A fotografia de Mário Silva retrata um tordo-comum (Turdus philomelos), uma ave pequena e castanha com peito salpicado de manchas escuras, pousada num galho.

O título "que queria ser uma cotovia (Alaudidae)" sugere uma brincadeira poética, talvez aludindo à postura ou ao ambiente da ave, que remete ao comportamento das cotovias, conhecidas por cantarem em voo.

O fundo verde desfocado destaca o pássaro e o galho, criando uma composição natural e serena.

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O Tordo que Queria Ser Cotovia

Numa floresta verdejante, onde os raios de sol dançavam entre as folhas, vivia um tordo-comum chamado Téo.

Ele era um pássaro de penas castanhas salpicadas de pintas brancas, com um canto melodioso que encantava quem o ouvia.

Mas Téo não estava satisfeito.

Ele sonhava ser uma cotovia, uma ave conhecida por voar alto e cantar enquanto paira no céu, como se beijasse as nuvens.

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Todas as manhãs, Téo observava as cotovias subindo em espiral, as suas asas cortando o ar com graça, enquanto entoavam uma melodia que parecia tocar o coração do vento.

"Se ao menos eu pudesse voar assim", suspirava Téo, pousado num ramo musgoso.

Ele tentava imitar o voo das cotovias, mas as suas asas, mais curtas e largas, não o levavam tão alto.

O seu canto, embora belo, não tinha a leveza etérea das cotovias.

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Um dia, Téo decidiu pedir ajuda à sábia coruja, Dona Clara, que morava numa árvore oca.

"Dona Clara, quero ser uma cotovia! Quero voar alto e cantar como elas. O que devo fazer?" perguntou, com os olhos brilhando de esperança.

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Dona Clara, com o seu olhar penetrante, respondeu: "Téo, cada pássaro tem o seu próprio dom.

As cotovias voam alto porque nasceram para isso, mas tu tens um canto que emociona a floresta inteira. Por que queres ser algo que não és?"

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"Porque acho que serei mais feliz assim", confessou Téo, cabisbaixo.

"Então", disse Dona Clara, "tenta voar como uma cotovia, mas não esqueças quem és."

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Determinado, Téo passou dias treinando. Ele batia as asas com força, subindo cada vez mais alto, até sentir o ar rarefeito.

Mas, ao tentar cantar enquanto voava, perdia o fôlego e caía, rolando por entre as folhas.

Os outros pássaros riam, e Téo sentia-se envergonhado.

Ainda assim, não desistiu.

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Numa manhã de primavera, enquanto Téo tentava mais uma vez, uma cotovia chamada Lila pousou ao seu lado. "Por que te esforças tanto, tordo?" perguntou ela, curiosa.

"Quero ser como tu", respondeu Téo. "Quero voar alto e cantar para o céu."

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Lila sorriu. "Sabes, Téo, eu invejo o teu canto. Ele é tão rico e profundo que faz a floresta parar para ouvir. Eu canto no céu, mas ninguém presta tanta atenção quanto presta a ti. Por que não cantamos juntos?"

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Téo hesitou, mas aceitou.

Ele e Lila começaram a cantar — ela voando em círculos no céu, com a sua melodia leve, e ele no ramo, com o seu canto quente e envolvente.

As vozes dos dois misturaram-se, criando uma harmonia que fez a floresta inteira silenciar.

Os pássaros, os esquilos e até o vento pareceram parar para ouvir.

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Naquele momento, Téo percebeu que não precisava ser uma cotovia para ser especial.

Ele era um tordo, e o seu canto tinha um poder único.

A partir daquele dia, Téo e Lila tornaram-se amigos, cantando juntos sempre que podiam, unindo o céu e a terra numa melodia perfeita.

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E assim, o tordo que queria ser cotovia aprendeu a amar quem era, descobrindo que a verdadeira felicidade não está em ser outro, mas em partilhar o que há de melhor em si.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
24
Mar25

"Uma Maravilha da Natureza: Chapim-real “Parus major”


Mário Silva Mário Silva

"Uma Maravilha da Natureza:

Chapim-real “Parus major”

24Mar DSC05728_ms

Num canto silencioso da manhã, onde o céu se veste de um azul suave e as árvores sussurram segredos antigos, surge uma maravilha da natureza: o chapim-real, Parus major, em toda a sua glória alada.

Empoleirado com graça sobre os galhos nus de uma árvore que desperta para a primavera, ele exibe o seu manto de cores vivas — o negro profundo da cabeça, o branco puro do rosto e o amarelo radiante que dança no seu peito.

As flores em botão, ainda tímidas, parecem saudá-lo, como se a própria terra reconhecesse a sua presença como guardião dos seus tesouros.

Este pequeno embaixador da floresta, com o seu canto agudo que corta o ar, é mais do que uma simples ave.

Ele é um símbolo vivo da resiliência da natureza, um tecelão de equilíbrio que dança entre os ramos, alimentando-se das sementes e insetos que ameaçam o delicado tecido da vida vegetal.

Em cada movimento, ele lembra-nos da interligação que une todos os seres — o canto de um pássaro, o desabrochar de uma flor, o sopro do vento que carrega promessas de renovação.

Que o chapim-real nos inspire a proteger este santuário verde, a ouvir os ecos da vida que pulsa nas florestas e a honrar a beleza frágil que a humanidade tantas vezes esquece.

Pois, no seu pequeno corpo, reside a força de um mundo que clama por cuidado e reverência.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
15
Mar25

“A Trepadeira-azul (Sitta europaea) – o labor não se mede pelo tamanho”


Mário Silva Mário Silva

“A Trepadeira-azul (Sitta europaea)

o labor não se mede pelo tamanho”

15Mar DSC00481_ms

Na penumbra da floresta, onde a luz dança entre os troncos das árvores, Mário Silva captura a essência da vida selvagem num instante de pura beleza.

A Trepadeira-azul (Sitta europaea), com a sua plumagem delicada em tons de azul, cinzento e laranja, surge em destaque, desafiando a gravidade ao percorrer o tronco rugoso de uma árvore.

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A sua postura, de cabeça para baixo, revela a agilidade e a destreza desta pequena ave, capaz de desafiar as leis da natureza em busca de alimento.

O seu bico fino e comprido, uma ferramenta precisa, explora as fendas da casca em busca de insetos e sementes, revelando a sua incansável busca pela sobrevivência.

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A textura da casca da árvore, coberta de líquenes e musgo, contrasta com a suavidade da plumagem da Trepadeira-azul, criando um jogo de texturas e cores que enriquece a imagem.

A luz suave, que se infiltra entre as árvores, ilumina a ave, realçando a sua beleza e a sua delicadeza.

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Nesta imagem, Mário Silva convida-nos a contemplar a beleza da natureza em pequenos detalhes, a apreciar a força e a resiliência da vida selvagem.

A Trepadeira-azul, com a sua aparente fragilidade, demonstra que o labor não se mede pelo tamanho, mas sim pela determinação e pela capacidade de superar os desafios.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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