Casas de Monforte – Águas Frias – Chaves – Portugal
As "Alminhas" são pequenos santuários ou nichos religiosos que se encontram espalhados por várias regiões de Portugal, como o exemplo capturado na fotografia de Mário Silva em Casas de Monforte, Águas Frias, Chaves.
Estas construções, muitas vezes embutidas em paredes de casas ou caminhos rurais, são testemunhos de uma tradição profundamente enraizada na cultura popular portuguesa, ligada à fé católica e à memória dos defuntos.
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As origens das "Alminhas" remontam à Idade Média, numa época em que a morte era uma presença constante na vida das comunidades, marcada por pragas, guerras e condições de vida difíceis.
Inspiradas na crença de que as almas dos falecidos, especialmente as que estavam no purgatório, podiam beneficiar de orações e atos de caridade, estas pequenas capelas começaram a ser erguidas como forma de oferecer conforto espiritual.
Os nichos eram frequentemente dedicados a almas penadas, sendo comum a inscrição de pedidos de esmolas ("esmolas pelas almas") para que os vivos ajudassem na salvação dessas almas através de missas ou orações.
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A construção das "Alminhas" ganhou especial relevância entre os séculos XVII e XIX, coincidindo com o Barroco e o aumento da devoção popular.
Eram geralmente financiadas por famílias locais ou comunidades, muitas vezes em memória de entes queridos ou como agradecimento por favores divinos.
A arquitetura simples, com um arco de pedra e uma cruz no topo, reflete a humildade das intenções, enquanto os altares interiores, decorados com imagens de santos, anjos ou cenas da Virgem Maria, como na fotografia, simbolizam a esperança de redenção.
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Com o passar do tempo, as "Alminhas" tornaram-se marcos culturais e religiosos, muitas vezes associadas a tradições locais, como a colocação de flores ou velas.
Apesar da modernização, estas construções continuam a ser preservadas como parte do património imaterial português, evocando um passado de fé, solidariedade e memória coletiva.
Casas de Monforte – Águas Frias – Chaves – Portugal
A fotografia de Mário Silva, intitulada “Alminhas” – Casas de Monforte – Águas Frias – Chaves - Portugal, mostra um pequeno nicho religioso encravado numa parede de pedra.
Dentro do nicho, há uma pintura que retrata uma cena tradicional: um anjo, possivelmente São Miguel Arcanjo, que está no topo, com asas e uma lança, sobre um fundo celestial.
Abaixo, figuras humanas, algumas em vestes azuis, parecem estar em sofrimento, envoltas em chamas que simbolizam o Purgatório.
À frente da pintura, há um vaso dourado com flores brancas (provavelmente lírios, associados à pureza) e uma lamparina vermelha com uma cruz, contendo uma vela acesa.
A palavra "Esmolas" está escrita na base do nicho, sugerindo um pedido de ofertas para as almas.
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Os nichos conhecidos como "alminhas" são pequenas construções religiosas comuns em Portugal, especialmente em áreas rurais como Trás-os-Montes.
Surgiram principalmente entre os séculos XVII e XIX, durante o período da Contrarreforma, quando a Igreja Católica reforçava a doutrina do Purgatório.
Esses nichos eram erguidos em encruzilhadas, caminhos ou muros, com o objetivo de lembrar os fiéis de orar pelas almas do Purgatório.
Muitas vezes, continham imagens ou pinturas de almas penadas no meio de chamas, com anjos ou santos intercessores, e a palavra "esmolas" indicava a solicitação de donativos para missas ou orações que ajudassem a aliviar o sofrimento dessas almas.
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Na tradição católica, as "almas penadas" são as almas dos mortos que estão no Purgatório, um estado intermediário entre o Céu e o Inferno.
Segundo a doutrina, essas almas pertencem a pessoas que morreram em estado de graça, mas ainda precisam ser purificadas de pecados veniais ou expiar as consequências de pecados já perdoados.
No Purgatório, elas sofrem temporariamente, frequentemente representado por chamas, até estarem prontas para entrar no Céu.
A Igreja ensina que as orações, missas e esmolas dos vivos podem ajudar a acelerar essa purificação, daí a importância dos nichos como as "alminhas", que incentivam os fiéis a interceder por essas almas.
Em muitas estradas e encruzilhadas de Portugal, é comum encontrar pequenos nichos de pedra, conhecidos como Alminhas.
São pequenos monumentos religiosos erguidos em honra das almas do Purgatório, representando um dos elementos mais tradicionais da religiosidade popular portuguesa.
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O Que São as Alminhas?
As Alminhas são manifestações de fé, erguidas geralmente por famílias ou comunidades, como forma de lembrar e interceder pelas almas dos falecidos que ainda não alcançaram a salvação eterna.
Muitas vezes, esses oratórios são acompanhados de imagens religiosas, como representações do fogo purificador, santos intercessores e cruzes.
É habitual ver velas acesas e flores junto a essas estruturas, demonstrando a devoção dos fiéis que ali rezam pelos mortos.
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O Que São Almas Penadas?
Na tradição popular portuguesa, as Almas Penadas são espíritos de pessoas falecidas que, por diversos motivos, não encontraram descanso após a morte.
Acredita-se que estas almas vagueiam pelo mundo dos vivos, manifestando-se através de lamentos, luzes estranhas ou até aparições.
Segundo a crença, essas almas buscam orações e boas ações dos vivos para conseguirem redenção e seguir para a luz divina.
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O Que É o Purgatório?
O conceito do Purgatório está enraizado na doutrina católica e refere-se a um estado transitório de purificação após a morte.
Segundo a Igreja, as almas que não morreram em estado de graça plena, mas que também não merecem a condenação eterna, passam por esse processo de purificação para se tornarem dignas do Céu.
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Na tradição portuguesa, essa ideia do Purgatório está fortemente ligada às Alminhas, pois acredita-se que as orações dos vivos podem aliviar o sofrimento das almas que ali se encontram, acelerando a sua ascensão ao Paraíso.
Daí a importância dos monumentos das Alminhas, que servem como pontos de oração e intercessão.
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As Alminhas e a Cultura Popular
As Alminhas fazem parte do imaginário coletivo português e continuam a ser respeitadas, mesmo nos tempos modernos.
Muitas histórias e lendas falam de milagres atribuídos a promessas feitas nesses pequenos altares.
Os viajantes que passam por esses nichos costumam fazer o sinal da cruz ou murmurar uma oração, mantendo viva a tradição que atravessa séculos.
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Assim, as Alminhas são mais do que simples monumentos – são testemunhos da fé e da relação profunda dos portugueses com os seus antepassados, num ciclo de devoção, esperança e memória.
A fotografia mostra uma estrutura conhecida como "Alminhas" localizada em Águas Frias, Chaves, Portugal.
As "Alminhas" são pequenas capelas ou nichos geralmente encontrados em encruzilhada de estradas ou caminhos rurais, e são dedicadas às almas do purgatório.
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As "Alminhas" têm origem na tradição católica, especialmente na Península Ibérica, onde eram erguidas como forma de devoção e lembrança das almas dos falecidos que se acreditava estarem no purgatório, precisando de orações para alcançar o céu.
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A crença central é que as almas do purgatório podem ser ajudadas a alcançar a salvação através das orações dos vivos.
As pessoas acreditavam que ao rezar, acender velas ou deixar oferendas nestas capelas, estavam a ajudar essas almas a reduzir o seu tempo no purgatório.
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Existem várias lendas associadas às "Alminhas".
As "Almas Penadas" são uma parte fascinante do folclore português, especialmente relacionado às "Alminhas".
Almas Penadas refere-se a almas dos falecidos que, segundo a crença popular, ainda estão no purgatório, um estado intermediário onde as almas expiam os seus pecados antes de alcançar o céu.
Essas almas são vistas como penadas porque estão num estado de sofrimento ou busca por redenção.
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Segundo a lenda, essas almas podem aparecer aos vivos, muitas vezes à noite, em locais como encruzilhadas, cemitérios, ou perto das "Alminhas".
Elas podem manifestar-se como sombras, luzes fracas, ou até mesmo como figuras humanas translúcidas.
Uma característica comum dessas aparições é que elas pedem orações.
Acredita-se que as orações dos vivos podem ajudar a aliviar o sofrimento destas almas e acelerar o seu caminho para o céu.
Por exemplo, uma alma penada poderia aparecer para alguém e pedir que rezassem por ela para diminuir o seu tempo no purgatório.
Às vezes, as almas penadas são vistas como protetoras ou como portadoras de avisos.
Elas podem alertar sobre perigos iminentes ou proteger aqueles que as ajudam com as suas orações.
Em algumas estórias, elas aparecem para guiar pessoas perdidas ou para evitar que cometam erros graves.
Para honrar e ajudar estas almas, as pessoas deixam oferendas nas "Alminhas", como flores, velas, e até alimentos.
No Dia de Finados (2 de novembro), é comum ver mais atividade em torno das "Alminhas", com muitas pessoas a visitar, para rezar e lembrar os mortos.
A lenda das Almas Penadas reflete a visão cultural sobre a morte, o além-vida, e a importância da comunidade em ajudar os falecidos.
Esta crença fortalece a prática de lembrar e rezar pelos mortos, mantendo uma ligação entre os vivos e os que partiram.
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Ao longo dos séculos, as "Alminhas" têm servido como pontos de encontro espiritual e comunitário, onde as pessoas se reuniam para rezar.
Elas também simbolizam a lembrança contínua dos mortos e a interligação entre o mundo dos vivos e dos mortos na tradição católica.
Além disso, essas estruturas muitas vezes refletem a arquitetura local e a expressão artística da comunidade, tornando-as também um património cultural.
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Na imagem, a data "8-10-1983" pode indicar uma data significativa, possivelmente a data de construção ou uma data de um evento memorial específico.
A presença de flores e a manutenção da estrutura mostram que ainda é um local de devoção e respeito.
A fotografia retrata uma “alminha” localizada no cruzamento entre a rua da Paz e a rua Central, em Cimo de Vila da Castanheira (Chaves – Portugal).
A imagem captura a essência da paisagem rural portuguesa, com um campo de cereais dourados ao fundo, contrastando com a estrutura de pedra da alminha.
A alminha em si é composta por uma base de pedra, um pedestal e uma pequena capela abobadada, onde se encontra uma imagem de Cristo crucificado.
A simplicidade da construção e a beleza natural do entorno conferem à imagem um caráter contemplativo e evocador de espiritualidade.
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A fotografia apresenta uma composição equilibrada, com a alminha posicionada no centro da imagem, criando um ponto focal que atrai o olhar do observador.
A profundidade de campo permite apreciar tanto os detalhes da alminha como a amplitude da paisagem circundante.
A luz natural, suave e dourada, realça as texturas da pedra e as cores vibrantes do campo, conferindo à imagem uma atmosfera serena e acolhedora.
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Do ponto de vista técnico, a fotografia demonstra um bom domínio da exposição e da composição.
A nitidez da imagem permite apreciar os detalhes da alminha, enquanto a profundidade de campo garante que tanto o primeiro plano como o fundo estejam em foco.
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As alminhas são um elemento característico da cultura popular portuguesa, com uma forte carga simbólica e religiosa.
Elas representam pequenos santuários dedicados às almas do purgatório, construídos com a intenção de oferecer um lugar de oração e pedir pela sua salvação.
As alminhas são geralmente encontradas em locais isolados, como encruzilhadas, caminhos rurais ou em frente a casas, e são frequentemente decoradas com imagens de santos, cruzes e inscrições religiosas.
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As alminhas são um testemunho da religiosidade popular e da história de Portugal, refletindo a crença na vida após a morte e a importância da oração.
As alminhas são elementos que ajudam a definir a identidade de uma comunidade, estabelecendo um vínculo entre os vivos e os mortos e fortalecendo o sentido de pertença a um lugar.
Muitas alminhas são verdadeiras obras de arte, com esculturas e ornamentações elaboradas, que demonstram a criatividade e o talento dos artesãos populares.
As alminhas são um local de devoção e oração, onde as pessoas podem expressar sua fé e pedir proteção espiritual.
As alminhas são parte integrante da paisagem rural portuguesa, contribuindo para a beleza e o encanto das nossas aldeias e campos.
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A fotografia da alminha em Cimo de Vila da Castanheira é um exemplo da riqueza do património cultural português e da beleza das nossas tradições.
Ao capturar a essência desse pequeno monumento religioso, a imagem convida-nos a refletir sobre a importância das alminhas na nossa história e cultura, e a apreciar a beleza da paisagem que as rodeia.
"Alminhas" na estrada para Mairos - Chaves - Portugal
A fotografia mostra umas "alminhas" localizada na estrada para Mairos, em Chaves, Portugal.
As "alminhas" são pequenos oratórios ou capelas construídas ao longo das estradas, geralmente em locais de passagem, como cruzamentos, pontes e entradas de vilas.
Elas são dedicadas às almas do purgatório, e servem como um local para as pessoas rezarem por elas e oferecerem esmolas.
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As "alminhas" da fotografia é construída em cimento e tem uma forma retangular e implantada numa fraga.
A frente da capela é aberta.
No interior, há a imagem de Nossa Senhora do Rosário, com as “almas” penitenciando no fogo do Purgatório, feita em azulejos pintados à mão.
A capela está em bom estado de conservação e é bem cuidada.
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As "alminhas" são um elemento importante da cultura popular portuguesa.
Elas representam a fé católica do povo português e a crença na vida após a morte.
Elas também são um símbolo da caridade e da compaixão, pois servem como uma chamada de atenção para rezar pelas almas dos falecidos que ainda estão sofrendo no purgatório.
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As "alminhas" são frequentemente mencionadas na literatura, na música e na arte portuguesa. Elas também são um tema popular de lendas e contos folclóricos.
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As "alminhas" da estrada para Mairos - Chaves - Portugal são um importante exemplo da cultura popular portuguesa.
Elas são um lembrete da fé e da tradição do povo português, e são um símbolo da importância da caridade e da compaixão.
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Além disso, as "alminhas" são um ponto de referência importante para os viajantes que percorrem a estrada para Mairos - Chaves.
Elas oferecem um momento de paz e reflexão para os motoristas e passageiros, e podem ser um lembrete da importância de rezar pelas almas dos falecidos.
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As "alminhas" são encontradas em todo o Portugal, mas são mais comuns nas regiões do norte e do centro do país.
Elas são geralmente construídas por pessoas comuns, e muitas vezes são decoradas com azulejos, pinturas e esculturas.
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As "alminhas" são consideradas património cultural português e estão protegidas por lei.
Nos últimos anos, tem havido um crescente interesse em preservar e restaurar as "alminhas", e muitas delas foram restauradas com o apoio do governo e de organizações privadas.
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As "alminhas" são um elemento importante da cultura popular portuguesa.
Elas representam a fé, a tradição e a compaixão do povo português.
As "alminhas" da estrada para Mairos - Chaves - Portugal são um belo exemplo desta tradição, e são um lembrete da importância de rezar pelas almas dos falecidos.
As "alminhas" são pequenos nichos ou capelas dedicadas às almas dos falecidos.
São encontrados em todo o Portugal, mas são mais comuns nas regiões do Norte e Centro do país.
A origem das "alminhas" remonta à Idade Média, quando a crença no purgatório era muito difundida. O purgatório era um lugar de purificação das almas após a morte, antes de entrarem no Céu ou no Inferno.
As "alminhas" eram construídas como forma de ajudar as almas a alcançar a salvação eterna.
As primeiras "alminhas" eram simples cruzes de madeira colocadas em locais onde se acreditava que os falecidos haviam morrido.
Com o tempo, as "alminhas" tornaram-se mais elaboradas, sendo feitas de pedra, tijolo ou madeira e decoradas com imagens religiosas, flores e velas.
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A "alminha" da Nossa Senhora dos Bons Caminhos é um exemplo típico de "alminha" portuguesa. É feita de tijolo e tem uma cruz no topo. A capela está decorada com imagens da Virgem Maria e de Jesus Cristo.
As "alminhas" são geralmente encontradas em locais públicos, como cruzamentos de estradas, praças e cemitérios
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As "alminhas" têm um significado religioso e cultural importante. Elas são um símbolo da fé católica e da crença na vida após a morte.
As "alminhas" também nos lembram da fragilidade da vida e da importância de rezar pelas almas dos falecidos.
Além disso, as "alminhas" têm um valor cultural importante. Elas fazem parte do património cultural português e são um símbolo da identidade nacional.
As "alminhas" também são um ponto de encontro para a comunidade, onde as pessoas se reúnem para rezar e conversar.
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As "alminhas" são frequentemente mencionadas na cultura popular portuguesa. Elas aparecem em canções, histórias e lendas. As "alminhas" também são um tema popular na arte portuguesa.
Um exemplo famoso da presença das "alminhas" na cultura popular portuguesa é a canção "As Alminhas", de Zeca Afonso. A canção fala sobre a importância de rezar pelas almas dos falecidos e de lembrar das pessoas que já morreram.
As "alminhas" são um elemento importante da cultura portuguesa. Elas são um símbolo da fé católica, da crença na vida após a morte e da identidade nacional.
As "alminhas" também são um ponto de encontro para a comunidade e um tema popular na cultura popular portuguesa.
Definidas de um modo simples, como são nichos onde se colocam alminhas pinturas ou figuras esculpidas representando as almas no Purgatório e algum santo, a Virgem ou Cristo. Outros elementos necessários são cruzes, que tanto podem estar no topo do monumento como esculpir na sua superfície (geralmente em alto relevo), ou fazendo apelo à oração dos passantes. Nalguns casos, pode aparecer o nome de uma pessoa falecida nenhum local assinalado. Por vezes, surge ainda uma data, geralmente da ocorrência que justificou a sua colocação. Sendo muito grande a variedade, não se pode definir um formato comum a todas elas.
Assim, podemos encontrar a sua parte inferior em forma de coluna (seção cilíndrica ou retangular) ou mesmo esta não existir, estar o nicho inserido num muro ou parede. Dentro do nicho, um Podia ser pintada diretamente na pedra (o que faz com que, nestas situações, seja muito raro encontrar mais do que o nicho vazio, pelos dados das tintas, fruto da ação dos elementos ou dos homens); outros casos, foi usado uma base em madeira para sobre ela executara pintura, com os mesmos resultados já em geral; uma terceira possibilidade (por vezes resultante de um acrescento relativamente moderno) é a utilização do azulejo para a execução da representação desejada. Em alguns casos, foi feito sobre uma base metálica, que depois se fixou no nicho.
Flávio Gonçalves (Gonçalves, 1959) foi o primeiro autor a apresentar uma visão credível e fundamentada sobre este tema. Nesse seu trabalho, apresenta alguns dos aspetos essenciais desta manifestação de religiosidade popular:
- aparecem em lugares bem definidos: nas bermas das estradas ou caminhos, à entrada de pontes e encruzilhadas como;
- no painel, estão identificados os chamados a arder do Purgatório;
- na parte superiores, estão como figuras celestes Protetoras;
- abaixo do nicho, encontra-se o peto (caixa das esmolas), muitas vezes já sem uso, fruto de sucessivos roubos o u destruições;
- os condenados encontram-se despidos, de braços erguidos;
- por, estão presentes anjos, que ajudarão as vezes as almas libertas do Purgatório;
- na parte superior, podemos encontrar Cristo Crucificado, uma Virgem do Carmo, Santo António, etc.;
- a diversidade dos condenados fica bem patente no cumprimento de cabelos (homens e mulheres) ou adornos como coroas ou mitras;
- por último, o apelo à oração pelas almas dos condenados ao Purgatório pode assumir muitas formas, que vão desde os PNAM iniciais [Pai Nosso, Avé Maria] até textos mais elaborados, inclusivamente em quadras.
Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite.
... vista sobre Cimo de Vila ...
Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos.
E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.
Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador.
Tudo parado e mudo. Apenas e move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:
– Para cá do Marão, mandam os que cá estão!…
... o cão atento, vigiando a entrada de casa ...
Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de nós?
Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena: – Entre!
A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso.
... ó lua que vais tão alto, iluminando a noite desta terra do Reino Maravilhoso ...
A autoridade emana da força interior que cada qual traz do berço. Dum berço que oficialmente vai de Vila Real a Chaves, de Chaves a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Régua.
Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.
Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas. Nos intervalos, apertados entre os rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta angústia.
E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista.
... planta encarnada que rompe por entre as folhas já a entrarem em decomposição ...
Não se vê por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho. Mas dá. Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre.
Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio aveza, crescem as cepas como os manjericos às janelas. No Setembro, os homens deixam as eiras da Terra-Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem.
E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo. A terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão.
Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde: – Entre quem é! Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva.
... nicho de S.ta Rita - manifestação da devoção cristã das Gentes da Aldeia ...
Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada.
Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Medo de ficarem aquém do estalão por onde, desde que o mundo é mundo, se mede à hora da morte o tamanho de uma criatura.
... na estreita rua D.ª Alice Chaves ...
Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura emigram. Metem toda a quimera numa saca de retalhos, e lá vão eles. Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia.
O nome de Trasmontano, que quer dizer filho de Trás-os-Montes, pois assim se chama o Reino Maravilhoso de que vos falei.
in: "Trás-os-Montes, o Reino Maravilhoso" de Miguel Torga
O Dia Internacional da Literacia celebra-se a 8 de setembro.
O objetivo da data é destacar a importância da literacia para as pessoas e para as sociedades.
Numa sociedade moderna, tecnológica e avançada, estima-se que cerca de 800 milhões de pessoas adultas ainda não sabem ler nem escrever, enquanto mais de 122 milhões de crianças em idade escolar não vão à escola.
As mulheres constituem dois terços da população analfabeta mundial.
O relatório PISA (Program for International Student Assessment) 2012 apontou Portugal como o segundo país que melhor combateu o insucesso escolar no novo milénio (em 17 países analisados).
O dia mundial da literacia foi criado pela UNESCO em novembro de 1965 e celebrado pela primeira vez em 1966.
A UNESCO realiza anualmente uma cerimónia de entrega de prémios de literacia internacional.