Pequenas Gotas de Águas Frias


Águas Frias
Domingo, 6 de Janeiro de 2019

Águas Frias (Chaves) - A versão moderna dos três Reis “Magros”

 

Águas Frias (Chaves) - os três Reis Magos ...

 

A versão moderna dos

três Reis “Magros

 

Diz-se que uns reis multimilionários de aspeto físico “magro”, pois todos os dias, para manter a sua forma física corriam atrás dos camelos, pelo deserto, pelo menos 20Km por dia e só comiam verduras (o que era um luxo para o deserto. Mas como eram reis … !!!!). Esses reis, numa reunião para alterarem a monotonia dos seus exercícios físicos (já não podiam ver mais os traseiros dos camelos e a paisagem era sempre a mesma) – que monotonia !!!! Então viram no Goggle que ia aparecer uma estrela cadente, mas com movimento em “slowmotion” e que se dirigia para Belém, decidiram que o seu próximo objetivo era seguir a estrela, até porque já tinham ouvido falar muito de Belém, pois lá havia uma personagem muito popular (até dava beijinhos a qualquer um e tirava “selfies” a quem quer que lhe aparecesse à frente).

Assim decidiram … assim fizeram …

Fizeram-se ao deserto … mas tinham-se prevenido para não se perderem nem na imensidão da areia do deserto, nem na confusão das ruelas, ruas, caminhos, estradas e espante-se até “autoestradas”(que não deixavam passar os camelos dos reis … o tempo já não é o que era, nem respeito por suas majestades). Mas como ia dizendo, eles eram do deserto mas não eram camelos e para não se perderem, muniram-se de um G.P.S. (Guia Pedestre Solitário), homem sábio que bastava olhar para o céu e já sabia onde estava (nem sempre sabia é para onde devia ir, mas isso são pormenores).

Os reis vinham de origens diferentes. O Belchior mais conhecido na sua terra natal por Melchior (que significava “rei da luz”) era o mais velho, dos seus setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus, na Pérsia; Gaspar, conhecido por “o branco” (gathaspa), pela sua tez clara, era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio e Baltasar, conhecido por “senhor dos tesouros” (bithisarea), era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos e partira do Golfo Pérsico, na Arábia.

Ora em cima dos camelos, ora a pé (porque o seu traseiro real, por muito almofadado que estivesse, ressentia-se dos altos e baixos do relevo, das curvas e contracurvas (ao menos no deserto podia-se ir a direito …), dos sentidos proibidos, sentidos únicos e rotundas (… afinal, estavam a pensar fazer algumas no deserto … devia ficar bonito e gastava-se algum dinheiro do Povo …). E o Guia Pedestre Solitário (GPS), estava sempre a resmungar, ou porque as nuvens não deixavam ver as estrelas, ou o sol o encandeava, ou porque era solitário tinha que fazer o trabalho sozinho (e até ameaçava fazer greve !!!), ou eram as luzes dos  aviões que o confundiam. O certo, é que passaram semanas, meses, anos … às vezes até passavam pelo mesmo sítio.

Mas, com todos estes contratempos, lá foram seguindo a estrela cadente …

Passaram por paisagens magníficas, em especial, num reino que chamavam de Portugal.

Já tinham decidido, que depois da visita iriam comprar alguns imóveis para terem um “visto GOLD”.

Mas o que mais os deslumbrou, foi quando passaram por uma terra lindíssima que se chamava ÁGUAS FRIAS.

- Que magnifico !!! - dito em árabe por Belchior (porque primeiro falam os mais velhos).

- Que beleza ímpar !!! – exclaramou com admiração Baltasar.

- Um verdadeiro oásis !!!! – retorquiu Gaspar (que por ser o mais novo foi o último a falar).

Ainda pararam, na estrada, a pensar …

Ficamos aqui … ? Continuamos …?

Depois de demorada discussão e com o coração apertadinho, o Belchior, o mais emotivo … com os olhos lacrimejantes, concluiu:

- Viemos com um objetivo para cumprir … Chegar a Belém, e entregar os nossos presentes:

- o ouro, um presente para um “rei”; o olíbano (incenso) para um “sacerdote”, representando a espiritualidade; e a mirra, para um “profeta” (a mirra, na terra deles, era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, representava a imortalidade).

E lá foram eles, os seus camelos e o GPS…

Claro, que, como em qualquer viajem, nem tudo pode correr bem …

Encontraram o presidente do PAN, que os mandou parar, pois, segundo eles estavam a infringir a Lei, pois estavam a usar abusivamente dos animais (camelos), o que não era dignificante para o ser Animal. O três Reis ficaram boquiabertos e tentaram convencer, que lá nos seus reinos, o meio de transporte normal era o camelo e pela viajem que já tinham feito, já tinham visto muito mais “camelos”, que não sendo animais, eram menos dignificados que os seus camelos (animais). O PAN, ficou um pouco confuso (como sempre) e lá os deixou seguir viagem.

Passada aqui … passada acolá …

No dia 6 de dezembro, chegaram, finalmente a Belém.

Era já noite escura … passaram em ruas movimentadas com “máquinas” que passavam e cujos “condutores” olhavam para Eles com espanto. Espantavam estava eles com todo aquele movimento, luzes e pessoas que, qual formigas, andavam de um lado para outro.  Ainda perguntaram ao GPS:

- Afinal, é aqui, Belém?!!!!

- Suas Altezas, eu raramente tenho dúvidas e nunca me engano – Aqui é Belém.

Deambularam pela noite gélida de dezembro, até que debaixo de uma entrada de uma casa, viram um ser humano,  enroscado num cobertor velho e roto e coberto de cartões e acompanhado por dois animais (única companhia) que juntinho a Ele se aqueciam e o aqueciam ….

Os três Reis “Magros” …. olharam … observaram aquela imagem de simplicidade e sofrimento, no meio da magnitude envolvente e, com os olhos carregados de água, abeiraram-se desse Ser e pensaram:

- Só pode ser Este o que o que procuramos … o ser que veio para no meio da humildade. Simplicidade e sofrer por nós …

Desceram dos seus camelos, abeiram-se Dele, que, no meio de frio, conseguia dormir

Ajoelharam-se, em sinal do seu reconhecimento pelo seu sofrimento … cobriram-no com as suas próprias mantas …

Ele acordou … primeiro assustou-se … depois vendo aqueles Reis ajoelhados, à sua volta, espantou-se …

- Não tenham receio … Nós fizemos uma grande viajem para reconhecer a Tua valorosa Vida …

Conversaram, consolaram-no. O Seu rosto foi ficando mais cada vez mais radiante (nunca tinha sido tão bem tratado…era maltratado e ainda é).

Os Reis depois de passarem grande parte da noite com Ele, deixaram os presentes que traziam consigo: Ouro, incenso e mirra …

O Guia Pedestre Solitário (GPS) olhou para o céu e viu que a estrela que os tinha guiado, deixara de brilhar, sinal que tinham chegado ao local desejado.

Os Reis, voltaram a montar os seus camelos e com o coração triste (depois de verem o estado em que Ele vivia), sentiram-se também contentes, pois Ele ficou muito confortado com a sua visita e os presentes deixados, iriam tornar os seus dias futuros menos árduos. Afinal Ele viera para Sofrer. Mas será que os outros compreenderão o seu Sofrimento.

E, sempre com o valioso auxílio do Guia Pedestre Solitário, os Reis retomaram a viagem de regresso às suas diferentes terras. E tinham aprendido muito e tinham muito para contar.

 

Mas, o que ainda lhes ficou na memória foi aquela manhã gélida que passaram por aquelapequena mas bela AldeiaÁGUAS FRIAS”.

 

Mário Silva

 

 

 

 

 

 

 

 


publicado por ÁguasFrias às 00:05
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2 comentários:
De Anónimo a 7 de Janeiro de 2019 às 13:08
“Os Reis MAGrOS de ÁGUAS FRIAS”

Ah!
Agora entendo por que apareceu aquele clarão misterioso, lá nos céus da Nova Zelândia: a estrela que tem andado a alumiar as noites do LUMIAR e os céus do Mar da Palha tinha atravessado a fronteira dos antípodas!

Ah! Mas não é que o «salto quântico» (não fosse o electrão o artista trapezoidal desta façanha, por excelência) dessa divina bruxa-e-enleante luzinha fez disparar um «neutrino», de propósito sobre o meu toutiço, de tal maneira que me fez ver um céu estrelado, que só podia ser o mesmo que eu via lá do meu “Alto do Campo”, na GRANGINHA fronteira ao CASTELO de MONFORTE de RIO LIVRE, e onde as lágrimas das virgens dos meus sonhos se transformavam em chuva de estrelas a esconderem-se atrás das ameias e nos secretos túneis secretos desse CASTELO.
Eu, quando via uma moura desencantada lá pelo Jardim das Freiras (no intervalo das aulas); no Jardim Público (nas noites de Verbena); no Jardim do Bacalhau (na hora dos golpes … de vista na hora do recreio da Escola Comercial e Industrial); no Jardinzinho-caramanchão das CALDAS (quando ia matar a sede com um beijinho roubado …às begónias), adivinhava logo que o S. Pedro, pelo respeito que me tem por eu ter sido baptizado na sua pomposa Igreja da «Bila», tinha aberto as secretas fechaduras das secretas portas dos secretos túneis secretos daquele altaneiro CASTELO.

Cheia de feitiços e de feiticeiras essa terra, nem admira que, no regresso, os «magos» tenham «desaparecido do mapa»: nunca mais se ouviu falar deles (ao que consta, o tetra-neto-bisneto de um que tal “Marior”, do «Silvanato» de Valbom, anda por cá, por aqui e por aí, a provar que, afinal, os «magos reis» se afogaram nas paixões das Águas Frias de um Rio Livre!

Ah!
Agora entendem?!
É que ……(ganhei-tos!) BOAS -FESTAS, m’há-des dar os reis!
M., seis de Janeiro de 2019
O Cavl(h)eiro de Monforte


De ÁguasFrias a 7 de Janeiro de 2019 às 20:49
Boa noite, Sua Majestade Caval(h)eiro de Monforte !!!!
Fiquei "alegremente contente" por esta narrativa dos Reis Mag(r)os do Reino de Monforte, tenha feito recordar os Seus tempos, de juventude ... A memória, faz-nos viajar, ainda mais que os Reis Magos. É sempre bom , podermos "voltar atrás" ... Só por isso já valeu a pena, a escrita. Agradar a Sua Magestade o Caval(h)eiro de Monforte, que também traz sempre juntinho ao coração este pedaço de Terra.
As minhas BOAS FESTAS já vão tarde, mas espero que elas tenham sido digno de um Rei.
Um abraço amigo, Tupamaro ou melhor "Sua Majestade Caval(h)eiro de Monforte,

Mário Silva (desde Valbom com saudades de Águas Frias).


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