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MÁRIO SILVA "navegando" em ... águas frias

"Navegando" no Reino Maravilhoso por Terras de Monforte, especialmente na Aldeia de Águas Frias - Chaves - Trás-Os-Montes - PORTUGAL

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Águas Frias - Outubro 2020

26
Out13

Águas Frias (Chaves) - Outono ... duas maravilhas ... uvas e castanhas ...


Mário Silva Mário Silva


OUTONO - a uva e a Castanha
 
 

O Outono chegou e com ele o amadurecimento de alguns frutos muito comuns em Águas Frias. Além de muitos outros vou focalizar em dois, talvés os principais nesta região: a Uva e a Castanha.

 

A uva, claro que amadurece mais cedo sendo feitas as vindimas durante o mês de setembro, enquanto vão amadurecendo as castanhas dentro dos ouriços, que abrem e deixam cair o seu fruto pelos fins de setembro, início de outubro.

Assim, deixo alguma informação que reconhi no Wikipédia, sobre este dois nobres frutos.

 

Videira

 

 

 

 

 


 

A videira, vinha ou parreira é uma trepadeira da família das vitáceas, com tronco retorcido, ramos flexíveis, folhas grandes e repartidas em cinco lóbulos pontiagudos, flores esverdeadas em ramos, e cujo fruto é a uva. Originária da Ásia, a videira é cultivada em todas as regiões de clima temperado,

A videira produz as uvas, fruto de cujo suco se produz o vinho.

O cultivo da videira para a produção de vinho é uma das atividades mais antigas da civilização. Evidências indicam o cultivo da videira para a produção de vinho na região do Egito e da Ásia Menor durante o período neolítico, ao mesmo tempo em que a humanidade, instalada em colônias permanentes, começou a cultivar alimentos e criar gado, além de produzir cerâmica.


 

 

 

História

O cultivo da uva começou cerca de 6.000 a 8.000 anos atrás, no Oriente Médio. A levedura, um dos primeiros microorganismos conhecidos pelo homem, ocorre naturalmente na casca das uvas, levando a produção de bebidas alcoólicas, como o vinho. Os primeiros vestígios de vinho tinto são vistos na Armênia antiga, onde foi encontrada a adega mais antiga do mundo, datando de cerca de 4.000 A.C..

 

 

 

 

 

 

Por volta do Século IX, a cidade de Shiraz era conhecido por produzir um dos melhores vinhos do Oriente Médio. Hieróglifos no Antigo Egito recordam o cultivo de uvas, e a história atesta também que povos antigos da Grécia, Fenícia e Roma também cultivavam uvas para a alimentação e produção de vinho. Mais tarde, o cultivo de uvas se espalhou pela Europa, norte da África e, finalmente, América do Norte. Uvas pertencentes ao gênero Vitis proliferaram naturalmente nas selvas da América do Norte, e foram parte da dieta de muitos nativos americanos, mas foram considerados pelos colonizadores europeus como impróprio para a produção de vinho.

 

 

 

Características

As uvas crescem em cachos de 15 a 300 frutos, e podem ser vermelhas, pretas, azul-escuras, amarelas, verdes, laranjas e rosas. "Uvas brancas" são naturalmente de cor verde, e são evolutivamente derivados da uva roxa. Mutações em dois genes reguladores de uvas brancas desativam a produção de antocianinas, que são responsáveis pela cor púrpura das uvas. As antocianinas e outros polifenóis são responsáveis pelo vários tons, que variam de roxo a vermelho.

 

 

 

 

 

 

 

 

Significado religioso

Na Bíblia, as uvas são mencionadas pela primeira vez quando Noé cultiva-os em sua fazenda (Gênesis 9:20-21). Referências sobre o vinho são feitas no livro de Provérbios (20:1) e no livro de Isaías (5:20-25). Deuteronômio (18:3-5, 14:22-27, 16:13-15) relata o uso do vinho durante festas judaicas. Uvas também foram significativas para ambos gregos e romanos, e seu Deus da agricultura, Dionísio, estava ligado às uvas e do vinho, sendo freqüentemente retratado com folhas de uva em sua cabeça. As uvas são especialmente simbólicas para os cristãos, que desde o início da Igreja faz o uso do vinho na celebração da Eucaristia.8 Pontos de vista sobre o significado do vinho variam entre denominações. Na arte cristã, muitas vezes as uvas representam o sangue de Cristo.

 

 

 

 

Castanha

Ouriço de castanha

As castanhas são os aquénios (geralmente três) do ouriço, o fruto capsular epinescente do castanheiro-da-europa (Castanea sativa).

Presume-se que a castanha seja oriunda da Ásia Menor, Balcãs e Cáucaso, acompanhando a história da civilização ocidental desde há mais de 100 mil anos. A par com o pistácio, a castanha constituiu um importante contributo calórico ao homem pré-histórico que também a utilizou na alimentação dos animais.

 

 

 

 

 

Os gregos e os romanos colocavam castanhas em ânforas cheias de mel silvestre. Este conservava o alimento e impregnava-o com o seu sabor. Os romanos incluíam a castanha nos seus banquetes. Durante a Idade Média, nos mosteiros e abadias, monges e freiras utilizavam frequentemente as castanhas nas suas receitas. Por esta altura, a castanha, era moída, tendo-se tornado mesmo um dos principais farináceos da Europa.

Com o Renascimento, a gastronomia assume novo requinte, com novas fórmulas e confecções. Surge o marron glacé, passando de França para Espanha e daí, com as Invasões Francesas, chega a Portugal.

 

 



 

A castanha que comemos é, de facto, uma semente que surge no interior de um ouriço (o fruto do castanheiro). Mas, embora seja uma semente, como as nozes, tem muito menos gordura e muito mais amido (um hidrato de carbono), o que lhe dá outras possibilidades de uso na alimentação. As castanhas têm mesmo cerca do dobro da percentagem de amido das batatas. São também ricas em vitaminas C e B6 e uma boa fonte de potássio. Consideradas, actualmente, quase como uma “guloseima” de época, as castanhas, em tempo idos, constituíram um nutritivo complemento alimentar, substituindo o pão na ausência deste, quando os rigores e escassez do Inverno se instalavam. Cozidas, assadas ou transformadas em farinha, as castanhas sempre foram um alimento muito popular, cujo aproveitamento remonta à Pré-História.

 

 

 

 

Bom apetite para um belo cacho de uvas bem apetitosas, já que o vinho só estará pronto lá para o S. Martinho.

Quanto às castanha já se conseguem algumas para fazer um pequeno magusto... 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

10
Nov07

Águas Frias (Chaves) - Os Castanheiros


Mário Silva Mário Silva

 

Em Águas Frias, como em todo o País, este Outono tem sido muito solarengo e as chuvas não têm aparecido, dando uma luminosidade que faz realçar as tonalidades outonais na vegetação envolvente à Aldeia.
 
Água Frias, além das muitas árvores de fruto, tem com árvores autóctones, os carvalhos e os castanheiros.
O castanheiro é uma árvore que pode atingir grandes dimensões, podendo chegar aos 20/30 metros e tem folha caduca.
 
 O castanheiro é das folhosas que mais se vê por terras de Águas Frias
O seu porte é geralmente imponente e o seu tronco (liso nos primeiros 10/15 anos) vai, ao longo dos anos criando “rugas” cada vez mais profundas, parecendo, muitas vezes, estar torcido.
 
A criação do seu fruto faz-se no interior de um invólucro espinhoso – o ouriço.
   
Um pouco por todo o lado da Aldeia se encontram imponentes e centenários castanheiros, dando por vezes nome a determinados lugares (Souto), devido ao seu elevado número.
 
Nos inícios de Novembro, o ouriço começa a secar e a abrir, deixando cair do seu interior as castanhas, que se espalham pelo chão, junto às folhas secas que também vão caindo.
 
É a altura de as apanhar, .. mas esta não é tarefa fácil, pois é necessário, vezes sem conta, curvar-se, apanhar, meter no saco, … curvar-se, apanhar, meter no saco, … este movimento, tantas vezes repetido não deixa ninguém sem umas dorzitas nas “cruzes”
Este ano, talvez devido ao tempo seco, esta tarefa ainda foi mais penosa pois os ouriços caíam , mas pouco abertos, sendo necessário, com o pé segurar e abrir o ouriço e só depois tirar as castanhas, com as inevitáveis picadelas.
 
Este ano, segundo alguns, a produção diminuiu em quantidade mas em contrapartida a castanha é graúda e saborosa.
A castanha deixou de ser, gradualmente, um dos importantes sustentos das famílias que, durante muitas décadas, encontraram nela uma fonte de rendimento e de subsistência.
Ao longo do tempo, este saboroso fruto, foi deixando de ocupar um lugar especial na gastronomia rural mas tem, ultimamente ganho relevo nos pratos urbanos, seja como acompanhamento às carnes, assadas, cozidas ou como sobremesa.
Mas a tradição ainda se mantém: assar a castanha nos assadores tradicionais, em dia de S. Martinho (11 de Novembro).
Pena é que se tenha vindo a perder as tradicionais fogueiras no "Concelho" ou em Cimo de Vila, onde, comunitariamente, se assavam as castanhas, se brincava, se cavaqueava e se provava o vinho novo. 
Como diz o ditado popular: “Em Dia de S. Martinho, comem-se castanhas e prova-se o vinho”.
 
Como Nota: Têm vindo a diminuir os castanheiros na Aldeia, penso eu, por dois motivos:
                     - Os castanheiros estão a ficar velhos e não são plantados outros em sua substituição;
                      - Terem sido, muitos deles, afectados pela doença do “cancro” ou da “tinta”
 
 
 
  
Enquanto “rilho” uma castanha crua, deixo este poema sobre os castanheiros:
 
 
os frutos do castanheiro
eram apenas castanhas embrulhadas
em capas de espinhos debaixo dos pés
mas pareciam coisas de outro mundo
com os seus picos afiados
e por dentro tinham amadurecendo
uma alma boa para se comer

caíam pelo chão
como granizo no Inverno
e transformavam-se num tapete
sofredor como o calvário
para quem brincava descalço
com a liberdade das andorinhas

a árvore era boa de subir
larga e imponente como um castelo
explodindo na força das suas raízes
arrepiando-nos o cabelo
nas noites de ventania e tempestade

no verão aproveitávamos a sombra
para jogar às cartas e contar anedotas
pois ninguém suportava o calor

aí já ninguém pensava nas castanhas
nem nas suas lâminas ouriçadas
à espera do que viesse com o vento
 …

José António Gonçalves (2004)


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