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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

22
Jan26

“Pedra Bolideira” - Planalto de Monforte – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Pedra Bolideira”

Planalto de Monforte – Chaves – Portugal

22Jan Pedra Bolideira_ms.jpg

Esta é uma belíssima composição que nos transporta para o misticismo das terras altas transmontanas.

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A fotografia de Mário Silva, intitulada "Pedra Bolideira", captura a alma do Planalto de Monforte, em Chaves, sob o rigor de um inverno rigoroso.

A imagem destaca-se pela sua atmosfera etérea, onde o nevoeiro denso funde o céu e a terra num branco infinito.

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No centro da composição, as monumentais massas de granito — cobertas por musgo e agora salpicadas por uma fina camada de neve ou geada — impõem-se pela sua robustez.

Em primeiro plano, um conjunto de mesa e bancos de pedra surge solitário, convidando à contemplação do silêncio.

O tratamento artístico, com uma vinheta suave e uma tonalidade fria, acentua o isolamento e a quietude deste lugar emblemático, transformando a paisagem geológica num cenário quase onírico.

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O Equilíbrio Mágico da Pedra Bolideira

O título da obra transporta-nos imediatamente para um dos fenómenos geológicos mais fascinantes de Portugal: a Pedra Bolideira.

Situada no Planalto de Monforte, esta não é apenas uma rocha colossal; é um símbolo de equilíbrio improvável e um guardião de lendas ancestrais.

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O Mistério do Movimento

A "Pedra Bolideira" deve o seu nome à sua característica mais singular: apesar de pesar várias dezenas de toneladas, diz-se que um pequeno impulso humano num ponto específico é capaz de a fazer oscilar (ou "bolir").

Na fotografia de Mário Silva, este gigante parece repousar numa fragilidade silenciosa, desafiando as leis da gravidade sob o manto branco do inverno de Chaves.

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A Paisagem Transmontana no Inverno

O Planalto de Monforte é uma região de beleza crua e resiliente.

O artigo visual proposto pelo fotógrafo realça o binómio entre a dureza e a suavidade:

A Dureza: Representada pelo granito eterno e pelas árvores despidas, símbolos de uma terra que resiste ao tempo.

A Suavidade: Transmitida pelo nevoeiro e pela geada, que suavizam as arestas da rocha e criam uma sensação de paz absoluta.

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Mais que Geologia, uma Identidade

Relacionar o tema da fotografia com o seu título é falar da identidade de Trás-os-Montes.

A Pedra Bolideira é um ponto de paragem obrigatório, um local onde a natureza parece querer comunicar connosco.

O mobiliário de pedra em primeiro plano, vazio, mas presente, sugere que este ritual de visitar a "pedra que bole" é uma tradição partilhada por gerações, mesmo quando o frio afasta os visitantes e deixa a paisagem entregue aos seus próprios mistérios.

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A lente de Mário Silva não regista apenas um local turístico; imortaliza o “genius loci” (o espírito do lugar) de Monforte, onde a pedra ganha vida e o tempo parece ter parado para nos deixar ouvir o silêncio do planalto.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
21
Jan26

AVISO


Mário Silva Mário Silva

AVISO

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A plataforma SAPO vai encerrar, como tal, as minhas publicações, continuarão, mas agora no BLOGGER, com os segintes NOVOS endereços:

 

Fotografia & Escrita   https://mariosilvafotografia.blogspot.com

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Obrigado a todos os que me visitaram.

Continuem a visitar-me.

 

Um grande abraço a todos.

 

Mário Silva

Mário Silva 📷
21
Jan26

"O ritual da matança da seba" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"O ritual da matança da seba"

21Jan DSC03222_ms.JPG

Esta é uma imagem poderosa que capta a essência de uma das tradições mais profundas do Portugal rural.

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A fotografia de Mário Silva, intitulada "O ritual da matança da seba", é uma composição a preto e branco que exala força e movimento.

A imagem regista um momento de intenso esforço coletivo: um grupo de homens, unidos pela tarefa comum, lida com o corpo pesado de um porco (a seba) num cenário campestre.

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A escolha do preto e branco acentua os contrastes da luz solar, realçando as texturas das roupas de trabalho e a tensão muscular dos intervenientes.

Ao fundo, vislumbra-se a tranquilidade da paisagem rural e um segundo animal em repouso, criando um contraste narrativo entre a ação frenética do primeiro plano e a quietude do ambiente.

A vinheta escura em redor da imagem foca o olhar do observador no centro da ação, transformando o trabalho manual num momento quase coreografado.

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A Matança da Seba – Mais que um Costume, um Pilar da Comunidade

O título da obra de Mário Silva remete-nos para uma expressão que faz parte do léxico emocional de muitas aldeias portuguesas.

A "seba" é o porco que foi alimentado e cuidado ao longo de um ano inteiro, muitas vezes com os restos da colheita e o que de melhor a terra deu.

A sua matança não é apenas um ato de subsistência; é um ritual de sobrevivência e de coesão social.

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O Ciclo da Entreajuda

No Portugal profundo, a matança do porco nunca foi uma tarefa solitária.

Como a fotografia ilustra com mestria, este é um evento que exige a força do coletivo.

É um momento de entreajuda: hoje ajuda-se num vizinho, amanhã o vizinho retribui.

Este ciclo de cooperação reforça os laços comunitários que, de outra forma, poderiam diluir-se no isolamento do campo.

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O Ritual e a Memória

O termo "ritual" no título é particularmente apropriado.

Existe uma ordem estabelecida, um saber-fazer passado de geração em geração:

O inverno: A época escolhida (normalmente entre dezembro e janeiro) devido ao frio, essencial para a conservação da carne.

A Lida: O processo que envolve homens e mulheres em tarefas distintas, desde o corte até à preparação dos enchidos.

O Fumeiro: A transformação da carne em presuntos, chouriços e alheiras, que garantirão o sustento da família durante os meses seguintes.

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O Olhar Contemporâneo

Embora as normas de saúde pública e a modernização tenham alterado a forma como estas práticas ocorrem, o registo de Mário Silva imortaliza a dimensão antropológica do evento.

A fotografia não celebra a morte do animal, mas sim a vitalidade de uma cultura que se recusa a esquecer as suas raízes.

É um testemunho da relação direta do ser humano com a sua alimentação, despida dos artifícios do consumo industrializado.

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A "matança da seba" continua a ser, no imaginário coletivo, o símbolo da abundância conquistada com o suor do rosto e a união de braços amigos.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
20
Jan26

O cogumelo enganador “Laccaria laccata”


Mário Silva Mário Silva

O cogumelo enganador “Laccaria laccata”

20Jan DSC00186_ms.JPG

Esta fotografia da autoria de Mário Silva leva-nos a explorar o chão da floresta e os mistérios do reino dos fungos.

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A fotografia apresenta um plano aproximado (macro) de um pequeno cogumelo solitário, o Laccaria laccata, emergindo de um tapete de folhas secas de carvalho e líquenes.

O cogumelo exibe um chapéu (píleo) de forma convexa e ligeiramente deprimida no centro, com uma textura delicada e bordas onduladas.

A sua cor é um tom de bege-rosado suave, sustentado por um pé (estipe) fino e cilíndrico de cor alaranjada ou acobreada.

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O enquadramento destaca a fragilidade do fungo em comparação com a robustez das folhas de carvalho outonais que o rodeiam.

A luz é suave e difusa, realçando as lâminas que se vislumbram sob o chapéu e a pátina húmida da vegetação em decomposição.

É uma imagem que celebra a vida minúscula e discreta que prospera no ecossistema florestal.

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O Cogumelo Enganador – A Arte da Camuflagem no Reino Fungi

O título da fotografia de Mário Silva, "O cogumelo enganador", não é uma licença poética, mas sim a tradução do nome comum atribuído à espécie Laccaria laccata.

Este pequeno habitante das nossas florestas é conhecido entre os micologistas pela sua incrível capacidade de confundir até os olhos mais treinados.

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Porque é "Enganador"?

O Laccaria laccata recebe este nome devido à sua natureza higrófana.

Isto significa que a sua aparência — cor, textura e forma — altera-se drasticamente dependendo do nível de humidade no ambiente:

Quando húmido: Apresenta tons avermelhados, rosados ou acobreados, parecendo vibrante e carnudo.

Quando seco: Torna-se pálido, esbranquiçado e com um aspeto baço, parecendo uma espécie completamente diferente.

Esta variabilidade torna-o um verdadeiro "camaleão" dos bosques, levando muitos coletores a confundi-lo com outras espécies, algumas delas tóxicas, o que reforça a importância do título escolhido pelo autor.

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A Beleza na Simplicidade

Embora não tenha a imponência de um Boletus ou a cor vibrante de uma Amanita muscaria, o cogumelo enganador possui uma elegância discreta.

A fotografia capta o momento em que ele se integra perfeitamente na paleta de cores do outono.

Ele é um lembrete de que:

A biodiversidade reside no detalhe: Muitas vezes ignoramos o que é pequeno, mas cada fungo desempenha um papel vital na decomposição e na saúde das árvores (através das micorrizas).

As aparências iludem: A natureza ensina-nos que o que vemos pode mudar com o simples cair de uma gota de chuva ou o sopro de um vento seco.

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O Olhar de Mário Silva

Ao isolar este espécime no seu habitat, Mário Silva convida o observador a praticar a atenção plena.

Num mundo de pressas, parar para observar um "cogumelo enganador" é um exercício de paciência e descoberta.

A fotografia transforma o que seria apenas "chão de floresta" numa galeria de formas e cores onde a vida se manifesta de forma silenciosa, mas persistente.

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"No reino dos fungos, o Laccaria laccata ensina-nos que a identidade pode ser fluida

e que a verdadeira essência de um ser

revela-se na sua capacidade de adaptação ao meio."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
19
Jan26

"O marco geodésico" - Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"O marco geodésico"

Águas Frias – Chaves - Portugal

19Jan DSC03054_ms.JPG

Esta obra da coleção de Mário Silva convida-nos a olhar para as alturas e para a ciência que moldou a nossa compreensão do território.

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A fotografia apresenta um vórtice ou marco geodésico de betão, implantado estrategicamente sobre um imponente conjunto de penedos de granito.

A estrutura, de forma cilíndrica na base com um topo cónico truncado, destaca-se contra um céu de um azul límpido e profundo, que ocupa a metade superior da composição.

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A paisagem em redor é tipicamente transmontana: uma vasta extensão de terrenos agrícolas e pastagens em tons de castanho e ocre, sugerindo o repouso da terra no inverno.

Ao fundo, vislumbra-se o casario branco da aldeia de Casas de Monforte, aninhado na encosta das montanhas.

A imagem equilibra a solidez da rocha, a precisão da engenharia humana e a amplitude do horizonte, captando a essência de um ponto que é, simultaneamente, um lugar físico e uma coordenada matemática.

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O Marco Geodésico – Sentinela do Espaço e do Tempo

Muitas vezes ignorados por quem percorre os trilhos de Chaves, os marcos geodésicos, como o captado por Mário Silva em Águas Frias, são muito mais do que simples colunas de betão.

São os pilares invisíveis sobre os quais se construiu o mapa de Portugal.

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No Passado: A Construção do Mapa

Antes da era dos satélites e do sinal digital, a única forma de mapear um país com precisão era através da triangulação.

Pontos de Vigia: Estes marcos eram erguidos nos pontos mais altos e com maior visibilidade para que os topógrafos pudessem avistar outros marcos a quilómetros de distância.

Cálculo Matemático: Através da medição dos ângulos entre estes pontos, era possível calcular distâncias e altitudes com uma precisão notável para a época.

A Rede Geodésica Nacional: Portugal foi um dos pioneiros na criação de uma rede estruturada, essencial para definir fronteiras, planear estradas e gerir o território agrícola e florestal.

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No Presente: Da Estática ao GPS

Poder-se-ia pensar que, com a chegada do GPS e do sistema Galileo, estas estruturas seriam obsoletas.

Pelo contrário, a sua importância mantém-se, embora tenha evoluído:

Pontos de Calibração: Os equipamentos de alta precisão utilizados em engenharia civil e cartografia moderna precisam de pontos físicos de referência para calibrar os sinais de satélite.

Monitorização da Crosta: Alguns destes marcos são utilizados para medir movimentos impercetíveis da terra, ajudando a estudar a atividade sísmica.

Património e Identidade: Hoje, são também marcos de lazer.

Estar junto a um marco geodésico significa, quase sempre, estar num local de vista privilegiada, servindo como destino para caminhantes e amantes da natureza.

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A Simbiose entre Homem e Natureza

Na fotografia de Mário Silva, o marco assenta no granito.

Esta imagem é uma metáfora poderosa: a ciência (o betão) apoia-se na natureza (a rocha).

O marco geodésico de Águas Frias é uma "âncora" no espaço; ele diz-nos exatamente onde estamos num mundo em constante mudança.

Enquanto a aldeia ao fundo cresce e se transforma, o marco permanece imóvel, garantindo que o território continua devidamente medido e reconhecido.

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"Um marco geodésico é o local onde a terra se deixa medir pela inteligência humana, oferecendo em troca a melhor vista sobre o horizonte."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
18
Jan26

Cruzeiro do Senhor dos Milagres – Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

Cruzeiro do Senhor dos Milagres

Águas Frias – Chaves - Portugal

18Jan DSC00161_ms.JPG

A fotografia, captada de um ângulo superior (picado), apresenta um cruzeiro monumental protegido por uma estrutura de abrigo típica da arquitetura religiosa popular.

Quatro pilares de granito robustos sustentam um telhado piramidal de quatro águas, revestido com telha cerâmica envelhecida, que exibe manchas de líquenes e musgo.

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No centro da estrutura, destaca-se um painel de azulejos azul e branco com a imagem de Cristo Crucificado — o Senhor dos Milagres.

Na base, pequenos vasos com flores cor-de-rosa e brancas testemunham a manutenção viva do culto e a gratidão da comunidade.

O cruzeiro situa-se na berma do largo da Junta, alcatroada, delimitado por um gradeamento de ferro e um muro de pedra tradicional, inserindo-se harmoniosamente num cenário de vegetação outonal e ruralidade.

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O Cruzeiro – Uma Sentinela de Fé na Berma do Caminho

Os cruzeiros e alminhas são elementos indissociáveis da paisagem transmontana.

Na fotografia de Mário Silva em Águas Frias, o "Cruzeiro do Senhor dos Milagres" surge como mais do que um monumento: é uma coordenada espiritual que liga o viajante ao divino.

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A Arquitetura do Amparo

Diferente dos cruzeiros simples de pedra isolada, este exemplar possui uma cobertura.

Esta arquitetura não é apenas estética; simboliza o amparo e a proteção.

O telhado que guarda a imagem do Senhor dos Milagres reflete a ideia de que a fé deve ser preservada das intempéries, tal como a comunidade se protege sob a crença nos seus milagres.

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O Granito: Representa a perenidade e a dureza da vida na montanha.

O Azulejo: O azul e branco introduzem uma nota de luz e serenidade no cinzento da pedra.

As Flores: São o elo de ligação entre o sagrado e o quotidiano, representando promessas feitas ou agradecimentos alcançados.

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O Senhor dos Milagres: Esperança Comunitária

O título da fotografia remete para uma das invocações mais queridas do povo português.

O "Senhor dos Milagres" é a figura a quem se recorre nas horas de maior incerteza — seja por questões de saúde, colheitas ou proteção dos entes queridos.

Em Águas Frias, este cruzeiro funciona como um altar público, onde a religião sai das paredes da igreja para se encontrar com as pessoas no seu trajeto diário.

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Património e Identidade

Preservar um cruzeiro como este é manter viva a identidade de uma aldeia.

Num mundo que se move cada vez mais depressa, a fotografia de Mário Silva obriga-nos a abrandar.

Ela mostra que, na berma de uma estrada moderna, ainda há lugar para o silêncio, para a oração e para a memória dos antepassados que ergueram aquela estrutura.

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A originalidade desta imagem reside na perspetiva: ao olhar de cima, o fotógrafo coloca-nos numa posição de observadores protegidos, destacando a geometria do telhado e a humildade das ofertas florais, lembrando-nos que o sagrado está presente nos detalhes mais simples.

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"Um cruzeiro na estrada é um lembrete de que nunca caminhamos sozinhos;

há sempre um lugar de paragem para a alma."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
17
Jan26

"Feto (Dryopteris erythrosora)"


Mário Silva Mário Silva

"Feto (Dryopteris erythrosora)"

17Jan DSC05425_ms.JPG

A fotografia apresenta um plano de pormenor (macro) de uma fronde de feto da espécie Dryopteris erythrosora, vulgarmente conhecido como feto-de-outono.

A imagem destaca-se pelo contraste cromático vibrante: os tons avermelhados e rosados das folhas jovens do feto sobressaem intensamente contra o fundo escuro, rugoso e texturizado de um tronco de madeira em decomposição.

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A composição é diagonal, com o caule fino e avermelhado a atravessar a imagem, de onde brotam as pinas delicadamente recortadas.

A iluminação realça a transparência das folhas e a textura fibrosa da madeira velha, criando uma harmonia visual entre a vida que nasce (o feto) e a matéria que se transforma (o tronco).

É uma celebração da geometria fractal da natureza e da sua paleta de cores outonais.

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Dryopteris erythrosora – A Elegância do Renascimento

Na natureza, a beleza muitas vezes revela-se através do contraste.

A fotografia de Mário Silva capta precisamente esse momento em que o Dryopteris erythrosora desafia a monotonia do solo da floresta com a sua cor improvável.

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O Feto que "Arde" sem Fogo

Ao contrário da maioria dos fetos, que se apresentam em tons de verde profundo desde o nascimento, o Dryopteris erythrosora possui uma característica genética fascinante: as suas frondes jovens emergem com tonalidades que variam entre o cobre, o rosa e o vermelho alaranjado.

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Nome Científico: O epíteto erythrosora deriva do grego e refere-se aos seus soros (estruturas de reprodução) avermelhados.

Adaptação: Esta coloração inicial serve frequentemente como proteção contra a radiação solar intensa e herbívoros, antes de a folha amadurecer e tornar-se verde-escura.

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Vida Sobre a Matéria: O Ciclo Infinito

A escolha de enquadramento do autor, colocando o feto sobre madeira velha e fendida, remete-nos para o conceito de sucessão ecológica.

O feto não está apenas "ali"; ele está a prosperar num micro-habitat criado pela decomposição.

A Madeira: Representa o passado, a estabilidade e o nutriente.

O Feto: Representa a juventude, a fragilidade aparente e o futuro.

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A Estética da Fragilidade

Esta fotografia ensina-nos que a originalidade da natureza não reside apenas na perfeição das formas, mas na sua capacidade de adornar o que está morto.

O feto, com as suas folhas que parecem rendas de seda rosada, transforma um pedaço de madeira bruta numa obra de arte.

É a prova de que, mesmo nos recantos mais sombrios e húmidos da floresta, a vida insiste em manifestar-se com uma elegância sofisticada.

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"Observar um feto-de-outono é perceber que a renovação não é apenas um processo biológico, mas um espetáculo visual de cores que aquecem o olhar."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
16
Jan26

"Puxador - a Arte Prática"


Mário Silva Mário Silva

"Puxador - a Arte Prática"

16Jan DSC05367_ms.JPG

A fotografia foca-se, num plano de grande pormenor, num puxador de metal antigo fixado a uma superfície vertical rugosa.

O objeto, de forma curva e orgânica que lembra um "S" estilizado ou uma ferramenta artesanal, é o protagonista absoluto da composição.

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O metal apresenta uma oxidação profunda, com uma pátina de ferrugem que varia entre o castanho escuro e o laranja vibrante.

O fundo é composto por uma superfície de chapa ondulada, onde restos de tinta de tom salmão ou rosa desbotado descascam, criando um contraste de texturas e cores pastéis com a dureza do ferro.

A luz lateral realça o relevo e a tridimensionalidade do puxador, transformando um objeto mundano numa peça de escultura.

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A Arte Prática – A Estética do que é Útil

Muitas vezes, procuramos a "Arte" em museus e galerias, esquecendo que ela vive, silenciosa, nos objetos que as mãos humanas moldaram para servir o dia-a-dia.

A fotografia de Mário Silva, "Puxador - a Arte Prática", é um manifesto visual sobre a beleza da funcionalidade.

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O Design Vernáculo e Espontâneo

O puxador captado não é apenas um instrumento para abrir uma porta ou um portão; é um exemplo de design vernáculo.

No mundo rural, como o de Trás-os-Montes, os objetos eram frequentemente feitos para durar gerações.

A sua forma não seguia modas, mas sim a ergonomia da mão e a resistência do material.

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A Forma: A curvatura elegante do puxador não é meramente decorativa; facilita a pega e a alavancagem.

A Matéria: O ferro, embora sujeito à corrosão, mantém a sua integridade estrutural, provando que a "arte prática" é resiliente.

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A Pátina do Tempo como Colaboradora

A originalidade desta peça reside na sua metamorfose.

O que começou por ser um objeto industrial ou artesanal limpo, foi "pintado" pelo tempo.

A ferrugem e a tinta descascada no fundo não são sinais de abandono, mas sim camadas de história.

A fotografia eleva este desgaste ao estatuto de estética, onde a imperfeição se torna o elemento diferenciador.

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O Olhar que Transforma

O título "Arte Prática" sugere que a arte não tem de ser contemplativa ou abstrata.

Pode ser algo que se toca, que se puxa e que executa uma função.

O mérito do fotógrafo reside em isolar o contexto para que possamos apreciar a linha, a cor e a textura de algo que, de outra forma, passaríamos sem notar.

É o triunfo do detalhe sobre o óbvio.

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"A verdadeira arte prática é aquela que, mesmo após décadas de serviço e sob o peso da ferrugem, mantém a elegância da sua intenção original."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
15
Jan26

"A Névoa Transmontana e a Incerteza" - Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"A Névoa Transmontana e a Incerteza"

Águas Frias – Chaves - Portugal

15Jan DSC05353_ms.JPG

Esta fotografia da autoria de Mário Silva encerra um ciclo de contemplação com uma carga emocional e metafórica profunda.

A fotografia revela uma paisagem minimalista e melancólica, dominada pela presença etérea da névoa transmontana.

No centro da composição, surge a silhueta solitária de uma árvore despojada das suas folhas, cujos ramos finos e intrincados se desenham como veias contra um fundo branco e difuso.

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O cenário é marcado por uma visibilidade reduzida que apaga o horizonte, restando apenas o primeiro plano: uma berma de estrada, vegetação rasteira e um banco de pedra vazio, que parece convidar a uma espera paciente.

A paleta de cores é subtil, composta por cinzentos, castanhos suaves e verdes esbatidos, reforçando a sensação de isolamento, silêncio e a quietude típica das manhãs de inverno no interior de Portugal.

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A Névoa Transmontana – Uma Metáfora da Incerteza

Em Trás-os-Montes, a névoa não é apenas um fenómeno meteorológico; é um véu que transforma a realidade.

Na obra de Mário Silva, captada em Águas Frias, a neblina deixa de ser um obstáculo visual para se tornar uma representação física da incerteza.

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O Horizonte Invisível

A incerteza é, por definição, a falta de clareza sobre o que está adiante.

Na fotografia, a névoa esconde as montanhas de Chaves e os caminhos que se seguem.

Esta ausência de referências espaciais obriga o olhar a deter-se no "aqui e agora".

Tal como na vida, quando o futuro se torna incerto, somos forçados a focar-nos naquilo que é tangível: a árvore à nossa frente, o solo que pisamos, o banco onde podemos descansar.

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A Árvore como Símbolo de Resiliência

A árvore solitária, embora pareça frágil na sua nudez invernal, permanece firme.

Ela aceita a incerteza da névoa sem tentar combatê-la.

Esta imagem sugere que:

A incerteza faz parte do ciclo: Tal como as estações, os momentos de dúvida são necessários para o crescimento.

A beleza reside no mistério: O que não vemos permite-nos imaginar infinitas possibilidades.

A quietude é necessária: O silêncio da névoa proporciona um espaço de introspeção que a claridade do sol muitas vezes dissipa.

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O Convite à Reflexão

O banco vazio na imagem é o elemento que liga o observador à cena.

Ele representa a pausa necessária perante o desconhecido.

A incerteza causa, muitas vezes, ansiedade, mas a lente de Mário Silva propõe uma abordagem diferente: a contemplação.

Em vez de temermos o que a névoa esconde, somos convidados a apreciar a suavidade com que ela envolve o mundo.

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A originalidade desta fotografia reside na coragem de mostrar o "nada", provando que, mesmo quando não conseguimos ver o caminho, a paisagem continua a ter uma alma vibrante, à espera que o sol a revele novamente.

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"A incerteza não é o fim do caminho, é apenas o momento em que a paisagem nos pede para abrandar e sentir o que está por perto."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
14
Jan26

"O cata-vento numa rústica chaminé" - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"O cata-vento numa rústica chaminé"

Águas Frias - Chaves - Portugal

14Jan DSC05373_ms.JPG

A fotografia foca-se num exemplar único de arte popular: um cata-vento antropomórfico em metal oxidado, instalado no topo de uma chaminé tradicional.

A figura representa um homem de perfil, usando um chapéu e o que parece ser um cigarro na boca, com uma grande "asa" traseira que permite ao engenho rodar conforme a direção do vento.

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O cenário é de uma ruralidade autêntica.

O telhado é composto por telhas de barro envelhecidas, onde crescem pequenos líquenes e musgo, denunciando a humidade e a passagem das décadas.

Ramos de árvores despidos de folhas emolduram a composição, enquanto o fundo apresenta um horizonte montanhoso sob um céu nublado, típico das paisagens de inverno em Chaves.

A pátina de ferrugem no cata-vento confere-lhe uma textura rica e uma cor terra que harmoniza perfeitamente com os tons do telhado.

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A Originalidade nas Raízes – Onde a Arte Encontra o Vento

A palavra "originalidade" deriva de "origem".

Muitas vezes confundimo-la com o bizarro ou o nunca antes visto, mas a fotografia de Mário Silva em Águas Frias lembra-nos que a verdadeira originalidade reside na capacidade de recriar o mundo com os pés assentes na terra.

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O Artesão como Artista Espontâneo

O cata-vento da imagem não saiu de uma linha de montagem industrial.

É fruto da mão de um artesão local — provavelmente um ferreiro— que decidiu conferir personalidade a um objeto puramente funcional.

A originalidade aqui manifesta-se no:

Aproveitamento de Materiais: O uso da chapa de metal que, sob o efeito da oxidação, ganha uma vida própria.

Design Antropomórfico: A escolha de representar uma figura humana, conferindo um ar "sentinela" à casa.

Integração Arquitetónica: A forma como a peça coroa a chaminé rústica, transformando um elemento técnico num marco visual da aldeia.

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A Fotografia como Resgate do Único

A originalidade também pertence ao olhar do fotógrafo.

Mário Silva não procura o monumento grandioso, mas sim o detalhe singular.

Ao isolar este cata-vento contra a imensidão das montanhas de Chaves, o autor eleva a arte popular ao estatuto de obra de arte.

É um convite a olhar para o que é comum e descobrir nele o que é excecional.

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O Valor do "Rústico" no Século XXI

Num mundo cada vez mais padronizado, o "rústico" torna-se a expressão máxima da originalidade.

Uma chaminé de Águas Frias, com o seu cata-vento enferrujado e as suas telhas desalinhadas, possui uma alma que a arquitetura moderna raramente consegue replicar.

É uma beleza que não tem medo das imperfeições; pelo contrário, alimenta-se delas para contar uma história.

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"A originalidade não consiste em dizer o que ninguém nunca disse, mas em dizer exatamente o que pensamos, com a voz que a nossa terra nos deu."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
13
Jan26

“Fruto de Anis-estrelado” (Illicium verum)


Mário Silva Mário Silva

“Fruto de Anis-estrelado”

(Illicium verum)

13Jan DSC05113_ms.JPG

A fotografia de Mário Silva apresenta um plano aproximado (macro) de um fruto de anis-estrelado seco, captado num momento de grande expressividade visual.

A iluminação é quente e dourada, evocando a luz do pôr-do-sol, o que realça as tonalidades acobreadas e a textura rugosa dos carpelos.

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A composição foca-se na simetria radial da "estrela", cujas pontas se abrem para revelar as cavidades onde as sementes se desenvolvem.

O fundo, propositadamente desfocado (bokeh), em tons de verde e castanho, permite que o fruto se destaque como o elemento central, transformando uma especiaria comum numa verdadeira peça de escultura natural.

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Fruto de Anis-estrelado (Illicium verum): Uma Joia da Natureza

O anis-estrelado não é apenas uma especiaria aromática; é o fruto de uma árvore perene, a Illicium verum, nativa do sudoeste da China e do Vietname.

Reconhecido pela sua forma icónica de estrela, este fruto tem desempenhado um papel vital na medicina tradicional e na gastronomia global há milénios.

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Características Botânicas

O fruto é tecnicamente um agregado de folículos lenhosos arranjados em forma de estrela, geralmente com oito pontas.

Aroma: Deve o seu perfume característico ao anetol, o mesmo composto encontrado na erva-doce, embora o anis-estrelado tenha um sabor mais intenso e picante.

Estrutura: Cada "ponta" da estrela (carpelo) protege uma semente única, castanha e brilhante, embora o pericarpo (a casca) seja a parte mais aromática.

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Aplicações e Benefícios

A versatilidade do Illicium verum estende-se por várias áreas:

Gastronomia: É um ingrediente fundamental no "pó de cinco especiarias" chinês e no caldo vietnamita Phở.

Na Europa, é frequentemente utilizado para aromatizar bebidas alcoólicas, como o anis, e em doçaria tradicional.

Medicina: Possui propriedades carminativas e digestivas, sendo muito utilizado em infusões para aliviar gases e cólicas.

Indústria Farmacêutica: Curiosamente, este fruto é a principal fonte de ácido chiquímico, a matéria-prima utilizada para produzir o oseltamivir (Tamiflu), o fármaco usado no tratamento da gripe.

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Um Alerta Importante

É crucial não confundir o anis-estrelado verdadeiro com o anis-estrelado japonês (Illicium anisatum).

Apesar de visualmente semelhantes, a variante japonesa é altamente tóxica e imprópria para consumo, sendo utilizada no Japão apenas como incenso.

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O anis-estrelado é o exemplo perfeito de como a natureza combina beleza estética com utilidade prática, servindo simultaneamente como condimento, remédio e inspiração artística.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
12
Jan26

Uma casa típica transmontana - Paradela de Monforte – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

Uma casa típica transmontana

Paradela de Monforte – Chaves – Portugal

12Jan DSC05086_ms.JPG

A fotografia de Mário Silva transporta-nos para o coração de Trás-os-Montes, apresentando uma habitação que é um exemplo vivo da arquitetura vernácula regional.

A composição destaca a robustez do granito, material predominante na base da casa, onde as marcas do tempo e o musgo conferem uma textura orgânica à construção.

O elemento central é a escadaria exterior de pedra, que conduz ao piso superior (a zona habitacional), protegida por um corrimão de ferro forjado com um desenho geométrico simples.

No sopé das escadas, um pequeno portão de ferro pintado de tons avermelhados delimita o espaço.

As paredes do andar superior são rebocadas e caiadas de branco, contrastando com o peso da pedra do rés-do-chão, enquanto o telhado de telha cerâmica tradicional completa este quadro de autenticidade e memória.

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A Casa Transmontana – Onde a Pedra Guarda a História

A arquitetura tradicional de Trás-os-Montes, como a captada em Paradela de Monforte, não é apenas uma escolha estética; é uma lição de sobrevivência e adaptação ao clima rigoroso e à geografia da região "para lá dos montes".

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A Anatomia da Casa Típica

A casa transmontana clássica, particularmente na zona de Chaves, segue uma organização funcional muito específica que espelha o modo de vida agrícola de outrora:

Rés-do-chão (Lojas): Construído em granito grosso para suportar o peso e isolar. Antigamente, servia para guardar o gado, alfaias agrícolas e a adega. O calor dos animais ajudava a aquecer o piso superior.

Piso Superior: A zona de habitação da família. É aqui que se encontra a cozinha (o centro da casa com a sua lareira) e os quartos.

Escada Exterior: Um elemento iconográfico. Como o piso inferior era para os animais e trabalho, o acesso à casa fazia-se por fora, muitas vezes culminando num patamar chamado "balcão".

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A Simbiose com a Paisagem

Estas casas parecem brotar diretamente do chão.

O uso do granito local não só facilitava a construção, como permitia que a habitação tivesse uma inércia térmica fundamental: manter o fresco nos verões tórridos do interior e preservar o calor durante os invernos gelados.

O reboco branco no andar superior, visível na fotografia de Mário Silva, tinha também uma função prática e social.

A cal protegia as paredes e refletia a luz, conferindo uma sensação de limpeza e dignidade à moradia.

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Um Património em Preservação

Hoje, estas casas são mais do que habitações; são contentores de memória.

Em aldeias como Paradela de Monforte, a preservação destes detalhes — o portão de ferro, a pequena lanterna sobre a porta, a disposição das janelas — é o que mantém viva a identidade cultural do norte de Portugal.

Ver uma fotografia destas é recordar um tempo em que o ritmo da vida era ditado pelas estações e pela terra, e onde a casa era o refúgio seguro contra a dureza da montanha.

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"Trás-os-Montes não é apenas um lugar no mapa, é um estado de espírito gravado na pedra das suas casas."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
11
Jan26

Igreja de São Cornélio – Travancas – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

Igreja de São Cornélio

Travancas – Chaves – Portugal

11Jan DSC04216_ms.JPG

A fotografia de Mário Silva capta a simplicidade e a serenidade da Igreja de São Cornélio, situada em Travancas, no concelho de Chaves.

A composição destaca-se pelos seguintes elementos:

Arquitetura Tradicional: O edifício apresenta a traça típica das Beiras e de Trás-os-Montes, com paredes caiadas de branco e uma robusta cobertura de telha de barro avermelhada.

O Campanário: À esquerda, ergue-se uma torre sineira modesta e quadrangular, integrada na estrutura, que confere verticalidade ao conjunto.

O Contexto Local: A igreja assenta sobre um pavimento de paralelepípedos (calçada), num plano ligeiramente inclinado que sugere a topografia acidentada da região flaviense.

Luz e Cor: A edição da imagem utiliza tons quentes e uma vinheta suave, que acentuam o caráter histórico e intemporal do local, evocando uma sensação de paz e isolamento rural.

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Vida e Obra de São Cornélio: O Papa da Misericórdia

São Cornélio foi uma figura central do cristianismo do século III, tendo servido como o 21.º Papa da Igreja Católica entre os anos 251 e 253 D.C.

A sua vida foi marcada pela coragem face à perseguição romana e pela defesa da unidade da Igreja.

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A Eleição num Clima de Perseguição

Após o martírio do Papa Fabiano, a cadeira de Pedro ficou vazia durante mais de um ano devido à violenta perseguição do Imperador Décio.

Cornélio foi eleito sob grande risco pessoal, numa altura em que ser cristão era um crime punível com a morte.

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O Conflito com Novaciano (O Rigorismo)

O maior desafio do seu pontificado não veio de fora, mas de dentro da Igreja.

Surgiu a questão dos "Lapsi" — cristãos que, por medo da tortura ou morte, tinham renunciado à fé ou oferecido sacrifícios a deuses pagãos.

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Novaciano: Defendia que a Igreja não tinha poder para perdoar quem tivesse pecado gravemente (apostasia).

São Cornélio: Apoiado por São Cipriano de Cartago, defendeu a misericórdia.

Cornélio estabeleceu que, após uma penitência sincera, os "Lapsi" poderiam ser reintegrados na comunhão da Igreja.

Este princípio de perdão e reconciliação tornou-se um pilar do catolicismo.

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Martírio e Legado

Com a ascensão do Imperador Galo, as perseguições recomeçaram.

Cornélio foi exilado para Centumcellae (atual Civitavecchia), onde viria a morrer em 253 D.C.

Embora algumas fontes sugiram uma morte por maus-tratos no exílio, a Igreja venera-o como mártir.

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Curiosidade: Em muitas zonas rurais, como em Trás-os-Montes, São Cornélio é invocado como protetor do gado e dos animais domésticos, possivelmente devido à associação fonética do seu nome com a palavra latina cornu (corno/chifre).

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
10
Jan26

"Tanta vinha abandonada ... mas há sempre alguém resiliente ... e faz crescer uma nova" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Tanta vinha abandonada ...

mas há sempre alguém resiliente ...

e faz crescer uma nova"

Mário Silva

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Esta é uma imagem que evoca a melancolia do mundo rural português, mas que, através do olhar de Mário Silva e do título escolhido, transforma-se numa narrativa de esperança.

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A fotografia "Tanta vinha abandonada ... mas há sempre alguém resiliente ... e faz crescer uma nova" transporta-nos para uma encosta marcada pela geometria das estacas de suporte, que se estendem como sentinelas de um tempo passado.

A luz quente do entardecer banha o terreno árido e as videiras despidas, conferindo um tom dourado e nostálgico à paisagem.

Ao fundo, no topo da colina, destaca-se uma imponente formação granítica — um "pousio" de rocha — que parece observar a passagem das gerações.

A imagem capta o contraste entre o aparente abandono da terra e a força silenciosa da natureza e do esforço humano que teima em recomeçar.

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A Resiliência da Terra — O Renascer entre as Cinzas do Abandono

O interior de Portugal é um cenário de contrastes profundos, onde a beleza da paisagem muitas vezes esconde a ferida aberta da desertificação humana.

A fotografia de Mário Silva confronta-nos com uma realidade visual gritante: as vinhas abandonadas.

Aquelas estacas, outrora orgulhosas e carregadas de fruto, surgem agora como esqueletos de uma economia e de um modo de vida que muitos acreditam estar em declínio.

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O Ciclo do Esquecimento

O abandono de uma vinha não é apenas a perda de uma cultura agrícola; é o desvanecer de uma herança.

Cada videira arrancada ou deixada ao abandono representa braços que partiram para a cidade ou para o estrangeiro, e mãos envelhecidas que já não conseguem sustentar a tesoura de poda.

É o silêncio que ocupa o lugar das vozes das vindimas.

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A Figura do Resiliente

Contudo, o título da obra aponta para o elemento que mantém o mundo rural vivo: a resiliência.

No meio de hectares de desolação, há sempre alguém — o herdeiro apaixonado, o jovem que regressa às origens, ou o resistente que nunca saiu — que decide que o ciclo não termina ali.

Fazer crescer uma vinha nova num terreno rodeado de abandono é um ato de coragem, quase de rebeldia. Exige:

Paciência: Para preparar a terra exausta.

Fé: No clima e no mercado, tantas vezes madrastos.

Visão: Para ver o vinho futuro onde outros apenas veem silvados e esquecimento.

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O Futuro que Brota do Granito

Tal como as rochas graníticas que pontuam a paisagem da fotografia — imutáveis e sólidas — a vontade humana de cultivar e produzir é um pilar da nossa identidade.

A "nova vinha" mencionada por Mário Silva é mais do que agricultura; é um sinal de que, enquanto houver alguém disposto a cuidar da terra, a paisagem nunca estará verdadeiramente morta.

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A resiliência é o adubo mais forte.

É ela que garante que, por cada encosta esquecida, haverá um novo rebento verde a desafiar o cinzento do tempo, provando que a vida, tal como o bom vinho, tem a capacidade de se renovar e de surpreender quem sabe esperar por ela.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
09
Jan26

Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) de papo cheio – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) de papo cheio

Mário Silva

09Jan DSC03482_ms.JPG

Esta é mais uma captura de Mário Silva, onde o detalhe e a luz se unem para contar uma pequena história da natureza.

A fotografia "Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) de papo cheio" retrata esta pequena ave emblemática num momento de repouso e aparente satisfação.

Pousado no topo de um tronco rugoso, o Pisco destaca-se contra um fundo suavemente desfocado (“bokeh”) em tons de terra e verde.

A iluminação lateral e quente realça a textura das penas e o volume arredondado do peito, conferindo-lhe uma aura quase dourada.

A postura da ave, firme e vigilante, mas tranquila, transmite a ideia de abundância e vitalidade num cenário natural.

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Estar de Papo Cheio — Entre a Fartura e a Saturação

Na sabedoria popular e na biologia, a expressão "estar de papo cheio" carrega consigo uma dualidade fascinante.

Literalmente, como vemos na objetiva de Mário Silva, é o símbolo da sobrevivência e do sucesso.

Para um pequeno pisco-de-peito-ruivo, ter o papo cheio é a garantia de energia para enfrentar a noite fria ou a dureza do inverno; é o resultado de uma caçada bem-sucedida e o sinal de que a natureza, naquele momento, foi generosa.

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No entanto, quando transpomos esta expressão para o domínio humano e para o nosso quotidiano, o significado ganha camadas mais complexas, oscilando entre a satisfação plena e a saturação.

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A Satisfação da Abundância

No seu sentido mais positivo, "estar de papo cheio" remete para a ideia de conforto.

É aquele estado de espírito que se segue a um bom jantar em família ou à conclusão de um projeto exigente.

É a sensação de dever cumprido e de necessidades satisfeitas.

Neste contexto, o "papo cheio" é um porto seguro, um momento de pausa onde não há falta, apenas plenitude.

É a celebração do que conquistámos.

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O Limite da Saturação

Por outro lado, a língua portuguesa é fértil em ironias.

Frequentemente, usamos a expressão para indicar que chegámos ao nosso limite:

"Já estou de papo cheio disto!".

Aqui, a fartura transforma-se em excesso.

O que era nutrição passa a ser peso.

Estar de papo cheio de uma situação, de uma conversa ou de uma rotina significa que a paciência se esgotou e que já não há espaço para absorver nem mais um grão de preocupação.

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O Equilíbrio Necessário

Tal como o pequeno pisco da fotografia, que após se alimentar precisa de tempo para digerir e observar o mundo do alto do seu galho, também nós precisamos de gerir os nossos momentos de "papo cheio".

A vida exige que saibamos distinguir a fartura que nos alimenta da saturação que nos desgasta.

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Em suma, "estar de papo cheio" é uma chamada de atenção da nossa condição cíclica.

Quer estejamos a transbordar de alegria ou no limite da nossa resistência, a expressão convida-nos a parar, a reconhecer o nosso estado e, tal como a ave que se prepara para o próximo voo, a decidir o que fazer com o que acumulámos.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
08
Jan26

"O fumo que sai da chaminé do chupão" – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"O fumo que sai da chaminé do chupão"

Mário Silva

08Jan DSC03475_ms.JPG

Esta fotografia de Mário Silva é uma ode à vida rural e ao aconchego do lar nas regiões mais frias de Portugal.

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A fotografia "O fumo que sai da chaminé do chupão" capta uma paisagem de uma beleza nostálgica e etérea.

Em primeiro plano, vemos tons outonais de castanho e oiro na vegetação rasteira.

No vale, aninhada entre árvores de folha caduca, destaca-se uma pequena casa branca de onde emana uma coluna de fumo branco e denso.

A neblina ou a luz difusa do sol de inverno envolve toda a encosta, criando uma atmosfera de mistério.

No ponto mais alto da composição, recortado contra um céu pálido, surge a silhueta imponente de um castelo (de Monforte de Rio Livre), que observa silenciosamente a vida que palpita no vale através daquele fumo que sobe.

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O Fumo que Sai da Chaminé do Chupão — O Coração da Casa

Há sinais que, na paisagem rural portuguesa, valem mais do que mil palavras.

O fumo branco que se eleva de uma chaminé, num dia de inverno, é o mais eloquente de todos.

Na obra de Mário Silva, esse fumo não é apenas um detalhe visual; é a prova de vida, de calor e de resistência humana frente à imensidão da montanha e à História gravada nas pedras do castelo ao fundo.

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O Que é o "Chupão"?

Para quem conhece a arquitetura tradicional do interior de Portugal, o termo "chupão" evoca memórias muito específicas.

Refere-se às grandes chaminés de base larga, típicas das casas de pedra, que se abrem sobre a lareira.

É uma estrutura feita para "chupar" o fumo de um fogo que raramente se apaga durante os meses de frio.

No chupão, o fogo serve para cozinhar, para aquecer o corpo e, muitas vezes, para curar o fumeiro que alimentará a família durante o ano.

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O Contraste entre o Poder e o Quotidiano

A composição desta fotografia estabelece um diálogo fascinante:

O Castelo: No topo, o símbolo do poder, da guerra e da história antiga.

É estático, frio e monumental.

O Chupão: No vale, o símbolo do quotidiano, do conforto e da sobrevivência.

O fumo é dinâmico, efémero e quente.

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Enquanto o castelo nos fala de um tempo de reis e conquistas, o fumo da chaminé fala-nos do aqui e do agora.

Diz-nos que alguém acabou de colocar uma acha de carvalho no fogo; que talvez haja uma panela de ferro ao lume com um caldo verde ou um cozido; que a vida continua, simples e resiliente, aos pés da grande montanha.

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O Fumo como Sinal de Hospitalidade

Em Trás-os-Montes, ver fumo a sair de uma chaminé é um convite implícito à humanidade.

Representa o aconchego.

Num cenário onde a natureza pode ser agreste e o isolamento é uma realidade, aquela coluna branca é um farol.

É o "calor do lar" tornado visível.

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Mário Silva, ao escolher este título e este ângulo, convida-nos a valorizar o pequeno e o íntimo.

O fumo que sai do chupão é a alma da casa a respirar.

É o elo de ligação entre a terra e o céu, lembrando-nos que, mesmo sob a sombra de castelos milenares, a maior vitória humana é, muitas vezes, manter o lume aceso e a casa quente.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
07
Jan26

"O Ocaso" e um soneto - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"O Ocaso"

e um soneto

Mário Silva

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A fotografia "O Ocaso", de Mário Silva, apresenta uma paisagem crepuscular onde o horizonte é dominado por uma gradação vibrante de laranjas e amarelos.

No lado esquerdo, destaca-se a silhueta negra e detalhada de uma árvore despida, cujos ramos parecem tentar tocar o sol que se põe.

O primeiro plano é composto por sombras densas e terrenos irregulares, criando um contraste profundo que acentua a luminosidade do céu e a atmosfera de tranquilidade e despedida do dia.

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                      O  Ocaso

 

O sol mergulha, em fogo, no horizonte,

Tingindo o céu de oiro e de escarlate.

No peito, o dia trava o seu combate,

E a luz desce, submissa, sobre o monte.

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Eis que a árvore, em silhueta, se defronte,

Ao brilho que, no ocaso, se debate,

Num último e sereno xeque-mate,

Bebendo a cor na derradeira fonte.

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As sombras crescem, mansas, pelo chão,

A terra envolve-se em manto de veludo,

No fim de um ciclo, em plena solidão.

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Fica o silêncio, imenso e quase mudo,

Guardando a luz na palma da sua mão,

Neste instante em que o nada se faz tudo.

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Texto, Soneto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
06
Jan26

"A Adoração dos Reis Magos" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"A Adoração dos Reis Magos"

Mário Silva

06Jan Image_vjet3svjet3svjet_ms.jpg

A imagem é uma composição digital meticulosa que reinterpreta o tema bíblico da Natividade.

A cena desenrola-se no interior de uma cabana de madeira rústica, sob a luz de uma estrela radiante que domina o centro superior da composição.

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As Figuras Centrais: O Menino Jesus repousa numa manjedoura de palha, rodeado por Maria, com o seu manto azul tradicional, e José, que segura um cajado.

Ambos emanam uma expressão de serenidade e devoção.

Os Reis Magos: A particularidade desta obra reside nos três Reis Magos.

Cada um deles apresenta o mesmo rosto — uma personalização que sugere uma autorreferência ou uma homenagem específica.

Estão trajados com vestes sumptuosas em tons de vermelho, azul e púrpura, adornadas com bordados dourados e mantos de arminho, transportando as tradicionais oferendas (ouro, incenso e mirra) em cofres trabalhados.

O Ambiente: A iluminação é quente, proveniente de lanternas laterais e da estrela guia, criando um jogo de luz e sombra que realça as texturas da madeira e do feno.

No fundo, a presença discreta do boi e do burro completa a iconografia clássica do presépio.

Simbolismo: A repetição do rosto nos três magos confere à peça um caráter surrealista e introspetivo, como se o autor se multiplicasse na sua própria busca pelo sagrado.

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A Adoração dos Reis Magos: Entre a Tradição e a Identidade

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Um Tema Universal

O tema da "Adoração dos Reis Magos" é um dos mais revisitados na história da arte ocidental, desde os mestres do Renascimento até à era digital.

Representa o momento do reconhecimento: a revelação de uma divindade ao mundo através da visita de sábios vindos do Oriente.

Na obra de Mário Silva, este conceito ganha uma nova camada de leitura através da manipulação da identidade.

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A Fusão da Tradição com o "Eu"

Ao integrar rostos contemporâneos e específicos nas figuras dos magos, o artista quebra a barreira do tempo.

Não se trata apenas de uma representação histórica ou religiosa, mas de uma inserção pessoal no mito.

Esta escolha artística sugere que a jornada dos magos — a procura pela luz e pelo conhecimento — é uma experiência individual e contínua, acessível a qualquer homem moderno.

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A Estética do Sagrado no Século XXI

A técnica utilizada demonstra como as ferramentas digitais podem servir a espiritualidade e a arte clássica.

A riqueza dos detalhes nas coroas e nos tecidos contrasta com a humildade da cabana, reforçando a mensagem central da Natividade: o encontro entre a glória e a simplicidade.

A estrela, posicionada no topo, serve como eixo de equilíbrio, unindo o divino ao terreno.

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Conclusão

"A Adoração dos Reis Magos" por Mário Silva é mais do que uma imagem natalícia; é um exercício de estilo e de reflexão.

Ao colocar-se no papel daqueles que oferecem o que têm de mais valioso, o artista convida o observador a refletir sobre o seu próprio papel perante os mistérios e as tradições que moldam a nossa cultura.

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Texto & Composição digital: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
05
Jan26

Acontecimentos relevantes - dezembro de 2025, em Portugal


Mário Silva Mário Silva

Acontecimentos relevantes - dezembro de 2025, em Portugal

O mês de dezembro de 2025 em Portugal foi marcado por uma intensa atividade política, social e económica, encerrando um ano de transformações significativas.

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Política e Justiça

Decisão sobre a Lei da Nacionalidade: No dia 15 de dezembro, o Tribunal Constitucional pronunciou-se sobre a proposta de revisão da Lei da Nacionalidade, declarando quatro normas como inconstitucionais.

Este veredicto travou o processo legislativo que pretendia alterar a forma como os prazos de residência para cidadania eram contabilizados.

Reestruturação Ministerial: O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, anunciou uma reforma profunda na estrutura orgânica do ministério, reduzindo o número de organismos de 18 para apenas 7.

Esta medida incluiu a polémica extinção da FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) enquanto entidade autónoma.

Sucessão no SNS: O economista Álvaro Almeida foi nomeado pelo governo para liderar a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde, sucedendo a António Gandra d'Almeida, com o objetivo de simplificar a gestão operacional dos hospitais.

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Economia e Sociedade

Greve Geral (11 de dezembro): Pela primeira vez em 12 anos, as duas principais centrais sindicais (CGTP e UGT) uniram esforços numa Greve Geral.

O protesto focou-se na contestação às alterações ao Código do Trabalho (Pacote Laboral) e nas reivindicações de perda de poder de compra.

Projeções do Banco de Portugal: No Boletim Económico de dezembro, o Banco de Portugal reviu em alta o crescimento do PIB para 2% em 2025, impulsionado pelo consumo privado e exportações.

Foi também confirmado um excedente orçamental na ordem dos 2,1%.

Crise da Habitação: O mês foi marcado por debates intensos sobre a especulação imobiliária, com os Verdes Europeus a reunirem-se em Lisboa para discutir soluções para o mercado habitacional português.

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Cultura e Eventos

Natal e Turismo: A ilha da Madeira registou receitas recorde e uma ocupação hoteleira de 80% para o fim de ano.

Em Lisboa, o Wonderland Lisboa e o mercado do Rossio voltaram a ser os centros da animação festiva.

Inauguração do Metro Mondego: Após décadas de espera, o sistema de Metrobus que liga Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã entrou finalmente em funcionamento, utilizando o antigo traçado do Ramal da Lousã.

Património da Guarda: A Assembleia da República fixou a redação final para a salvaguarda do património imaterial do “Cobertor de Papa”, visando proteger esta tradição têxtil única da região da Guarda.

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Texto & Vídeo: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
05
Jan26

Mini e frágil cogumelo (Mycena capillaripes) – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

Mini e frágil cogumelo (Mycena capillaripes)

Mário Silva

05Jan DSC05251_ms.JPG

A fotografia é uma obra primorosa de macrofotografia, onde o detalhe e a escala desafiam a perceção comum do observador.

No centro da composição, ergue-se um exemplar solitário de Mycena capillaripes.

O cogumelo apresenta um chapéu (píleo) de forma cónica-campanulada, com uma tonalidade bege translúcida que permite ver as estrias radiais, sublinhando a sua natureza delicada e quase etérea.

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O cogumelo emerge de um tapete denso e vibrante de musgo verde.

A textura do musgo é captada com uma nitidez impressionante, assemelhando-se a uma floresta em miniatura, com tons que variam entre o verde-alface e o ocre.

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Composição e Luz: Mário Silva utiliza uma profundidade de campo muito reduzida (bokeh), o que faz com que o plano de fundo e as margens da imagem se transformem num nevoeiro suave de cores orgânicas.

A luz parece ser natural e filtrada, incidindo suavemente sobre o cogumelo e conferindo-lhe um brilho quase luminescente contra o verde saturado.

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No canto inferior direito, encontra-se a marca de água distintiva do fotógrafo, conferindo a autenticidade à obra.

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A Efemeridade no Chão da Floresta: O Pequeno Gigante Mycena capillaripes

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O Reino Oculto sob os Nossos Pés

Muitas vezes, ao caminharmos pelas florestas de Portugal, o nosso olhar perde-se na imponência das árvores ou na vastidão da paisagem.

No entanto, aos nossos pés, existe um universo de complexidade absoluta.

A fotografia de Mário Silva, "Mini e frágil cogumelo", é um convite para pararmos e reconhecermos a dignidade da vida em pequena escala.

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A Mycena capillaripes: Fragilidade com Propósito

O género Mycena é conhecido por agrupar cogumelos pequenos, muitas vezes descritos como "bonés de fada".

A espécie Mycena capillaripes destaca-se pela sua elegância.

Apesar da sua aparência frágil e do pé (estipe) fino como um fio de cabelo, este organismo desempenha um papel vital no ecossistema: a decomposição.

Estes fungos são os recicladores da natureza, transformando matéria orgânica morta em nutrientes que sustentarão a vida das plantas ao seu redor.

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O nome capillaripes deriva do latim, significando literalmente "pé de cabelo", uma referência direta à sua estrutura extremamente delgada que Mário Silva capta com precisão cirúrgica.

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A Arte de Observar o Invisível

A macrofotografia de natureza, tal como apresentada nesta obra, exige mais do que técnica; exige paciência e empatia.

Captar um espécime tão pequeno requer que o fotógrafo se baixe ao nível do solo, mudando a sua perspetiva do mundo.

Ao isolar o cogumelo no seu ambiente de musgo, o fotógrafo retira-o do anonimato da floresta e coloca-o num pedestal artístico.

A fragilidade mencionada no título não é uma fraqueza, mas sim uma característica da sua existência efémera — muitas destas espécies surgem e desaparecem no espaço de poucos dias, dependendo estritamente da humidade e da temperatura perfeitas.

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Conclusão

A obra de Mário Silva recorda-nos que a beleza não depende do tamanho.

A Mycena capillaripes é um lembrete da resiliência e da perfeição técnica da natureza.

Num mundo que valoriza o grandioso e o permanente, olhar para este "mini e frágil" ser é um exercício de humildade e de profunda apreciação pelo equilíbrio biológico que sustenta o nosso planeta.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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