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MÁRIO SILVA "navegando" em ... águas frias

"Navegando" no Reino Maravilhoso por Terras de Monforte, especialmente na Aldeia de Águas Frias - Chaves - Trás-Os-Montes - PORTUGAL

MÁRIO SILVA "navegando" em ... águas frias

"Navegando" no Reino Maravilhoso por Terras de Monforte, especialmente na Aldeia de Águas Frias - Chaves - Trás-Os-Montes - PORTUGAL

10
Nov07

Águas Frias (Chaves) - Os Castanheiros


Mário Silva Mário Silva

 

Em Águas Frias, como em todo o País, este Outono tem sido muito solarengo e as chuvas não têm aparecido, dando uma luminosidade que faz realçar as tonalidades outonais na vegetação envolvente à Aldeia.
 
Água Frias, além das muitas árvores de fruto, tem com árvores autóctones, os carvalhos e os castanheiros.
O castanheiro é uma árvore que pode atingir grandes dimensões, podendo chegar aos 20/30 metros e tem folha caduca.
 
 O castanheiro é das folhosas que mais se vê por terras de Águas Frias
O seu porte é geralmente imponente e o seu tronco (liso nos primeiros 10/15 anos) vai, ao longo dos anos criando “rugas” cada vez mais profundas, parecendo, muitas vezes, estar torcido.
 
A criação do seu fruto faz-se no interior de um invólucro espinhoso – o ouriço.
   
Um pouco por todo o lado da Aldeia se encontram imponentes e centenários castanheiros, dando por vezes nome a determinados lugares (Souto), devido ao seu elevado número.
 
Nos inícios de Novembro, o ouriço começa a secar e a abrir, deixando cair do seu interior as castanhas, que se espalham pelo chão, junto às folhas secas que também vão caindo.
 
É a altura de as apanhar, .. mas esta não é tarefa fácil, pois é necessário, vezes sem conta, curvar-se, apanhar, meter no saco, … curvar-se, apanhar, meter no saco, … este movimento, tantas vezes repetido não deixa ninguém sem umas dorzitas nas “cruzes”
Este ano, talvez devido ao tempo seco, esta tarefa ainda foi mais penosa pois os ouriços caíam , mas pouco abertos, sendo necessário, com o pé segurar e abrir o ouriço e só depois tirar as castanhas, com as inevitáveis picadelas.
 
Este ano, segundo alguns, a produção diminuiu em quantidade mas em contrapartida a castanha é graúda e saborosa.
A castanha deixou de ser, gradualmente, um dos importantes sustentos das famílias que, durante muitas décadas, encontraram nela uma fonte de rendimento e de subsistência.
Ao longo do tempo, este saboroso fruto, foi deixando de ocupar um lugar especial na gastronomia rural mas tem, ultimamente ganho relevo nos pratos urbanos, seja como acompanhamento às carnes, assadas, cozidas ou como sobremesa.
Mas a tradição ainda se mantém: assar a castanha nos assadores tradicionais, em dia de S. Martinho (11 de Novembro).
Pena é que se tenha vindo a perder as tradicionais fogueiras no "Concelho" ou em Cimo de Vila, onde, comunitariamente, se assavam as castanhas, se brincava, se cavaqueava e se provava o vinho novo. 
Como diz o ditado popular: “Em Dia de S. Martinho, comem-se castanhas e prova-se o vinho”.
 
Como Nota: Têm vindo a diminuir os castanheiros na Aldeia, penso eu, por dois motivos:
                     - Os castanheiros estão a ficar velhos e não são plantados outros em sua substituição;
                      - Terem sido, muitos deles, afectados pela doença do “cancro” ou da “tinta”
 
 
 
  
Enquanto “rilho” uma castanha crua, deixo este poema sobre os castanheiros:
 
 
os frutos do castanheiro
eram apenas castanhas embrulhadas
em capas de espinhos debaixo dos pés
mas pareciam coisas de outro mundo
com os seus picos afiados
e por dentro tinham amadurecendo
uma alma boa para se comer

caíam pelo chão
como granizo no Inverno
e transformavam-se num tapete
sofredor como o calvário
para quem brincava descalço
com a liberdade das andorinhas

a árvore era boa de subir
larga e imponente como um castelo
explodindo na força das suas raízes
arrepiando-nos o cabelo
nas noites de ventania e tempestade

no verão aproveitávamos a sombra
para jogar às cartas e contar anedotas
pois ninguém suportava o calor

aí já ninguém pensava nas castanhas
nem nas suas lâminas ouriçadas
à espera do que viesse com o vento
 …

José António Gonçalves (2004)


Mário Silva 📷

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