“Capela de São Siríaco” – Samaiões- Chaves – Portugal
Mário Silva Mário Silva
“Capela de São Siríaco”
Samaiões- Chaves – Portugal

A fotografia de Mário Silva capta, num plano aproximado e de baixo para cima, o campanário (ou sineira) da Capela de São Siríaco, em Samaiões, Chaves.
A composição é marcada pelo forte contraste cromático entre o branco imaculado da parede, o cinzento quente do granito lavrado e o azul profundo do céu transmontano.
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No topo, destaca-se uma cruz de pedra de proporções equilibradas, que coroa a estrutura em arco onde se abriga o sino de bronze.
Detalhes como a corrente de ferro que pende da estrutura e o óculo circular perfeitamente talhado na pedra conferem à imagem uma sensação de rusticidade e permanência.
A luz solar, intensa e lateral, realça a textura rugosa do granito e a curvatura das telhas de canudo avermelhadas, evocando a paz e a solidez das tradições rurais portuguesas.
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São Siríaco: A Fé que Ecoa no Granito de Samaiões
A Capela de São Siríaco, situada na freguesia de Samaiões, em Chaves, é mais do que um marco arquitetónico; é um testemunho da persistência da fé através dos séculos.
Para compreendermos a importância desta fotografia, é essencial mergulharmos na Vida e Obra de São Siríaco, um dos santos mais venerados da Igreja primitiva.
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O Diácono e o Mártir
São Siríaco de Roma foi um diácono cristão que viveu no século IV, durante um dos períodos mais conturbados para o Cristianismo: a perseguição de Diocleciano.
A sua "obra" não foi escrita em livros, mas sim gravada através de atos de caridade e coragem.
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Reza a tradição que Siríaco era conhecido pelos seus dons de cura e exorcismo.
A sua fama chegou aos ouvidos do próprio Imperador, cujas lendas afirmam que o santo teria curado a filha de Diocleciano, Artemia, e mais tarde a filha do Rei da Pérsia.
Apesar destes prodígios, Siríaco não renunciou à sua fé, acabando por ser martirizado em 303 d.C.
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A Ligação à Terra Portuguesa
Como é que um diácono romano se torna o padroeiro de uma pequena capela em Chaves?
A resposta reside na expansão das relíquias e do culto aos mártires pela Europa.
Em Portugal, e especificamente na região de Samaiões, a devoção a São Siríaco fundiu-se com a identidade local.
A sobriedade da capela captada por Mário Silva reflete a vida do santo:
A Simplicidade: Tal como o diácono servia os pobres com humildade, a arquitetura da capela foge ao ornamento excessivo, focando-se na pureza da pedra.
A Resistência: O granito de Chaves simboliza a força de Siríaco perante o martírio.
O Sino: Na fotografia, o sino parece pronto a convocar a comunidade, tal como Siríaco convocava os fiéis para a oração nas catacumbas de Roma.
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Em forma de conclusão, a fotografia de Mário Silva não regista apenas um edifício; regista a verticalidade da fé.
O olhar que sobe da parede branca, passa pelo óculo e termina na cruz contra o céu azul, espelha a própria trajetória de São Siríaco: da dedicação terrena ao sacrifício final.
Em Samaiões, o tempo parece parado, e a obra do santo continua viva cada vez que o sino, ali suspenso, recorda aos vivos a memória dos que sofreram pela sua crença.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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