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MÁRIO SILVA - Fotografia, Pintura & Escrita

*** *** A realidade é a "minha realidade" em imagens (fotografia, pintura) e escrita

31
Jan26

“Pote de ferro de três pés - um dos símbolos transmontanos” – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

“Pote de ferro de três pés - um dos símbolos transmontanos”

Mário Silva

31Jan DSC09513_ms.JPG

Esta fotografia de Mário Silva é uma celebração da herança cultural e da vida doméstica que, durante séculos, definiu o norte de Portugal.

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A imagem intitulada “Pote de ferro de três pés - um dos símbolos transmontanos” é uma natureza-morta de forte carga etnográfica.

No centro da composição, destaca-se um robusto pote de ferro fundido, de cor preta e superfície texturada, apoiado sobre os seus característicos três pés.

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Ao seu lado, repousam utensílios de lareira gastos pelo uso: uma pá de ferro com sinais de ferrugem e uma tenaz, encostadas a um pilar de granito bruto.

O enquadramento, fechado e com uma vinheta escura que suaviza as extremidades, foca a atenção na solidez destes objetos.

A iluminação realça os reflexos metálicos do pote e a aspereza da pedra, criando uma atmosfera que evoca o calor do "lume de chão" e a simplicidade da vida rural em Trás-os-Montes.

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O Coração de Ferro da Casa Transmontana

O título escolhido por Mário Silva não deixa margem para dúvidas: o pote de três pés é muito mais do que um utensílio de cozinha; é um símbolo de resistência e identidade.

Nas aldeias em redor de Chaves e por todo o planalto transmontano, este objeto foi, durante gerações, o sol em torno do qual orbitava a vida familiar.

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O Engenho da Sobrevivência

O design do pote de três pés é uma lição de funcionalidade.

Numa época em que se cozinhava diretamente no chão, sobre as brasas, os três pés garantiam a estabilidade necessária em superfícies irregulares de pedra.

O Material: O ferro fundido, capaz de reter o calor por horas, era ideal para os cozinhados lentos que aqueciam o corpo nos invernos rigorosos.

A Versatilidade: Nele se fazia tudo: desde o caldo de couves com feijão até ao cozido à transmontana, o pote era o garante da nutrição e do conforto.

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O Símbolo do Lume e da Reunião

Relacionar este tema com o título é mergulhar na memória coletiva.

O pote de ferro representa a hospitalidade transmontana.

Estar ao pé do pote significava estar em comunidade, partilhando histórias enquanto o fumo subia para o fumeiro.

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A fotografia captura este "fogo adormecido".

Mesmo vazio e fora do lume, o pote transporta consigo o eco das conversas de lareira e o peso de uma tradição que se recusa a desaparecer.

Ele é o testemunho de um tempo em que a riqueza se media pela fartura do que saía daquela barriga de ferro, e não pela pressa da vida moderna.

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Uma Herança de Ferro e Pedra

Ao imortalizar estes objetos, Mário Silva faz justiça à alma de um povo.

O pote, a pá e a tenaz são os sobreviventes de uma era de autossuficiência.

Hoje, guardados como relíquias ou usados apenas em dias de festa, continuam a ser o símbolo máximo de que, em Trás-os-Montes, a mesa é sagrada e o fogo nunca se apaga na memória de quem lá nasceu.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
30
Jan26

"O Cavalo e a Vaquinha" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"O Cavalo e a Vaquinha"

Mário Silva

30Jan DSC09399_ms.jpg

Esta é uma imagem que celebra a serenidade do quotidiano agrícola em Trás-os-Montes, captando a dignidade dos animais que, durante séculos, foram os braços e o sustento das gentes da terra.

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A fotografia de Mário Silva, intitulada "O Cavalo e a Vaquinha", apresenta uma cena bucólica captada numa pastagem em Trás-os-Montes.

No plano médio, um cavalo de pelagem castanha robusta e uma vaca malhada de preto e branco (tipo frísia) partilham o mesmo espaço em perfeita harmonia.

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A luz de fim de tarde banha o cenário com tons dourados, acentuando a vegetação rasteira e a silhueta das árvores despidas ao fundo, características do inverno transmontano.

A composição é equilibrada, com os animais posicionados de forma a sugerir uma coexistência pacífica e uma rotina de liberdade no campo.

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Pilares de Vida e Trabalho Transmontano

O título da obra, "O Cavalo e a Vaquinha", possui uma simplicidade quase terna que esconde a enorme importância histórica e económica que estes animais representam para a vida rural em Portugal, especialmente na região de Trás-os-Montes.

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O Cavalo: A Força e a Mobilidade

Historicamente, o cavalo não era apenas um meio de transporte; era o parceiro indispensável na lida do campo.

Nas terras altas e de difícil acesso, o cavalo (ou o macho e a mula) permitia:

O Transporte de Cargas: Desde o transporte de cereais até à lenha para aquecer os lares durante os invernos rigorosos.

A Mobilidade Humana: Antes da chegada dos veículos a motor, era no dorso destes animais que se percorriam as distâncias entre aldeias e mercados.

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A Vaca: A Nutriz da Família

A "vaquinha" mencionada no título simboliza o coração da economia doméstica.

Em Trás-os-Montes, a posse de uma vaca era, muitas vezes, a diferença entre a fartura e a carência.

O Trabalho de Tração: Embora a fotografia mostre uma vaca de aptidão leiteira, as raças autóctones (como a Barrosã ou a Mirandesa) eram utilizadas para lavrar a terra e puxar os carros de bois.

O Sustento: O leite, a manteiga e o queijo eram componentes vitais da dieta familiar, enquanto o vitelo representava uma reserva financeira para as despesas extraordinárias do ano.

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Uma Simbiose Ancestral

Relacionar o tema da fotografia com o seu título é reconhecer a humanização da paisagem.

Estes animais não são vistos pelos agricultores transmontanos apenas como "rebanho", mas como membros da unidade familiar, muitas vezes tratados com nomes próprios e um carinho visível.

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A imagem de Mário Silva imortaliza este equilíbrio.

No silêncio do pasto, o cavalo e a vaca representam a resiliência de um povo que, através da domesticação e do respeito pela natureza, moldou a identidade de uma região.

Eles são o símbolo vivo de um tempo onde o ritmo da vida era ditado pelo passo do animal e pelas estações do ano.

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Texto & Fotografia:©MárioSilva

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Mário Silva 📷
29
Jan26

“A carroça ... em descanso ...” - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

“A carroça ... em descanso ...”

Mário Silva

29Jan DSC09270_ms.JPG

Esta fotografia de Mário Silva é um tributo visual à pacatez e à história do quotidiano agrícola em Trás-os-Montes.

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A fotografia “A carroça ... em descanso ...” retrata um exemplar típico das carroças de transporte rural, estacionada sob a proteção de um telheiro.

O enquadramento de Mário Silva destaca a estrutura híbrida do veículo: a madeira pintada de verde, já desgastada pelo tempo, e os braços de ferro oxidados que ostentam correntes e argolas prontas para a parelha.

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Ao fundo, uma parede de blocos de cimento serve de suporte a dois generosos cabos de cebolas que secam ao ar, um detalhe que reforça a autenticidade do cenário de subsistência.

O chão, forrado de palha e folhas secas, e a iluminação que entra lateralmente, criam uma composição onde a textura é protagonista.

A vinheta escura em redor da imagem confere-lhe uma aura de recordação, como se estivéssemos a espreitar através de uma janela para o passado.

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O Silêncio da Carroça – O Repouso de uma Vida de Trabalho

O título escolhido pelo fotógrafo, com as suas reticências sugestivas, convida-nos a refletir sobre o conceito de “descanso” no contexto do Portugal profundo.

Em Trás-os-Montes, uma carroça nunca está apenas parada; ela está a recuperar fôlego entre colheitas ou a aguardar que a próxima estação lhe devolva a utilidade.

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O Elo entre o Homem e a Terra

Relacionar o tema da carroça com o título é falar da transição do labor para o repouso.

Durante décadas, estas carroças foram o prolongamento dos braços do agricultor.

Transportaram o estrume para fertilizar, a lenha para aquecer o inverno e o pão em forma de cereal.

Ver a "carroça em descanso" é ver o próprio ciclo da vida agrícola:

A Resistência: O ferro enferrujado e a madeira nua são as rugas deste objeto que, tal como quem o conduz, envelhece com dignidade.

A Abundância: As cebolas penduradas ao fundo não são apenas decoração; são o resultado direto do trabalho que este veículo ajudou a realizar.

São o prémio do suor armazenado.

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O Descanso como Memória

Num mundo cada vez mais mecanizado, o "descanso" desta carroça ganha um novo significado.

Muitas vezes, este repouso já não é temporário, mas sim definitivo.

O título de Mário Silva toca na melancolia de uma era que se desvanece.

A carroça repousa sobre a palha, protegida da chuva, como um veterano de guerra que agora assiste à passagem do tempo num canto sossegado do pátio.

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Um Silêncio Eloquente

Esta imagem não é sobre o vazio, mas sobre o que está cheio de história.

O "descanso" da carroça é um silêncio eloquente que nos fala de um tempo em que o ritmo da vida era ditado pela natureza e pela força animal.

É uma homenagem à resiliência transmontana, captada num momento de merecida quietude.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
28
Jan26

“Águas Frias e ar gélido (mesmo com sol)" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

“Águas Frias e ar gélido (mesmo com sol)"

Mário Silva

28JanDSC09282_ms.JPG

Esta é uma perspetiva panorâmica e vibrante de Mário Silva, capturada na aldeia de Águas Frias, em Chaves.

A imagem ilustra com mestria o rigor e a beleza do inverno transmontano.

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A fotografia apresenta uma vista elevada sobre o casario da aldeia de Águas Frias.

O olhar é imediatamente atraído pelo mar de telhados cor de laranja, que contrastam vivamente com o cinzento das paredes de granito e o verde seco das encostas circundantes.

No topo da aldeia, destaca-se a torre branca da igreja, erguendo-se como uma sentinela sobre a comunidade.

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A composição é emoldurada por ramos de árvores despidos, cujos contornos escuros sugerem a dormência da natureza.

Apesar da luminosidade intensa e do céu que se adivinha limpo, a nitidez das sombras e a crueza da paisagem confirmam a premissa do título: é um dia de sol, mas de um frio cortante, típico das "terras altas" do norte de Portugal.

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O Sol que Não Aquece e a Rocha que Resiste

O Batismo do Gelo

Há nomes que são destinos, e Águas Frias é um deles.

Localizada no concelho de Chaves, esta aldeia não é apenas um lugar no mapa; é um manifesto da resistência humana contra os elementos.

O título de Mário Silva, "Águas Frias e ar gélido (mesmo com sol)", capta a grande dualidade transmontana: a luz que deslumbra, mas não afaga.

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Nesta imagem, o sol não é um abraço, mas sim um refletor.

Ele incide sobre as telhas cerâmicas e o granito secular, revelando cada textura, cada fenda, cada detalhe da arquitetura popular.

Contudo, é um sol de "pouca dura", um visitante luminoso que se recusa a derreter o hálito gelado que desce das montanhas.

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A Fortaleza de Telhados e Granito

Vista de cima, a aldeia parece um organismo vivo, encolhido sobre si mesmo em busca de calor.

As casas, encostadas umas às outras, formam um escudo contra o vento que fustiga o vale.

O granito, extraído da própria terra, serve de alicerce e armadura.

É uma estética da sobrevivência que, através da lente do fotógrafo, se transforma em arte épica.

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Os ramos secos que enquadram a fotografia funcionam como garras do inverno, lembrando-nos que, fora do abrigo das lareiras de pedra, a natureza reclama o seu domínio.

O ar é tão límpido que parece cristalizar a paisagem, permitindo-nos ver até ao último detalhe das hortas e dos campos que esperam pela primavera.

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A Alma do Norte

Águas Frias é um testemunho da têmpera de um povo.

O artigo que esta imagem escreve silenciosamente é sobre a persistência.

Numa terra onde o nome evoca o gelo, o calor encontra-se no interior das paredes grossas e na resiliência de quem habita este anfiteatro de pedra.

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A fotografia de Mário Silva não é apenas um registo geográfico; é o retrato de um instante eterno onde o tempo parece parado pelo frio, mas a vida pulsa sob o manto laranja dos telhados, sob o olhar atento de uma torre que aponta para um céu azul e gélido.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
27
Jan26

“A hera que era ... trepadeira, desde pequenina" – Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

“A hera que era ... trepadeira, desde pequenina"

Mário Silva

27Jan DSC09189_ms.JPG

Esta é uma bela composição de Mário Silva, que joga com a textura e a persistência da natureza.

A imagem apresenta uma imponente rocha de granito, típica das paisagens rurais portuguesas, servindo de suporte a uma exuberante hera variegada (tons de verde e creme).

A planta cai sobre a pedra como um manto orgânico, contrastando a dureza mineral com a suavidade das folhas.

No plano de fundo, vislumbram-se troncos de árvores despidos ou cobertos de líquenes, sugerindo uma atmosfera de inverno.

A luz solar incide lateralmente, realçando as cores vibrantes da hera e as sombras profundas sob a rocha.

O chão está coberto por um tapete de folhas secas e erva rasteira, conferindo à cena uma organicidade serena e intemporal.

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A Vocação da Hera e o Tempo da Pedra

O Destino Escrito no Caule

O título escolhido por Mário Silva, “A hera que era ... trepadeira, desde pequenina”, encerra em si uma doçura quase infantil, mas também uma verdade biológica e metafórica profunda.

Ao personificar a planta, o fotógrafo convida-nos a olhar para a hera não como um invasor, mas como um ser que cumpre o seu destino.

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A hera não escolhe subir; ela é a própria ascensão.

Desde que brota, a sua natureza impele-a a procurar apoio, a abraçar o que é sólido para alcançar a luz.

Nesta fotografia, a rocha de granito — estática e eterna — oferece o palco perfeito para essa coreografia lenta e persistente.

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O Contraste entre o Mineral e o Vegetal

Visualmente, a obra vive do contraste.

O granito representa o tempo geológico, frio e imutável.

A hera, por sua vez, representa o tempo biológico, o ciclo do crescimento e a adaptação.

O facto de ser uma hera variegada, com as suas margens claras, confere uma luminosidade extra à composição, como se a planta estivesse a iluminar a própria pedra.

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A frase "desde pequenina" remete para a ideia de vocação.

Tal como os seres humanos nascem com inclinações e talentos, esta hera nasceu com a "vontade" de trepar.

Onde outros veriam apenas uma pedra no caminho, a hera viu uma oportunidade de elevação.

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A Persistência como Arte

Mário Silva capta o momento em que a planta já conquistou o seu espaço.

Há uma harmonia na forma como as folhas se moldam às irregularidades do granito.

A fotografia torna-se, assim, uma lição sobre a resiliência: a vida encontra sempre uma forma de florescer, mesmo sobre a rocha mais dura, desde que se mantenha fiel à sua essência "trepadeira".

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Esta imagem é um tributo à paciência da natureza.

Lembra-nos que, independentemente da nossa escala, todos temos um impulso intrínseco — uma "raiz" que nos orienta para onde devemos crescer.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
26
Jan26

Alvéola-branca, lavadeira ou lavandisca (Motacilla alba)


Mário Silva Mário Silva

Alvéola-branca, lavadeira ou lavandisca (Motacilla alba)

26Jan Alvéola-branca;_lavadeira_ lavandisca (Mota

Esta fotografia de Mário Silva capta com delicadeza um momento de quietude na natureza, celebrando uma das aves mais familiares e carismáticas das nossas paisagens.

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A fotografia “Alvéola-branca; lavadeira ou lavandisca (Motacilla alba)” é um retrato de natureza que prima pela sobriedade e pelo detalhe.

A ave, pequena e elegante, é apresentada de perfil, permitindo observar nitidamente a sua plumagem característica em tons de cinzento, branco e preto, com o característico "babadouro" escuro no peito.

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O sujeito encontra-se pousado sobre um terreno de terra batida ou estrume, cuja textura rugosa e tons castanhos neutros criam um contraste eficaz que faz sobressair a silhueta clara da alvéola.

A profundidade de campo está bem controlada, mantendo a ave em foco preciso enquanto o plano de fundo se suaviza.

A luz é difusa e natural, realçando as formas sem criar sombras agressivas, o que confere à imagem uma serenidade quase documental.

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A Elegância Inquieta da Lavandisca

O Olhar de Mário Silva sobre a Motacilla alba

O título da fotografia de Mário Silva — que enumera o nome científico e os vários nomes comuns da espécie — revela de imediato uma intenção: a de unir o rigor da observação naturalista à riqueza do património linguístico rural português.

A Alvéola-branca, comummente chamada de lavadeira ou lavandisca, é mais do que um simples pássaro; é um símbolo vivo da vitalidade dos campos e das margens de água.

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A Identidade de uma Espécie Familiar

Ao intitular a obra com os nomes populares, o fotógrafo evoca a ligação ancestral entre o povo e esta ave.

O nome "lavadeira" provém do seu hábito característico de frequentar locais onde se lavava a roupa e do movimento rítmico da sua cauda longa, que oscila para cima e para baixo como se estivesse a esfregar algo.

Na fotografia, esse dinamismo é captado num instante de pausa, mas a postura da ave sugere uma prontidão para o voo ou para a corrida rápida.

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Estética do Contraste

Visualmente, a fotografia explora a dicotomia entre a fragilidade da ave e a brutosidade do meio.

A alvéola-branca, com o seu aspeto asseado e plumagem gráfica, parece flutuar sobre a terra escura e pesada.

Esta escolha estética sublinha a capacidade da natureza de encontrar beleza e equilíbrio nos locais mais comuns e utilitários da faina agrícola.

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O Valor da Observação

A obra convida-nos a abrandar.

Num mundo em constante aceleração, fixar o olhar numa "simples" lavandisca é um exercício de atenção.

Mário Silva transforma um encontro quotidiano numa celebração da biodiversidade local, lembrando-nos que a "salvação" (tema recorrente noutras obras suas) pode também residir na contemplação da vida que nos rodeia.

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"A lavandisca de Mário Silva é um testemunho da elegância que sobrevive no meio da terra, uma sentinela discreta da nossa paisagem rural."

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Em suma, a fotografia é uma homenagem à persistência da vida selvagem no nosso quotidiano, elevando um pequeno passeriforme ao estatuto de protagonista de uma narrativa visual sobre identidade e natureza.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
25
Jan26

AVISO


Mário Silva Mário Silva

AVISO

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A plataforma SAPO vai encerrar, como tal, as minhas publicações, continuarão, mas agora no BLOGGER, com os segintes NOVOS endereços:

 

Fotografia & Escrita   https://mariosilvafotografia.blogspot.com

Pinturas                       https://mariosilva-pinturas.blogspot.com

Pinturas (IA)                https://mariosilva-pinturas-ai.blogspot.com

 

Obrigado a todos os que me visitaram.

Continuem a visitar-me.

 

Um grande abraço a todos.

 

Mário Silva

Mário Silva 📷
25
Jan26

“O Senhor é minha luz e salvação” – Mário Silva (IA)


Mário Silva Mário Silva

“O Senhor é minha luz e salvação”

Mário Silva (IA)

25Jan O Senhor é minha luz e salvação_ms.jpg

A obra digital de Mário Silva, intitulada "O Senhor é minha luz e salvação", apresenta uma composição vertical centrada na figura de um indivíduo solitário no topo de um caminho de montanha escarpado.

O cenário é dominado por um céu escuro e carregado de nuvens cinzentas, que transmitem uma sensação de isolamento e tempestade iminente.

No entanto, um feixe de luz dourada e radiante rompe a densidade das nuvens no centro superior da imagem, descendo como uma coluna de brilho celestial sobre o sujeito.

A figura humana encontra-se de pé, de costas para o observador, com os braços abertos e elevados num gesto de adoração ou aceitação perante a luz que a envolve.

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A Luz que Vence a Escuridão

A Transcendência e o Caminho na Obra de Mário Silva

O título desta fotografia digital, "O Senhor é minha luz e salvação", remete diretamente para uma das passagens mais icónicas dos textos bíblicos (o Salmo 27), mas a interpretação visual de Mário Silva eleva este conceito a uma dimensão artística universal.

A imagem funciona como uma poderosa metáfora sobre a fé, a resiliência e a busca de sentido perante as adversidades da existência.

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A Simbologia da Jornada

A montanha e o caminho de pedras representam a jornada da vida, muitas vezes difícil, íngreme e solitária.

A escolha de colocar o indivíduo num cume sugere que a salvação ou a iluminação espiritual não é um estado passivo, mas o resultado de uma caminhada e de uma ascensão pessoal.

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O Contraste entre o Humano e o Divino

A técnica digital é utilizada para criar um contraste dramático entre a escuridão opressiva do céu e a pureza do raio de luz.

Enquanto as nuvens representam o medo, a incerteza ou as trevas do mundo, o feixe central simboliza a intervenção divina ou a clareza intelectual e espiritual.

A luz não apenas ilumina a figura, mas define o próprio caminho à sua frente, conferindo segurança e direção.

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O Gesto de Entrega

A postura da figura central — de braços abertos — é o ponto de maior carga emocional na obra.

Não é um gesto de defesa, mas de rendição e comunhão.

Indica que a "salvação" mencionada no título é recebida através da abertura do espírito, transformando um momento de isolamento numa experiência de transcendência.

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"Na lente de Mário Silva, a luz não é apenas um fenómeno físico, mas uma presença que resgata o homem da sua própria sombra."

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Em conclusão, esta obra convida o observador a uma reflexão sobre a esperança.

Recorda-nos que, independentemente da densidade das "nuvens" que possam surgir na nossa vida, existe sempre a possibilidade de um rasgo de luz que oferece conforto, orientação e, finalmente, salvação.

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Texto & Fotografia digital: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
24
Jan26

"A água - fonte de Vida"


Mário Silva Mário Silva

"A água - fonte de Vida"

24Jan DSC05083_ms.JPG

A fotografia "A água - fonte de Vida", de Mário Silva, é uma composição lírica que celebra a pureza e o dinamismo do elemento líquido num contexto rural.

A imagem foca-se num tanque de pedra, onde um fluxo contínuo de água entra pelo canto inferior direito, gerando uma série de ondulações concêntricas que se espalham pela superfície espelhada.

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No plano médio, a borda do tanque é adornada por folhas de videira em tons de verde e amarelo, sugerindo a transição das estações e a dependência direta da agricultura em relação à água.

O fundo apresenta uma encosta suave sob uma luz crepuscular quente, que confere à cena uma atmosfera de paz e intemporalidade.

O uso de uma moldura esfumada (vinheta) e a tonalidade sépia/dourada reforçam o carácter nostálgico e vital da obra.

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A Água como Sangue da Terra

A Simbiose entre Elemento e Existência na Lente de Mário Silva

O título não poderia ser mais axiomático: "A água - fonte de Vida".

Na obra de Mário Silva, este conceito abandona o cliché para se tornar uma evidência visual tangível.

A fotografia transporta-nos para o coração do Portugal rural, onde a água não é apenas um recurso, mas o eixo em torno do qual gravita toda a existência biológica e social.

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O Movimento e a Renovação

O ponto focal da imagem — o impacto da água na superfície do tanque — simboliza a renovação constante.

Cada gota que cai quebra a inércia, criando vida e movimento.

É uma metáfora visual para o ciclo hidrológico: a água que corre é água que limpa, que nutre e que permite o crescimento.

Sem o fluxo que vemos no canto da imagem, o tanque seria estéril; com ele, torna-se um ecossistema.

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A Água e a Identidade Agrícola

A presença das folhas de videira debruçadas sobre o espelho de água estabelece uma ligação direta com a sustentabilidade.

Em Portugal, a cultura da vinha é indissociável da gestão inteligente da água.

A fotografia capta o momento em que a natureza "bebe" da mão do homem (ou das infraestruturas que ele criou, como este tanque), ilustrando uma harmonia necessária entre a intervenção humana e os recursos naturais.

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Luz e Espiritualidade

A escolha da luz quente e dourada eleva a composição de um registo meramente documental para um plano contemplativo.

A água brilha como ouro líquido, sugerindo que a verdadeira riqueza de uma terra não reside no que se acumula, mas na abundância deste recurso vital.

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"A fotografia de Mário Silva recorda-nos que, na simplicidade de um tanque de aldeia, reside o segredo da sobrevivência de todo um planeta."

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Em suma, "A água - fonte de Vida" é um manifesto visual sobre a preciosidade e a fragilidade.

Num mundo onde a escassez hídrica é uma ameaça crescente, esta imagem serve como um lembrete poético da nossa dependência absoluta deste elemento primordial.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
23
Jan26

"Já foi um lar..." - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"Já foi um lar..."

23Jan DSC09710_ms.jpg

Esta é uma imagem que toca profundamente na alma do Portugal interior, capturando a fragilidade do tempo e a memória de outros dias.

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A fotografia de Mário Silva, intitulada "Já foi um lar...", retrata uma casa tradicional em ruínas na aldeia de Águas Frias, Chaves.

A imagem foca-se na estrutura esquelética de uma varanda de madeira que, outrora vibrante, agora se desfaz sob o peso do abandono e das intempéries.

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As robustas paredes de granito, típicas da região transmontana, contrastam com a madeira apodrecida e lascada da galeria.

No piso inferior, vislumbram-se restos de palha e algumas abóboras, sugerindo que o espaço, antes habitado por pessoas, serviu por último como armazém agrícola antes de ser entregue ao silêncio.

A luz solar incide lateralmente, criando sombras dramáticas que acentuam as texturas das pedras e a fragilidade das tábuas suspensas, enquanto uma moldura escura (vinheta) envolve a cena, conferindo-lhe um tom nostálgico e quase fúnebre.

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O Eco das Paredes Vazias – Quando o Tempo Apaga o Lar

O título escolhido pelo fotógrafo — "Já foi um lar..." — não é apenas uma descrição; é um lamento em forma de reticências.

Em Águas Frias, como em tantas outras aldeias de Trás-os-Montes, as casas não são apenas amontoados de pedra e madeira; são baús de memórias que, lentamente, se deixam vencer pelo esquecimento.

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A Anatomia do Abandono

Olhar para esta fotografia é testemunhar a finitude das coisas humanas.

A varanda, que outrora poderá ter sido o lugar onde se via o pôr-do-sol ou se trocavam palavras com o vizinho, é hoje um esqueleto de madeira que desafia a gravidade por pouco tempo.

O Granito: Permanece firme, como a espinha dorsal de uma história que se recusa a cair totalmente.

A Madeira: Cede e lasca-se, representando a vida que se retirou e a fragilidade do que é orgânico.

Os Frutos da Terra: As abóboras e a palha no rés-do-chão são os últimos vestígios de utilidade, um eco distante da subsistência que ali pulsava.

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A Saudade do que foi

Relacionar o tema com o título é falar de Saudade.

Quando Mário Silva diz que "já foi um lar", ele convida-nos a imaginar o fumo a sair da chaminé, o cheiro do caldo ao lume e o som de passos no soalho que agora range sob o nada.

Esta imagem é o retrato da desertificação do interior, mas também uma homenagem à dignidade dessas ruínas que, mesmo no fim, mantêm uma beleza melancólica e severa.

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Esta fotografia serve como um espelho de um país que envelhece e de casas que, ao perderem os seus habitantes, perdem a sua alma, restando apenas a luz do sol a iluminar o pó do que um dia foi vida.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
22
Jan26

“Pedra Bolideira” - Planalto de Monforte – Chaves – Portugal


Mário Silva Mário Silva

“Pedra Bolideira”

Planalto de Monforte – Chaves – Portugal

22Jan Pedra Bolideira_ms.jpg

Esta é uma belíssima composição que nos transporta para o misticismo das terras altas transmontanas.

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A fotografia de Mário Silva, intitulada "Pedra Bolideira", captura a alma do Planalto de Monforte, em Chaves, sob o rigor de um inverno rigoroso.

A imagem destaca-se pela sua atmosfera etérea, onde o nevoeiro denso funde o céu e a terra num branco infinito.

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No centro da composição, as monumentais massas de granito — cobertas por musgo e agora salpicadas por uma fina camada de neve ou geada — impõem-se pela sua robustez.

Em primeiro plano, um conjunto de mesa e bancos de pedra surge solitário, convidando à contemplação do silêncio.

O tratamento artístico, com uma vinheta suave e uma tonalidade fria, acentua o isolamento e a quietude deste lugar emblemático, transformando a paisagem geológica num cenário quase onírico.

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O Equilíbrio Mágico da Pedra Bolideira

O título da obra transporta-nos imediatamente para um dos fenómenos geológicos mais fascinantes de Portugal: a Pedra Bolideira.

Situada no Planalto de Monforte, esta não é apenas uma rocha colossal; é um símbolo de equilíbrio improvável e um guardião de lendas ancestrais.

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O Mistério do Movimento

A "Pedra Bolideira" deve o seu nome à sua característica mais singular: apesar de pesar várias dezenas de toneladas, diz-se que um pequeno impulso humano num ponto específico é capaz de a fazer oscilar (ou "bolir").

Na fotografia de Mário Silva, este gigante parece repousar numa fragilidade silenciosa, desafiando as leis da gravidade sob o manto branco do inverno de Chaves.

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A Paisagem Transmontana no Inverno

O Planalto de Monforte é uma região de beleza crua e resiliente.

O artigo visual proposto pelo fotógrafo realça o binómio entre a dureza e a suavidade:

A Dureza: Representada pelo granito eterno e pelas árvores despidas, símbolos de uma terra que resiste ao tempo.

A Suavidade: Transmitida pelo nevoeiro e pela geada, que suavizam as arestas da rocha e criam uma sensação de paz absoluta.

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Mais que Geologia, uma Identidade

Relacionar o tema da fotografia com o seu título é falar da identidade de Trás-os-Montes.

A Pedra Bolideira é um ponto de paragem obrigatório, um local onde a natureza parece querer comunicar connosco.

O mobiliário de pedra em primeiro plano, vazio, mas presente, sugere que este ritual de visitar a "pedra que bole" é uma tradição partilhada por gerações, mesmo quando o frio afasta os visitantes e deixa a paisagem entregue aos seus próprios mistérios.

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A lente de Mário Silva não regista apenas um local turístico; imortaliza o “genius loci” (o espírito do lugar) de Monforte, onde a pedra ganha vida e o tempo parece ter parado para nos deixar ouvir o silêncio do planalto.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
21
Jan26

AVISO


Mário Silva Mário Silva

AVISO

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A plataforma SAPO vai encerrar, como tal, as minhas publicações, continuarão, mas agora no BLOGGER, com os segintes NOVOS endereços:

 

Fotografia & Escrita   https://mariosilvafotografia.blogspot.com

Pinturas                       https://mariosilva-pinturas.blogspot.com

Pinturas (IA)                https://mariosilva-pinturas-ai.blogspot.com

 

Obrigado a todos os que me visitaram.

Continuem a visitar-me.

 

Um grande abraço a todos.

 

Mário Silva

Mário Silva 📷
21
Jan26

"O ritual da matança da seba" - Mário Silva


Mário Silva Mário Silva

"O ritual da matança da seba"

21Jan DSC03222_ms.JPG

Esta é uma imagem poderosa que capta a essência de uma das tradições mais profundas do Portugal rural.

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A fotografia de Mário Silva, intitulada "O ritual da matança da seba", é uma composição a preto e branco que exala força e movimento.

A imagem regista um momento de intenso esforço coletivo: um grupo de homens, unidos pela tarefa comum, lida com o corpo pesado de um porco (a seba) num cenário campestre.

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A escolha do preto e branco acentua os contrastes da luz solar, realçando as texturas das roupas de trabalho e a tensão muscular dos intervenientes.

Ao fundo, vislumbra-se a tranquilidade da paisagem rural e um segundo animal em repouso, criando um contraste narrativo entre a ação frenética do primeiro plano e a quietude do ambiente.

A vinheta escura em redor da imagem foca o olhar do observador no centro da ação, transformando o trabalho manual num momento quase coreografado.

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A Matança da Seba – Mais que um Costume, um Pilar da Comunidade

O título da obra de Mário Silva remete-nos para uma expressão que faz parte do léxico emocional de muitas aldeias portuguesas.

A "seba" é o porco que foi alimentado e cuidado ao longo de um ano inteiro, muitas vezes com os restos da colheita e o que de melhor a terra deu.

A sua matança não é apenas um ato de subsistência; é um ritual de sobrevivência e de coesão social.

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O Ciclo da Entreajuda

No Portugal profundo, a matança do porco nunca foi uma tarefa solitária.

Como a fotografia ilustra com mestria, este é um evento que exige a força do coletivo.

É um momento de entreajuda: hoje ajuda-se num vizinho, amanhã o vizinho retribui.

Este ciclo de cooperação reforça os laços comunitários que, de outra forma, poderiam diluir-se no isolamento do campo.

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O Ritual e a Memória

O termo "ritual" no título é particularmente apropriado.

Existe uma ordem estabelecida, um saber-fazer passado de geração em geração:

O inverno: A época escolhida (normalmente entre dezembro e janeiro) devido ao frio, essencial para a conservação da carne.

A Lida: O processo que envolve homens e mulheres em tarefas distintas, desde o corte até à preparação dos enchidos.

O Fumeiro: A transformação da carne em presuntos, chouriços e alheiras, que garantirão o sustento da família durante os meses seguintes.

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O Olhar Contemporâneo

Embora as normas de saúde pública e a modernização tenham alterado a forma como estas práticas ocorrem, o registo de Mário Silva imortaliza a dimensão antropológica do evento.

A fotografia não celebra a morte do animal, mas sim a vitalidade de uma cultura que se recusa a esquecer as suas raízes.

É um testemunho da relação direta do ser humano com a sua alimentação, despida dos artifícios do consumo industrializado.

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A "matança da seba" continua a ser, no imaginário coletivo, o símbolo da abundância conquistada com o suor do rosto e a união de braços amigos.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
20
Jan26

O cogumelo enganador “Laccaria laccata”


Mário Silva Mário Silva

O cogumelo enganador “Laccaria laccata”

20Jan DSC00186_ms.JPG

Esta fotografia da autoria de Mário Silva leva-nos a explorar o chão da floresta e os mistérios do reino dos fungos.

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A fotografia apresenta um plano aproximado (macro) de um pequeno cogumelo solitário, o Laccaria laccata, emergindo de um tapete de folhas secas de carvalho e líquenes.

O cogumelo exibe um chapéu (píleo) de forma convexa e ligeiramente deprimida no centro, com uma textura delicada e bordas onduladas.

A sua cor é um tom de bege-rosado suave, sustentado por um pé (estipe) fino e cilíndrico de cor alaranjada ou acobreada.

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O enquadramento destaca a fragilidade do fungo em comparação com a robustez das folhas de carvalho outonais que o rodeiam.

A luz é suave e difusa, realçando as lâminas que se vislumbram sob o chapéu e a pátina húmida da vegetação em decomposição.

É uma imagem que celebra a vida minúscula e discreta que prospera no ecossistema florestal.

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O Cogumelo Enganador – A Arte da Camuflagem no Reino Fungi

O título da fotografia de Mário Silva, "O cogumelo enganador", não é uma licença poética, mas sim a tradução do nome comum atribuído à espécie Laccaria laccata.

Este pequeno habitante das nossas florestas é conhecido entre os micologistas pela sua incrível capacidade de confundir até os olhos mais treinados.

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Porque é "Enganador"?

O Laccaria laccata recebe este nome devido à sua natureza higrófana.

Isto significa que a sua aparência — cor, textura e forma — altera-se drasticamente dependendo do nível de humidade no ambiente:

Quando húmido: Apresenta tons avermelhados, rosados ou acobreados, parecendo vibrante e carnudo.

Quando seco: Torna-se pálido, esbranquiçado e com um aspeto baço, parecendo uma espécie completamente diferente.

Esta variabilidade torna-o um verdadeiro "camaleão" dos bosques, levando muitos coletores a confundi-lo com outras espécies, algumas delas tóxicas, o que reforça a importância do título escolhido pelo autor.

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A Beleza na Simplicidade

Embora não tenha a imponência de um Boletus ou a cor vibrante de uma Amanita muscaria, o cogumelo enganador possui uma elegância discreta.

A fotografia capta o momento em que ele se integra perfeitamente na paleta de cores do outono.

Ele é um lembrete de que:

A biodiversidade reside no detalhe: Muitas vezes ignoramos o que é pequeno, mas cada fungo desempenha um papel vital na decomposição e na saúde das árvores (através das micorrizas).

As aparências iludem: A natureza ensina-nos que o que vemos pode mudar com o simples cair de uma gota de chuva ou o sopro de um vento seco.

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O Olhar de Mário Silva

Ao isolar este espécime no seu habitat, Mário Silva convida o observador a praticar a atenção plena.

Num mundo de pressas, parar para observar um "cogumelo enganador" é um exercício de paciência e descoberta.

A fotografia transforma o que seria apenas "chão de floresta" numa galeria de formas e cores onde a vida se manifesta de forma silenciosa, mas persistente.

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"No reino dos fungos, o Laccaria laccata ensina-nos que a identidade pode ser fluida

e que a verdadeira essência de um ser

revela-se na sua capacidade de adaptação ao meio."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
19
Jan26

"O marco geodésico" - Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"O marco geodésico"

Águas Frias – Chaves - Portugal

19Jan DSC03054_ms.JPG

Esta obra da coleção de Mário Silva convida-nos a olhar para as alturas e para a ciência que moldou a nossa compreensão do território.

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A fotografia apresenta um vórtice ou marco geodésico de betão, implantado estrategicamente sobre um imponente conjunto de penedos de granito.

A estrutura, de forma cilíndrica na base com um topo cónico truncado, destaca-se contra um céu de um azul límpido e profundo, que ocupa a metade superior da composição.

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A paisagem em redor é tipicamente transmontana: uma vasta extensão de terrenos agrícolas e pastagens em tons de castanho e ocre, sugerindo o repouso da terra no inverno.

Ao fundo, vislumbra-se o casario branco da aldeia de Casas de Monforte, aninhado na encosta das montanhas.

A imagem equilibra a solidez da rocha, a precisão da engenharia humana e a amplitude do horizonte, captando a essência de um ponto que é, simultaneamente, um lugar físico e uma coordenada matemática.

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O Marco Geodésico – Sentinela do Espaço e do Tempo

Muitas vezes ignorados por quem percorre os trilhos de Chaves, os marcos geodésicos, como o captado por Mário Silva em Águas Frias, são muito mais do que simples colunas de betão.

São os pilares invisíveis sobre os quais se construiu o mapa de Portugal.

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No Passado: A Construção do Mapa

Antes da era dos satélites e do sinal digital, a única forma de mapear um país com precisão era através da triangulação.

Pontos de Vigia: Estes marcos eram erguidos nos pontos mais altos e com maior visibilidade para que os topógrafos pudessem avistar outros marcos a quilómetros de distância.

Cálculo Matemático: Através da medição dos ângulos entre estes pontos, era possível calcular distâncias e altitudes com uma precisão notável para a época.

A Rede Geodésica Nacional: Portugal foi um dos pioneiros na criação de uma rede estruturada, essencial para definir fronteiras, planear estradas e gerir o território agrícola e florestal.

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No Presente: Da Estática ao GPS

Poder-se-ia pensar que, com a chegada do GPS e do sistema Galileo, estas estruturas seriam obsoletas.

Pelo contrário, a sua importância mantém-se, embora tenha evoluído:

Pontos de Calibração: Os equipamentos de alta precisão utilizados em engenharia civil e cartografia moderna precisam de pontos físicos de referência para calibrar os sinais de satélite.

Monitorização da Crosta: Alguns destes marcos são utilizados para medir movimentos impercetíveis da terra, ajudando a estudar a atividade sísmica.

Património e Identidade: Hoje, são também marcos de lazer.

Estar junto a um marco geodésico significa, quase sempre, estar num local de vista privilegiada, servindo como destino para caminhantes e amantes da natureza.

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A Simbiose entre Homem e Natureza

Na fotografia de Mário Silva, o marco assenta no granito.

Esta imagem é uma metáfora poderosa: a ciência (o betão) apoia-se na natureza (a rocha).

O marco geodésico de Águas Frias é uma "âncora" no espaço; ele diz-nos exatamente onde estamos num mundo em constante mudança.

Enquanto a aldeia ao fundo cresce e se transforma, o marco permanece imóvel, garantindo que o território continua devidamente medido e reconhecido.

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"Um marco geodésico é o local onde a terra se deixa medir pela inteligência humana, oferecendo em troca a melhor vista sobre o horizonte."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
18
Jan26

Cruzeiro do Senhor dos Milagres – Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

Cruzeiro do Senhor dos Milagres

Águas Frias – Chaves - Portugal

18Jan DSC00161_ms.JPG

A fotografia, captada de um ângulo superior (picado), apresenta um cruzeiro monumental protegido por uma estrutura de abrigo típica da arquitetura religiosa popular.

Quatro pilares de granito robustos sustentam um telhado piramidal de quatro águas, revestido com telha cerâmica envelhecida, que exibe manchas de líquenes e musgo.

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No centro da estrutura, destaca-se um painel de azulejos azul e branco com a imagem de Cristo Crucificado — o Senhor dos Milagres.

Na base, pequenos vasos com flores cor-de-rosa e brancas testemunham a manutenção viva do culto e a gratidão da comunidade.

O cruzeiro situa-se na berma do largo da Junta, alcatroada, delimitado por um gradeamento de ferro e um muro de pedra tradicional, inserindo-se harmoniosamente num cenário de vegetação outonal e ruralidade.

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O Cruzeiro – Uma Sentinela de Fé na Berma do Caminho

Os cruzeiros e alminhas são elementos indissociáveis da paisagem transmontana.

Na fotografia de Mário Silva em Águas Frias, o "Cruzeiro do Senhor dos Milagres" surge como mais do que um monumento: é uma coordenada espiritual que liga o viajante ao divino.

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A Arquitetura do Amparo

Diferente dos cruzeiros simples de pedra isolada, este exemplar possui uma cobertura.

Esta arquitetura não é apenas estética; simboliza o amparo e a proteção.

O telhado que guarda a imagem do Senhor dos Milagres reflete a ideia de que a fé deve ser preservada das intempéries, tal como a comunidade se protege sob a crença nos seus milagres.

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O Granito: Representa a perenidade e a dureza da vida na montanha.

O Azulejo: O azul e branco introduzem uma nota de luz e serenidade no cinzento da pedra.

As Flores: São o elo de ligação entre o sagrado e o quotidiano, representando promessas feitas ou agradecimentos alcançados.

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O Senhor dos Milagres: Esperança Comunitária

O título da fotografia remete para uma das invocações mais queridas do povo português.

O "Senhor dos Milagres" é a figura a quem se recorre nas horas de maior incerteza — seja por questões de saúde, colheitas ou proteção dos entes queridos.

Em Águas Frias, este cruzeiro funciona como um altar público, onde a religião sai das paredes da igreja para se encontrar com as pessoas no seu trajeto diário.

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Património e Identidade

Preservar um cruzeiro como este é manter viva a identidade de uma aldeia.

Num mundo que se move cada vez mais depressa, a fotografia de Mário Silva obriga-nos a abrandar.

Ela mostra que, na berma de uma estrada moderna, ainda há lugar para o silêncio, para a oração e para a memória dos antepassados que ergueram aquela estrutura.

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A originalidade desta imagem reside na perspetiva: ao olhar de cima, o fotógrafo coloca-nos numa posição de observadores protegidos, destacando a geometria do telhado e a humildade das ofertas florais, lembrando-nos que o sagrado está presente nos detalhes mais simples.

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"Um cruzeiro na estrada é um lembrete de que nunca caminhamos sozinhos;

há sempre um lugar de paragem para a alma."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
17
Jan26

"Feto (Dryopteris erythrosora)"


Mário Silva Mário Silva

"Feto (Dryopteris erythrosora)"

17Jan DSC05425_ms.JPG

A fotografia apresenta um plano de pormenor (macro) de uma fronde de feto da espécie Dryopteris erythrosora, vulgarmente conhecido como feto-de-outono.

A imagem destaca-se pelo contraste cromático vibrante: os tons avermelhados e rosados das folhas jovens do feto sobressaem intensamente contra o fundo escuro, rugoso e texturizado de um tronco de madeira em decomposição.

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A composição é diagonal, com o caule fino e avermelhado a atravessar a imagem, de onde brotam as pinas delicadamente recortadas.

A iluminação realça a transparência das folhas e a textura fibrosa da madeira velha, criando uma harmonia visual entre a vida que nasce (o feto) e a matéria que se transforma (o tronco).

É uma celebração da geometria fractal da natureza e da sua paleta de cores outonais.

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Dryopteris erythrosora – A Elegância do Renascimento

Na natureza, a beleza muitas vezes revela-se através do contraste.

A fotografia de Mário Silva capta precisamente esse momento em que o Dryopteris erythrosora desafia a monotonia do solo da floresta com a sua cor improvável.

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O Feto que "Arde" sem Fogo

Ao contrário da maioria dos fetos, que se apresentam em tons de verde profundo desde o nascimento, o Dryopteris erythrosora possui uma característica genética fascinante: as suas frondes jovens emergem com tonalidades que variam entre o cobre, o rosa e o vermelho alaranjado.

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Nome Científico: O epíteto erythrosora deriva do grego e refere-se aos seus soros (estruturas de reprodução) avermelhados.

Adaptação: Esta coloração inicial serve frequentemente como proteção contra a radiação solar intensa e herbívoros, antes de a folha amadurecer e tornar-se verde-escura.

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Vida Sobre a Matéria: O Ciclo Infinito

A escolha de enquadramento do autor, colocando o feto sobre madeira velha e fendida, remete-nos para o conceito de sucessão ecológica.

O feto não está apenas "ali"; ele está a prosperar num micro-habitat criado pela decomposição.

A Madeira: Representa o passado, a estabilidade e o nutriente.

O Feto: Representa a juventude, a fragilidade aparente e o futuro.

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A Estética da Fragilidade

Esta fotografia ensina-nos que a originalidade da natureza não reside apenas na perfeição das formas, mas na sua capacidade de adornar o que está morto.

O feto, com as suas folhas que parecem rendas de seda rosada, transforma um pedaço de madeira bruta numa obra de arte.

É a prova de que, mesmo nos recantos mais sombrios e húmidos da floresta, a vida insiste em manifestar-se com uma elegância sofisticada.

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"Observar um feto-de-outono é perceber que a renovação não é apenas um processo biológico, mas um espetáculo visual de cores que aquecem o olhar."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
16
Jan26

"Puxador - a Arte Prática"


Mário Silva Mário Silva

"Puxador - a Arte Prática"

16Jan DSC05367_ms.JPG

A fotografia foca-se, num plano de grande pormenor, num puxador de metal antigo fixado a uma superfície vertical rugosa.

O objeto, de forma curva e orgânica que lembra um "S" estilizado ou uma ferramenta artesanal, é o protagonista absoluto da composição.

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O metal apresenta uma oxidação profunda, com uma pátina de ferrugem que varia entre o castanho escuro e o laranja vibrante.

O fundo é composto por uma superfície de chapa ondulada, onde restos de tinta de tom salmão ou rosa desbotado descascam, criando um contraste de texturas e cores pastéis com a dureza do ferro.

A luz lateral realça o relevo e a tridimensionalidade do puxador, transformando um objeto mundano numa peça de escultura.

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A Arte Prática – A Estética do que é Útil

Muitas vezes, procuramos a "Arte" em museus e galerias, esquecendo que ela vive, silenciosa, nos objetos que as mãos humanas moldaram para servir o dia-a-dia.

A fotografia de Mário Silva, "Puxador - a Arte Prática", é um manifesto visual sobre a beleza da funcionalidade.

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O Design Vernáculo e Espontâneo

O puxador captado não é apenas um instrumento para abrir uma porta ou um portão; é um exemplo de design vernáculo.

No mundo rural, como o de Trás-os-Montes, os objetos eram frequentemente feitos para durar gerações.

A sua forma não seguia modas, mas sim a ergonomia da mão e a resistência do material.

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A Forma: A curvatura elegante do puxador não é meramente decorativa; facilita a pega e a alavancagem.

A Matéria: O ferro, embora sujeito à corrosão, mantém a sua integridade estrutural, provando que a "arte prática" é resiliente.

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A Pátina do Tempo como Colaboradora

A originalidade desta peça reside na sua metamorfose.

O que começou por ser um objeto industrial ou artesanal limpo, foi "pintado" pelo tempo.

A ferrugem e a tinta descascada no fundo não são sinais de abandono, mas sim camadas de história.

A fotografia eleva este desgaste ao estatuto de estética, onde a imperfeição se torna o elemento diferenciador.

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O Olhar que Transforma

O título "Arte Prática" sugere que a arte não tem de ser contemplativa ou abstrata.

Pode ser algo que se toca, que se puxa e que executa uma função.

O mérito do fotógrafo reside em isolar o contexto para que possamos apreciar a linha, a cor e a textura de algo que, de outra forma, passaríamos sem notar.

É o triunfo do detalhe sobre o óbvio.

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"A verdadeira arte prática é aquela que, mesmo após décadas de serviço e sob o peso da ferrugem, mantém a elegância da sua intenção original."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
15
Jan26

"A Névoa Transmontana e a Incerteza" - Águas Frias – Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"A Névoa Transmontana e a Incerteza"

Águas Frias – Chaves - Portugal

15Jan DSC05353_ms.JPG

Esta fotografia da autoria de Mário Silva encerra um ciclo de contemplação com uma carga emocional e metafórica profunda.

A fotografia revela uma paisagem minimalista e melancólica, dominada pela presença etérea da névoa transmontana.

No centro da composição, surge a silhueta solitária de uma árvore despojada das suas folhas, cujos ramos finos e intrincados se desenham como veias contra um fundo branco e difuso.

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O cenário é marcado por uma visibilidade reduzida que apaga o horizonte, restando apenas o primeiro plano: uma berma de estrada, vegetação rasteira e um banco de pedra vazio, que parece convidar a uma espera paciente.

A paleta de cores é subtil, composta por cinzentos, castanhos suaves e verdes esbatidos, reforçando a sensação de isolamento, silêncio e a quietude típica das manhãs de inverno no interior de Portugal.

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A Névoa Transmontana – Uma Metáfora da Incerteza

Em Trás-os-Montes, a névoa não é apenas um fenómeno meteorológico; é um véu que transforma a realidade.

Na obra de Mário Silva, captada em Águas Frias, a neblina deixa de ser um obstáculo visual para se tornar uma representação física da incerteza.

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O Horizonte Invisível

A incerteza é, por definição, a falta de clareza sobre o que está adiante.

Na fotografia, a névoa esconde as montanhas de Chaves e os caminhos que se seguem.

Esta ausência de referências espaciais obriga o olhar a deter-se no "aqui e agora".

Tal como na vida, quando o futuro se torna incerto, somos forçados a focar-nos naquilo que é tangível: a árvore à nossa frente, o solo que pisamos, o banco onde podemos descansar.

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A Árvore como Símbolo de Resiliência

A árvore solitária, embora pareça frágil na sua nudez invernal, permanece firme.

Ela aceita a incerteza da névoa sem tentar combatê-la.

Esta imagem sugere que:

A incerteza faz parte do ciclo: Tal como as estações, os momentos de dúvida são necessários para o crescimento.

A beleza reside no mistério: O que não vemos permite-nos imaginar infinitas possibilidades.

A quietude é necessária: O silêncio da névoa proporciona um espaço de introspeção que a claridade do sol muitas vezes dissipa.

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O Convite à Reflexão

O banco vazio na imagem é o elemento que liga o observador à cena.

Ele representa a pausa necessária perante o desconhecido.

A incerteza causa, muitas vezes, ansiedade, mas a lente de Mário Silva propõe uma abordagem diferente: a contemplação.

Em vez de temermos o que a névoa esconde, somos convidados a apreciar a suavidade com que ela envolve o mundo.

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A originalidade desta fotografia reside na coragem de mostrar o "nada", provando que, mesmo quando não conseguimos ver o caminho, a paisagem continua a ter uma alma vibrante, à espera que o sol a revele novamente.

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"A incerteza não é o fim do caminho, é apenas o momento em que a paisagem nos pede para abrandar e sentir o que está por perto."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷
14
Jan26

"O cata-vento numa rústica chaminé" - Águas Frias - Chaves - Portugal


Mário Silva Mário Silva

"O cata-vento numa rústica chaminé"

Águas Frias - Chaves - Portugal

14Jan DSC05373_ms.JPG

A fotografia foca-se num exemplar único de arte popular: um cata-vento antropomórfico em metal oxidado, instalado no topo de uma chaminé tradicional.

A figura representa um homem de perfil, usando um chapéu e o que parece ser um cigarro na boca, com uma grande "asa" traseira que permite ao engenho rodar conforme a direção do vento.

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O cenário é de uma ruralidade autêntica.

O telhado é composto por telhas de barro envelhecidas, onde crescem pequenos líquenes e musgo, denunciando a humidade e a passagem das décadas.

Ramos de árvores despidos de folhas emolduram a composição, enquanto o fundo apresenta um horizonte montanhoso sob um céu nublado, típico das paisagens de inverno em Chaves.

A pátina de ferrugem no cata-vento confere-lhe uma textura rica e uma cor terra que harmoniza perfeitamente com os tons do telhado.

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A Originalidade nas Raízes – Onde a Arte Encontra o Vento

A palavra "originalidade" deriva de "origem".

Muitas vezes confundimo-la com o bizarro ou o nunca antes visto, mas a fotografia de Mário Silva em Águas Frias lembra-nos que a verdadeira originalidade reside na capacidade de recriar o mundo com os pés assentes na terra.

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O Artesão como Artista Espontâneo

O cata-vento da imagem não saiu de uma linha de montagem industrial.

É fruto da mão de um artesão local — provavelmente um ferreiro— que decidiu conferir personalidade a um objeto puramente funcional.

A originalidade aqui manifesta-se no:

Aproveitamento de Materiais: O uso da chapa de metal que, sob o efeito da oxidação, ganha uma vida própria.

Design Antropomórfico: A escolha de representar uma figura humana, conferindo um ar "sentinela" à casa.

Integração Arquitetónica: A forma como a peça coroa a chaminé rústica, transformando um elemento técnico num marco visual da aldeia.

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A Fotografia como Resgate do Único

A originalidade também pertence ao olhar do fotógrafo.

Mário Silva não procura o monumento grandioso, mas sim o detalhe singular.

Ao isolar este cata-vento contra a imensidão das montanhas de Chaves, o autor eleva a arte popular ao estatuto de obra de arte.

É um convite a olhar para o que é comum e descobrir nele o que é excecional.

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O Valor do "Rústico" no Século XXI

Num mundo cada vez mais padronizado, o "rústico" torna-se a expressão máxima da originalidade.

Uma chaminé de Águas Frias, com o seu cata-vento enferrujado e as suas telhas desalinhadas, possui uma alma que a arquitetura moderna raramente consegue replicar.

É uma beleza que não tem medo das imperfeições; pelo contrário, alimenta-se delas para contar uma história.

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"A originalidade não consiste em dizer o que ninguém nunca disse, mas em dizer exatamente o que pensamos, com a voz que a nossa terra nos deu."

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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Mário Silva 📷

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